sábado, 16 de outubro de 2010

O GRANDE DITADOR, UMA OBRA-PRIMA DE 70 ANOS

Lançado em 15 de outubro de 1940, no primeiro ano da Segunda Guera Mundial, o filme "O Grande Ditador", foi um libelo de paz que o gênio de Charles Chaplin transformou em comédia. Os 70 anos desta obra poderia gerar mais discursos pacifistas como o do fim do filme, mas o que aí está, neste vídeo abaixo, já é suficiente. Suficiente para mostrar que de um modo geral a humanidade ainda continua babando de ganância, ávida por acúmulo cada vez maior de bens e poder. O entendimento entre os homens ainda está muito longe de acontecer, muito mais de 70 anos precisarão, se é que algum dia isso será possível na Terra.

Portanto, muito mais que o discurso final do primeiro filme falado de Chaplin e do sarcasmo crítico ao gigantesco ditador da época e a todos de todas as épocas, gostaria de valorizar outro lado do filme: o artístico. A cena mais bela - e por isso mesmo mais estranha, já que representa o sonho perverso de um homem na sua obsessão de dominar o mundo - é a dança do personagem Adenoid Hynkel (Chaplin) com o globo terrestre. É algo para se ver e rever muitas vezes.
Por isso, fiz questão de postar o vídeo aqui abaixo. Aproveite, não deixe de assistir, mas também não se esqueça: Hitler não tomou o poder à força (embora tenha tentado, chegando a ser preso por isso, em 1923), ele foi presidente da Alemanha, amado pelo seu povo, graças à maciça votação que o Partido Nazista ganhou em 1932.

Veja também: O Outro Ovo da Serpente

domingo, 10 de outubro de 2010

ÂNGELO, UMA VÍTIMA DA CRUELDADE EM CAMPO

Ângelo, uma vítima da crueldade em campo
Ângelo, meia do Atlético nos anos 70
Engana-se muito quem imagina ser o futebol atual mais violento do que "antigamente". Sempre houve em campos jogadores maldosos, cruéis, a caçar os mais talentosos com bordoadas e o mais variado repertório de violência. Já houve nos gramados brasileiros (mais esburacados antes do que hoje, muito mais) versões tão ou mais maldosas que Felipe Mello e esse holandês De Jong. Ângelo, meia do Atlético Mineiro na década de 70, bem poderia dizer se ainda vivo fosse.

O lance de que foi vítima, na final do Campeonato Brasileiro de 1977 entre Atlético e São Paulo, é uma das mais tristes lembranças ds meus primeiros anos de torcedor de futebol. Junta-se a notícias ainda mais dolorosas, como as mortes do ponta-direita Roberto Batata, do Cruzeiro, e do meia Geraldo, do Flamengo, ambos falecidos no auge de suas promissoras carreiras.

Pesquisei muito e consegui achar no youtube as imagens nada belas da entrada violentíssima de Neca no joelho de Ângelo (a título de comparação, a perna do atleticano fez o mesmo movimento para trás que a de Zico na entrada de Marcio Nunes, do Bangu, em 1985) e depois, mais cruel ainda, o pisão do também falecido Chicão na perna do meia, que engatinhava para a lateral, desnorteado de dor, à procura de ajuda médica.

Veja também: 
Reinaldo, o Rei do Galo Mineiro
"Contos da Bola", quem lê recomenda

O árbitro da partida era Arnaldo Cezar Coelho, que só deu um cartão amarelo no lance. Hoje como comentarista de arbitragem tenho certeza que, vendo lance semelhante acontecer, criticaria duramente a atitude do árbitro. Já o pisão de Chicão ele realmente não viu, pois no mesmo momento estava de costas mostrando o cartão para Neca, que merecia vermelho e uma pesada suspensão.


Ângelo, caído, após ser atingido por Neca. Foto: WebGalo

Mais inacreditável é saber que meses depois (a decisão foi só em março de 1978), o volante são-paulino ganharia como prêmio a convocação para a Copa da Argentina por Claudio Coutinho, que preferiu deixar no Brasil simplesmente Paulo Roberto Falcão. Além disso, em 1980, o mesmo Atlético Mineiro que foi vítima do volante são-paulino o contratou.

Para quem quiser ver as imagens até para discordar de mim, dizer que estou exagerando, tudo aconteceu no finzinho da prorrogação e está no minuto 04'55 deste vídeo abaixo. E quem se interessar em saber mais um pouco mais sobre a carreira do talentoso camisa 8 do Galo é só clicar aqui.


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Veja também: 
Sobre os nossos 4 maiores craques do fim dos 70 e início dos 80
Beckenbauer, a Elegância do "Kaiser

sábado, 9 de outubro de 2010

JOHN LENNON, 70 ANOS

Admito que não sou dos maiores fãs de John Lennon e principalmente da primeira fase dos Beatles, que vai até o - aí sim! - encontro de Lennon com Bob Dylan, em meados dos anos 60. A partir daí, o conjunto das músicas da banda de Liverpool melhorou consideravelmente. Embora tenha assistido a um ótimo show de Paul McCartney no Maracanã nos anos 90, na verdade, dos Fab Four eu gosto mesmo é do George Harrison, que merecerá aqui também uma homenagem em breve.
Mas o "cara ciumento" da música aí abaixo, que nasceu no dia 9 de outubro de 1940, não podia ser esquecido e merece sim muitas homenagens, apesar da chatíssima Yoko Ono, que - gosto não se discute? - ele tanto demonstrou amar.
Por falar em ciúmes, já sentiu algum hoje? Ou reviveu algum marcante ao simples ler da palavra aí acima? A posse destrói qualquer relação, cuide-se.

