UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #37

Uma coisa jogada com música - Capítulo #37
Waldir Perez foi o destaque do São Paulo na disputa de pênaltis que decidiu o Brasileiro de 77, contra o Atlético-MG, do zagueiro Márcio. Foto do arquivo do SPFC, aprimorada com IA

A discussão sobre a final do Brasileiro de 77 tomou conta do bar “Além da Imaginação”.

Idiota da Objetividade: - Aquela final foi a primeira do Brasileiro a ser decidida na disputa de pênaltis.

João Sem Medo: - E foi um festival de pênaltis perdidos. No fim, o São Paulo, que tinha um time mais pesado e se aproveitou do campo encharcado para se defender, acabou levando a taça. 

Houve mais um burburinho, com os atleticanos reclamando muito da arbitragem. Então, Zé Ary interveio.

Garçom: - Minha gente, já que aquela decisão terminou nos pênaltis, vamos aproveitar para ouvir uma música aqui no som sobre o tema, até pra acalmar os ânimos que estão ficando muito exaltados. É “O medo do artilheiro na hora do pênalti”, de DJ Dolores, Lúcio Maia e Pio Lobato, com DJ Dolores e a Orchestra Santa Massa. Vamos lá!

O pessoal se diverte com a música e tudo fica mais sereno, quando João Sem Medo retoma a pelota.

João Sem Medo: - Meus amigos, eu falava antes dos nossos dirigentes, dos nossos maus dirigentes. A tabela, o número de clubes e o regulamento do Campeonato Brasileiro foram mudados diversas vezes.

Garçom: - Até hoje se discute quem foi o campeão de 87: Flamengo ou Sport.

Idiota da Objetividade: - E, por isso, quem deveria ficar com a Taça das Bolinhas, Flamengo ou São Paulo. A CBF instituiu esta taça para ficar com o primeiro clube que conquistasse primeiro três títulos seguidos ou cinco alternados. Mas isso, antes de reconhecer os títulos da Taça Brasil e do Robertão, pois se fosse depois, teria de ficar com o Palmeiras.

Garçom: - Que confusão!

Sobrenatural de Almeida: - Assombroso!

João Sem Medo: - Eles ataram o nó e o futebol conseguiu ficar mais desorganizado que o país naquela época. Depois da Copa doMéxico, em 86, levaram todos os nossos jogadores para a Europa, com exceção do goleiro, e ficou por aqui o segundo escalão e as revelações. Não era mais possível aguentar competições deficitárias, nem estádios vazios. Aí veio o Clube dos 13, selecionaram 16 times, o que me pareceu certo, mas não era lá muito justo. Sport e Guarani resolveram melar a final do Grupo Amarelo e deixaram o juiz sozinho em campo. Enquanto isso, o Flamengo dava a volta olímpica no Maracanã carregando uma taça e o mérito de campeão brasileiro.

Alguns torcedores e ex-jogadores do Sport presentes protestam, mas João Sem Medo prossegue.

João Sem Medo: - Uma coisa é certa, foi justo virar a mesa e se insubordinar contra os campeonatos do Otávio Pinto Guimarães, Caixa D’Água, Rubens Hoffmeister e outros dirigentes que usufruíam do esporte na época todas as mordomias possíveis e imagináveis. O Clube dos Treze virou uma das mais sujas mesas da história de nosso futebol. O público prestigiou as duas partidas finais e deu o recado: queria assistir a grandes jogos.

Houve mais alguns protestos.

Idiota da Objetividade: - Em 1986 a CBF declarou que não tinha dinheiro para organizar o Campeonato Brasileiro com 40 times. Os principais clubes do Brasil, Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Grêmio, Inter e Bahia, então se reuniram, fundaram o Clube dos 13, obtiveram verba com patrocinadores e transmissão pela TV. Com o aval da CBF realizaram a Copa União, com mais três clubes: Goiás, Santa Cruz e Coritiba. Guarani, vice-campeão em 86, e o América do Rio, o quarto colocado, ficaram fora.

Ouvem-se protestos no público quando América e Guarani são citados.

Garçom: - Foi mesmo injusto com os dois clubes. Mas senhor...

