Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
Calamidade pública
São os políticos
Deste estado de
Calamidade pública
São os políticos
Deste estado de
Calamidade pública
São os políticos
Deste estado de
Calamidade pública...
Fui convidado na semana passada pela produtora Marcela Maranhão para falar na noite de sexta, dia 10/6, sobre o livro "O negro crepúsculo" para o programa Movimento, da Rádio Jornal, do Recife. Porém, acabei tendo o imenso prazer de conversar também sobre música brasileira e, em especial, da minha profunda admiração e respeito pela cultura e a arte pernambucanas, já manifestada neste blog tantas vezes (veja os links no fim da postagem).
Fui entrevistado pelo apresentador Marcelo Araújo, mas pude conversar também com o escritor Amaro Filho, que estava no estúdio para divulgar o livro "Pífanos do Sertão", lançado dois dias depois na capital pernambucana.
Convido você a ouvir o programa no vídeo abaixo. A minha participação vai de 15m20 a 27min23.
Pouco a pouco o livro "O negro crepúsculo", o segundo que publico, vai conquistando leitores e mais espaço na mídia. Já concedi algumas entrevistas, duas para rádio (Nacional e Livre, ambas do Rio de Janeiro), uma para o jornal O Fluminense, de Niterói (RJ), e outra para o conceituado Blog da Simone Magno, especializado no mundo dos livros e da literatura.
Não é fácil ser escritor em qualquer lugar do mundo, ainda mais num país como o Brasil, muito pouco interessado em Educação, por conseqüência, em leitura. Mais difícil ainda é ser também editor e divulgador do trabalho (até a foto da capa fiz desta vez). Porém, a tecnologia hoje facilita a vida de quem procura fazer bom uso dela e, graças a isso, estou podendo fazer meu trabalho de formiguinha, independentemente, e expandindo o alcance de "O negro crepúsculo" - e também de "Profano coração", o primeiro que lancei -, inclusive para o exterior.
Só tenho a agradecer a todos que estão abrindo espaço para o meu trabalho e os leitores de várias partes do país e do mundo que estão adquirindo o livro. Se quiser adquirir o seu aqui no Brasil, o link é este: http://goo.gl/SdKSqU. Em outras partes do mundo, "O negro crepúsculo" pode ser comprado no site local da Amazon.
Confira abaixo, os veículos e profissionais de comunicação que falaram - ou me deixaram falar - sobre o livro (clique no nome e veja o que foi publicado):
O ser cindido vive em dois mundos: o real e o imaginado. Além deles, ainda se pode considerar um terceiro (a terceira margem?), o da tênue linha fronteiriça que separa um do outro. Todo artista de verdade possui algum grau de esquizofrenia. Postado racionalmente no mundo mesquinho da realidade, dos afazeres práticos e ou reconfortantes, o homem age maquinalmente, absorve ordens, cumpre seus deveres, exige direitos (até os que não tem), diverte-se, joga conversa fora e flana sobre a superficialidade apenas tangenciando-a. Na era do entretenimento paranóico, esta é a lei.
No entanto, quando o homem avança, mergulha e investiga com todos os seus sentidos aguçados e concentrados o mar infinito que é seu próprio ser ou atravessa a pesada porta que o impele a não sair do lugar e vai onde quanto mais fundo, mais escuro e denso, torna-se possível trazer algo novo à tona e se tornar um ser criador.
Mas aqui não cabem ilusões, paga-se um alto preço por isso, muito alto. Não ser compreendido, é apenas um. O pior de todos é não conseguir sair da fronteira: desprezar a superficialidade e não se aprofundar. Ficar preso ao imaginário e ao caos interior ou confundi-lo com o real é outro grande risco que se corre. É a doença, quando o homem é controlado por sua mente, quando ele se faz refém de si mesmo. Alguns artistas se afundaram nessa, muitos empurrados pelas drogas alucinógenas encontraram a sua morte, física ou mental.
