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Inauguração do Pacaembu, no dia 27 de abril de 1940
Animado com a festa dos são-paulinos, Zé Ary parecia um torcedor tricolor e, isso com certeza, fã de Hélio Ziskind. Foi lá no notebook do bar e pôs a versão instrumental do hino do São Paulo, enquanto o povo presente ao Além da Imaginação dava uma pausa para se espreguiçar, rodar um pouco, ir ao banheiro etc.
Garçom (depois de
diminuir um pouco o volume do Hino do São Paulo, que continuava nas caixinhas
do notebook, mas agora como som ambiente): - Senhores, li uma vez que o ex-goleiro do Palmeiras
Oberdan Cattani disse que Leônidas foi maior do que Pelé.
João Sem Medo: - Dentro de campo, Pelé foi um
gênio, o maior que conheci.Na verdade,
são quatro os fora de série, muito longe dos outros: Pelé,Garrincha e dois argentinos, Di Stéfano e Maradona. Patrioticamente, eu
fico com os meus, claro.
Idiota da Objetividade: - Leônidas foi o grande craque dos
primeiros anos do Pacaembu, inaugurado em 27 de abril de 1940, pelo então presidente
Getúlio Vargas.
João Sem Medo: - Getúlio nesta época ainda era
aliado da Alemanha de Hitler. Só em 42 finalmente virou a casaca e mandou o
Brasil à guerra. Mas esse é outro assunto.
Ceguinho Torcedor: - É, João, hoje o papo aqui é
futebol. Falávamos de Leônidas, do Pacaembu...
João Sem Medo: - Foi o período da Segunda Grande
Guerra, não houve Copa do Mundo. Cobri o fim da guerra na Europa e não estive
no Brasil por um bom período na década de 40. Mas a guerra teve grande influência
no futebol brasileiro. Palmeiras e Cruzeiro se chamavam Palestra Itália e
tiveram de trocar seus nomes quando o Brasil mudou de lado e deixou o Eixo
formado por Alemanha, Itália e Japão para se juntar aos Aliados.
Idiota da Objetividade: - E o primeiro jogo realizado no Pacaembu
foi justamente entre o ainda Palestra Itália e o Coritiba. O time paulista
venceu por 6 a 2, mas o primeiro gol marcado no estádio foi de Zequinha, da
equipe coxa branca. No dia seguinte houve outra partida, Corinthians 4,
Atlético Mineiro, 2. Na decisão do torneio, uma semana depois, o Palmeiras,
maior vencedor de títulos no estádio, iniciou sua série de conquistas no
Pacaembu ao vencer o Corinthians por 2 a 1 e levar a Taça Cidade de São Paulo
pra casa.
Ceguinho Torcedor: - Mas o momento épico do estádio nos
seus primeiros anos foi a estreia de Leônidas com a camisa do São Paulo.
Sobrenatural de
Almeida: - Eu estava
lá. Segurei o Diamante Negro naquele dia.
Idiota da Objetividade: - Leônidas fez sua primeira partida
pelo São Paulo no empate em 3 a 3 com o Corinthians, no dia 25 de maio de 1942.
É até hoje o recorde de público no Pacaembu: 72.018 pessoas pagaram ingresso
para assistir àquele jogo. O Diamante Negro não fez gol, mas deu uma
assistência...
João Sem Medo e Ceguinho Torcedor: - Assistência não!
Idiota da Objetividade: - Ahn... bem, desculpe. Leônidas não fez gol, mas deu
o passe pro primeiro gol do São Paulo, marcado por Lola, que empatou o jogo
pela primeira vez naquela histórica tarde.
A execução instrumental do Hino do São Paulo na
gravação de Hélio Ziskind se encerrava, quando Zé Ary chamou Flauzino e
Florêncio para subirem ao palco sem anunciá-los ao público. Já no palco a dupla
cumprimenta o público sem nada falar e apresenta a "Moda do Estádio do
Pacaembu", de Ari Machado.
A música se encerra e o público aplaude. Aí sim, Zé Ary os
apresenta.
Garçom: - Flauzino e Florêncio!
Florêncio: - Obrigado.
Flauzino: - Obrigado. Esta música se chama “Moda do Estádio Pacaembu”. É do
parceiro Ari Machado, que fez pra inauguração do estádio. Obrigado.
Ceguinho Torcedor: - O Pacaembu foi um dos estádios
brasileiros na Copa de 50.
João Sem Medo: - A seleção jogou lá contra a Suíça e empatou em 2 a 2.
