Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
Bem sabem os bem-pensantes, e nem precisam de grandes inclinações filosóficas para tal, que procurar o esquecimento é encontrar a lembrança. Por isso, nem adianta esquecer, porque 2016 será um ano inesquecível. De uma forma geral, por tudo o que as retrospectivas já vêm mencionando, e particularmente para mim e, possivelmente você que está lendo este texto, pelos mesmos e por outros tantos motivos.
Foi - ou melhor, está sendo - muito difícil atravessar este longo e extenuante deserto, com raríssimos oásis. Eu me despeço deste ano com a certeza de que, se por um lado surgiram muitas decepções, tristezas e revezes, por outro vi reforçados o amor e a união, tive alegrias inesperadas e muito, muito aprendizado. E demasiado trabalho de criação, o que dá sentido e direção à minha vida.
Particularmente, a maior lição de 2016 foi "amizade não é para qualquer um". Este ano foi fundamental para reconhecer amizades onde achava que só havia coleguismo - um bom coleguismo, é bom que se ressalte - e ver reforçadas aquelas mais profundas, muitas de décadas.
No entanto, falsidades nada surpreendentes foram ocultadas pela boa-fé, que muitas vezes nos embaça os sentidos. E foi também tempo de perceber que eram apenas turvos lagos que pareciam profundos. Para aqueles, a porta é trancafiada; para esses, será preciso que batam e esperem, pode ser que não sejam atendidos.
Nas inesperadas e muito bem-vindas novas amizades e naquelas com as quais sempre podemos contar sem riscos de decepção é que vamos reunindo as maiores alegrias da vida. E, certamente, elas trarão outras ainda maiores. Sem promessas, nem esperanças vãs, entrarei em 2017 com a força que me fez caminhar com as solas dos pés rachando, a sede matando, a pele queimando, as pernas ao mesmo tempo fraquejando e se fortalecendo, os cabelos embranquecendo, mais e mais.
Desejo a todos que fazem por merecer, sempre - e não só neste próximo ano -, muita saúde, paz, amor e prosperidade. E não se esqueça: tentar se esquecer é mais lembrar e lembrar e lembrar... Até o ano que vem, na próxima estação!
Toda roubalheira que amarra sujos rabos públicos a privados ainda fora das cadeias deflagrou uma guerra de nervos, vaidades e sobrevivência política, social e econômica entre os altos cargos dos 3 poderes da republiqueta. Há o medo do que ainda não foi exposto, não vazou. E das conseqüências do que já está saindo detrás das moitas obscuras.
Há o pavor de ver o próprio nome ser o próximo da interminável lista de delações. A apreensão, as tremedeiras, cólicas, diarreias, as insônias de quem nunca perdeu a noite por dor de consciência explodiram em ataques. E defesas desesperadas, violentas. Negações, negações, recusas ao que antes era facilmente aceito.
O que era achaque na surdina (ou nem tanto assim, pois de bobo só há o povo), virou ataque. Histeria, teimosia, mal-criação. Escândalos. Calhou de ser assim cunhada a História, e talvez estejamos retrocedendo sem perceber. Os corvos e abutres que se cuidem. E os alvos diários das rapinas, mais ainda.
Democracia é uma palavra muito bonita. Mas ela é sinônimo de utopia nesta terra que Thomas Morus certamente não conheceu. Sorte a dele. Acharia bem bela por fora, bem podre por dentro. Cabral só viu beleza e quem foi que "nos estrepamos"? Mais nós do que ele, claro. Democracia não cabe num lugar em que tão poucos por cento ficam com tantos por cento da renda, e tantos, tantos, cada vez mais, detenham tão pouco para dividir. Dividir? Meu pirão primeiro. E este precipício social vai do topo junto ao céu ao mais profundo dos vales abissais. Não, não é ilusão de ótica.
Mas há miopias graves. Verdadeiras cataratas, quase cegueira. Poucos percebem, mas o que era uma pequena rachadura, já se alastrou: virou brecha, mais um pouco será um buraco (se é que já não atingiu este estágio) e, em breve, será um rombo gigantesco para as já chamadas - em outros tempos - forças ocultas penetrarem facilmente e agirem (ou melhor, reagirem).
