sexta-feira, 8 de março de 2019

NAU POESIA: AO DIA DA MULHER

Nau Poesia: Ao Dia da Mulher

Esta poesia acima é uma homenagem à professora cearense Geísa Firmo Gonçalves, morta em 2000, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio de Janeiro, durante o seqüestro do ônibus 174, episódio terrível exibido ao vivo por emissoras de TV para todo o Brasil. Geísa, que dá nome a uma escola em Fortaleza, foi atingida por um tiro de um policial e três do sequestrador. 

Neste 8 de março de tantos significados neste momento sombrio em que vive este país tão maltratado, principalmente na área da Educação, relembro a professora e a poesia para celebrar todas as mulheres que não vieram a este mundo em vão.

A poesia está publicada no livro "Profano Coração", à venda na versão digital (ebook) somente na Amazon. Em qualquer outro lugar que você encontrá-lo é pirataria! A versão física está fora de catálogo desde 2011.

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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

PESADELOS


Tenho acordado no meio da noite com pesadelos. Imaginários e reais. Terríveis, terríveis. Outro dia mesmo foram desesperadores os meus gritos, relatou-me minha mulher. Não me ouvi, só senti o coração aos pulos e os olhos despertos em hora errada, inesperada. A madrugada, antes minha amiga como tantos que acreditei ter, tem me apunhalado com sustos e tristezas nestes últimos duríssimos anos. Por sorte – e aqui peço perdão, mas me reservo a um "egoumbiguismo" de certa forma condenável, entretanto também compreensível - os sustos particulares no fim não trouxeram a pior notícia. Mas a morte rondou outras casas, outras muitas casas por essas madrugadas, noites e dias e arruinou vidas. A dos que se foram, claro, e dos que ficaram. Entristeço, solidarizo-me, porém também me distancio. Não por frieza, por autodefesa. 

Chapecoense, Mariana, Marielle, Museu Nacional, eleições, Brumadinho, CT do Flamengo, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, cidade e estado homônimos em belezas, sujeiras e desgraças. Diárias, diárias. E depois de já escrito o texto ainda veio esta do Boechat, a quem tive o prazer de conhecer e conversar algumas vezes no cafezinho das manhãs na redação do jornal O Globo. Ao que levam estas palavras, quase todas nomes próprios, todos sabem, conhecem, acompanharam desde a afobada pressa das primeiras informações, aos detalhes mais bem apurados depois. Porém, dos meus pesadelos, poucos sabem, alguns nem eu mesmo consigo mais me lembrar ou fiz questão de esquecer. Sofridos e esperançados dias têm passado por mim rotineiramente com lerdeza e velocidade. A extrema lentidão desesperadora quando se necessita tanto da resposta redentora. A rapidez que atropela afazeres, necessidades, desejos. Sublimes e funestas, funestos, eternos e efêmeros. 

Estou apreensivo. O que será que estes pesadelos todos querem me dizer, que sinais verdadeiramente me mandam? Um amigo que desiste da vida; o sonho que escapa das mãos por torpe e tripla rasteira; aquele que me desperta em desespero no meio da noite; os dias, os meses, os anos se sucedendo de bolsos vazios; a arma apontada para a barriga interrompendo a caminhada; o filho com o sangue se espraiando dentro da cabeça costurada, aberta posteriormente na mesa de operação; a decepção profunda pelas sombras em profusão que cobriram todo um país; uma enorme árvore que despenca a cinco passos daquele que seria o meu último passo; os gritos que invadem o sono pelas convulsões e o pulo da cama com a cabeça e o peito em chamas vão se misturando às tragédias lá fora. Todas tão distantes, tão próximas. Como eu, diante dos noticiários etudo o que me ocorre.

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