sexta-feira, 1 de abril de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: CAVALEIRO DO SOL

Sobre Antulio Madureira já publiquei aqui, há 12 anos, um texto de 2000 e jamais me cansarei de dizer que é um mestre de obras-primas pelo seu gigantesco talento para criar instrumentos e sons que me tocam profundamente a alma. Sons que vêm das profundezas do Nordeste brasileiro, das cordas de aço, dedilhadas, percutidas ou deslizadas, vindas ao longo do tempo de longínquas origens ibéricas, indígenas e africanas.

Fruto, de uma forma ou de outra, do importantíssimo Movimento Armorial, criado no início dos anos 70 pelo gigantesco artista que foi - e é, sempre será - Ariano Suassuna, Antulio Madureira não podia ficar fora desta série e voltará com outras belezas. Para iniciar sua presença por aqui escolhi a mais conhecida dele, "Cavaleiro do Sol", composição que fez parte do seu monumental álbum "Teatro Instrumental" e que serviu de abertura para a série televisiva e posteriormente filme "Auto da Compadecida", baseado na obra de Suassuna.

No vídeo abaixo, Antulio toca a cabala, acompanhado pela Orquestra Jovem do Conservatório de Pernambuco, sob a regência do maestro José Renato Accioly, num trecho do seu DVD gravado no Teatro dos Guararapes, de Olinda (PE), em 2009. Arrepie-se! 

 

Mensagem publicitária

Clique na imagem acima e saiba mais
sobre minhas sugestões de leitura pra você.
Quem lê recomenda!

Veja também:

quarta-feira, 30 de março de 2022

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #9

Carlos Alberto: o apelido de Pó de Arroz para o Fluminense surgiu por causa deste jogador

Fernando Brant é muito aplaudido após a execução da música em homenagem ao América mineiro, inclusive pelos nossos quatro principais personagens.

João Sem Medo: - Obrigado, Brant, muito prazer. Gostei da tua música.

Idiota da Objetividade: - Gostei também, mas esta música não é a oficial. A marcha que se tornou oficialmente o hino do América mineiro foi composta por Vicente Motta, também autor do hino do Clube Atlético Mineiro.

Ceguinho Torcedor: - Ah, Idiota, deixa de tanta objetividade!

João Sem Medo: - No hino oficial do América, a letra destaca a classe aristocrata do clube.

Garçom: - Desculpe por me intrometer, senhores. Mas não teve uma história de um jogador no Fluminense que usava pó de arroz?

Ceguinho Torcedor: - Há controvérsias...

Idiota da Objetividade: - Que nada, tá na História.

João Sem Medo: - Carlos Alberto era um mulato que foi do segundo time do América do Rio pro primeiro time do Fluminense, ainda na década de 10, e passava pó de arroz no rosto por causa do racismo. Nos jogos entre os dois times, os torcedores do América chamavam o Tricolor das Laranjeiras de “pó de arroz”. Mas esta história é polêmica, há muitas versões.

Idiota da Objetividade: - A versão oficial do Fluminense é que Carlos Alberto desde os tempos em que jogava no América já passava pó de arroz após fazer a barba. E num jogo, em 1914, entre os dois times, pouco depois de 13 jogadores do América se transferirem para o Tricolor...

Ceguinho Torcedor: - Entre eles o monumental goleiro Marcos Carneiro de Mendonça!

Veja também:
Maracanã, um personagem de "Contos da bola"
Um inesperado encontro na madrugada

João Sem Medo: - Isso mesmo, ele e um irmão dele.

Idiota da Objetividade: - Naquele jogo de 1914, a torcida americana vendo o suor fazer o pó de arroz sair do rosto de Carlos Alberto, ex-jogador do seu clube, começou a gritar como ofensa “pó de arroz, pó de arroz”. Mas, segundo o Fluminense, a torcida tricolor abraçou o jogador e adotou o pó de arroz.

Garçom: - Ah, senhor Idiota, o senhor me desculpe, mas eu não caio nessa, não.

Idiota da Objetividade: - Eu só relato o que está na versão oficial do clube. Você pode ir ao site do Fluminense e procurar.

João Sem Medo: - Versão oficial quase nunca é verdadeira, a História deste país só confirma o que digo.

