Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
Em 2000, uma aluna de
jornalismo que tinha como professor um ex-companheiro meu de trabalho me ligou
para marcar uma entrevista por indicação dele. O assunto, obviamente, seria a
profissão que ela escolheu e para a qual eu já trabalhava há mais de dez anos.
Lembro que marquei de encontrá-la no Centro Cultural da Justiça Federal, no
Centro do Rio, onde eu assistiria à peça Insensatez, de Jean Cocteau, duas
horas antes do início do espetáculo.
A menina, da
qual jamais lembrarei o nome, gravou a entrevista, então há alguma
possibilidade (embora considere remotíssima) de que ela possa ser confirmada. No
fim do nosso papo, a estudante me perguntou como se poderia praticar o jornalismo
independente e respondi que isso só seria possível se ela montasse um jornal -
logicamente naquela época a internet não tinha a dimensão e a popularidade que ganhou
nos últimos anos. E ainda assim, isso não seria garantia de nada, afirmei.
Prossegui: digamos que eu tivesse um
jornal no meu bairro e um dia descobrisse que o dono do açougue (digamos) Boizão,
principal patrocinador do meu pequeno e bravo veículo de comunicação, adulterara
a balança do seu estabelecimento comercial para passar a perna nos fregueses
e lucrar mais. Disse a ela: se eu publicasse matéria sobre isso - logicamente
com a comprovação da fraude -, mesmo tendo como certa a perda da minha principal fonte
de renda, agiria como jornalista. Porém, se optasse por deixar pra lá, seria qualquer coisa, menos jornalista.
Convidei-a
a assistir à peça, mas ela recusou, dizendo que precisava ir para casa bater o
trabalho que acabara de apurar. Então, me despedi da estudante dizendo que veria
mais verdades na sala ao lado do que em todo noticiário do dia. Veja também: Adeus, Maracanã A conversa continua Entrevista: Nelson Pereira dos Santos
Caí na besteira de aproveitar um gancho numa conversa de bar, quando já me despedia, para dizer a um americano que estava à mesa que nós brasileiros éramos desvirtuados por natureza. Eu, naquele momento ainda sob os efeitos do álcool (não muito, é bom que se diga!) e da verdadeira aula de cultura popular que acabara de presenciar no Largo do Curvelo, quis resumir numa palavra tudo aquilo que nossas elites e os gringos têm muita dificuldade de entender (alguns conseguem, é verdade, mas a dificuldade existe): somos diferentes, porque através de uma mistura de raças que não se esgota temos a mais rica e variada cultura do mundo, quer eles queiram ou não. Nosso desvirtuamento está exatamente neste ponto: passamos de síntese da cultura mundial para nos transformar em algo original. E não estou dizendo novidade alguma, é só lembrarmos de Darcy Ribeiro e a sua tese de que somos desíndios, desafricanos e deseuropeus.
Pois bem, dizia eu que caí na besteira de ter dito o que disse para um estrangeiro. E por quê? Porque o americano, talvez impregnado por sua cultura nacional de colonização e de especialização - o especialista, como se sabe, é aquele que sabe quase tudo sobre quase nada - logo quis me rotular de algo que minha ignorância não me permitiu perceber de primeira. Ele me disse com seu sotaque canhestro que eu deveria ser um seguidor de Oliveira Viana, que só depois que deixei o bar - socorrido por uma amiga - fui saber se tratar de um consultor do primeiro Governo Getúlio Vargas que defendia que uma minoria deveria conduzir o povo (sabe-se lá para onde). Como não sabia de quem se tratava, mas desconfiado de que coisa boa não deveria ser, rechacei a idéia do gringo dizendo que nunca ouvira falar de Oliveira Viana e que tinha o "péssimo" hábito de ter idéias próprias.
