sábado, 4 de setembro de 2010

JOGO DE RECORDAÇÃO 1 E 2: FLAMENGO X AMÉRICA-RJ


Este Flamengo 2 x 1 América-RJ, com gols de Alex, Júnior e Zico, no dia 8 de dezembro de 1974, foi o primeiro jogo a que assisti no Maracanã (veja o vídeo acima). Com a vitória, o time rubro-negro conquistou o terceiro turno do Campeonato Carioca (o último antes da fusão dos estados da Guanabara com o do antigo Rio de Janeiro) e ganhou o direito de disputar o triangular final contra o próprio América, ganhador da Taça Guanabara (primeiro turno), e o Vasco, vencedor do segundo turno.

Uma semana depois eu estaria lá no Maraca de novo, levado pelo meu saudoso pai, para assistir à abertura do triangular, com outro Flamengo e América e novo 2 a 1 para o Rubro-Negro, gols de Júnior (num chute espetacular sobre o goleiro Rogério) e Jaime - o do América foi de Manoel (veja o vídeo abaixo). Vasco e América empataram a segunda partida em 2 a 2, e o Fla foi campeão carioca com o empate sem gols com o Vasco na última partida.

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América-RJ, 106 anos

 


Mas eu só voltaria ao Maraca para ver outro time vermelho, o Internacional, no início de 1975 (2 de fevereiro, descobri pesquisando), num amistoso em que Zico deu show, fez dois golaços, e o Fla venceu por 4 a 2. Lembro bem que o goleiro colorado era Manga e o time gaúcho já tinha a base que se tornaria campeã brasileira daquele ano pela primeira vez em sua história. 

A força daquela equipe foi provada três dias depois no jogo em Porto Alegre, onde goleou o mesmo Fla por 4 a 0. Outra coisa que me recordo é que Doval não jogou, estava machucado e foi substituído por Ivanir, que fez os outros dois gols rubro-negros naquela partida. Alguém se lembra de Ivanir?

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domingo, 15 de agosto de 2010

SEMPRE UM BOM JOGO PARA SE RECORDAR


Esta partida amistosa, realizada em meio às eliminatórias sul-americanas e europeias da Copa do Mundo de 1978, foi uma das primeiras a que assisti da seleção e, por mais contraditório que possa parecer em relação ao título do texto, foi meio decepcionante, apesar dos grandes jogadores em campo. A seleção brasileira abriu 2 a 0 e parou para assistir ao time de Platini, Didier Six e Tresor passear em campo e empatar o jogo.


Naquela noite, em 1977, a torcida brasileira no Maracanã, revoltada com a equipe que tinha Rivelino, Cerezo, Roberto Dinamite, Leão, Luís Pereira, Edinho entre outros (Zico não jogou, devia estar machucado), gritou "França, França, França..." Repare no gol de Tresor uns torcedores pulando de alegria na antiga geral. 

Os castigos viriam nas Copas de 1986, 1998 e 2006.

FICHA TÉCNICA
BRASIL 2 X 2 FRANÇA
Amistoso
Data: 30/6/1977
Local: Maracanã
Renda: Cr$ 3.352.630,00
Público: 83.517 pagantes.
Gols: Edinho, aos 28 minutos do primeiro tempo; Roberto Dinamite, aos 4;  Didier Six, aos 6, e Tresor, aos 40 do segundo tempo.
Árbitro: Romualdo Arpi Filho.
BRASIL: Leão; Zé Maria (Orlando Lelé), Edinho, Luís Pereira e Rodrigues Neto; Toninho Cerezo, Paulo Isidoro e Rivellino; Gil, Roberto Dinamite e Paulo César Caju. Técnico: Claudio Coutinho.
FRANÇA: Rey; Janvion, Tresor, Bossis e Rio; Bathenay, Sahnoun e Platini; Zimako (Rouyer), Lacombe e Six. Técnico: Michel Hidalgo.


