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Papo reto sobre o meu trabalho
Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
Esta é daquelas que canto sempre em casa, embora a letra completa eu nunca consiga decorar. "Então, senti que o resumo é de cada um, que todo mundo deságua em lugar comum..." e depois vem um laialálálá até "quando desespero vejo muito mais. Esta canção me rói feito um mistério, essa tristeza dóóóóiiii, meu fingimento é sério...". Aqui, nesta série não tão frequente quanto eu gostaria, o Boca Livre certamente também vai aparecer muitas e muitas vezes, tantas são suas obras-primas, de própria autoria ou cantoria.
É uma experiência fascinante ouvi-los, desde os tempos em que Claudio Nucci fazia parte do grupo, posteriormente substituído à altura por Lourenço Baeta. O lamentável foi o grupo ter chegado praticamente ao fim com as saídas de Zé Renato, Lourenço Baeta e David Tygel por divergências políticas com Maurício Maestro, detentor do nome do grupo.
Mas o papo aqui é "Feito mistério", de Lourenço Baeta, que não fazia parte do grupo ainda quando a música foi gravada, e o poeta Cacaso. Desta feita também resolvi apresentar duas versões: uma ao vivo, com a participação de Rodrigo Maranhão, e outra na gravação original do LP de estreia do grupo, lançado em 1979, e que tinha em minha coleção quando morava no Rio de Janeiro.
Pode curtir à vontade!
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| O goleiro Ramallets olha a bola no fundo das redes num dos dois gols de Ademir Menezes na vitória de 6 a 1 do Brasil sobre a Espanha, na Copa de 50. Bigode (6) e Friaça (7) também aparecem na foto |
Com o fim da música “Pacaembu” nas caixinhas de som, muitos aplausos. Antes que cessassem, Idiota da Objetividade é ligeiro e retoma a pelota.
Idiota da Objetividade: - Além do Pacaembu, também houve
partidas no Estádio dos Eucaliptos, em Porto Alegre; no Durival de Brito, em
Curitiba; na Ilha do Retiro, no Recife; no Independência, de Belo Horizonte, e,
claro, no Maracanã, construído especialmente para aquela Copa, a primeira
depois da Segunda Guerra Mundial.
Sobrenatural de
Almeida: - Ah, lá no
Independência eu aprontei a maior zebra da História: Estados Unidos um,
Inglaterra zero.
Idiota da Objetividade: - Mas nenhum dos dois times se
classificou para a fase final. A classificada no Grupo 2 foi a Espanha.
Todos (de
pé, alegremente, brindando): - “Eeeeeeeeu fui às touradas de Madri, pararatibum-bum-bum,
pararatim-bum-bum-bum”!!!
Enquanto a turma toda canta, dança e batuca a marchinha gravada
12 anos antes por Almirante e a Orquestra Odeon, e que fez muito sucesso em
1949, com Carmen Miranda, a Pequena Notável voltava ao palco, desta vez com
João de Barro, o Braguinha, e ambos são muito aplaudidos. O público não para de
cantar o refrão de “Touradas em Madri”, até que Braguinha pega o microfone para
se dirigir aos presentes.
Braguinha: - Muito obrigado, minha gente. Naquele dia eu chorei na
arquibancada do Maracanã. Chorei de emoção. E se vocês não pararem eu vou
chorar novamente.
Ao fim, a ovação é enorme. Carmen Miranda e Braguinha deixam
o palco, sendo cumprimentados e cumprimentando quem estivesse pela frente. Zé
Ary se apressa e anuncia.
Garçom: - Vou localizar aqui no nosso rádio do tempo a narração do Antônio
Cordeiro, da Rádio Nacional, justamente naqueles minutos finais de Brasil e
Espanha. Dá pra ouvir um pouco o público cantando ao fundo.
Ceguinho Torcedor: - Agora o Braguinha vai chorar lágrimas de esguicho!
Garçom: - Achei! Aqui está!
Todos ficam emocionados, o público aplaude, volta a cantar, e Braguinha
chora copiosamente de novo, como se estivesse outra vez na arquibancada do
Maracanã. É abraçado por amigos e louvado por todos:
“Braguinha, Braguinha, Braguinha...”
Ceguinho Torcedor: - Que dia, que espetáculo, que goleada,
que maravilha aquele povo todo no Maracanã cantando e a seleção dando um baile
na Espanha...
João Sem Medo: - Um dia muito especial pro nosso futebol, sem dúvida alguma.
Músico (no palco): - E pra nossa música também, seu João.
