terça-feira, 1 de março de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: MASTERS OF WAR

A volta da série, nesta terça-feira "semicarnavalesca", se fez necessária exatamente pela lembrança quase imediata desta música, que já estava na minha lista desde o princípio, na semana passada. "Masters of war", composta por Bob Dylan foi gravada no seu segundo álbum, "Freewheelin' Bob Dylan", lançado em 1963, portanto três anos antes de eu chegar a este mundo ao mesmo tempo sublime e abjeto, única e exclusivamente por causa do ser humano e o ser desumano.

Ela posteriormente foi gravada também pelo Pearl Jam, cantada por Eddie Vedder, o cantor da banda em sua carreira solo, e muitos outros artistas, cantoras, inclusive. Uma delas, Odetta, a incluiu logo em 1965 em seu álbum dedicado a composições do bardo vencedor do Nobel de Literatura de 2016.

Com mais uma absurda guerra - como todas são - estourando no mundo, mais uma vez na Europa, colocando outra vez em grave risco o confronto entre grandes potências, desta vez vou oferecer três versões da mesma música para você que se dispôs a vir aqui prestigiar este blog: a original, de Dylan, e a de Odetta, com áudio-vídeos abaixo, e o link para uma do Pearl Jam no YouTube (basta clicar aqui). A letra vai lá embaixo também, se quiser acompanhar. 

E que a Luz do Amor irrompa de vez as trevas do poder. 



Come you masters of war
You that build the big guns
You that build the death planes
You that build all the bombs
You that hide behind walls
You that hide behind desks
I just want you to know
I can see through your masks
You that never done nothin'
But build to destroy
You play with my world
Like it's your little toy
You put a gun in my hand
And you hide from my eyes
And you turn and run farther
When the fast bullets fly
Like Judas of old
You lie and deceive
A world war can be won
You want me to believe
But I see through your eyes
And I see through your brain
Like I see through the water
That runs down my drain
You fasten all the triggers
For the others to fire
Then you sit back and watch
When the death count gets higher
You hide in your mansion
While the young people's blood
Flows out of their bodies
And is buried in the mud
You've thrown the worst fear
That can ever be hurled
Fear to bring children
Into the world
For threatening my baby
Unborn and unnamed
You ain't worth the blood
That runs in your veins
How much do I know
To talk out of turn
You might say that I'm young
You might say I'm unlearned
But there's one thing I know
Though I'm younger than you
That even Jesus would never
Forgive what you do
Let me ask you one question
Is your money that good?
Will it buy you forgiveness
Do you think that it could?
I think you will find
When your death takes its toll
All the money you made
Will never buy back your soul
And I hope that you die
And your death will come soon
I'll follow your casket
By the pale afternoon
And I'll watch while you're lowered
Down to your deathbed
And I'll stand over your grave
'Til I'm sure that you're dead

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domingo, 27 de fevereiro de 2022

OLHARES ALHURES - FOTOS #79: AVES NO POSTE

 



Fotos de Eduardo Lamas, feitas no dia 19 de fevereiro de 2022, em Itaguaçu, Florianópolis (SC)

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sábado, 26 de fevereiro de 2022

OLHARES ALHURES - FOTOS #78: BRINQUEDOS DE FERRO

 




Fotos de Eduardo Lamas, feitas no dia 17 de fevereiro de 2022, no Mestre das Chaves, Abraão, Florianópolis (SC)

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #4


O samba de enredo em homenagem ao centenário do Flamengo não animou muito os quatro amigos, mas vendo a empolgação de muitos dos presentes, eles acompanharam respeitosamente a execução da música, com alguns comentários entre eles que não foram captados. Mas o time rubro-negro e seu rival tricolor continuaram na pauta da mesa.

Ceguinho Torcedor: - O Flamengo começou a ficar popular naquela época. Tinha a festa do reco-reco, que era homem dançando com homem. Jogador do Fluminense não ia a reco-reco. E as mocinhas passavam correndo pela garagem do Flamengo pra não ver aquela pouca-vergonha.

Um novo grupo de músicos já está no palco e a cantora Lila Olive, passando pela mesa dos 4 amigos, ouve a conversa e não deixa de comentar.

Lila Olive: - Num Fla-Flu, tem sempre sururu. Vamos cantar, ouçam só!


A diversão com a embolada “Fla-Flu”, composta por Camburé Silva, é total em todas as mesas. Depois dos aplausos, os nossos quatro amigos retomam a pelota e dão tratos à bola.

Sobrenatural de Almeida: - No Botafogo também tinha o reco-reco.

Ceguinho Torcedor: - No meu Tricolor não se admitia isso. Mas o Flamengo começou a levar o reco-reco pra rua e fazia um carnaval fora de época que foi atraindo o povo. As noites de qualquer domingo passaram a ser de carnaval, graças ao reco-reco do Flamengo.

Veja também:
Os maiores jogos de todos os tempos 11
Pelé, só ele

Garçom: - Humm, a história que me contaram foi a do time que passou a ser popular por treinar na rua, perto do povo. Não foi isso?

Ceguinho Torcedor: - Como o Flamengo, que ficava na Rua Paissandu, não tinha campo, os jogadores passaram a treinar no gramado do Russel, na Glória. Aí juntava a garotada e os marmanjos pra verem os jogadores do Flamengo treinar.

