O livro está em campo na Livraria da Cartola, Amazon, Americanas, Submarino, Shoptime, Mercado Livre, Magazine Luiza e Casas Bahia.
Em breve estará disponível também o livro virtual (ebook).
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Elogio ao futebol
Devotos do dinheiro
Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
O livro está em campo na Livraria da Cartola, Amazon, Americanas, Submarino, Shoptime, Mercado Livre, Magazine Luiza e Casas Bahia.
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Foi sem dúvida uma das melhores entrevistas que já concedi e a que mais tive a oportunidade de expor como encaro o meu ofício de escritor, especificamente o trabalho que realizei para criar Contos da Bola. E também fazer algumas revelações sobre minha vida pessoal, da infância à vida adulta, desde a minha paixão pelo futebol, como pelo teatro, a literatura, as artes em geral, a experiências no jornalismo.
Minha gratidão eterna a Kubi Pinheiro (e também ao Portal MaisPB), pela generosidade das palavras, das perguntas, do espaço e do trato comigo. Caso queria ler a entrevista completa, é só clicar aqui.
O livro continua à venda na Livraria da Cartola, Amazon, Americanas, Submarino, Shoptime, Mercado Livre, Magazine Luiza e Casas Bahia. Em breve estará disponível também o livro virtual (ebook).
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| Foto originalmente publicada no site "Brasil Escola", do UOL |
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| Paulo Gustavo |
O debate - importantíssimo - sobre este fato, começou num grupo do whatsapp do qual participo ainda no fim da tarde de terça, horas antes do falecimento de Paulo Gustavo, porque já se confirmara a barriga (como no meio jornalístico se chamam, ou se chamavam, as falsas notícias publicadas por erro de apuração. fake news é outra coisa, crime inclusive). Em virtude disso, lá mesmo, um dia depois, contei duas histórias que vivenciei de formas diferentes com o objetivo de ilustrar o debate.
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| Zuenir Ventura |
No fim, soube-se que o (ou a) repórter que deu a "notícia", confirmou a informação que recebera de alguém com a empregada da casa do Zuenir. Nem sei se existia essa empregada, se ele (ou ela) ligou para o número certo (muitas vezes liga-se para um e cai em outro, até hoje, com toda tecnologia existente), nem sei como foi a abordagem. Só sei que na pressa (não confundir com velocidade), no afã de dar o furo, deu-se uma barrigada estrondosa. Zuenir continua vivão, na ativa e completa 90 anos em 1º de junho.
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| Renato Russo |
Pois bem, Valéria recebeu um telefonema bem cedo de algum amigo ou amiga em comum dela e da família do Renato Russo com a notícia de que o cantor e compositor da Legião Urbana falecera. Era fonte fidedigna, não tinha erro, mas ela não abriu a agência antes do horário (como ocorria quando acontecia algo extraordinário) enquanto não conseguiu o telefone da casa do Renato Russo ou de algum familiar e confirmou a informação dada por uma pessoa identificada da família. Ainda assim, mesmo eu dizendo que ela não devia temer nada, pois tinha feito tudo corretamente, ainda nervosa, abriu a agência antes do horário regulamentar, como mandava o protocolo, e publicou a notícia.
Mais nervosa ficou e eu também fiquei bem apreensivo quando avistamos Ali Kamel, então ocupante dos cargos mais altos do jornal, vindo como uma seta do outro lado da redação (a equipe da Agência O Globo ficava no fundo da antiga redação em L do jornal, na pequenina Rua Irineu Marinho 35, atrás das editorias Internacional e Segundo Caderno. Para quem conheceu, ficava no lado oposto ao da lanchonete da redação). Naquele momento, alguns outros companheiros já haviam chegado para trabalhar. A cara do Ali era a mais séria possível e ele perguntou: "Quem deu a notícia da morte do Renato Russo?" Valéria se "acusou". Ele fez mais duas ou três perguntas de como tinha sabido e apurado. Ao ouvir as explicações, disse, mais seco que o mais árido dos sertões: "Parabéns!". Deu às costas e voltou para o seu aquário (as salas de vidro onde trabalhavam os peixões, ou seja, os editores).
Ressalto que o (ou a) repórter do Estadão, que nem sei quem foi, pode ter aprendido a lição e ao longo da carreira se recuperado do erro que cometeu. Inexperiência pode ser uma das causas. Porém, tudo isto - e muito mais - só prova que o Jornalismo não é, não pode ser, para qualquer um.
