"NÉVOAS, NUVENS, NEBLINAS", POESIA MUSICADA COM IA

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Ilustração criada com auxílio da I.A.

A união da poesia, música e inteligência artificial ganha mais um capítulo em minhas experiências com "Névoas, nuvens, neblinas". Aproveito para reforçar o que venho dizendo repetidamente nos últimos meses: a tecnologia é uma ferramenta que pode ampliar nossas expressões artísticas. 

Pode limitar também? Também, mas não é o meu objetivo, nem valor, portanto, está fora de questão pra mim. A I.A. tem sido, até agora, uma ótima parceira pra mim que trabalho solitariamente há muitos anos já.

Outra poesia que se torna canção

Depois de "Jogo de bola" e "Palavras mareiam", agora chegou a vez de "Névoas, nuvens, neblinas", mais uma poesia que está no inédito livro "Canções". Utilizei novamente a plataforma Suno e consegui tornar os versos escritos em uma composição que desejava, semelhante aos sons das montanhas de Minas Gerais. 

Acho que consegui ao pedir que o estilo musical fosse "Folk-rock brasileiro de Minas Gerais", mas passo a bola pra você dar a sua opinião. O resultado escolhido por mim, pois o Suno sempre gera duas versões, caiu no meu agrado, pois foi na direção que pretendia. E, melhor, desta vez sem erros na letra.

Veja também:

O processo criativo

Os versos originais remetem às músicas da terra de meu pai, tios, avós e outros tantos antepassados. Em Minas está a metade paterna de meu sangue, com tantas memórias da infância e também mais recentemente, de 2017, quando passei a semana do carnaval no Parque Estadual de Ibitipoca, com minha mulher e amigos. 

Sempre componho poesias com algum ritmo, melodia, harmonia na mente e no coração. É o que chamo de pensentir ao transbordar, pois como escrevi na abertura do meu livro de estreia, "Profano coração", "poesia é transbordamento".

Estão ali também um pouco de melancolia e angústia de se ver obrigado a aceitar certas coisas inaceitáveis para o ego, mas que são impossíveis de se modificar. A poesia nasceu no período tenebroso mais recente que vivemos neste país e também no mundo, aqui especificamente com a combinação de desastre político com tragédia sanitária. 

Mas isso está muito implícito, apenas revelo aqui para que saiba qual foi a minha motivação, especialmente para a última estrofe: "Nada vejo e prossigo/ Sentindo na carne a lanhar/ As lâminas afiadas/ Do que não posso mudar". 

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A poesia e seus versos

NÉVOAS, NUVENS, NEBLINAS
(Eduardo Lamas Neiva)

Do céu vem o vento
Trazendo a poeira do tempo
A cegar-me os olhos tão vivos
Até então.

Névoas,
Nuvens,
Neblinas,

Como se subisse a serra
E descesse o serrote
Lanhando sentimentos
E sensações
De algum dia precioso

Névoas,
Nuvens,
Neblinas,

Nada vejo e prossigo
Sentindo na carne a lanhar
As lâminas afiadas
Do que não posso mudar.


A edição do vídeo

Para o vídeo que disponibilizo abaixo e que também está no meu canal do YouTube e nos meus perfis do Instagram, Facebook, LinkedIn e Tik Tok pedi as imagens ao ChatGPT, dando a direção que desejava. Tive de descartar algumas, pois às vezes a inteligência artificial não acompanha o nosso lento raciocínio.

Porém, no todo, creio que ilustram bem, acrescentando, sem se tornar redundante, os versos muito bem cantados pelo "cantor" e "compositor" da música: "A.I.lton GarcI.A.". Desculpe-me, mas não resisto a criar nomes para as minhas parcerI.A.s.    

Veja e ouça o vídeo abaixo. Espero que curta e deixe o seu comentário, agradeço muito. Ah, não deixe de seguir o blog! Mais uma vez, obrigado.

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Música pra Viagem: Cálice

"PALAVRAS MAREIAM", POESIA MUSICADA COM IA

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Imagem produzida por IA

Mais uma vez venho aqui para compartilhar com vocês outra experiência que une poesia, inteligência artificial e música. Apesar de, como já dissera anteriormente, ainda haja quem torça o nariz para a IA, esse tipo de colaboração só demonstra como a tecnologia pode ampliar nossas expressões artísticas. 

