MÚSICA PRA VIAGEM: SANGUE LATINO

Música pra Viagem: Sangue latino

A potência poética e musical dos Secos & Molhados arrebatou milhões de brasileiros, inclusive crianças como eu. As caras pintadas, as fantasias, o rebolado de Ney Matogrosso, além de sua voz incomum, talvez sejam o que mais tenha chamado a atenção logo de primeira naqueles Anos de Chumbo. O sucesso foi estrondoso e não pude ignorar, mesmo tendo 6 para 7 anos em 1973, quando o primeiro LP do grupo foi lançado.

Secos & Molhados, no Maracanãzinho, em cena usada na arrepiante abertura do "Fantástico", de 1974

Dentre os maiores sucessos, "O vira" e "Sangue latino" foram os que mais me agradaram naquela época. Com o passar do tempo, outras foram incorporadas às minhas predileções musicais, como "Fala", posteriormente gravada por Ritchie, "Rosa de Hiroshima", "Amor", "Primavera nos dentes" e "O patrão nosso de cada dia", além de outras do segundo disco, como "Flores astrais", por exemplo. 

Porém, é "Sangue latino" que permanece na minha lista desde o princípio e, por isso, foi (a primeira) escolhida do grupo para entrar na série "Música pra viagem". 

Veja também:

A força dos Secos & Molhados e Ney Matogrosso

Capa do LP de estreia, em 1973
"Sangue Latino" é um clássico da música brasileira, composto por João Ricardo e Paulinho Mendonça, e lançado no álbum de estreia dos Secos & Molhados, em 1973. A canção capturou a essência da resistência cultural, unindo poesia e teatralidade, em um período marcado pela repressora, torturadora e falsa moralista ditadura militar.

Com versos marcantes, como os que dão início à música ("Jurei mentiras e sigo sozinho, assumo os pecados"), a música reflete temas de identidade, liberdade e luta, tornando-se atemporal e muito influente. Afinal, eles romperam tratados e traíram os ritos vigentes, impostos pelos militares e os civis que os seguiam.

Uma revolução musical

Formado por João Ricardo, Ney Matogrosso, Gerson Conrad e outros músicos convidados, o grupo se destacou por sua mistura única de música, poesia e performance. Com influências que iam do rock ao folclore brasileiro, eles criaram um estilo inédito e audacioso. Sua estética visual, marcada por maquiagens elaboradas, inspiradas pelo teatro japonês Kabuki e figurinos extravagantes, foi uma ruptura com os padrões da época.

Veja também:
A melhor propaganda de todos os tempos
Lamascast traz "Amores", carro-chefe do ebook "Sutilezas"

O primeiro álbum, que inclui "Sangue Latino", vendeu mais de 1 milhão de cópias, um feito impressionante para o cenário musical brasileiro dos anos 70. Apesar de sua breve existência, principalmente com Ney Matogrosso, que só gravou dois álbuns com a banda, os Secos & Molhados deixaram um legado duradouro na música e na cultura nacional. E há, até hoje, uma fortíssima desconfiança de que o Kiss, banda de rock americana, os imitou no que se refere às maquiagens.

Uma voz e presença únicas

Ney Matogrosso, com sua voz aguda e interpretação intensa, tornou-se o rosto (maquiado) mais reconhecido dos Secos & Molhados. Sua performance em "Sangue Latino" combina força e delicadeza, expressando plenamente a mensagem da canção.

Após sua saída do grupo, Ney construiu uma carreira solo brilhante, explorando diversos gêneros e consolidando-se como um dos maiores artistas do Brasil. Hoje, com mais de 80 anos, continua em impressionantes formas física e vocal, ainda a inovar e encantar plateias, mantendo-se relevante mesmo num momento de completa pulverização dos streamings de música.

Show histórico no Maracanãzinho

A apresentação no Maracanãzinho, em 10 de fevereiro de 1974, foi um marco na carreira dos Secos & Molhados, consolidando-os como um fenômeno da música brasileira. O show fez parte de uma turnê de 369 apresentações em um ano e atraiu naquela noite cerca de 20 mil fãs e um número ainda maior do lado de fora, impulsionando o grupo a recordes de público e vendas de mais de 1 milhão de discos.

