UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #31

Uma coisa jogada com música - Capítulo #31
Falcão, em 1979, no Internacional
Zenon, em 1978, no Guarani



A música de Taiguara é aplaudidíssima e ele sai ovacionado do palco.

Taiguara: - Muito obrigado!

Depois de agradecer ao público e aos músicos, ele dá um abraço em Zé Ary, João Sem Medo, Idiota da Objetividade e, quando chega a vez de Sobrenatural de Almeida, há um rápido papo.

Sobrenatural de Almeida: - Taí um dos maiores compositores da nossa música! Dá um abraço aqui. Você é Botafogo, né? (solta uma gargalhada)

Taiguara (rindo): - É lógico que não. Você sabe que minha torcida é aquela coisa linda, aquela torcida que mesmo nas fases terríveis que o Flamengo já passou, quando a torcida não tinha mais por que acreditar, compareceu até num festival da canção, em 1968, só pra torcer por um cantor, como foi meu caso, só porque ele falava no Flamengo. Uma coisa extraordinária!

Sobrenatural de Almeida (rindo): - Você sabe que eu gosto de provocar.

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Taiguara dá mais um abraço em Almeida, sai dando risadas e vai à sua mesa.

Garçom: - Nós que agradecemos a você, Taiguara. Bom, nós falávamos daquele CampeonatoBrasileiro de 79...

Idiota da Objetividade: - O Inter foi campeão invicto, o único até hoje.

João Sem Medo: - Numa final em dois jogos com o Vasco. O Internacional venceu as duas partidas e se fartou de merecer o título. No último jogo, talvez 3 a 0 fosse mais justo do que os 2 a 1.

Ceguinho Torcedor: - Aquele time do Inter era espetacular!

Idiota da Objetividade: - Benítez, João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Claudio Mineiro; Batista, Jair e Falcão; Valdomiro ou Chico Spina, que fez os dois gols da vitória no primeiro jogo, no Maracanã, Bira e Mário Sérgio. O técnico era Ênio Andrade.

João Sem Medo: - Um time harmonioso, bem estruturado e com um extraordinário meio-campo. O Batista mais plantado, o excepcional Jair não somente lançando, mas aparecendo para finalizar, e o Falcão jogando como sabia, isto é, uma espécie de guerrilheiro se metendo por onde lhe parecia melhor, como um homem livre, fazendo seu melhor jogo. Além desses três, Mario Sérgio e Bira foram os bonzões.

Garçom: - Como estamos falando daquele Inter de 79 e Falcão já tinha brilhado nos dois títulos anteriores, de 75 e 76, vou pôr na caixa de som uma dupla de craques gaúchos pra cantarem aquela música que tem saudade do Falcão e da galera no Beira-Rio.

A turma se alegra com a música, alguns cantam junto e dá uma descontraída, dando uma voltinha pra esticar as pernas. Porém, logo ao fim de “Deu pra ti”, de Kleiton e Kledir, a mesa principal está refeita  e disposta a levar a resenha adiante. Afinal, o papo é o melhor do futebol, como João Sem Medo já havia falado lá no início desta conversa.

Idiota da Objetividade: - Um ano antes, na temporada anterior a este título do Inter, dois times paulistas haviam disputado a final, com o surpreendente Guarani, de Zenon e o jovem Careca, de apenas 18 anos, sendo campeão em cima do Palmeiras.

Sobrenatural de Almeida: - Outra zebra formidável que eu aprontei! (solta sua risada medonha)

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João Sem Medo: - O caráter daquela conquista do Guarani deveria marcar o futebol brasileiro por muito tempo. Um time do interior do Estado de São Paulo, apenas o Santos tinha conquistado títulos nacionais. Mas o Santos constituiu uma exceção nacional e internacional. O êxito do Guarani foi diferente. Santos era ainda o grande porto, o maior porto do Brasil. Campinas fica lá dentro, naquela época ainda mais no interior mesmo, e seus clubes levavam todas as desvantagens que os das chamadas segundas cidades dos Estados sempre levaram.

Ceguinho Torcedor: - Amigos, como a finalíssima entre Palmeiras e Guarani esteve acima dos jogos da Copa daArgentina, naquele mesmo ano. Houve a maior rapidez, sem prejuízo da beleza, do virtuosismo. Eu afirmava naquela época que os cretinos fundamentais diziam de olho rútilo: “O Brasil não tem mais craques!”. Pois tinha – e ainda tem – muito mais do que se pensa. O Guarani levava a falsa vantagem do empate, mas venceu a partir do momento em que só se interessou pela vitória. Perseguiu o gol. E quando este aconteceu, eis o Guarani perseguindo outro gol. Pra todos nós o Guarani foi uma surpresa. Ouvi e vi o jogo com colegas e a toda hora alguém dizia: “Que cracaço de bola”.

