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domingo, 26 de junho de 2022
OLHARES ALHURES - FOTOS #100: UM CANTINHO DE MINAS EM FLORIPA
quarta-feira, 22 de junho de 2022
UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #21
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| Mário Sérgio (Inter) disputa a bola com Katinha (Vasco) na final do Brasileiro de 79. Foto: Ag. RBS |
O papo sobre acidentes fatais voltou à mesa após a menção a Paulo Silvino. E Sobrenatural de Almeida pegou a deixa de Zé Ary.
Garçom: - Falávamos de jogadores que no auge de suas carreiras acabaram sofrendo
acidentes fatais. Vocês se recordam de mais alguns?
Sobrenatural de Almeida: - Lembro do uruguaio DanielGonzález, que também tinha jogado na Portuguesa e no Corinthians e estava no
Vasco quando morreu num acidente no Rio. Teve o zagueiro Figueiredo, do
Flamengo, também.
Idiota da Objetividade: - Figueiredo morreu aos 24 anos, em
1984, num acidente com um helicóptero em que também estava Nilton, irmão e
procurador do Bebeto, na época atacante do Flamengo e que dez anos mais tarde
fez parte da seleção que se sagrou tetracampeão mundial nos Estados Unidos.
Garçom: - Houve muitas mortes trágicas. Uma
que me deixou muito chocado foi a do zagueiro Serginho, do São Caetano, lá no
Morumbi.
Idiota da Objetividade: - Foi uma noite muito triste para o
futebol brasileiro a de 27 de outubro de 2004. Jogavam no Morumbi São Paulo e
São Caetano, pelo Campeonato Brasileiro, quando, aos 14 minutos do segundo
tempo, o zagueiro Serginho, de 30 anos, caiu na área de seu time. Logo, os
jogadores das duas equipes que estavam mais próximos perceberam a gravidade e
ficaram desesperados. Serginho foi levado para o hospital São Luiz, na capital
paulista, mas não resistiu ao ataque cardíaco e faleceu.
Encorajado por quem estava em sua mesa, Serginho levanta-se e
toma a palavra.
Serginho: - Mas agora estou aqui podendo participar deste evento maravilhoso.
Todos aplaudem e o ex-zagueiro agradece.
Veja também:
Músico: - Então, em homenagem ao Serginho, o Daniel González e o Figueiredo, que
também estão aqui...
Garçom: - Podem aplaudi-los também (ambos também se levantam e agradecem os
aplausos).
Músico: - Bom, com a licença do Jorge Ben, ou melhor, Jorge Benjor, que continua batendo um bolão no Mundo Material, vamos tocar aqui uma música dele, em homenagem a esses e todos os grandes zagueiros da História. Vamos lá, gente! “Zagueiro” vai limpar a área! E todo mundo pode dançar.
Todos se divertem a valer e aplaudem os músicos ao fim da
música. Mas o tema das tragédias no futebol brasileiro retorna.
Garçom: - Creio que o acidente com o time do
Chapecoense quase inteiro na viagem pra Colômbia, em 2016, foi a pior de todas,
né?
João Sem Medo: - Vários jornalistas que iriam acompanhar
a final da Copa Sul-Americana também estavam no avião que caiu a 30 quilômetros
do aeroporto de Medellin, onde seria a partida.
Idiota da Objetividade: - Foram ao todo 75 mortos. Apenas
seis sobreviveram, entre eles o goleiro Jackson Follman, o lateral Alan Ruschel
e o zagueiro Neto.
João Sem Medo: - Sobreviveram também o locutor
Rafael Henzel, que faleceu depois e já nos cumprimentou quando chegou aqui, e
dois tripulantes. Entre os comentaristas mortos estava Mário Sérgio,
ex-ponta-esquerda e meia de grande habilidade. Mário Sérgio foi um jogador de
alto gabarito. Tinha o apelido de Vesgo, porque muitas vezes olhava prum lado e
tocava pro outro pra enganar os marcadores. Os mais novos já viram RonaldinhoGaúcho fazer isso algumas vezes e vão entender o que o Mário fazia.