Aquele espetáculo histórico foi a primeira vez que uma banda nacional se apresentou como atração solo no Maracanãzinho, abrindo caminho para que ginásios de esportes fossem considerados viáveis para shows de artistas nacionais. A apresentação histórica levou a TV Globo a enviar suas câmeras para registrar a noite, aumentando ainda mais a visibilidade do grupo. Após o show, a fama do grupo se espalhou para outros países, com notícias em revistas como a "Billboard" e sucesso no México.

Veja também:

Durante o show, houve um momento de tensão quando o público tentou se aproximar do palco e foi contido pela polícia, o que levou Ney Matogrosso a interromper a apresentação até que a situação fosse resolvida.

O show no Maracanãzinho, em fevereiro de 1974, foi um marco histórico para a música brasileira

Assista e redescubra "Sangue Latino"

Veja a apresentação de "Sangue Latino" com os Secos & Molhados na TV Cultura/Rede Tupi (Diários Associados):

 

 Assista também a uma espetacular releitura que Ney Matogrosso fez da música em sua carreira solo:

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #25

Uma coisa jogada com música - Capítulo #25

Ao fim da homenagem de José Messias a Garrincha, houve rápida dispersão. Zé Ary, como ótimo mestre de cerimônias que vinha se revelando, fez a bola girar com um novo tema lançado para os nossos amigos.

Garçom: - O futebol tem cada expressão, né? Tem umas que acho muito curiosas e não sei de onde vieram. Zebra, por exemplo...

João Sem Medo: - Zé Ary, a expressão foi criada pelo técnico Gentil Cardoso na década de 60. Gentil, que é também o autor da frase “quem desloca recebe e quem pede tem preferência”, era técnico da Portuguesa da Ilha do Governador e antes de um jogo em 64 contra o Vasco disse que se seu time vencesse seria como dar a zebra no jogo do bicho.

Garçom: - Não tem zebra no jogo do bicho!

João Sem Medo: - Pois, então. A Portuguesa venceu por 2 a 1 e o termo ficou pra sempre.

Zebrinha do "Fantástico", criação de Borjalo

Ceguinho Torcedor: - É, João, mas você criou várias também. Algumas eram do Neném Prancha e você levou pro rádio, não foi?

João Sem Medo: - Neném Prancha foi meu treinador na praia. Meu, do Heleno de Freitas, do Sandro Moreyra... Lembra disso, né? (fala em direção a Neném Prancha, que concorda com um gesto) Ele era, ou melhor, é um grande frasista. Diz as mais famosas, aí, Neném!

Neném Prancha se levanta pra se dirigir a João e ao público.

Neném Prancha: - Obrigado, João. Bom, algumas das que criei foram “Jogador de futebol tem que ir na bola com a mesma disposição com que vai num prato de comida”; “Futebol é muito simples: quem tem a bola ataca; quem não tem defende”; “Se concentração ganhasse jogo, o time do presídio não perdia uma partida”; “Se macumba ganhasse jogo, o Campeonato Baiano terminava empatado”, “Futebol é uma caixinha de surpresa” e outras.

João, os amigos, o público, todo mundo aplaude no bar Além da Imaginação.

Garçom: - Esta última tem tudo a ver com a da zebra.

Sobrenatural de Almeida: - Caixinha de surpresa, zebra, isso tudo no futebol só existe por causa do papai aqui. Em 26, o São Cristóvão derrubou o favoritismo de Vasco, Flamengo e Fluminense e foi o campeão carioca.

Veja também:

Garçom: - Por falar em zebra, vamos então ouvir novamente o grande Zeca Baleiro, que é torcedor do Maranhão Atlético Clube, o famoso MAC, de São Luís. “Deu zebra” é o nome da música.

Terminada a música nas caixas de som do bar, Ceguinho retoma a pelota.

Ceguinho Torcedor: - O São Cristóvão foi campeão em 26 porque foi um clube à frente do seu tempo. Mario Filho, o Criador das Multidões, relatou isso no seu livro eterno: “O negro no futebol brasileiro”. Já naquela época o São Cri-Cri tinha um ônibus e seus atletas treinavam correndo nas areias da praia de Copacabana de chuteira e meiões. Os atletas do São Cristóvão chegando uniformizados à praia pareciam os aliados desembarcando na Normandia no Dia D!

João Sem Medo: - Um dia inesquecível, meus amigos! Tive a honra de desembarcar na Normandia ao lado do Marechal Montgomery.