Veja também: Nina Simone, a Sacerdotisa do Jazz
Villa-Lobos, o Pai da MPB

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O ILIMITADO ABUSO DO HOMEM

A maré vermelha que tomou conta da Hungria já chegou ao Danúbio e a Europa está à beira de mais uma catástrofe ambiental, já que o segundo maior rio do continente banha mais seis países (Croácia, Sérvia, Romênia, Bulgária, Ucrânia e Moldávia). A lama tóxica que sangrou de uma fábrica de alumínio e já matou quatro pessoas e inúmeros seres vivos pode se espalhar ainda mais agora. A previsão do governo húngaro de um ano para a limpeza total dos vilarejos atingidos pode se estender e muito, porque a correnteza fará a substância tóxica e corrosiva chegar a outros países. Mais uma irresponsabilidade do homem, pela sua incomensurável ganância, vai destruindo a vida do planeta.


Há poucos meses foi o vazamento de petróleo no Golfo do México, o maior desastre ambiental da história dos Estados Unidos. De abril a agosto vazaram diariamente entre 35 mil e 60 mil barris de petróleo do duto danificado da British Petroleum, manchando de negro o mar.


Isso tudo só este ano, sem contar outras catástrofes menos divulgadas. E as muitas que já ocorreram (lembram-se de Chernobyl,em 1986?) e continuam a ocorrer todos os anos. A estupidez do ser humano é ilimitada.

EM MEIO AO CAOS*

Crie em meio ao caos,
seja uma flor azul
que nasça no lodaçal.
Imagine a ternura,
a mais abstrata e verdadeira imagem
que puder gerar,
enquanto as TVs se exibem ininterruptamente
pra quem tem preguiça de criar.
Ouça flautas, violinos, violoncelos
no mesmo instante em que
motores, urros, batidas eletrônicas
se debatem histericamente
preenchendo todos os cantos.
Seja a ave sobrevivente
De um imenso desastre ambiental,
que mesmo coberta de óleo
resiste e entoa o seu mais belo canto.
Ouse e escreva o que ninguém mais queira ler,
diga o que pareça estranho a ouvidos viciados,
mas jamais deixe de criar em meio ao caos.

* Esta poesia está publicada no livro "Profano Coração", de minha autoria. Caso queira adquirir um exemplar, entre em contato comigo pelo e-mail edulamas20@hotmail.com


Fotos: 1- Lama tóxica no rio Torna, a 160 quilômetros de Budapeste (Agência AFP)
2- Pelicano na ilha East Grand Terre, Louisiana (agência AP)
Vídeo: "A Hard Rain's Gonna Fall", de e com Bob Dylan.
Veja também: o que foi publicado em outubro de 2009

sábado, 2 de outubro de 2010

HÁ 40 ANOS, O FIM DA VOZ RASCANTE DE JANIS


Alguns dias depois de a música perder Jimi Hendrix, com a mesma idade (27), ia embora Janis Joplin e sua voz única. Um som rascante, estranho, que se tornara brilhante pela forma como sua dona o fazia vibrar. Não vinha da garganta, nem do diafragma como ensinam os professores de canto e locução, mas do útero. 

E era lá que ela abrigava sua alma conturbada e fascinante, de onde concebeu pérolas que encantaram por tão pouco e intenso tempo platéias do mundo inteiro. Apesar de sua prematura morte, com apenas três LPs gravados, Janis permanece até hoje arrebanhando fãs das mais diversas idades. 


Embora tão breve, muito por viver sempre a 100, sua carreira também enfrentou altos e baixos. Mas quando ia fundo voltava ainda mais tenso, forte, emocionante.

Sempre cercada e assistida por muita, muita gente, Janis convivia com a solidão. Dizia ela que depois de um show e fazer amor com milhares de pessoas, voltava para casa e dormia sozinha.

"Por que não canto como as outras cantoras? Não sei, talvez porque não fique na superfície das melodias, porque eu entre na música, eu canto com a minha alma, com o meu corpo, com o meu sexo... Eu canto toda!" (Janis Joplin)


Vídeo: "To Love Somebody", de Barry e Robin Gibb, com Janis Joplin

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

REINALDO, O REI DO GALO MINEIRO

Para animar um pouco a entristecida torcida do Atlético-MG, aqui vai uma homenagem ao melhor centroavante que vi jogar. Sim, na minha opinião tecnicamente Reinaldo foi melhor do que Romário e Ronaldo. Infelizmente o Rei teve sua carreira encurtada pelas botinadas de péssimos jogadores, que contaram com a condescendência de árbitros igualmente péssimos.

Ele também não deu sorte de a medicina ser na década de 70 tão avançada como hoje. Qualquer lesãozinha no menisco obrigava o médico a tirá-lo por inteiro, por isso Reinaldo jogou boa parte de sua carreira sem os quatro meniscos e ainda assim não dava sossego mesmo aos melhores zagueiros do mundo.

Já na Copa de 1978 ele jogou machucado. A então CBD levou para a Argentina o Nautilus, uma aparelhagem monstrenga, para que o camisa 9 da seleção pudesse fortalecer os músculos das pernas e agüentar o tranco. O horrível gramado de Mar del Plata o derrubou.

Reinaldo foi um cracaço, um gênio, principalmente dentro da área, mas não deu muita sorte. Em 1981 foi um dos maiores responsáveis pela classificação do Brasil para a Copa de 1982 e faria na Espanha aquela Seleção de Telê tão lembrada ser ainda melhor do que foi. Muito, muito melhor, afinal jogaria no lugar de Serginho Chulapa, o homem que sorria a cada gol feito desperdiçado. Mas as lesões não deixaram.

Serginho também levou a melhor sobre Reinaldo cinco anos antes, na final do Brasileiro de 77, que na verdade foi disputada em 5 de março de 1978(!). Ambos não jogaram a partida decisiva por estarem suspensos, mas o São Paulo, do Chulapa e dos violentíssimos Neca e o falecido Chicão, que literalmente quebraram o talentoso meia Ângelo (também já falecido), acabou campeão nos pênaltis. Nenhum time merecia mais aquele título que o Galo mineiro, que terminou a competição invicto. Mas o futebol, como a própria vida, não costuma levar muito em conta a palavra justiça.

