quarta-feira, 22 de junho de 2022

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #21

Uma coisa jogada com música - Capítulo #21

Mário Sérgio (Inter) disputa a bola com Katinha (Vasco) na final do Brasileiro de 79. Foto: Ag. RBS

O papo sobre acidentes fatais voltou à mesa após a menção a Paulo Silvino. E Sobrenatural de Almeida pegou a deixa de Zé Ary.

Garçom: - Falávamos de jogadores que no auge de suas carreiras acabaram sofrendo acidentes fatais. Vocês se recordam de mais alguns?

Sobrenatural de Almeida: - Lembro do uruguaio DanielGonzález, que também tinha jogado na Portuguesa e no Corinthians e estava no Vasco quando morreu num acidente no Rio. Teve o zagueiro Figueiredo, do Flamengo, também.

Idiota da Objetividade: - Figueiredo morreu aos 24 anos, em 1984, num acidente com um helicóptero em que também estava Nilton, irmão e procurador do Bebeto, na época atacante do Flamengo e que dez anos mais tarde fez parte da seleção que se sagrou tetracampeão mundial nos Estados Unidos.

Garçom: - Houve muitas mortes trágicas. Uma que me deixou muito chocado foi a do zagueiro Serginho, do São Caetano, lá no Morumbi.

Idiota da Objetividade: - Foi uma noite muito triste para o futebol brasileiro a de 27 de outubro de 2004. Jogavam no Morumbi São Paulo e São Caetano, pelo Campeonato Brasileiro, quando, aos 14 minutos do segundo tempo, o zagueiro Serginho, de 30 anos, caiu na área de seu time. Logo, os jogadores das duas equipes que estavam mais próximos perceberam a gravidade e ficaram desesperados. Serginho foi levado para o hospital São Luiz, na capital paulista, mas não resistiu ao ataque cardíaco e faleceu.

Encorajado por quem estava em sua mesa, Serginho levanta-se e toma a palavra.

Serginho: - Mas agora estou aqui podendo participar deste evento maravilhoso.

Todos aplaudem e o ex-zagueiro agradece.

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Músico: - Então, em homenagem ao Serginho, o Daniel González e o Figueiredo, que também estão aqui...

Garçom: - Podem aplaudi-los também (ambos também se levantam e agradecem os aplausos).

Músico: - Bom, com a licença do Jorge Ben, ou melhor, Jorge Benjor, que continua batendo um bolão no Mundo Material, vamos tocar aqui uma música dele, em homenagem a esses e todos os grandes zagueiros da História. Vamos lá, gente! “Zagueiro” vai limpar a área! E todo mundo pode dançar.

Todos se divertem a valer e aplaudem os músicos ao fim da música. Mas o tema das tragédias no futebol brasileiro retorna.

Garçom: - Creio que o acidente com o time do Chapecoense quase inteiro na viagem pra Colômbia, em 2016, foi a pior de todas, né?

João Sem Medo: - Vários jornalistas que iriam acompanhar a final da Copa Sul-Americana também estavam no avião que caiu a 30 quilômetros do aeroporto de Medellin, onde seria a partida.

Idiota da Objetividade: - Foram ao todo 75 mortos. Apenas seis sobreviveram, entre eles o goleiro Jackson Follman, o lateral Alan Ruschel e o zagueiro Neto.

João Sem Medo: - Sobreviveram também o locutor Rafael Henzel, que faleceu depois e já nos cumprimentou quando chegou aqui, e dois tripulantes. Entre os comentaristas mortos estava Mário Sérgio, ex-ponta-esquerda e meia de grande habilidade. Mário Sérgio foi um jogador de alto gabarito. Tinha o apelido de Vesgo, porque muitas vezes olhava prum lado e tocava pro outro pra enganar os marcadores. Os mais novos já viram RonaldinhoGaúcho fazer isso algumas vezes e vão entender o que o Mário fazia.

