Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
sábado, 5 de fevereiro de 2022
OLHARES ALHURES - FOTOS #72: LUZES, SOMBRAS E CORES
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022
ENTREVISTA A TV DE GOIÂNIA
No último domingo, dia 30/1, foi ao ar uma entrevista que concedi ao programa "Parlatório" da TV Pai Eterno, de Goiânia, apresentado pelo padre Rafael Vieira, para falar do livro "Contos da Bola" e estender o tema futebol à nossa cultura. Com uma pauta de perguntas muito bem feita, pude abordar os vários aspectos da influência do esporte mais popular do mundo na vida dos brasileiros, desde o início do século XX até os dias de hoje.
Agradeço demais em especial ao Caio Marx, produtor do programa, pelo convite e a oportunidade. Só queria fazer um acréscimo que ficou fora na edição. Quando falo da pouca importância dada, de um modo geral, à estrondosa goleada de 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil, na semifinal da Copa do Mundo de 2014, estava pondo em contextualização a enorme diferença da sociedade brasileira atual para a de 1950, quando a derrota na final para o Uruguai, por 2 a 1, foi tratada como uma tragédia e houve grande comoção nacional, que inclusive prejudicou carreiras de alguns jogadores daquele time brasileiro, especialmente a do goleiro Barbosa.
"Contos da Bola" tem me proporcionado falar não só sobre o livro e seus 19 contos, mas também dos meus outros trabalhos, projetos, estudos e pesquisas a várias partes do país e até do mundo, já que fui entrevistado pela Rádio França Internacional e o L'Équipe no ano passado.
Fica aqui mais uma vez o convite para você ter mais contato com o que venho oferecendo ao público, seja adquirindo algum ou alguns dos meus livros (tem novidade que será anunciada na semana que vem) e seguir este blog, convidando outras pessoas a virem também. Vamos lotar esta arquibancada! Agradeço desde já, especialmente àqueles que já prestigiam os meus trabalhos há muitos anos sem retroceder e os que passaram a fazer parte deste time há pouco tempo.
Quem quiser assistir à entrevista de domingo passado, ela está aqui abaixo e no canal da TV Pai Eterno no YouTube. Espero que goste.
Clique na imagem acima e saiba mais
sobre minhas sugestões de leitura pra você.
Quem lê recomenda!
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022
UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #1
Eis aqui um bate-papo à mesa da
eternidade em que vivem personagens dos dois maiores cronistas de futebol de
todos os tempos, com algumas participações especialíssimas que serão reveladas
ao longo desta longa e divertidíssima e emocionante conversa, recheada de
músicas que contam, cantam e tocam de primeira a História do esporte mais
popular do mundo no Brasil. Aqui, o tempo é ilimitado. João Sem Medo,
Sobrenatural de Almeida, Ceguinho Torcedor e Idiota da Objetividade marcaram um
encontro no restaurante-bar Além da Imaginação.
O garçom que os recebe e participa da
animada conversa é Zé Ary, nome recebido pelo pai, “seu Barroso”, que fora um
fanático torcedor rubro-negro, em homenagem a dois ilustres artistas que torciam
fervorosamente para o Flamengo: José Lins do Rêgo e Ary Barroso. Por isso,
todos acham que Zé Ary é flamenguista, mas quase ninguém sabe ao certo, só João
Sem Medo, pelo menos é o que se deduz. Seu time o garçom não revela, mas é,
sim, um apaixonado por futebol e música, principalmente músicas que falam de
futebol.
Veja também:
João Sem Medo chega primeiro, fazendo
seu cumprimento característico a conhecidos e desconhecidos: dois dedos à testa
com breve movimento para frente. Senta-se a uma das mesas, reservada especialmente
para eles, já com as quatro cadeiras dispostas, e pede algo para beber. Zé Ary
o serve.
Garçom: - “Seu” João Sem
Medo, é um prazer imenso receber o senhor novamente aqui no restaurante. Fique
à vontade, por favor.
João Sem Medo: - Grande José Ary
Lins Barroso! Meu camarada Zé Ary, muito obrigado. O prazer é todo meu.
Garçom: - Que isso, seu
João! O senhor é sempre muito bem-vindo. Há quanto tempo!
João Sem Medo: - Muito tempo
mesmo não voltava pra essas bandas. Mas acompanho tudo, tudinho. Então, me diga
aí, teu time ganhou hoje? (garçom faz que não com um gesto) Ih,
de novo? É, rapaz, a coisa tá mal parada. Se continuar assim, a vaca vai pro
brejo...
Garçom: – Nem me fale,
“seu” João. E a nossa seleção?
João Sem Medo: - Meu amigo,
nosso jeito de jogar futebol era único no mundo. Mas hoje em dia tem muito
jogador de cintura dura dando chutão e canelada por aí. É uma correria só.
