Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Caso queira contribuir para a manutenção deste blog, fruto de muito trabalho de criação e pesquisa entregue gratuitamente, desde 2008, deposite quanto, quando e quantas vezes quiser no PIX edulamasneiva@gmail.com. Obrigado pela visita, volte sempre.
OLHARES ALHURES - FOTOS #118
MUITO OBRIGADO, ALBENEIR
![]() |
| Foto de Fernando Gustav |
O mineiro da cidade de Baldim Albeneir Marques Pereira, que começou sua carreira de jogador de futebol no Cruzeiro, tinha 65 anos e morreu em casa, a mesma em que o entrevistei, no município de Biguaçu, que faz parte da região metropolitana de Florianópolis, vejo no noticiário local. Para mim, fica a simpatia com que nos recebeu, eu e o cinegrafista Fernando Gustav, e uma recordação que fez questão de me dar naquele dia 8 de setembro e que guardo comigo com muito carinho: uma caneca com o escudo do Figueirense.
Abaixo, a entrevista publicada no canal do YouTube e no site do Museu da Pelada em dezembro do ano passado:
EM MEMÓRIA DE SIMON ÂNGELO BERTOLOTO
Se há alguém aí do outro lado do texto, certamente estará se perguntando: quem é Simon Ângelo Bertoloto? Um morador de rua, respondo. Foi, pois como fiquei sabendo ontem no perfil do Instagram de um deputado estadual em quem voto desde que cheguei a Florianópolis há 4 anos, Simon faleceu de hipotermia na segunda-feira, dia 12. Tinha entrado na rede social para desativá-la, assim como fiz com outras, e recebi de cara a chocante notícia que não pude ignorar, de jeito algum.
Ele vivia à porta do Johrei Center do Centro da cidade, na Rua General Bittencourt, e depois de o cumprimentar algumas vezes, assim como a outros que ali ficavam, numa segunda-feira há um mês e meio ou mais (o tempo veloz, furioso, fugidio me deixa cada vez mais perdido), Simon me pediu que orasse por ele. Eu respondi que faria isso sempre, entrei e cumpri a partir de então. Ali e em casa.
Primeiramente ofereci um Johrei. Aceitou, então fiz a oração com e para ele ali mesmo onde dormia e passava, creio, o dia inteiro. Conversamos um pouco e ele me disse que era de Santa Rosa (RS). Sabendo que era gaúcho e, como vestia uma camisa de manga comprida azul, brinquei dizendo que ele devia ser gremista, mas respondeu que não, era torcedor do Internacional. Quando o informei de que eu também não era daqui (de Santa Catarina), mas que agora, há 4 anos, passara a ser, ele me surpreendeu com um sorriso da mais pura alegria e estendeu a sua mão direita em direção a que eu ministrava o Johrei. Deu pra sentir sua mão grossa, da roça e ou da rua.
Quando encerramos, voltei a entrar e, quando saí para ir embora, ele me pediu algo para comer e comprei uma quentinha e um suco para matar um pouco a sua fome. Pedi em troca que mantivesse o local em que vivia o mais limpo possível e, imediatamente, foi para o outro lado da rua comer o seu almoço. Uma semana depois voltei ao Johrei Center com um casaco e uma camisa do Inter para lhe dar, pois havia pedido roupas também. Quase me esqueci, já estava no ponto do ônibus quando me lembrei. Voltei em casa para pegar os presentes, pois de alguma forma sabia que não teria outra chance de encontrá-lo, o que se confirmaria.
Esquecido que havia me falado que era torcedor do Colorado, ao receber a camisa pareceu querer me dizer: "como você sabe o meu time?". Agradeceu as vestimentas e, posteriormente, vi que as vestiu logo. Na saída, eu me despedi e ele, sentado no chão de sempre, encostado na parede, me pediu algo para comer, mas recusei: "Vou ficar lhe devendo esta, desta vez". Ele me olhou com uma expressão triste, baixou a cabeça e é a imagem dele que não gostaria de ter em minha memória. É também uma infeliz ironia saber que lhe dei um casaco e tenha falecido de hipotermia.
Talvez este texto fique aqui esquecido e seja um símbolo do que foi Simon e tantos, tantos, tantos outros que vivem nas ruas e são desprezados ou feitos para uso político. Anônimos, sem título de eleitor, sem documentos, sem identidade, sujos, famintos, drogados, bêbados, porém, de acordo com as circunstâncias, úteis ou inúteis para oportunistas egocêntricos indiferentes.
Veja também:
Brasil, um edifício que cresce sobre frágeis alicerces
A necessidade do desejo
O caminhante
Rima
OLHARES ALHURES - FOTOS #117
MÚSICA PRA VIAGEM: BAHIA X GRÊMIO
Como o sorteio dos confrontos das quartas de final da Copa do Brasil deste ano pôs frente a frente Bahia e Grêmio, lembrei-me imediatamente da música gravada originalmente no CD Yamandú, de 2001, que tenho já há alguns anos: Bahia x Grêmio. A composição e a gravação reúnem dois de nossos maiores instrumentistas, um da nova geração de violonistas, o gremista Yamandú Costa, e outro da Velha Guarda do carnaval baiano, o virtuose Armandinho Macêdo, filho do criador do trio elétrico, Osmar, e quem batizou o cavaquinho elétrico ou pau elétrico de guitarra baiana.
Veja também:
Como torcedor do Esquadrão de Aço, de Salvador, criou também este clássico futebolístico-musical entre tricolores do Nordeste e do Sul do país com o parceiro mais jovem. Desta tabelinha entre dois cracaços da nossa melhor música e entre o som e a bola só poderia sair um golaço que me trouxe aqui para publicá-la na série "Músicas que nos fazem viajar".
"Bahia x Grêmio" já fez parte do projeto Jogada de Música, quando foi executada no quadro de um dos programas do Pop Bola na Rádio Globo Rio, entre 2017 e 18. Vamos então curtir abaixo o toque de prima desta dupla talentosíssima.
FELIZ ANO NOVO!
Feliz Ano Novo! O blog Eduardo Lamas Neiva entra em 2026 no seu 18º ano . Ao longo...
As mais visitadas
-
Ângelo, uma vítima da crueldade em campo Ângelo, meia do Atlético nos anos 70 Engana-se muito quem imagina ser o futebol atual mai...
-
Um movimento de clubes interessados no reconhecimento dos títulos da Taça Brasil e da Taça de Prata (Torneio Roberto Gomes Pedrosa) como leg...
-
Foto de Luiz Paulo Machado para a revista Placar No próximo sábado Pelé completará 70 anos de idade e as homenagens, que já começaram, serão...












