Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
Desde que resolvi criar esta série pensava em Nina Simone. Mas qual música escolher, entre tantas composições dela e gravações de obras de Beatles, Bob Dylan, Leonard Cohen e tantos outros em que ela pôs (impôs) com personalidade única a sua marca de grande musicista, cantora e compositora?
Eis que, ouvindo a rádio ABC, da Austrália, como tenho feito diariamente para estudar inglês, num dos programas da BBC que entram durante a madrugada de lá, tocou a parte inicial desta joia. Aí, a dúvida foi-se embora e a primeira de Nina a aparecer por aqui foi escolhida: "Feeling good", dos ingleses Anthony Newley e Leslie Bricusse.
Ao procurá-la no Google, veio de primeira este vídeo oficial que achei perfeito, embora sempre prefira colocar o artista executando a sua música. Mas a dança de Raianna Brown me conquistou à primeira vista. Portanto, convido você a curtir a música, a dança, as interpretações, ou seja, o vídeo inteiro. Não percamos tempo!
Seleção brasileira na Copa do Mundo de 1934, disputada na Itália
Após a ovação a Carmen Miranda e Lamartine Babo, João Sem
Medo reinicia o papo.
João Sem Medo: - Meus amigos, em 34, a delegação brasileira viajou 15 dias
de navio para a Itália e, em 90 minutos, a vaca foi pro brejo. Isso, apesar de
os quase 30 mil presentes no estádio Luigi Ferraris, em Gênova, fora os que
subiram morros e telhados próximos, terem torcido pro Brasil.
Idiota da Objetividade: - O Brasil saiu perdendo de 3 a 0 pra Espanha no
primeiro tempo e quando tentou reagir na etapa final ficou difícil. Houve um
gol anulado, marcado pelo Luizinho, depois Waldemar de Brito perdeu um pênalti,
defendido pelo grande goleiro Zamora, e a seleção brasileira foi derrotada pela
espanhola por 3 a 1 e foi eliminada da Copa do Mundo logo na estreia.
João Sem Medo: - O gol do Brasil foi de um tal de Leônidas. Conhecem, né?
Ceguinho Torcedor: - Evidentemente. Ele foi a nossa
grande figura em 38. Saímos daqui muito otimistas, houve uma longa preparação, a
delegação chegou à França quase um mês antes do início da Copa e lá fizemos
nossa primeira boa apresentação num Mundial. Ficamos em terceiro lugar, e
Leônidas da Silva, o Diamante Negro, pôde assombrar o mundo com seu futebol de
outro mundo.
Garçom: - E pra abrilhantar ainda mais este grande encontro e homenagear
Leônidas da Silva, os Vocalistas Tropicais estão aqui pra cantar “Diamante
Negro”, de David Nasser e Marino Pinto.
Todos aplaudem.
Nilo
Xavier da Mota: - Obrigado, obrigado. É uma honra pros Vocalistas
Tropicais estarmos aqui neste palco pra participar desta tabelinha entre
futebol, muito bem representados por estes craques aqui na mesa principal, e música,
a música brasileira. Vamos então a essa homenagem musical ao grande Leônidas da
Silva.
São, mais uma vez, muito aplaudidos.
Garçom: - Muito
obrigado, Nilo Xavier da Mota,
Raimundo Evandro Jataí de Sousa, Artur Oliveira, Danúbio Barbosa Lima
e Arlindo Borges.
Após a apresentação dos Vocalistas Tropicais, Leônidas da
Silva passa a ser o centro da conversa no Além da Imaginação. Pairou até uma
expectativa no ar se o Diamante Negro apareceria de surpresa...
Idiota da Objetividade: - Leônidas foi o primeiro
brasileiro a ser artilheiro de uma Copa do Mundo, com 7 gols. A campeã, ou
melhor, bicampeã, foi a Itália, que venceu o Brasil na semifinal por 2 a 1.
Leônidas não jogou contra os italianos, porque, segundo o técnico Ademar
Pimenta, estava machucado. Aquela Copa foi disputada em sistema eliminatório.
Sobrenatural de Almeida: - É o sistema que eu mais gosto: o
mata-mata. hahahaha
Idiota da Objetividade: - O Brasil estreou na França com
uma vitória de 6 a 5 sobre a Polônia, na prorrogação. Leônidas fez três gols.
Ceguinho Torcedor: - Espetacular Leônidas! Sensacional
também Domingos da Guia. Nosso guardião da zaga começou o jogo com 38 graus de
febre, que só piorou com a chuva que começou a cair pouco antes do jogo.
Sobrenatural de
Almeida: - Com a
minha intervenção ele salvou milagrosamente um gol na prorrogação, quando o
Brasil vencia por 5 a 4. Batatais já estava fora do gol. No rebote, Willimonski
ia fazer o gol, mas dei uma desviadinha e a bola acertou a trave
Ceguinho Torcedor: - Domingos da Guia foi outro grande
herói do nosso scratch.