Na sensacional e conturbada decisão do Brasileiro de 1980, ele fez os três gols do Atlético-MG. No primeiro jogo, no Mineirão, local em que a violência novamente tirou um jogador de campo por alguns meses, desta vez o zagueiro Rondinelli, do Flamengo - atingido por um soco desferido até hoje não se sabe se por Palhinha ou Éder - ele fez o único da vitória do Galo, que partiria para o Rio com a vantagem do empate. No Maracanã abarrotado, com mais de 154 mil pagantes quatro dias depois (1º de junho de 1980), ele por duas vezes empatou a partida e deixou apreensiva a torcida rubro-negra. O detalhe é que quando fez o segundo já se encontrava machucado.

Acabou expulso de campo após comemorar o segundo gol. De acordo com o zagueiro Marinho (em entrevista recente ao jornal "O Dia", do Rio), Reinaldo ia levar o vermelho antes de fazer o segundo gol por ter "falado um monte de besteiras" para o árbitro José de Assis Aragão. O ex-atacante nega e não se conforma com sua expulsão até hoje. Nunes desempatou, e sem Reinaldo o Galo não voltou a empatar, embora tenha tido uma chance quase no fim, com Pedrinho. Segundo Manguito, o outro zagueiro do Fla, que falhou no lance: "Se fosse o Reinaldo..."

Embora não tenha conseguido ser campeão brasileiro, Reinaldo foi por muitos anos o maior artilheiro em uma edição da competição, em 77, com 28 gols em 18 partidas. Foi superado por um gol por Edmundo, em 1997, mas o então vascaíno fez muito mais jogos (29) e a média de gols do Rei por partida obtida no Brasileiro de 33 anos atrás é até hoje a maior.

Reinaldo é o maior artilheiro da História do Atlético Mineiro, com 255 gols em 475 partidas. Pela seleção brasileira ele fez 14 em 37 jogos. Esses dados são do Wikipedia. Curta agora belos momentos do Rei em campo nos dois vídeos encontrados no Youtube.



Veja também:

Parabéns, Dejan Petkovic
Ganso, o Mestre-Sala da Vila
Beckenbauer, A Elegância do "Kaiser"
O Teatro e o Futebol

terça-feira, 21 de setembro de 2010

ADEUS, MARACANÃ!


Muito provavelmente o estádio que será reaberto no início de 2013, como está prometido já com grande atraso, após as reformas exigidas pela Mrs. Fifa, será mais vistoso, moderno, limpo, até seguro, mas certamente não será mais o Maracanã. Pelo menos não aquele que passei a freqüentar no início dos anos 70, ainda muito garoto para assistir à chegada de Papai Noel, e depois para ver os mais variados jogos de futebol de 1974 em diante - com muito pouca presença, admito, nos últimos dez, 12 anos. A emoção de entrar pelo túnel na arquibancada e ver o imenso gramado e as torcidas, como me aconteceu tantas e tantas vezes, ficará guardada na minha memória como os antigos retratos que vão amarelando com o tempo.

A arquibancada de cimento, onde já couberam 90 mil pessoas (14 mil a mais que a capacidade inteira do novo estádio) e a geral, onde muitas vezes se apertaram 30 mil ou mais, já não existiam há muito tempo. Várias obras foram feitas, como a que vedou a ventilação do estádio com suntuosos camarotes no alto das arquibancadas, mas o aspecto e principalmente a alma do ex-maior estádio do mundo permanecia, a essência era a mesma. Porém, ele foi sendo morto aos poucos e agora receberá o tiro de misericórdia: depois de mais de dois anos fechado, virá outro em seu lugar. Outro sim, não mais o Maracanã. Por justiça deveriam trocar seu nome.

O Maraca não será implodido fisicamente como sugeriu certa vez João Havelange, e posteriormente seu ex-genro Ricardo Teixeira, mas de certa forma ele será demolido por dentro e desaparecerá levando junto a sua alma. Determina o tombamento de monumentos históricos que sua fachada deve ser mantida. Pois no Mário Filho, o que menos importa é a sua carcaça. A magia estava dentro, com seu gigantismo que fez muitos jogadores, dos mais modestos pernas-de-pau aos mais decantados craques, tremerem ou se consagrarem.
Que o mudassem por fora, criando novas rampas, entradas e saídas mais largas, mas derrubar suas arquibancadas, depois de já terem levado a geral, e ainda reduzir o campão de 110x75 para 105x68, é tirar tudo de mais sagrado e fascinante que existia no Maracanã. Um desconhecido surgirá em seu lugar. E, por mais esforço que façam as torcidas cariocas, reviver a magia anterior será impossível. Talvez outra seja criada, pois aquela que perdurou até Flamengo 0 x 0 Santos, jamais. Jamais!




* Este texto foi publicado originalmente no extinto Futebloguices e foi revisado e levemente ampliado em 28/9/2011.

Veja também:
Na Volta do Bonsucesso à Primeira Divisão do Rio, as Conseqüentes Boas Lembranças de Meu Avô Thomé
Setenta Anos do Canhotinha de Ouro
Rei x Kaiser
Garrincha, 77
Pelé, Só Ele

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

AMÉRICA-RJ, 106 ANOS

Neste sábado, dia 18 de setembro, além dos 40 anos de morte de Jimi Hendrix, é também aniversário de fundação do América Futebol Clube, do Rio de Janeiro. São 106 anos de existência, com a esperança de sempre de seus ainda apaixonados torcedores de que os dias de glória, cada vez mais distantes, possam retornar.