Porém, a mediocridade de não escolher, de não decidir, a falta de coragem para romper barreiras e se acautelar faz do homem um rato medroso, um medíocre. Faz a alma humana aprisionada no corpo do cão o olhar com desprezo. E a fraqueza ou falta de fôlego para retornar e trazer a boa nova o joga no limbo, é também apenas um existente.
* Este texto já havia sido publicado e retirado por mim algumas vezes aqui. Agora daqui não sairá mais
Ilustração:"Only opens, when open for
fantasy", de Ben Goossens.
Glória Pires não me parece nos seus melhores dias (como Lota Macedo Soares em "Flores raras" ela está bem melhor, no meu modo de ver), o filme não ficará na História do cinema, mas "Nise - O coração da loucura", dirigido por Roberto Berliner, merece ser visto por todos os brasileiros. Todos, sem exceção. E nem tanto pelas maravilhosas interpretações dos atores que encarnaram os loucos do Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro, mas pelo maravilhoso exemplo que representa a doutora Nise da Silveira. Uma brasileira que nos faz lembrar que não é só de pilantras, bandidos, corruptos, ególatras e mal-amados vive este país.
Infelizmente, temos visto cada vez mais a nossa imprensa (mídia) e nossos (des)governos dando mais valor aos que nada valem, do que àqueles que mereciam uma estátua em cada esquina desta imensa terra. Nise da Silveira enfrentou um mundo altamente machista, ególatra, frio e indiferente ao outro, os pseudo-deuses da medicina, para fazer valer o afeto. E com essa ferramenta poderosa fazer seus esquizofrênicos se transformarem em grandes artistas e - muito mais do que isso - conseguirem levar uma vida digna e serem respeitados.
Curiosamente, antes da sessão de cinema (mais uma vez tive de me deslocar para a sempre privilegiada Zona Sul), passou o trailer de um filme sobre um "ídolo" daquela pancadaria vale-tudo que não preciso citar. E logo no início de "Nise" há uma cena de uma briga selvagem entre dois loucos, incentivados por outros mais dementes enfermeiros, funcionários e outros pacientes, ou melhor clientes, como a doutora gostava que os chamassem. Qual a diferença entre uma selvageria e outra? Só no cenário mais rico e arrumadinho das rinhas humanas bancadas por empresas milionárias e televisões poderosíssimas. Todos dementes.
Um dos brigões do Engenho de Dentro, o mais violento, é Lúcio Noemann, que através do trabalho paciente e amoroso de Nise da Silveira, pôde se revelar um artista de mão cheia. Não para esmurrar adversários ou inimigos, mas para esculpir, moldar, criar obras de arte. E emocionar. Do mesmo modo, Emygdio de Barros, Adelina Gomes, Raphael Domingues, Carlos Pertuis e Octavio Ignacio (clique aqui para saber mais no site do Museu de Imagens do Inconsciente).
Emygdio de Barros
Houvesse uma enquete nas ruas deste país para saber quem conhece ao menos um pouco do legado de Nise da Silveira para o mundo, duvido que os resultados fossem animadores. Isso é que é triste, isso é que é loucura. Uma das muitas faces da loucura compartilhada diariamente por aqueles que vivem no lado de cá dos muros manicomiais.
###############
Apesar do trabalho revolucionário e humanista capitaneado pela doutora Nise da Silveira, ainda na década de 40, a poucos quilômetros do Rio de Janeiro, em Barbacena (MG), um verdadeiro campo de concentração matava lentamente e lucrava muito com a venda de corpos, como descrito no livro "Holocausto brasileiro", de Daniela Arbex.
Eu tive um pesadelo. Eu tive um pesadelo terrível esta noite. Nele vi claramente algo que só pressagiava remotamente no início dos anos 90: meu país elegeu para a Presidência uma chapa formada pelo candidato que ama torturadores e assassinos e outro influente colega "cristão". Foi ruidosa e raivosa a festa, se é que pode se chamar de festa milhões de pessoas de dentes trincados, cenhos franzidos, olhares injetados, bocas contorcidas, esgares dos mais variados a urrar palavras de ordem, contra tudo e todos que ousassem discordar da nova-velha Era.
