quarta-feira, 19 de março de 2025

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #30

Uma coisa jogada com música - Capítulo #30

Tostão em jogo da seleção, no Maracanã. Foto: Curta Circuito, aprimorada com IA, e em vídeo abaixo criado também por IA

O povo do Bar Além da Imaginação dá uma rápida dispersada após a música de Tadeu Franco em homenagem ao Cruzeiro, mas o timaço de 1966 continua sendo lembrado pelos nossos debatedores.

João Sem Medo: - Tostão e Dirceu Lopes foram os grandes nomes daquele time do Cruzeiro. Os dois, mais o Piazza, foram titulares do time que escalei logo quando assumi a seleção, três anos depois.

Ceguinho Torcedor: - As feras do Saldanha!

Idiota da Objetividade: - Félix, Carlos Alberto, Brito, Djalma Dias e Rildo; Piazza, Dirceu Lopes e Gérson; Jairzinho, Pelé e Tostão.

Ceguinho Torcedor: - Aquele time do Cruzeiro e as Feras do Saldanha merecem todas as nossas homenagens.

Idiota da Objetividade: - Em especial Tostão, craque daquele time do Cruzeiro e o artilheiro da seleção nas eliminatórias para a Copa de 70.

Garçom: - Então, vamos ouvir “Tema de Tostão”, de Milton Nascimento?

Zé Ary vai ao aparelho e põe a música-homenagem para ressoar nas caixas de som do Além da Imaginação.




Músico: - Esta música foi composta por Milton Nascimento para o documentário “Tostão, a fera de ouro”, de 1970. O filme teve roteiro do escritor mineiro Roberto Drummond, autor entre outros de “Hilda Furacão”, e direção de Paulo Laender e Ricardo Gomes Leite.

Veja também:


João Sem Medo: - A vitória do Cruzeiro em 66 fez finalmente a CBD ver que o futebol não se restringia a Rio e São Paulo.

Idiota da Objetividade: - É verdade. Para as Copas do Mundo, por exemplo, apenas cinco jogadores de clubes fora do eixo Rio-São Paulo haviam sido convocados até 66: o zagueiro Luz, do Grêmio, para a Copa de 34; o zagueiro Nena e o atacante Adãozinho, ambos do Internacional, para a Copa de50, e os atacantes Alcindo, do Grêmio, e Tostão, do Cruzeiro, para 66. Já para o México, em 70, Zagallo teve o mesmo número de jogadores que não eram de clubes do Rio ou São Paulo: Piazza, Fontana e Tostão, do Cruzeiro; Everaldo, do Grêmio, e Dario, do Atlético Mineiro.

Garçom: - Caramba, fomos bicampeões mundiais só com jogadores de times do Rio e de São Paulo, então. Não se dava muita atenção ao futebol de outros estados?

João Sem Medo: - Na verdade, os clubes de Rio e São Paulo eram mais fortes economicamente e traziam muitos atletas de outros estados. Jogando nos dois principais estados do país eles se destacavam mais e acabavam convocados.

Garçom: - Ah sim, como o AlmirPernambuquinho, o Zagallo, que é alagoano...

Ceguinho Torcedor: - Vavá, também pernambucano.

João Sem Medo: - Aquele título do Cruzeiro em 66 também fez nascer o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, que era o Rio-São Paulo mais clubes de Minas, Rio Grande do Sul e de outros estados.

Ceguinho Torcedor: - O Robertão, como era chamado, é que deu origem ao Campeonato Brasileiro.

João Sem Medo: - Muitos anos depois a CBF numa decisão estapafúrdia misturou os campeões da Taça Brasil e do Robertão com os do Campeonato Brasileiro.

Ceguinho Torcedor: - Mas o Robertão foi o Big Bang do Brasileirão!

João Sem Medo: - A Taça Brasil era um torneio eliminatório, parecido com a atual Copa do Brasil. A CBF misturou alhos com bugalhos e o Palmeiras acabou virando bicampeão brasileiro no mesmo ano, porque ganhou duas competições diferentes em 1967, a Taça Brasil e o Roberto Gomes Pedrosa.