Para saudar a torcida rubra e o clube, torcendo também para que o América deixe de ser Ameriquinha e volte a ser Americaço, exponho a foto dos seus três últimos grandes times: o campeão dos campeões de 1982 (invicto), com o vídeo dos gols de toda a campanha; o campeão da Taça Guanabara de 1974, com imagens da final contra o Fluminense do sensacional Canal 100, e o campeão carioca de 1960. 

Este que foi o último título estadual do América na Primeira Divisão merece ainda o vídeo lá embaixo com a narração do gol de Jorge, o decisivo para aquela conquista de 50 anos atrás. Como bem diz o saudoso Waldir Amaral: "Deus salve o América".

Veja também:
Gaúcho, o adeus de um discípulo de Dario
Cinema, futebol e música no Lamascast


1982

Gasperin, Duílio, Zé Dilson, Everaldo, Chiquinho e
Pires; Serginho, Gilberto, Moreno, Elói e Gilson Gênio

A campanha
24/04 - America 1 x 1 Cruzeiro (F)
01/05 - América 1 x 1 Grêmio (C)
09/05 - America 1 x 0 Atlético-MG (F)
16/05 - America 1 x 0 Cruzeiro (C)
22/05 - America 0 x 0 Grêmio (F)
29/05 - America 1 x 1 Atlético-MG (C)
Quartas-de-final
02/06 - América 1 x 0 Atletico-MG (C)
Semifinal
06/06 - America 2 x 2 Portuguesa-SP (F) - * (4 x 3 penais)
Final
10/06 - América 1 x 1 Guarani (F)
12/06 - America 2 x 1 Guarani (C)
Artilheiros
Elói 4 gols; Duílio 2; Serginho, Zé Dilson, Moreno, Gilson Gênio e Estêvão (Portuguesa-contra) 1 gol cada.



1974

Orlando, Geraldo, Rogério, Alex, Ivo e Álvaro; Flecha,
Bráulio, Luizinho, Edu e Gilson Nunes.


A campanha
04/08 4x1 Vasco
10/08 1x0 Portuguesa
14/08 2x0 Campo Grande
18/08 1x2 Flamengo
24/08 1x0 Bonsucesso
28/08 3x0 Bangu
31/08 1x1 Botafogo
07/09 3x0 São Cristóvão
11/09 1x0 Madureira
19/09 1x0 Olaria
22/09 1x0 Fluminense



1960

Ari, Jorge, Djalma Dias, Amaro, Wilson Santos e Ivan;
Calazans, Antoninho, Quarentinha, João Carlos e Nilo.

A campanha
Primeiro turno
31/07/1960 Vasco 0x1 América
04/08/1960 América 2x1 Olaria
07/08/1960 Bonsucesso 1x3 América
14/08/1960 Fluminense 1x1 América
21/08/1960 América 0x1 Bangu
27/08/1960 São Cristóvão 1x2 América
03/09/1960 América 2x0 Portuguesa
09/09/1960 América 3x0 Canto do Rio
18/09/1960 Botafogo 2x2 América
25/09/1960 América 1x0 Flamengo
30/09/1960 América 1x0 Madureira
Segundo turno
08/10/1960 Portuguesa 0x2 América
15/10/1960 Olaria 1x4 América
22/10/1960 Bangu 0x1 América
29/10/1960 América 2x0 São Cristóvão
06/11/1960 Flamengo 1x1 América
13/11/1960 América 0x0 Vasco
19/11/1960 Canto do Rio 0x2 América
26/11/1960 Madureira 1x2 América
03/12/1960 América 2x1 Bonsucesso
11/12/1960 América 3x3 Botafogo
18/12/1960 América 2x1 Fluminense


Veja também:
"Uma coisa jogada com música" no Museu da Pelada
"Contos da Bola", quem lê recomenda
Jogo de recordação 1 e 2: Flamengo x América-RJ
Memórias da geral do Maracanã


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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

HÁ 40 ANOS, O ADEUS DE JIMI HENDRIX


Neste sábado, dia 18 de setembro, o mundo lembrará os 40 anos da morte de Jimi Hendrix. Sites, jornais, TVs e rádios preencherão seus espaços com comentários, textos, fotos e vídeos do multi-guitarrista e certamente as músicas mais lembradas e tocadas serão aquelas em que ele atacava sua guitarra com toda energia e talento. Será também, sem dúvida, repetida à exaustão a imagem do astro queimando sua Fender Stratocaster no palco.

Porém, para não ficar no óbvio, presto minha singela homenagem com um vídeo lá embaixo com o revolucionário guitarrista canhoto exibindo sua face mais suave, porém não menos genial. Como disse certa vez Pete Townshend, guitarrista da banda inglesa The Who, Hendrix tocava extremamente alto, mas o que e como tocava tinha uma carga enorme de sensualidade e erotismo.

Assim como Carlos, só que por muito menos tempo por estas bandas, foi também Jimi ser "gauche" na vida. Com vocês, Mr. Hendrix:


terça-feira, 14 de setembro de 2010

OS MAIORES JOGOS DE TODOS OS TEMPOS 8

Soube deste jogo há cerca de um ano, não o assisti na época, pois só me recordo de ter começado a acompanhar o futebol com mais atenção a partir de 1973. Mas não há dúvidas, pelos relatos da época, e da seqüência de gols e reviravoltas que esta partida teve, foi sem dúvida um dos mais emocionantes de que se tem notícia.
O Palmeiras com a sua Academia em fase de transição, e o Corinthians com o Garoto do Parque, Rivellino, em grande fase, protagonizaram uma memorável partida pelo Campeonato Paulista de 1971 (no fim do vídeo diz que é Brasileiro, mas está errado). No fim, o Timão saiu vencedor, por 4 a 3, mas pode-se dizer que quem venceu mesmo foi o futebol. É só ver as feras nas escalações dos dois times e as imagens dos gols, alguns fantásticos. Divirta-se!