Foi muito divertido saber depois, descendo as belas ladeiras de Santa Teresa, que se tratava de um americano e, que quando nos despedíamos, ele tentava convencer sua namorada brasileira de que é moreno. Ora, um branquelo de cabelos claros e olhos azuis querendo convencer uma "morenaça" que é da mesma cor dela, como se isso fosse a prova cabal de que entendia o espírito brasileiro, foi hilariante. Foi exatamente neste momento que entrei com a história do desvirtuamento, porque mesmo ele estudando tudo sobre a nossa história e cultura (e quem sabe se tornar um dia um brasilianista) e querendo se tornar moreno (num processo inverso do seu falecido compatriota Michael Jackson), terá sérias dificuldades para nos entender, simplesmente porque não é brasileiro (e para isso, ressalto aqui, não basta nascer nesta terra).
O americano em particular e seus compatriotas, em geral, me perdoem, mas é muito mais fácil conseguirem se identificar aqui com governantes e pseudo-religiosos que não compreendem a nossa cultura, com tudo de ótimo e péssimo que possuem. Isso vale tanto para os atuais, como para os do início do século XX, que proibiam o samba e a capoeira nas ruas do Rio, e para os frustrados que não se conformam de terem nascido no Brasil.
* Este texto, com modificações feitas agora, foi originalmente escrito entre 1997 e 99. O evento no Largo do Curvelo mencionado no texto foi uma manifestação de músicos, artistas e público em geral contra a proibição de música ao vivo em Santa Teresa pelo então prefeito que prefiro não citar o nome.
Vídeo: "Querelas do Brasil" (Aldir Blanc), com Elis Regina.
Todo mundo fala da corrida que Rivelino levou de Ramirez, mas quase ninguém se lembra do belo gol que ele fez nesta partida válida pela Taça do Atlântico de 1976. A briga começou a se desenhar depois que Keosseian foi expulso ao acertar o craque do Fluminense, que já havia se desentendido com Dario Pereyra (craque que jogou de zagueiro no São Paulo) no primeiro tempo.
Em seguida, quase no fim do jogo, Zico fez uma jogada espetacular, driblando quatro uruguaios e sendo derrubado com uma falta violenta pelo quinto, Ramirez, que seria companheiro do Galinho no Flamengo pouco tempo depois. Armou-se uma confusão, com Rivelino aparecendo como o mais revoltado pelo sarrafo no então jovem camisa 8, no seu primeiro ano na Seleção principal.
Marco Antônio cobrou a falta na trave esquerda do goleiro Corbo, que depois jogaria no Grêmio. Veja que além de Zico, Rivelino e Roberto Dinamite, ainda havia pelo menos mais um excelente cobrador de faltas na equipe brasileira. Logo depois, a partida acaba. Rivelino ia tranqüilamente para o vestiário, quando Ramirez sai feito um louco atrás do 10 brasileiro. Foi agarrado por Orlando Lelé e acabou apanhando muito de outros adversários. Um final lamentável que tornou este jogo histórico.
BRASIL 2 X 1 URUGUAI Data: 28/04/1976 Competição: Taça do Atlântico/Taça Rio Branco Local: Estádio do Maracanã - Rio de Janeiro Árbitro: Romualdo Arppi Filho (Brasil) Times
BRASIL: Jairo, Toninho (Orlando), Miguel, Amaral e Marco Antônio; Chicão, Zico e Rivellino; Gil, Enéas (Roberto Dinamite) e Lula. Técnico: Osvaldo Brandão.
URUGUAI: Corbo; Ramirez, de los Santos, Chagas e González; Acosta, Jiménez e Dario Pereyra; Julio Rodriguez (Revetria), Morena e Daniel Torres (Keosseian).
Técnico: José María Rodríguez. Gols: Daniel Torres, aos 15 minutos do primeiro tempo; Rivelino, aos 10, e Zico (pênalti), aos 27 do segundo tempo. Cartão vermelho: Keosseian.
