sexta-feira, 15 de julho de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: ÁGUA MORTA

Pela primeira vez desde que comecei esta série vou pôr em seguida igual artista cantando uma música de um mesmo álbum. Mas, hão de concordar, que o merecimento é indiscutível. Se não concordarem, tudo bem, basta mudar o canal. Mas aqui está novamente Daíra Saboia, acompanhada por Elba Ramalho, em "Água Morta", gravada no novo trabalho de Daíra, "Samsara".

A composição de Caio Vargas, Claos Mózi e Victor Lobo é de uma força poético-musical fundamental para tempos tão sombrios. E Elba e Daíra fazem um duo vocal que miscigena aquela docilidade e firmeza tão femininas, sobre uma percussão que bate bem aqui no coração, no estômago e fere, cura, de alguma forma, se não cura, ameniza pelo menos tanta dor, tanta dor. Tanta dor. E vergonha.
 

PS.: depois que eu já tinha programado esta postagem, o que fiz com bastante antecedência, foi noticiado no jornal O Globo que uma pesquisa da Fiocruz de Minas Gerais e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) detectou que a população de Brumadinho sofre com forte presença de metais pesados no sangue e na urina. Não deve ser muito diferente em Mariana, infelizmente. A "água morta" pela ação criminosa, irresponsável, do ser humano vai espraiando seus estragos. 

domingo, 10 de julho de 2022

sexta-feira, 8 de julho de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: SAMSARA

Daíra Saboia conheço desde que a vi cantando Belchior nas minhas viagens YouTube adentro. O álbum "Amar e mudar as coisas" a levou ao programa "Sr. Brasil", de Rolando Boldrin, e lá estava eu grudadinho na telinha e fones nos ouvidos. Que voz, senhoras e senhores (e senhoros??? Marque um x se quiser, eu não), que voz! Que voz!!! E que interpretação. 

Mas eis que há poucas semanas, numa terça-feira à noite, um dia de baixa para a minha estima, aquela que sempre quero lá em cima para enfrentar as derrotas deste país desgovernado enfiado em nosso dia a dia, o Sr. Tube me oferece uma música que parece ser a nova da Daíra. E era Samsara, que dá nome ao seu novo álbum (clique aqui e ouça!). E é com ela que vou.

Mas você pode ouvir o disco inteiro, político na medida proporção exata que merece nosso tão conturbado tempo, em que vejo e ouço pessoas a quem admirava tanto jogando tudo pela privada. Bom, vou deixar o papo de lado, vamos à ótima música de Luizinho Alves na interpretação de Daíra, que já está assinando seu nome na História da Música Popular Brasileira. 


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quarta-feira, 6 de julho de 2022

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #23

Uma coisa jogada com música - Capítulo #23
Garrincha em ação num jogo contra o Tupynambás, em Juiz de Fora (MG). Foto: Roberto Dornellas

Todos se divertem e aplaudem a bela música e o botafoguense
Vinicius de Moraes, que estava passeando e resolveu entrar no bar Além da Imaginação para dar um abraço no pessoal. João Sem Medo aproveita e toca a bola queimando a grama pra Ceguinho Torcedor.

João Sem Medo: - Quem sabe muito sobre deste assunto de adultério é o nosso dramaturgo, não é Ceguinho?

Ceguinho Torcedor: - Meus caros, só o inimigo não trai nunca. Não existe família sem adúltera, e o homem de bem, por sua vez, é um cadáver mal informado: não sabe que morreu.

Todos riem.

Músico: - Mas ninguém se salva, seu Ceguinho?

Ceguinho Torcedor: - Meu caro, a virtude é triste, azeda, neurastênica. E o amor bem-sucedido não interessa a ninguém.

Músico: - Entre as coisas do futebol e do amor, das pisadas de bola e das traições, há muita música, né? Então, vamos chamar agora ao palco o grande Elton Medeiros e Antonio Dantas pra cantarem “Na cara do gol”.

Garçom: - E com o grupo Passagem de Nível, de Mendes, interior do Rio de Janeiro, no telão.

São muito aplaudidos.

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Sobrenatural de Almeida: - A letra desta música só vai dar mais corda ao Ceguinho! Hahahahaha

Ceguinho Torcedor: - Nem você, Sobrenatural de Almeida, está a salvo! Não se apresse em perdoar, a misericórdia também se corrompe. Por isso, a fidelidade devia ser facultativa. Ora, como já disse, o amor bem-sucedido não interessa a ninguém, minha gente.

Garçom: - Não é tanto assim...

Idiota da Objetividade: - Eu acredito no cidadão de bem!

Ceguinho Torcedor: - Idiota, convém não facilitar com os bons, convém não provocar os puros. Há, no ser humano, e ainda nos melhores, como muitos que aqui estão, acredito, uma série de ferocidades adormecidas. O importante é não acordá-las.    

Há um repentino silêncio reflexivo em todo o bar. E o povo dá uma dispersada, enquanto o grupo da mesa dá uma pausa pra fazer uns pedidos ao garçom e ir ao banheiro. Nossos quatro personagens voltam à mesa e Zé Ary toca a bola para eles.

Garçom: - Bom, senhores, vamos voltar ao futebol...

João Sem Medo: - Naquela excursão do Botafogo ao México que estava falando antes, tive o privilégio de presenciar o nascimento do “olé” no futebol. Quem inventou foi o Garrincha em parceria com cem mil mexicanos que lotaram o Estádio Universitário pra assistir ao que os jornais de lá chamaram de “O Jogo do Século”: o Botafogo, que eu dirigia na época e tinha sido campeão carioca no finzinho de 57, contra o River Plate, que era o tricampeão argentino e tinha 10 dos 11 titulares da seleção que disputou a Copa de 58, poucos meses depois.

Ceguinho Torcedor: - Um jogo como esse tinha de ter sido filmado e passar na sessão da tarde todos os dias!

Todos concordam.

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João Sem Medo: - Foi ali, naquele dia, às vésperas do carnaval de 58, que surgiu a gíria do “olé”. Não porque o Botafogo tivesse dado olé no River, não. O jogo foi bem equilibrado, terminou empatado em 1 a 1, até jogamos bem fechadinhos. Foi um olé pessoal, de Garrincha em Vairo, lateral do River e da seleção argentina. Nunca assisti a coisa igual, meus amigos.

Silêncio absoluto na plateia e atenção total ao relato de João Sem Medo.

João Sem Medo: - Só a torcida mexicana com seu traquejo de touradas poderia, de forma tão sincronizada e perfeita, dar um “olé” daquele tamanho. Toda vez que o Mané parava na frente do Vairo, os espectadores mantinham-se no mais profundo silêncio. Quando Mané dava aquele seu famoso drible e deixava o Vairo no chão, um coro de cem mil pessoas exclamava: “Ôôôôôô-lê”!

A plateia vibra como se assistisse ao que João narra.

João Sem Medo: - Uma festa completa.

Ceguinho Torcedor: - Garrincha tinha sempre nos pés uma bola encantada! Ou melhor, uma bola amestrada.

Todos concordam.

João Sem Medo: - Tem mais, meus amigos! Num dos momentos em que o Vairo estava parado em frente ao Garrincha, um dos clarins dos “mariachis” atacou aquele trecho da “Carmen” que é tocada na abertura das touradas. Como é mesmo, maestro?

O grupo no palco executa, então, o trecho inicial da abertura da ópera “Carmen”, de Bizet, citado por João.


Todos se divertem muito e até dançam. 

Fim do Capítulo #23

Modificado e republicado em 24 de janeiro de 2025

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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