quinta-feira, 7 de setembro de 2023

NAU POESIA: SEXO

Ontem foi dia do sexo, segundo me relataram as redes sociais, então resolvi resgatar esta poesia abaixo, que havia sido publicada aqui neste blog em 15 de dezembro de 2010. A poesia faz parte do ebook "Cor própria", publicado no ano passado e à venda na Amazon do Brasil e de mais 12 países.

Convido, portanto, você a ler abaixo os versos de "Sexo". Peço também que comente, compartilhe e não deixe de seguir o blog. Agradeço desde já.

Que é o sexo senão
idílio e claustro,
glória e martírio,
profanação e devoção,
submissão e dominação?

Que é senão
o não caber mais em si –
mesmo sem se saber quem é –
o transbordar,
sucumbir e ressuscitar,
o transcender
a dor e o prazer?

É um se entregar para tudo ter,
um se deixar à própria sorte,
um rir e chorar,
que é a própria vida,
que é a nossa própria morte.

"O abandono", escultura
de Camille Claudel

Veja também:


segunda-feira, 4 de setembro de 2023

NAU POESIA: VERTIGINOSA VIDA

"Voo das Bruxas",
Francesco de Goya 
Quantas voltas dar
para se achar
para se perder
Quantas portas trancar
para se aprisionar
para se proteger
Quantos muros erguer
para se esconder
para se encolher
Quantos labirintos percorrer
para se desafiar
para se vencer

Se quiser ter fácil
não será difícil
Se escolher conquistar
terá longo caminho
Se pedir verdade
só achará incerteza
Se encontrar mentira
pode ter certeza

Para ganhar ternura
enfrentará desdém
Para ter carinho
receberá palmadas
Para manter o corpo
venderá a alma
Para ser espírito
mastigará a carne

Por que quer ajuda
pra poder andar
Pra que andar
se já quer correr
Como quer correr
já pensou voar

Como olhar pra frente
de olhos vendados
Como escutar gemidos
de ouvidos tapados
Como gritar na noite
de boca amordaçada
Como cortar a garganta
se cegou a lâmina

O que fazer, poeta,
se nada há a dizer
O que escrever, poeta,
se o início,
que era verbo, faltou

Onde se lançar
com tantos abismos
Onde mergulhar
em meio a tantos mares
Onde sucumbir
ante tantos olhares
Onde se reerguer
com todo este peso

É o bicho-homem
A mulher-vampiro
Sangue degustado
Pele tão curtida
Soro em cada veia
De tubos PVC
Canos de descarga
Vasos sanitários
Pias batismais
Papéis higiênicos
Livros sagrados
Travesseiros sujos
Lençóis encardidos
Manchas de esperma
Vertiginosa vida
Loucuras deste mundo
Ressacas dessas praias
De bocas que vomitam.


Veja também:
"Profano" conquista corações
Beleza e caos: Arte em toda parte


Esta poesia foi publicada originalmente neste blog no dia 20 de janeiro de 2012. Ela estará em um livro ainda a ser publicado, com título provisório de "Evangelho Século XXI".
Poesia é transbordamento. E não serve pra nada, serve pra tudo.


Veja também:
A brutal delicadeza de Kieslowski
Pelas ruas do meu bairro
Poesia cantada: Salvação e perdição
"Sutilezas", amor, paixão e surpresas

terça-feira, 22 de agosto de 2023

NAU POESIA: TEXTURA

Foto: Julia Khalimova
As mãos ásperas,
rudes, espessas
da brutalidade,
da ignorância,
da insensibilidade
podem tocar
a tez mais lisa,
suave, macia
que nada terão
além de
aspereza,
rudeza,
espessura.

Pode ser
a pele de um belo rosto,
a casca de uma suculenta fruta,
a pétala de uma colorida flor,
que esses dedos grosseiros
jamais acariciarão
a sublimação do belo rosto,
o sumo da suculenta fruta,
a fragrância da colorida flor.
Nem a fragrância do belo
a sublimação do suco,
o sumo da cor.

Só a mãos encantadas
será permitido acariciar
o sumo do belo,
a fragrância do suco,
a sublimação da cor,
a beleza da cor,
a fragrância do sumo,
a cor do suco,
a sublimação da fragrância,
a cor da beleza,
o suco da cor,
o suco da beleza,
o sumo, a fragrância, a sublimação.

Veja também:
Nau Poesia: Tecelã Natureza
Poesia cantada: Que me diz você?



Esta poesia foi publicada originalmente neste blog no dia 9 de abril de 2014, mas, posteriormente, arquivada. Ela faz parte do ebook "Cor própria (1984-1999)", lançado de forma independente em 2022. O livro digital pode ser adquirido na
Amazon do Brasil e de mais 12 países (EUA, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, Espanha, França, Holanda, México, Canadá, Índia, Japão e Austrália).
Lembre-se: Poesia não serve pra nada, Poesia serve pra tudo!



Veja também:
Nau Poesia: Amores
Nau Poesia: Espiral do tempo
"Cor própria", o primeiro que veio a ser o quinto

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

NAU POESIA: AVE DE RAPINA

 Atire-se à vida
como ave de rapina
em busca de alimento
Salte no vão do abismo
resoluto, destemido, indomável
com as colossais asas
se alargando e contraindo
em movimento ritmado
Lançando no ar
a melodia do encanto
e do espanto
Criando novos vendavais
que uivarão feito lobos
em noites de lua cheia
Novas brisas
que gemerão como lobas
em dias de cio.


Veja também:
Sábado mágico com o Mutante Sérgio Dias
A Cruzada das Crianças no Lamascast


Esta poesia foi publicada originalmente neste blog em 29 de julho de 2008. Ela fará parte de um livro ainda a ser editado, chamado "Evangelho Século XXI". 
Lembre-se: Poesia não serve pra nada, Poesia serve pra tudo.

Veja também:
Nau Poesia: Pássaro de asas longas
Nau Poesia: A ignorância instruída



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