Não dá para ver, mas dá para sentir o cheiro de chumbo no ar. E orar, agora, só vai piorar.
Aqui vai mais um vídeo com uma poesia cantada. "Dissipações" também já havia sido publicada aqui neste blog e retirada numa época em que resolvi esconder parte do meu trabalho. Não tem resposta, portanto nem adianta perguntar o motivo. Aqui vai ela, então, agora com som (os versos estão abaixo do vídeo).
DISSIPAÇÕES
(Eduardo Lamas)
Há tanta dor
largada pelo caminho
Tanto amor
deixado pela estrada
Tanta luz
desperdiçada na escuridão
Tanta sombra
perdida no espelho
Nas calçadas repletas
No asfalto escaldante
Nos botecos imundos
Nos bares da moda
Há tantas pegadas
que ainda erram pelas madrugadas
Na areia das praias
Nas calçadas rachadas
No asfalto vazio
Nas pistas de dança
Tantas gotas de suor
misturadas nas águas do mar,
dos rios, lagos, copos e corpos
Tanto odor, ardor e a dor
nos dias de festa, carnaval.
Visite o meu canal no Youtube e se inscreva. É só clicar aqui.
Sem muito papo desta vez, pois já me expliquei demais. Aí vai mais uma poesia cantada em ritmo blues.
SALVAÇÃO E PERDIÇÃO
(Eduardo Lamas)
Nesta noite eu choro
Não posso salvar
uma alma perdida de si
só tenho potência pra me salvar
das minhas mediocridades, limitações
e desejos de salvação
Vejo no olhar baço, fugidio,
a desesperança, a auto-vingança
E tudo que faço é buscar
ora em vão, outras não,
aquilo que me amansa
Nada, nada, nada
que me faça perder
de vista
a longa e sinuosa estrada
me fará parar agora
Porém é preciso seguir com
o olhar generoso e atento
pra não despencar do penhasco
que sempre aparece
depois de uma curva fácil.
Ao começar essa série de vídeos com "Que me diz você?" - e depois com ""O rio" entrelaçado à "Sequidão"" - tive o cuidado de explicar os meus objetivos e deixar claro que não sou músico, cantor, nem ator, diretor, muito menos videomaker. Mas talvez tenha deixado escapar algo que, por me incomodar, vou corrigir aqui, antes de apresentar "Choro represado é sinal de chuva". Disse que criei melodias para as poesias que já tinha escrito e em determinados momentos chamei de música. Creio que na verdade não, ainda não são, se é que um dia serão. São na verdade poesias cantadas, que entendi ficarem melhores do que declamadas, algo que nunca soube bem fazer, mas que mesmo assim me arrisquei com "O Rio", fabulosa poesia de João Cabral de Melo Neto que ainda ousei editar e misturar aos versos "melodiados" de "Sequidão".
Não vou editar os vídeos em que chamei de música o que fiz - talvez nem os que já estão gravados e ainda não postei em lugar algum -, mas fica aqui registrado então o que creio ter feito. Mal ou bem cabe a você; a mim, continuar com as poesias cantadas. Acredito que, como já escrevi anteriormente, as palavras, os versos e a própria poesia ganharam novas cores, sentidos, força, entonações e entoações com a melodia que cada uma recebeu. O que você acha?
Aí abaixo vai uma poesia que abre um dos capítulos do romance "O negro crepúsculo" e que já havia publicado aqui (retirada posteriormente) e no Jornal Portal, e que para minha surpresa renasceu com um ritmo de samba. Vamos lá, em breve vem mais.
CHORO REPRESADO É SINAL DE CHUVA
(Eduardo Lamas)
Lágrimas represadas choro que não vem horizonte que se aproxima pingos d’água pisoteiam o chão
Lava terra, lava alma ar em rebuliço corpo em polvorosa um sem espaço que se ocupa imensidão que se reduz
Um oceano inteiro no brilho de uma gota que me afoga pela boca um mundo inteiro no esfarelar de uma pedra que me enterra pelo peito
O pior câncer do Brasil são os roubos feitos dentro da lei, de regulamentos, regimentos, normas, muitas vezes aprovados pelos próprios beneficiados. Refiro-me a todo tipo de mordomia, ganhos astronômicos, bolsas e auxílios extras (a parentes e amigos, inclusive), casas e apartamentos oficiais, carros, aposentadorias especiais, concedidas fartamente nos três poderes (executivo, legislativo e judiciário) em municípios, estados e na federação e em empresas e órgãos públicos. É o pior câncer, porque é o mais difícil de extirpar, pois está enraizado na lei e na cultura da boquinha, do fisiologismo, do nepotismo, do cinismo e da hipocrisia. Esta é a verdadeira e duradoura crise deste país doente.
