LIVRO PRA VIAGEM: NIETZSCHE - BIOGRAFIA DE UMA TRAGÉDIA

Friedrich Nietzsche, um dos filósofos mais influentes da Era Moderna, é conhecido por suas ideias sobre a vontade de poder, o eterno retorno e o super-homem, também conhecida como o além do homem. Nietzsche deixou um legado profundo e controverso na filosofia ocidental.

Para conhecer mais sobre a vida e os pensentimentos do filósofo e muitos relatos de como ele chegou a ideias que passam pela boca de pessoas que sequer sabem quem foi Nietzsche, recomendo muito a leitura do livro "Nietzsche - Biografia de uma Tragédia", escrito por Rüdiger Safranski

Sem dúvida alguma é uma das melhores biografias que li e isso foi ali entre meados e o fim dos anos 90. O autor da biografia fez sem dúvida um trabalho monumental que me agradou muito, fez-me parar várias vezes para ficar sorvendo os pensentimentos e as passagens da vida conturbada do biografado. 

É aquele tipo de leitura que você sai muito melhor do que entrou. Espero conseguir tempo para reler este livro em breve. Renomado biógrafo e filósofo alemão, Safranski é autor de outras obras sobre grandes pensadores. Caso queira adquirir o livro, desta mesma edição, é só clicar na foto acima.

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Um brilhante trecho do livro

“O ser humano, explica Nietzsche, é uma criatura que saltou sobre os limites animalescos da época do cio. Por isso não procura prazer apenas eventualmente, mas o tempo todo. Porém, como há menos fontes de prazer do que pede sua constante predisposição ao prazer, a natureza o forçou a enveredar na trilha da invenção-do-prazer. O animal consciente homem, com horizonte de passado e futuro, raramente se satisfaz de todo com o seu presente, e por isso sente algo que certamente nenhum animal conhece, isto é, o tédio. Fugindo do tédio, essa singular criatura procura uma excitação que, se não for encontrada, tem de ser inventada. O homem se torna um animal que brinca. O jogo é uma invenção que entretém os afetos. O jogo é a arte de auto excitação dos afetos, a música, por exemplo. A fórmula antropológico-fisiológica para o segredo da arte é pois: a fuga do tédio é a mãe das artes”. 


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Sobre Friedrich Nietzsche

Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900) foi um filósofo, crítico cultural, poeta e filólogo alemão cuja obra tem exercido grande influência na filosofia contemporânea. Suas ideias desafiaram os valores tradicionais da sociedade, e seus escritos exploram temas como a arte, a moral, a religião, a cultura e a ciência.

Sobre Rüdiger Safranski

Rüdiger Safranski (nascido em 1945) é um escritor e filósofo alemão conhecido por suas biografias detalhadas e profundas de grandes pensadores e figuras históricas. Safranski recebeu diversos prêmios por suas contribuições à literatura e à filosofia.

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E aí, curtiu? Deixe seu comentário e ou sugestão abaixo. Agradeço desde já a sua visita.

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MÚSICA PRA VIAGEM: THE MUSICAL BOX

Capa do disco "Nursery Crime", de 1971
Como prometido na postagem anterior da série "Música pra Viagem", volto ao Genesis dos tempos de Peter Gabriel e Steve Hackett para trazer nova obra-prima da banda inglesa de rock progressivo: "The Musical Box". Esta é uma das músicas mais emblemáticas do grupo, gravada no álbum "Nursery Cryme", lançado em 1971.

"The Musical Box" combina melodias delicadas, a pena poética e complexa de Peter Gabriel e mudanças dinâmicas que destacam o estilo inovador do rock progressivo dos anos 70. 

Creditada aos cinco componentes da formação clássica da banda inglesa (Peter Gabriel, Steve Hackett, Tony Banks, Mike Rutherford e Phil Collins), a música, baseada em uma história de fada vitoriana,  traz em seus versos a história de um espírito que retorna por meio de uma caixa de música mágica.

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A performance original

Na época, Peter Gabriel liderava o Genesis com sua voz marcante e apresentações dramáticas. Durante os shows, ele interpretava personagens excêntricos, como na narrativa de "The Musical Box". Após sua saída em 1975, Gabriel seguiu uma carreira solo de grande sucesso, lançando álbuns icônicos como "So".