João Sem Medo e os demais concordam. Após a euforia, alguns
devem ter se lembrado do que ocorreu no jogo seguinte e se aquietaram. Zé Ary
não deixou a bola cair e pediu que os amigos seguissem em frente no bate-papo.
Idiota da Objetividade: - Esse jogo contra a Espanha foi o
segundo da seleção brasileira na fase final da Copa do Mundo de 1950. No
primeiro jogo, uma goleada ainda maior: 7 a 1 sobre a Suécia.
Sobrenatural de Almeida: - No dia em que a seleção brasileira derrotou a
Espanha por 6 a 1, tinha de 152 mil pagantes no Maracanã. Pagantes e
delirantes. Assombroso! (dá sua risada medonha)
João Sem Medo: - Tinha muito mais gente. Umas
duzentas mil. Tinha gente saindo pelo ladrão.
Todos concordam. Houve quem dissesse: “Muito mais até!”
Modificado e republicado em 11 de setembro de 2024.
Fim do Capítulo #15
Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
Saiba mais clicando aqui.
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| Carlos Said e Fernando Gustav no lançamento do livro "O Piauí no futebol" |
Na verdade, tudo começou com meu avô Thomé, que passou a bola (ou melhor, o livro) para mim, provavelmente nos anos 80, e eu toquei para o meu amigo e parceiro Fernando Gustav, que brilhantemente concluiu a gol com o auxílio luxuoso de Gustavo Said, seus irmãos Fernando, Claudio, Soraya e Rochele e demais familiares do Magro de Aço. Uma viagem no tempo e no espaço que conto numa das primeiras páginas do livro e tomo a liberdade de reproduzir abaixo.
As extraordinárias voltas que o mundo dá. Bem poderia ser este o título deste relato. Como poderia eu imaginar que um livro guardado há tantos anos, com tanto afeto, com um valor sentimental tão forte para mim, pudesse me ligar a uma terra tão distante, onde sequer tive o prazer de passar perto, por intermédio de meu saudoso avô materno, Thomé de Souza Lamas, 35 anos após seu falecimento. Lamas, como foi chamado desde os tempos em que defendia o Bonsucesso, dos 15 aos 18 anos, na longínqua década de 30, ganhou o livro original numa de suas muitas viagens ao Nordeste do próprio Carlos Said, que escreveu uma dedicatória carinhosa e o autografou, pouco mais de cem dias antes de eu nascer.
O meu avô conhecia bem a minha paixão pelo futebol, tanto que me levou em muitos domingos de manhã à Rua Bariri para assistir a jogos do seu Olaria do coração nos anos 70. Dele, herdo o sobrenome que uso profissionalmente junto ao meu nome desde que comecei a trabalhar como jornalista, no fim dos anos 80. Provavelmente foi no início daquela década que ele me deu o livro, e o guardei com o máximo carinho, ainda mais depois que ele se despediu deste mundo, 13 dias após o seu aniversário, em 25 de outubro de 1985.
Pois bem, 34 anos depois, venho eu morar em Florianópolis, terra ainda mais distante de Teresina. Ao ser convidado por Sérgio Pugliese a fazer entrevistas com ex-jogadores de futebol que moram em Santa Catarina para o site e canal Museu da Pelada, na busca por um cinegrafista, uma jornalista me indicou Fernando Gustav, a quem ela não chegou a conhecer pessoalmente. Posteriormente, logo em nossas primeiras jornadas, vim saber que ele é piauiense, havia morado muitos anos no Rio de Janeiro e trabalhou na mesma faculdade em que minha filha, Luísa, se formou.
Porém, as conexões não pararam aí porque, durante os muitos encontros profissionais e pessoais que tivemos, comentei com ele deste livro e ele logo quis emprestado. Na primeira oportunidade em que veio à minha casa, Fernando o levou, provavelmente já maquinando uma surpresa. E aí está, esta nova edição de O Piauí no Futebol, proporcionada por esta grande viagem no tempo e no espaço, urdida pelos mundos visível, palpável e invisível, espiritual para quem crê. Graças a tudo isto, tive a felicidade deste grande encontro com meu amigo Fernandão e ver, por sua iniciativa, o renascer desta obra.
Minha mais profunda e respeitosa saudação a Carlos Said e toda a sua família, que ainda não tive a honra de conhecer pessoalmente, e toda a minha gratidão e amor, mais uma vez e sempre, ao meu inesquecível avô Thomé.
Uma coisa jogada com música - Capítulo #43 Didi na Copa do Mundo de 58. Foto sem ...