Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
Paulinho da Viola, com toda a sua elegância e humildade, jamais daria e dará um passo em direção ao estrelato. Mas que ele merecia um lugar ainda mais alto entre os gigantes da História da Música brasileira, não tenho a menor dúvida quanto a isso. Entre tantas e tantas extraordinárias composições, também por motivos particulares, os que na verdade sempre nos fazem sentir algo mais por uma obra artística, seja de que gênero for, "Onde a dor não tem razão" é a minha favorita. E está entre as minhas prediletas considerando-se tudo o que já ouvi.
Curioso que, mais uma vez, escolho uma que não está entre as mais famosas. Não tenho aversão pré-concebida contra os sucessos de qualquer artista, verdadeiro artista é bom que se frise. Porém, há sempre uma pérola meio escondida na obra de cada um. E parece que sempre vou em busca dela, talvez tenha algo a ver com solidariedade ao - não rejeitado - mas ao que é dado pouca atenção. Ou menos atenção que eu considero merecer.
Enfim, para encurtar o papo e irmos direto à música, ela está aqui abaixo com o mestre em ação, acompanhado sempre por músicos da mais alta qualidade, em conformidade com a sua simplicidade refinada, sofisticada. "Canto pra dizer que no meu coração já não mais se agitam as ondas de uma paixão, ele não é mais abrigo de amores perdidos, é um lago mais tranquilo, onde a dor não tem razão..." Isto é plenitude. Sublime. Sublime mestre Paulinho da Viola!
A discriminação contra os negros no futebol continua sendo a
pauta da mesa dos nossos quatro personagens e é acompanhada com atenção pelos
presentes ao bar Além da Imaginação.
João Sem Medo: - Em Pernambuco, o clube que não
aceitava os negros era o Náutico; no Ceará, o Manguari; no Pará, o Remo. Em
todos os estados havia clubes aristocráticos que não permitiam que os pretos
jogassem. No Rio, logo no seu primeiro ano na Primeira Divisão, contra tudo e
contra todos, os vascaínos conquistaram brilhantemente o título carioca.
Idiota da Objetividade: - Foram 11 vitórias, dois empates e
apenas uma derrota. O time titular dos Camisas Negras era formado no esquema
hiper-ofensivo da época, um 2-3-5. O time era Nélson, Leitão e Mingote;
Nicolino, Claudionor e Artur; Paschoal, Torterolli, Arlindo, Cecy e Negrito.
Músico(do palco): - Como vascaíno de coração, sinto então muito orgulho
de apresentar aqui o Hino Triunfal do Vasco, para homenagear o pioneirismo do
meu clube e em especial os Camisas Negras, campeões de 23. Sem nos esquecermos,
claro, das raízes portuguesas da nossa História. Como a tecnologia nos permite,
o escritor Bruno Castro, pesquisador dos hinos dos clubes cariocas, vai cantar
comigo do Mundo Material, onde também vive muito bem, e vocês poderão vê-lo ali
no telão com outros músicos. Ao vivo, literalmente.
Todos
riem e aplaudem.
Músico: - Esse foi o Hino Triunfal do Vasco
da Gama, o primeiro hino oficial do clube de São Januário. A composição é de
Joaquim Barros Ferreira da Silva. Obrigado, Bruno!
Idiota da Objetividade: - O hino mais famoso, que todos conhecem, nasceu como
Marcha do Vasco, composta em 1949 por Lamartine Babo, que é também o autor dos
hinos de outros clubes do Rio de Janeiro: América, seu time do coração,
Flamengo, Fluminense, Botafogo, Bangu, Madureira, São Cristóvão, Olaria,
Bonsucesso e até do Canto do Rio, de Niterói.
Após a execução do Hino Triunfal do Vasco da Gama e a
informação do Idiota da Objetividade sobre os hinos criados por Lamartine Babo,
o papo seguiu em frente com a década de 20 do século passado à mesa. João Sem
Medo interrompeu rapidamente seu rápido almoço para dar tratos à bola.
João Sem Medo: - Enquanto o Vasco começava a
surgir como grande potência no Rio de Janeiro, lá em Minas o América ia
conquistando o seu oitavo título seguido e chegaria ao deca-campeonato mineiro em
1925.
Idiota da Objetividade: - O América mineiro foi o primeiro clube do mundo a conseguir
dez títulos seguidos da mesma competição. Depois do América Mineiro, só o ABC
de Natal, que de 1932 a 41 venceu todos os campeonatos do Rio Grande do Norte,
igualou o recorde.
João Sem Medo: - A Juve quase chegou ao deca na Itália.
Idiota da Objetividade: - Após
conquistar o título italiano por nove vezes seguidas, entre a temporada de
2011-2012 e 2019-2020, a Juventus de Turim ficou em quarto lugar no campeonato
de 2020-2021. A Inter de Milão conquistou o scudetto.
João Sem Medo: - E o
Bayern de Munique foi deca na Alemanha e podia ter sido undeca ou hendecampeão em 2023. Andou bem sem graça o campeonato por lá.
Ceguinho Torcedor: -
Mas o assunto era o Coelho...
Sobrenatural de Almeida: - Isso
mesmo. Olha, eu tive algumas participações no deca-campeonato do América.
Ceguinho Torcedor: -
Foi realmente algo sobrenatural.
Sobrenatural de Almeida: - E muito
mais na classificação pra fase de grupos da Libertadores no ano passado.
Sobrenatural de Almeida: - Em 1925
todos desistiram de disputar o campeonato. Tentaram se unir contra o
papa-títulos, mas o América venceu o Atlético por 4 a 1 e foi campeão,
decacampeão, porque todo mundo ficou com medo do Coelho. A seleção mineira
daquele ano tinha dez jogadores do América e bateu os cariocas por 6 a 1.
Garçom: - Por
falar no América mineiro, vejam só quem veio aqui pra cantar o seu amor ao clube:
Fernando Brant!
Aplausos de todos.
Fernando Brant: - Muito obrigado, gente. Vocês sabem que fui
conselheiro do América e sempre muito apaixonado pelo clube. Compus com o
Toninho Horta este hino extra- oficial que vocês vão poder ouvir agora. Obrigado.
Fim do Capítulo 8
Modificado e republicado em 23 de agosto de 2024
Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país. Saiba mais clicando aqui.
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