Ceguinho Torcedor: - Foi treinador também.

Sobrenatural de Almeida: - Mas não teve o mesmo sucesso de quando jogador.

Idiota da Objetividade: - Mário Sergio começou no Flamengo, em 1970. Depois jogou em vários clubes: Vitória, Fluminense, Botafogo, RosárioCentral da Argentina, Internacional, São Paulo, Ponte Preta, Grêmio, Palmeiras, Botafogo de Ribeirão Preto, Bellinzona da Suíça e Bahia. Entre os principais títulos conquistou o bicampeonato carioca de 75 e 76 pelo Fluminense, o campeonato brasileiro de 79 pelo Inter e o Mundial Interclubes de 83 pelo Grêmio. Como técnico comandou 11 times e foi dirigente no Grêmio, em 2005.

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Garçom: - Mário Sergio também disse que viria, mas ainda não apareceu.

João Sem Medo: - Ele foi convocado pelo Telê em 81 e 82, mas acabou não indo à Copa da Espanha. Telê resolveu levar o Dirceu.

Garçom: - Dirceu teve um compromisso...

Sobrenatural de Almeida: - Esse papo tá mórbido demais.

Ceguinho Torcedor: - Todo mundo aqui partiu daquela pra melhor, Almeida. E pensei que gostasse dessas coisas.

Sobrenatural de Almeida: - Minha influência se resume ao jogo. Nunca matei ninguém.

João Sem Medo: - Sem essa, Almeida. Muita gente morreu do coração com gols no último minuto, chances perdidas em cima da hora, frangos incríveis...

Sobrenatural de Almeida: - ... não diretamente, não diretamente.

Ceguinho Torcedor: - Ouço daqui a tua risada satânica.

Sobrenatural de Almeida: - Que isso, Ceguinho? hahaha

Músico: - A risada satânica do Sobrenatural de Almeida me lembrou de “Futebol no inferno”, que Castanha e Caju gravaram. O que acha, Zé Ary?

Garçom: - A música é de José Soares. Vou pôr no telão pra vocês verem e ouvirem a dupla.


João Sem Medo: - Muito boa esta!

Sobrenatural de Almeida (de pé, dançando e cantando): - Deus me livre d’eu ir lá! Deus me livre d’eu ir lá! Hahaha

Ceguinho Torcedor: - Essa risada satânica é inconfundível. Até no inferno se ouve e se reconhece.

Idiota da Objetividade: - Parece até que veio de lá!

Risadas.

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Fim do Capítulo #21

Modificado e republicado em 14 de janeiro de 2025

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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Uma coisa jogada com música - Capítulo #20
Uma coisa jogada com música - Capítulo #22

domingo, 19 de junho de 2022

OLHARES ALHURES - FOTOS #99: E LÁ SE VAI O SOL







Fotos de Eduardo Lamas, feitas nos dias 12, 13, 15 e 16 de junho de 2022, em Itaguaçu, Florianópolis (SC).

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quarta-feira, 15 de junho de 2022

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #20

O habilidoso Geraldo em ação num jogo no Maracanã. Jovem meia do Fla faleceu em 1976

O público e nossos quatro amigos ficam muito bem impressionados com a capacidade de Edu Kneip descrever em música o desenrolar de um jogo. Após comentários elogiosos, Zé Ary aborda João Sem Medo.

Garçom: - Seu João, voltando ao assunto anterior, outros jogadores que tinham tudo para serem grandes craques morreram jovens também.

João Sem Medo: - Sim, Zé Ary, é verdade. Além do Dener, que foi revelado pela Portuguesa, passou pelo Grêmio e estava no Vasco, teve o Roberto Batata, do Cruzeiro; o Geraldo, do Flamengo...

Idiota da Objetividade: - Roberto Batata e Dener morreram em acidentes de automóvel. Geraldo teve um choque anafilático durante cirurgia para retirada das amígdalas. Roberto Batata e Geraldo faleceram em 1976. Dener, em 1993.