Meu pesadelo certamente revelou em poucas horas os acontecimentos de anos. Perseguições, torturas, pessoas atiradas à fogueira e enforcamentos em praça pública aos adeptos de religiões afro, católicos, ateus, índios, gays, qualquer opositor daquele regime de horror instaurado por vias "democráticas". A maioria estava com o novo líder. E desfilavam impecavelmente uniformizados para e por ele num interminável mar de cabeças a balançar dizendo sim, quando era para dizer sim, e não, quando ele mandava dizer não.
Todos de crucifixo invertido no peito. Uma versão gigantesca da KKK, do EI, da SS na América do Sul. Livros e templos destruídos, queimados. Delação premiada a todos que entregassem vizinhos, familiares, conhecidos, todos os que tenham proferido qualquer mínima palavra ou mesmo um pequeno gesto contra a ordem.
Nas escolas-fortalezas, as crianças aprendiam táticas militares desde a mais tenra idade e a religião vigente. Com as mãos-de-ferro dos mestres a castigá-los nos mais breves deslizes, um bocejar que fosse. As que gaguejavam sofriam muito. E não eram poucas.
As mais fortes ganhavam prêmios e subiam no conceito dos superiores para a formação de novos líderes. Passou pela minha noite, um filme já visto pela Humanidade, mas não aprendido por aqui. Como se referira Churchill à Segunda Guerra, algo que podia facilmente ter sido evitado, mas que acabou - por seguidos e insistentes erros - sendo permitido por muitas das vítimas do novo-velho regime. Inocentes?
Eu vi o E.E. dominando o país continental e invadindo Bolívia, Paraguai, Uruguai, Peru e sonhando em tomar toda a América do Sul. Os delírios do tirano iam a ponto de se construir um muro de quilômetros de altura em pleno Oceano Atlântico, nos limites do mar territorial brasileiro. E sonhava chegar ao Pacífico, através da guerra, claro.
Uma enorme sombra cobriu o país. As praias ficaram desertas. E a demência do ditador se revelava em sua baba no canto de seu riso sádico a cada conquista, a cada caçada humana. E todos os dias ele entrava em cada casa, mesmo nos mais distantes cantões do país, por TV, rádios, internet, alto-falantes para ditar suas diretrizes. Não dormia um só instante.
Esse sonho ruim me pareceu o orwelliano "1984" bem piorado. Ainda bem que foi só um pesadelo. Será?
Vídeo: cenas do filme "Pink Floyd, The Wall", músicas "The show must go on", "Run like hell" e "Waiting for the worms".
Nestes conturbados dias de fla-flu político, tenho me deparado com inúmeros casos de teoria a anos-luz de distância da prática. Muita gente que berra, esperneia e até mesmo alguns que posam com discursos orais ou escritos muito bonitos na defesa da democracia desafinam feio na hora de exercê-la no seu dia-a -dia. Não, não é fácil ter a prática democrática em casa, no prédio, nas ruas, no trabalho, ainda mais num país cuja História está marcada por dominação ditatorial no governo central e nos seus mais escondidos recantos. O coronelismo ainda está vivo em muitas partes deste Brasil, e não só no interior rural.
O impulso de impor vontades e interesses prevalece nos grandes e nos pequenos poderes. Nossa tradição é autoritária e paternalista e há muitos que se apegam a esta tradição e bradam como se fosse um belíssimo hino. Vejo defensores da democracia só para aqueles que concordam com eles, nunca para os que discordam. Grandes veículos de comunicação - e não só no Brasil - cometeram crimes em defesa de uma liberdade de expressão que só fosse permitida a eles próprios.