Idiota da Objetividade: - Em 1971, após forte campanha da imprensa esportiva, a CBD instituiu o Campeonato Brasileiro. A criação do campeonato nacional, no entanto, mereceu críticas dos mesmos veículos que reivindicavam a competição, pois viam pouca diferença em relação ao Robertão e uma ingerência política muito grande para a escolha dos times.

João Sem Medo: - A Arena, partido da ditadura, se aproveitou do futebol para angariar simpatias. E o lema foi criado: “Onde a Arena vai mal, mais um time no Nacional. E onde a Arena vai bem, mais um time também”.

Garçom: - Teve campeonato com quase cem times!

Idiota da Objetividade: - Foi em 1979, quando o Internacional de Porto Alegre conquistou o seu terceiro e último Campeonato Brasileiro. Venceu de forma invicta a competição que teve 94 clubes.

Sobrenatural de Almeida: - Assombroso.

João Sem Medo: - E seriam mais, se alguns grandes de São Paulo não tivessem ficado de fora.

Idiota da Objetividade: - Os times de São Paulo queriam entrar apenas na terceira fase da competição. A CBD, que naquele mesmo ano por exigência da Fifa passaria a cuidar apenas do futebol e se tornaria CBF, não aceitou. Com isso, Corinthians, Portuguesa, Santos e São Paulo ficaram fora do Campeonato Brasileiro de 1979.

Garçom: - Caramba, seriam então 98 clubes!

João Sem Medo: - Confusão no tapetão e politicagem nunca faltaram no futebol brasileiro. Os cartolas atuais são elitistas e praticamente expulsaram o povão dos estádios.

Ceguinho Torcedor: - A alma dos estádios estava na geral com seus personagens magníficos. Dizem os idiotas da objetividade que torcida não ganha jogo. Pois ganha!

Idiota da Objetividade: - Pra mim futebol é onze contra onze, decidido no campo de jogo.

João Sem Medo: - Os cartolas sempre atrapalharam o futebol brasileiro e tentaram ganhar alguns jogos na mão grande. Naquela época, do Brasil gigante, do ame-o ou deixe-o, com o campeonato inchando de clubes a cada ano, muito mais preocupados com seus interesses do que com os dos próprios clubes que dirigiam, eles faziam as maiores lambanças, elaboravam regulamentos confusos, mudavam tudo no meio do campeonato, jogos sem atrativos e ainda queriam que o povão fosse aos estádios com seu suado dinheirinho e pegasse sol a pino na cabeça sem saber se o jogo seria resolvido em campo ou no tapetão.

Garçom: - Fui a muito jogo com o estádio praticamente às moscas.

Veja também:


Músico: - Ah, João, Zé Ary, Ceguinho. Temos um grande artista presente na casa que pode cantar uma música que tem tudo a ver com isso que vocês estão falando. Eu estou falando do grande Taiguara!
Taiguara se levanta, todos aplaudem muito e o artista agradece.

Garçom: - Taiguara, por favor, venha ao palco!

Taiguara: - Obrigado, muito obrigado. É uma satisfação enorme estar aqui pra assistir a esta verdadeira aula de futebol, da História do nosso futebol, da nossa História, e ainda ouvir lindas músicas que falam do futebol brasileiro. E sem se esquecer do olhar crítico, como foi ressaltado aqui há pouco, especialmente pelo João Sem Medo. Então, pra tocar a bola em frente, vou apresentar “Público”, que gravei no meu disco “Imyra, Tayra, Ipy”, em 1976.

Músico: - Este disco é uma obra-prima!

Taiguara: - Obrigado, parceiro. Vamos lá!

 

Fim do Capítulo #30

Episódio originalmente publicado em 24 de agosto de 2022 e republicado totalmente modificado em 19 de março de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
Saiba mais clicando aqui.
 

Siga o perfil do projeto Jogada de Música no Instagram, 
clicando aqui ou apontando o seu celular para o QR Code abaixo.


segunda-feira, 17 de março de 2025

PENSO, LOGO SINTO #39

Penso, logo sinto #39

 O mundo ora manca da direita, ora manca da esquerda, e jamais acerta o passo.