Garçom: - O ponta-direita Roberto Batata foi tão marcante no Cruzeiro que mereceu uma homenagem musical de Gaúcho Alegre. Vamos ver e ouvir no telão?

Todos concordam e Zé Ary põe o vídeo no telão.

Roberto Batata é muito aplaudido e, da sua mesa, agradece ao público.

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João Sem Medo: - Roberto Batata foi um atacante muito bom do grande time que o Cruzeiro montou nos anos 70. Um abraço pra você (João acena para Roberto Batata, que retribui o cumprimento).

Garçom: - Quem também está presente é o Geraldo Assobiador.

João Sem Medo: - Geraldo Assobiador era cobra de bola. Não era completo, mas tinha tudo pra ser craque. Morava perto de mim, gostava de ir ao borracheiro para aprender a mudar pneu e lidar com ferramentas do mecânico. Todos os dias brincava assim e jogava um futebol muito bonito e gostoso de ser visto.

Emocionado, Geraldo se levanta e vai dar um abraço em João Sem Medo.

Garçom: - Que encontro, meus amigos! Que encontro!

Aplausos gerais para Geraldo e João Sem Medo.

Garçom: - Em homenagem ao grande Geraldo, vou pôr no som uma música de Mário Adnet e Bernardo Vilhena, chamada “Geraldofla”, numa gravação do Adnet com as participações de Lobão, na voz, e de Paulo Moura, nos sopros. Vale muito ouvir, minha gente.

Geraldo, ainda emocionado, agradece os aplausos do público.

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Garçom: - Dois, pouco lembrados, mas que estavam despontando bem eram o Mahicon Librelato, do Inter, e o Sérgio Gil, do Corinthians.

Idiota da Objetividade: - Mahicon Librelato começou no futsal, na cidade catarinense de Orleans, onde nasceu. No campo, o início da carreira do promissor atacante foi no Criciúma. Ele tinha só 21 anos, quando morreu na Avenida Beira Mar Norte, em Florianópolis, num acidente de carro também. Seu último gol, duas semanas antes, ajudou o Inter a escapar do rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro, em 2002, nos 2 a 0 sobre o Paysandu, em Belém.

Sobrenatural de Almeida: - Os colorados devem essa a ele e um pouco a mim também. O Inter escapou por muito pouco daquela vez.

Idiota da Objetividade: - Verdade, Almeida. Já o Sérgio Gil, que hoje dá nome a uma rua no bairro do Balneário, em Florianópolis, era irmão do ex-volante Almir, que foi o capitão do Coritiba na conquista do campeonato brasileiro de 85 e bicampeão paulista pelo São Paulo, em 80 e 81, e do Tonho, meia campeão mundial pelo Grêmio, em 83. Ele começou no Figueirense, foi convocado várias vezes pra seleção brasileira de juniores e estava emprestado ao Corinthians. Sérgio Gil estava sendo negociado com o Inter quando faleceu num acidente automobilístico na Rodovia Régis Bittencourt, ainda no estado de São Paulo, em 9 de julho de 1989.  

João Sem Medo: - Outro que perdemos num acidente de carro também foi o Everaldo, lateral-esquerdo tricampeão no México. Já não era tão jovem quanto os outros, tinha uns 30 anos, acho...

Idiota da Objetividade: - ... Sim, tinha 30 anos de idade. Morreu em 1974.

João Sem Medo: - Ele ainda estava jogando e foi uma perda muito sentida também. Eu o convoquei pra seleção desde o princípio, como reserva do Rildo. Era muito bom jogador.

Ceguinho Torcedor: - Foi uma das Feras do João!

Garçom: - Ô, seu Ceguinho, foi bom o senhor falar nisso. O Paulo Silvino tinha prometido vir aqui cantar a marchinha “As feras do Saldanha”, de Jayme Bochner, mas ainda não apareceu.

Músico: - Uma hora ele aparece aí!