Ceguinho Torcedor: - Foi treinador também.
Sobrenatural de
Almeida: - Mas não
teve o mesmo sucesso de quando jogador.
Idiota da Objetividade: - Mário Sergio começou no Flamengo,
em 1970. Depois jogou em vários clubes: Vitória, Fluminense, Botafogo, RosárioCentral da Argentina, Internacional, São Paulo, Ponte Preta, Grêmio, Palmeiras,
Botafogo de Ribeirão Preto, Bellinzona da Suíça e Bahia. Entre os principais
títulos conquistou o bicampeonato carioca de 75 e 76 pelo Fluminense, o
campeonato brasileiro de 79 pelo Inter e o Mundial Interclubes de 83 pelo
Grêmio. Como técnico comandou 11 times e foi dirigente no Grêmio, em 2005.
Veja também:
Garçom: - Mário Sergio também disse que viria, mas ainda não apareceu.
João Sem Medo: - Ele foi convocado pelo Telê em 81
e 82, mas acabou não indo à Copa da Espanha. Telê resolveu levar o Dirceu.
Garçom: - Dirceu teve um compromisso...
Sobrenatural de
Almeida: - Esse papo
tá mórbido demais.
Ceguinho Torcedor: - Todo mundo aqui partiu daquela pra
melhor, Almeida. E pensei que gostasse dessas coisas.
Sobrenatural de
Almeida: - Minha
influência se resume ao jogo. Nunca matei ninguém.
João Sem Medo: - Sem essa, Almeida. Muita gente
morreu do coração com gols no último minuto, chances perdidas em cima da hora,
frangos incríveis...
Sobrenatural de
Almeida: - ... não
diretamente, não diretamente.
Ceguinho Torcedor: - Ouço daqui a tua risada satânica.
Sobrenatural de Almeida: - Que isso, Ceguinho? hahaha
Músico: - A risada satânica do Sobrenatural de Almeida me lembrou de “Futebol no
inferno”, que Castanha e Caju gravaram. O que acha, Zé Ary?
João Sem Medo: - Muito boa esta!
Sobrenatural de Almeida (de pé, dançando e cantando): - Deus me livre d’eu ir
lá! Deus me livre d’eu ir lá! Hahaha
Ceguinho Torcedor: - Essa risada satânica é inconfundível. Até no inferno se
ouve e se reconhece.
Idiota da Objetividade: - Parece até que veio de lá!
Veja também:
Fim do Capítulo #21
Modificado e republicado em 14 de janeiro de 2025
Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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Uma coisa jogada com música - Capítulo #20
Uma coisa jogada com música - Capítulo #22
domingo, 19 de junho de 2022
OLHARES ALHURES - FOTOS #99: E LÁ SE VAI O SOL
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quarta-feira, 15 de junho de 2022
UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #20
![]() |
| O habilidoso Geraldo em ação num jogo no Maracanã. Jovem meia do Fla faleceu em 1976 |
O público e nossos quatro
amigos ficam muito bem impressionados com a capacidade de Edu Kneip descrever
em música o desenrolar de um jogo. Após comentários elogiosos, Zé Ary aborda
João Sem Medo.
Garçom: - Seu João, voltando ao assunto anterior,
outros jogadores que tinham tudo para serem grandes craques morreram jovens
também.
João Sem Medo: - Sim, Zé Ary, é verdade. Além
do Dener, que foi revelado pela Portuguesa, passou pelo Grêmio e estava no
Vasco, teve o Roberto Batata, do Cruzeiro; o Geraldo, do Flamengo...
Idiota da Objetividade: - Roberto Batata e Dener
morreram em acidentes de automóvel. Geraldo teve um choque anafilático durante
cirurgia para retirada das amígdalas. Roberto Batata e Geraldo faleceram em
1976. Dener, em 1993.
Garçom: - O
ponta-direita Roberto Batata foi tão marcante no Cruzeiro que mereceu uma
homenagem musical de Gaúcho Alegre. Vamos ver e ouvir no telão?