Ceguinho Torcedor: - Idiota da Objetividade, prossiga, por favor...

Idiota da Objetividade: - A CBF montou um torneio paralelo, chamado de Módulo Amarelo, com os outros principais clubes, mas o América do Rio se recusou a participar. O Sport entrou no lugar do Inter de Limeira, campeão paulista doano anterior. Para valorizar o seu torneio, a CBF sugeriu em reunião que o campeão e o vice do Módulo Amarelo disputassem o título brasileiro com o campeão e vice do Verde, que era a Copa União. O representante do Clube dos 13, Eurico Miranda, do Vasco, aceitou, mas a diretoria do Clube dos 13, presidido por Marcio Braga, do Flamengo, decidiu recusar a proposta. O impasse não foi resolvido até hoje.

João Sem Medo: - Acabou que o Sport e o Guarani disputaram a final da CBF, já em 88, e o time pernambucano foi o vencedor.

Garçom: - E os dois disputaram a Libertadores daquele ano, né?

Idiota da Objetividade: - Sim, e oficialmente não foi aceito nem pelo Supremo Tribunal Federal a divisão do título entre Flamengo e Sport, proposto pela CBF em 2011.

Sobrenatural de Almeida: - Isso sim é assombroso.

Idiota da Objetividade: - O campeonato de 88 também foi chamado de Copa União, teve a participação do América do Rio e serviu para apaziguar os ânimos. Ao todo, foram 24 equipes que disputaram a primeira divisão daquele ano.

João Sem Medo: - A competição também só terminou no ano seguinte e teve uma série de confusões.

Idiota da Objetividade: - Sim, uma delas ocorreu logo na primeira rodada. A CBF decidiu o regulamento em cima da hora, com três pontos para o vencedor e dois pontos para o time que vencesse a disputa de pênaltis, no caso de empate no tempo normal. Fluminense e Botafogo, que jogaram no Maracanã, tentaram se insurgir e não fizeram a disputa depois do jogo terminar empatado em 1 a 1. Houve depois um acordo e os dois times voltaram no meio desemana ao Maracanã apenas para a disputa de pênaltis.

Garçom: - Que confusão!

Sobrenatural de Almeida: - Assombroso!

João Sem Medo: - Uma barbaridade!

Ceguinho Torcedor: - Eu fui lá, os portões foram abertos e vi o meu tricolor vencer nos pênaltis. Se bem que eu já não precisasse dos portões abertos pra entrar no Maracanã.

Todos riem.

Garçom: - Bom, se o assunto voltou a ser pênalti, músicas não faltam. Vou colocar mais uma aqui pra tocar: se antes foi o artilheiro, agora é “O medo do goleiro diante do pênalti”, de e com MarcoFerrari.


Fim do Capítulo #37

Episódio originalmente publicado em 12 de outubro de 2022 e republicado totalmente modificado em 29 de julho de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país. Saiba mais clicando aqui. 

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NAU POESIA: ESPIRAL DO TEMPO *

Nau Poseisa: Espiral do Tempo

... e ainda gira sobre seu próprio eixo
a gigantesca espiral do tempo...

e a vida, que anda pela hora da morte,
repete movimentos, locais e sensações
em momentos distintos, mas bem reconhecíveis
é o deja-vu aflorando a alma
em rascunhos de decisões nunca tomadas
em sonhos repetidos e palavras fugidias
em dores repentinas e medos paralisantes
localizados num ponto específico
deste imenso ciclo aberto no espaço
que se move vertiginosamente lento
como se estivesse estático

... mas ainda gira sobre seu próprio eixo
a gigantesca e enigmática espiral do tempo...

a vida caminha pela zona morta
numa lentidão vertiginosa
a lua e o sol se revezam no céu
e quando se encontram dançam na penumbra
a água em torno de si desce pelo ralo da pia
a folha, como um cone, se despede da árvore
a marimba roda para alcançar a pipa voada
que se enrosca na própria rabiola
a bailarina gira no ar e prepara o leve pouso no palco
o acrobata exibe sua pirueta no circo
a menina encantada em seu cavalo de mentira
brinca no carrossel do parque de diversões
o ginasta finaliza sua apresentação no salto mortal
a bola chutada com efeito, sai da linha reta do gol
para fugir do goleiro e ganhar a rede
o parafuso penetra a parede
a mola se solta e salta