Garçom: - Tomara!

Fim do Capítulo #20

Modificado e republicado em 16 de dezembro de 2024

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domingo, 12 de junho de 2022

OLHARES ALHURES - FOTOS #98: PARQUE DE LAVANDA
















Fotos de Eduardo Lamas Neiva, feitas no dia 22 de abril de 2022, no Le Jardin Parque de Lavanda, em Gramado (RS).

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quarta-feira, 8 de junho de 2022

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #19

Urubu levado por flamenguistas causou furor no Maracanã, em 1969. Foto: Ag. O Globo

Zé Ary desta feita é quem distribui o jogo, lançando um tema à mesa de nossos 4 amigos.

Garçom: - Igual ao Dener, muitos craques brasileiros partiram da Terra muito cedo, né?

Sobrenatural de Almeida: - Com morte eu nunca me meti, nem olhem pra mim. Minha influência sempre foi só dentro do campo. E nunca pra machucar ninguém.

João Sem Medo: - Você disse que de mata-mata entende, Almeida.

Todos riem.

Sobrenatural de Almeida: - Sim, matar time, goleiro, atacante, torcedor no sentido figurado, está aqui o Ceguinho pra não me deixar mentir. Em cada lance que interfiro é um Deus nos Acuda!(dá sua risada medonha)

João Sem Medo: - Então tá bom. Mas agora o papo é sério e não tem sentido figurado. Alguns foram embora no auge de suas carreiras. Como o Eduardo, ponta-esquerda muito habilidoso que jogou no América do Rio e foi depois pro Corinthians e acabou morrendo num acidente de carro, lá na Marginal do Tietê.

Idiota da Objetividade: - No acidente automobilístico, ocorrido no dia 29 de abril de 1969, também faleceu Lidu, lateral-direito. O Corinthians fazia bela campanha no Campeonato Paulista de 1969, quando os dois faleceram.

Garçom: - Parece que teve um problema com o Palmeiras depois...

João Sem Medo: - Foi feia a coisa, muito feia.

Idiota da Objetividade: - Com a perda dos dois jogadores, o Corinthians pleiteou junto à Federação Paulista a contratação de substitutos, o que só seria permitido pelo regulamento com a unanimidade dos outros clubes, pois as inscrições para a competição já haviam se encerrado. Quase todos concordaram, apenas o presidente do Palmeiras na época, Delfino Facchina, votou contra. Revoltado, o presidente do Corinthians, Wadih Helu, chamou o palmeirense de porco.

João Sem Medo: - Merecidamente. Foi até pouco.

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Ceguinho Torcedor: - Na primeira partida entre os dois times depois deste episódio, soltaram um porco no gramado do Morumbi e a torcida do Corinthians começou a gritar “Porco, Porco”.

Garçom: - Que atitude feia do presidente do Palmeiras.

Ceguinho Torcedor: - Muito. Mas muitos anos depois a torcida do Palmeiras resolveu adotar o apelido e a história ficou meio apagada.

Músico: - Já que o assunto é a rivalidade entre Corinthians e Palmeiras, vamos chamar de volta ao palco o Teixeirinha?

É aplaudido novamente.

Teixeirinha: - Em matéria de rivalidade, eu e minha amiga Mary Terezinha, que está lá no Mundo Material, entendemos muito bem. Vamos então de “Bom de Bola”, de minha autoria, música que gravei no LP “Carícias de amor”, lançado em 1970, o ano do tri. Não reparem nas “ofensas”, por favor. Hahaha

Todos riem.

Muitas risadas durante a música e aplausos gerais ao fim.

Teixeirinha: - Muito obrigado. E a palavra volta ao comando de quem?

Todos, em uníssono, imitando a antiga vinheta da Rádio Globo do Rio de Janeiro: “João Saldaaaaanha!” João Sem Medo ri, faz seu sinal característico para Teixeirinha e inicia sua fala como começava seus comentários nos áureos tempos de rádio.

