domingo, 17 de janeiro de 2021

MÚSICA PRA VIAGEM: SENTIMENTO DE POSSE

Ah, que saudade das rodas de samba, que saudade! Na noite do mais recente Ano Novo e nos fins de semana seguintes, o samba tem predominado no repertório aqui de casa, especialmente uma série de discos chamado "Samba de Raiz ao vivo". E "Sentimento de posse", de Adilson Bispo e Zé Roberto, gravada originalmente pelo grupo Pirraça, em 1989, e pouco tempo depois pelo Raça, me remeteu às rodas de samba que acabamos não frequentando ainda aqui em Florianópolis, apesar de termos planejado conhecer várias delas.

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Mas a pandemia invadiu este pandemônio chamado Brasil e nos deixou sem lazer e eventos culturais fora de casa, desde o dia 15 de março do ano passado. Ao menos conseguimos ir a um ótimo show do mestre Paulinho da Viola, na UFSC, em novembro de 2019, o que, creio eu, nos redime com certa folga desta nossa falta.

Então, embora seja da mesma filosofia de vida do supracitado mestre, "Meu tempo é hoje", não pude evitar certa nostalgia das incríveis noites e madrugadas no Sobrenatural do Samba e no Mercado das Pulgas, em Santa Teresa; no Trapiche Gamboa, no Centro do Rio; no Candongueiro, nos tempos em que era em Maria Paula (Niterói), e em tantos outros lugares onde o pagode de mesa comia solto e só se via todo mundo sorrindo, cantando, dançando.  

O samba de Adilson Bispo e Zé Roberto me leva de volta àqueles ótimos momentos, que em breve voltarão, porque "apesar de você amanhã há de ser outro dia". Então, curta abaixo o grupo Revelação com uma galera boa no gogó, no batuque e nas cordas: "É difícil dizer, qual de nós tem razão..."


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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

MÚSICA PRA VIAGEM: FOLHAS SECAS

"Quando piso em folhas secas, caídas de uma mangueira, penso na minha escola e nos poetas da minha Estação Primeira...". Sem dúvida alguma estes são dos versos e das melodias mais lindas que o samba carioca já produziu, criadas pela mente e o coração de Nelson Cavaquinho e de Guilherme de Brito. Foi gravada por inúmeros cantores e cantoras, duas em especial: Beth Carvalho e Elis Regina. Como Elis já pintou por aqui na vez passada, agora chegou o momento da Madrinha do Samba, a quem tive a honra e o privilégio de entrevistar no salão nobre do Botafogo, seu clube do coração, na eleição que levou Bebeto de Freitas à presidência do Alvinegro, no fim de 2002.

As gravações de Beth e Elis são muito diferentes e adoro as duas versões. A da Pimentinha é mais intimista, num ritmo mais cadenciado, em clima bem bossanovista, enquanto que com a Madrinha é o sambão comendo solto.

Na busca pelo vídeo que apresentasse "Folhas Secas" com Beth Carvalho, achei um que já conhecia, de seu DVD "A Madrinha do Samba ao vivo convida", de 2004, em que o violinista francês radicado no Rio de Janeiro Nicolas Krassik faz participação especial, e outro do programa "Samba na Gamboa", com os auxílios luxuosos de Diogo Nogueira, o apresentador da atração da TV Brasil, e do "Jimmy Hendrix do Bandolim", Hamilton de Holanda (um dia conto sobre a primeira, única e espantosa vez que o vi tocar, na Cobal do Humaitá, quando era praticamente desconhecido no Rio, vindo de Brasília). "Samba na Gamboa", aliás, gravado no Trapiche Gamboa, local em que estive inúmeras vezes na década passada para curtir um ótimo samba comandado pelo cavaquinista Eduardo Gallotti, um velho conhecido dos tempos de Sobrenatural do Samba, em Santa Teresa.


Falar de Beth é também falar de Mangueira, escola com a qual primeiro me simpatizei, ainda criança, pela relação que muitos fazem (ou faziam com o Flamengo). Percebi mais tarde que estas relações de escola de samba com clubes de futebol nunca fizeram sentido no Rio de Janeiro, esta é a realidade, que em São Paulo é bem diferente. Beth era botafoguense apaixonada; Chico Buarque é tricolor apaixonado, e Sérgio Cabral pai é vascaíno e todos são mangueirenses.

Apesar dessa minha simpatia que depois fixei na União da Ilha, por causa de seus belíssimos sambas e desfiles do fim dos anos 70 e início dos 80, como já escrevi quando apresentei "É hoje!" nesta série, nunca fui à quadra da Mangueira, nem a ensaios da Verde e Rosa. Porém, convidado pelo saudoso Andre Filho, radialista, ator e o melhor dublador de TV ao menos em sua época (fez as vozes do Homem de Seis Milhões de Dólares, dos personagens de Sylvester Stallone, incluindo Rambo e Rocky Balboa; do personagem Jonathan Hart, do Casal 20, entre muitos outros), pude jogar uma ótima pelada no campo de terra batida que havia lá no fim dos anos 80 e depois tomar uma cervejinha num boteco. 

Mas vamos curtir a beleza de "Folhas Secas", com a inesquecível Beth Carvalho. Pode escolher a sua versão favorita aí abaixo entre as duas opções. 



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