Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
Provavelmente inspirado pelas leituras e releituras (em loop) dos livros "O poder do agora" e "Praticando o poder do agora", de Eckhart Tolle, me surgiram os primeiros versos acima. Depois fui moldando, modificando, testando, até chegar ao que você (provavelmente) leu.
É um primeiro passo meu para aceitar o que é e viver o presente sempre. Eternamente sempre. E sigamos em frente que desistir não faz parte dos meus planos.
Você, o que pensa agora? Deixe sua curtida no blog, seu comentário, sugestão. Agradeço, sempre.
Quem foi ao primeiro Rock in Rio não esquece. Até quem não foi também deve ter em boa lembrança. Embora não tenha sido a melhor edição das três que pude presenciar (as outras foram em 2001, pra mim a mais bacana, e 2011), o de 1985 inaugurou inclusive uma nova fase na minha vida.
Pode parecer exagero, mas pelo tanto que a música ocupa em minha vida, aquele festival modificou, sim, muito do que eu escutava e isso começou assim que foi anunciado. Em 1984 ainda, eu, amigos, amigos dos amigos e conhecidos nos reunimos no apartamento que eu e meus irmãos morávamos com meus pais para ouvirmos no nosso aparelho de som, LPs das bandas que viriam e outras de roquenrol que eu nem imaginava que existiam.
Aliás, alguns artistas que vieram ao Rock in Rio eu nunca tinha ouvido falar, como Nina Hagen, Go Go's e B 52's, por exemplo. Vi os dois últimos grupos no dia 18 e não gostei. Na verdade só confirmei ao vivo o que já tinha ouvido antes.
E a expectativa foi aumentando, ainda mais depois que comprei os meus ingressos, pros dias 18, 19 e 20 de janeiro. Inexperiente em festivais na época, fui tão afoito à Cidade do Rock e nos dias de mais lamaçal, por causa das chuvas, que acabei, mesmo com 18 para 19 anos de idade, não conseguindo ter forças para ir no último dia e assistir ao show do Yes, a banda que eu mais queria ver.
Mas ficaram na memória, claro, momentos memoráveis, principalmente de Queen, Pepeu e Baby, Whitesnake, Scorpions e AC/DC. E as lembranças de ter ido com meu irmão e amigos naqueles dois dias inesquecíveis. Há 40 anos!
Os ingressos dos dias 18 e 19 de janeiro de 1985 que ainda tenho guardados comigo
O nascimento do festival
O primeiro Rock in Rio, realizado de 11 a 20 de janeiro de 1985 no Rio de Janeiro, marcou a história dos grandes festivais de música. Idealizado por Roberto Medina, o evento se destacou por sua magnitude e por trazer artistas de renome internacional ao Brasil. Foram dez dias de shows, que atraíram mais de 1,38 milhão de pessoas à "Cidade do Rock".
Os artistas brasileiros
O line-up incluiu bandas e artistas históricos como Queen, Iron Maiden, AC/DC, e James Taylor. Cada performance foi memorável, mas o show do Queen é frequentemente lembrado como um dos melhores, com Freddie Mercury, em duas apresentações da banda, liderando o público em um coro emocionante durante "Love of My Life".
Além das bandas internacionais, o festival também deu destaque aos artistas brasileiros, como Gilberto Gil, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso. A mistura de talentos locais e internacionais ajudou a criar um ambiente único e multicultural. O primeiro Rock in Rio não só trouxe mais visibilidade para a música brasileira, também abriu portas para futuras edições desse e de outros festivais no país.
A infraestrutura do evento foi um marco à parte. A "Cidade do Rock" tinha uma área de 250 mil metros quadrados, com uma imensa estrutura de palco, som e iluminação nunca antes vista no Brasil. Além disso, foram montadas tendas de alimentação, áreas de descanso e zonas de lazer, proporcionando uma experiência completa para os fãs de música.
A Cidade do Rock ficou lotada nos 10 dias de festival. Foto: divulgação/Rock in Rio
O legado
O impacto do primeiro Rock in Rio foi imenso, não só no cenário musical, mas também cultural. O festival mostrou que o Brasil era capaz de organizar eventos de grande porte, em condições de atrair a atenção mundial. Isso pavimentou o caminho para o país se tornar um destino importante no circuito internacional de shows e eventos culturais.
Depois da primeira edição, o Rock in Rio só voltaria em 1991, no Maracanã, e posteriormente, em 2001, em outro local de Jacarepaguá. A partir da década passada passou a ser realizado com mais frequência, expandindo-se para outras cidades e países, incluindo Lisboa e Madrid.
No entanto, a edição de 1985 permanece na memória como um divisor de águas e um exemplo de como a música pode unir pessoas de diferentes culturas e origens.
Sim, sim, eu sei, eu sei... Sei? Não, não sei, não tenho certeza. Absoluta, não, claro que não. Mas, desconfio - digamos, fortemente - que minhas experiências com a inteligência artificial (IA) venham gerando mais narizes torcidos do que agrados aos raríssimos e às raríssimas que se aventuram a encarar um texto, um trabalho, meu.
Bom, parodiando o velho e surrado dito popular: "quem não tem ator ou atriz disponível para um texto seu, caça leitores (ou espectadores) e leitoras (espectadoras) com "avatores" ou "avatrizes"". Desistir nunca fez parte dos meus planos, por isso busco, muitas vezes solitariamente, caminhos retos e tortuosos para fazer chegar ao maior número de pessoas os trabalhos que produzo com a minha alma.