Sobrenatural de Almeida: - Eu estava lá naquele dia também.
Idiota da Objetividade: - Foi o único tropeço da seleção brasileira antes da
final.
João Sem Medo: - Foi o segundo jogo do Brasil naquela Copa.
Idiota da Objetividade: - O único que a seleção brasileira não jogou no
Maracanã. No total, a Copa do Mundo de 1950 teve seis jogos realizados no
Pacaembu.
Garçom: - Ah,
o estádio do Pacaembu, que sediou tantos shows musicais, tem outras belas
homenagens dos artistas da nossa música. Vou pôr aqui no som “Pacaembu”, de
Saulo Schwartzmann, Marcio
Okayama e
Carolina Tomasi, pra vocês ouvirem.
Modificado e republicado em 10 de setembro de 2024
Fim do Capítulo #14
Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país. Saiba mais clicando aqui.
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Leônidas da Silva é carregado por uma multidão ao chegar a São Paulo, em 1942
Carmen Miranda deixou o palco mais uma vez muito aplaudida,
Leônidas se despediu do Além da Imaginação à francesa e os 4 amigos retornaram
à resenha, mantendo o Diamante Negro no comando do ataque.
João Sem Medo: - Meus amigos, mesmo campeão em 35
pelo Botafogo, depois de ter jogado no Vasco, Leônidas deixou o clube por causa
do racismo. E foi parar no Flamengo, onde foi campeão carioca em 39.
Garçom: - É verdade que o Flamengo começou
a ganhar mais torcida por causa dele? É o que ouvi falar.
João Sem Medo: - Depois da Copa de 38,
principalmente, Leônidas virou até garoto-propaganda de chocolate, cigarro...
Idiota da Objetividade: - Leônidas foi um dos homens mais
populares do Brasil na década de 40, dividindo as honras com Orlando Silva, o
Cantor das Multidões, e o presidente Getúlio Vargas, conhecido como o Pai dos
Pobres.
Sobrenatural de Almeida: - É, Leônidas ajudou o Flamengo a
se tornar popular, mas quando o São Paulo veio ao Rio com um caminhão de
dinheiro para contratá-lo, nenhuma viva alma rubro-negra foi se despedir do
ídolo na Central do Brasil. Isso foi assombroso.
Ceguinho Torcedor: - Mas na capital paulista foi
recebido por uma multidão de filme épico. Até o prefeito o carregou nos ombros.
Foi uma festa que parou a cidade.
Idiota da Objetividade: - Leônidas fez o São Paulo
conquistar cinco títulos paulistas na década de 40 e começar a rivalizar com
Palmeiras e Corinthians, formando o grande Trio de Ferro da Terra da Garoa. O
Homem-Borracha, como Leônidas era conhecido também, levou o São Paulo aos títulos
paulistas de 43, 45, 46, 48 e 49.
Garçom: - Tem uma música aqui que é perfeita pra ilustrar isso aí.
Zé
Ary vai ao notebook do bar, ajeita as caixinhas e seleciona a faixa 5 do álbum "Coração de Cinco Pontas", de Hélio Ziskind.
Todos ouvem com atenção, muitos até aplaudem ao fim da
execução da música, apesar de o artista não estar presente ao local.
Ceguinho Torcedor: - Leônidas da Silva foi um gigante
do nosso futebol!
Garçom: - Fico curioso pra saber por que ele não defendeu a seleção brasileira
na Copa de 50?
João Sem Medo: - O técnico Flavio Costa tinha uns
problemas com ele, Zé Ary.
Idiota da Objetividade: - Leônidas da Silva acabou não sendo
convocado para a Copa do Mundo de 1950 pelo técnico Flavio Costa, porque
ambos tinham desavenças desde os tempos
de Flamengo. Muitos anos mais tarde, Flavio Costa admitiu ao jornalista Andre
Ribeiro, que escreveu uma biografia de Leônidas, ter errado ao não convocar o
Diamante Negro para o primeiro Mundial de Futebol realizado no Brasil. No ano
seguinte, em 1951, encerrou a carreira e foi treinador do São Paulo em 73
jogos.
Sobrenatural de Almeida: - É, mas ele mesmo disse que não se
deu bem como treinador, porque tinha um temperamento muito difícil.
Ceguinho Torcedor: - Isso é típico dos gigantes, daqueles que se entregam de
alma. E o que me importa são os atos, os sentimentos. É a alma que está em
questão.