João Sem Medo: - Meus amigos, o Flamengo era chamado de urubu por torcedores adversários. Era um apelido racista, fazia referência ao grande número de negros na torcida rubro-negra. Mas quando os flamenguistas assumiram o urubu como mascote, os rivais se esqueceram do apelido pejorativo e racista. Foi mais ou menos o que a torcida do Palmeiras fez em São Paulo, embora o motivo do apelido fosse bem diferente.

Sobrenatural de Almeida: - O apelido acabou num jogo contra o teu Botafogo, João.

Ceguinho Torcedor: - É verdade!

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Idiota da Objetividade: - No dia 1º de junho de 1969, Flamengo e Botafogo se enfrentaram no Maracanã pelo Campeonato Carioca daquele ano. O time rubro-negro não vencia o alvinegro há nove jogos e seus torcedores continuavam ouvindo dos torcedores rivais que eram “urubus”, pelos motivos que o João já mencionou. Mas naquele domingo, alguns torcedores do Flamengo pegaram um urubu num lixão e levaram para o Maracanã. Antes de os times entrarem em campo, a ave foi solta com a bandeira do clube presa a uma das patas e os rubro-negros no estádio foram à loucura gritando “é urubu, é urubu”. O Flamengo acabou com o jejum vencendo por 2 a 1 e, com a charge do rubro-negro Henfil no Jornal dos Sports, o urubu passou a ser adotado como um dos símbolos do time.

Garçom: - Sobre outro Flamengo x Botafogo, de muitos anos depois, a final do Campeonato Brasileiro de 1992, Edu Kneip descreveu musicalmente em “Baile do Urubu”. Vou pôr aqui em especial pros flamenguistas aqui presentes, mas quem não é pode curtir também.

Fim do Capítulo #19

Modificado e republicado em 16 de dezembro de 2024

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domingo, 5 de junho de 2022

OLHARES ALHURES - FOTOS #97: LAGO NEGRO











Fotos de Eduardo Lamas Neiva, feitas no Lago Negro, Gramado (RS), no dia 22 de abril de 2022.

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quarta-feira, 1 de junho de 2022

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #18

Garrincha fuzila Yashin, mas a bola baterá na trave, nos espetaculares 3 primeiros minutos da
seleção brasileira contra os soviéticos na Copa do Mundo de 1958

A música de Chico César e Zezo Ribeiro agrada em cheio e é até aplaudida, mesmo sem os músicos presentes.

Garçom: - Que bom que gostaram.

O drible continua à baila no bar Além da Imaginação, e João Sem Medo sai jogando com elegância.

João Sem Medo: - Nosso gingado não tem igual no mundo, por mais que alemães, espanhóis e outros europeus queiram ensinar à sua criançada a jogar parecido com o que de melhor apresentamos nos campos de todo mundo. Só os africanos poderão, talvez, nos alcançar um dia. O nosso futebol é uma coisa jogada com música.

Garçom: - O drible já foi tema de várias músicas, seu João. Então vou colocar outra aqui pra vocês ouvirem. Ela se chama “Drible de corpo” e foi composta por Toinho Gomes e Aisier Vinicius.

Zé Ary vai então ao notebook do Além da Imaginação e põe o som no ar:


Veja também:
Memórias da geral do Maracanã
"Contos da Bola": quem lê recomenda

O choro agrada em cheio também e Ceguinho Torcedor agora é que domina a área.

Ceguinho Torcedor: - As coisas estão tão de cabeça pra baixo que resolveram punir o drible.

João Sem Medo: - Até juiz aqui no Brasil andou advertindo jogador por driblar.

Ceguinho Torcedor: - A alegria do futebol, do nosso futebol, virou um acinte, uma humilhação.

João Sem Medo: - Isso só para os burocratas e os pernas de pau! Mas não tem árbitro, técnico ou dirigente que vá acabar com a criatividade do brasileiro.

