sexta-feira, 15 de abril de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: FEELING GOOD

Desde que resolvi criar esta série pensava em Nina Simone. Mas qual música escolher, entre tantas composições dela e gravações de obras de Beatles, Bob Dylan, Leonard Cohen e tantos outros em que ela pôs (impôs) com personalidade única a sua marca de grande musicista, cantora e compositora? 

Eis que, ouvindo a rádio ABC, da Austrália, como tenho feito diariamente para estudar inglês, num dos programas da BBC que entram durante a madrugada de lá, tocou a parte inicial desta joia. Aí, a dúvida foi-se embora e a primeira de Nina a aparecer por aqui foi escolhida: "Feeling good", dos ingleses Anthony Newley e Leslie Bricusse.

A música foi feita para um musical, "The roar of the greasepaint - the smell of the crowd", de 1964. No ano seguinte, Nina a incluiu no álbum "I put spell on you" e a transformou na versão mais conhecida até hoje. Tanto que foi com base nela que o astro inglês George Michael, a banda inglesa Muse, entre outros, a gravaram.

Ao procurá-la no Google, veio de primeira este vídeo oficial que achei perfeito, embora sempre prefira colocar o artista executando a sua música. Mas a dança de Raianna Brown me conquistou à primeira vista. Portanto, convido você a curtir a música, a dança, as interpretações, ou seja, o vídeo inteiro. Não percamos tempo!


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quarta-feira, 13 de abril de 2022

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #11

Seleção brasileira na Copa do Mundo de 1934, disputada na Itália

Após a ovação a Carmen Miranda e Lamartine Babo, João Sem Medo reinicia o papo.

João Sem Medo: - Meus amigos, em 34, a delegação brasileira viajou 15 dias de navio para a Itália e, em 90 minutos, a vaca foi pro brejo. Isso, apesar de os quase 30 mil presentes no estádio Luigi Ferraris, em Gênova, fora os que subiram morros e telhados próximos, terem torcido pro Brasil.

Idiota da Objetividade: - O Brasil saiu perdendo de 3 a 0 pra Espanha no primeiro tempo e quando tentou reagir na etapa final ficou difícil. Houve um gol anulado, marcado pelo Luizinho, depois Waldemar de Brito perdeu um pênalti, defendido pelo grande goleiro Zamora, e a seleção brasileira foi derrotada pela espanhola por 3 a 1 e foi eliminada da Copa do Mundo logo na estreia.

João Sem Medo: - O gol do Brasil foi de um tal de Leônidas. Conhecem, né?

Ceguinho Torcedor: - Evidentemente. Ele foi a nossa grande figura em 38. Saímos daqui muito otimistas, houve uma longa preparação, a delegação chegou à França quase um mês antes do início da Copa e lá fizemos nossa primeira boa apresentação num Mundial. Ficamos em terceiro lugar, e Leônidas da Silva, o Diamante Negro, pôde assombrar o mundo com seu futebol de outro mundo.

Sobrenatural de Almeida: - Futebol assombroso!

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Garçom: - E pra abrilhantar ainda mais este grande encontro e homenagear Leônidas da Silva, os Vocalistas Tropicais estão aqui pra cantar “Diamante Negro”, de David Nasser e Marino Pinto.

Todos aplaudem.

Nilo Xavier da Mota: - Obrigado, obrigado. É uma honra pros Vocalistas Tropicais estarmos aqui neste palco pra participar desta tabelinha entre futebol, muito bem representados por estes craques aqui na mesa principal, e música, a música brasileira. Vamos então a essa homenagem musical ao grande Leônidas da Silva.

São, mais uma vez, muito aplaudidos.

Garçom: - Muito obrigado, Nilo Xavier da Mota, Raimundo Evandro Jataí de Sousa, Artur Oliveira, Danúbio Barbosa Lima e Arlindo Borges.

