"Quando se perde, o treinador é chamado de besta;
quando vence, de bestial"
(Otto Glória, técnico brasileiro que comandou
a seleção portuguesa na Copa de 1966)
Filipe Luís, ex-lateral-esquerdo e treinador de futebol há pouco mais de um ano, está na berlinda desde que, no segundo semestre do ano passado, assumiu o comando técnico do time principal do Flamengo. Sua ascensão foi meteórica: saiu do time sub-17, passou pelo sub-20 e, em pouco tempo, chegou à equipe profissional — conquistando títulos em todas as categorias.
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| Filipe Luís. Foto: Wagner Meier/Getty Images |
Foi alçado a “gênio” do futebol com a mesma velocidade com que subiu. A quantidade de vídeos e textos exaltando a "genialidade" do jovem treinador é enorme e facilmente encontrada na internet. No entanto, a derrota de ontem para o Central Córdoba, no Maracanã, não pode transformá-lo em "besta" ou "burro" — embora tenha escancarado falhas que já vinham sendo cometidas nos jogos anteriores, mesmo durante a ótima sequência de 27 partidas de invencibilidade.
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Para não listar um rosário de defeitos, destaco quatro pontos críticos:
- Lentidão ou pressa (e não velocidade) na saída de bola e na armação das jogadas;
- Erros de posicionamento na defesa, sobretudo em jogadas com viradas rápidas na área rubro-negra;
- Gols desperdiçados em excesso, por precipitação, má pontaria, egoísmo, displicência ou falta de visão de jogo;
- Escalações equivocadas, inclusive com atletas que ainda não demonstraram qualidade para fazer parte do elenco bilionário do Flamengo.
Até então, tudo era justificado e acobertado pelo “resultadismo”. Agora, com a derrota, é possível (e desejável) que mídia e torcedores, especialmente os flamenguistas, passem a ver Filipe Luís como ele é hoje: uma promessa, um técnico potencialmente brilhante, que ainda está em formação.
E que assim seja, por um bom tempo. Para o bem dele — e, claro, para o bem do Flamengo.
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Para não dizer que só falei das flores murchas, é justo lembrar dos títulos já conquistados: Copa do Brasil 2024, Supercopa do Brasil 2025, Taça Guanabara 2025 e Campeonato Carioca 2025. Além disso, Filipe Luís tem se mostrado um profissional extremamente estudioso, com humildade para reconhecer erros (como fez após a derrota para o time argentino) e coragem para continuar aprendendo.
Seu time, apesar das falhas, cria muitas chances de gol, domina adversários e, quando acerta o ritmo e os passes, encanta com um toque de bola envolvente — típico do futebol bem jogado.
Desejo a ele muito sucesso — até porque sou flamenguista —, e à mídia, embora eu saiba que não vá mudar, espero que ao menos diminua sua avidez por transformar técnicos, jogadores, políticos, autoridades em geral, artistas, pessoas das mais diversas, famosas e anônimas, em vilões ou heróis só para emular boas histórias, muito menos em tempo recorde. Talvez assim o povo, o público, o eleitor e o torcedor parem de seguir de manada rumo ao brejo.
E você?
Concorda? Discorda? Nem uma coisa, nem outra? Muito pelo contrário?
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