Imagem criada pelo ChatGPT

Esta série, iniciada em 2011, apresenta frases, reflexões, pensamentos que me surgem na observação do mundo e da sociedade de uma forma geral. Podem estar inseridos já em alguma obra literária de minha autoria, virem a estar ou simplesmente se limitarem a uma presença única por aqui ou qualquer outro tipo de publicação isoladamente. 

Acompanhe abaixo algumas das outras postagens desta série:

Deixe abaixo o seu comentário, opinião, sugestão, crítica. Se gostar, siga o blog e compartilhe o que mais agradar. E não deixe de prestigiar os anunciantes do blog para que eu possa continuar publicando. Agradeço desde já.

Veja também:

Siga o perfil do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva no Instagram, 
clicando aqui, ou apontando o seu celular para o QR Code abaixo.


Mensagem publicitária

Clique na imagem acima para adquirir
o ebook, 
com amor, paixão e surpresas.
Quem lê recomenda!

quinta-feira, 13 de março de 2025

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #29

Uma coisa jogada com música - Capítulo #29

Foto aprimorada pela AI Ease

Zé Ary pega a deixa do apelido de Heleno de Freitas e lança outro tema à mesa dos nossos amigos João Sem Medo, Ceguinho Torcedor, Sobrenatural de Almeida e Idiota da Objetividade.

Garçom: - Outro que ganhou apelido de mulher no futebol foi o goleiro Raul, nos tempos do Cruzeiro, né?

João Sem Medo: - Essa é outra história, foi por causa da camisa amarela.

Sobrenatural de Almeida: - Armei aquele salseiro, foi engraçado.

João Sem Medo: - Até nesta história?

Ceguinho Torcedor: - O que você aprontou, Almeida?

Sobrenatural de Almeida: - Isso, todos sabem, ou quase todos. Foi já na década de 60. Goleiro naquela época só usava camisa preta ou cinza. E era sempre a mesma camisa, lavava e voltava. Mas aí, o goleiro titular do Cruzeiro se machucou às vésperas do clássico com o Atlético, então Raul foi escalado. Mas ele era muito maior que o outro e a camisa não deu. Aí, resolvi fazer uma luz acender na cabeça do Raul, quando o lateral-esquerdo Neco passou com um moleton amarelo em frente a ele. Raul pediu a camisa do companheiro emprestada, colou um esparadrapo atrás pra fazer o número um e foi pro campo. A torcida do Galo não perdoou vendo aquele goleiro altão, com cabeleira loura, vestindo amarelo, e começou a chamá-lo de Wanderléa.

Garçom: - Lembraram da cantora da Jovem Guarda, né?

Sobrenatural de Almeida: - Isso mesmo!

Idiota da Objetividade: - Aquele jogo terminou empatado sem gols e o Atlético ainda perdeu um pênalti, mas Raul não defendeu, a bola foi chutada para fora.

Sobrenatural de Almeida: - Mais uma peripécia minha.

João Sem Medo: - O presidente do Cruzeiro na época, Felicio Brandi, achava que a camisa dava sorte e obrigou o Raul a só jogar de amarelo depois daquilo.

Sobrenatural de Almeida: - Pois é. O Raul foi se meter a besta, porque não estava acertando a renovação do contrato, e foi jogar de preto uma vez. Aí ajudei o Cruzeiro a perder. Ele, então, renovou o contrato e voltou a jogar de amarelo de novo.

João Sem Medo: - O Cruzeiro tinha um grande time naquela época, com Dirceu Lopes, Piazza, Tostão, Natal... Foi campeão em cima do Santos de Pelé, com uma goleada de 6 a 2.

Garçom: - Em homenagem àqueles grandes campeões, vamos exibir no telão imagens daquele timaço ao som da música “Academia”, de João Saraiva, Mauro Saraiva e Plínio Saraiva.

Os aplausos são efusivos. Idiota da Objetividade dá então mais detalhes daquela épica conquista cruzeirense.