Após a apresentação dos Vocalistas Tropicais, Leônidas da Silva passa a ser o centro da conversa no Além da Imaginação. Pairou até uma expectativa no ar se o Diamante Negro apareceria de surpresa...

Idiota da Objetividade: - Leônidas foi o primeiro brasileiro a ser artilheiro de uma Copa do Mundo, com 7 gols. A campeã, ou melhor, bicampeã, foi a Itália, que venceu o Brasil na semifinal por 2 a 1. Leônidas não jogou contra os italianos, porque, segundo o técnico Ademar Pimenta, estava machucado. Aquela Copa foi disputada em sistema eliminatório.

Sobrenatural de Almeida: - É o sistema que eu mais gosto: o mata-mata. hahahaha

Idiota da Objetividade: - O Brasil estreou na França com uma vitória de 6 a 5 sobre a Polônia, na prorrogação. Leônidas fez três gols.

Ceguinho Torcedor: - Espetacular Leônidas! Sensacional também Domingos da Guia. Nosso guardião da zaga começou o jogo com 38 graus de febre, que só piorou com a chuva que começou a cair pouco antes do jogo.

Sobrenatural de Almeida: - Com a minha intervenção ele salvou milagrosamente um gol na prorrogação, quando o Brasil vencia por 5 a 4. Batatais já estava fora do gol. No rebote, Willimonski ia fazer o gol, mas dei uma desviadinha e a bola acertou a trave

Ceguinho Torcedor: - Domingos da Guia foi outro grande herói do nosso scratch.

João Sem Medo: - No fim da partida, ele e Leônidas, que andavam meio brigados, se abraçaram emocionados.

Veja também:

Idiota da Objetividade: - Este foi o primeiro jogo de uma Copa do Mundo transmitido por uma rádio brasileira, a Rádio Clube do Brasil, do Rio de Janeiro. A narração foi de Gagliano Neto.

Ceguinho Torcedor: - O povo pôde ouvir o jogo na voz do grande “speaker”, como se falava na época.

Sobrenatural de Almeida: - O presidente Getúlio Vargas mandou instalar alto-falantes nas praças e outros locais públicos pra que todo mundo pudesse ouvir.

Idiota da Objetividade: - O pernambucano Leonardo Gagliano Neto já havia sido o pioneiro na narração de um jogo da seleção brasileira, um ano antes, durante o Campeonato Sul-Americano disputado na Argentina, pela Rádio Cruzeiro do Sul.

João Sem Medo: - O Getúlio, simpatizante do regime fascista de Mussolini, mandou três telegramas pro Gagliano pedindo que ele maneirasse nas emoções durante a semifinal contra a Itália. Getúlio depois elogiou o locutor, mas muita gente disse na época que Gagliano criticou muito o árbitro pelo pênalti, no mínimo duvidoso, de Domingos da Guia em Piola.

Ceguinho Torcedor: - O rádio é meu veículo predileto, por motivos óbvios. E aquele jogo contra a Polônia foi de matar um do coração. Saímos com 3 a 1 do primeiro tempo, mas os poloneses cresceram na segunda etapa e empataram. Fizemos o quarto, mas faltando um minuto pro fim, eles igualaram o marcador novamente: 4 a 4. Na prorrogação, Leônidas meteu dois, um com a chuteira rasgada, gol de meião e, quando a Polônia fez o quinto, já era tarde. Chorei lágrimas de esguicho, mas de alegria.

Idiota da Objetividade: - Nas quartas-de-final, contra a Tchecoslováquia, foram necessários dois jogos, pois o primeiro terminara empatado em 1 a 1, e não havia disputa de pênaltis naquela época. Dois dias depois, os times voltaram a se enfrentar muito desfalcados, mas o Brasil tinha Leônidas e ganhou por 2 a 1, com um gol do Diamante Negro, que já havia marcado no primeiro embate contra os tchecoslovacos. Mais dois dias, o time brasileiro estava extenuado, com Leônidas fora, e a Itália venceu a semifinal por 2 a 1. Na disputa do terceiro lugar, Leônidas marcou dois e o Brasil derrotou a Suécia por 4 a 2.

