segunda-feira, 9 de outubro de 2023

MÚSICA PRA VIAGEM: THIS MASQUERADE

Não vi absolutamente nada em lugar algum, o que não quer dizer que ninguém tenha se lembrado, mas em fevereiro deste ano completou-se 40 anos da despedida deste mundo de Karen Carpenter, uma das mais belas vozes da História da Música. Descobri isso no sábado ao selecionar músicas dos Carpenters num desses serviços de streaming para ouvir com minha mulher e ela decidir pesquisar quando Karen havia falecido.

Karen Carpenter. Foto: Getty Images

A cantora, compositora e baterista (sim, ótima baterista também!) faleceu de anorexia um mês antes de completar 33 anos de idade, mas deixou aos corações apaixonados e partidos de minha geração e outras tantas anteriores e posteriores uma legião gigantesca de fãs. Prefiro, no entanto, não me prender ao romantismo de letras e músicas, mas me reportar especialmente à grande sensibilidade, beleza e técnica da cantora.

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A facilidade com que Karen sai (sim, sai, sua voz permanece viva, muito viva) do agudo para o grave e vice-versa não só traz admiração pela facilidade, quase sem esforço algum, como pela elegância. Por isso, optei aqui por "This masquerade", de Leon Russell (e pelo mesmo motivo poderia ter escolhido "A song for you", do mesmo compositor e tecladista), em vez de seus maiores sucessos "Please, Mr. Postman", "Close to you", "I need to be in love", "We've only just began", "Rainy days and mondays", entre outros que embalaram nos anos 70 as festinhas da minha infância e pré-adolescência na Rua Canavieiras, Grajaú, zona norte do Rio de Janeiro.

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Portanto, sugiro a você que vai ouvir "This masquerade" aqui comigo, nesta versão espetacular dos Carpenters - pois não podemos nos esquecer de Richard, o ótimo pianista irmão de Karen -, com acompanhamento luxuoso da Royal Philarmonic Orchestra, preste muita atenção ao canto, à voz de Karen passeando com charme e formosura por seus ouvidos. Um encanto infinito que merece ser recordado para sempre. 



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terça-feira, 26 de setembro de 2023

NAU POESIA: ÀS OBVIEDADES DA OBJETIVIDADE

Os cartesianos que me perdoem, 
Mas se penso, logo sinto
Além, mais e mais 
Lá vou eu:
Pensinto
E creio na fé
Das pseudociências
Que são as curvas invisíveis 
Que as retas traçadas 
Pela lógica aritmética e geométrica 
Jamais enxergarão
A lógica da comprovação 
Só demonstra
Por A + B 
Que o alfabeto vai até Z
E há outros tantos
Para tantas palavras, frases
Histórias e livros
E que os números são sem fim
Como as perguntas que
Podem - e devem - questionar
As prontas respostas
Lógicas das frases feitas, 
Dos clichês que há séculos
Foram o último grito da moda
Por isso há sempre um urro gutural
Um sussurro inaudito
A se ouvir 
O mistério camuflado
A se revelar 
Ou permanecer 
Como o infinito:
Sem meios de se chegar ao fim.
Esta poesia é inédita, produzida recentemente e deve estar em algum livro no futuro. Como reflete alguns debates recentes, apresento aqui meu pensentimento sobre a obsessão pela objetividade que alguns setores da sociedade defendem, muitas vezes rasgando com unhas e dentes quem ousa discordar ou mesmo somente apresentar a possibilidade de um diferente ponto de vista. Os extremistas estão na ordem do dia, os extremistas estão voltando.

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Aproveito a oportunidade para convidar você que se dispôs a vir aqui a conhecer meus livros publicados. Tem poesias, romance, contos, peça de teatro. Se gostar, não se acanhe, adquira ao menos um deles para experimentar. Agradeço desde já. É só clicar aqui.

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quarta-feira, 20 de setembro de 2023

NAU POESIA: A LUA

A lua é um olho cego brilhante
mergulhado no abismo,
preso ao fundo do imenso lago azul,
a mirar sempre os homens
fixamente, obstinadamente, obsessivamente.

Seu olho de ciclope sem íris, só pupila,
produz arcos prateados e ocráceos
nas nuvens,
as espumas da noite,
a superfície aparentemente calma
do lago suspenso que nos rodeia.

O que será que nos esconde
esse olhar perdido na noite?
Que seres e mistérios
habitam sua face oculta?
Que segredos guarda
essa testemunha ocular
das almas obscuras que habitam a Terra?

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"A lua" faz parte do livro "Cor própria (1984-1999)", lançado em 2022 e à venda na Amazon do Brasil e de mais 12 países na versão digital (ebook). Clique aqui se quiser adquirir o seu. Esta poesia foi publicada originalmente neste blog em 28 de março de 2010 e arquivada posteriormente.

As fotos foram feitas pelo mesmo autor da poesia, na noite de 2 de agosto de 2023, no bairro do Balneário, região continental de Florianópolis.

O vídeo traz a gravação original de "Brain damage" e "Eclipse", as duas últimas músicas do emblemático disco do Pink Floyd "The dark side of the moon", lançado há 50 anos.

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quinta-feira, 7 de setembro de 2023

NAU POESIA: SEXO

Ontem foi dia do sexo, segundo me relataram as redes sociais, então resolvi resgatar esta poesia abaixo, que havia sido publicada aqui neste blog em 15 de dezembro de 2010. A poesia faz parte do ebook "Cor própria", publicado no ano passado e à venda na Amazon do Brasil e de mais 12 países.

Convido, portanto, você a ler abaixo os versos de "Sexo". Peço também que comente, compartilhe e não deixe de seguir o blog. Agradeço desde já.

Que é o sexo senão
idílio e claustro,
glória e martírio,
profanação e devoção,
submissão e dominação?

Que é senão
o não caber mais em si –
mesmo sem se saber quem é –
o transbordar,
sucumbir e ressuscitar,
o transcender
a dor e o prazer?

É um se entregar para tudo ter,
um se deixar à própria sorte,
um rir e chorar,
que é a própria vida,
que é a nossa própria morte.

"O abandono", escultura
de Camille Claudel

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