Para não dizer que não falei das flores, um ótimo e raríssimo exemplo do que deveria ser a regra: http://www.tribunadainternet.com.br/reguffe-do-pdt-abre-mao-de-todas-as-regalias-de-senador/
Versos sempre escrevi e ousei publicar por aí, em papéis diversos, reais e digitais, onde as portas se abriram e entrei com todo respeito e educação. Onde fecharam, dei as costas e parti. Mas é com igual respeito, educação e amor que peço licença à musa Música para adentrar em seu maravilhoso recinto. Chego devagar, mas com certa audácia, pois não sou cantor e não toco sequer um instrumento.
E peço desde já desculpas pela maneira como chego, não tão bem arrumado para a ocasião e com alguma fome e sede, mas - tenho a certeza - com a dignidade que não falta a quem um dia foi impelido a escrever e agora desandou a melodiar os versos seus. Eu, os meus. Isso mesmo, eu!
Parece absurdo, mas não é tanto assim. Afinal, venho de uma família com músicos, antepassados e presentes, e de muitos amadores da Musa Música. Nada mais natural que ela brote dentro de mim como os versos tantos que já publiquei. Uni um ao outro, de forma sutil e agradável.
Enquanto atravessava um longo deserto, nasceram 16, 17. A aridez que me deu esses oásis sonoros para suportar melhor a longa e árdua jornada está chegando ao fim, e meus pés lanhados, com o solo do meu peito rachado, como relato em "Sequidão", estão cicatrizando aos pouquinhos.
Aqui, pergunto "Que me diz você?", pois dizer já disse e continuarei dizendo. Até cantando, mesmo sem ser cantador, mesmo sem ter um instrumento que me acompanhe. Estou quase solitário, como caminhei pelo deserto. Quase, porque amor não me faltou (nem me falta) para receber e dar também.
E meu amor esteve de mãos dadas comigo o tempo todo. Foi o sentimento-mór, o alimento diário que me proporcionou a força necessária para estar aqui depois de tantas pedras, dos mais variados tamanhos, vendavais, tempestades de areia. As intempéries, inesperadas em sua maioria, também me deram incomensuráveis forças. Portanto, agradecê-las-ei - sem temer - também.
QUE ME DIZ VOCÊ?
Que me diz você mais do que a morte,
a ressurreição e sua dança,
o aspirar um novo ar,
o banhar a alma
com uma chuva quente,
o respingar de gotas cintilantes,
todo ser em harmonia,
o libertar o corpo
de amarras invisíveis
E senti-lo crescer
Sem sair do lugar?
Apenas luta sem trégua,
Guerra civil do ser
sem fins, sem meios,
sem terras, sem gritos de liberdade,
Cadeias ou fugas,
Tronos ou poder;
Apenas a vida
pulsando na pele,
No coração e na mente,
Sem dispersão,
Tudo fluindo e confluindo,
Se expandindo e condensando
E vibrando, tremeluzindo
Rumo à essência do ser.
Andava sem rumo, pensativo, remoendo problemas e removendo alegrias do fundo do baú da memória, quando me vi dentro de uma ampla praça no centro de uma cidade que já não me reconhecia mais. Nem eu a ela. Reparei num lugar vago ao lado de um senhor e lá me sentei, sem a menor vontade de trocar sequer uma vírgula de idéia. Não com ele, especificamente, com ninguém. Mas ele falava, parecia um mantra, e tive de me curvar discretamente para ouvir e ele não perceber. O senhor repetia baixinho: "Coitado do povo, coitado do povo, coitado do povo...". Quando entendi o que dizia me postei virado para o lado oposto, o direito, para não correr o risco de ter as lamúrias voltadas para mim em busca de algum apoio ou mesmo de uma represália. Longe de mim, pensei. E ele se foi.
