terça-feira, 10 de maio de 2022

A INCRÍVEL HISTÓRIA DE UM LIVRO E SEU AUTOR

Na última quarta-feira, 4 de maio, em Teresina, um evento na OAB do Piauí marcou o relançamento do livro "O Piauí no futebol", obra de Carlos Said, conhecido como O Magro de Aço, jornalista e radialista que completou 91 anos de idade em janeiro. Como prova de que seu apelido não é em vão, quatro dias antes havia entrado em campo ao lado dos filhos, foi aplaudidíssimo pelo público presente ao estádio Lindolfo Monteiro, teve seu nome gritado pelos torcedores e ainda comentou o primeiro tempo da final do Campeonato Piauiense deste ano, entre Parnahyba e Fluminense-PI, para a Rádio Cidade Verde. O Fluminense perdeu o segundo jogo, mas conquistou o seu primeiro título estadual, levando para casa a Taça Carlos Said.

O relançamento do livro, publicado originalmente há 56 anos, foi uma merecidíssima homenagem ao Sr. Said. E tenho muito orgulho de ter dado o pontapé inicial, mesmo que involuntariamente, deste projeto e podido contar a história desta minha participação num dos prefácios da obra. 

Carlos Said e Fernando Gustav no lançamento do livro "O Piauí no futebol"

Na verdade, tudo começou com meu avô Thomé, que passou a bola (ou melhor, o livro) para mim, provavelmente nos anos 80, e eu toquei para o meu amigo e parceiro Fernando Gustav, que brilhantemente concluiu a gol com o auxílio luxuoso de Gustavo Said, seus irmãos Fernando, Claudio, Soraya e Rochele e demais familiares do Magro de Aço. Uma viagem no tempo e no espaço que conto numa das primeiras páginas do livro e tomo a liberdade de reproduzir abaixo.

As voltas que o mundo dá  

As extraordinárias voltas que o mundo dá. Bem poderia ser este o título deste relato. Como poderia eu imaginar que um livro guardado há tantos anos, com tanto afeto, com um valor sentimental tão forte para mim, pudesse me ligar a uma terra tão distante, onde sequer tive o prazer de passar perto, por intermédio de meu saudoso avô materno, Thomé de Souza Lamas, 35 anos após seu falecimento. Lamas, como foi chamado desde os tempos em que defendia o Bonsucesso, dos 15 aos 18 anos, na longínqua década de 30, ganhou o livro original numa de suas muitas viagens ao Nordeste do próprio Carlos Said, que escreveu uma dedicatória carinhosa e o autografou, pouco mais de cem dias antes de eu nascer.

O meu avô conhecia bem a minha paixão pelo futebol, tanto que me levou em muitos domingos de manhã à Rua Bariri para assistir a jogos do seu Olaria do coração nos anos 70. Dele, herdo o sobrenome que uso profissionalmente junto ao meu nome desde que comecei a trabalhar como jornalista, no fim dos anos 80. Provavelmente foi no início daquela década que ele me deu o livro, e o guardei com o máximo carinho, ainda mais depois que ele se despediu deste mundo, 13 dias após o seu aniversário, em 25 de outubro de 1985.

Pois bem, 34 anos depois, venho eu morar em Florianópolis, terra ainda mais distante de Teresina. Ao ser convidado por Sérgio Pugliese a fazer entrevistas com ex-jogadores de futebol que moram em Santa Catarina para o site e canal Museu da Pelada, na busca por um cinegrafista, uma jornalista me indicou Fernando Gustav, a quem ela não chegou a conhecer pessoalmente. Posteriormente, logo em nossas primeiras jornadas, vim saber que ele é piauiense, havia morado muitos anos no Rio de Janeiro e trabalhou na mesma faculdade em que minha filha, Luísa, se formou.

Porém, as conexões não pararam aí porque, durante os muitos encontros profissionais e pessoais que tivemos, comentei com ele deste livro e ele logo quis emprestado. Na primeira oportunidade em que veio à minha casa, Fernando o levou, provavelmente já maquinando uma surpresa. E aí está, esta nova edição de O Piauí no Futebol, proporcionada por esta grande viagem no tempo e no espaço, urdida pelos mundos visível, palpável e invisível, espiritual para quem crê. Graças a tudo isto, tive a felicidade deste grande encontro com meu amigo Fernandão e ver, por sua iniciativa, o renascer desta obra.

Minha mais profunda e respeitosa saudação a Carlos Said e toda a sua família, que ainda não tive a honra de conhecer pessoalmente, e toda a minha gratidão e amor, mais uma vez e sempre, ao meu inesquecível avô Thomé.

"Ao Senhor Thomé de Souza Lamas, o afeto do amigo que fazendo parte da família Said, vê no homem a honestidade e o esforço a serviço de uma conceituada firma, a Lanston do Brasil SA.
Carlos Said, em 06 04 1966"

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quarta-feira, 4 de maio de 2022

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #14

Inauguração do Pacaembu, no dia 27 de abril de 1940
Animado com a festa dos são-paulinos, Zé Ary parecia um torcedor tricolor e, isso com certeza, fã de Hélio Ziskind. Foi lá no notebook do bar e pôs a versão instrumental do hino do São Paulo, enquanto o povo presente ao Além da Imaginação dava uma pausa para se espreguiçar, rodar um pouco, ir ao banheiro etc. 


