sexta-feira, 28 de maio de 2021

CONTOS DA BOLA: O QUE É QUE SÓ VOCÊ VIU?


Nezinho contava 21 anos de idade quando marcou o mais belo e importante gol de sua curtíssima carreira de jogador de futebol. Foi numa tarde chuvosa de sábado, de um janeiro esquecido e hoje triste, até mesmo para o protagonista desta história que tinha tudo para ser feliz. Naquele dia ele deixou o campo do pequeno estádio da Rua Conselheiro Jariri num misto de euforia e frustração.

Assim começa "O que é que só você viu?" (bordão do locutor Silvio Luiz), um dos "Contos da Bola", livro que você vê e pode adquirir nas estantes virtuais da Livraria da CartolaAmazonAmericanasSubmarinoShoptimeMercado LivreMagazine Luiza e Casas Bahia

Marque um golaço igual ao do Nezinho e tenha uma feliz leitura.

Em breve também em ebook.

Vídeo com foto de KoolShooters no Pexels

quinta-feira, 27 de maio de 2021

CONTOS DA BOLA: O TORCEDOR DE VIDEOTEIPE


Com humor e amor, O Torcedor de Videoteipe abre o livro Contos da Bola e, para uma pequena degustação, publico abaixo o início da história deste personagem que foi inspirado num simpático contínuo do Jornal dos Sports, onde o conheci, bem no iniciozinho dos anos 90.

Sujeito pacato e trabalhador, o Djalma. Adorava uma roda de samba, participava de todas, mas sempre discretamente. Era muito querido em todos os lugares por onde passava: na rua em que morava, nos pagodes e no trabalho. Além do samba, Didi, como era carinhosamente chamado pelos amigos e colegas de trabalho, tinha outra paixão: a seleção brasileira. Era um verdadeiro torcedor, mas diferente. Não era daqueles que ficam discutindo escalação, pedindo Fulano, Beltrano e Sicrano no ataque do escrete canarinho, como ele ainda se referia à seleção. Didi era avesso a discussões sobre futebol e, por isso, poucos se davam conta do quanto ele amava a seleção brasileira, muito mais do que o famoso esporte bretão, como os antigos cronistas e narradores se referiam ao futebol. Um caso ainda mais raro, não tinha clube do coração.

Às vésperas da Copa do Mundo de 1994, porém, a sua fama de torcedor fanático se espalhou. A história começou quando ele resolveu comprar uma antena parabólica com o 13º ganho no fim de 1993 para instalar na sua casinha lá em Vila Kennedy. Com muita dificuldade, ele fez a alegria de dona Guiomar, sua esposa, e dos filhos, que tiveram assim mais opções de divertimento. Didi, porém, só ligava a televisão para ver jogos da seleção brasileira, que então se preparava para o Mundial de futebol que se realizaria nos Estados Unidos. Ele pouco sabia dos campeonatos disputados no Brasil, pois, como já dito, não torcia para time algum, muito menos se interessava em ir ao estádio, a não ser que a seleção jogasse. Como jogo do Brasil no Maracanã passou a ser raro naqueles tempos, é fácil deduzir que Didi não ia mais ao Mario Filho com a frequência dos anos 60 e 70, quando quase sempre o escrete se apresentava no então maior estádio do mundo.

A televisão com a antena nova tinha ficado praticamente esquecida por Didi, até que numa noite ele perdeu o sono e resolveu ir à sala para arriscar um canal e ver se passava algo chato que o fizesse perder a insônia. Muda daqui, muda dali, até que ele se deparou com algo muito familiar. Em um canal que ele guardou o número, mas que jamais saberá de que país pertencia a tal emissora, ele viu a seleção canarinho toda perfilada, cantando o Hino Nacional, momentos antes da estreia na Copa do Mundo de 1970, contra a Tchecoslováquia. A partir daí ele não conseguiu mais dormir. Vibrou, chorou, torceu, esperneou, socou o chão e o ar e xingou, tudo isso aos sussurros, gemidos e grunhidos, com o máximo cuidado para não acordar a sua família e a vizinhança.

Quer ler este conto inteiro e os outros 18 do livro? Ele está à venda em papel na Livraria da Cartola, na Amazon.com.br (também em ebook nos mais diversos países), AmericanasSubmarinoShoptimeMercado LivreMagazine Luiza, UmLivro, Mercado Editorial e Casas Bahia. Na versão digital, você também encontra Contos da Bola no Google Play, no Scribd e, no exterior, na Barnes & Noble

Este gol é imperdível!