Então, fica mais difícil pro técnico escolher. Perdemos muito da nossa ginga, o
drible. Ainda há alguns muito bons, mas já não são tantos como antes. Quase não
tem mais peladas nas ruas, em campinhos de terra batida. Eu não vejo mais isso.
Você vê?
Garçom (faz que não com a
cabeça): - Joguei muita bola na rua, “seu” João. Fui até atropelado uma
vez.
João Sem Medo: - Verdade?
Garçom: - Não foi nada
demais, apenas um susto. Mas havia mil campinhos pra jogar também...
João Sem Medo: - Hoje, onde
tem campo é quase tudo de grama sintética. E a garotada que vai pros clubes mal
consegue dominar a bola direito. A especulação imobiliária, os
condomínios construídos pra tentar isolar as classes média e alta da violência,
e também a tecnologia, expulsaram a garotada das peladas de rua. Acabaram os
campinhos de terra.
Garçom: - É verdade. No
meu tempo era difícil um garoto que não gostasse de jogar bola...
João Sem Medo: - Antigamente,
quando o garoto era meio fresco, não gostava de se sujar jogando futebol ou
brincando de qualquer outra coisa, todo arrumadinho, a gente dizia que ele
soltava pipa em frente ao ventilador e jogava bola de gude no carpete.
Garçom (rindo): - Um tempinho
atrás faziam isso tudo no computador, agora é no celular.
João Sem Medo: - Ó, Zé Ary, tô
esperando uns amigos pruma resenha boa. Eles vêm de mais longe, por isso
demoram um pouco mais.
Garçom: - Eu tô
sabendo, “seu” João! O papo vai render...
João Sem Medo: - Dizem que a
melhor coisa que existe no futebol é o gol feito pelo time que se torce. Talvez
seja. Mas eu acho que o melhor de tudo é o papo.
Garçom: - Também gosto
muito.
João Sem Medo: - O papo depois
dos jogos conserta qualquer coisa, ganha o jogo perdido, enaltece o perna de
pau, reduz o valor da estrela da partida, enfim resolve qualquer parada. E
quando o papo é meio sobre a ignorância, ainda assim é bom, porque às vezes
resulta em boas brigas. O papo é a vida do futebol. Quem é que gosta de ir aos
jogos sozinho? Ou mesmo de escutar pelo rádio (ou assistir pela TV) sem ter
alguém para comentar?
Garçom: - Por isso, o
senhor foi o comentarista que o Brasil consagrou.
João Sem Medo: - O comentário
pra mim era como um bom papo sobre futebol na mesa de um bar. Os músicos confirmaram?
Garçom: - Os músicos já
estão sabendo e prepararam um repertório especial pra acompanhar a resenha.
João Sem Medo: - Muito bom. Hoje o
repertório somos nós que vamos ditar. Quero que eles agradem à moçada que vem
aqui hoje.
Garçom: - Tá bom, “seu” João.
Ainda tem o nosso aparelho de som e o telão também pra mostrar uns vídeos. Daqui
a pouco os músicos chegam. Um deles me contou que o futebol e a música
brasileira tiveram um início muito parecido. Era música e futebol de branco,
cintura dura?
João Sem Medo: - Isso mesmo. Era
futebol pra inglês ver e jogar. A música...
Garçom: - Ah, é verdade
que o senhor é primo do Tom Jobim?
João Sem Medo: - É, por parte de
mãe.
Garçom: - Ele vinha
muito aqui. Gostava muito do “seu” Tom.
João Sem Medo: - A turma dele
tinha um papo muito intelectual, gosto mais da linguagem do povão... No início,
a música tocada no Brasil era toda da Europa: polca, valsa, erudita... Mas aí,
os negros foram entrando e deram o batuque, a ginga. O chorinho nasceu dessa
mistura. Era tão elitizada e preconceituosa a coisa que era proibido tocar
samba. Bom, fomos o último país a abolir a escravidão, você sabe. Aliás, pelo
que tenho lido, ainda existe lá na minha terra, o Rio Grande do Sul. Mas não só
lá, claro.
Veja também:
Cinema, música e futebol no YouTube
Garçom (faz que sim
com a cabeça): - Vou ligar o som enquanto os músicos não chegam.
João Sem Medo: - Que coisa,
linda, Zé Ary?
Garçom: - É o Moraes
Moreira cantando, nos tempos dos Novos Baianos. Do disco Novos Baianos Futebol
Clube. Ele prometeu vir mais tarde tocar um pouco pra nós também.
João Sem Medo (prestando atenção na música e apreciando): - Muito bom. (e cantarola baixinho): - “Só se não for brasileiro nessa hora. Só se não for...”.
FIM do Capítulo 1
(republicado neste blog no dia 3 de agosto de 2023)
Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
Saiba mais clicando aqui.
Veja também:
domingo, 30 de janeiro de 2022
OLHARES ALHURES - FOTOS #71: BAÍA, PEDRAS, PÁSSAROS, PESCADORES
UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #43
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