quarta-feira, 8 de junho de 2022

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #19

Urubu levado por flamenguistas causou furor no Maracanã, em 1969. Foto: Ag. O Globo

Zé Ary desta feita é quem distribui o jogo, lançando um tema à mesa de nossos 4 amigos.

Garçom: - Igual ao Dener, muitos craques brasileiros partiram da Terra muito cedo, né?

Sobrenatural de Almeida: - Com morte eu nunca me meti, nem olhem pra mim. Minha influência sempre foi só dentro do campo. E nunca pra machucar ninguém.

João Sem Medo: - Você disse que de mata-mata entende, Almeida.

Todos riem.

Sobrenatural de Almeida: - Sim, matar time, goleiro, atacante, torcedor no sentido figurado, está aqui o Ceguinho pra não me deixar mentir. Em cada lance que interfiro é um Deus nos Acuda!(dá sua risada medonha)

João Sem Medo: - Então tá bom. Mas agora o papo é sério e não tem sentido figurado. Alguns foram embora no auge de suas carreiras. Como o Eduardo, ponta-esquerda muito habilidoso que jogou no América do Rio e foi depois pro Corinthians e acabou morrendo num acidente de carro, lá na Marginal do Tietê.

Idiota da Objetividade: - No acidente automobilístico, ocorrido no dia 29 de abril de 1969, também faleceu Lidu, lateral-direito. O Corinthians fazia bela campanha no Campeonato Paulista de 1969, quando os dois faleceram.

Garçom: - Parece que teve um problema com o Palmeiras depois...

João Sem Medo: - Foi feia a coisa, muito feia.

Idiota da Objetividade: - Com a perda dos dois jogadores, o Corinthians pleiteou junto à Federação Paulista a contratação de substitutos, o que só seria permitido pelo regulamento com a unanimidade dos outros clubes, pois as inscrições para a competição já haviam se encerrado. Quase todos concordaram, apenas o presidente do Palmeiras na época, Delfino Facchina, votou contra. Revoltado, o presidente do Corinthians, Wadih Helu, chamou o palmeirense de porco.

João Sem Medo: - Merecidamente. Foi até pouco.

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Ceguinho Torcedor: - Na primeira partida entre os dois times depois deste episódio, soltaram um porco no gramado do Morumbi e a torcida do Corinthians começou a gritar “Porco, Porco”.

Garçom: - Que atitude feia do presidente do Palmeiras.

Ceguinho Torcedor: - Muito. Mas muitos anos depois a torcida do Palmeiras resolveu adotar o apelido e a história ficou meio apagada.

Músico: - Já que o assunto é a rivalidade entre Corinthians e Palmeiras, vamos chamar de volta ao palco o Teixeirinha?

É aplaudido novamente.

Teixeirinha: - Em matéria de rivalidade, eu e minha amiga Mary Terezinha, que está lá no Mundo Material, entendemos muito bem. Vamos então de “Bom de Bola”, de minha autoria, música que gravei no LP “Carícias de amor”, lançado em 1970, o ano do tri. Não reparem nas “ofensas”, por favor. Hahaha

Todos riem.

Muitas risadas durante a música e aplausos gerais ao fim.

Teixeirinha: - Muito obrigado. E a palavra volta ao comando de quem?

Todos, em uníssono, imitando a antiga vinheta da Rádio Globo do Rio de Janeiro: “João Saldaaaaanha!” João Sem Medo ri, faz seu sinal característico para Teixeirinha e inicia sua fala como começava seus comentários nos áureos tempos de rádio.

João Sem Medo: - Meus amigos, o Flamengo era chamado de urubu por torcedores adversários. Era um apelido racista, fazia referência ao grande número de negros na torcida rubro-negra. Mas quando os flamenguistas assumiram o urubu como mascote, os rivais se esqueceram do apelido pejorativo e racista. Foi mais ou menos o que a torcida do Palmeiras fez em São Paulo, embora o motivo do apelido fosse bem diferente.

Sobrenatural de Almeida: - O apelido acabou num jogo contra o teu Botafogo, João.

Ceguinho Torcedor: - É verdade!

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Idiota da Objetividade: - No dia 1º de junho de 1969, Flamengo e Botafogo se enfrentaram no Maracanã pelo Campeonato Carioca daquele ano. O time rubro-negro não vencia o alvinegro há nove jogos e seus torcedores continuavam ouvindo dos torcedores rivais que eram “urubus”, pelos motivos que o João já mencionou. Mas naquele domingo, alguns torcedores do Flamengo pegaram um urubu num lixão e levaram para o Maracanã. Antes de os times entrarem em campo, a ave foi solta com a bandeira do clube presa a uma das patas e os rubro-negros no estádio foram à loucura gritando “é urubu, é urubu”. O Flamengo acabou com o jejum vencendo por 2 a 1 e, com a charge do rubro-negro Henfil no Jornal dos Sports, o urubu passou a ser adotado como um dos símbolos do time.

Garçom: - Sobre outro Flamengo x Botafogo, de muitos anos depois, a final do Campeonato Brasileiro de 1992, Edu Kneip descreveu musicalmente em “Baile do Urubu”. Vou pôr aqui em especial pros flamenguistas aqui presentes, mas quem não é pode curtir também.

Fim do Capítulo #19

Modificado e republicado em 16 de dezembro de 2024

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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domingo, 5 de junho de 2022

OLHARES ALHURES - FOTOS #97: LAGO NEGRO











Fotos de Eduardo Lamas Neiva, feitas no Lago Negro, Gramado (RS), no dia 22 de abril de 2022.