E, para quem acha que tecnologia e arte são (ou deveriam ser) incompatíveis, recomendo o documentário "O segredo de Vermeer (Tim's Vermeer)". Está disponível na Netflix.

Uma poesia que virou canção

Depois de "Jogo de Bola", decidi experimentar como outra poesia inédita de minha autoria, "Palavras Mareiam", soaria ao se transformar em música com auxílio da IA. Utilizei novamente a plataforma Suno e consegui tornar os versos escritos em uma composição num estilo que nem sei se existe, o folk brasileiro. 

A ideia foi ter um gênero que valorizasse as raízes e tradições musicais brasileiras. E o resultado foi muito bom, no meu conceito, apesar de alguns erros na letra, por isso pus minha voz na edição de áudio para que fossem corrigidos os equívocos.

Processo criativo: como as palavras mareiam

Com meu poema original, ainda inédito em livros, busco explorar a fluidez das palavras e dos sentimentos, comparando-os ao movimento das marés. Ao submeter o texto à IA e especificar o estilo musical desejado, presenciei o nascimento de uma interpretação sonora que complementa perfeitamente a essência dos versos.

Para finalizar a experiência, editei um vídeo utilizando imagens também geradas por inteligência artificial, criando assim uma obra multimídia que representa a convergência entre arte humana e tecnologia.

Veja também:

PALAVRAS MAREIAM
(Eduardo Lamas Neiva)

Palavras mareiam,
sentimentos vêm,
sedimentos ficam,
sentimentos vão,
sedimentos escorrem.

Palavras erodidas,
sensações escritas
no silêncio
das pedras
na beira do cais,
na beira do meu caos!

Bate, mareia,
Cais!
Volta mais forte,
Caos!

A experiência de criar com IA

Não só em minha visão, mas nas experiências que venho tendo desde o ano passado, a inteligência artificial na arte não substitui a criatividade humana, mas oferece novas possibilidades de expressão. Neste projeto, a IA serviu como instrumento para explorar dimensões sonoras e visuais que complementam minha criação poética original.

Veja também:

A escolha do folk brasileiro como estilo musical não foi por acaso. Inventado ou não, este gênero, com suas raízes profundas na cultura popular brasileira, carrega a mesma autenticidade e fluidez que busquei expressar em meus versos sobre o movimento das palavras e dos sentimentos.

Vídeo, uma experiência a mais

O vídeo criado para acompanhar a música amplifica a experiência, trazendo elementos visuais que dialogam com o texto e a melodia. As imagens, também geradas com auxílio da IA, complementam o conceito de fluidez e transformação presentes na poesia original.

Veja e ouça o resultado no vídeo abaixo. Espero que curta, deixe seu comentário, agradeço muito.


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As velhas senhoras do Campo de San't Anna
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UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #34

Uma coisa jogada com música - Capítulo #33

Dario cabeceia no gol do título brasileiro do Atlético-MG, em 1971. Foto: O Globo, aprimorada por IA

O título do Atlético Mineiro em 1971 não sai de campo e Ceguinho Torcedor rola a pelota.

Ceguinho Torcedor: - João e demais amigos, deixa eu contar uma história curiosa. Na véspera daquela final, fui ao Bigode do Meu Tio, um bar que existia lá do Rio, e um rapaz se levantou de uma mesa próxima. Reconhecera-me e veio perguntar: “Quem vai ser o personagem da semana”? Virei-me: “Mas o jogo é amanhã?”. O outro insistiu: “Mas você não é profeta?”

Todos riem.

João Sem Medo: - Viu, Ceguinho, fica alardeando seus poderes...

Ceguinho Torcedor: - Pois é, João. Achei graça, fechei os olhos e disse, impulsivamente: “Dario”. Era uma brincadeira, isto é, uma aparente brincadeira. Sem querer e sem saber, eu estava acertando no centro da mosca.

Sobrenatural de Almeida: - Assombroso! hahaha

João Sem Medo: - Sua aposta foi tão certeira quanto a cabeçada do Dadá.

Todos concordam e há um burburinho na plateia, que logo se silencia para continuar ouvindo o profeta.

Ceguinho Torcedor: - Não raro, Dario dava uma sensação de força da natureza, como se chovesse, ventasse, trovejasse, relampejasse. Na hora do gol estava sempre no lugar certo.

Idiota da Objetividade: - Ele fez 15 gols e foi o artilheiro do campeonato.