João Sem Medo: - E olha que o Zenon não jogou o último jogo.

Idiota da Objetividade: - Foi substituído por Manguinha. Zenon estava suspenso por ter recebido o terceiro cartão amarelo no primeiro jogo, que ele mesmo decidiu, no Morumbi, em cobrança de pênalti.

Sobrenatural de Almeida: - O goleiro na hora do pênalti foi o centroavante Escurinho. Ele foi pro gol depois da expulsão do Leão. Sinistro!

Idiota da Objetividade: - O Palmeiras já tinha feito as duas substituições, como mandava a regra na época.  

Ceguinho Torcedor: - Na verdade, a nossa surpresa não tinha nenhuma razão. Se o Brasil quisesse, faria cinco escretes de igual valor. Por exemplo: um homem como Zenon. Em São Paulo, meus amigos só falavam de Zenon com elogios frenéticos. Zenon era realmente craque, comprovou isso no Corinthians e vestindo a camisa da seleção posteriormente. Mas o Guarani não era de um craque só, era um formidável time, no mundo não tinha outro maior.

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João Sem Medo: - Eu vi o Zenon jogando a primeira vez em 72 ou 73 lá na terra dele, em Itajaí...

Idiota da Objetividade: - Ele na verdade nasceu em Tubarão, João. Terra do Renato Sá também.

João Sem Medo: - Ah sim, isso mesmo, obrigado. Então foi em Tubarão... Ou em Itajaí mesmo, o jogo. Roubaram um time argentino, o Argentinos Juniors. Roubaram os gringos de uma maneira! O Zenon jogou esse jogo, era um monstro.

Idiota da Objetividade: - Ele depois jogou de 1972 a 75 no Avaí, onde foi campeão catarinense em 73 e 75, antes de se transferir pro Guarani.

João Sem Medo: - Eu nunca vi esse cara errar passe. Uma vez estava falando isso na televisão e ele errou um pênalti, já na época em que estava no AtléticoMineiro. Paciência. Mas era um monstro.


Garçom:
- Então, em homenagem àquele grande time do Guarani, vou pôr aqui no telão uma versão instrumental linda do hino do Bugre, tocado na viola caipira pelo cantor, compositor e multi-instrumentista Victor Hugo.


Todos aplaudem e elogiam muito.

Fim do Capítulo #31

Episódio originalmente publicado em 31 de agosto de 2022 e republicado totalmente modificado em 26 de março de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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MÚSICA PRA VIAGEM: ASHES ARE BURNING

Música pra viagem: Ashes are burning
Annie Haslam, Jon CampMichael Dunford, John Tout e Terry Sullivan. Foto melhorada com IA

"Ashes Are Burning" é uma das obras-primas do grupo inglês de rock progressivo Renaissance. Sou fã da banda desde a década de 80, quando a descobri, em especial da cantora Annie Haslam, apesar de ter levado uma bronquinha no Instagram por causa da foto desfocada que publiquei dela com Flávio Venturini, na ocasião em que destaquei nesta série a música "Poetry in the birds".

Gravada no álbum homônimo lançado em 1973, a música foi composta pela poetisa Betty Thatcher e Michael Dunford, guitarrista da banda. A formação do Renaissance durante esse período incluía, além de Annie Haslam nos vocais Michael Dunford na guitarra acústica, John Tout nos teclados, Terry Sullivan na bateria e percussão e Jon Camp no baixo. Andy Powell também participou do disco como guitarrista, embora seja mais conhecido por seu trabalho com a banda Wishbone Ash.

O álbum "Ashes Are Burning" é um marco na discografia do Renaissance, destacando-se pelo seu estilo único que combina elementos de rock progressivo com arranjos orquestrais. A música que dá título ao disco é uma reflexão sobre liberdade e mudança, com uma poesia que convida o ouvinte a seguir em frente, explorando novos caminhos. Para ouvir a música completa e ler as letras, você pode visitar o Spotify o site Letras.mus.br ou ver e ouvir no vídeo lá embaixo.

Veja também:


Mais sobre o grupo


O Renaissance é conhecido por suas performances ao vivo, que frequentemente incluem arranjos complexos e orquestrais. Embora "Ashes Are Burning" seja uma das faixas mais famosas do grupo, não há muitas gravações famosas de outras bandas que a tenham reinterpretado. No entanto, a música continua a ser uma das mais apreciadas pelo público do rock progressivo, ao lado de outras bandas como Le Orme e Triumvirat, que também exploram esse gênero musical.