Alguns na plateia não conseguem segurar o riso, mas João não percebeu ou fingiu que não ouviu. Sobrenatural de Almeida aproveitou a deixa no vácuo e retomou o assunto.

Sobrenatural de Almeida: - Olha, senhoras e senhores, além de uma forcinha minha, o segredo mesmo do São Cristóvão era o mingau da Negra Balbina e as gemadas com ovos da granja de Álvaro Novais. Coisa de outro mundo! Hahahaha

Ceguinho Torcedor: - Aquele era um time com saúde de vaca premiada!

Veja também:

Idiota da Objetividade: - O São Cristóvão foi campeão carioca de 1926 com uma campanha de catorze vitórias, dois empates e duas derrotas. O título veio após uma goleada de 5 a 1 sobre o Flamengo, que seria o quinto colocado, no antigo estádio da Rua Paissandu. A equipe que entrou em campo para a última partida formou com Paulino; Póvoa e Zé Luiz; Julinho, Henrique e Alberto; Osvaldo, Jaburu, Vicente, que foi o artilheiro do campeonato, com 25 gols, Baianinho e Teófilo. Participaram da campanha também Doca, Mendonça, Martins e Luis Vinhaes, que depois se tornou o técnico do time. Foram ao todo 70 gols marcados e 37 sofridos.

João Sem Medo: - É bom lembrarmos que, sete décadas depois, o São Cristóvão revelou o Ronaldo, que passou a ser chamado de Fenômeno na Itália.

Garçom: - Verdade, seu João! Vamos aproveitar então para fazer uma homenagem ao São Cristóvão?

Todos concordam.

Garçom: - Quase todo o time campeão de 26 está aqui. Peço que se levantem e sejam aplaudidos, por favor.

São muito aplaudidos, especialmente o artilheiro Vicente, quando apresentado.

Garçom: - Bom, vamos chamar ao palco um dos grandes cantores da história da nossa música para cantar a Marcha ou hino popular do São Cristóvão, composta por Lamartine Babo, que já se apresentou aqui e também merece aplausos. Com as senhoras e os senhores: Silvio Caldas.

Lamartine, primeiro, Silvio Caldas, depois, agradecem os aplausos.

Silvio Caldas: - Muito obrigado. Com muita honra gravei o hino deste clube tão tradicional do futebol brasileiro. Ainda mais porque eu nasci na Rua São Luiz Gonzaga, número 209, no bairro de São Cristóvão, o bairro imperial carioca.

Fim do Capítulo #25

Episódio originalmente publicado em 20 de julho de 2022 e republicado totalmente modificado em 4 de fevereiro de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
Saiba mais clicando aqui.
 

Siga o perfil do projeto Jogada de Música no Instagram, 
clicando aqui ou apontando o seu celular para o QR Code abaixo.


UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #24

Uma coisa jogada com música - Capítulo #24

Garrincha em ação em clássico contra o Vasco, no Maracanã

Em meio à festa após a execução do trecho inicial da ópera “Carmen” por causa do olé de Garrincha no argentino Vairo, adivinha quem aparece? Ele mesmo, Mané Garrincha.

Garrincha: - Ô, seu João, que lembrança boa. Muito obrigado.

João Sem Medo vai abraçar o Mané, levando Ceguinho Torcedor consigo. Sobrenatural de Almeida e Idiota da Objetividade também cumprimentam o grande ídolo. Zé Ary faz reverências ao Anjo Torto e todos o seguem na homenagem.

Garrincha (emocionado): - Obrigado, gente.

Garçom: - Vamos ouvir a continuação da história, que é maravilhosa.

João Sem Medo: - O Estádio Universitário quase veio abaixo com aquele espetáculo tão integrado entre o futebol e a música. O Vairo não foi até o fim do jogo, claro. O técnico do River, meu amigo Minella, o substituiu. O Vairo saiu de campo bem perto do nosso banco e estava sorrindo: “No hay nada que hacer. Imposible”. E ainda gozou com o reserva que ia entrar: “Buena suerte, muchacho. Pero antes, te aconsejo que escribas algo a tu mamá”.

Músico: - Hoje, ele falaria pro substituto mandar um zap pra mãe!

Todos riem muito. 

Veja também:

Garçom: - Bom, minha gente. Depois do gênio das Pernas Tortas, vamos trazer aqui no palco do Além da Imaginação um mestre do choro: Jacob do Bandolim!

