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MÚSICA PRA VIAGEM: OS MENINOS DA MANGUEIRA
Ainda sobre a entrevista de Sérgio Cabral a Sérgio Pugliese, no Museu da Pelada, outro ponto que o grande jornalista, comentarista esportivo e de carnaval, escritor e compositor falou também me levou aos primórdios de minha vida. Afinal, como ele mesmo relembrou, apesar de portelense (uma surpresa pra mim), seu maior sucesso musical foi "Os meninos da Mangueira", que juntamente com algumas das primeiras de Raul Seixas, Elton John, Michael Jackson e Jackson Five, da trilha sonora das novelas "Os irmãos Coragem", "O Bem Amado", "Uma rosa com amor" e "Jerônimo, o herói do sertão" e do samba de enredo do Salgueiro "Festa para um rei negro (pega no ganzê)", de 1971, me remetem imediatamente à minha infância.
Na verdade, as demais citadas são anteriores ao lançamento da composição de Sérgio Cabral e Rildo Hora, gravado por Ataulpho Alves Júnior e lançado em 1975. Mas a memória muitas vezes embaralha épocas de nossas vidas, embora neste caso nem tenha sido tão distantes assim. Este samba tocou muito nas mais diversas estações de rádio, e inúmeras vezes a ouvi com muito prazer no rádio da velha Brasília de meu pai, trafegando pelas ruas do Rio de Janeiro ou em viagem nas estradas do estado do Rio, das Minas Gerais, onde ele nascera, ou em direção a Brasília. Portanto, não podia deixar de trazer esta música para a série que publico aqui neste blog já tem tempo. Vamos curti-la, então?
Músicas que nos fazem viajar #42: Onde a dor não tem razão
Músicas que nos fazem viajar #39: Esta melodia
Músicas que nos fazem viajar #28: Folhas secas
Músicas que nos fazem viajar #10: Canto das três raças
Músicas que nos fazem viajar #9: É hoje
MEMÓRIAS DA GERAL DO MARACANÃ
Em entrevista ao meu amigo Sérgio Pugliese para o Museu da Pelada, o grande jornalista, comentarista, escritor Sérgio Cabral revelou que frequentou muito a geral do Maracanã na sua juventude. "Não tinha dinheiro pra pagar o ingresso de arquibancada", justificou. Essa declaração me trouxe de imediato recordações de muitos momentos que vivi no setor mais popular e pitoresco do velho estádio Mario Filho. Primeiramente me veio à lembrança o preço do ingresso, que, nos tempos em que a moeda brasileira era o cruzeiro, nos anos 70, a entrada para a geral custava Cr$ 0,30. Isso mesmo, 30 centavos, ou um pouco menos, um pouco mais, a memória trouxe o número e pus aqui, mas pode estar um pouco enganada. Só um pouco, creio.
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| Geral em dia de Maracanã lotado, nos anos 70. Reprodução do site do jornal O Dia |
Assisti a vários jogos da geral nos anos 80, quando passei a não precisar mais da companhia do meu saudoso pai ou do pai ou tio de algum amigo para ir ao estádio. Algumas daquelas partidas são memoráveis, uma inclusive se tornou tema do Lamascast: "CSA e Van Halen numa noite de verão carioca". Houve também a semifinal do Campeonato Brasileiro de 1986, entre América-RJ e São Paulo; um empate em 3 a 3 entre Botafogo e Vasco, pelo Torneio dos Campeões de 1982, que transformei em texto ficcional que publicarei no segundo Contos da Bola; o vozeirão de um torcedor rubro-negro gigantesco - pelo menos aos meus olhos de outrora - ecoando pelo estádio vazio: "Cantarelliiiii, ô Cantarelliiiii, dá na esquerda pro Júnior, pô!", e muitos, muitos outros personagens e jogos inesquecíveis.