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domingo, 8 de agosto de 2010

BRASIL, UM EDIFÍCIO QUE CRESCE SOBRE FRÁGEIS ALICERCES

Em um texto que escrevi há uns dez anos e que dou por perdido – infelizmente – defendia uma tese de que o Brasil antes mesmo de uma crise ética enfrentava uma grave crise estética. E que esta seria determinante para a outra. Hoje já não tenho mais tanta firmeza em fazer esta afirmação, pois pelo que tenho observado e lido as duas crises se agravaram tanto e se entrelaçam de tal maneira que não dá mais para saber onde começa uma, onde termina outra.
Não há dúvidas de que economicamente hoje o país é mais seguro, principalmente para quem conviveu com a hiper-inflação dos anos 80. Mas desde 1964, a base da nação vem sendo corroída e o que se pensou ser uma responsabilidade dos governos militares, já passados 25 anos desde que o último fardado se foi do Poder Executivo, não dá mais para acusá-los. Todos os civis que comandaram este país a partir de 1985 mantiveram a (falta de) política pública dos militares nas áreas da saúde e da educação, que são os alicerces de uma nação. E hoje, ainda mais que há 40, 30, 20, 10, 5 anos, são praticamente só os privilegiados financeiramente que têm acesso a hospitais, clínicas, colégios, cursos e universidades privados e também públicos de boa qualidade.
Não precisa ser um gênio para perceber que neste país esses serviços essenciais são uma piada de péssimo gosto, com raríssimas exceções – e estas são frutos exclusivos da competência e da abnegação dos profissionais dessas áreas ou de esforços isolados de uns pouquíssimos governantes. A ordem implícita é a seguinte: sucateia-se o serviço público para que o privado lucre mais. Quando morei numa cidade da Região Metropolitana do Rio por 13 anos, meus filhos sempre estudaram em colégios particulares porque não havia escolas públicas de qualidade por lá e eu tinha condições de pagar. Vindo para a capital, “a cidade mais cara do mundo” segundo um conceituado e riquíssimo técnico de futebol, desde 2007 eles passaram a estudar em escolas públicas. E é muito complicado, pois sempre há uma paralisação ou falta de profesores por qualquer motivo. Rara é a semana em que há aulas todos os dias e em todos os tempos.
Outro grande exemplo? Os planos de saúde. Só o fato de existirem já é um absurdo completo. Eles não existiriam, caso tivéssemos saúde pública decente para todos – e pagamos impostos altíssimos, sendo que um durante muitos anos foi exclusivo para esse setor. E não temos, muito longe disso. Saúde e educação neste país têm fins lucrativos. E como há milionários nos dois setores! Um deles gasta rios de dinheiro em patrocínio de um grande clube do Rio de Janeiro. E, não se enganem, tem retorno com muitas sobras garantido.
Ainda este ano (em janeiro de 2010) uma pessoa muito próxima a mim passou muito mal, e como não tinha plano de saúde tivemos de levá-la a um grande hospital público da zona norte do Rio de Janeiro. Voltasse à Terra, Dante Alighieri poderia basear o Purgatório e o Inferno da Divina Comédia naquele conjunto de prédios. Só estando lá para saber do que descrevo. Para se ter uma vaga idéia do que se passou, de 19h até pouco depois de meia-noite, que foi o tempo que passamos lá, duas pessoas morreram não por ausência de atendimento, mas por total falta de condições do hospital de atender bem os pacientes. E aqui entro na questão ética.
A pessoa que levei ao hospital foi atendida por alguns profissionais bastante competentes, tanto que saiu bem de lá, mas foi preciso brigar, discutir. Se não todos, mas a grande maioria dos profissionais, inclusive os competentes, era completamente despreparada para lidar com as pessoas, que estão ali porque sofrem com algum problema. Uns mais graves, outros menos, mas sofrem. Será que aulas de psicologia, ética e atendimento ao público são dadas nos cursos da área de saúde, especialmente na Medicina? Há uns dez anos, quando entrevistei o vice-presidente do Cremerj de então, tive a certeza de que não. A conclusão da história é que, reunida a família, resolvemos pagar um plano de saúde, para evitar que de uma próxima vez fosse ela a morrer num hospital imundo como aquele.