Idiota da Objetividade: - Posteriormente foi o primeiro
jogador a se tornar comentarista de futebol. O Diamante Negro foi um
comentarista de rádio dos mais laureados.
Os outros três: - Laureados, Idiota?
João Sem Medo: - Ele quis dizer premiados, um dos
comentaristas mais premiados.
Idiota da Objetividade: - Exatamente. E o hino do São Paulo,
embora composto por Porfírio da Paz em 1935, só foi oficializado em 42. Justo
quando Leônidas estava chegando por lá.
Músico (do palco): -
Tinha uma estrofe que falava do Palmeiras, mas não era o Palestra Itália, e sim
a Associação Atlética Palmeiras, que se fundiu ao Paulistano para dar origem ao
São Paulo. Pra evitar confusões, Porfírio trocou na última estrofe Palmeiras
por Floresta, local onde ficava o clube tricolor, e a letra ficou “Do Floresta
também trazes um brilho tradicional” em vez de “Do Palmeiras também trazes um
brilho tradicional”. Vamos tocar aqui pra vocês.
Os são-paulinos presentes, muito entusiasmados, cantaram
junto com o grupo e fizeram uma grande algazarra no fim da execução do Hino
tricolor. Respeitosamente, os demais aplaudem.
Modificado e republicado em 10 de setembro de 2024
Fim do capítulo #13
Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país. Saiba mais clicando aqui.
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Fotos de Eduardo Lamas feitas no dia 16 de abril de 2022, em Itaguaçu, Florianópolis (SC). O sol se põe em São José (SC) e a lua nasce por trás da ilha de Florianópolis.
Leônidas com sua marca registrada, a bicicleta, em jogo do São Paulo, no Pacaembu, nos anos 40
Enquanto Jorge Goulart deixa o palco, depois de cantar o Hino
do Bonsucesso, o papo retorna, com o Diamante Negro na berlinda.
Sobrenatural de Almeida: - A bicicleta, lance que ajudou a
consagrar o Leônidas, teve a minha contribuição, claro.
Coro: - Claro!
Sobrenatural de Almeida: - Na primeira rodada do Campeonato Carioca de 1932,
mais precisamente no dia 24 de abril, resolvi ir ao antigo Campo da Estrada do
Norte, hoje Estádio Leônidas da Silva, ex-Teixeira de Castro, que é o nome da
rua onde fica o Bonsucesso Futebol Clube.
Ceguinho Torcedor: - Naquele dia eu estava nas
Laranjeiras e vi o Fluminense empatar com o Bangu, em 2 a 2.
Sobrenatural de Almeida: - Pois então, naquele mesmo dia, o Bonsuça recebia o
Carioca, time que fez muito sucesso no futebol de salão muitos anos depois, mas
que no campo era saco de pancadas. Já tinham me falado desse Leônidas e fui lá
pra ver se ele era aquilo tudo mesmo. Numa bola alta na área, o craque estava
de costas pro gol e de repente deu aquele salto inesperado e chutou, com o
corpo paralelo ao chão no ar. Uma coisa estranha daquela merecia o gol e dei
aquela ajudinha pra bola ganhar as redes. Foi o primeiro gol de bicicleta da
História.
João Sem Medo (rindo muito):
- Ainda bem que você achou estranho e não bonito. Se achasse bonito, era capaz
de desviar a bola pra fora.
Idiota da Objetividade: - O paulista Petronilho de Brito
reivindicava pra ele a invenção da bicicleta no futebol. Chilenos, argentinos e
italianos também diziam que compatriotas seus é que teriam inventado a jogada.
Ceguinho Torcedor: - Bobagem, Idiota. Leônidas da
Silva mesmo nunca quis se vangloriar como inventor, mas como aquele que
difundiu a jogada. Ele, um craque brasileiro, é que mostrou a jogada pro mundo.
Eu vi! Ou melhor, eu senti e sei. O mundo todo sabe.
De repente, eis que de repente, entra no Além da Imgainação,
ele, o Diamante Negro.
Todos: - Leônidas!
É
ovacionado e levado ao palco, com a imagem de um gol de bicicleta seu, feito
especialmente para o filme “Suzana e o presidente”, de 1951, no telão.
Todos vibram com o gol como se tivesse
ocorrido naquele momento, num jogo de verdade.
Leônidas da Silva: - Obrigado. Esse aí não foi de verdade, foi pra um filme.