Ceguinho Torcedor: - Dizem que na Copa de 38 ele teria feito um gol de bicicleta que espantou o público e foi anulado pelo árbitro por não conhecer a jogada. Eu não vi, não posso falar. Você viu, João? (João finge que não escutou)

João Sem Medo: - Música, maestro!

Jorge Goulart (já no palco): - Às suas ordens, mestre João Sem Medo! Vamos com a Marcha do Bonsucesso, que destaca Leônidas como o maioral.

Jorge Goulart (muito aplaudido): - Esta marcha, do Lamartine Babo, que aqui nos dá a honra de sua presença, acabou sendo oficializada posteriormente como hino do Bonsucesso. Obrigado, minha gente.

Modificado e republicado no dia 5 de setembro de 2024

Fim do capítulo #11

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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domingo, 10 de abril de 2022

OLHARES ALHURES - FOTOS #89: TONS DE CINZA








 Fotos de Eduardo Lamas, feitas no dia 4 de abril de 2022, no bairro de Itaguaçu, Florianópolis (SC).

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sexta-feira, 8 de abril de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: NA HORA DO ALMOÇO

Veja você como são as coisas. Uma das músicas mais antigas de Belchior, creio que seu primeiro sucesso, só vim a conhecer há cinco anos, no carnaval que passei com minha mulher; o casal amigo, Ricardo Malize e Renata Couto, e um de seus filhos, o Rafael, em Ibitipoca, nas Minas Gerais de meu pai, meus avós, tios e toda uma multidão de antepassados. 

Foi numa noite fria de fevereiro - fria sim, pois lá no topo dos morros, quando escurece, mesmo no verão, a temperatura desce. Um grupo de rapazes que estava trabalhando no Parque Estadual nos viu com violão e cantoria e se aproximou. Um deles pegou o violão do Ricardo e cantou esta música que incrivelmente eu não conhecia - ou não me recordava, pois na infância é bem possível que tenha passado por meus ouvidos sempre ávidos por música.

E foi dali que passei a buscar mais informações sobre o bardo de Sobral (CE) e ouvir seus álbuns disponíveis no YouTube e nos serviços de streaming com muito mais atenção. Poeta de primeira grandeza que teve um fim de vida isolado e misterioso passou a ganhar olhos e ouvidos atentos quando noticiaram seu sumiço. Mas o que me importa é a sua preciosa poesia - e também precisa, embora ele diga que gostaria de ter palavra mais precisa a oferecer ao público.

E é ela que emerge com toda a força musical do artista, em sua própria voz e também em magníficas interpretações do ator Silvero Pereira, no documentário "Belchior - apenas um coração selvagem", de Camilo Cavalcanti e Natália Dias, disponível gratuitamente no site do Festival "É Tudo Verdade" até domingo agora, dia 10. E foi o filme que me motivou a escolher esta música para a série, escrever estas linhas acima e os versos abaixo.

BELCHIORIANA Nº 1

O melhor de não viver 
dias de glórias
é não ser tentado
a se aferrar ao passado
e estar livre, com esperança,
mesmo em dias 
de caminhadas inglórias
ter e poder contar
esta e outras tantas histórias
de subir os degraus
e descer a ladeira
se entender com os planos
sonhados, imaginados
vividos sem ser realizados
mas curtidos e levados
adiante pela estrada
com os pés descalçados
ferindo as feridas
sangrando e chorando,
com o medo e a coragem,
dois aliados 
apertados no peito
de braços dados
com tristeza e alegrias,
dores e melancolias
das curvas e das retas
de avenidas e ciclovias
calçadas e passarelas
nos asfaltos da vida
em faixas amarelas
na contramão 
ou na via certa
sinais fechados,
abertos ou de alerta.

"É preciso estar atento e forte,
não temos tempo de temer a morte" 


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