quarta-feira, 15 de julho de 2020

MÚSICA PRA VIAGEM: CAIS

Esta é uma daquelas que sempre me arrepiam dos pés à cabeça. A voz de Milton Nascimento é algo realmente de outro mundo e renasce em mim a cada audição. Ele é, para mim, o Pelé da nossa música, com essa voz magistral, celestial.

Uma das coisas que mais gosto de contar sobre mim é que tenho sangue mineiro em minhas veias. E se este sentimento tem a ver principalmente com o meu saudoso pai e o pai dele, meu avô clarinetista que não pude conhecer, e tios e irmãos dele, também me toca por causa de Milton e a turma do Clube da Esquina.

Originalmente, "Cais" integra o histórico disco "Clube da Esquina" (1972), mas foi também gravada lindamente por Elis Regina, Nana Caymmi e outras(os) tantas(os), mas Milton, peço desculpas e licença, é Milton. Além do fato de ser o compositor, juntamente com Ronaldo Bastos, desta canção arrebatadora. Vida longa ao Anjo das Minas Gerais!



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segunda-feira, 13 de julho de 2020

DEVOTOS DO DINHEIRO

Tive o grande prazer de participar no último sábado (11/07) de um debate online promovido pelo jornalista e escritor Fábio Mendes, juntamente com os também jornalistas Allan Simon e Gabriel Gontijo, sobre o futuro das transmissões de jogos de futebol, partindo do embate recente entre o Flamengo e a TV Globo (se quiser assistir é só clicar aqui). Durante a conversa pude expressar que a imagem do Tio Patinhas com cifrões nos olhos é o que dirigentes de futebol e políticos, em especial, e a sociedade de uma forma geral (afinal o futebol não é um mundo à parte) têm me passado de forma muito clara nesses tempos de pandemia. 

Não que isso seja alguma novidade nesta terra tão explorada e mal-tratada, mas certamente a tornou mais evidente neste momento de tão grave situação. Primeiramente, não deveria estar havendo jogo de futebol algum no Brasil, e nisso nós quatro concordamos firmemente (enquanto debatíamos, o Governo catarinense suspendia uma partida das quartas de final do Campeonato Estadual e a Federação local decidia adiar as outras três, depois de ter retornado na última quarta-feira).

A forte pressão de empresários-políticos, políticos-empresários e políticos do mais baixo nível nos mais altos cargos da Nação para a abertura do comércio e do funcionamento de serviços não essenciais (pseudo-religiosos, inclusive, em muitos casos, principalmente), é a grande responsável pela balbúrdia e a inconsequência perversa que se instaurou no país sem ministro da Saúde.

O dinheiro é uma grande invenção humana, mas assim como a internet e o avião, para ficarmos apenas nestes grandes exemplos, podem se tornar altamente maléficos dependendo da forma como se usa. Usa-se ou se é usado, eis a grande questão. Um dos motivos do suicídio de Alberto Santos Dumont seria o fato de ter visto (literalmente) seu invento ser utilizado como uma potente arma de guerra. 

Com o egoísmo e a ganância superando de lavada o altruísmo e a solidariedade, as mãos que manuseiam a maior parte do dinheiro (e o poder) neste país vão ficando cada vez mais imundas. De sangue, inclusive, e em muitos casos, principalmente.

Os devotos do dinheiro demonstram a quem quiser ver e seguir (a manada é submissa) que o mais importante na vida são as finanças (deles, claro). Gostaria de lembrá-los que sem Saúde não há Economia, não há nada para ninguém. Logicamente não se deve esquecer o fator econômico-financeiro, ele é importantíssimo, mas a prioridade máxima tem de ser sempre a Saúde. Entretanto, priorizar não é, definitivamente, um verbo que o brasileiro saiba utilizar bem, e isso não é de hoje.

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Nesta sociedade "aborrescente", em que vencer um adversário não basta, é preciso eliminá-lo, acabar com ele, e em que a democracia só serve quando o outro concorda comigo, vamos rastejando, sem a mínima organização, competência e muito longe da possibilidade de se ter união, solidariedade, a não ser esporadicamente, por determinados grupos. 

O conjunto, no geral, é uma bagunça, ou seja, não existe, pois é cada um por si. O mau exemplo vem de cima (ou debaixo, dependendo do ângulo que se olhe, pois o nível é baixíssimo).

E a bola vai rolando nas finais do Rio de Janeiro, enquanto os contágios e as mortes prosseguem a todo vapor. Em meio a tudo isso, a morte do caráter de um povo que vê o barco afundar, mas não pára de dançar. Vai ser difícil ressuscitá-lo depois desta tragédia potencializada pela irresponsabilidade diária.

PS: Enquanto finalizava este texto, soube que 83 milionários de Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Nova Zelândia, Alemanha, Dinamarca e Holanda publicaram uma carta aberta pedindo aos seus governos aumento de impostos justamente sobre os mais ricos. Por aqui, bem, por aqui os devotos do dinheiro só pensam em manter e até aumentar os seus privilégios e arrancar os olhos de quem pouco ganha, taxando inclusive desempregados. "Pobre tem que morrer", já dizia o inesquecível personagem Justo Veríssimo, genial criação do grande artista Chico Anysio.


   

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sexta-feira, 10 de julho de 2020

MÚSICA PRA VIAGEM: RÉQUIEM

Transcendental, arrepiante a quarta música desta série. O Réquiem composto por Wolfgang Amadeus Mozart teve na verdade boa parte criada por seus discípulos, já que faleceu sem completá-lo. De qualquer forma, é como se esta obra-prima tivesse sido feita apenas pelo genial compositor austríaco.

Trechos dela foram usadas na montagem da peça "Sentença de Vida", de minha autoria e dirigida pela saudosa Cristine Cid, minha primeira mulher e mãe dos meus 3 filhos, com ótimas atuações de Denize Nichols e cenário de Cátia Vianna.

Eu ouvia em minha cabeça várias partes do coro maravilhoso desta missa fúnebre enquanto escrevia a peça, feita numa noite do início dos anos 2000, em Rio do Ouro (São Gonçalo-RJ), onde morava na época, num fluxo de consciência e escrita que ainda me impressiona quando me recordo. Ouço esta obra em casa há décadas, com freqüência. Sublime!


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quarta-feira, 8 de julho de 2020

MÚSICA PRA VIAGEM: MIRRORBALL

Demorei alguns anos para retornar com força a esta série, motivado por estas listas que um amigo ou outro vem me desafiando a fazer nas redes sociais neste período de quarentena, que já passou da centena. Pelo menos para mim, que nunca morei no Leblon, nem jamais simpatizei com o esnobe bairro da zona sul carioca, embora reconheça a sua beleza exterior. Comecei no Facebook chamando de "Música que me toca", mas manterei o nome original ao migrá-la para cá até para dar sequência a algo que já havia iniciado.

A primeira música desta retomada é uma versão belíssima do grupo inglês Elbow para "Mirrorball", inspirada composição do grande Peter Gabriel, que certamente vai trazer outra em sua voz para esta série a qualquer momento, pois sou muito fã do cantor original do Genesis. O Elbow conheci há uns oito anos, na radiovitrola.net, e gostei de cara. Eles têm várias músicas autorais excelentes, mas este arranjo especial que eles gravaram com a Orquestra da BBC de Londres foi a que mais me tocou. Aliás, esta apresentação de 2009, que um dia esteve inteira no YouTube, mas agora só se acha em partes, é soberba. 

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