Eu nem vou falar na questão dos remédios que tantos lucros dão a médicos que receitam a DROGA “certa” aos seus pacientes. Uma percentagem do laboratório que a produziu estará garantida no fim do mês. Porque isso é uma questão que fere a lei, e nem sempre cumprir genuinamente a lei quer dizer que o cidadão tenha postura ética e é disso, desta questão mais sutil, porém importantíssima para a convivência em sociedade, de que quero falar. E da má educação pela falta de estudo à má educação por não se respeitar o outro numa fila de banco ou padaria, no ônibus, nas ruas, principalmente quando se joga lixo em qualquer lugar, faz-se barulho a qualquer hora e em qualquer local, vamos contruindo uma sociedade que valoriza o oportunismo, a extrema competitividade, o grotesco, o bizarro. E aí eu falo da estética.
Uma vasta rede emaranha tudo e uma questão influencia a outra. É só ver os ídolos e as "obras" que têm sido adorados nos últimos tempos, e quantos geniais artistas ficam completamente marginalizados e desconhecidos. Estes, ou são obrigados a procurar outro trabalho para sobreviver ou dão sorte de serem descobertos aqui e valorizados por estrangeiros ou vão viver no exterior para terem seus méritos reconhecidos e bem pagos. Isto acontece ainda mais do que há 40, 30, 20, 10, 5 anos...
Apesar da tão decantada boa fase econômica que vive o país, é fácil ver nas ruas do Rio de Janeiro – e não duvido que em São Paulo e outras grandes cidades ocorra o mesmo – como aumentou o número de moradores de rua e pedintes. É impossível sair de casa e não ver gente deitada nas ruas ou perambulando maltrapilhas sem rumo de um lado para o outro. Adultos, crianças e velhos. Fico me perguntando pela tal distribuição de renda.
Outro dia fui, depois de muito tempo, ao Centro do Rio com minha filha. Eram umas 9h e boa parte daqueles mendigos que vejo dormirem nas calçadas dos bancos e restaurantes da Presidente Vargas, desde que trabalhava lá em 1991, deitados nas calçadas centrais. Isso nunca havia visto antes, o que me faz crer que a população que vive nos cantos daquela larga avenida do Centro carioca esteja chegando a uma explosão demográfica.
E fico pensando, no limiar da questão ética – confesso – o que acontecerá com o Rio de Janeiro quando a maquiagem das UPPs e PACs terminar e começarem a chegar mais e mais imigrantes, chamados e incentivados por seus parentes e amigos que aqui vivem. Mais puxadinhos, mais gente dormindo nas ruas, mais violência, certamente. Por isso, o investimento pesado na saúde e na educação públicas em todo o país – eu disse, em todo o país – se torna tão necessária. E quando falo em investimento pesado não é simplesmente jogar dinheiro nessas áreas e depois ficar contabilizando notas, conceitos e estatísticas. É ter uma orientação, uma linha ética e estética a ser seguida para qualificar todos os profissionais e a população ser bem atendida e educada. Mas quem fala disso? Em que programa de governo está isso? Raros, raríssimos políticos, exceções que gritam no deserto, onde não há eco ou onde ele se perde na imensidão ou na multidão mais preocupada em pular e dançar.
Estamos às vésperas de mais 5 eleições importantíssimas e não tenho a ilusão de que votaremos melhor, exatamente por tudo o que escrevi acima. Os canalhas e aproveitadores continuarão a ser maioria entre os eleitos, justamente porque o povo se contenta com pouco, é muito mal educado e ainda é obrigado a votar. Ou seja, ele exerce um dever e não um direito. O que faz toda diferença.