FICHA TÉCNICA
CORINTHIANS 4 x 3 PALMEIRAS
Local: Estádio do Morumbi - São Paulo (SP)
Data: 25/04/1971
Árbitro: Armando Marques
Público: 60.445
Renda: Cr$ 405.279,00
CORINTHIANS: Ado, Zé Maria, Luís Carlos, Sadi e Pedrinho; Tião e Rivelino; Lindóia (Natal), Samarone (Adãozinho), Mirandinha e Perí. Téc.: Franscisco Sarno
PALMEIRAS: Leão, Eurico, Baldochi, Luís Pereira e Dé. Dudu e Ademir da Guia; Fedato, Héctor Silva (Leivinha), César e Pio. Téc.: Rubens Minelli
Gols: César (35 segundos - 1º), César (9 - 1º), Mirandinha (5 - 2º), Adãozinho (24 - 2º), Leivinha (25 - 2º), Tião (26 - 2º) e Mirandinha (42 - 2º).
Veja também:
O Primeiro Hexa Brasileiro foi o Palmeiras
Os Maiores Jogos de Todos os Tempos 4

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

PARABÉNS, DEJAN PETKOVIC!

Depois que Zico parou de jogar pelo Flamengo (sua despedida foi no dia 6 de fevereiro de 1990, data que marco bem porque foi a primeira vez em que trabalhei como repórter no Maracanã), o clube passou a buscar a todo custo um novo Galinho nas suas divisões de base. Alguns até foram bem, como Sávio, mas ninguém chegou a brilhar tanto como o sérvio Petkovic, que chegou à Gávea em 2000, depois de ter despontado para o torcedor brasileiro no Vitória.
Com o fantástico gol de falta que garantiu o tricampeonato carioca para o Flamengo em 2001, ele já havia escrito o seu nome na galeria dos maiores jogadores que vestiram a camisa rubro-negra. Porém, depois de passar por Fluminense e Vasco, com algum brilho, e discretamente por Goiás, Atlético-MG e Santos (e pelo mundo árabe e até a China), ele voltou ao Flamengo no ano passado nitidamente para encerrar sua carreira. Alguns dirigentes ingratos não o queriam lá e, para a sorte da torcida do Flamengo, ele não só ficou, como foi para mim o maior responsável pela conquista do título brasileiro de 2009. Sem ele, o Flamengo não teria voltado a ser campeão brasileiro após 17 anos de espera. Hoje, 10 de setembro de 2010, Pet faz 38 anos de idade, não tem mais a força física para comandar o fraco Flamengo deste ano, mas merece todas as homenagens da torcida rubro-negra e de todo aquele que admira o futebol bem jogado. Parabéns, grande artista da bola!

sábado, 4 de setembro de 2010

JOGO DE RECORDAÇÃO 1 E 2: FLAMENGO X AMÉRICA-RJ


Este Flamengo 2 x 1 América-RJ, com gols de Alex, Júnior e Zico, no dia 8 de dezembro de 1974, foi o primeiro jogo a que assisti no Maracanã (veja o vídeo acima). Com a vitória, o time rubro-negro conquistou o terceiro turno do Campeonato Carioca (o último antes da fusão dos estados da Guanabara com o do antigo Rio de Janeiro) e ganhou o direito de disputar o triangular final contra o próprio América, ganhador da Taça Guanabara (primeiro turno), e o Vasco, vencedor do segundo turno.

Uma semana depois eu estaria lá no Maraca de novo, levado pelo meu saudoso pai, para assistir à abertura do triangular, com outro Flamengo e América e novo 2 a 1 para o Rubro-Negro, gols de Júnior (num chute espetacular sobre o goleiro Rogério) e Jaime - o do América foi de Manoel (veja o vídeo abaixo). Vasco e América empataram a segunda partida em 2 a 2, e o Fla foi campeão carioca com o empate sem gols com o Vasco na última partida.

Veja também:
O primeiro hexa foi o Palmeiras
América-RJ, 106 anos

 


Mas eu só voltaria ao Maraca para ver outro time vermelho, o Internacional, no início de 1975 (2 de fevereiro, descobri pesquisando), num amistoso em que Zico deu show, fez dois golaços, e o Fla venceu por 4 a 2. Lembro bem que o goleiro colorado era Manga e o time gaúcho já tinha a base que se tornaria campeã brasileira daquele ano pela primeira vez em sua história. 

A força daquela equipe foi provada três dias depois no jogo em Porto Alegre, onde goleou o mesmo Fla por 4 a 0. Outra coisa que me recordo é que Doval não jogou, estava machucado e foi substituído por Ivanir, que fez os outros dois gols rubro-negros naquela partida. Alguém se lembra de Ivanir?

Veja também:
Na volta do Bonsucesso à Primeira Divisão do Rio, as conseqüentes boas lembranças de meu avô Thomé
"Contos da Bola", quem lê recomenda

domingo, 15 de agosto de 2010

SEMPRE UM BOM JOGO PARA SE RECORDAR


Esta partida amistosa, realizada em meio às eliminatórias sul-americanas e europeias da Copa do Mundo de 1978, foi uma das primeiras a que assisti da seleção e, por mais contraditório que possa parecer em relação ao título do texto, foi meio decepcionante, apesar dos grandes jogadores em campo. A seleção brasileira abriu 2 a 0 e parou para assistir ao time de Platini, Didier Six e Tresor passear em campo e empatar o jogo.


Naquela noite, em 1977, a torcida brasileira no Maracanã, revoltada com a equipe que tinha Rivelino, Cerezo, Roberto Dinamite, Leão, Luís Pereira, Edinho entre outros (Zico não jogou, devia estar machucado), gritou "França, França, França..." Repare no gol de Tresor uns torcedores pulando de alegria na antiga geral. 

Os castigos viriam nas Copas de 1986, 1998 e 2006.