A manifestação dos taxistas ontem aqui no Rio é um grande exemplo de que não só as piores práticas dos nossos três poderes desrespeitam o direito alheio. Para defender suas razões, seus direitos, atropela-se os dos outros, sem qualquer pudor. E ai de quem tentar impedir. A antipatia se generalizou na população, mas antes os manifestantes prejudicaram um sem-número de pessoas, das mais diversas formas. E não me digam que não tinham noção disso, porque não foi a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez. Se tinham alguma razão nas suas reivindicações, e creio que no geral tinham mesmo, perderam todas elas com mais este ato irresponsável, que nada teve de democrático.
Antes de defender com unhas e dentes a democracia, é preciso praticá-la. Ainda mais num país em que tantos só querem mandar, por poder, status ou dinheiro, e outros muitos só querem obedecer, para não ter de pensar, argumentar, estudar ou por medo e arraigada submissão. De minha parte, continuarei defendendo a democracia na prática. Porém, se me virem abraçado a qualquer governo, podem separar que é briga.
Ele parava no ar, como beija-flor, helicóptero e Dadá. Era irreverente, tinha ótimas tiradas. Era enrolado com a bola nos pés, até não chutava mal, tinha dificuldades no domínio da redonda, mas era um exímio cabeceador. Daqueles de dar um tiro com a cabeça ou apenas colocá-la, com suavidade, onde desejava, longe do alcance do goleiro. Gaúcho deixará saudades, especialmente na torcida do Flamengo. Muitas.
As primeiras lembranças que tenho dele estão ainda na minha memória de torcedor de arquibancada, no início dos anos 80. Um camisa 7 veloz (assim parece nas minhas esparsas recordações), que avançava pela ponta-direita para buscar a linha de fundo e cruzar para o centroavante Vinicius. Não foi assim que ele se consagrou, mas foi como iniciou nos juniores do Flamengo. Vi esta cena relatada acima algumas vezes nas preliminares do Maracanã. Gostava de chegar cedo pra acompanhar a garotada, eu ainda garoto, praticamente da mesma idade que aqueles que estavam em campo.
Estava no antigo Maraca quando ele brilhou como goleiro, no Palmeiras, contra o Flamengo. Pegou dois, na disputa de pênaltis naquele Campeonato Brasileiro absurdo de 1988, que obrigou até Fluminense e Botafogo voltarem a campo num meio de semana à tarde só pra disputa das penalidades, no velho estádio transformado em arena - e lá fui eu a pé do Grajaú ao Maracanã e depois de volta para casa. E o cara não interceptou chutes de pernas-de-pau, mas de Zinho e Aldair, dois jogadores que conquistariam seis anos depois uma Copa do Mundo.
Quando ele voltou ao Flamengo eu já era repórter do Jornal dos Sports, onde inciei em janeiro de 1990. Cheguei a entrevistá-lo, muito poucas vezes. E fez muitos gols, os mais lembrados de cabeça. Eu me recordo especialmente de um contra o Bragantino, num jogo que o meu time perdeu por 2 a 1. Mas o gol que ele fez foi de alguém que tinha muita precisão no cabeceio. Ele pôs a bola no único lugar possível, já que a pequena área estava repleta de adversários. A bola foi posta no ângulo direito do goleiro, na baliza à esquerda das antigas cabines de rádio, entre um zagueiro e a junção do travessão com a trave.
Gaúcho conquistou no Flamengo, com participações importantes e decisivas, a Copa do Brasil de 1990, o Estadual de 1991 e o Brasileiro de 92. Finalizava a espinha dorsal do time de 92 com Gilmar, Gotardo, Uidemar e Junior, dando respaldo à garotada que havia conquistado pela primeira vez a Copa São Paulo de Juniores para o Rubro-Negro. As imagens de Gaúcho são muitas, fico com aquela dele parado no ar, cabeceando do jeito que achava melhor para tirar o goleiro da jogada e correr pra galera com a bola debaixo da camisa. Adeus, artilheiro!