O título desta postagem, com esse tom melodramático, se explica pelo filme a que assisti na noite desta segunda-feira. Inegavelmente, Luis Buñuel é um dos gênios da história do cinema, e eu acompanho esta opinião, tanto que tenho em casa uma caixa com três DVDs de filmes do cineasta espanhol, sendo que um deles é o que considero o seu melhor e um dos maiores que já vi (e revi algumas vezes): O Anjo Exterminador (El Ángel Exterminador, 1962).
No entanto, pude constatar que nem sempre Buñuel (1900-1983) acertou.
Aliás errou feio, mas não sem motivo, quando dirigiu Escravos do Rancor (Abismos de Pasión, de 1953). É certamente um dos piores filmes que vi na minha vida este que Buñuel realizou como adaptação do livro O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heighs, 1847), da escritora britânica Emily Brontë. Com um elenco de péssima qualidade, o cineasta espanhol, que já havia escrito seu nome na história do cinema com as obras surrealistas Um Cão Andaluz (Un Chien Andalou, 1929) e A Idade do Ouro (L’Âge D’Or, 1929), ambos com Salvador Dalí, conseguiu realizar uma novela mexicana. Um melodrama dramático para todos os admiradores de Buñuel.
No entanto, há uma explicação para o cineasta espanhol ter realizado um filme tão ruim. Depois de escapar das garras da ditadura de Franco, foi para os Estados Unidos, onde nunca conseguiu pôr em prática sequer um de seus projetos. Trabalhou no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York, mas teve de deixar o país, ao ser identificado por seu ex-amigo Dalí como simpatizante do comunismo. Ficou 15 anos sem filmar e partiu para o México, país que acolheu artistas e intelectuais espanhóis.
Cena de "Viridiana" (1960)
Porém, o início não foi fácil. Mesmo assim conseguiu êxito artístico com Os Esquecidos (Los Olvidados, 1950, outro filme da caixa que tenho em casa), mas, sem dinheiro, Buñuel começou a dirigir filmes por encomenda. Chegou a fazer uma versão de Robinson Crusoé no mesmo ano de Escravos do Rancor. E mostrou que apenas por dinheiro, mesmo que haja sucesso, até os mestres se enganam. Dalí, aliás, é um grande exemplo disso.
Superada essa fase, Buñuel consolidou a sua carreira com filmes emblemáticos, como Viridiana (1960, o terceiro filme da caixa de DVDs), que estranhamente conseguiu realizar na Espanha. O regime de Franco deixou uma brecha, e Buñuel penetrou para questionar a máxima da caridade cristã de que dando aos pobres se empresta a Deus. A cena dos mendigos à mesa parodiando A Última Ceia é antológica (foto acima).
Cena de "O anjo exterminador" (1962)
Voltou ao México onde filmou O Anjo Exterminador, em que torna a visitar o surrealismo. Inexplicavelmente, uma das marcas do diretor, a repetição de uma cena pouco depois de sua exibição, foi cortada no DVD deste filme como se fosse um erro de montagem. Lamentável.
Depois, na França, Buñuel emplacaria uma obra-prima atrás da outra, contando com roteiros de Jean-Claude Carrière e uma liberdade para criar que não encontrara desde os filmes que fizera com Dalí. Assim, vieram, entre outros, A Bela da Tarde (Belle de Jour, 1967), com Catherine Deneuve fazendo o papel de uma mulher frígida com o marido que se prostitui numa discreta casa todas as tardes; O Discreto Charme da Burguesia (Le Charme Discret de la Bourgeoise, 1972), e Esse Obscuro Objeto do Desejo (Cet Obscur Object du Désir, 1976), no qual utiliza duas atrizes (Ángela Molina, na foto acima, e Carole Bouquet, na foto abaixo) para o mesmo papel, Conchita, uma personagem traiçoeira que manipula um homem maduro (Fernando Rey, em ambas as fotos).
Eu só percebi que eram duas atrizes que faziam o mesmo papel na segunda vez que assisti. Uma interpretava a Conchita sedutora e a outra a Conchita cruel. Muita gente não conseguiu perceber, apesar da grande diferença entre Ángela e Carole. Coisa de gênio.