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quarta-feira, 1 de junho de 2022

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #18

Garrincha fuzila Yashin, mas a bola baterá na trave, nos espetaculares 3 primeiros minutos da
seleção brasileira contra os soviéticos na Copa do Mundo de 1958

A música de Chico César e Zezo Ribeiro agrada em cheio e é até aplaudida, mesmo sem os músicos presentes.

Garçom: - Que bom que gostaram.

O drible continua à baila no bar Além da Imaginação, e João Sem Medo sai jogando com elegância.

João Sem Medo: - Nosso gingado não tem igual no mundo, por mais que alemães, espanhóis e outros europeus queiram ensinar à sua criançada a jogar parecido com o que de melhor apresentamos nos campos de todo mundo. Só os africanos poderão, talvez, nos alcançar um dia. O nosso futebol é uma coisa jogada com música.

Garçom: - O drible já foi tema de várias músicas, seu João. Então vou colocar outra aqui pra vocês ouvirem. Ela se chama “Drible de corpo” e foi composta por Toinho Gomes e Aisier Vinicius.

Zé Ary vai então ao notebook do Além da Imaginação e põe o som no ar:


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Memórias da geral do Maracanã
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O choro agrada em cheio também e Ceguinho Torcedor agora é que domina a área.

Ceguinho Torcedor: - As coisas estão tão de cabeça pra baixo que resolveram punir o drible.

João Sem Medo: - Até juiz aqui no Brasil andou advertindo jogador por driblar.

Ceguinho Torcedor: - A alegria do futebol, do nosso futebol, virou um acinte, uma humilhação.

João Sem Medo: - Isso só para os burocratas e os pernas de pau! Mas não tem árbitro, técnico ou dirigente que vá acabar com a criatividade do brasileiro.

Ceguinho Torcedor: - A música e o futebol deste país sempre produziram grandes craques.

Músico: - Sem dúvida alguma, seu Ceguinho. E tem mais músicas sobre o drible. Uma pena que o seu Garoto não pôde vir ainda pra tocar aqui pra gente o maxixe “Driblando”.

Garçom: - Mas tem uma aqui com o mesmo nome, do pianista Marcos Ariel. Vou colocar no som pra vocês ouvirem.

Todos curtem a música. Ao fim da execução, a palavra volta ao comando de quem? João Sem Medo!

João Sem Medo: - Falar de drible é falar de Garrincha, claro. Mas ele merece um dia inteiro pra que a gente comente um pouco sobre sua importância para o futebol brasileiro.

Ceguinho Torcedor: - Contra a Rússia, em 58, ele driblou até as barbas do Rasputin! Mas como disse o João, Garrincha é um assunto que não se esgota e merece que a gente fique falando só sobre ele durante séculos. E falaremos!

João Sem Medo: - Sim, é um papo certo pra mais adiante.

Garçom- Tem uma música ligeira e hábil como o Garrincha aqui. É a “Abertura” da trilha sonora do filme “Garrincha”, composta pelo saxofonista Léo Gandelman. Vamos ouvir!


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O torcedor de futebol
Minha primeira Copa do Mundo

Ceguinho Torcedor: - João, esse Zé Ary sabe tudo de música e futebol.

Garçom: - Obrigado, seu Ceguinho. Gosto muito desta tabelinha. Não há no mundo coisa igual!

João Sem Medo: - Muito bom, Zé Ary, muito bom mesmo. Olha, um dos nossos craques que driblavam muito e tinha um futuro brilhante, mas infelizmente morreu muito jovem foi o Dener. Era um grande jogador, tinha um grande futuro pela frente.

Garçom: - Dener está ali, seu João.

João Sem Medo: - Opa! Muito prazer, garoto. Vi você começando e depois o acompanhei daqui com muita alegria. Parabéns! Sua passagem foi curta na Terra, mas inesquecível, pode ter certeza.

Dener: - Muito obrigado, seu João. É uma honra pra mim ouvir seu elogio.

Ceguinho Torcedor: - Receba os meus também e de todos aqui presentes.

Dener: - Agradeço muito, seu Ceguinho.

Todos aplaudem Dener, que agradece com acenos, de sua mesa.                            

Fim do Capítulo #18

Modificado e republicado em 2 de dezembro de 2024

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terça-feira, 31 de maio de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: PEGANDO LEVE

Conheci O Terno por intermédio de Tim Bernardes. E fui apresentado a ele, há uns dois anos, por uma sugestão de alguém ou do próprio YouTube, já não me recordo, para ouvir, ver, a surpreendente mistura de Black Sabbath com Belchior que ele apresentou no programa "Cultura Livre", da TV Cultura. O que ele faz com piano e voz em "Changes" (Geezer Butler, Tony Iommi, Ozzy Osbourne e Bill Ward), e "Paralelas" (Belchior), como se fosse uma música só, me arrebatou de primeira. Daí para ir em busca de mais trabalhos e entrevistas e informações foi menos que um pulo. Portanto, ficar sabendo do grupo era inevitável. Gostar, ainda mais.

Alguém pode perguntar, então: por que "Pegando Leve" e não outra, "Recomeçar", por exemplo? Primeiro, porque é mais do que merecida, como seria a outra citada, mas esta retrata muito bem em sua letra nossos caóticos dias numa melodia muito, muito bonita. Segundo, porque ela entrou de surpresa na trilha sonora do nosso (meu e de minha mulher) sábado à noite, quando o tema de nossa conversa era justamente do que trata a letra, especialmente aqui: "Eu tô pegando leve, tentando descansar, meu nível de estresse ainda vai me matar". Curtaê, vale muito.   


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