Ceguinho Torcedor: - Na finalíssima, ele não encontrava uma abertura fácil para a sua penetração. E, no entanto, foi ele que no momento justo enfiou uma prodigiosa cabeçada e ganhou a partida. Todo time do Atlético brilhou, é certo. Mas vamos e venhamos: Dario merecia naquele dia que o carregassem numa bandeja, e de maçã na boca, como um leitão assado.

Risadas gerais.

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Garçom: - Dario merece, então, nossa homenagem musical, não é verdade?

Todos concordam e aplaudem.

Garçom: - Procurei arduamente pelo áudio da música “O futebol de Dadá”, de Paulinho Pedra Azul e MarceloJiran, mas não encontrei. Porém, temos aqui e vamos pôr no som “Rei Dadá”, de Moreira Júnior e Nino. Divirtam-se que a música é muito boa! 

(no vídeo abaixo, você pode ouvi-la a partir de 24min20)

Muitos dançaram e até cantaram em coro a música em homenagem a Dario. Depois houve uma certa dispersão, um respiro pros convidados especiais do bar “Além da Imaginação”. Após a pausa, Idiota da Objetividade reabre o papo com a deixa sobre as origens do Campeonato Brasileiro.

Idiota da Objetividade: - Com o reconhecimento pela CBF em dezembro de 2010 dos campeões da Taça Brasil e da Torneio Roberto Gomes Pedrosa como campeões brasileiros, o Bahia passou a ser o primeiro detentor do título, em 1959.

João Sem Medo: - A CBF misturou alhos com bugalhos. Mas aquele título do Bahia foi merecido.

Sobrenatural de Almeida: - O tricolor baiano venceu o Santos de Pelé na final, uma grande glória.

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Ceguinho Tricolor: - Glória eterna! Eu fui ao Maracanã na partida final. Foi um grande carnaval. Lembro da torcida batucando e cantando “Baiano burro nasce morto”.

Músico: - Ah, então vamos tocar essa, não é, Zé Ary?

Garçom: - Sim, claro! Vamos chamar aqui ao palco o alagoano Luiz Wanderley para cantar este forró porreta de Gordurinha em homenagem aos baianos!

Luiz Wanderley sobe ao palco, agradece os aplausos gerais e mete bronca no rastapé.


A turma toda, mais uma vez, dançou e se divertiu com Luiz Wanderley. Aplaudido, ele desceu do palco cumprimentou nossos quatro debatedores - ou contadores de causos futebolísticos – e retornou à sua mesa, onde foi recebido efusivamente.

Fim do Capítulo #34

Episódio originalmente publicado em 21 de setembro de 2022 e republicado totalmente modificado em 9 de maio de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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GLOBOESPORTE.COM 20 ANOS, EU ESTIVE LÁ

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Logo da campanha dos 20 anos do ge.com

Como vi ex-companheiros de trabalho fazendo relatos nas redes sociais sobre as suas experiências nestes recém-completados 20 anos do Globoesporte.com (atual ge.com), resolvi contar no LinkedIn e também aqui um pouco dos 6 anos e meio que passei por lá, entre novembro de 2006 e abril de 2013. Cheguei com contrato terceirizado para ser o primeiro a trabalhar diariamente na madrugada do site (de meia-noite às 8h), com a enorme responsabilidade de cuidar dele sozinho, de 1h, quando todos quase sempre já haviam ido embora, às 7h, quando começavam a chegar os primeiros colegas.

Em fevereiro de 2007, fui contratado em definitivo, o que foi uma grande felicidade, pois várias vezes as tentativas de lado a lado haviam sido frustradas por motivos variados, desde a época em que eu trabalhava em O Globo Online, e o Globoesporte.com era apenas um embrião do que se tornaria, na Copa do Mundo de 1998.

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Naquele período em que estive na madruga, teve o Pan de 2007, as Olimpíadas de 2008 e a Copa de 2010, sendo que nestes dois últimos eventos ganhei a companhia de uma equipe, à qual me integrei no Rio de Janeiro. Em 2010, após a Copa da África do Sul, pedi para trabalhar em um horário "normal" e fui prontamente atendido, ao que agradeço muito, principalmente a Gustavo Poli, Daniel Lessa, vulgo Cabelada, e Marcio Moreira, o Cabelo. Além dos companheiros no Rio, não posso me esquecer dos grandes profissionais de outros estados que me ajudaram muito, principalmente os de São Paulo, casos de Zé Gonzalez Joanna de Assis e Julyana Travaglia, por exemplo.