Resolvi ocupar o lugar em que o senhor estava. E voltei aos meus pensamentos e voei para um lugar no meu passado longínquo que já pensava - ou melhor, já não mais pensava - estar banido das gavetas das lembranças. E chegou outro senhor de cenho franzido, carrancudo. Sentou-se ao meu lado e começou a falar alto: "Maldito povo, maldito povo, maldito povo...". Virei-me desta vez para a esquerda, que era o lado oposto da vez. Ele parecia cego em seu ódio, nem reparou em mim, ainda bem. Não queria ter qualquer diálogo ou embate com aquele ser vociferante. Longe de mim, longe de mim. E ele se foi.
Desloquei-me ao centro do banco da praça. Quando pensei em voltar ao meu mundo imaginário, eis que os dois senhores se aproximam ao longe discutindo asperamente em minha direção. Fiquei paralisado, meio sem saber o que fazer. O lamuriento se sentou desta vez à minha direita e o raivoso, à esquerda. Só pararam de discutir, quando se sentaram e viram que eu estava entre eles e tinha posto as mãos tampando os ouvidos. O silêncio deles me despertou. Olhei para os dois, bem dentro de seus olhos e disse meio que para mim, meio que para eles, antes de me levantar e sair dali a passos apressados: "Vocês são o povo! Nós somos o povo! Bem feito pro povo!".
E lá fui eu com as palavras "maldito" e "coitado" ressoando na minha cabeça ainda atormentada sem me deixar voltar aos meus problemas e às minhas alegrias.
É tudo isso o mesmo amor?
É tudo isso mesmo o amor?
É tudo isso mesmo, amor?
Obra de Juarez Machado
Amor perigoso
Amor dadivoso
Amor pegajoso
Amor displicente
Amor indigente
Amor ardente
Amor querido
Amor bandido
Amor proibido
Amor solidário
Amor solitário
Amor sanguinário
Amor disneylândia
Amor cascadura
Amor sem piedade
Amor de gay
Amor, não sei
Amor, cansei
É tudo isso o mesmo amor?
É tudo isso mesmo o amor?
É tudo isso mesmo, amor?
* Originalmente, "Amores" havia sido publicado neste blog em 8 de outubro de 2013 (portanto, quase exatos 3 anos atrás) e teve os seguintes comentários:
Anônimo terça-feira, outubro 08, 2013
Amei!!!
Fernando Cid
Ana Claudia Medina terça-feira, outubro 08, 2013
É tudo isso mesmo o Edu? Adorei!!!!
Dra. Denise terça-feira, outubro 08, 2013
É tudo isso o mesmo amor?
É tudo isso mesmo o amor?
É tudo isso mesmo, amor?
Tudo isso e muito mais, Edu...você me escreveu uma pequena parte do que já desenhava essa poesia, mas isso aqui, depois de pronto...bem, isso aqui é AMOR e muitas das suas formas.
Mais uma vez você compartilha sua alma com seus leitores. Lindo.
Lida Marina Hurovich Neiva quarta-feira, outubro 09, 2013
Muito inspirado!!! e inspirador (me deu vontade de pintar), abraço
Comecei a escrever "O negro crepúsculo" em 2004 e só me dei por satisfeito no fim do ano passado. Foram 11 anos criando brechas de tempo na correria interminável do dia a dia para escrever e chegar onde desejava. Classifiquei de romance apenas por uma questão editorial mercadológica, pois a narrativa é cercada de poesias abrindo cada um dos capítulos (com exceção do primeiro e do último - último?), além de crônicas e reflexões do personagem c.j. marques. O que é o pano de fundo?
Alguns jornalistas e escritores, como Luiz Antonio Mello, Marcus Veras e Bruno Lobo, e outras pessoas das mais diversas áreas, aos quais agradeço muito, muito mesmo, elogiaram bastante o livro. Revisei incansavelmente - e sempre acho algo para mudar cada vez que o releio -, editei, incluindo a foto de capa, na qual não pus absolutamente nada escrito, inspirado em alguns LPs de bandas que admiro - e o lancei no formato digital e independente, só com a ajuda da tecnologia e da possibilidade aberta pela Amazon.