Ele admitiu que realizou filmes com histórias, atores e em condições que não desejava, mas mesmo assim não renegou uma obra sequer sua. Não quis esconder seus erros. O cineasta espanhol, que se declarava ateu, pecou quando precisou trabalhar apenas por dinheiro e foi divino quando lhe deram liberdade para criar.
Sou um leitor e espectador de muita sorte. Volta e meia o que leio e ou assisto se entrecruza, permitindo que eu consiga ter uma noção ainda maior sobre aquilo que li ou assisti. Acrescenta, enriquece, alimenta.
Desta vez, uma sutil coincidência me fez mensurar (se é que isso é possível) a grandiosidade do escritor francês Victor Hugo (1802-1885), que pessoalmente teve uma vida tão trágica quanto Nelson Rodrigues. Estava eu já nas últimas páginas do belíssimo Os Miseráveis (Les Misérables, 1862), que me foi gentilmente emprestado pela minha amiga de longa data Luciana Tecídio, quando fui rever o filme Camille Claudel (de 1988), com Isabelle Adjani no papel da atormentada e brilhante escultora, e Gerard Depardieu, no de Rodin (direção de Bruno Nuytten).
Uma passagem no fim do filme cairia no meu esquecimento novamente se não estivesse envolvido com o livro. É a cena em que é anunciada a morte de Victor Hugo. A comoção do povo francês, desde artistas a pessoas comuns, retratada na obra de Nuytten confirma o que li sobre o escritor - um cidadão do mundo, como se intitulava - no resumo de sua vida impresso nas últimas páginas do segundo volume de Os Miseráveis. A cena é rápida, se passa nas ruas de Paris, com Rodin comovido se preparando para ir ao funeral, mas bem significativa.
Já havia lido antes O Último Dia de um Condenado à Morte e O Corcunda de Notre Dame, mas foi em Os Miseráveis que Victor Hugo me arrebatou de vez, especialmente com o personagem principal, Jean Valjean. Em breve partirei para Os Trabalhadores do Mar, que já tenho em casa desde os anos 90, mas antes já me vejo às voltas com outro ex-presidiário, Franz Biberkopf, de Berlin Alexanderplatz, livro de Alfred Döblin que Fassbinder filmou e que desde os anos 80 o cerco para assistir, o que não é fácil, já que são 15 horas de filme, divididas em oito episódios.
Porém, Valjean já faz parte da galeria de grandes personagens com os quais me deparei. E lembro de Julien Sorrel, de O Vermelho e o Negro (1830), obra de outro grande escritor francês, Stendhal. Na verdade, em comparação, Sorrel estaria mais próximo de Marius do que de Valjean, mas o que destaco é o efeito que certos personagens nos provocam, como se fossem reais. Se em Guerra e Paz (1865), de Tolstoi, presente que ganhei do meu ex-companheiro de trabalho Marcus Veras, vi Napoleão se estrepar na Rússia, agora, com Os Miseráveis, o revi em Waterloo, novamente como um personagem importante no pano de fundo que conduz os fatos históricos assistidos e vivenciados por Pedro (ou Pierre, segundo a mais nova tradução, direto do russo) Bezukhov e Valjean e Marius.
No entanto, as conexões são muitas e outras vieram. Na mesma semana assisti a Meia-Noite em Paris (a capital francesa novamente presente!), de Woody Allen, e posteriormente O Estranho (ou Curioso) Caso de Benjamin Button. Onde está a conexão, movida pelo acaso (ou seja lá o nome que se queira dar)? O primeiro personagem que Gil Pender (Owen Wilson) encontra na sua viagem pelo tempo no filme de Allen é o escritor Scott Fitzgerald. E é justamente baseado num conto desse escritor americano que David Fincher dirigiu a história de Benjamin Button - que nasce velho e morre bebê - interpretado por Brad Pitt.