Jacob do Bandolim vai com seu instrumento ao palco, cumprimenta antes os 4 amigos, Zé Ary, os músicos, a plateia, que o aplaude efusivamente, e acena pra Mané Garrincha.

Jacob do Bandolim: - Agradeço muito. Bom, não posso tocar outra música agora que não seja “A  ginga do Mané”.

Garrincha: - Assim vocês vão me arrebentar de emoção.

Aplausos gerais para Jacob e Mané.


Ao fim da execução com maestria, novamente todos aplaudem muito, tanto Jacob, quanto Garrincha, que foi ao palco. Os dois se abraçam, e a ovação é total da plateia.

Ceguinho Torcedor: - Olé! A música e essa história são excelentes, João. Excelentes!

Garçom: - O México então criou o olé dentro de campo e a “ola”, fora, seu João?

João Sem Medo: - É verdade.

Idiota da Objetividade: - A "ola" surgiu para o mundo na Copa do Mundo de 1986 e é feita por torcedores de muitos países até hoje nos estádios em competições dos mais variados esportes. "Ola", em espanhol, significa onda.

Ceguinho Torcedor: - É mesmo uma verdadeira onda que gira em torno do estádio... Eu não vejo, mas sinto toda a vibração.

Com a sugestão no ar, um grupo perto do palco começou a "ola", que ficou rodando pelo Bar Além da Imaginação, com a participação de todos, até do Ceguinho Torcedor, por um bom tempo.


Veja também:

Garçom: - Gente, vamos aproveitar a presença de Garrincha aqui pra mais uma homenagem musical. Ele merece muito, não é?

Todos concordam e aplaudem.

Garçom: - Então vamos chamar ao palco o grande José Messias pra cantar “Garrincha cha”, de Rutinaldo Silva.

Todos aplaudem José Messias.

José Messias: - Muito obrigado. É um grande prazer estar aqui em meio a tantas feras do futebol pra cantar essa homenagem ao grande Mané Garrincha. Vamos lá!


Todos dançam e aplaudem, inclusive Garrincha.

Fim do Capítulo #24

Episódio originalmente publicado em 13 de julho de 2022 e republicado totalmente modificado em 31 de janeiro de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
Saiba mais clicando aqui.
 

SÓ HÁ PRESENTE

Só há presente

Imagem criada por Leonardo.AI

O futuro já passou há muito tempo
Isso que você pressente
É o presente
Sempre, 
Sempre, 
Sempre.
Eternamente
Sempre.

Sem presente
Você só pressente
Por mais que sonhe
Por mais que tente
Por mais que lembre
Só há presente

Agora
O futuro foi embora
O passado o ignora
E é este instante que
Se faz presente.
Sempre.
Eternamente. 
Sempre.


Imagem criada por Leonardo.AI

Veja também:


Provavelmente inspirado pelas leituras e releituras (em loop) dos livros "O poder do agora" e "Praticando o poder do agora", de Eckhart Tolle, me surgiram os primeiros versos acima. Depois fui moldando, modificando, testando, até chegar ao que você (provavelmente) leu. 

É um primeiro passo meu para aceitar o que é e viver o presente sempre. Eternamente sempre. E sigamos em frente que desistir não faz parte dos meus planos.

Você, o que pensa agora? Deixe sua curtida no blog, seu comentário, sugestão. Agradeço, sempre.

Imagem criada por Leonardo.AI
Imagem criada por Leonardo.AI

Veja também:
Música pra viagem: Mirrorball
Conexões


Siga o perfil do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva no Instagram, 
clicando aqui, ou apontando o seu celular para o QR Code abaixo.


Mensagem publicitária

Clique na imagem acima para adquirir
o ebook, 
com amor, paixão e surpresas.
Quem lê recomenda!

ROCK IN RIO QUARENTÃO

Título da Postagem

Quem foi ao primeiro Rock in Rio não esquece. Até quem não foi também deve ter em boa lembrança. Embora não tenha sido a melhor edição das três que pude presenciar (as outras foram em 2001, pra mim a mais bacana, e 2011), o de 1985 inaugurou inclusive uma nova fase na minha vida.

Pode parecer exagero, mas pelo tanto que a música ocupa em minha vida, aquele festival modificou, sim, muito do que eu escutava e isso começou assim que foi anunciado. Em 1984 ainda, eu, amigos, amigos dos amigos e conhecidos nos reunimos no apartamento que eu e meus irmãos morávamos com meus pais para ouvirmos no nosso aparelho de som, LPs das bandas que viriam e outras de roquenrol que eu nem imaginava que existiam.

