segunda-feira, 5 de junho de 2023

OLHARES ALHURES - FOTOS #116

Fotos de Eduardo Lamas Neiva, feitas no dia 31 de maio de 2023, no bairro do Estreito,
Florianópolis (SC).

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quinta-feira, 1 de junho de 2023

MÚSICA PRA VIAGEM: OS MENINOS DA MANGUEIRA

Ainda sobre a entrevista de Sérgio Cabral a Sérgio Pugliese, no Museu da Pelada, outro ponto que o grande jornalista, comentarista esportivo e de carnaval, escritor e compositor falou também me levou aos primórdios de minha vida. Afinal, como ele mesmo relembrou, apesar de portelense (uma surpresa pra mim), seu maior sucesso musical foi "Os meninos da Mangueira", que juntamente com algumas das primeiras de Raul Seixas, Elton John, Michael Jackson e Jackson Five, da trilha sonora das novelas "Os irmãos Coragem", "O Bem Amado", "Uma rosa com amor" e "Jerônimo, o herói do sertão" e do samba de enredo do Salgueiro "Festa para um rei negro (pega no ganzê)", de 1971, me remetem imediatamente à minha infância.

Na verdade, as demais citadas são anteriores ao lançamento da composição de Sérgio Cabral e Rildo Hora, gravado por Ataulpho Alves Júnior e lançado em 1975. Mas a memória muitas vezes embaralha épocas de nossas vidas, embora neste caso nem tenha sido tão distantes assim. Este samba tocou muito nas mais diversas estações de rádio, e inúmeras vezes a ouvi com muito prazer no rádio da velha Brasília de meu pai, trafegando pelas ruas do Rio de Janeiro ou em viagem nas estradas do estado do Rio, das Minas Gerais, onde ele nascera, ou em direção a Brasília. Portanto, não podia deixar de trazer esta música para a série que publico aqui neste blog já tem tempo. Vamos curti-la, então?



segunda-feira, 29 de maio de 2023

MEMÓRIAS DA GERAL DO MARACANÃ

Em entrevista ao meu amigo Sérgio Pugliese para o Museu da Pelada, o grande jornalista, comentarista, escritor Sérgio Cabral revelou que frequentou muito a geral do Maracanã na sua juventude. "Não tinha dinheiro pra pagar o ingresso de arquibancada", justificou. Essa declaração me trouxe de imediato recordações de muitos momentos que vivi no setor mais popular e pitoresco do velho estádio Mario Filho. Primeiramente me veio à lembrança o preço do ingresso, que, nos tempos em que a moeda brasileira era o cruzeiro, nos anos 70, a entrada para a geral custava Cr$ 0,30. Isso mesmo, 30 centavos, ou um pouco menos, um pouco mais, a memória trouxe o número e pus aqui, mas pode estar um pouco enganada. Só um pouco, creio.

Geral em dia de Maracanã lotado, nos anos 70. Reprodução do site do jornal O Dia

Assisti a vários jogos da geral nos anos 80, quando passei a não precisar mais da companhia do meu saudoso pai ou do pai ou tio de algum amigo para ir ao estádio. Algumas daquelas partidas são memoráveis, uma inclusive se tornou tema do Lamascast"CSA e Van Halen numa noite de verão carioca". Houve também a semifinal do Campeonato Brasileiro de 1986, entre América-RJ e São Paulo; um empate em 3 a 3 entre Botafogo e Vasco, pelo Torneio dos Campeões de 1982, que transformei em texto ficcional que publicarei no segundo Contos da Bola; o vozeirão de um torcedor rubro-negro gigantesco - pelo menos aos meus olhos de outrora - ecoando pelo estádio vazio: "Cantarelliiiii, ô Cantarelliiiii, dá na esquerda pro Júnior, pô!", e muitos, muitos outros personagens e jogos inesquecíveis.