Diante disso, apresento aqui mais uma experiência que fiz com um "avator" interpretando um curto texto meu, bem antigo, mas que creio continua muito atual, chamado "A insuficiência da palavra". Na verdade, eu o uni, de forma adaptada, a uma espécie de haicai que já publiquei aqui há quase uma década e meia. Clique aqui, caso queira ler.
Saiba mais sobre a produção
Para contar um pouco como procedi, fui ao HeyGen e convidei o "avator" Fabio Vernon para interpretar este texto que andava escondido há tantos anos em meus arquivos. Vernon aceitou prontamente, como normalmente fazem todos os "avatores", e só tenho a agradecê-lo.
E também muito a Renrebello, ao talento musical do qual mais uma vez recorri no Pixabay. Desta vez, trouxe a composição dele chamada "tribal" e acredito que tenha casado perfeitamente, mais uma vez, com o texto, a "interpretação", a produção toda de um modo geral.
Então, convido você a assistir abaixo ao vídeo que produzi com estes auxílios citados. Se curtir, deixe um comentário, um "like" no YouTube, no Vimeo e nas demais redes sociais onde divulgarei "A insuficiência da palavra" e compartilhe. Agradeço muito!
O texto na íntegra
A INSUFICIÊNCIA DA PALAVRA
A palavra é insuficiente, mas é com ela que parto nessa
busca incessante por mim mesmo, esta viagem no vasto mundo que me habita e,
creio, habitam outros seres.
Sou uma guerra civil se debatendo sem tréguas neste campo de
batalha, ora desértico, ora pantanoso, densamente habitado, ou em mata escura e
fechada.
É com a palavra que ataco, defendo, me armo e desarmo. Mas é
sem ela que muitas vezes preciso
prosseguir, porque – sim! – por vezes, a palavra é insuficiente.
E, vez por outra, quando mais necessito, quando mais anseio
pela sua presença, quando é urgente tê-la pronta, na ponta da língua, ela me
falta na hora H.
Então, como se fosse eu um zen-budista a receber uma
pergunta sobre Deus, só me resta entregar-me ao silêncio.
Só, silencio.
Mensagem publicitária
Clique na imagem acima para receber mais sugestões de leitura. Quem lê recomenda!
Em mais um vídeo experimental, resolvi utilizar o texto "A solidão plena", de minha autoria, para ser "interpretado" por um avatar e uma voz disponibilizadas por uma plataforma de inteligência artificial (IA). O "ator" foi "batizado" por mim de Roberto Conrado, uma versão brasileira de Robert Conrad, podemos dizer assim.
A música de Renrebello encontrei num site que disponibiliza músicas para esses e outros fins, com a recomendação apenas de que se dê o crédito. Ela foi fundamental para que eu conseguisse dar um toque final à edição e publicar aqui, no Youtube e no Vimeo.
Com tantas peças, roteiros e outros textos inéditos, fico imaginando como ficaria ainda melhor este e outros tantos já escritos, para teatro ou cinema, principalmente, com um ator ou uma atriz de verdade, algo que consegui mais recentemente com minha amiga Ana Melão numa poesia que ela gravou e publiquei aqui e no Youtube, chamada "Esperar pelo sol".
Porém, no teatro ou no cinema, por enquanto, fica o sonho que já dura 21 anos, desde que a peça "Sentença de vida", de minha autoria, foi encenada em palcos alternativos de Rio de Janeiro e Niterói, e no tradicional do Sesc-São Gonçalo, entre março de 2002 e maio de 2003. Enquanto isso não ocorre, sigo incansavelmente buscando espaço pro meu trabalho.
Além de ser fonte de estudos em um curso livre e outro acadêmico de pós-graduação (MBA), a IA vem me dando a oportunidade de ampliar as possibilidades de levar o meu trabalho artístico pro mundo.
Espero que você curta o vídeo, tanto aqui abaixo, como no YouTube e no Vimeo.
Miro-me no espelho e vejo já em meu corpo os primeiros
traços do idoso que talvez eu nunca venha a ser. Curiosamente, lido melhor com
ele hoje do que quando tinha meus 17, 18, 20 e poucos anos. O tempo já o deixa
levemente curvo, afinou minhas pernas, deixou formas mais retas, menos eretas,
nem por isso menos elegantes. A pele já não tem o mesmo viço e linhas retas e
curvas redesenham meu rosto. Pêlos brancos nascem na cabeça e na face como os
pubianos surgiam espantosamente em eras adolescentes.
Tenho mais força nos braços do que nas pernas em comparação
aos anos passados, mas sei que isso não é duradouro. Ainda exibo raras espinhas
que me lembram que não posso deixar de ser menino. Os olhos já não têm mais a
mesma facilidade de enxergar as pequenas letras de embalagens e livros, mas
seguem percorrendo-os com cada vez mais curiosidade, embora haja bem menos
precipitação.
O tempo passa, nós passamos, cada vez que um segundo avança
nos aproximamos mais da despedida. E mil perguntas me vêm à cabeça. O que
deixarei de bom por aqui? E se deixar algo, servirá de quê? Irei mesmo para
outro lugar, ou o fim é mesmo o fim? Quando descobrir as respostas não poderei
contar a ninguém, cada um terá de descobrir por si só. O que me dá uma sensação
de solidão plena. Sem angústias, sem melancolias. Solidão na exata acepção da
palavra, se é que ela encerra um único sentido e significado. Mas se a resposta
for sim, é o que sinto neste momento e certamente voltarei a sentir no momento
final.