Vídeo: "Roda Viva", de Chico Buarque, com o próprio e MPB-4, no Festival da Record de 1967, tema do documentário "Uma Noite em 67", dirigido pelo meu camarada Renato Terra e Ricardo Calil.
Veja também:
Os Bichos Vão se Rebelar
Os Muros
Os Infernos de São Sebastião
Mais Uma Sobre Educação

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

GANSO, O MESTRE-SALA DA VILA BELMIRO


Com todo respeito ao Vitória, que fez muito boa campanha, nenhum time merecia mais um título do que este Santos na Copa do Brasil. Se por um lado é pena que a campanha extrarodinária não tenha sido coroada com ao menos um empate no último jogo, por outro a vitória por 2 a 1 valorizou o vice do rubro-negro baiano. E mais merecido ainda foi o prêmio de melhor jogador da competição para Paulo Henrique Ganso.
Posso estar enganado - e, se estiver, alguém que visite este blog e leia este texto me ajude - mas desde Sócrates, Falcão e Leandro não vejo um jogador tão elegante em campo. Parece um mestre-sala desfilando pela avenida verde dos campos brasileiros com altivez, leveza e alegria, sem barroquismos. Parece um veterano, mais do que Robinho, o "nome" do alvinegro praiano.
Ganso é o cérebro do time, aquele jogador que andei comentando aqui de que tanto sentia falta. O que enxerga o jogo, joga de cabeça erguida, arma uma equipe com sua presença e seus passes e lançamentos precisos e ainda faz gols. Alguém sabe quem foi o cérebro da seleção de Dunga na Copa passada? Pois é, o obtuso ex-treinador da seleção o deixou fora e essa experiência pode fazer falta em 2014. Espero que não.
Até porque, Ganso joga muito justamente porque busca sempre a jogada mais simples e não a simplória, muito menos a firula, tão afeita a Neymar, por exemplo. E o mais simples para o camisa 10 do Santos é muito complicado para a maioria, que ou não sabe fazer ou quer fazer além do que deveria. Um passe seu surpreende até quem vê o jogo pela TV ou de cima no estádio e tem a visão do campo todo, deixando sempre um companheiro em condições de fazer uma jogada perigosa ao gol adversário, ou simplesmente ludibriando a marcação ou ele mesmo concluindo a jogada.
Paulo Henrique Ganso tem tudo para ser um gênio da bola, simplesmente porque não procura fazer o mais complicado, não enfeita, e mesmo assim cria, surpreende, dá beleza ao espetáculo, faz arte em campo. Enfim, dá prazer a quem gosta de futebol assisti-lo jogar.
Ilustração: Fábio (http://desenhafabio.wordpress.com/)
Veja também:
O Cérebro do Time
Beckenbauer, a Elegância do "Kaiser"
Meninos da Vila: a Arte e o Prazer de Jogar Bola

sexta-feira, 30 de julho de 2010

UM SONHO CHAMADO KUROSAWA

Akira Kurosawa, falecido em 1998 (completaria cem anos em 23 de março deste ano), foi um cineasta que conseguia ser delicado e deixar esperança mesmo nas cenas mais tristes de seus filmes. Sonhos, de 1990, talvez seja o que melhor resume a sua extensa filmografia. Com o filme já lançado em DVD há alguns anos, isso pode ser confirmado por fãs e aqueles que se propuserem a conhecer o trabalho meticuloso do mestre japonês.

Aliás, começar a conhecer a obra de Kurosawa por Sonhos é uma excelente idéia. Não que este filme, dividido em oito episódios que vão desde o mais puro lirismo à denúncia metafórica da estupidez humana, seja o melhor que filmou – aliás, tarefa inglória para quem se propuser a elegê-lo. Mas sim porque ele sintetiza bem o que o cineasta entendia por cinema.

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O perfeccionismo de Kurosawa foi bastante comentado durante sua vida. Conta-se que o cineasta chegava muitas vezes a quase levar à loucura os atores de seus filmes por esperar dias e dias numa locação, aguardando a luz natural ideal para iniciar a filmagem de cenas que costumava desenhar com antecedência. O resultado disso são verdadeiras obras-primas, repletas de poesia e exaltação da vida e da Natureza.

Em Sonhos, Kurosawa parte de dois episódios compostos do mais puro lirismo: Sol em Meio à Chuva e O Pomar de Pêssegos, versos em profusão são lançados nas imagens com uma economia de palavras bastante pertinente. No caso deste mestre do cinema, verdadeiramente uma imagem valia por mil palavras.
A Nevasca, o terceiro episódio, apresenta uma luta angustiante de homens contra a fúria da Natureza, com imagens que traduzem com nitidez o que quase não mostra, devido exatamente à nevasca. Em O Túnel, a quarta história, e O Monte Fuji em Vermelho, a sexta, o tema é a guerra, sendo que nesta última os raios coloridos da radioatividade no céu entram em consonância com o episódio anterior, Corvos em razão das cores.

Neste, Kurosawa homenageia o pintor holandês Vincent Van Gogh, interpretado no filme pelo também cineasta Martin Scorsese. Os devaneios do cineasta japonês ganham contornos surreais, embora não fosse este o estilo do homenageado. Mas as cores vivas do quadro de Van Gogh estão lá, quando um personagem, encantado com a obra, é levado para dentro dela. Ao som da Nona Sinfonia de Beethoven, o homem aprende com o pintor – e com Kurosawa – que só consegue pintar (e escrever, filmar, fotografar, compor, criar enfim) quem se envolve inteiramente, no caso, com a Natureza.