João Sem Medo: - No fim da partida, ele e Leônidas,
que andavam meio brigados, se abraçaram emocionados.
Idiota da Objetividade: - Este foi o primeiro jogo de uma
Copa do Mundo transmitido por uma rádio brasileira, a Rádio Clube do Brasil, do
Rio de Janeiro. A narração foi de Gagliano Neto.
Ceguinho Torcedor: - O povo pôde ouvir o jogo na voz do
grande “speaker”, como se falava na época.
Sobrenatural de Almeida: - O presidente Getúlio Vargas mandou instalar
alto-falantes nas praças e outros locais públicos pra que todo mundo pudesse
ouvir.
Idiota da Objetividade: - O pernambucano Leonardo Gagliano
Neto já havia sido o pioneiro na narração de um jogo da seleção brasileira, um
ano antes, durante o Campeonato Sul-Americano disputado na Argentina, pela
Rádio Cruzeiro do Sul.
João Sem Medo: - O Getúlio, simpatizante do regime
fascista de Mussolini, mandou três telegramas pro Gagliano pedindo que ele
maneirasse nas emoções durante a semifinal contra a Itália. Getúlio depois
elogiou o locutor, mas muita gente disse na época que Gagliano criticou muito o
árbitro pelo pênalti, no mínimo duvidoso, de Domingos da Guia em Piola.
Ceguinho Torcedor: - O rádio é meu veículo predileto,
por motivos óbvios. E aquele jogo contra a Polônia foi de matar um do coração.
Saímos com 3 a 1 do primeiro tempo, mas os poloneses cresceram na segunda etapa
e empataram. Fizemos o quarto, mas faltando um minuto pro fim, eles igualaram o
marcador novamente: 4 a 4. Na prorrogação, Leônidas meteu dois, um com a
chuteira rasgada, gol de meião e, quando a Polônia fez o quinto, já era tarde. Chorei
lágrimas de esguicho, mas de alegria.
Idiota da Objetividade: - Nas quartas-de-final, contra a
Tchecoslováquia, foram necessários dois jogos, pois o primeiro terminara
empatado em 1 a 1, e não havia disputa de pênaltis naquela época. Dois dias
depois, os times voltaram a se enfrentar muito desfalcados, mas o Brasil tinha Leônidas
e ganhou por 2 a 1, com um gol do Diamante Negro, que já havia marcado no
primeiro embate contra os tchecoslovacos. Mais dois dias, o time brasileiro
estava extenuado, com Leônidas fora, e a Itália venceu a semifinal por 2 a 1.
Na disputa do terceiro lugar, Leônidas marcou dois e o Brasil derrotou a Suécia
por 4 a 2.
Ceguinho Torcedor: - Dizem que na Copa de 38 ele teria
feito um gol de bicicleta que espantou o público e foi anulado pelo árbitro por
não conhecer a jogada. Eu não vi, não posso falar. Você viu, João? (João finge que não escutou)
João Sem Medo: - Música, maestro!
Jorge Goulart (já no palco): - Às suas ordens,
mestre João Sem Medo! Vamos com a Marcha do Bonsucesso, que destaca Leônidas
como o maioral.
Jorge Goulart (muito aplaudido): - Esta marcha, do Lamartine
Babo, que aqui nos dá a honra de sua presença, acabou sendo oficializada
posteriormente como hino do Bonsucesso. Obrigado, minha gente.
Modificado e republicado no dia 5 de setembro de 2024
Fim
do capítulo #11
Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país. Saiba mais clicando aqui.
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Veja você como são as coisas. Uma das músicas mais antigas de Belchior, creio que seu primeiro sucesso, só vim a conhecer há cinco anos, no carnaval que passei com minha mulher; o casal amigo, Ricardo Malize e Renata Couto, e um de seus filhos, o Rafael, em Ibitipoca, nas Minas Gerais de meu pai, meus avós, tios e toda uma multidão de antepassados.
Foi numa noite fria de fevereiro - fria sim, pois lá no topo dos morros, quando escurece, mesmo no verão, a temperatura desce. Um grupo de rapazes que estava trabalhando no Parque Estadual nos viu com violão e cantoria e se aproximou. Um deles pegou o violão do Ricardo e cantou esta música que incrivelmente eu não conhecia - ou não me recordava, pois na infância é bem possível que tenha passado por meus ouvidos sempre ávidos por música.
E foi dali que passei a buscar mais informações sobre o bardo de Sobral (CE) e ouvir seus álbuns disponíveis no YouTube e nos serviços de streaming com muito mais atenção. Poeta de primeira grandeza que teve um fim de vida isolado e misterioso passou a ganhar olhos e ouvidos atentos quando noticiaram seu sumiço. Mas o que me importa é a sua preciosa poesia - e também precisa, embora ele diga que gostaria de ter palavra mais precisa a oferecer ao público.