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O bom e velho Maraca, um personagem de "Contos da Bola"
O torcedor de futebol
"Contos da Bola", quem lê recomenda 

Quando comecei a frequentar a geral, o piso, que continuou abaixo do nível do campo até ser destruída, em 2005, era ainda mais baixo. Portanto, eu, do alto do meu 1,71m de altura (quase um pivô de basquete, não é mesmo?), pouco via realmente da partida lá embaixo. Porém, com a elevação do piso, as coisas melhoraram um pouco. Só um pouco. Por isso, mesmo depois desta obra que custou a retirada de algumas fileiras das antigas cadeiras azuis, sempre que podia, eu e quem estivesse comigo, subia para a arquibancada assim que terminava o primeiro tempo. Foi o que fiz, por exemplo, naquele Botafogo 3 x 3 Vasco citado acima. Para quem não sabe ou não se recorda, os portões do Maracanã, creio que por lei, eram abertos para quem quisesse sair ou entrar no intervalo dos jogos principais (e isso proporcionou a mim e muitos, muitos outros a assistir à parte final de muitas partidas, sem precisar pagar ingresso).

Sérgio Cabral. Foto do Museu da Pelada
Mesmo quando não ia ao estádio ou ia de arquibancada ou cadeira, a geral ganhava a atenção do meu olhar. Num tempo em que os jornais publicavam fotos abertas dos lances, flagrando quase sempre os geraldinos na hora de um gol ou um pouco antes, ficava eu mirando cada um atrás da baliza para captar a emoção que vivia naquele instante. Era um já pulando antes de a bola entrar, outro de olhos esbugalhados, mais alguém de mãos na cabeça... Uma infinidade riquíssima de sensações numa só foto que valia tanto quanto o próprio gol, fosse do meu time ou não. Na TV, aquela gente em volta do campo, bem perto do gramado, também atraía a minha atenção, mesmo com a bola rolando e muitas vezes com perigo de gol. Em dias e noites chuvosos era divertido assistir àqueles guarda-chuvas pretos (todos pretos) saltitando na hora que a bola beijava a rede. No YouTube, quem me lê agora vai poder encontrar vários exemplos que cito aqui e reviver ou ver e sentir pela primeira vez como eu nos anos 70 e 80. Veja um exemplo clicando aqui.

No entanto, o que mais me chamou a atenção na entrevista do Sérgio Cabral para o seu xará Pugliese e que me trouxe aqui para escrever este Memorial da Geral foi algo muito curioso que já tinha praticamente apagado da minha memória. Naqueles tempos de 13 a 21 anos (1980 a 87), tinha por hábito ir aos jogos no Maracanã para torcer, e depois, em casa, assistir com calma aos jogos nos videoteipes da antiga TVE (canal 2 do Rio de Janeiro, hoje chamada de TV Brasil), onde aliás vi e ouvi muitas vezes o Sérgio Cabral nas mesas redondas de domingo ou nos comentários dos jogos (aí só o ouvia). De geral só ia mesmo em jogos de menor público, então, várias vezes quando havia um escanteio no lado oposto às cabines de rádio, onde sempre ficávamos eu e meus amigos, corríamos para o local em que seria cobrado o córner e ficávamos pulando e acenando que nem malucos, sabendo que a câmera da TV focalizaria aquela parte do campo. Mais tarde, em casa, eu me deleitava pelo fato de termos aparecido na televisão. E isso se tornava assunto nos intervalos e recreio do colégio no dia seguinte ou, durante as férias escolares, no papo da rua antes de começar a pelada ou outra brincadeira qualquer.

Quanta inocência, né? Outros tempos. Tempos idos, vividos no planeta Século XX. Porém, é sempre muito bom poder contar essas histórias, relatando o que a memória captou verdadeiramente ou criando uma outra história com base na que vivi. Bem ou mal, é o que melhor sei fazer. 

Agora, depois disso tudo que narrei, o melhor que faço é assistir ao filme "Adeus, geral", que está há muito tempo na minha lista para "assistir mais tarde" do YouTube. Sugiro que você faça o mesmo (é só clicar ali no nome do filme). Até outro dia.

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terça-feira, 23 de maio de 2023

OLHARES ALHURES - FOTOS #115




 Fotos de Eduardo Lamas Neiva, feitas no dia 22 de maio de 2023, em Balneário, Florianópolis (SC)

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