Para saber mais sobre o Renaissance e sua discografia, você pode visitar o site Progbrasil, que oferece resenhas e detalhes sobre a banda. Além disso, para explorar mais sobre a música "Ashes Are Burning" e outras faixas do álbum, é possível ouvir a versão de estúdio da música no YouTube (basta clicar aqui).


Contracapa e capa de "Ashes are Burning". Foto melhorada com IA

A discografia do Renaissance tem os seguintes álbuns: ; "Ashes Are Burning" (1973), "Turn of the Cards" (1974), "Scheherazade and Other Stories" (1975), "Novella" (1977), "A Song for All Seasons" (1978) e "Azure d'Or" (1979).

Veja também:


Quem é a letrista da música?


Betty Thatcher
Betty Thatcher, cujo nome de nascimento era Betty Mary Newsinger, foi uma poetisa e letrista inglesa, nascida em 16 de fevereiro de 1944, em Londres. Ela é mais conhecida por suas contribuições como letrista da banda de rock progressivo Renaissance, com quem colaborou desde o álbum "Prologue" em 1972 até o final da década de 1970 e novamente nos anos 1990.

Betty Thatcher começou a colaborar com o Renaissance através de sua amizade com Jane Relf, irmã do ex-vocalista dos Yardbirds, Keith Relf. Seus textos foram enviados para Jim McCarty, que compunha músicas em torno das letras de Betty. Durante a década de 1970, ela escreveu letras para vários álbuns do Renaissance, incluindo "Ashes are Burning" e "Carpet of the Sun" no disco "Ashes Are Burning"; "Mother Russia", no "Turn of the Cards", e "Ocean Gypsy, no "Scheherazade and Other Stories".

Além de seu trabalho com o Renaissance, Betty Thatcher também colaborou com outros artistas, escrevendo letras para Annie Haslam em seu álbum "Still Life" em 1985, e para o álbum "K2" de Don Airey em 1989. Ela faleceu em 15 de agosto de 2011, em Hayle, Cornualha.

Para saber mais sobre Betty Thatcher e sua discografia, você pode visitar o site AllMusic, que oferece detalhes sobre suas contribuições musicais.

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Pra ouvir, ver e viajar


Agora, curta abaixo esta apresentação preciosa do Renaissance, em 1974, na emissora alemã RTL Studios. E deixe seu comentário, sugestão e, se gostar, siga o blog. Agradeço. 

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A PALAVRA É... #32

A palavra é... #32
Ilustração criada por IA

Esta série chamada "A palavra é...", que desde 2021 não atualizava, retorna agora com a vantagem de poder explorar a inteligência artificial na criação de imagens. Se antes eu usava o Canva para fazer as ilustrações, escolher o tipo de letra que considerava ideal e fazer a edição adequada, agora basta eu dar o comando (prompt) que preciso, com o neologismo que criei e (mágica!) em menos de um minuto tenho a imagem com a palavra inventada perfeitamente harmonizados.

Esta aí acima foi de primeira, não precisei fazer qualquer correção ou mesmo repetir o processo. Meu comando ao ChatGPT foi o seguinte: "Crie uma imagem de um paraíso idealizado, com um horizonte bem bonito, e o neologismo "Paraisonte" escrito em destaque dentro da imagem (sem as aspas), com o tipo de letra condizente, por favor".

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Espero que tenha agradado. Porém, mais do que isso, desejo que este neologismo, assim como os outros que publiquei anteriormente e os muitos outros que postarei aqui, façam algum sentido para você. Digamos que estes neologismos são a forma que encontrei de fazer a menor poesia possível. Poderíamos chamar de mini-poética, micro-poética ou, caso consiga algo ainda mais conciso, jamais menor (pois a poesia é sempre de uma grandiosidade incomensurável), uma nano-poética.

Depois que já tinha escrito quase tudo por aqui fiquei numa dúvida: Paraisonte ou Paraizonte, usando o "s" de Paraíso ou o "z" de Horizonte? Pedi então ao ChatGPT para repetir tudo, só modificando a letra e o resultado ficou um pouquinho diferente, mas gostei também. Veja abaixo:

Ilustração criada por IA

E você, o que acha de toda esta viagem? Gostaria de saber a sua opinião, só não traga indiferença, pois dela já ando por aqui. Se não curtir, é só dizer "prefiro não", ao modo Baterbly de ser. Se há um tanto de tanto faz, pelo menos há um retorno, que os anglicistas preferem chamar de "feedback" - e este nem é dos piores exemplos, muito longe disso, eles se acumulam dia a dia, para empobrecer mais ainda o nosso vasto e riquíssimo vocabulário quando - o que ocorre quase sempre - não traz algo que acrescente, que não tenha uma tradução equivalente em nossa Língua).