Mas ficou bonito. O Ceguinho está certo, ouvi o que ele disse. Eu posso me
considerar talvez o homem que difundiu a bicicleta, porque fazia com mais
constância esses lances e talvez tivesse sido mais feliz, mas não tenho a
veleidade de ser o criador, o autor, do lance de bicicleta, não.
Ceguinho Torcedor: - Leônidas, você pode nos contar como foi aquele gol de
meião na Copa de 38?
Leônidas da Silva: - No segundo tempo do jogo com a Polônia, o campo pesado,
com a chuva que caiu, barro, acabou a chuteira ficando uma boca de jacaré.
Descolou a sola da parte superior e eu não podia ficar com aquilo. Então, tirei
e joguei fora a chuteira e comuniquei ao técnico pra arrumar outra. Mas eu
tenho um pezinho delicado, tamanho 36, então não foi fácil encontrar na Europa
um tamanho desse, nem mesmo na minha equipe. Pediram a um dos garotos,
gandulas, que apanham a bola fora do campo, uma botina daquelas até que
encontrei uma 38. Acabei jogando com ela.
Garçom: - Marcelinho Carioca podia estar lá naquela época.
Leônidas da Silva(rindo): - Verdade, ele calça a mesma coisa, né?
Alguém na plateia: - Marcelinho calça até menos, 35.
Leônidas da Silva: - Ih, então ia ficar apertado. (ri). Ou melhor, mais
largo ainda, com a botina que arrumaram pra mim. Mas antes que eu conseguisse
uma chuteira, ia ser cobrada uma falta contra a Polônia e eu fiquei “desuniformizado”.
Chovia, o juiz não se apercebeu. Nós não tínhamos meia branca, na época jogávamos
com meias pretas. Então, com a lama também, o juiz não tenha observado. As
chuteiras também tinham a cor escura, e eu fiquei na jogada, a bola bateu na
barreira e eu aproveitei o lance e fiz o gol.
João Sem Medo: - E por que você não pôde jogar contra a Itália, Leônidas?
Leônidas da Silva: - João, houve muita conversa de bastidores e que o Pimenta
queria me poupar pro jogo contra a Itália, não sei o quê.
Idiota da Objetividade: - Só pra esclarecer pra quem não sabe: Ademar Pimenta
era o técnico da seleção brasileira na Copa de 38.
Leônidas da Silva: - Isso mesmo, “seu” Idiota. Então ele me lançou no jogo
contra a Tchecoslováquia, quando me contundi e não pude jogar contra a Itália.
Mas não foi nada disso, não. O sistema do campeonato do mundo naquela época era
eliminatório desde o início, jogou, perdeu, cai fora. Jogamos contra a Polônia,
decidimos na prorrogação, ganhamos de 6 a 5. Jogamos contra a Tchecoslováquia e
tivemos que realizar dois jogos, porque nem na prorrogação decidiu. Aí, duas
horas de futebol e terminou empatado. Então houve praticamente um terceiro
jogo, que foi quarenta e oito horas depois. O Pimenta não tinha centroavante
porque o meu reserva não tinha condição de jogo, era o Niginho. Ele estava
inscrito pela Federação Italiana, considerado jogador italiano e,
equivocadamente, o Brasil levou o Niginho pra Copa do Mundo.
João Sem Medo: - Como sempre a cartolada fazendo bobagens, sem conhecer o
mínimo, que é o regulamento da competição.
Leônidas da Silva: - Mas acreditando que eu pudesse jogar todas as partidas. Houve
um princípio de lesão na partida em que jogamos duas horas. Aí o Pimenta disse:
“Não adianta poupar você, porque se for poupar você pro jogo contra a Itália,
na quinta-feira, se nós perdermos na terça-feira, não vamos jogar contra a
Itália. Então vamos correr o risco”. Então eu joguei na terça-feira, contra a
Tchecoslováquia, e não tive condição de jogar na quinta-feira.
João Sem Medo: - O Pimenta agiu certo, até porque naquela época não havia
substituição.
Leônidas da Silva: - É
isso. Muito obrigado a todos, foi só uma passada rápida a convite do Zé Ary.
Abraços.
Garçom: - Muito
obrigado, “seu” Leônidas. Mas antes que o senhor vá embora. Queria chamar ao
palco novamente Carmen Miranda para cantar uma música da Copa de 38.
Leônidas
recebe Carmen Miranda no palco, a cumprimenta, deixa o palco e se senta ao lado
para assistir à apresentação. A plateia aplaude Leônidas e Carmen, de pé.
Carmen Miranda: - Esta música que vou cantar acompanhada deste
maravilhoso conjunto, foi composta por Alcyr Pires Vermelho e Alberto Ribeiro.
