sábado, 2 de outubro de 2010

HÁ 40 ANOS, O FIM DA VOZ RASCANTE DE JANIS


Alguns dias depois de a música perder Jimi Hendrix, com a mesma idade (27), ia embora Janis Joplin e sua voz única. Um som rascante, estranho, que se tornara brilhante pela forma como sua dona o fazia vibrar. Não vinha da garganta, nem do diafragma como ensinam os professores de canto e locução, mas do útero. 

E era lá que ela abrigava sua alma conturbada e fascinante, de onde concebeu pérolas que encantaram por tão pouco e intenso tempo platéias do mundo inteiro. Apesar de sua prematura morte, com apenas três LPs gravados, Janis permanece até hoje arrebanhando fãs das mais diversas idades. 


Embora tão breve, muito por viver sempre a 100, sua carreira também enfrentou altos e baixos. Mas quando ia fundo voltava ainda mais tenso, forte, emocionante.

Sempre cercada e assistida por muita, muita gente, Janis convivia com a solidão. Dizia ela que depois de um show e fazer amor com milhares de pessoas, voltava para casa e dormia sozinha.

"Por que não canto como as outras cantoras? Não sei, talvez porque não fique na superfície das melodias, porque eu entre na música, eu canto com a minha alma, com o meu corpo, com o meu sexo... Eu canto toda!" (Janis Joplin)


Vídeo: "To Love Somebody", de Barry e Robin Gibb, com Janis Joplin

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

REINALDO, O REI DO GALO MINEIRO

Para animar um pouco a entristecida torcida do Atlético-MG, aqui vai uma homenagem ao melhor centroavante que vi jogar. Sim, na minha opinião tecnicamente Reinaldo foi melhor do que Romário e Ronaldo. Infelizmente o Rei teve sua carreira encurtada pelas botinadas de péssimos jogadores, que contaram com a condescendência de árbitros igualmente péssimos.

Ele também não deu sorte de a medicina ser na década de 70 tão avançada como hoje. Qualquer lesãozinha no menisco obrigava o médico a tirá-lo por inteiro, por isso Reinaldo jogou boa parte de sua carreira sem os quatro meniscos e ainda assim não dava sossego mesmo aos melhores zagueiros do mundo.

Já na Copa de 1978 ele jogou machucado. A então CBD levou para a Argentina o Nautilus, uma aparelhagem monstrenga, para que o camisa 9 da seleção pudesse fortalecer os músculos das pernas e agüentar o tranco. O horrível gramado de Mar del Plata o derrubou.

Reinaldo foi um cracaço, um gênio, principalmente dentro da área, mas não deu muita sorte. Em 1981 foi um dos maiores responsáveis pela classificação do Brasil para a Copa de 1982 e faria na Espanha aquela Seleção de Telê tão lembrada ser ainda melhor do que foi. Muito, muito melhor, afinal jogaria no lugar de Serginho Chulapa, o homem que sorria a cada gol feito desperdiçado. Mas as lesões não deixaram.

Serginho também levou a melhor sobre Reinaldo cinco anos antes, na final do Brasileiro de 77, que na verdade foi disputada em 5 de março de 1978(!). Ambos não jogaram a partida decisiva por estarem suspensos, mas o São Paulo, do Chulapa e dos violentíssimos Neca e o falecido Chicão, que literalmente quebraram o talentoso meia Ângelo (também já falecido), acabou campeão nos pênaltis. Nenhum time merecia mais aquele título que o Galo mineiro, que terminou a competição invicto. Mas o futebol, como a própria vida, não costuma levar muito em conta a palavra justiça.

Na sensacional e conturbada decisão do Brasileiro de 1980, ele fez os três gols do Atlético-MG. No primeiro jogo, no Mineirão, local em que a violência novamente tirou um jogador de campo por alguns meses, desta vez o zagueiro Rondinelli, do Flamengo - atingido por um soco desferido até hoje não se sabe se por Palhinha ou Éder - ele fez o único da vitória do Galo, que partiria para o Rio com a vantagem do empate. No Maracanã abarrotado, com mais de 154 mil pagantes quatro dias depois (1º de junho de 1980), ele por duas vezes empatou a partida e deixou apreensiva a torcida rubro-negra. O detalhe é que quando fez o segundo já se encontrava machucado.