Sobrenatural de Almeida: - O campo ficava cheio. De gandulas. Qualquer chute fora, iam correndo uns 20 garotos atrás da bola.

Garçom: - Então não foi só o Flamengo que foi ficando popular, mas o próprio futebol.

João Sem Medo: - Sim, Zé Ary, e a garotada louca pra bater uma bola.

Sobrenatural de Almeida: - Com isso, passaram a aparecer nos estádios as primeiras fitinhas rubro-negras nos chapéus de palha, exclusividade dos tricolores até então.

João Sem Medo: - As fitinhas eram encomendadas da Inglaterra, por isso eram usadas pelo torcedor da arquibancada, aquele mais rico. O povão ficava na geral.

Ceguinho Torcedor: - Mas mesmo o torcedor da geral, nas Laranjeiras, queria mesmo ser igual aos brancos, da elite, do clube fidalgo, tricolor. Alguns, pretos, mulatos ou mesmo brancos pobres, procuravam se vestir elegantemente.

Sobrenatural de Almeida: - As moças só ficavam na arquibancada. Muitas que antes acompanhavam suspirando os musculosos rapazes do remo, nos dias de regatas, passaram aos poucos a se encantar mais com os jogadores de futebol.

João Sem Medo: - Naqueles primeiros anos do futebol no Brasil, o árbitro advertia os torcedores que fizessem barulho fora da hora. Dava uma espécie de cartão amarelo, que não existia ainda, claro.

Ceguinho Torcedor: - Fui advertido várias vezes, várias vezes.

João Sem Medo: - Você deve ter dado muito trabalho, junto com o Gravatinha.

Ceguinho Torcedor: - Uma vez quase fomos expulsos. Mas certa vez foi até interessante: existia um juiz que era um canalha em estado de pureza, de graça, de autenticidade. Um domingo, ele vai apitar um jogo decisivo. Que fazem os adversários? Tentam suborná-lo. Ora, o canalha é sempre um cordial, um ameno, um amorável. E o homem optou pela solução mais equânime: — levou bola dos dois lados. Justiça se faça a ele: — roubou da maneira mais desenfreada e imparcial os dois quadros. Ao soar o apito final, os 22 jogadores partiram para cima do ladrão. Mas o gângster já se antecipara, já estava pulando muros e galinheiros. Era uma figurinha elástica, acrobática e alada. Isto foi em 1917. O juiz gatuno está correndo até hoje.

Todos riem muito.

João Sem Medo: - Essa coisa de juiz advertir torcedor que fizesse barulho ocorria mais pela Zona Sul, em clubes como Fluminense e Botafogo. Lá em Bangu a coisa era diferente.

Idiota da Objetividade: - É verdade, The Bangu Athletic Club era formado pelos ingleses da fábrica e alguns operários, brancos pobres, mulatos e negros também. E naqueles primeiros anos do futebol no Rio de Janeiro, no início do século XX, começou a haver aquela distinção de clube dos grandes e dos pequenos, porque os times de Fluminense, Paysandu e Botafogo, por exemplo, eram formados por ingleses, alemães e brasileiros abastados, quase todos brancos.

Ceguinho Torcedor: - Os que tinham pele negra só eram aceitos se fossem de família abastada também.

João Sem Medo: - E eles procuravam se vestir, até pra jogar, com as melhores roupas da época.

Sobrenatural de Almeida: - Pois em Bangu, começou essa rivalidade que levava a torcida a não aceitar derrotas em casa.

João Sem Medo: - O grande Mario Filho nos contou estas histórias no clássico “O negro no futebol brasileiro”. Aliás, o Mario Filho é o tio de vocês. Afinal era irmão de Nelson Rodrigues.

Ceguinho, Sobrenatural e Idiota concordam.

Veja também:
Memórias da geral do Maracanã
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Ceguinho Torcedor: - É verdade. Mario Filho foi o criador das multidões!

Garçom: - E veja que absurdo, “seu” Ceguinho, quase tiraram o nome do Mario Filho do Maracanã há pouco tempo. Ainda bem que recuaram.

Ceguinho Torcedor: - Seria uma injustiça colossal!

Sobrenatural de Almeida: - Se confirmassem este absurdo,  o estádio que virou arena seria amaldiçoado, desmoronaria em ruínas de tantas podridões depositadas em suas entranhas ao longo dos anos por lorpas, pascácios, interesseiros minúsculos, e seria transformado definitivamente num coliseu, num Parthenon brasileiro.

Os amigos dão uma dispersada. Um vai ao banheiro, outro cumprimenta alguém de outra mesa, outro faz umas anotações num guardanapo, e Zé Ary vai, então, ao rádio mágico do restaurante e sintoniza na composição de João Fellipe Ramos e Maurício Lage para a exposição "Mario Filho: o criador das multidões", ocorrida no Rio de Janeiro no início dos anos 10 do século XXI.



Fim do capítulo 4

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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Veja também:
Uma coisa jogada com música - capítulo 5
Uma coisa jogada com música - capítulo 3

Obs: Postagem republicada em 25 de outubro de 2023

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