Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
Aqui vai mais um vídeo com uma poesia cantada. "Dissipações" também já havia sido publicada aqui neste blog e retirada numa época em que resolvi esconder parte do meu trabalho. Não tem resposta, portanto nem adianta perguntar o motivo. Aqui vai ela, então, agora com som (os versos estão abaixo do vídeo).
DISSIPAÇÕES
(Eduardo Lamas)
Há tanta dor
largada pelo caminho
Tanto amor
deixado pela estrada
Tanta luz
desperdiçada na escuridão
Tanta sombra
perdida no espelho
Nas calçadas repletas
No asfalto escaldante
Nos botecos imundos
Nos bares da moda
Há tantas pegadas
que ainda erram pelas madrugadas
Na areia das praias
Nas calçadas rachadas
No asfalto vazio
Nas pistas de dança
Tantas gotas de suor
misturadas nas águas do mar,
dos rios, lagos, copos e corpos
Tanto odor, ardor e a dor
nos dias de festa, carnaval.
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Sem muito papo desta vez, pois já me expliquei demais. Aí vai mais uma poesia cantada em ritmo blues.
SALVAÇÃO E PERDIÇÃO
(Eduardo Lamas)
Nesta noite eu choro
Não posso salvar
uma alma perdida de si
só tenho potência pra me salvar
das minhas mediocridades, limitações
e desejos de salvação
Vejo no olhar baço, fugidio,
a desesperança, a auto-vingança
E tudo que faço é buscar
ora em vão, outras não,
aquilo que me amansa
Nada, nada, nada
que me faça perder
de vista
a longa e sinuosa estrada
me fará parar agora
Porém é preciso seguir com
o olhar generoso e atento
pra não despencar do penhasco
que sempre aparece
depois de uma curva fácil.
Ao começar essa série de vídeos com "Que me diz você?" - e depois com ""O rio" entrelaçado à "Sequidão"" - tive o cuidado de explicar os meus objetivos e deixar claro que não sou músico, cantor, nem ator, diretor, muito menos videomaker. Mas talvez tenha deixado escapar algo que, por me incomodar, vou corrigir aqui, antes de apresentar "Choro represado é sinal de chuva". Disse que criei melodias para as poesias que já tinha escrito e em determinados momentos chamei de música. Creio que na verdade não, ainda não são, se é que um dia serão. São na verdade poesias cantadas, que entendi ficarem melhores do que declamadas, algo que nunca soube bem fazer, mas que mesmo assim me arrisquei com "O Rio", fabulosa poesia de João Cabral de Melo Neto que ainda ousei editar e misturar aos versos "melodiados" de "Sequidão".
Não vou editar os vídeos em que chamei de música o que fiz - talvez nem os que já estão gravados e ainda não postei em lugar algum -, mas fica aqui registrado então o que creio ter feito. Mal ou bem cabe a você; a mim, continuar com as poesias cantadas. Acredito que, como já escrevi anteriormente, as palavras, os versos e a própria poesia ganharam novas cores, sentidos, força, entonações e entoações com a melodia que cada uma recebeu. O que você acha?
Aí abaixo vai uma poesia que abre um dos capítulos do romance "O negro crepúsculo" e que já havia publicado aqui (retirada posteriormente) e no Jornal Portal, e que para minha surpresa renasceu com um ritmo de samba. Vamos lá, em breve vem mais.
CHORO REPRESADO É SINAL DE CHUVA
(Eduardo Lamas)
Lágrimas represadas choro que não vem horizonte que se aproxima pingos d’água pisoteiam o chão
Lava terra, lava alma ar em rebuliço corpo em polvorosa um sem espaço que se ocupa imensidão que se reduz
Um oceano inteiro no brilho de uma gota que me afoga pela boca um mundo inteiro no esfarelar de uma pedra que me enterra pelo peito
O pior câncer do Brasil são os roubos feitos dentro da lei, de regulamentos, regimentos, normas, muitas vezes aprovados pelos próprios beneficiados. Refiro-me a todo tipo de mordomia, ganhos astronômicos, bolsas e auxílios extras (a parentes e amigos, inclusive), casas e apartamentos oficiais, carros, aposentadorias especiais, concedidas fartamente nos três poderes (executivo, legislativo e judiciário) em municípios, estados e na federação e em empresas e órgãos públicos. É o pior câncer, porque é o mais difícil de extirpar, pois está enraizado na lei e na cultura da boquinha, do fisiologismo, do nepotismo, do cinismo e da hipocrisia. Esta é a verdadeira e duradoura crise deste país doente.
Para não dizer que não falei das flores, um ótimo e raríssimo exemplo do que deveria ser a regra: http://www.tribunadainternet.com.br/reguffe-do-pdt-abre-mao-de-todas-as-regalias-de-senador/