Todos concordam e Zé Ary põe o
vídeo no telão.
Roberto Batata é muito aplaudido e, da sua mesa, agradece ao público.
Veja também:
João Sem Medo: -
Roberto Batata foi um atacante muito bom do grande time que o Cruzeiro montou
nos anos 70. Um abraço pra você (João acena para Roberto Batata, que retribui o
cumprimento).
Garçom: -
Quem também está presente é o Geraldo Assobiador.
João Sem Medo: - Geraldo
Assobiador era cobra de bola. Não era completo, mas tinha tudo pra ser craque.
Morava perto de mim, gostava de ir ao borracheiro para aprender a mudar pneu e
lidar com ferramentas do mecânico. Todos os dias brincava assim e jogava um
futebol muito bonito e gostoso de ser visto.
Emocionado, Geraldo se levanta
e vai dar um abraço em João Sem Medo.
Garçom: - Que
encontro, meus amigos! Que encontro!
Aplausos gerais para Geraldo e
João Sem Medo.
Garçom: - Em
homenagem ao grande Geraldo, vou pôr no som uma música de Mário Adnet e
Bernardo Vilhena, chamada “Geraldofla”, numa gravação do Adnet com as
participações de Lobão, na voz, e de Paulo Moura, nos sopros. Vale muito ouvir,
minha gente.
Geraldo, ainda emocionado, agradece os aplausos do público.
Veja também:
Garçom: - Dois, pouco lembrados, mas que estavam
despontando bem eram o Mahicon Librelato, do Inter, e o Sérgio Gil, do
Corinthians.
Idiota da Objetividade: - Mahicon Librelato
começou no futsal, na cidade catarinense de Orleans, onde nasceu. No campo, o
início da carreira do promissor atacante foi no Criciúma. Ele tinha só 21 anos,
quando morreu na Avenida Beira Mar Norte, em Florianópolis, num acidente de
carro também. Seu último gol, duas semanas antes, ajudou o Inter a escapar do
rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro, em 2002, nos 2 a 0 sobre
o Paysandu, em Belém.
Sobrenatural de Almeida: - Os
colorados devem essa a ele e um pouco a mim também. O Inter escapou por muito
pouco daquela vez.
Idiota da Objetividade: -
Verdade, Almeida. Já o Sérgio Gil, que hoje dá nome a uma rua no bairro do
Balneário, em Florianópolis, era irmão do ex-volante Almir, que foi o capitão
do Coritiba na conquista do campeonato brasileiro de 85 e bicampeão paulista
pelo São Paulo, em 80 e 81, e do Tonho, meia campeão mundial pelo Grêmio, em
83. Ele começou no Figueirense, foi convocado várias vezes pra seleção
brasileira de juniores e estava emprestado ao Corinthians. Sérgio Gil estava
sendo negociado com o Inter quando faleceu num acidente automobilístico na
Rodovia Régis Bittencourt, ainda no estado de São Paulo, em 9 de julho de 1989.
João Sem Medo: - Outro que perdemos num
acidente de carro também foi o Everaldo, lateral-esquerdo tricampeão no México.
Já não era tão jovem quanto os outros, tinha uns 30 anos, acho...
Idiota da Objetividade: - ... Sim, tinha 30
anos de idade. Morreu em 1974.
João Sem Medo: - Ele ainda estava jogando e foi uma
perda muito sentida também. Eu o convoquei pra seleção desde o princípio, como
reserva do Rildo. Era muito bom jogador.
Ceguinho Torcedor: - Foi uma das Feras do João!
Garçom: - Ô, seu Ceguinho, foi bom o senhor falar nisso. O Paulo Silvino tinha
prometido vir aqui cantar a marchinha “As feras do Saldanha”, de Jayme Bochner,
mas ainda não apareceu.
Músico: - Uma hora ele aparece aí!
Garçom: - Tomara!
Fim do Capítulo #20
Modificado e republicado em 16 de dezembro de 2024
Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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