Garçom (depois de diminuir um pouco o volume do Hino do São Paulo, que continuava nas caixinhas do notebook, mas agora como som ambiente): - Senhores, li uma vez que o ex-goleiro do Palmeiras Oberdan Cattani disse que Leônidas foi maior do que Pelé.

João Sem Medo: - Dentro de campo, Pelé foi um gênio, o maior que conheci. Na verdade, são quatro os fora de série, muito longe dos outros: Pelé, Garrincha e dois argentinos, Di Stéfano e Maradona. Patrioticamente, eu fico com os meus, claro.  

Idiota da Objetividade: - Leônidas foi o grande craque dos primeiros anos do Pacaembu, inaugurado em 27 de abril de 1940, pelo então presidente Getúlio Vargas.

João Sem Medo: - Getúlio nesta época ainda era aliado da Alemanha de Hitler. Só em 42 finalmente virou a casaca e mandou o Brasil à guerra. Mas esse é outro assunto.

Ceguinho Torcedor: - É, João, hoje o papo aqui é futebol. Falávamos de Leônidas, do Pacaembu...

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João Sem Medo: - Foi o período da Segunda Grande Guerra, não houve Copa do Mundo. Cobri o fim da guerra na Europa e não estive no Brasil por um bom período na década de 40. Mas a guerra teve grande influência no futebol brasileiro. Palmeiras e Cruzeiro se chamavam Palestra Itália e tiveram de trocar seus nomes quando o Brasil mudou de lado e deixou o Eixo formado por Alemanha, Itália e Japão para se juntar aos Aliados.

Idiota da Objetividade: - E o primeiro jogo realizado no Pacaembu foi justamente entre o ainda Palestra Itália e o Coritiba. O time paulista venceu por 6 a 2, mas o primeiro gol marcado no estádio foi de Zequinha, da equipe coxa branca. No dia seguinte houve outra partida, Corinthians 4, Atlético Mineiro, 2. Na decisão do torneio, uma semana depois, o Palmeiras, maior vencedor de títulos no estádio, iniciou sua série de conquistas no Pacaembu ao vencer o Corinthians por 2 a 1 e levar a Taça Cidade de São Paulo pra casa.

Ceguinho Torcedor: - Mas o momento épico do estádio nos seus primeiros anos foi a estreia de Leônidas com a camisa do São Paulo.

Sobrenatural de Almeida: - Eu estava lá. Segurei o Diamante Negro naquele dia.

Idiota da Objetividade: - Leônidas fez sua primeira partida pelo São Paulo no empate em 3 a 3 com o Corinthians, no dia 25 de maio de 1942. É até hoje o recorde de público no Pacaembu: 72.018 pessoas pagaram ingresso para assistir àquele jogo. O Diamante Negro não fez gol, mas deu uma assistência...

João Sem Medo e Ceguinho Torcedor: - Assistência não!

Idiota da Objetividade: - Ahn... bem, desculpe. Leônidas não fez gol, mas deu o passe pro primeiro gol do São Paulo, marcado por Lola, que empatou o jogo pela primeira vez naquela histórica tarde.

A execução instrumental do Hino do São Paulo na gravação de Hélio Ziskind se encerrava, quando Zé Ary chamou Flauzino e Florêncio para subirem ao palco sem anunciá-los ao público. Já no palco a dupla cumprimenta o público sem nada falar e apresenta a "Moda do Estádio do Pacaembu", de Ari Machado.


A música se encerra e o público aplaude. Aí sim, Zé Ary os apresenta.

Garçom: - Flauzino e Florêncio!

Florêncio: - Obrigado.

Flauzino: - Obrigado. Esta música se chama “Moda do Estádio Pacaembu”. É do parceiro Ari Machado, que fez pra inauguração do estádio. Obrigado.

São aplaudidos e deixam o palco.

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Ceguinho Torcedor: - O Pacaembu foi um dos estádios brasileiros na Copa de 50.

João Sem Medo: - A seleção jogou lá contra a Suíça e empatou em 2 a 2.

Sobrenatural de Almeida: - Eu estava lá naquele dia também.

Idiota da Objetividade: - Foi o único tropeço da seleção brasileira antes da final.

João Sem Medo: - Foi o segundo jogo do Brasil naquela Copa.

Idiota da Objetividade: - O único que a seleção brasileira não jogou no Maracanã. No total, a Copa do Mundo de 1950 teve seis jogos realizados no Pacaembu. 

Garçom: - Ah, o estádio do Pacaembu, que sediou tantos shows musicais, tem outras belas homenagens dos artistas da nossa música. Vou pôr aqui no som “Pacaembu”, de Saulo Schwartzmann, Marcio Okayama e Carolina Tomasi, pra vocês ouvirem.

Modificado e republicado em 10 de setembro de 2024

Fim do Capítulo #14

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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domingo, 1 de maio de 2022

OLHARES ALHURES - FOTOS #92: ON THE ROAD

 







Fotos de Eduardo Lamas, feitas no dia 21 de abril de 2022, na viagem de Florianópolis (SC) a Gramado (RS).

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