terça-feira, 21 de abril de 2009

DIA 1º DE MAIO ESTAREI DE PRETO. E VOCÊ?


"Tartarassa ni voutor
no sent tan leu carn puden
quom clerc e prezicador
senton ont es lo manen."
(Urubus e abutres não farejam carniça fedorenta tão rápido quanto clérigos e políticos farejam a riqueza)
Este é o início de um poema do trovador provençal Peire Cardenal (?1180 - ?1278), cuja música, chamada "Tartarassa ni Voutor", foi gravada pelo grupo Anima no CD "Espiral do Tempo".

Caros(as),
o 1º de maio, dia do Trabalho, foi escolhido pelas autoridades municipais, estaduais e federais para ser a data da visita dos membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) à maltratada cidade do Rio de Janeiro. Com o mesmo discurso dos anos anteriores ao Pan de 2007, as autoridades vêm dizendo que as Olimpíadas de 2016 serão importantíssimas para o Rio pelo legado que deixará para a cidade e para o país. Bom, o mais alienado dos brasileiros, mesmo aquele que se esconde nos confins do mato mais denso que existe nesta terra, sabe que o legado deixado pelo Pan foi uma série de obras hiper-faturadas, construções sub ou inutilizadas, de muitas e deslavadas mentiras (como a do metrô na Barra) e muita grana no bolso de autoridades. Já começou uma campanha para que o povo do Rio vista verde e amarelo no dia 1º. Eu, mesmo idiotamente sozinho, estarei de preto, de luto por toda a já histórica e cultural roubalheira descarada das autoridades deste país com a nossa ingênua e passiva contribuição. É apenas um gesto, mas que se ganhar vulto (sombrio para os poderosos) mostrará que não somos macacos de auditório, nem claque para ficar batendo palmas pros malucos dançarem com a nossa grana e nossa cara de idiotas. Se você aceita participar deste protesto silencioso e contundente que também é contra toda a roubalheira cínica dos congressistas deste país, faça-a circular por todos os meios que puder.
Atenciosamente,
Eduardo Lamas.
Obs.: no dia 1º de maio o blog mudou sua cor de fundo para preto para ficar vestido à caráter contra os que não possuem caráter.
Ilustração: criação de Elizabeth M. Dias.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A JUVENTUDE CONSERVADORA

"...mas é essa a juventude que quer tomar o poder?... Se vocês forem em política como são em estética, estamos feitos...” (Caetano Veloso, em 1968)

É uma pena que Caetano não seja mais o mesmo, se é que foi mesmo quem pensamos algum dia. Mas os jovens de um modo geral continuam tão conservadores como sempre, repetindo os erros de seus pais (“...minha dor é perceber, que apesar de tudo, tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais...”, Como nossos pais, Belchior). Mesmo os movimentos de liberdade, paz e amor dos anos 60 revelaram mais tarde a verdadeira cara de muitos daqueles jovens hippies: a de yupie. E eles acabaram tomando todas as formas de poder, demonstrando que aquele Caetano estava certo.
Hoje, quem tem mais de 35 anos dificilmente encontra um emprego, porque as vagas estão nas mãos de jovens que pensam que não envelhecerão jamais. Era bom que envelhecessem logo, como Nelson Rodrigues clamava já em plenos 60. Gente sem história para contar está decidindo os rumos de uma geração vazia de idéias e ideais, fingindo mudar só para nada mudar; alguns se travestindo de diferentes, mas como um todo exercendo o poder, ou se submetendo a ele, da forma mais torpe, vil possível.
Outro dia falei dos senhores da guerra que mandam matar sem ódio. Pois é, os que exercem os pequenos poderes é que estão legitimando a existência desses inescrupulosos jovens senhores. Mas a questão não é só de idade, como pode parecer. É o poder! Porém prefiro me ater ao pequeno poder, pobremente (ou “podremente”) exercido por quem tem um bloquinho de multas na mão, um volante a sua frente, um apito na boca, uma caneta para punir, um martelo para julgar, um jornal para escrever. Ande pelas ruas desta e de outras cidades e observe como o fazem de forma impiedosa, revelando claramente o que fariam com um país, o mundo inteiro se os tivessem que governar.
Como podem clamar por justiça no fim das contas? Mas não sou pessimista, vejo chances naqueles que têm a sabedoria de abrir mão do podre poder, por menor que ele possa parecer. E que não usam a vingança para se impor. E que ainda questionam e se questionam. E que não ficam esperando por líderes, heróis, ídolos para caminhar.
Os que insistem em manter uma posição outorgada sabe-se lá por quem, continuarão se sentindo enormes, gigantescos, mas somente por algum momento, porque logo, logo perceberão que são tão pequenos quanto os poderosos nos quais se espelham.



Vídeo: "Como Nossos Pais", de Belchior, com Elis Regina

Veja também tudo o que foi publicado em março de 2008

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

NAU POESIA: CHORINHO

Sílabas cortadas
metades de meias-palavras
meias-palavras sopradas
meias-palavras tragadas
frase golfada
frase engolida

Dedo pedindo silêncio
dedos equilibristas bailando
língua sem freio, boca sem céu
finos lábios vibrantes

Saliva, gengiva
quase sorriso, sorridente,
risinho
Rosto contorcido, dentes
quase choro, choramingo,
chorinho.

Ilustração de Sóter França Júnior

Veja também:
Nau Poesia: Amores
Nau Poesia: Nada mais
Chorinho no Lamascast


Obs.: Esta poesia foi republicada no dia 6 de agosto de 2023.

Vídeo: "Santa Morena", de Jacob do Bandolim, por Trio Madeira Brasil


Esta poesia faz parte do livro "Profano Coração", o de estreia de Eduardo Lamas Neiva. A obra está à venda na Amazon do Brasil e de mais 12 países na versão digital (ebook). Caso queira adquirir o seu na amazon.com.br, é só clicar aqui.

Veja também:



segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

GASOLINA NO INCÊNDIO #6

Com "Gasolina no Incêndio" pretendo provocar quem aqui venha, mexer com os brios mesmo. Incomode-se, reclame e até xingue se achar necessário, mas aqui não cabe a indiferença. Não vou censurar nenhum comentário, mas assuma-se, não se esconda no anonimato (in)conveniente, nem com apelidos irreconhecíveis. A sexta questão-provocação é a seguinte: 

O conjunto de versos totalmente desprovido de filosofia não é poesia, é mero jogo de palavras. 

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #42

Uma coisa jogada com música - Capítulo #41 Mario Vianna , entre o capitão suíço ...

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