... e ainda gira sobre seu próprio eixo
a gigantesca, enigmática e
indestrutível espiral do tempo...

e a vida desce a ladeira em ponto morto
Cronos convoca Hermes, que evoca Ares e Atena
o louco dança com sua solidão no quarto escuro
o corpo do enforcado gira de um lado para o outro
o torno na mão do carrasco tortura um anjo
o bêbado rega a calçada com sua tontura
a areia movediça engole um bicho
o redemoinho afoga um homem
a tormenta naufraga um barco
o assassino gira o tambor do revólver
antevendo o sangue da vítima
a roleta russa ganha esquinas
o automóvel capota na estrada
o avião abatido rodopia no ar
no horizonte se vê um cogumelo atômico
o tufão arrasta casas, prédios, carros, pontes
e devasta cidades

... e ainda gira sobre seu próprio eixo
 a gigantesca, enigmática,
indestrutível e infinita
 espiral do tempo...



Espiral do Tempo, poesia musicada com IA


Escrita no início da década passada, os anos 10 do século XXI, esta poesia que considero uma das mais importantes de minha obra ganhou arranjo, harmonia, melodia e um "cantor" e um ótimo "grupo musical" graças à inteligência artificial. Para esta longa poesia tentei fazer um rock progressivo, mas mesmo não sendo exatamente o que imaginei fiquei bastante satisfeito com o resultado. 

Acredito que as palavras, os versos, a poesia como um todo ganhou ainda mais força com a execução da "banda" AleluIA, como acabo de nomear. Mais uma vez utilizei a plataforma Suno, mas desta vez tive de fazer várias tentativas até chegar a um resultado que me agradasse. Nas oportunidades anteriores não precisei rejeitar tantas versões produzidas pela ferramenta.


E você, o que achou? Aguardo o seu comentário, agradecendo desde já a sua visita e o comentário. Não deixe de seguir o blog para receber avisos de novas postagens e novidades por aqui. Grato, muito grato.

Agora ouça a música e veja o vídeo que editei com imagens também produzidas com o auxílio da IA.



* Esta poesia havia sido originalmente postada neste blog em 9 de outubro de 2011, posteriormente republicada em 9 de agosto de 2016 e novamente em 13 de janeiro de 2022. Foi publicada também na edição 4 do Jornal Portal, de novembro de 2014. Agora volta a ser renovada trazendo o vídeo com a poesia musicada com auxílio da IA. 

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"CÁ ESTOU EU", POESIA MUSICADA COM IA

Título da Postagem
Imagem gerada com auxílio da IA para a abertura do vídeo

Cá estou eu a apresentar desta vez uma experiência um pouco diferente para ouvidos viciados. Desde que comecei a escrever poesias e a registrá-las, nos tempos em que passava do manuscrito para a máquina de escrever, como já mencionara na postagem anterior, sempre tive a noção da musicalidade na composição de meus versos. Quis o destino que fosse uma tecnologia a me dar a chance de ouvi-los cantados com arranjo e tudo. Pois é, torça o nariz quem quiser, mas é desta forma que tenho visto muitos dos meus trabalhos ganharem a cor própria que sempre idealizei. 

E esta poesia, "Cá estou eu", tem uma história muito particular que faço questão de contar. A começar por um erro que deu certo. Quando fui copiar a letra de um dos meus arquivos para pôr no "prompt" (comando) do Suno não percebi que deixara os dois últimos versos de fora. O resultado me agradou tanto que decidi não mexer mais. 

Como a poesia nasceu

Estava eu, provavelmente no fim dos anos 90, sentado à varanda da minha casa em Rio do Ouro/Várzea das Moças, São Gonçalo (RJ), relendo "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", de José Saramago, quando em determinado momento pausei a leitura, pousei o livro em meu colo e fiquei a observar, como costumeiramente fazia, o morro que ficava adiante e pus-me a admirar, como quase sempre fazia, uma árvore belíssima que ficava em seu topo. Árvore esta que também me fez criar versos para sempre lembrá-la (clique aqui para ler "Tecelã Natureza").