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O penúltimo episódio, O Demônio Chorão, é impossível não se remeter ao Inferno de Dante Alighieri e também à tragédia de Hiroshima e Nagasaki – aliás, algo já mencionado em O Monte Fuji em Vermelho e tema de outra obra sua Rapsódia em Agosto, de 1991. Com cenas fortes, Kurosawa “condena” o homem a colher o que plantou com a corrida armamentista, as guerras nucleares e a ganância.

O filme é fechado com uma história de uma beleza esfuziante não por imagens fantásticas e mirabolantes, mas pela simplicidade, que deveria caracterizar a vida de todo ser humano. A relação ideológica deste episódio com Dersu Uzala, de 1975, é imediata: na Natureza o homem encontra tudo o que necessita para viver, e bem.

Povoado de Moinhos é um libelo à vida simples, que só se torna repleta exatamente por isso. Um velho sábio demonstra a um rapaz urbano que as coisas mais importantes na vida são a água e o ar puro. Para encerrar a história e o filme da melhor forma, Kurosawa leva o rapaz a assistir a um cortejo festivo em celebração da morte de uma senhora de 99 anos. Como em O Pomar de Pêssegos, a dança e a música e, em resumo, as artes em conjunto, estão presentes.


Além de Sonhos, os fãs do cinema de Kurosawa encontram muitos outros filmes do mestre japonês em DVD como Ran, Os Sete Samurais, Yojimbo, Dersu Uzala, Rashomon, Rapsódia em Agosto, entre outros.

Ficha Técnica
Akira Kurosawa's Dreams (120 minutos, Cor, 1990)
Diretor: Akira Kurosawa
Roteiro: Akira Kurosawa
Fotografía: Takao Sato
Música: Schinichiro Ikebe
Montagem: Tome Minami
Direção artística: Yoshiro Muraki
Produtoras: Hisao Kurosawa, Mike Y. Inoue
Atores:
Akira Terão, Mitsuko Baisho, Toshihiko Nakano, Mie Suzuki, Mieko Harada, Masayuki Yui, Shu Nakajima, Sakae Kimura, Martin Scorsese, Hisashi Igawa, Chishu Ryu, Tessho Yamashita, Misato Tate, Catherine Cadou, Mugita Endo, Ryujiro Oki, Keiki Takenouchi, Kento Toriki, Tokuju Masuda, Masou Amada.
Distribuidora em vídeo e DVD: Warner


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quarta-feira, 28 de julho de 2010

O CIRCO QUE FAZ SEU PÚBLICO DE PALHAÇO

Peço licença para citar novamente Zico (e) para falar de outro "esporte" aqui. Disse o Galinho no SporTV segunda-feira passada: "Parei de acompanhar a Fórmula 1 desde aquele episódio do Rubinho". Pois é, os verdadeiros esportistas não compactuam com armações, falcatruas, manipulações de resultados.

Lamentavelmente, três escandalosos episódios ocorreram na F-1 nos últimos anos e em todos eles pilotos brasileiros serviram de capachos para Michael Schumacher, primeiro, e Fernando Alonso, depois. Só espero que aqueles que continuarem a acompanhar a F-1 não se esqueçam dessas histórias vergonhosas e não passem a achá-las normais, mesmo que algum brasileiro, num dia qualquer, seja o favorecido.

Veja também:
"Contos da Bola" está na rede
Fábrica de ídolos

segunda-feira, 19 de julho de 2010

NINA SIMONE, A SACERDOTISA DO JAZZ


Muito mais que uma grande cantora. Quando Nina Simone, que o público brasileiro teve a oportunidade de assistir  algumas vezes, deixou este mundo, em 21 de abril de 2003, a música ficou mais pobre. Dona de uma voz privilegiada que passeava por vários estilos musicais, embora fosse mais conhecida como cantora de jazz, Simone foi uma artista que não se vendeu ao “american way of life”.