Ceguinho Torcedor: - A música e o futebol deste país sempre produziram grandes craques.

Músico: - Sem dúvida alguma, seu Ceguinho. E tem mais músicas sobre o drible. Uma pena que o seu Garoto não pôde vir ainda pra tocar aqui pra gente o maxixe “Driblando”.

Garçom: - Mas tem uma aqui com o mesmo nome, do pianista Marcos Ariel. Vou colocar no som pra vocês ouvirem.

Todos curtem a música. Ao fim da execução, a palavra volta ao comando de quem? João Sem Medo!

João Sem Medo: - Falar de drible é falar de Garrincha, claro. Mas ele merece um dia inteiro pra que a gente comente um pouco sobre sua importância para o futebol brasileiro.

Ceguinho Torcedor: - Contra a Rússia, em 58, ele driblou até as barbas do Rasputin! Mas como disse o João, Garrincha é um assunto que não se esgota e merece que a gente fique falando só sobre ele durante séculos. E falaremos!

João Sem Medo: - Sim, é um papo certo pra mais adiante.

Garçom- Tem uma música ligeira e hábil como o Garrincha aqui. É a “Abertura” da trilha sonora do filme “Garrincha”, composta pelo saxofonista Léo Gandelman. Vamos ouvir!


Veja também:
O torcedor de futebol
Minha primeira Copa do Mundo

Ceguinho Torcedor: - João, esse Zé Ary sabe tudo de música e futebol.

Garçom: - Obrigado, seu Ceguinho. Gosto muito desta tabelinha. Não há no mundo coisa igual!

João Sem Medo: - Muito bom, Zé Ary, muito bom mesmo. Olha, um dos nossos craques que driblavam muito e tinha um futuro brilhante, mas infelizmente morreu muito jovem foi o Dener. Era um grande jogador, tinha um grande futuro pela frente.

Garçom: - Dener está ali, seu João.

João Sem Medo: - Opa! Muito prazer, garoto. Vi você começando e depois o acompanhei daqui com muita alegria. Parabéns! Sua passagem foi curta na Terra, mas inesquecível, pode ter certeza.

Dener: - Muito obrigado, seu João. É uma honra pra mim ouvir seu elogio.

Ceguinho Torcedor: - Receba os meus também e de todos aqui presentes.

Dener: - Agradeço muito, seu Ceguinho.

Todos aplaudem Dener, que agradece com acenos, de sua mesa.                            

Fim do Capítulo #18

Modificado e republicado em 2 de dezembro de 2024

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terça-feira, 31 de maio de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: PEGANDO LEVE

Conheci O Terno por intermédio de Tim Bernardes. E fui apresentado a ele, há uns dois anos, por uma sugestão de alguém ou do próprio YouTube, já não me recordo, para ouvir, ver, a surpreendente mistura de Black Sabbath com Belchior que ele apresentou no programa "Cultura Livre", da TV Cultura. O que ele faz com piano e voz em "Changes" (Geezer Butler, Tony Iommi, Ozzy Osbourne e Bill Ward), e "Paralelas" (Belchior), como se fosse uma música só, me arrebatou de primeira. Daí para ir em busca de mais trabalhos e entrevistas e informações foi menos que um pulo. Portanto, ficar sabendo do grupo era inevitável. Gostar, ainda mais.

Alguém pode perguntar, então: por que "Pegando Leve" e não outra, "Recomeçar", por exemplo? Primeiro, porque é mais do que merecida, como seria a outra citada, mas esta retrata muito bem em sua letra nossos caóticos dias numa melodia muito, muito bonita. Segundo, porque ela entrou de surpresa na trilha sonora do nosso (meu e de minha mulher) sábado à noite, quando o tema de nossa conversa era justamente do que trata a letra, especialmente aqui: "Eu tô pegando leve, tentando descansar, meu nível de estresse ainda vai me matar". Curtaê, vale muito.   


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