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A necessidade de escrever surgiu como da forma tão bem descrita na música "Amor, meu grande amor", de Angela Rô Rô e Ana Terra: "não chegue na hora marcada, assim como as canções, como as paixões e as palavras". Corri em busca de papel e caneta, dentro de casa, e voltei à varanda para escrever a poesia de 6 estrofes, originalmente. 

Abaixo, apresento como os versos foram apresentados para o surgimento da música, com auxílio da IA, e posteriormente a edição de imagens e vídeo.

CÁ ESTOU EU
(Eduardo Lamas Neiva)

Cá estou eu na varanda
a tocar com os dedos
o morro adiante,
a acariciar as folhas das árvores,
sem poder sentir sua tez.

Cá estou eu a ouvir
os murmúrios dos pássaros,
os ruídos dos carros,
os louvores dos céus...

Cá estou eu a sentir
o vento ao meu redor,
me lambendo o corpo
e fazendo a mata dançar.

Cá estou eu a mirar o infinito
como se ele existisse,
como se fosse compreensível,
como se fosse plausível.

Não podia deixar de dedicá-la ao grande mestre Saramago, que só vi de pertinho uma vez, no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, quando ele e o ator Paulo José leram trechos de "A caverna", que estava sendo lançado na época (início dos anos 2000) - e que eu, indesculpavelmente, ainda não li. 

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E por que a poesia ressurgiu?

Estava há poucos dias rodando a Amazon Prime em busca de algum filme ou série interessante com minha mulher, quando me deparei com a possibilidade de assinar, mesmo que temporariamente e de forma gratuita, o canal Arte 1. E já vislumbrando a possibilidade de ver um especial sobre José Saramago. 

Já havia me esquecido deste fato quando fui assistir a um jogo de futebol na Amazon Prime. No dia seguinte sentei-me em frente à TV para assistir ao belíssimo especial em homenagem ao Centenário de José Saramago, dirigido por Gisele Kato, com quem falei algumas vezes na época em que trabalhei como sócio-diretor de uma empresa de produções artísticas do Rio de Janeiro.

Foi assistindo ao programa que me recordei desta poesia, que andava perdida em minha memória, apesar de publicada no meu ebook "Cor Própria (1984-1999)", que publiquei de forma independente no início de 2022, ainda durante a pandemia da Covid-19.

Como foi feita a música?

Mais uma vez utilizei a plataforma Suno e minha orientação foi de produção de uma música tradicional portuguesa, ao estilo do Madredeus, com voz feminina. Afinal, para mim, não existe fado ou música portuguesa sem uma cantora - e Teresa Salgueiro é uma das maiores para mim. E o resultado me agradou muito, embora não tenha sido de primeira, como fora a escrita da poesia, décadas atrás e a mais de mil quilômetros de distância, pois ainda estou em Florianópolis.

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Para quem não sabe, o Suno normalmente faz duas versões para cada pedido de música que se faz e eliminei logo a primeira, mas guardei a segunda, pois me agradara. Porém, não me dei por satisfeito e busquei mais duas. E foi uma delas, desta segunda tentativa, que me agradou mais e que resolvi trazer a público, a você.

Espero que goste, mesmo que a IA incomode. Tente se concentrar na força que as palavras ganharam na voz de A.I.da MA.I.A., como nomeei minha "cantora portuguesa", e no arranjo arranjado por esta tecnologia ao mesmo tempo tão assustadora, quanto fascinante.

Créditos do vídeo        

Poesia, prompts de estilo musical e de ilustrações e edição de vídeo: Eduardo Lamas Neiva.

"Cantora": A.I.da MA.I.A.

A referência ao livro "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" se deve ao fato de que a poesia foi escrita quando eu lia pela segunda vez esta magnífica obra de José Saramago. E ao ebook "Cor Própria", porque, com leves mudanças e duas estrofes a mais, esta poesia está publicada neste livro de autoria de Eduardo Lamas Neiva à venda na Amazon do Brasil e de mais 13 países. Caso queira adquiri-lo na amazon.com.br, é só clicar aqui

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