Acabou expulso de campo após comemorar o segundo gol. De acordo com o zagueiro Marinho (em entrevista recente ao jornal "O Dia", do Rio), Reinaldo ia levar o vermelho antes de fazer o segundo gol por ter "falado um monte de besteiras" para o árbitro José de Assis Aragão. O ex-atacante nega e não se conforma com sua expulsão até hoje. Nunes desempatou, e sem Reinaldo o Galo não voltou a empatar, embora tenha tido uma chance quase no fim, com Pedrinho. Segundo Manguito, o outro zagueiro do Fla, que falhou no lance: "Se fosse o Reinaldo..."

Embora não tenha conseguido ser campeão brasileiro, Reinaldo foi por muitos anos o maior artilheiro em uma edição da competição, em 77, com 28 gols em 18 partidas. Foi superado por um gol por Edmundo, em 1997, mas o então vascaíno fez muito mais jogos (29) e a média de gols do Rei por partida obtida no Brasileiro de 33 anos atrás é até hoje a maior.

Reinaldo é o maior artilheiro da História do Atlético Mineiro, com 255 gols em 475 partidas. Pela seleção brasileira ele fez 14 em 37 jogos. Esses dados são do Wikipedia. Curta agora belos momentos do Rei em campo nos dois vídeos encontrados no Youtube.



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Beckenbauer, A Elegância do "Kaiser"
O Teatro e o Futebol

terça-feira, 21 de setembro de 2010

ADEUS, MARACANÃ!


Muito provavelmente o estádio que será reaberto no início de 2013, como está prometido já com grande atraso, após as reformas exigidas pela Mrs. Fifa, será mais vistoso, moderno, limpo, até seguro, mas certamente não será mais o Maracanã. Pelo menos não aquele que passei a freqüentar no início dos anos 70, ainda muito garoto para assistir à chegada de Papai Noel, e depois para ver os mais variados jogos de futebol de 1974 em diante - com muito pouca presença, admito, nos últimos dez, 12 anos. A emoção de entrar pelo túnel na arquibancada e ver o imenso gramado e as torcidas, como me aconteceu tantas e tantas vezes, ficará guardada na minha memória como os antigos retratos que vão amarelando com o tempo.

A arquibancada de cimento, onde já couberam 90 mil pessoas (14 mil a mais que a capacidade inteira do novo estádio) e a geral, onde muitas vezes se apertaram 30 mil ou mais, já não existiam há muito tempo. Várias obras foram feitas, como a que vedou a ventilação do estádio com suntuosos camarotes no alto das arquibancadas, mas o aspecto e principalmente a alma do ex-maior estádio do mundo permanecia, a essência era a mesma. Porém, ele foi sendo morto aos poucos e agora receberá o tiro de misericórdia: depois de mais de dois anos fechado, virá outro em seu lugar. Outro sim, não mais o Maracanã. Por justiça deveriam trocar seu nome.

O Maraca não será implodido fisicamente como sugeriu certa vez João Havelange, e posteriormente seu ex-genro Ricardo Teixeira, mas de certa forma ele será demolido por dentro e desaparecerá levando junto a sua alma. Determina o tombamento de monumentos históricos que sua fachada deve ser mantida. Pois no Mário Filho, o que menos importa é a sua carcaça. A magia estava dentro, com seu gigantismo que fez muitos jogadores, dos mais modestos pernas-de-pau aos mais decantados craques, tremerem ou se consagrarem.
Que o mudassem por fora, criando novas rampas, entradas e saídas mais largas, mas derrubar suas arquibancadas, depois de já terem levado a geral, e ainda reduzir o campão de 110x75 para 105x68, é tirar tudo de mais sagrado e fascinante que existia no Maracanã. Um desconhecido surgirá em seu lugar. E, por mais esforço que façam as torcidas cariocas, reviver a magia anterior será impossível. Talvez outra seja criada, pois aquela que perdurou até Flamengo 0 x 0 Santos, jamais. Jamais!




* Este texto foi publicado originalmente no extinto Futebloguices e foi revisado e levemente ampliado em 28/9/2011.