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Fico, então, no aguardo do seu comentário, vamos debater. Inclusive sobre o uso da IA, que tal? Neste e em muitos outros casos. Fico no aguardo. Ah, não deixe de curtir, seguir o blog e compartilhar, se gostar deste blog que atualizo na raça (e alguma pretensão de talento) desde 2008. Agradeço, volte sempre.

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UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #30

Uma coisa jogada com música - Capítulo #30

Tostão em jogo da seleção, no Maracanã. Foto: Curta Circuito, aprimorada com IA, e em vídeo abaixo criado também por IA

O povo do Bar Além da Imaginação dá uma rápida dispersada após a música de Tadeu Franco em homenagem ao Cruzeiro, mas o timaço de 1966 continua sendo lembrado pelos nossos debatedores.

João Sem Medo: - Tostão e Dirceu Lopes foram os grandes nomes daquele time do Cruzeiro. Os dois, mais o Piazza, foram titulares do time que escalei logo quando assumi a seleção, três anos depois.

Ceguinho Torcedor: - As feras do Saldanha!

Idiota da Objetividade: - Félix, Carlos Alberto, Brito, Djalma Dias e Rildo; Piazza, Dirceu Lopes e Gérson; Jairzinho, Pelé e Tostão.

Ceguinho Torcedor: - Aquele time do Cruzeiro e as Feras do Saldanha merecem todas as nossas homenagens.

Idiota da Objetividade: - Em especial Tostão, craque daquele time do Cruzeiro e o artilheiro da seleção nas eliminatórias para a Copa de 70.

Garçom: - Então, vamos ouvir “Tema de Tostão”, de Milton Nascimento?

Zé Ary vai ao aparelho e põe a música-homenagem para ressoar nas caixas de som do Além da Imaginação.




Músico: - Esta música foi composta por Milton Nascimento para o documentário “Tostão, a fera de ouro”, de 1970. O filme teve roteiro do escritor mineiro Roberto Drummond, autor entre outros de “Hilda Furacão”, e direção de Paulo Laender e Ricardo Gomes Leite.

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João Sem Medo: - A vitória do Cruzeiro em 66 fez finalmente a CBD ver que o futebol não se restringia a Rio e São Paulo.

Idiota da Objetividade: - É verdade. Para as Copas do Mundo, por exemplo, apenas cinco jogadores de clubes fora do eixo Rio-São Paulo haviam sido convocados até 66: o zagueiro Luz, do Grêmio, para a Copa de 34; o zagueiro Nena e o atacante Adãozinho, ambos do Internacional, para a Copa de50, e os atacantes Alcindo, do Grêmio, e Tostão, do Cruzeiro, para 66. Já para o México, em 70, Zagallo teve o mesmo número de jogadores que não eram de clubes do Rio ou São Paulo: Piazza, Fontana e Tostão, do Cruzeiro; Everaldo, do Grêmio, e Dario, do Atlético Mineiro.

Garçom: - Caramba, fomos bicampeões mundiais só com jogadores de times do Rio e de São Paulo, então. Não se dava muita atenção ao futebol de outros estados?

João Sem Medo: - Na verdade, os clubes de Rio e São Paulo eram mais fortes economicamente e traziam muitos atletas de outros estados. Jogando nos dois principais estados do país eles se destacavam mais e acabavam convocados.

Garçom: - Ah sim, como o AlmirPernambuquinho, o Zagallo, que é alagoano...

Ceguinho Torcedor: - Vavá, também pernambucano.

João Sem Medo: - Aquele título do Cruzeiro em 66 também fez nascer o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, que era o Rio-São Paulo mais clubes de Minas, Rio Grande do Sul e de outros estados.

Ceguinho Torcedor: - O Robertão, como era chamado, é que deu origem ao Campeonato Brasileiro.

João Sem Medo: - Muitos anos depois a CBF numa decisão estapafúrdia misturou os campeões da Taça Brasil e do Robertão com os do Campeonato Brasileiro.

Ceguinho Torcedor: - Mas o Robertão foi o Big Bang do Brasileirão!