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Alguém já deve ter dito isto, mas como ser inédito em matéria de futebol após mais de um século e meio de bola rolando é quase impossível, ouso não ser original: uma partida não se resume aos 90 minutos regulamentares, nem incluindo seus acréscimos, prorrogação e pênaltis, se houver. Um jogo de futebol, ainda mais aqueles mais importantes, começam muito antes do apito inicial e, em alguns casos, nunca terminam.
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| Pelé se prepara para fazer o gol da vitória sobre o Paraguai, nas eliminatórias da Copa de 70, no Maracanã. Nesta partida registrou-se o maior público pagante da História do estádio: 183.341 |
E isso vale não só para os artistas do espetáculo, o trio de arbitragem, comissão técnica dos times, toda a gama de pessoas envolvidas dentro dos clubes (até um terceiro, um quarto ou mais interessados direta ou indiretamente no resultado) e seus torcedores (e os fãs dos demais times atentos por motivos objetivos e subjetivos). Talvez, ou melhor, certamente ainda se possa acrescentar pessoas que nem querem saber do jogo, mas são parentes, amigos, familiares, colegas de trabalho de alguém tão ligado naquela partida que de alguma forma influirá no humor (mau ou bom) de quem estiver por perto.
A carga de emoções levadas a campo é inimaginável. Etéreas, muitas; palpáveis até, algumas. O Sobrenatural de Almeida, personagem-fenômeno genialmente criado por Nelson Rodrigues, explica muito, sintetiza o que desejo abordar aqui, pois o inusitado, o inesperado, enfim, o sobrenatural pode explicar os acontecimentos, os gols e não-gols que determinam o resultado final de uma partida de futebol. Explicar não é bem o termo, mas induzir a algum entendimento, a uma lógica, a uma ordem que contém tantas variantes físicas, emocionais e espirituais que fica impossível alcançar os reais ou surreais motivos do placar final, e todo andamento, a influência de um montinho artilheiro, de um efeito na bola, do erro do árbitro (mesmo com auxílio do VAR), do frango, da desatenção mesmo em disputas tão tensas etc.
Expectativa, desejo de consagração, sonhos, realização, alegria, explosão de emoções, lágrimas, vida. Lágrimas de vida!
Apreensão, desejo de revanche, frustrações mal resolvidas, mal digeridas, ódio, violência, choro, morte. Choro de morte!
Futebol.
Quantos ancestrais e antepassados de cada um dos milhões de envolvidos num jogo também não participam de alguma forma dentro e fora de cada indivíduo, influenciando no campo e fora dele, no andamento, nos acontecimentos de uma partida? Não citei jornalistas, radialistas, locutores, repórteres, comentaristas. Pois é, ainda tem mais estes. E maqueiros, funcionários do estádio e dos clubes...
Definitivamente, uma partida de futebol é muito, muito mais que um jogo de 11 contra 11 que se desenrola dentro das quatro linhas do gramado, com um árbitro e dois bandeirinhas. Como iniciei dizendo, começa muito antes e, em alguns casos, continua sendo jogado, arbitrado, comentado, criticado, exaltado, modificado, reinventado.
Um ótimo exemplo é aquele Brasil x Itália do dia 5 de julho de 1982. Quantos "se", dos mais diversos, originais e repetitivos, você já ouviu sobre aquele jogo? Aquela - que continua sendo eternamente esta - é uma partida que me marcou profundamente e não falo só por mim, claro. Porém, como é talvez o jogo marcante de toda uma geração, da minha geração, não podia deixar de contá-lo num livro. E, em "Contos da Bola", o "5 de Julho de 1982" é apenas uma outra versão da mesma história tantas vezes contada, recontada, adaptada, das mais variadas formas.
Mas, voltando a 82 e ao livro, como ocorreu com muitos meninos (e meninas também, claro), aqueles cinco tiveram de dar um jeito de prosseguir o jogo depois do apito do árbitro israelense Abraham Klein. E continuam retomando em suas memórias, vez por outra, as sensações e as recordações daquele dia. O futebol nunca mais foi o mesmo, nem aqueles cinco, milhões de meninos (e meninas, jovens, adultos e maduros), depois daquela partida. E ela continua sendo jogada, comentada, criticada, exaltada, modificada, reinventada, inclusive nas páginas de Contos da Bola.
Aproveito para convidar você a ler este e os outros 18 contos do livro. Ele é facilmente encontrado nas seguintes lojas online (clique num dos nomes para ir direto ao site): Livraria da Cartola, Amazon, Americanas, Submarino, Shoptime, Mercado Livre, Magazine Luiza e Casas Bahia. Um time tão bom no papel como no ebook.
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