Idiota da Objetividade: - A final da oitava Taça Brasil, em 1966, reuniu o Santos de Pelé, que lutava pelo hexacampeonato, e o Cruzeiro de Tostão, que fazia uma campanha excepcional, com nove vitórias e três empates. Por ser o campeão, na verdade com cinco títulos seguidos, o Santos entrou na competição para lutar pelo hexa já na semifinal, como rezava o regulamento. Eliminou o Palmeiras, enquanto o Cruzeiro desclassificava o Fluminense. O primeiro jogo das finais, no Mineirão, terminou com uma goleada histórica e surpreendente do time mineiro, por 6 a 2, diante de quase 80 mil pessoas.

Ceguinho Torcedor: - O primeiro tempo terminou 5 a 0 e a torcida cruzeirense parecia não acreditar no que estava vendo.

Sobrenatural de Almeida: - Assombroso!

João Sem Medo: - Dirceu Lopes comeu a bola naquele dia. Fez três gols.

Idiota da Objetividade: - Os outros foram de Zé Carlos, contra, Tostão e Natal. Para o Santos, Toninho Guerreiro fez os dois.  Apesar da goleada, no segundo jogo, no Pacaembu, bastaria ao Santos vencer por qualquer diferença para forçar o terceiro jogo. Pelé e Procópio foram expulsos no primeiro jogo, mas puderam atuar na segunda partida.

João Sem Medo: - O primeiro tempo terminou 2 a 0 pro Santos, com o Pelé em grande noite. Todos começaram a achar que o Santos devolveria a goleada. Dirigentes do Santos e da Federação Paulista chegaram a ir ao vestiário do Cruzeiro para acertarem o terceiro jogo pro Maracanã. Foram expulsos e aquilo deu mais motivação ainda pros mineiros. Tanto que no segundo tempo, o Cruzeiro virou pra 3 a 2.

Ceguinho Torcedor: - E o Tostão ainda perdeu um pênalti!

Sobrenatural de Almeida: - Assombroso.

Idiota da Objetividade: - O jogo foi disputado no dia 7 de dezembro de 1966, debaixo de muita chuva, diante de 30 mil pessoas aproximadamente. Pelé abriu o marcador, aos 23 minutos, e dois minutos depois, Toninho Guerreiro fez o segundo do Santos. Tostão perdeu o pênalti aos 13 do segundo tempo, mas fez o seu em cobrança de falta, com pouco ângulo, aos 18. Dirceu Lopes empatou aos 28 e Natal, após bela jogada de Tostão pela esquerda, fez o terceiro, aos 44.

Garçom: - Vamos ver os lances daquele jogo no telão? Com narração do grande Fiori Gigliotti, que ali está e merece muito todos os nossos aplausos.

Fiori se levanta, agradece a homenagem e se senta para assistir o telão.

Os cruzeirenses presentes vibram como se a partida tivesse acontecido naquele momento. Ceguinho Torcedor retoma a bola para contar mais sobre aquela conquista do Cruzeiro.

Ceguinho Torcedor: - Foi uma festa inesquecível em Belo Horizonte. Depois da vergonha e da frustração da Copa de 66, nenhum acontecimento teve a importância e a transcendência da vitória do Cruzeiro. Não foi só a beleza da partida, ou seu dramatismo incomparável. É preciso destacar o nobre feito épico que torna inesquecível o título do Cruzeiro. Sem medo de fazer uma sóbria justiça estava ali, naquele momento, o maior time do mundo.

Garçom: - Sem dúvida alguma, seu Ceguinho! Afinal, superou o Santos de Pelé, com autoridade. Vamos então ver e ouvir no telão, Tadeu Franco cantando uma composição sua em homenagem ao Cruzeiro, com destaque praquele grande time de 1966.

Fim do Capítulo #29

Episódio originalmente publicado em 17 de agosto de 2022 e republicado totalmente modificado em 13 de março de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
Saiba mais clicando aqui.
 