FICHA TÉCNICA
BRASIL 2 X 2 FRANÇA
Amistoso
Data: 30/6/1977
Local: Maracanã
Renda: Cr$ 3.352.630,00
Público: 83.517 pagantes.
Gols: Edinho, aos 28 minutos do primeiro tempo; Roberto Dinamite, aos 4;  Didier Six, aos 6, e Tresor, aos 40 do segundo tempo.
Árbitro: Romualdo Arpi Filho.
BRASIL: Leão; Zé Maria (Orlando Lelé), Edinho, Luís Pereira e Rodrigues Neto; Toninho Cerezo, Paulo Isidoro e Rivellino; Gil, Roberto Dinamite e Paulo César Caju. Técnico: Claudio Coutinho.
FRANÇA: Rey; Janvion, Tresor, Bossis e Rio; Bathenay, Sahnoun e Platini; Zimako (Rouyer), Lacombe e Six. Técnico: Michel Hidalgo.


Veja também:

domingo, 8 de agosto de 2010

BRASIL, UM EDIFÍCIO QUE CRESCE SOBRE FRÁGEIS ALICERCES

Em um texto que escrevi há uns dez anos e que dou por perdido – infelizmente – defendia uma tese de que o Brasil antes mesmo de uma crise ética enfrentava uma grave crise estética. E que esta seria determinante para a outra. Hoje já não tenho mais tanta firmeza em fazer esta afirmação, pois pelo que tenho observado e lido as duas crises se agravaram tanto e se entrelaçam de tal maneira que não dá mais para saber onde começa uma, onde termina outra.
Não há dúvidas de que economicamente hoje o país é mais seguro, principalmente para quem conviveu com a hiper-inflação dos anos 80. Mas desde 1964, a base da nação vem sendo corroída e o que se pensou ser uma responsabilidade dos governos militares, já passados 25 anos desde que o último fardado se foi do Poder Executivo, não dá mais para acusá-los. Todos os civis que comandaram este país a partir de 1985 mantiveram a (falta de) política pública dos militares nas áreas da saúde e da educação, que são os alicerces de uma nação. E hoje, ainda mais que há 40, 30, 20, 10, 5 anos, são praticamente só os privilegiados financeiramente que têm acesso a hospitais, clínicas, colégios, cursos e universidades privados e também públicos de boa qualidade.
Não precisa ser um gênio para perceber que neste país esses serviços essenciais são uma piada de péssimo gosto, com raríssimas exceções – e estas são frutos exclusivos da competência e da abnegação dos profissionais dessas áreas ou de esforços isolados de uns pouquíssimos governantes. A ordem implícita é a seguinte: sucateia-se o serviço público para que o privado lucre mais. Quando morei numa cidade da Região Metropolitana do Rio por 13 anos, meus filhos sempre estudaram em colégios particulares porque não havia escolas públicas de qualidade por lá e eu tinha condições de pagar. Vindo para a capital, “a cidade mais cara do mundo” segundo um conceituado e riquíssimo técnico de futebol, desde 2007 eles passaram a estudar em escolas públicas. E é muito complicado, pois sempre há uma paralisação ou falta de profesores por qualquer motivo. Rara é a semana em que há aulas todos os dias e em todos os tempos.
Outro grande exemplo? Os planos de saúde. Só o fato de existirem já é um absurdo completo. Eles não existiriam, caso tivéssemos saúde pública decente para todos – e pagamos impostos altíssimos, sendo que um durante muitos anos foi exclusivo para esse setor. E não temos, muito longe disso. Saúde e educação neste país têm fins lucrativos. E como há milionários nos dois setores! Um deles gasta rios de dinheiro em patrocínio de um grande clube do Rio de Janeiro. E, não se enganem, tem retorno com muitas sobras garantido.
Ainda este ano (em janeiro de 2010) uma pessoa muito próxima a mim passou muito mal, e como não tinha plano de saúde tivemos de levá-la a um grande hospital público da zona norte do Rio de Janeiro. Voltasse à Terra, Dante Alighieri poderia basear o Purgatório e o Inferno da Divina Comédia naquele conjunto de prédios. Só estando lá para saber do que descrevo. Para se ter uma vaga idéia do que se passou, de 19h até pouco depois de meia-noite, que foi o tempo que passamos lá, duas pessoas morreram não por ausência de atendimento, mas por total falta de condições do hospital de atender bem os pacientes. E aqui entro na questão ética.
A pessoa que levei ao hospital foi atendida por alguns profissionais bastante competentes, tanto que saiu bem de lá, mas foi preciso brigar, discutir. Se não todos, mas a grande maioria dos profissionais, inclusive os competentes, era completamente despreparada para lidar com as pessoas, que estão ali porque sofrem com algum problema. Uns mais graves, outros menos, mas sofrem. Será que aulas de psicologia, ética e atendimento ao público são dadas nos cursos da área de saúde, especialmente na Medicina? Há uns dez anos, quando entrevistei o vice-presidente do Cremerj de então, tive a certeza de que não. A conclusão da história é que, reunida a família, resolvemos pagar um plano de saúde, para evitar que de uma próxima vez fosse ela a morrer num hospital imundo como aquele.
Eu nem vou falar na questão dos remédios que tantos lucros dão a médicos que receitam a DROGA “certa” aos seus pacientes. Uma percentagem do laboratório que a produziu estará garantida no fim do mês. Porque isso é uma questão que fere a lei, e nem sempre cumprir genuinamente a lei quer dizer que o cidadão tenha postura ética e é disso, desta questão mais sutil, porém importantíssima para a convivência em sociedade, de que quero falar. E da má educação pela falta de estudo à má educação por não se respeitar o outro numa fila de banco ou padaria, no ônibus, nas ruas, principalmente quando se joga lixo em qualquer lugar, faz-se barulho a qualquer hora e em qualquer local, vamos contruindo uma sociedade que valoriza o oportunismo, a extrema competitividade, o grotesco, o bizarro. E aí eu falo da estética.
Uma vasta rede emaranha tudo e uma questão influencia a outra. É só ver os ídolos e as "obras" que têm sido adorados nos últimos tempos, e quantos geniais artistas ficam completamente marginalizados e desconhecidos. Estes, ou são obrigados a procurar outro trabalho para sobreviver ou dão sorte de serem descobertos aqui e valorizados por estrangeiros ou vão viver no exterior para terem seus méritos reconhecidos e bem pagos. Isto acontece ainda mais do que há 40, 30, 20, 10, 5 anos...
Apesar da tão decantada boa fase econômica que vive o país, é fácil ver nas ruas do Rio de Janeiro – e não duvido que em São Paulo e outras grandes cidades ocorra o mesmo – como aumentou o número de moradores de rua e pedintes. É impossível sair de casa e não ver gente deitada nas ruas ou perambulando maltrapilhas sem rumo de um lado para o outro. Adultos, crianças e velhos. Fico me perguntando pela tal distribuição de renda.
Outro dia fui, depois de muito tempo, ao Centro do Rio com minha filha. Eram umas 9h e boa parte daqueles mendigos que vejo dormirem nas calçadas dos bancos e restaurantes da Presidente Vargas, desde que trabalhava lá em 1991, deitados nas calçadas centrais. Isso nunca havia visto antes, o que me faz crer que a população que vive nos cantos daquela larga avenida do Centro carioca esteja chegando a uma explosão demográfica.
E fico pensando, no limiar da questão ética – confesso – o que acontecerá com o Rio de Janeiro quando a maquiagem das UPPs e PACs terminar e começarem a chegar mais e mais imigrantes, chamados e incentivados por seus parentes e amigos que aqui vivem. Mais puxadinhos, mais gente dormindo nas ruas, mais violência, certamente. Por isso, o investimento pesado na saúde e na educação públicas em todo o país – eu disse, em todo o país – se torna tão necessária. E quando falo em investimento pesado não é simplesmente jogar dinheiro nessas áreas e depois ficar contabilizando notas, conceitos e estatísticas. É ter uma orientação, uma linha ética e estética a ser seguida para qualificar todos os profissionais e a população ser bem atendida e educada. Mas quem fala disso? Em que programa de governo está isso? Raros, raríssimos políticos, exceções que gritam no deserto, onde não há eco ou onde ele se perde na imensidão ou na multidão mais preocupada em pular e dançar.
Estamos às vésperas de mais 5 eleições importantíssimas e não tenho a ilusão de que votaremos melhor, exatamente por tudo o que escrevi acima. Os canalhas e aproveitadores continuarão a ser maioria entre os eleitos, justamente porque o povo se contenta com pouco, é muito mal educado e ainda é obrigado a votar. Ou seja, ele exerce um dever e não um direito. O que faz toda diferença.