Veja também:
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Futebol-arte: os maiores jogos de todos os tempos 11
Música e futebol, o Brasil no Primeiro Mundo

segunda-feira, 24 de maio de 2021

"CONTOS DA BOLA" NÃO PODE FALTAR EM SUA ESTANTE, DIZ SITE DE SC

Como muitos que estão acostumados a vir a este blog devem saber, não nasci no belíssimo estado de Santa Catarina, só moro aqui vai fazer ainda dois anos no fim do próximo mês - o que só me faz agradecer muito por isso. E mais grato, além de surpreso, fiquei ao saber que o site "Orgulho Catarina", por intermédio da jornalista Amelia Schimt, incluiu "Contos da Bola" entre os "12 livros de escritores catarinenses que não podem faltar na sua estante". Clique e leia aqui. 

Recebi esta indicação elogiosa com tanta satisfação que não me permiti sentir um intruso na lista, mas um privilegiado muito bem acolhido. Mais uma vez, é bom que eu ressalte, pois desde que aqui cheguei só recebi carinho e atenção dos mais variados tipos de pessoas. Muito obrigado "Orgulho Catarina", muito obrigado povo catarinense e aos cidadãos que vieram de outros estados e países para viver aqui há mais tempo que eu e minha mulher e que também nos dão boas-vindas o tempo inteiro.

Além da Livraria da Cartola, "Contos da Bola" também pode ser encontrado na AmazonAmericanasSubmarinoShoptimeMercado LivreMagazine Luiza e Casas BahiaEm breve estará disponível também o livro virtual (ebook).

Veja também:
E 38 anos se passaram...
Setenta vezes Maracanã
Reencontro
"Sutilezas", amor, paixão e surpresas
"Profano coração" está de volta
"O negro crepúsculo", um livro muito bem recomendado

terça-feira, 18 de maio de 2021

TRÊS HISTÓRIAS COM ROMÁRIO

Romário no jogo contra a Escócia, pela
Copa de 90. Foto do site O Curioso do Futebol
Se no livro Contos da Bola uso a ficção para narrar histórias do mundo futebol, algumas vezes inserindo cenas imaginárias em meio a fatos, alguns históricos, aqui neste texto vou relatar três histórias minhas em que direta ou indiretamente tiveram a participação de Romário. As fotos lá embaixo são de papéis que encontrei em minha arrumação pós-mudança recente de apartamento aqui em Floripa, algo que deveria ter feito bem antes, ainda no Rio, mas - creio - veio na hora certa até para eu poder registrar e revelar aqui estes episódios para você.

Em ordem cronológica, a primeira história é a mais banal, ocorrida no fim dos anos 80, numa boate da Zona Sul carioca que se chamava New Let It Be, onde inclusive trabalhara pouco tempo antes um saudoso amigo do Grajaú, o Almir "Barriga". Fui a uma festa com outro saudoso amigo, com quem trabalhava na Rádio Imprensa FM, o dublador, ator e locutor Andre Filho, e acabei sendo apresentado naquela noite a muitos artistas e jogadores de futebol de expressão. Pois foi lá a única vez em que estive pessoalmente com o gênio da grande área (definição de outro gênio, Johann Cruyff, também já vivendo em outro plano).

Romário já jogava no PSV Eidhoven, da Holanda, e estava de folga ou férias no Brasil. Mal trocamos duas palavras e nos cumprimentamos com um aperto de mãos. Foi só. Porém, como ele sempre foi atração por onde passava, não deixei de observar dois fatos inusitados para mim, especialmente naquela época. Aonde ele ia, dois ou três seguranças o cercavam, o que não era comum entre os craques brasileiros naqueles tempos. As "sombras" do artilheiro não se distanciaram dele nem mesmo quando ele subiu para o andar superior da boate para assistir a um strip-tease muito mixuruca que rendeu mais risos do que tesão na plateia masculina. O outro fato que me confirmou o que já diziam, mas eu não acreditava, é que ele não pôs uma gota de álcool na boca.


Na segunda vez, Romário foi apenas o motivo. Ele havia fraturado a perna num jogo na Holanda há poucos meses da Copa da Itália, em 1990, e o risco de ele ficar fora do Mundial era enorme. Ressalto para contextualizar que ele tinha sido, ao lado de Bebeto, o grande destaque da conquista da Copa América disputada no Brasil, no ano anterior. Portanto, a notícia estourou como uma bomba em todos os jornais, rádios e TVs, e não seria diferente no velho Jornal dos Sports de guerra, onde eu trabalhava. 

