Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
A chuva dança lentamente
e encharca o quintal,
a terra, as telhas, as árvores
As folhas arqueiam
sob o peso de gotas
que se aglomeram
– para cair –
em outras folhas,
as mãos em concha
abarcando com sorrisos
aquela água abençoada dos céus
que sempre lhes escapa
Os galhos são prolongamentos
do dorso nu e suado
deste frondoso vegetal,
são braços estendidos
pousados no ar tentando tocar
em algo inatingível, incompreensível
como se encontrassem extenuados
de um esforço aparentemente inútil.
Percorrem-lhes pingos de suor de chuva
que despencam pouco a pouco
tal qual loucos suicidas
lançando-se na incerteza da queda,
perdidos num vão aberto no espaço
que tanto pode ser uma pequena fenda
quanto um imenso rasgo no infinito
Porém, na certeza de que
jamais retornarão à plataforma
de onde saltaram
pois serão sugados pela terra
enquanto outros tomarão seus lugares...
Esta poesia, publicada originalmente neste blog em 18 de setembro de 2008, faz parte de "Profano Coração", livro de estreia do jornalista e escritor Eduardo Lamas Neiva, com ilustrações de Sóter França Júnior.
Pela segunda vez convidado para participar do programa "Comendo a Bola" senti-me convocado e não hesitei em aceitar. Até porque o tema proposto era bastante sério, infelizmente ainda atual e importantíssimo: violência e morte no futebol. Nelson Rodrigues certa vez disse ou escreveu, não me recordo agora, que o primeiro homem na face da Terra ao avistar seu semelhante pela primeira vez logo o reconheceu como seu inimigo. E a História da Humanidade não desmente o gênio: vivemos às turras, desde sempre.
Da esquerda para a direita: Mauricio Capellari, Carlos Falkoski, Rodrigo Titericz e eu durante a gravação do "Comendo a Bola" sobre "Violência e Morte no Futebol". Foto: Anderson Duarte
Das rusguinhas às sérias ofensas, hoje repletas nas redes sociais, indo às vias de fato das formas mais cruéis e violentas - as guerras estão aí para não nos deixar mentir - o ser humano não consegue minimamente se respeitar, respeitar diferenças, debater, divergir, sem agredir. Raros e raras são aqueles e aquelas que contrariam a regra. E o futebol, claro, não fica fora deste contexto.
E é bom que se ressalte, não só no Brasil, mas aqui parece que a condescendência e a hipocrisia são maiores, e agressores dentro, no entorno ou mesmo longe dos estádios, voltam a frequentar os jogos sem impedimentos e em curto tempo. No programa contei algumas histórias que vivenciei nos estádios que frequentei no Rio de Janeiro, desde os tempos de torcedor, ainda na década de 70, até o período como repórter, já nos 90, para reforçar que o problema vem de longo tempo e pouco ou quase nada foi feito para chegarmos ao atual estágio.
Torcida única, na minha opinião, é a assinatura oficial da incompetência de Estado, clubes, federações, CBF, segurança pública e sociedade. Um paliativo que nada resolve. Além disso, para mim, é a morte do futebol, o que já ocorre em São Paulo e em outros locais.
Assista abaixo ou no canal "Comendo a Bola" no YouTube (clique aqui), o debate "Violência e Morte no Futebol", do qual tive mais uma vez o privilégio de participar com Mauricio Capellari, Carlos Eduardo Falkoski e Rodrigo Titericz e dê sua opinião.
na noite escura da alma Pela estrada que a lua cheia
me apontava e eu não enxergava
via e não via na via da vida
seguia e seguia,
pelo acostamento
Agora cá estou na via da vida
iluminada, via da alma
clara vida, clara alma
alumiada alma
sem pressa de ir ou chegar
com calma, na estrada
seguindo
pela noite clara da alma.
Capa do ebook "Sutilezas"
Embora seja atribuída ao filósofo Sócrates, a frase "Conhece-te a ti mesmo" é a inscrição na entrada do Oráculo de Delfos. A ilustração é da carta 9 do Tarô, O Eremita.
Gostou? "Noite clara da alma" e outras poesias mais estão no ebook "Sutilezas", que você pode adquirir na Amazon do Brasil e de mais 13 países.
* Esta poesia foi publicada neste blog originalmente em 21 de outubro de 2013.
Chegou a hora de reler, foi o pensamento abrupto que me veio outro dia de manhã, enquanto lavava a louça. A notícia da morte deMilan Kundera, divulgada esta semana por veículos de comunicação de boa parte do mundo, até me pegou de surpresa, pois não ouvia falar do escritor tcheco há muitos anos, há décadas.
Como fora há muitos anos, décadas, que assisti ao filme no cinema e um bom tempo depois comprei o livro numa banca de jornais do Rio de Janeiro e o li, com prazer. Deve ser desde esta época que nada sabia sobre o autor.
Diz o obituário de Kundera que o escritor não gostava da adaptação de seu livro de maior sucesso para o cinema: achou simplista demais. Porém, aquela história do neurocirurgião Tomás e seus questionamentos e muitos conflitos sobre o amor, o casamento e o sexo que se passa durante a Primavera de Praga, rapidamente encerrada com a invasão da União Soviética (isso lembra algo recente por aqueles lados do planeta, né!?) me agradou quando a vi no cinema. Talvez se tivesse lido o livro antes, a minha opinião fosse a mesma de Kundera. Quem sabe?