Há quem não tenha entendido perfeitamente ainda, por isso faço questão de esclarecer: não faço isso por hobby, para aparecer, não é um passatempo, é meu ofício, minha vocação. "Escrevo para não sucumbir".
Assim como "Profano coração", livro de poesias que lancei de forma tradicional em 2009 e que publiquei com 4 poemas extras na versão digital em julho do ano passado, "O negro crepúsculo" está em promoção por tempo limitado, custando apenas R$ 4,50 (veja aqui: http://goo.gl/SdKSqU). Meu livro de estreia custa menos ainda neste período, somente R$ 1,99 (aqui: http://bit.ly/1L3rcqW).
Aguardo por seu interesse, leitura e opinião (qualquer que seja ela). Ótimo dia!
A morte de Geraldo, há exatos 40 anos, marcou profundamente a minha infância. Era ele, ao lado de Zico e Doval, o craque do meu time que mais gostava de ver jogar. Os dois eram amigos e se entendiam em campo maravilhosamente bem. Tanto, que ambos foram logo convocados para a seleção brasileira, pelo então técnico Osvaldo Brandão, que substituiu Zagallo após a campanha apenas regular na Copa de 1974.
Tinha eu apenas 10 anos, completados pouco mais de um mês antes, quando recebi a triste notícia, acho que pela minha mãe, que teria ouvido no rádio. Geraldo, o Assoviador, tinha apenas 22 anos de idade e morreu na mesa de cirurgia para extração das amígdalas.
Na minha memória sempre ficou a corrida cadenciada pelo gingado natural e a cabeça em pé, por pouco precisar olhar para a obediente bola, grudada aos seus pés, especialmente o direito, que invariavelmente só o largava quando ele a mandava com perfeição a um companheiro ou ao gol adversário. O amigo Pintinho, que jogava no Fluminense, tinha um estilo bastante semelhante. Geraldo tinha a elegância de um mestre-sala com a bola a lhe acariciar as chuteiras toda vez que assoviava para ela.
Em pé: Valdir Perez (São Paulo), Chicão (São Paulo), Nelinho (Cruzeiro), Miguel (Fluminense), Amaral (Guarani) e Marinho (Botafogo). Agachados: Flecha (América-RJ), Geraldo (Flamengo), Palhinha (Cruzeiro), Rivelino (Fluminense) e Lula (Internacional). Foto do arquivo da CBF.
Vejo em pesquisa que ele atuou em sete jogos na seleção, entre 75 e 76, com seis vitórias e apenas uma derrota. Participou das conquistas da Taça Atlântico, Copa Rocca e Taça Oswaldo Cruz, todas em 76. No Flamengo, foram 169 partidas, com 96 vitórias, 40 empates e 33 derrotas. Marcou 13 gols no time rubro-negro, fora os inúmeros passes perfeitos para os companheiros marcarem. No Rubro-Negro, conquistou entre muitos troféus, a Taça Guanabara de 73 e o Campeonato Carioca de 74. Ele estreou em 25 de junho de 1973, na vitória de 1 a 0 sobre o Goiás, em amistoso na Gávea, e se despediu involuntariamente em 4 de agosto de 1976, na derrota de 3 a 0 para o Americano, no Estádio Godofredo Cruz, em Campos, pelo Campeonato Carioca.
Pesquisando um pouco mais, fiquei sabendo que naquele último ano de vida, apesar das grandes atuações, dos muitos elogios feitos pelo técnico da seleção e das seguidas convocações, Geraldo vinha tendo constantes problemas com dirigentes rubro-negros, que já começavam a cogitar, mesmo que sem alarde, a negociá-lo. O que seria uma verdadeira estupidez. Ele já tinha até sido punido por um problema na Bahia, para onde teria sido obrigado a viajar, mesmo machucado. O seu procurador já falava em Olympique de Marselha e Real Madrid, e o Botafogo também teria demonstrado interesse.