Por causa disso, o editor Carlos Macedo me incluiu às pressas na equipe já escalada para ir ao estádio Ítalo del Cima cobrir Nova Cidade x Botafogo, com a incumbência de entrevistar o médico Lídio Toledo, que além de trabalhar no clube alvinegro, servia também à seleção. Tive de esperar a fraca partida acabar, com vitória do Botafogo, por 1 a 0, gol do zagueiro Gonçalves no finzinho do jogo, ir ao acanhadíssimo vestiário onde se alojava o time alvinegro e falar com o médico para apurar o que ele já sabia sobre as condições do Baixinho.

Toda a cobertura daquele dia sobre a fratura de Romário no Jornal dos Sports e a entrevista com Lídio podem ser lidas clicando aqui.

O atacante acabaria sendo convocado pelo técnico Sebastião Lazaroni, mas foi para a Itália mais fazer figuração do que qualquer outra coisa, pois não teve tempo de se recuperar totalmente. Soube algum tempo depois por um integrante da delegação brasileira naquela Copa que numa reunião com Lazaroni, Romário o deixou bem à vontade para cortá-lo, algo nada comum na carreira do Baixinho. Para esta minha fonte, ter mantido Romário no grupo foi um dos grandes erros do treinador naquele Mundial. "Ele teve a faca e o queijo na mão para cortá-lo", disse ou deve ter dito desta forma, minha memória não deve ser tão prodigiosa assim.

A terceira vez foi a que motivou este texto. Quando achei numa velha e surrada agenda de telefones um papelzinho com os números de Romário na época em que atuava pelo Barcelona (1994) tive a ideia de fotografá-lo depois que já tinha amassado e jogado fora. Achei que a história merecia ser contada a partir deste registro que você vê aqui ao lado. 

Convidado por Mauro Cezar Pereira, que tinha sido meu chefe no Jornal dos Sports e já estava editando a revista Placar, em São Paulo, fui fazer um frila para a edição especial da revista sobre os melhores jogadores do Vasco de todos os tempos. Como na época eu trabalhava em outro lugar e o prazo de apuração era curto, não tive condições de fazer os 11, então dividi a tarefa com meu amigo dos tempos de Gama Filho e também do JS, Edir Lima. Romário ficou comigo e lá fui eu buscar de todas as formas o telefone do Baixinho na Catalunha. Naquele tempo, para os mais novos saberem e os mais velhos relembrarem, era com catálogos de telefone e auxílio da Embratel que conseguíamos os números e as ligações para o exterior.

Pois bem, com alguma ajuda de colegas jornalistas descobri que Romário não morava exatamente em Barcelona, mas numa cidade praiana chamada Sitges. A muito custo, depois de ligar para o clube, para algum jornalista espanhol, um assessor do Baixinho, consegui o número certo, mas nunca que ele me atendia. Falei com a Monica, sua esposa na época, mais de uma vez. Então resolvi mandar um fax (um fax!!!!) com o pedido de entrevista explicando o motivo. Só que continuei no vácuo. Até que, não me recordo se por uma mágica palavra-chave que usei ou minha insistência foi suficiente para vencer a resistência do artilheiro, consegui falar com ele. O início do diálogo vale muito mais que a matéria publicada e foi mais ou menos assim:

- Oi Romário, tudo bem?

- Tudo.

- Queria falar contigo para pegar um depoimento seu para a revista especial da Placar com os melhores jogadores do Vasco de todos os tempos. Você recebeu o fax que enviei pra você?

- Recebi.

- E o que você achou da escalação dos 11, da sua presença entre tantos jogadores históricos do Vasco? (lembrando que até então, Romário só havia jogado no time principal do clube cruzmaltino, de 1985 a 89, com conquista do bicampeonato carioca de 87 e 88)

- Não achei nada, eu não estou no time.

- Como não está, é por isso que o procurei e mandei o fax, tem a escalação aí: Barbosa... Jorge... Ademir Menezes, Roberto Dinamite e você.

- Ah, eu?

- Sim, você (não lembro se cheguei a dizer, mas poderia ter frisado: "Sim, você é você, ninguém mais!")

Daí em diante ele se soltou e foi muito simpático até.

A matéria você encontra clicando aqui.

Este trabalho para a Placar, aliás, rendeu outra ótima história de bastidores, com o ex-lateral-esquerdo Jorge, que fez parte do Expressinho do Vasco nas décadas de 40 e 50, mas esta conto em outra oportunidade.

Reprodução da revista Placar

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