O fio condutor dessas conexões artísticas não será rompido, pois sei que outras virão. Estou preparado, atento e curioso. Porém, agora quero apenas dizer uma coisa: obrigado pelos ótimos momentos que me proporcionou neste ano difícil, Monsieur Victor Hugo.
Ilustrações (na ordem, de cima para baixo): Victor Hugo, de Auguste Rodin; Jean Valjean retratado no Les Misérables original, e Victor Hugo e as Musas, de Auguste Rodin.
Assim como Afonsinho e Tostão, Sócrates conseguiu conciliar o estudo da Medicina com belas jogadas nos campos de futebol profissional. E como os outros dois, foi acima da média tanto dentro como fora das quatro linhas. Por sorte, ele não teve a carreira nos gramados tão abreviada como as do ex-jogador de Botafogo, Olaria, Flamengo e Fluminense e, principalmente, a do ex-Cruzeiro, Vasco e Seleção Brasileira. Porém, da vida despediu-se bem antes, aos 57 anos, no último domingo.
Muitas e justíssimas homenagens já foram feitas ao Doutor e, eu que tive a sorte de vê-lo jogar ao vivo muitas vezes pela TV e em algumas ocasiões no Maracanã pelo Corinthians, pelas Seleções Paulista e Brasileira e também num Fla-Flu de 1986, quando iniciava sua breve passagem pelo Rubro-Negro, presto aqui a minha singela com um jogo pouco lembrado: França 1 x 3 Brasil, em 1981. Esta partida foi a segunda da brilhante excursão à Europa que ainda teve as vitórias sobre a Inglaterra, em Wembley, por 1 a 0, e depois sobre a Alemanha, por 2 a 1, de virada, em Stuttgart.
Curiosamente, a partida contra a França não pude ver ao vivo, por causa do colégio ou do curso de inglês, mas o baile de bola que a Seleção Brasileira deu no Parc des Princes, em Paris, foi inesquecível para quem aprecia a arte no futebol. O time que Telê imaginava escalar na Copa da Espanha, no ano seguinte, tinha o genial Reinaldo no ataque, mas ele se contundiu, o treinador tentou Careca, que também se machucou, e acabou optando por Serginho Chulapa, em vez de Roberto Dinamite. Mas isso é outra história.
No jogo em Paris, Sócrates, Zico e o artilheiro do Atlético-MG, autores dos três gols do Brasil, deram uma aula no excelente time francês, que em 82 foi junto com o Brasil os dois últimos representantes do futebol-arte no mundo. Fica aí, para quem souber apreciar, as belas jogadas do Doutor Sócrates, incluindo um gol de placa, e seus companheiros de então. É de arrepiar!
FICHA TÉCNICA
FRANÇA 1 x 3 BRASIL
15/5/1981 - Amistoso Local: Parc des Princes (Paris-FRA) Público: 47.749 Árbitro: Gianfranco Menegalli (ITA) Expulsão: Six 45 do 2º tempo. Gols: Zico 21 e Reinaldo 27 do 1º tempo; Sócrates 7 e Six 36 do 2º tempo. França: Dropsy (Castaneda, intervalo), Janvion, Lopez, Tresor (Specht, 23 do 1º) e Bossis; Tigana, Moizan e Genghini; Rouyer (Lecornu, 33 do 2º), Anziani (Delamontagne, 14 do 2º) e Six. Técnico: Michel Hidalgo. Brasil: Paulo Sérgio, Edevaldo, Oscar (Edinho, 33 do 2º), Luizinho e Júnior; Toninho Cerezo, Sócrates (Vítor, 33 do 2º) e Zico; Paulo Isidoro, Reinaldo (César, 18 do 2º) e Éder (Zé Sérgio, 28 do 2º). Técnico: Telê Santana. Foto: Sócrates com a bola, Falcão ao fundo, na partida Brasil 3 x 1 Argentina, pela Copa da Espanha, em 1982 - J. B. Scalco.