Vídeo: "Roda Viva", de Chico Buarque, com o próprio e MPB-4, no Festival da Record de 1967, tema do documentário "Uma Noite em 67", dirigido pelo meu camarada Renato Terra e Ricardo Calil.
Veja também:
Os Bichos Vão se Rebelar
Os Muros
Os Infernos de São Sebastião
Mais Uma Sobre Educação

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

GANSO, O MESTRE-SALA DA VILA BELMIRO


Com todo respeito ao Vitória, que fez muito boa campanha, nenhum time merecia mais um título do que este Santos na Copa do Brasil. Se por um lado é pena que a campanha extrarodinária não tenha sido coroada com ao menos um empate no último jogo, por outro a vitória por 2 a 1 valorizou o vice do rubro-negro baiano. E mais merecido ainda foi o prêmio de melhor jogador da competição para Paulo Henrique Ganso.
Posso estar enganado - e, se estiver, alguém que visite este blog e leia este texto me ajude - mas desde Sócrates, Falcão e Leandro não vejo um jogador tão elegante em campo. Parece um mestre-sala desfilando pela avenida verde dos campos brasileiros com altivez, leveza e alegria, sem barroquismos. Parece um veterano, mais do que Robinho, o "nome" do alvinegro praiano.
Ganso é o cérebro do time, aquele jogador que andei comentando aqui de que tanto sentia falta. O que enxerga o jogo, joga de cabeça erguida, arma uma equipe com sua presença e seus passes e lançamentos precisos e ainda faz gols. Alguém sabe quem foi o cérebro da seleção de Dunga na Copa passada? Pois é, o obtuso ex-treinador da seleção o deixou fora e essa experiência pode fazer falta em 2014. Espero que não.
Até porque, Ganso joga muito justamente porque busca sempre a jogada mais simples e não a simplória, muito menos a firula, tão afeita a Neymar, por exemplo. E o mais simples para o camisa 10 do Santos é muito complicado para a maioria, que ou não sabe fazer ou quer fazer além do que deveria. Um passe seu surpreende até quem vê o jogo pela TV ou de cima no estádio e tem a visão do campo todo, deixando sempre um companheiro em condições de fazer uma jogada perigosa ao gol adversário, ou simplesmente ludibriando a marcação ou ele mesmo concluindo a jogada.
Paulo Henrique Ganso tem tudo para ser um gênio da bola, simplesmente porque não procura fazer o mais complicado, não enfeita, e mesmo assim cria, surpreende, dá beleza ao espetáculo, faz arte em campo. Enfim, dá prazer a quem gosta de futebol assisti-lo jogar.
Ilustração: Fábio (http://desenhafabio.wordpress.com/)
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O Cérebro do Time
Beckenbauer, a Elegância do "Kaiser"
Meninos da Vila: a Arte e o Prazer de Jogar Bola

sexta-feira, 30 de julho de 2010

UM SONHO CHAMADO KUROSAWA

Akira Kurosawa, falecido em 1998 (completaria cem anos em 23 de março deste ano), foi um cineasta que conseguia ser delicado e deixar esperança mesmo nas cenas mais tristes de seus filmes. Sonhos, de 1990, talvez seja o que melhor resume a sua extensa filmografia. Com o filme já lançado em DVD há alguns anos, isso pode ser confirmado por fãs e aqueles que se propuserem a conhecer o trabalho meticuloso do mestre japonês.