Aliás, alguns artistas que vieram ao Rock in Rio eu nunca tinha ouvido falar, como Nina Hagen, Go Go's e B 52's, por exemplo. Vi os dois últimos grupos no dia 18 e não gostei. Na verdade só confirmei ao vivo o que já tinha ouvido antes.

E a expectativa foi aumentando, ainda mais depois que comprei os meus ingressos, pros dias 18, 19 e 20 de janeiro. Inexperiente em festivais na época, fui tão afoito à Cidade do Rock e nos dias de mais lamaçal, por causa das chuvas, que acabei, mesmo com 18 para 19 anos de idade, não conseguindo ter forças para ir no último dia e assistir ao show do Yes, a banda que eu mais queria ver.

Veja também:
Música pra viagem: Soon
O inesquecível show do Queen

Mas ficaram na memória, claro, momentos memoráveis, principalmente de Queen, Pepeu e Baby, Whitesnake, Scorpions e AC/DC. E as lembranças de ter ido com meu irmão e amigos naqueles dois dias inesquecíveis. Há 40 anos!

Os ingressos dos dias 18 e 19 de janeiro de 1985 que ainda tenho guardados comigo

O nascimento do festival

O primeiro Rock in Rio, realizado de 11 a 20 de janeiro de 1985 no Rio de Janeiro, marcou a história dos grandes festivais de música. Idealizado por Roberto Medina, o evento se destacou por sua magnitude e por trazer artistas de renome internacional ao Brasil. Foram dez dias de shows, que atraíram mais de 1,38 milhão de pessoas à "Cidade do Rock".

Os artistas brasileiros

O line-up incluiu bandas e artistas históricos como Queen, Iron Maiden, AC/DC, e James Taylor. Cada performance foi memorável, mas o show do Queen é frequentemente lembrado como um dos melhores, com Freddie Mercury, em duas apresentações da banda, liderando o público em um coro emocionante durante "Love of My Life". 

Além das bandas internacionais, o festival também deu destaque aos artistas brasileiros, como Gilberto Gil, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso. A mistura de talentos locais e internacionais ajudou a criar um ambiente único e multicultural. O primeiro Rock in Rio não só trouxe mais visibilidade para a música brasileira, também abriu portas para futuras edições desse e de outros festivais no país.

Veja também:
Os 20 anos do melhor Rock in Rio de todos os tempos
"Bohemian Rhapsody", emocionante rock dos branquelos loucos

A infraestrutura do evento foi um marco à parte. A "Cidade do Rock" tinha uma área de 250 mil metros quadrados, com uma imensa estrutura de palco, som e iluminação nunca antes vista no Brasil. Além disso, foram montadas tendas de alimentação, áreas de descanso e zonas de lazer, proporcionando uma experiência completa para os fãs de música.

A Cidade do Rock ficou lotada nos 10 dias de festival. Foto: divulgação/Rock in Rio

O legado

O impacto do primeiro Rock in Rio foi imenso, não só no cenário musical, mas também cultural. O festival mostrou que o Brasil era capaz de organizar eventos de grande porte, em condições de atrair a atenção mundial. Isso pavimentou o caminho para o país se tornar um destino importante no circuito internacional de shows e eventos culturais.

Depois da primeira edição, o Rock in Rio só voltaria em 1991, no Maracanã, e posteriormente, em 2001, em outro local de Jacarepaguá. A partir da década passada passou a ser realizado com mais frequência, expandindo-se para outras cidades e países, incluindo Lisboa e Madrid. 

No entanto, a edição de 1985 permanece na memória como um divisor de águas e um exemplo de como a música pode unir pessoas de diferentes culturas e origens. 

Veja também:
Música pra viagem: Flight of Icarus
Nau Poesia: Oração dos marginais (We are the losers)

Pra fechar, o trecho mais emocionante de "Love of my life" em 1985.


Mensagem publicitária

Clique na imagem acima para receber
mais sugestões de leitura.
Quem lê recomenda!

FELIZ ANO NOVO!

Feliz Ano Novo! O blog Eduardo Lamas Neiva entra em 2026 no seu 18º ano . Ao longo...

As mais visitadas