Apesar de não falar no futebol se tornou o tema da seleção brasileira na Copa
do Mundo de 1938. Chama-se “Paris”. Em 98, quando foi disputada outra Copa do
Mundo na França, a queridíssima Elba Ramalho regravou esta música, com minha
“participação”.
É aplaudidíssima novamente.
Modificado e republicado em 9 de setembro de 2024
Fim do capítulo #12
Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país. Saiba mais clicando aqui.
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Desde que resolvi criar esta série pensava em Nina Simone. Mas qual música escolher, entre tantas composições dela e gravações de obras de Beatles, Bob Dylan, Leonard Cohen e tantos outros em que ela pôs (impôs) com personalidade única a sua marca de grande musicista, cantora e compositora?
Eis que, ouvindo a rádio ABC, da Austrália, como tenho feito diariamente para estudar inglês, num dos programas da BBC que entram durante a madrugada de lá, tocou a parte inicial desta joia. Aí, a dúvida foi-se embora e a primeira de Nina a aparecer por aqui foi escolhida: "Feeling good", dos ingleses Anthony Newley e Leslie Bricusse.
Ao procurá-la no Google, veio de primeira este vídeo oficial que achei perfeito, embora sempre prefira colocar o artista executando a sua música. Mas a dança de Raianna Brown me conquistou à primeira vista. Portanto, convido você a curtir a música, a dança, as interpretações, ou seja, o vídeo inteiro. Não percamos tempo!
Seleção brasileira na Copa do Mundo de 1934, disputada na Itália
Após a ovação a Carmen Miranda e Lamartine Babo, João Sem
Medo reinicia o papo.
João Sem Medo: - Meus amigos, em 34, a delegação brasileira viajou 15 dias
de navio para a Itália e, em 90 minutos, a vaca foi pro brejo. Isso, apesar de
os quase 30 mil presentes no estádio Luigi Ferraris, em Gênova, fora os que
subiram morros e telhados próximos, terem torcido pro Brasil.
Idiota da Objetividade: - O Brasil saiu perdendo de 3 a 0 pra Espanha no
primeiro tempo e quando tentou reagir na etapa final ficou difícil. Houve um
gol anulado, marcado pelo Luizinho, depois Waldemar de Brito perdeu um pênalti,
defendido pelo grande goleiro Zamora, e a seleção brasileira foi derrotada pela
espanhola por 3 a 1 e foi eliminada da Copa do Mundo logo na estreia.
João Sem Medo: - O gol do Brasil foi de um tal de Leônidas. Conhecem, né?
Ceguinho Torcedor: - Evidentemente. Ele foi a nossa
grande figura em 38. Saímos daqui muito otimistas, houve uma longa preparação, a
delegação chegou à França quase um mês antes do início da Copa e lá fizemos
nossa primeira boa apresentação num Mundial. Ficamos em terceiro lugar, e
Leônidas da Silva, o Diamante Negro, pôde assombrar o mundo com seu futebol de
outro mundo.
Garçom: - E pra abrilhantar ainda mais este grande encontro e homenagear
Leônidas da Silva, os Vocalistas Tropicais estão aqui pra cantar “Diamante
Negro”, de David Nasser e Marino Pinto.
Todos aplaudem.
Nilo
Xavier da Mota: - Obrigado, obrigado. É uma honra pros Vocalistas
Tropicais estarmos aqui neste palco pra participar desta tabelinha entre
futebol, muito bem representados por estes craques aqui na mesa principal, e música,
a música brasileira. Vamos então a essa homenagem musical ao grande Leônidas da
Silva.
São, mais uma vez, muito aplaudidos.
Garçom: - Muito
obrigado, Nilo Xavier da Mota,
Raimundo Evandro Jataí de Sousa, Artur Oliveira, Danúbio Barbosa Lima
e Arlindo Borges.
Após a apresentação dos Vocalistas Tropicais, Leônidas da
Silva passa a ser o centro da conversa no Além da Imaginação. Pairou até uma
expectativa no ar se o Diamante Negro apareceria de surpresa...
Idiota da Objetividade: - Leônidas foi o primeiro
brasileiro a ser artilheiro de uma Copa do Mundo, com 7 gols. A campeã, ou
melhor, bicampeã, foi a Itália, que venceu o Brasil na semifinal por 2 a 1.
Leônidas não jogou contra os italianos, porque, segundo o técnico Ademar
Pimenta, estava machucado. Aquela Copa foi disputada em sistema eliminatório.