Veja também:
O bom e velho Maraca, um personagem de "Contos da Bola"
O torcedor de futebol
"Contos da Bola", quem lê recomenda
Quando comecei a frequentar a geral, o piso, que continuou abaixo do nível do campo até ser destruída, em 2005, era ainda mais baixo. Portanto, eu, do alto do meu 1,71m de altura (quase um pivô de basquete, não é mesmo?), pouco via realmente da partida lá embaixo. Porém, com a elevação do piso, as coisas melhoraram um pouco. Só um pouco. Por isso, mesmo depois desta obra que custou a retirada de algumas fileiras das antigas cadeiras azuis, sempre que podia, eu e quem estivesse comigo, subia para a arquibancada assim que terminava o primeiro tempo. Foi o que fiz, por exemplo, naquele Botafogo 3 x 3 Vasco citado acima. Para quem não sabe ou não se recorda, os portões do Maracanã, creio que por lei, eram abertos para quem quisesse sair ou entrar no intervalo dos jogos principais (e isso proporcionou a mim e muitos, muitos outros a assistir à parte final de muitas partidas, sem precisar pagar ingresso).
| Sérgio Cabral. Foto do Museu da Pelada |
Quanta inocência, né? Outros tempos. Tempos idos, vividos no planeta Século XX. Porém, é sempre muito bom poder contar essas histórias, relatando o que a memória captou verdadeiramente ou criando uma outra história com base na que vivi. Bem ou mal, é o que melhor sei fazer.
Agora, depois disso tudo que narrei, o melhor que faço é assistir ao filme "Adeus, geral", que está há muito tempo na minha lista para "assistir mais tarde" do YouTube. Sugiro que você faça o mesmo (é só clicar ali no nome do filme). Até outro dia.
Veja também:
OLHARES ALHURES - FOTOS #115
MÚSICA PRA VIAGEM: CARTÃO POSTAL
| Rita Lee na época do lançamento de "Fruto Proibido", seu terceiro álbum solo |
Se tivesse que definir Rita Lee com uma única e escassa palavra, esta seria sagacidade. Sim, para mim, a grande cantora e compositora que se despediu deste louco mundo na segunda-feira à noite era muito sagaz. Nas palavras, nas músicas, em seus pensamentos e frases sempre estava lá, bem presente, o seu humor, sua rapidez de raciocínio, uma tirada surpreendente, sublinhada pela peculiar inteligência - e aqui peço perdão pela repetição, para frisar bem - sagaz.
Nunca tive o prazer de entrevistar Rita Lee, sequer estar perto, nem show tive a chance de assistir. É, falha grave de minha parte, mas creio que compensei um pouco por comprar alguns de seus discos, em LP ou CD, e os ouvir, entre outros que não possuo, inúmeras vezes. Com muito, muito, prazer. Isso sem falar nos sucessos tocados insistentemente no rádio e na TV, especialmente na abertura de novelas. É, tenho um passado noveleiro, confesso.
Clicaê quem curte CDs e vinis!
Acrescidas às músicas que Rita gravou, as entrevistas a que assisti, mais a que tive o privilégio de fazer com Sérgio Dias, seu ex-companheiro de Mutantes, que apesar da longa distância (no tempo e no espaço físico), não deixou de declarar o seu amor por ela - declaração refeita ontem nas redes sociais -, posso dizer que de alguma forma eu a conhecia.
E para fazer uma pequena, mas sincera, homenagem e não deixar passar a despedida, que sempre "traz a esperança escondida", saindo do óbvio, como bem gosto (e ela também adorava, claro), trago aqui à série "Cartão Postal", que Rita Lee gravou em seu terceiro álbum solo: o maravilhoso, espetacular, sublime "Fruto Proibido", com a "bandaça" Tutti Frutti. A composição é dela e do Paulo Coelho, como outras do mesmo disco.
Muito obrigado, Rita!
"Pra quê, sofrer com despedida..."
Veja também:
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