Siga o perfil do projeto Jogada de Música no Instagram, 
clicando aqui ou apontando o seu celular para o QR Code abaixo.



quarta-feira, 5 de março de 2025

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #28

Uma coisa jogada com música - Capítulo #28
Heleno de Freitas no antigo estádio da Rua General Severiano. Foto com colorização da AI Ease

Após a festa santista no bar Além da Imaginação, com Francisco Egydio sendo ovacionado e muito elogiado por seu vozeirão, Idiota da Objetividade não quis deixar a conversa sobre Almir Pernambuquinho sair da pauta.

Idiota da Objetividade: - Almir Morais de Albuquerque, o Almir Pernambuquinho, chegou a ser chamado de Pelé Branco, mas acabou sendo conhecido mais pelas confusões em campo do que pelo seu grande futebol.

Garçom: - Tinha era muita raça, viu! Lembro de um gol dele no Flamengo contra o Bangu também na década de 60, em que ele meteu a cara na lama pra empurrar a bola com a cabeça. A bola passou só isso aqui da linha. Tinha muita raça.

Almir: - Foi em 66 mesmo. O Ubirajara defendeu a primeira cabeçada, mas no rebote meti a cabeça na bola no chão mesmo.

Todos riem e aplaudem, inclusive Ubirajara.

Garçom: - Olha o lance aí no telão!

Todos vibram e aplaudem como se estivessem no Maracanã naquele momento do jogo.

Veja também:

Idiota da Objetividade: - Almir ganhou muitos títulos importantes nos vários clubes em que jogou. No Vasco foi campeão em 58 do Rio-São Paulo e do Carioca; no Santos, a Libertadores e o Mundial de 63, além das Taças Brasil e o Rio-São Paulo de 63 e 64, mais o Paulista de 64, e no Flamengo foi campeão carioca de 65.

João Sem Medo: - No dia da sua morte eu estava longe, na Bahia, e até esqueci do jogo do Flamengo contra o Bahia que ia comentar. Levei um susto com a notícia. Não sabia dos detalhes, mas uma coisa logo garanti: o Pernambuquinho estava defendendo o lado mais fraco. E da mesma maneira como sempre fez, de peito aberto, sem medir consequências, porque estava certo de ter razão. Catimbeiro, valentão, corajoso, boa gente e bom amigo. Enfim, não sei, mas parece que era assim mesmo que ele queria morrer.

Almir: - Melhor assim do que covardemente, né, seu João?

João Sem Medo: - Muito melhor!

O estilo de Almir fez Sobrenatural de Almeida se recordar de outro polêmico e guerreiro atacante, este mais antigo que Almir.

Sobrenatural de Almeida: - Outro grande jogador, também muito temperamental, foi o Heleno de Freitas.

João Sem Medo: - Meu grande amigo. Jogamos juntos na praia e no juvenil do Botafogo.

Sobrenatural de Almeida: - Heleno é até hoje um dos grandes ídolos do Botafogo, mas só foi campeão no Vasco, em 49.

Ceguinho Torcedor: - O ataque daquele time era fantástico: Nestor, Ademir Menezes, Heleno, Maneca e Chico.

Idiota da Objetividade: - O Expresso da Vitória, como era chamado um dos maiores times da História do Vasco.

Veja também:

Garçom: - Heleno ficou de aparecer aqui no bar, vamos ver se aparece. Então, pra lembrarmos aquela fase gloriosa do Vasco, vamos convidar aqui no palco no Além da Imaginação, Aracy de Almeida.

Os aplausos logo se sucedem e Aracy, que nem de longe lembrava aquela mal-humorada jurada dos programas de Silvio Santos, sobe ao palco.

Aracy de Almeida: - Muito obrigada, gente. Com muita honra homenageio meu clube do coração, o grande Vasco da Gama, que Heleno defendeu tão bem, em 1949. “Entra Vasco” gravei três anos antes. Não confundir esta marchinha com outra música de mesmo nome que a Aurora Miranda, irmã da Carmen, que ali está, gravou ainda na década de 30, que foi composta por Alberto Ribeiro e AntonioAlmeida. Vamos lá, então, com “Entra Vasco”, de Ari Monteiro e Arnaldo Paes.

Aplaudida, Aracy deixa o palco e vai pra sua mesa.