Geraldo, Doval (7) e Zico em um jogo no Maracanã. Foto: Sport/MB Media
Essas divergências já faziam parte da torcida contestá-lo, ainda mais depois da perda da Taça Guanabara para o Vasco, nos pênaltis (Geraldo fez o belo gol de empate no tempo normal, mas assim como Zico, que daria a vitória ao Flamengo se marcasse, desperdiçou a sua cobrança). Isso só comprova que desde aquela época a diretoria conseguia manipular alguns integrantes da massa. Na verdade, Geraldo teve algumas dificuldades desde que chegou ao Flamengo, vindo de sua terra natal, a mineira Barão de Cocais, com 16 anos.
Ele teve uma grave doença logo no início, e o clube o ajudou a curá-la. Isso, segundo Geraldo, foi usado várias vezes para tentar enquadrá-lo. Ao mesmo tempo em que se destacava em campo, acumulava problemas com treinadores e dirigentes, fora dele. Por outro lado, era muito querido por companheiros, funcionários do clube e até adversários, como seus amigos Pintinho e Paulo Cézar Caju. Geraldo era irmão de Washington, zagueiro que também jogou no time da Gávea e que é pai do zagueiro português Bruno Alves, um dos integrantes do time campeão da última Eurocopa.
Foi em memória de Geraldo e para arrecadar fundos para ajudar a sua família que o Flamengo enfrentou a seleção brasileira, formada basicamente por jogadores que haviam sido campeões no México, em 70. O jogo foi realizado no dia 6 de outubro de 76, e o time rubro-negro venceu por 2 a 0, gols de Paulinho e Luiz Paulo. Foi a primeira vez que vi meu time jogar de luto. Uma vitória triste. Como bem disse Zico, era uma partida que - apesar do imenso prazer que ele e seus jovens companheiros tiveram de enfrentar Pelé, Jairzinho, Rivelino, Carlos Alberto Torres e companhia - jamais gostaríamos que fosse realizada.
Muitos já sabem, alguns até já compraram nos Estados Unidos e na Inglaterra, mas é sempre bom que mais gente saiba: não é só no Brasil que se pode adquirir "O negro crepúsculo", que está à venda aqui, é só clicar. Nos EUA e diversos outros países, por exemplo, há a opção da Loja Kindle da Amazon.com. Se é o seu caso, clique aqui para comprar o seu.
Abaixo, passo uma lista de outros países em que você pode comprar o livro, publicado em versão digital para ser lido em qualquer dispositivo (smartphones, tablets e computadores pessoais). É só clicar no país em que você está neste momento que você estará a dois passos de "O negro crepúsculo":
"O negro crepúsculo", segundo livro de minha autoria, tem recebido elogios de conceituados escritores e jornalistas. Luiz Antonio Mello, jornalista, radialista, produtor musical e escritor, o homem que criou com Samuel Wainer Filho, a histórica rádio Fluminense FM, a Maldita, publicou em seu blog, Coluna do LAM:
"Já escrevi (e, com prazer, escrevo de novo) que o carioca Eduardo Lamas é um dos mais talentosos escritores de sua geração, com trânsito em diversos estilos e texturas. Acompanho o seu trabalho há vários anos e recomendo, com muita satisfação, o seu novo romance".
Outro grande jornalista, escritor e empresário das áreas de Comunicação e Cultura (Coringa Comunicação), Marcus Veras escreveu:
"Dono de uma primorosa capacidade de trafegar entre a ficção e a poesia, Eduardo Lamas escreveu um romance onde o mote é a busca pelo amor. Enquanto vara as ruas da cidade a bordo de seu táxi, o narrador desfia as dobras de seu coração apaixonado. Altamente recomendado para quem acha que a paixão move o planeta!"
O livro também é indicado por outro grande jornalista, Bruno Lobo, editor do Globoesporte.com:
"Já havia lido o ótimo livro de poesias de Eduardo Lamas (Profano Coração), e fiquei bastante impressionado com O Negro Crepúsculo. O autor consegue unir poesia e romance/crônica num estilo bem original. Recomendo muito a leitura".
Calamidade pública
São os políticos
Deste estado de
Calamidade pública
São os políticos
Deste estado de
Calamidade pública
São os políticos
Deste estado de
Calamidade pública...