Fui substituído na madruga pelo meu xará e já amigo naquela época Eduardo Santos. No horário de 16h às 24h tive o prazer de trabalhar mais diretamente com pessoas que só encontrava rapidamente à noite ou de manhã. E vi grandes talentos que despontam hoje na TV Globo, no próprio site e em outros veículos darem os seus primeiros passos ali, casos de Richard Souza e Cahê Mota. Também pude voltar a trabalhar diretamente com meu amigo, irmão de consideração e compadre Bruno Lobo.

Trabalhar na madruga não foi fácil, minha vida de viúvo com 3 filhos adolescentes ficou de cabeça pra baixo por 4 anos, mas foi, com acertos e erros, uma grande experiência profissional e pessoal também, pela qual agradeço muito sempre às pessoas que muito me ajudaram, principalmente minha mãe e minha namorada na época, hoje esposa, Denise. Em 2012 recebi uma proposta, tentei conciliar dois trabalhos, mas acabei decidindo assumir de vez outra paixão minha, como sócio-diretor de uma empresa da área cultural e artística, e pedi demissão do Globoesporte.com com o coração na mão.

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Foi lá o local em que trabalhei por mais tempo em toda a minha carreira de jornalista, iniciada em 1988, superando a passagem pela Agência O Globo e O Globo Online (1995/2000). O Globoesporte.com foi também um período riquíssimo de minha carreira de jornalista, que acabou se tornando a última oportunidade que tive de trabalhar numa redação jornalística, o que fazia desde o fim dos anos 80. Curiosamente outro dia me bateu saudades do trabalho em redações, onde sempre quis mais trabalhar, do que nas ruas, como a maioria dos jornalistas prefere.

Matérias inesquecíveis

Para terminar este relato, relembro aqui duas matérias que me deram imenso prazer de fazer, já no período da tarde e pelas quais tenho de agradecer ao amigo Márcio Mará, que as revisou e editou: uma pro centenário do Fla-Flu, em junho de 2012 (clique aqui pra ler) , e outra, em setembro do mesmo ano, uma entrevista por telefone com o grande Mauricio de Sousa , sobre o jogo da vida dele (clique aqui).

Print de trecho da entrevista com Mauricio de Sousa no Globoesporte.com

Parabéns ao globoesporte.com, muito obrigado a todos que me ajudaram direta ou indiretamente lá, muitos que já saíram e alguns que ainda estão tocando brilhantemente aquela bola já há alguns anos em um lugar diferente do que trabalhei, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Peço só mil desculpas a quem não foi citado, mas que merecia, e não foram poucos.

E você, já passou por experiências profissionais que marcaram sua trajetória e deixaram saudades?

Compartilhe nos comentários um momento ou um aprendizado que te acompanhou ao longo da carreira. Agradeço.

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UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #33

Uma coisa jogada com música - Capítulo #33

Roberto afasta Brito, após soco do zagueiro em José Aldo Pereira. Jairzinho e Zequinha observam o árbitro, que parece ser consolado por Waltencir. Foto aprimorada por IA

Todos se divertem e dançam com a música gravada pelo Sotaque Brasileiro. Ao fim, Zé Ary toma a palavra, pois uma surpresa está por vir.

Garçom: - Olha, gente, o Everaldo prometeu que virá aqui mais tarde, aí ele poderá falar sobre aquele episódio com o árbitro José Faville Neto.

João Sem Medo: - É bom lembrar que Everaldo foi homenageado pelo Grêmio com uma estrela dourada na bandeira do clube. Ele tem também muitas boas histórias pra contar.

Idiota da Objetividade: - Verdade. Ele foi o primeiro jogador de um clube gaúcho a ser campeão mundial pela seleção.

Músico: - E tem música em sua homenagem também, gravada depois que ele faleceu, em 1974.

Garçom: - É verdade. Chama-se “Everaldo, estrela de ouro”, de Francisco Castilhos e Albino Manique, fundadores do grupo gaúcho Os Mirins, que gravaram a música. Vamos ouvir aqui no som.


Todos ouvem com atenção e respeito. No fim, alguns se emocionaram e todos aplaudiram.

Garçom: - Everaldo prometeu vir, acho que junto com o Lupicínio Rodrigues, e aí a gente vai poder conversar com ele.

João Sem Medo: - Sobre o Grêmio e a seleção brasileira!