O Genesis em 71: Peter Gabriel, Steve Hackett, Phil Collins, Tony Banks e Mike Rutherford

O legado da caixinha de música

Steve Hackett trouxe uma abordagem única ao Genesis com sua técnica inovadora na guitarra. Mesmo após deixar a banda em 1977, ele manteve viva a essência de "The Musical Box" em seus projetos solo, como na turnê "Genesis Revisited", onde realizou performances inesquecíveis da música.

A nova Era do Genesis

Após assumir os vocais no lugar de Gabriel, Phil Collins liderou o Genesis em sua fase de maior sucesso comercial. Além disso, consolidou uma carreira solo que o tornou um dos artistas mais populares dos anos 80.

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Assista e reviva "The Musical Box"

Veja e curta muito abaixo uma interpretação do Genesis, com Peter Gabriel no vocal e suas caracterizações músico-teatrais:

 

Confira também a versão de Steve Hackett na turnê "Genesis Revisited": 

 

Eu, se fosse você, continuaria explorando a magia do rock progressivo e o legado do Genesis. O que acha? Gostou? Deixe abaixo um comentário ou sugestão. Agradeço.

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OS MAIORES JOGOS DE TODOS OS TEMPOS 13

Dinamite dá o lençol em Osmar antes de fazer o golaço da vitória do Vasco sobre o Botafogo*

No dia 9 de maio de 1976, o Vasco da Gama e o Botafogo protagonizaram uma das partidas mais marcantes da história do futebol brasileiro. O clássico disputado no Maracanã pelo Campeonato Carioca foi decidido por um dos gols mais lindos já vistos no antigo estádio, marcado por Roberto Dinamite.

Com apenas 22 anos de idade, Dinamite encantou não só os vascaínos, mas todo fã de futebol, ao fazer aquilo que o também saudoso locutor Luciano do Valle costumava chamar de "gol de Copa do Mundo". O gol não só garantiu a vitória, de virada, do Vasco por 2 a 1, como também se tornou um símbolo de sua presença na área com o seu talento e uma lembrança eterna para os torcedores cruzmaltinos.

O contexto do clássico

O confronto entre Vasco e Botafogo naquele dia era crucial para a sequência da Taça Guanabara, primeiro turno do Campeonato Carioca de 1976. Ambas as equipes buscavam consolidar suas campanhas em um torneio marcado pelo equilíbrio entre os grandes clubes do Rio de Janeiro, incluindo-se aí o América, que infelizmente nas últimas décadas não tem conseguido mais qualquer destaque sequer no cenário estadual.

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O Botafogo abriu o placar no primeiro tempo num chutaço de Ademir Vicente, que Mazaropi nem viu por onde passou, mas numa infelicidade de Wendell, que fazia grande partida até então, Roberto se aproveitou da falha do goleiro botafoguense e empatou com um chute praticamente sem ângulo. A vitória épica veio no último minuto com o tão propalado e espetacular gol do Garoto Dinamite, um dos maiores ídolos da História do Vasco.

A vitória classificou o Vasco para a final da Taça Guanabara, que venceria em disputa de pênaltis, por 5 a 4, contra o Flamengo, após empate em 1 a 1, no tempo normal.

O gol de Roberto Dinamite

O gol que decidiu a partida é lembrado até hoje como um dos mais belos da História do Maracanã. Dinamite recebeu a bola de um cruzamento meio no desespero de Zanata, matou no peito e antes que Osmar Guarnelli consegui dar o bote, deu-lhe um balão desconcertante e de sem-pulo fuzilou a meta guarnecida por Wendell, que não teve qualquer chance de defesa.

A jogada foi exaltada pela imprensa esportiva da época e permanece viva na memória do futebol brasileiro, sendo frequentemente mencionada em listas dos gols mais bonitos da história.

O legado de Roberto

Ídolo eterno do Vasco, Roberto Dinamite é o maior artilheiro da História do clube e do Campeonato Brasileiro. Sua carreira foi marcada por gols espetaculares, liderança em campo e uma conexão inigualável com a torcida cruzmaltina.

Após encerrar a carreira, Dinamite seguiu contribuindo para o futebol, seja como presidente do Vasco, mais ainda como uma referência para as novas gerações. Seu gol contra o Botafogo em 1976 simboliza não apenas seu talento, mas também a magia do futebol jogado no Maracanã.