Sobrenatural de Almeida: - É o sistema que eu mais gosto: o
mata-mata. hahahaha
Idiota da Objetividade: - O Brasil estreou na França com
uma vitória de 6 a 5 sobre a Polônia, na prorrogação. Leônidas fez três gols.
Ceguinho Torcedor: - Espetacular Leônidas! Sensacional
também Domingos da Guia. Nosso guardião da zaga começou o jogo com 38 graus de
febre, que só piorou com a chuva que começou a cair pouco antes do jogo.
Sobrenatural de
Almeida: - Com a
minha intervenção ele salvou milagrosamente um gol na prorrogação, quando o
Brasil vencia por 5 a 4. Batatais já estava fora do gol. No rebote, Willimonski
ia fazer o gol, mas dei uma desviadinha e a bola acertou a trave
Ceguinho Torcedor: - Domingos da Guia foi outro grande
herói do nosso scratch.
João Sem Medo: - No fim da partida, ele e Leônidas,
que andavam meio brigados, se abraçaram emocionados.
Idiota da Objetividade: - Este foi o primeiro jogo de uma
Copa do Mundo transmitido por uma rádio brasileira, a Rádio Clube do Brasil, do
Rio de Janeiro. A narração foi de Gagliano Neto.
Ceguinho Torcedor: - O povo pôde ouvir o jogo na voz do
grande “speaker”, como se falava na época.
Sobrenatural de Almeida: - O presidente Getúlio Vargas mandou instalar
alto-falantes nas praças e outros locais públicos pra que todo mundo pudesse
ouvir.
Idiota da Objetividade: - O pernambucano Leonardo Gagliano
Neto já havia sido o pioneiro na narração de um jogo da seleção brasileira, um
ano antes, durante o Campeonato Sul-Americano disputado na Argentina, pela
Rádio Cruzeiro do Sul.
João Sem Medo: - O Getúlio, simpatizante do regime
fascista de Mussolini, mandou três telegramas pro Gagliano pedindo que ele
maneirasse nas emoções durante a semifinal contra a Itália. Getúlio depois
elogiou o locutor, mas muita gente disse na época que Gagliano criticou muito o
árbitro pelo pênalti, no mínimo duvidoso, de Domingos da Guia em Piola.
Ceguinho Torcedor: - O rádio é meu veículo predileto,
por motivos óbvios. E aquele jogo contra a Polônia foi de matar um do coração.
Saímos com 3 a 1 do primeiro tempo, mas os poloneses cresceram na segunda etapa
e empataram. Fizemos o quarto, mas faltando um minuto pro fim, eles igualaram o
marcador novamente: 4 a 4. Na prorrogação, Leônidas meteu dois, um com a
chuteira rasgada, gol de meião e, quando a Polônia fez o quinto, já era tarde. Chorei
lágrimas de esguicho, mas de alegria.
Idiota da Objetividade: - Nas quartas-de-final, contra a
Tchecoslováquia, foram necessários dois jogos, pois o primeiro terminara
empatado em 1 a 1, e não havia disputa de pênaltis naquela época. Dois dias
depois, os times voltaram a se enfrentar muito desfalcados, mas o Brasil tinha Leônidas
e ganhou por 2 a 1, com um gol do Diamante Negro, que já havia marcado no
primeiro embate contra os tchecoslovacos. Mais dois dias, o time brasileiro
estava extenuado, com Leônidas fora, e a Itália venceu a semifinal por 2 a 1.
Na disputa do terceiro lugar, Leônidas marcou dois e o Brasil derrotou a Suécia
por 4 a 2.
Ceguinho Torcedor: - Dizem que na Copa de 38 ele teria
feito um gol de bicicleta que espantou o público e foi anulado pelo árbitro por
não conhecer a jogada. Eu não vi, não posso falar. Você viu, João? (João finge que não escutou)
João Sem Medo: - Música, maestro!
Jorge Goulart (já no palco): - Às suas ordens,
mestre João Sem Medo! Vamos com a Marcha do Bonsucesso, que destaca Leônidas
como o maioral.
Jorge Goulart (muito aplaudido): - Esta marcha, do Lamartine
Babo, que aqui nos dá a honra de sua presença, acabou sendo oficializada
posteriormente como hino do Bonsucesso. Obrigado, minha gente.
Modificado e republicado no dia 5 de setembro de 2024
Fim
do capítulo #11
Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país. Saiba mais clicando aqui.
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