Fui convidado na semana passada pela produtora Marcela Maranhão para falar na noite de sexta, dia 10/6, sobre o livro "O negro crepúsculo" para o programa Movimento, da Rádio Jornal, do Recife. Porém, acabei tendo o imenso prazer de conversar também sobre música brasileira e, em especial, da minha profunda admiração e respeito pela cultura e a arte pernambucanas, já manifestada neste blog tantas vezes (veja os links no fim da postagem).
Fui entrevistado pelo apresentador Marcelo Araújo, mas pude conversar também com o escritor Amaro Filho, que estava no estúdio para divulgar o livro "Pífanos do Sertão", lançado dois dias depois na capital pernambucana.
Convido você a ouvir o programa no vídeo abaixo. A minha participação vai de 15m20 a 27min23.
Pouco a pouco o livro "O negro crepúsculo", o segundo que publico, vai conquistando leitores e mais espaço na mídia. Já concedi algumas entrevistas, duas para rádio (Nacional e Livre, ambas do Rio de Janeiro), uma para o jornal O Fluminense, de Niterói (RJ), e outra para o conceituado Blog da Simone Magno, especializado no mundo dos livros e da literatura.
Não é fácil ser escritor em qualquer lugar do mundo, ainda mais num país como o Brasil, muito pouco interessado em Educação, por conseqüência, em leitura. Mais difícil ainda é ser também editor e divulgador do trabalho (até a foto da capa fiz desta vez). Porém, a tecnologia hoje facilita a vida de quem procura fazer bom uso dela e, graças a isso, estou podendo fazer meu trabalho de formiguinha, independentemente, e expandindo o alcance de "O negro crepúsculo" - e também de "Profano coração", o primeiro que lancei -, inclusive para o exterior.
Só tenho a agradecer a todos que estão abrindo espaço para o meu trabalho e os leitores de várias partes do país e do mundo que estão adquirindo o livro. Se quiser adquirir o seu aqui no Brasil, o link é este: http://goo.gl/SdKSqU. Em outras partes do mundo, "O negro crepúsculo" pode ser comprado no site local da Amazon.
Confira abaixo, os veículos e profissionais de comunicação que falaram - ou me deixaram falar - sobre o livro (clique no nome e veja o que foi publicado):
O ser cindido vive em dois mundos: o real e o imaginado. Além deles, ainda se pode considerar um terceiro (a terceira margem?), o da tênue linha fronteiriça que separa um do outro. Todo artista de verdade possui algum grau de esquizofrenia. Postado racionalmente no mundo mesquinho da realidade, dos afazeres práticos e ou reconfortantes, o homem age maquinalmente, absorve ordens, cumpre seus deveres, exige direitos (até os que não tem), diverte-se, joga conversa fora e flana sobre a superficialidade apenas tangenciando-a. Na era do entretenimento paranóico, esta é a lei.
No entanto, quando o homem avança, mergulha e investiga com todos os seus sentidos aguçados e concentrados o mar infinito que é seu próprio ser ou atravessa a pesada porta que o impele a não sair do lugar e vai onde quanto mais fundo, mais escuro e denso, torna-se possível trazer algo novo à tona e se tornar um ser criador.
Mas aqui não cabem ilusões, paga-se um alto preço por isso, muito alto. Não ser compreendido, é apenas um. O pior de todos é não conseguir sair da fronteira: desprezar a superficialidade e não se aprofundar. Ficar preso ao imaginário e ao caos interior ou confundi-lo com o real é outro grande risco que se corre. É a doença, quando o homem é controlado por sua mente, quando ele se faz refém de si mesmo. Alguns artistas se afundaram nessa, muitos empurrados pelas drogas alucinógenas encontraram a sua morte, física ou mental.
Porém, a mediocridade de não escolher, de não decidir, a falta de coragem para romper barreiras e se acautelar faz do homem um rato medroso, um medíocre. Faz a alma humana aprisionada no corpo do cão o olhar com desprezo. E a fraqueza ou falta de fôlego para retornar e trazer a boa nova o joga no limbo, é também apenas um existente.
* Este texto já havia sido publicado e retirado por mim algumas vezes aqui. Agora daqui não sairá mais
Ilustração:"Only opens, when open for
fantasy", de Ben Goossens.