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Roberto faleceu em 8 de janeiro de 2023, aos 68 anos. Ele tinha contra um tumor no intestino desde 2021 e chegou a ser internado algumas vezes antes de morrer. Porém, jamais será esquecido pelos fãs de futebol, especialmente os vascaínos, por este e tantos outros golaços que marcou na sua vitoriosa carreira, com passagens pela seleção brasileira, inclusive na Copa do Mundo de 1978 (em 82 chegou a ir a Espanha, mas sequer ficou no banco de reservas).  

Ficha Técnica

VASCO 2 x 1 BOTAFOGO

Data: 9 de maio de 1976.

Local: Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro.

Público: 39.232 pagantes.

Competição: Campeonato Carioca (13ª rodada da Taça Guanabara).

Árbitro: Armando Marques.

Gols: Ademir Vicente, aos 43 do primeiro tempo; Roberto Dinamite, aos 18, e aos 45 minutos do segundo tempo.

Vasco: Mazaropi; Gaúcho, Abel, Renê e Marco Antônio; Zé Mário, Zanata e Luís Carlos; Luís Fumanchu, Roberto Dinamite e Dé. Técnico: Paulo Emílio.

Botafogo: Wendell; Miranda, Osmar, Nílson e Marinho; Luisinho, Ademir Vicente e Mendonça; Mazinho (Rogério), Manfrini (Antônio Carlos) e Mário Sérgio. Técnico: Telê Santana.


* Encontrei esta foto num site e não havia crédito. Por favor, quem souber, avise-me para eu dar o devido crédito a esta fotografia tão bela quanto o gol.

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MÚSICA PRA VIAGEM: FIRTH OF FIFTH

De tempos em tempos redescubro as músicas do Genesis da época em que Peter Gabriel e ou Steve Hackett faziam parte do grupo inglês de rock progressivo. Ultimamente - e este ultimamente abarca uns oito, dez anos - tenho ouvido e visto muito a interminável turnê "Genesis Revisited", de Steve Hackett, que inclusive passou pelo Brasil no ano passado, algo que infelizmente não pude presenciar. 

Há tempos a série "Música pra Viagem" estava devendo uma do Genesis por aqui e cá estou eu pra pagar a dívida com quem acompanha este blog ou mesmo vem aqui só quando algo interessa. E dou spoiler, pois vou pagar a dívida com juros, já que a próxima música da série será da mesma banda e do mesmo período mencionado.

O Genesis em 1973: Mike Rutherford (atrás), Tony Banks, Phill Collins, Peter Gabriel e Steve Hackett

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"Firth of Fifth" é uma das músicas mais icônicas do Genesis. Originalmente lançada no álbum "Selling England by the Pound", em 1973, esta faixa se destaca pela complexidade e beleza musical e o lirismo poético.

Elementos musicais e lirismo

"Firth of Fifth" é conhecida por seu solo de piano "clássico", executado por Tony Banks, que abre a música. A transição para o solo de guitarra de Steve Hackett é, sem dúvida, um dos momentos mais memoráveis do rock progressivo. A poética letra escrita pelo tecladista e violonista Tony Banks em parceria com o baixista e também violonista Mike Rutherford explora temas de natureza e introspecção, mas muita gente ainda se pergunta do que se trata exatamente. Como se versos poéticos necessitassem ser exatos. Quem não pensente, jamais entenderá.

Performances clássicas

Bem, aqui resolvi apresentar duas versões distintas desta obra-prima. A primeira é a gravação original da Era Peter Gabriel. Infelizmente não achei um vídeo de boa qualidade de uma apresentação da banda com ele ao vivo para trazer toda a teatralidade e intensidade pela qual o cantor sempre foi conhecido.

A segunda vem da já mencionada turnê "Genesis Revisited", onde o guitarrista Steve Hackett revisita esta peça com um novo vigor, capturado magnificamente no Royal Albert Hall, de Londres.

Membros do Genesis e carreiras solo

Peter Gabriel foi o vocalista principal do Genesis até 1975, quando decidiu seguir carreira solo. Famoso por seu estilo vocal expressivo e performances teatrais, Gabriel lançou vários álbuns solo de sucesso, incluindo "So", no qual foram gravadas "Sledgehammer", muito tocada nas rádios brasileiras e com seu videoclipe surpreendente para a época exaustivamente exibido nos programas musicais de TV, e "In Your Eyes".