Idiota da Objetividade: - O Expresso da Vitória foi campeão carioca em 1945, 47, 49, 50 e 52, e conquistou o Campeonato Sul-Americano de Clubes, no Chile, em 48. Com oito jogadores convocados por Flávio Costa, o Vasco foi a base da seleção brasileira vice-campeã mundial em 50.

Garçom: - Ih, a torcida do Vasco não gosta muito desta história de vice, não.

Sobrenatural de Almeida (voltando do banheiro, meio distraído): - Olha, alguns daqueles jogos tiveram a minha participação efetiva.

Garçom: - Nos vices do Vasco?

Sobrenatural de Almeida: - Também, também. Mas falava do Heleno. Eu gostava de provocá-lo também pra ele animar um pouco mais alguns joguinhos. Era só chamá-lo de Gilda que ele ficava louco da vida. (ri tenebrosamente)

Veja também:

Idiota da Objetividade: - O polêmico Heleno de Freitas fez parte da equipe vascaína campeã carioca de 49. É o único título que conquistou na carreira. Mas Heleno ficou consagrado como ídolo botafoguense. Ele fez um total de 204 gols em 233 jogos com a camisa do Botafogo. Ainda atuou pelo BocaJuniors, da Argentina; América do Rio; Atlético Júnior Barranquilla, da Colômbia, e Santos, onde ficou pouquíssimo tempo. Sempre criou muita confusão em campo, adorava a vida boêmia e, principalmente, as mulheres.

Ceguinho Torcedor: - Dizem que por causa de uma sífilis mal curada ficou louco e acabou internado num sanatório, em Barbacena, cidade do seu estado natal, Minas, já que ele era de São João de Nepomuceno.

João Sem Medo: - Esta história prefiro esquecer. Guardo comigo as boas recordações do meu amigo Heleno.

Sobrenatural de Almeida: - Heleno de Freitas era um galã e ganhou o apelido de Gilda, o que o deixava revoltado.hahaha

Ceguinho Torcedor: - Gilda era a personagem encarnada pela belíssima atriz Rita Hayworth no cinema.

Heleno aparece repentinamente no Bar Além da Imaginação e todos ficam em suspense. Mas ele, com trajes elegantes da década de 40, amacia a pelota e faz a criança rolar no gramado.

Heleno: - Este apelido não quer dizer mais nada pra mim. Ou melhor, até ajuda em alguns casos. O importante é que o lendário Heleno de Freitas ficou guardado na memória dos amantes do bom e valente futebol. Tanto que recebo ainda hoje muitas homenagens.

João Sem Medo se levanta e vai abraçar, emocionado, Heleno de Freitas, que também muito comovido, retribui o carinho do amigo. Todos aplaudem de pé.

Veja também:

Garçom: - Diante desta cena maravilhosa, só há uma coisa a fazer: homenageá-lo, grande Heleno de Freitas. Vamos ver no telão imagens e músicas do espetáculo “Heleno, um homem chamado Gilda”, de Miguel Paiva e Zé Rodrix, que se encontra ali ao fundo, podem aplaudi-lo também. Com direção de Marcelo Saback, o espetáculo foi apresentado em 1996 pela Orquestra Brasileira de Sapateado. O ator Raul Gazolla interpretou Heleno. Vamos ver e ouvir.

Todos fazem silêncio e assistem com atenção.

O público aplaude muito e Heleno, João e Ceguinho comentam sobre o depoimento de Armando Nogueira e perguntam a Zé Ary pelo grande jornalista botafoguense.

Garçom: - “Seu” Armando ficou de vir. Uma hora aparece por aí com muita história boa pra contar também.

Fim do Capítulo #28

 Episódio originalmente publicado em 10 de agosto de 2022 e republicado totalmente modificado em 05 de março de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
Saiba mais clicando aqui.
 

Siga o perfil do projeto Jogada de Música no Instagram, 
clicando aqui ou apontando o seu celular para o QR Code abaixo.


UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #43

Uma coisa jogada com música - Capítulo #43 Didi na Copa do Mundo de 58. Foto sem ...

As mais visitadas