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Idiota da Objetividade: - Outro que fez parte da seleção tricampeã mundial, em 70, e agrediu árbitro foi o zagueiro Brito. Ele deu um soco no estômago de José Aldo Pereira, depois de não marcar um pênalti contra o Botafogo, num jogo que o Vasco venceu por 1 a 0, pelo Campeonato Brasileiro de 1971. Chegou a pegar um ano de suspensão, mas foi beneficiado pelos serviços prestados à seleção e a punição foi reduzida.

João Sem Medo: - O zagueiro Moisés, do Vasco, declarou à Rádio Globo, nas vésperas da partida, que iria entrar e espanar. De fato cumpriu parte de sua promessa antes de dois minutos de jogo sem sequer ser advertido. Foi um esbulho, uma desmoralização para o futebol. Disseram que o Brito deu a primeira e perdeu a cabeça, mas foi outro jogador e o juiz sabia quem tinha sido. Mas não teve coragem, nem moral para assinalar isto na súmula. Prova o fato de tal pusilanimidade...

Sobrenatural de Almeida: - Pusilanimidade, João! Gastou o vernáculo agora, hein.. hahaha (dá sua risada assombrosa)

Outros riem também, mas João está sério, retoma a bola e prossegue.

João Sem Medo: - Prova o fato que o jogador continuou no campo. É a consciência pesada de quem sabia estar prejudicando um time que impede isto. O Vasco nada tinha com o peixe. Tratou de seus papéis. Se não marcaram o pênalti em Jairzinho, paciência. O juiz parece que tinha combinado que não valeria pênalti. A única decisão sábia do juiz foi não comparecer à delegacia.

Garçom: - Bom, o senhor José Aldo Pereira não está aqui pra se defender, vamos deixar quieto, então.

Zé Ary percebe um burburinho próximo à entrada do bar e anuncia.

Garçom: - Olha só, gente, quem está chegando: o mestre Telê Santana!

Telê é aplaudido de pé por todos.

Telê Santana: - Obrigado, muito obrigado.

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Garçom: - Seu Telê, estávamos pouco antes de o senhor chegar falando do título brasileiro do Atlético, em 1971. São muito boas as lembranças daquela conquista, não é?

Telê Santana: - Sim, muitas. Fomos jogar no Rio pelo empate, mas não o fizemos. Partimos para a vitória e ficamos com o título.

Idiota da Objetividade: - E a promessa, Telê?

Telê Santana: - Quando fiz a promessa, calculei que seriam 50 quilômetros de minha residência, em Belo Horizonte, até a igrejinha de Pires, em Congonhas do Campo. Estava enganado, eram 78! Era impossível fazer tal distância a pé. Por isso aceitei o transporte oferecido pelos patrulheiros. Estava exausto, queimado do sol e com bolhas nos pés.

Ceguinho Torcedor: - Você foi heroico, Telê! Além do título nacional, ainda percorreu a pé 45 quilômetros. Quando jogador do meu Fluminense era o Fio de Esperança. No Atlético, transformou-se no Pagador de Promessa.

Todos riem muito e aplaudem Telê, que agradece e vai pra sua mesa.

Garçom: - Como todos sabem, mestre Telê tem muita coisa pra nos contar, além daquele primeiro título brasileiro do Atlético.   

Ceguinho Torcedor: - Amigos, foi uma vitória perfeita, irretocável, a do Atlético. Não é à toa, nem por acaso, que Minas exultou com o título do futebol brasileiro. Sempre digo que um campeão não se improvisa. É todo um processo, toda uma preparação. O Atlético Mineiro teria de vencer, porque amadurecera para a vitória tão desejada. Duzentos ônibus  invadiram a Guanabara, como era chamado na época o estado em que ficava apenas a cidade do Rio de Janeiro, com as faixas de campeão. O título não era um desejo, uma esperança, mas uma certeza inapelável. Ao longo da jornada, o time mais regular foi o mineiro.

João sem Medo: - O Atlético fez mesmo por merecer o título.

Garçom: - Em mais uma homenagem ao Galo, vamos ver no telão, a homenagem do cantor, compositor e violonista Celso Adolfo ao Clube Atlético Mineiro. A música se chama “Paixão atleticana”.

Muitos aplaudem a música, que agrada principalmente aos atleticanos presentes.

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Fim do Capítulo #33

Episódio originalmente publicado em 14 de setembro de 2022 e republicado totalmente modificado em 25 de abril de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #42

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