Ceguinho Torcedor: - Carlos Alberto era um bom rapaz, muito fino, elegante. Ele entrava em campo e a torcida da geral gritava “Pó de arroz”. Um dia ele não jogou e os gritos continuaram.

João Sem Medo: - O Fluminense era mesmo “Pó de arroz”, querendo ser mais chique, mais elegante, mais aristocrático que os outros.

Garçom: - Amigos, aproveitando a deixa tricolor, vamos receber aqui no palco do Além da Imaginação, Américo Jacomino, mais conhecido como Canhoto, para tocar o seu tango “Fluminense”.

Todos aplaudem.

Canhoto: - Muito obrigado. Este tango em homenagem ao Fluminense foi gravado originalmente em 1927, pela Odeon.

Ao fim da execução do tango “Fluminense”, por Canhoto, toda a plateia aplaude o artista, que deixa o palco agradecendo. Há uma pequena dispersão, alguns vão ao banheiro. Ceguinho Tricolor pede ajuda para fazer o mesmo e é levado pelo Sobrenatural de Almeida numa rapidez de coelhinho de desenho animado. Assombroso!

Com todos de volta aos seus lugares, o papo é retomado, com Ceguinho dando o primeiro passe.

Ceguinho Torcedor: - O mulato Friedenreich, que tinha olhos verdes, também queria parecer branco e passava horas tentando achatar o cabelo duro e rebelde no vestiário. Usava uma toalha, pois o pente não bastava. Era craque, artilheiro, mas entrava quase sempre por último em campo. E era sempre ovacionado.

Sobrenatural de Almeida: - Ele acabava chamando mais atenção, ainda mais com aquele cabelo cheio de brilhantina. Um assombro!

Todos riem.

Fim do Capítulo #9

Modificado e republicado em 3 de setembro de 2024.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
Saiba mais clicando aqui.
 


Mensagem publicitária

Clique na imagem acima e saiba mais
sobre minhas
 sugestões de leitura pra você.
Quem lê recomenda!

terça-feira, 29 de março de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: ONDE A DOR NÃO TEM RAZÃO

Paulinho da Viola, com toda a sua elegância e humildade, jamais daria e dará um passo em direção ao estrelato. Mas que ele merecia um lugar ainda mais alto entre os gigantes da História da Música brasileira, não tenho a menor dúvida quanto a isso. Entre tantas e tantas extraordinárias composições, também por motivos particulares, os que na verdade sempre nos fazem sentir algo mais por uma obra artística, seja de que gênero for, "Onde a dor não tem razão" é a minha favorita. E está entre as minhas prediletas considerando-se tudo o que já ouvi.

Curioso que, mais uma vez, escolho uma que não está entre as mais famosas. Não tenho aversão pré-concebida contra os sucessos de qualquer artista, verdadeiro artista é bom que se frise. Porém, há sempre uma pérola meio escondida na obra de cada um. E parece que sempre vou em busca dela, talvez tenha algo a ver com solidariedade ao - não rejeitado - mas ao que é dado pouca atenção. Ou menos atenção que eu considero merecer.

Enfim, para encurtar o papo e irmos direto à música, ela está aqui abaixo com o mestre em ação, acompanhado sempre por músicos da mais alta qualidade, em conformidade com a sua simplicidade refinada, sofisticada. "Canto pra dizer que no meu coração já não mais se agitam as ondas de uma paixão, ele não é mais abrigo de amores perdidos, é um lago mais tranquilo, onde a dor não tem razão..." Isto é plenitude. Sublime. Sublime mestre Paulinho da Viola!


Mensagem publicitária

Clique na imagem acima e saiba mais
sobre minhas sugestões de leitura pra você.
Quem lê recomenda!

Veja também:

domingo, 27 de março de 2022

OLHARES ALHURES - FOTOS #87: PRAÇA XV DE FLORIPA E ARREDORES








 Fotos de Eduardo Lamas, feitas no dia 16 de março de 2022, no Centro de Florianópolis (SC).

Mensagem publicitária

Clique na imagem acima e saiba mais
sobre minhas sugestões de leitura pra você.
Quem lê recomenda!

Veja também:

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #43

Uma coisa jogada com música - Capítulo #43 Didi na Copa do Mundo de 58. Foto sem ...

As mais visitadas