Aliás, começar a conhecer a obra de Kurosawa por Sonhos é uma excelente idéia. Não que este filme, dividido em oito episódios que vão desde o mais puro lirismo à denúncia metafórica da estupidez humana, seja o melhor que filmou – aliás, tarefa inglória para quem se propuser a elegê-lo. Mas sim porque ele sintetiza bem o que o cineasta entendia por cinema.

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O perfeccionismo de Kurosawa foi bastante comentado durante sua vida. Conta-se que o cineasta chegava muitas vezes a quase levar à loucura os atores de seus filmes por esperar dias e dias numa locação, aguardando a luz natural ideal para iniciar a filmagem de cenas que costumava desenhar com antecedência. O resultado disso são verdadeiras obras-primas, repletas de poesia e exaltação da vida e da Natureza.

Em Sonhos, Kurosawa parte de dois episódios compostos do mais puro lirismo: Sol em Meio à Chuva e O Pomar de Pêssegos, versos em profusão são lançados nas imagens com uma economia de palavras bastante pertinente. No caso deste mestre do cinema, verdadeiramente uma imagem valia por mil palavras.
A Nevasca, o terceiro episódio, apresenta uma luta angustiante de homens contra a fúria da Natureza, com imagens que traduzem com nitidez o que quase não mostra, devido exatamente à nevasca. Em O Túnel, a quarta história, e O Monte Fuji em Vermelho, a sexta, o tema é a guerra, sendo que nesta última os raios coloridos da radioatividade no céu entram em consonância com o episódio anterior, Corvos em razão das cores.

Neste, Kurosawa homenageia o pintor holandês Vincent Van Gogh, interpretado no filme pelo também cineasta Martin Scorsese. Os devaneios do cineasta japonês ganham contornos surreais, embora não fosse este o estilo do homenageado. Mas as cores vivas do quadro de Van Gogh estão lá, quando um personagem, encantado com a obra, é levado para dentro dela. Ao som da Nona Sinfonia de Beethoven, o homem aprende com o pintor – e com Kurosawa – que só consegue pintar (e escrever, filmar, fotografar, compor, criar enfim) quem se envolve inteiramente, no caso, com a Natureza.

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O penúltimo episódio, O Demônio Chorão, é impossível não se remeter ao Inferno de Dante Alighieri e também à tragédia de Hiroshima e Nagasaki – aliás, algo já mencionado em O Monte Fuji em Vermelho e tema de outra obra sua Rapsódia em Agosto, de 1991. Com cenas fortes, Kurosawa “condena” o homem a colher o que plantou com a corrida armamentista, as guerras nucleares e a ganância.

O filme é fechado com uma história de uma beleza esfuziante não por imagens fantásticas e mirabolantes, mas pela simplicidade, que deveria caracterizar a vida de todo ser humano. A relação ideológica deste episódio com Dersu Uzala, de 1975, é imediata: na Natureza o homem encontra tudo o que necessita para viver, e bem.

Povoado de Moinhos é um libelo à vida simples, que só se torna repleta exatamente por isso. Um velho sábio demonstra a um rapaz urbano que as coisas mais importantes na vida são a água e o ar puro. Para encerrar a história e o filme da melhor forma, Kurosawa leva o rapaz a assistir a um cortejo festivo em celebração da morte de uma senhora de 99 anos. Como em O Pomar de Pêssegos, a dança e a música e, em resumo, as artes em conjunto, estão presentes.


Além de Sonhos, os fãs do cinema de Kurosawa encontram muitos outros filmes do mestre japonês em DVD como Ran, Os Sete Samurais, Yojimbo, Dersu Uzala, Rashomon, Rapsódia em Agosto, entre outros.

Ficha Técnica
Akira Kurosawa's Dreams (120 minutos, Cor, 1990)
Diretor: Akira Kurosawa
Roteiro: Akira Kurosawa
Fotografía: Takao Sato
Música: Schinichiro Ikebe
Montagem: Tome Minami
Direção artística: Yoshiro Muraki
Produtoras: Hisao Kurosawa, Mike Y. Inoue
Atores:
Akira Terão, Mitsuko Baisho, Toshihiko Nakano, Mie Suzuki, Mieko Harada, Masayuki Yui, Shu Nakajima, Sakae Kimura, Martin Scorsese, Hisashi Igawa, Chishu Ryu, Tessho Yamashita, Misato Tate, Catherine Cadou, Mugita Endo, Ryujiro Oki, Keiki Takenouchi, Kento Toriki, Tokuju Masuda, Masou Amada.
Distribuidora em vídeo e DVD: Warner


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quarta-feira, 28 de julho de 2010

O CIRCO QUE FAZ SEU PÚBLICO DE PALHAÇO

Peço licença para citar novamente Zico (e) para falar de outro "esporte" aqui. Disse o Galinho no SporTV segunda-feira passada: "Parei de acompanhar a Fórmula 1 desde aquele episódio do Rubinho". Pois é, os verdadeiros esportistas não compactuam com armações, falcatruas, manipulações de resultados.

Lamentavelmente, três escandalosos episódios ocorreram na F-1 nos últimos anos e em todos eles pilotos brasileiros serviram de capachos para Michael Schumacher, primeiro, e Fernando Alonso, depois. Só espero que aqueles que continuarem a acompanhar a F-1 não se esqueçam dessas histórias vergonhosas e não passem a achá-las normais, mesmo que algum brasileiro, num dia qualquer, seja o favorecido.

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