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Steve Hackett, guitarrista do Genesis de 1971 a 1977, marcou a História da banda com o seu estilo único e inovador. Com forte ligação com o Brasil, afinal foi casado com a artista plástica brasileira Kim Poor, Hackett gravou em sua carreira solo diversos álbuns que exploram uma variedade de estilos musicais. Chegou a montar sem sucesso nos anos 80 o grupo GTR (abreviação de guitar), com Steve Howe, outro guitarrista extraordinário (do Yes). Como já dito acima, Hackett continua apresentando o repertório do grupo que o lançou pro sucesso em suas turnês "Genesis Revisited".

Phil Collins começou como baterista do Genesis, mas assumiu os vocais após a saída de Peter Gabriel. Ele também é conhecido por sua carreira solo extremamente bem-sucedida, com hits como "In the Air Tonight" e "Against All Odds". Collins é talentoso baterista e compositor, fez trilhas para filmes e contribuiu significativamente, desde o início, para o som do Genesis e sua própria carreira solo.

Por fim, este clássico do Genesis, "Firth of Fifth", desde a sua primeira execução até as recentes revisitações, continua a encantar fãs de todas as gerações, mostrando a atemporalidade e o talento extraordinário da banda inglesa. Espero que tenha curtido. Diz aí o que achou?

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E NEM ERA CARNAVAL...

Ilustração criada com auxílio de IA
Quando ele chegou do asfalto, falando uma língua diferente, repleta de palavras em inglês, trouxe consigo enormes caixas de som. Quando ligou aquela barulheira, era impossível não ficar incomodado, mas não dei muita importância. Juntou gente, mas eu era o rei do pedaço, ali era o meu lugar, ninguém me tiraria o cetro e a coroa.

Pouco a pouco, porém, senti que o espaço que ocupava ia cada vez se estreitando mais. Havia já um rival, que ia conquistando jovens, e os pais já não conseguiam convencer os filhos que a tradição era mais importante que a inovação. Inovação representada por aquele forasteiro de óculos escuros, boné, bermudas e camisas coloridas, parecendo um turista a princípio, mas já àquela altura um vizinho insistente e barulhento, seduzia a garotada com discurso apelativo.

Eu já não encantava tanto meus vizinhos, muitos foram embora e me deixaram aos cuidados de poucos que resistiram, mas não por muito tempo. E se despediram em meio à barulheira, à fúria daquele som, um ruído difícil de afastar dos ouvidos e da cabeça. Vi da minha janela que a tênue linha que separava a sensualidade da vulgaridade havia se transformado num grosso e altíssimo muro que só me isolava cada vez mais. Já não via o horizonte, só muro, infelizmente sem isolamento acústico.

A cadência se foi e a poesia foi pisoteada para dar lugar a ferocidade, vulgaridade e palavrões. A devoção e os rituais foram esquecidos, profanaram os santuários, sem qualquer resquício de respeito. E com o volume cada vez mais alto, gritos ensandecidos de uma cega e surda adoração por mais e mais gente, uma batida de fazer o chão e as paredes racharem, fui expulso de casa. Quase rolei morro abaixo.

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No asfalto já me conheciam, claro, e me acolheram. Não eram tantos quanto existiam  antigamente na minha vizinhança, mas eram reverentes. Sabendo de minha nova morada, alguns ex-vizinhos retornaram, vieram me visitar. Mas já não eram tantos. Meus anfitriões foram respeitosos, afetuosos, houve devoção e ritual. Aqui sou muito bem tratado, apesar de uns e outros tentarem me desvirtuar e me difamar. Mas não é minha casa.

Posso ter vivido muito de ilusão, mas foi lá no morro que nasci, me desenvolvi, cresci e me fiz conhecido no mundo. Era lá que me sentia em casa e vivi os melhores dias da minha vida. Saudades da “alvorada, lá no morro, que beleza”. Hoje, quando olho pra lá daqui debaixo, choro, "me dá tristeza, sinto um grande dissabor". Porém, como bem se sabe, embora nunca mais no morro, agonizo, mas não morro. Prazer, meu nome é Samba.

Clique aqui para ouvir o episódio #44 do Lamascast "E nem era carnaval...", publicado pelo jornal Portal, em 21 de setembro de 2020.

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