Veja também:
Na Volta do Bonsucesso à Primeira Divisão do Rio, as Conseqüentes Boas Lembranças de Meu Avô Thomé
Setenta Anos do Canhotinha de Ouro
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Pelé, Só Ele

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

AMÉRICA-RJ, 106 ANOS

Neste sábado, dia 18 de setembro, além dos 40 anos de morte de Jimi Hendrix, é também aniversário de fundação do América Futebol Clube, do Rio de Janeiro. São 106 anos de existência, com a esperança de sempre de seus ainda apaixonados torcedores de que os dias de glória, cada vez mais distantes, possam retornar.

Para saudar a torcida rubra e o clube, torcendo também para que o América deixe de ser Ameriquinha e volte a ser Americaço, exponho a foto dos seus três últimos grandes times: o campeão dos campeões de 1982 (invicto), com o vídeo dos gols de toda a campanha; o campeão da Taça Guanabara de 1974, com imagens da final contra o Fluminense do sensacional Canal 100, e o campeão carioca de 1960. 

Este que foi o último título estadual do América na Primeira Divisão merece ainda o vídeo lá embaixo com a narração do gol de Jorge, o decisivo para aquela conquista de 50 anos atrás. Como bem diz o saudoso Waldir Amaral: "Deus salve o América".

Veja também:
Gaúcho, o adeus de um discípulo de Dario
Cinema, futebol e música no Lamascast


1982

Gasperin, Duílio, Zé Dilson, Everaldo, Chiquinho e
Pires; Serginho, Gilberto, Moreno, Elói e Gilson Gênio

A campanha
24/04 - America 1 x 1 Cruzeiro (F)
01/05 - América 1 x 1 Grêmio (C)
09/05 - America 1 x 0 Atlético-MG (F)
16/05 - America 1 x 0 Cruzeiro (C)
22/05 - America 0 x 0 Grêmio (F)
29/05 - America 1 x 1 Atlético-MG (C)
Quartas-de-final
02/06 - América 1 x 0 Atletico-MG (C)
Semifinal
06/06 - America 2 x 2 Portuguesa-SP (F) - * (4 x 3 penais)
Final
10/06 - América 1 x 1 Guarani (F)
12/06 - America 2 x 1 Guarani (C)
Artilheiros
Elói 4 gols; Duílio 2; Serginho, Zé Dilson, Moreno, Gilson Gênio e Estêvão (Portuguesa-contra) 1 gol cada.



1974

Orlando, Geraldo, Rogério, Alex, Ivo e Álvaro; Flecha,
Bráulio, Luizinho, Edu e Gilson Nunes.


A campanha
04/08 4x1 Vasco
10/08 1x0 Portuguesa
14/08 2x0 Campo Grande
18/08 1x2 Flamengo
24/08 1x0 Bonsucesso
28/08 3x0 Bangu
31/08 1x1 Botafogo
07/09 3x0 São Cristóvão
11/09 1x0 Madureira
19/09 1x0 Olaria
22/09 1x0 Fluminense



1960

Ari, Jorge, Djalma Dias, Amaro, Wilson Santos e Ivan;
Calazans, Antoninho, Quarentinha, João Carlos e Nilo.

A campanha
Primeiro turno
31/07/1960 Vasco 0x1 América
04/08/1960 América 2x1 Olaria
07/08/1960 Bonsucesso 1x3 América
14/08/1960 Fluminense 1x1 América
21/08/1960 América 0x1 Bangu
27/08/1960 São Cristóvão 1x2 América
03/09/1960 América 2x0 Portuguesa
09/09/1960 América 3x0 Canto do Rio
18/09/1960 Botafogo 2x2 América
25/09/1960 América 1x0 Flamengo
30/09/1960 América 1x0 Madureira
Segundo turno
08/10/1960 Portuguesa 0x2 América
15/10/1960 Olaria 1x4 América
22/10/1960 Bangu 0x1 América
29/10/1960 América 2x0 São Cristóvão
06/11/1960 Flamengo 1x1 América
13/11/1960 América 0x0 Vasco
19/11/1960 Canto do Rio 0x2 América
26/11/1960 Madureira 1x2 América
03/12/1960 América 2x1 Bonsucesso
11/12/1960 América 3x3 Botafogo
18/12/1960 América 2x1 Fluminense


Veja também:
"Uma coisa jogada com música" no Museu da Pelada
"Contos da Bola", quem lê recomenda
Jogo de recordação 1 e 2: Flamengo x América-RJ
Memórias da geral do Maracanã


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