João Sem Medo: - A Taça Brasil era um torneio eliminatório, parecido com a atual Copa do Brasil. A CBF misturou alhos com bugalhos e o Palmeiras acabou virando bicampeão brasileiro no mesmo ano, porque ganhou duas competições diferentes em 1967, a Taça Brasil e o Roberto Gomes Pedrosa.

Idiota da Objetividade: - Em 1971, após forte campanha da imprensa esportiva, a CBD instituiu o Campeonato Brasileiro. A criação do campeonato nacional, no entanto, mereceu críticas dos mesmos veículos que reivindicavam a competição, pois viam pouca diferença em relação ao Robertão e uma ingerência política muito grande para a escolha dos times.

João Sem Medo: - A Arena, partido da ditadura, se aproveitou do futebol para angariar simpatias. E o lema foi criado: “Onde a Arena vai mal, mais um time no Nacional. E onde a Arena vai bem, mais um time também”.

Garçom: - Teve campeonato com quase cem times!

Idiota da Objetividade: - Foi em 1979, quando o Internacional de Porto Alegre conquistou o seu terceiro e último Campeonato Brasileiro. Venceu de forma invicta a competição que teve 94 clubes.

Sobrenatural de Almeida: - Assombroso.

João Sem Medo: - E seriam mais, se alguns grandes de São Paulo não tivessem ficado de fora.

Idiota da Objetividade: - Os times de São Paulo queriam entrar apenas na terceira fase da competição. A CBD, que naquele mesmo ano por exigência da Fifa passaria a cuidar apenas do futebol e se tornaria CBF, não aceitou. Com isso, Corinthians, Portuguesa, Santos e São Paulo ficaram fora do Campeonato Brasileiro de 1979.

Garçom: - Caramba, seriam então 98 clubes!

João Sem Medo: - Confusão no tapetão e politicagem nunca faltaram no futebol brasileiro. Os cartolas atuais são elitistas e praticamente expulsaram o povão dos estádios.

Ceguinho Torcedor: - A alma dos estádios estava na geral com seus personagens magníficos. Dizem os idiotas da objetividade que torcida não ganha jogo. Pois ganha!

Idiota da Objetividade: - Pra mim futebol é onze contra onze, decidido no campo de jogo.

João Sem Medo: - Os cartolas sempre atrapalharam o futebol brasileiro e tentaram ganhar alguns jogos na mão grande. Naquela época, do Brasil gigante, do ame-o ou deixe-o, com o campeonato inchando de clubes a cada ano, muito mais preocupados com seus interesses do que com os dos próprios clubes que dirigiam, eles faziam as maiores lambanças, elaboravam regulamentos confusos, mudavam tudo no meio do campeonato, jogos sem atrativos e ainda queriam que o povão fosse aos estádios com seu suado dinheirinho e pegasse sol a pino na cabeça sem saber se o jogo seria resolvido em campo ou no tapetão.

Garçom: - Fui a muito jogo com o estádio praticamente às moscas.

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Músico: - Ah, João, Zé Ary, Ceguinho. Temos um grande artista presente na casa que pode cantar uma música que tem tudo a ver com isso que vocês estão falando. Eu estou falando do grande Taiguara!
Taiguara se levanta, todos aplaudem muito e o artista agradece.

Garçom: - Taiguara, por favor, venha ao palco!

Taiguara: - Obrigado, muito obrigado. É uma satisfação enorme estar aqui pra assistir a esta verdadeira aula de futebol, da História do nosso futebol, da nossa História, e ainda ouvir lindas músicas que falam do futebol brasileiro. E sem se esquecer do olhar crítico, como foi ressaltado aqui há pouco, especialmente pelo João Sem Medo. Então, pra tocar a bola em frente, vou apresentar “Público”, que gravei no meu disco “Imyra, Tayra, Ipy”, em 1976.

Músico: - Este disco é uma obra-prima!

Taiguara: - Obrigado, parceiro. Vamos lá!

 

Fim do Capítulo #30

Episódio originalmente publicado em 24 de agosto de 2022 e republicado totalmente modificado em 19 de março de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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PENSO, LOGO SINTO #39

Penso, logo sinto #39

 O mundo ora manca da direita, ora manca da esquerda, e jamais acerta o passo.

Imagem criada pelo ChatGPT

Esta série, iniciada em 2011, apresenta frases, reflexões, pensamentos que me surgem na observação do mundo e da sociedade de uma forma geral. Podem estar inseridos já em alguma obra literária de minha autoria, virem a estar ou simplesmente se limitarem a uma presença única por aqui ou qualquer outro tipo de publicação isoladamente. 

Acompanhe abaixo algumas das outras postagens desta série:

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