Chamada de a Sacerdotisa do Jazz e comparada a Billie Holiday, Nina Simone fugiu de rótulos com seu talento e, além de cantar e compor como poucos jazz e blues, recriou clássicos, baladas e rocks dos Beatles e de várias outras bandas americanas e inglesas. Simone apareceu para o público nos anos 50 e logo mostrou seu imenso talento como pianista, cantora, arranjadora e compositora. I Love You Porgy, da ópera Porgy and Bess (1959), de George Gershwin, foi seu primeiro grande sucesso.

Outros grandes momentos da carreira de Simone foram as músicas My Baby Just Cares for Me, gravada em 1966, e One Night Stand, um ano depois, além de clássicos de Bob Dylan, como Just Like a Woman; de George Harisson (Here Comes the Sun e My Sweet Lord); e de John Lennon e Paul McCartney (Revolution). Além disso, compôs trilhas para vários filmes.

Nina (pequena) e Simone, em homenagem à atriz francesa Simone Signoret, estudou piano na famosa escola de música Julliard, em Nova York, algo raríssimo para uma mulher negra na década de 50 nos Estados Unidos e começou a trabalhar como pianista. Em 1954, ao fazer um teste para tocar num bar irlandês de Nova Jersey foi obrigada a cantar pelo proprietário do estabelecimento. Sábia decisão deste anônimo.

De temperamento explosivo, Eunice Kathleen Waymon, como foi registrada, deixou o palco várias vezes, insatisfeita com a (ou a falta de) educação da platéia. Nina Simone nasceu no dia 21 de fevereiro de 1933 em Tryon, Carolina do Norte, sendo a sexta de oito irmãos (quatro meninas). As atitudes firmes desta artista, porém, não se restringiram aos palcos, pois lutou a vida inteira contra o racismo, uma das marcas de seu país natal, e pelos direitos humanos.

Aliás, foi exatamente por isso que saiu dos Estados Unidos e perambulou pelo Caribe e a África até mudar-se em 1995 para o sul da França, onde faleceu aos 70 anos. Ativista política, compôs Mississipi Goddam quando em 1963 quatro crianças negras foram mortas em um ataque a uma igreja em Birmingham. Obviamente, suas posições desagradaram conservadores e acabou recebendo críticas ácidas quando gravou Four Women, sendo acusada de incitar os negros à revolta.

“Paguei um preço muito alto por combater o sistema. O preconceito racial nos Estados Unidos hoje é maior do que nunca”, disse em entrevista concedida em 1998.

Nina buscava a liberdade e o sucesso passou em certo sentido a ser um peso para ela, pois se sentia manipulada pelos “marqueteiros” das gravadoras e do chamado show business. Em 1974 começou seu exílio voluntário, sobre o qual também escreveu várias músicas, por Barbados, no Caribe. Depois viveu na Libéria, na Suíça, em Paris, na Inglaterra, na Holanda e no sul da França.

Em 1990, fez uma participação no disco 25 Anos de Maria Bethânia, na faixa Pronta pra Cantar, de Caetano Veloso. No ano seguinte foi lançada, em vários idiomas, sua autobiografia. Sua última excursão ao Brasil ocorreu em abril de 2000, inclusive com apresentações no Rio de Janeiro. Público não faltou a Nina Simone nos seus últimos anos de vida, mas a sua saúde já não era a mesma. Ela, que trabalhava no álbum Simone Superstar, deixou uma filha, Lisa Celeste, com quem se apresentou algumas vezes, como no Festival de Blues de Dublin, na Irlanda.


Caricatura do publicitário e ilustrador Fábio (http://desenhafabio.wordpress.com/)

Vídeo: "Four Women", de e com Nina Simone

sexta-feira, 4 de junho de 2010

BECKENBAUER, A ELEGÂNCIA DO "KAISER"

No futebol, elegância tem um sinônimo: Franz Beckenbauer. Tanto no porte de um imperador enquanto desfilava seu imenso talento e liderança dentro dos campos, quanto depois como técnico e, atualmente, como dirigente. Beckenbauer foi um dos raros jogadores de futebol que mostraram na prática que o belo é o simples.

Diz-se dos grandes jogadores quando atingem a maturidade que correm menos não porque perderam a vitalidade, mas porque já conhecem os atalhos do campo. Mas para o “Kaiser” parece que os atalhos foram traçados por ele mesmo desde que começou. 

Um dos caminhos que criou foi o do líbero que avança ao meio-de-campo para a armação das jogadas ofensivas e até mesmo ao ataque quando o time tem a posse de bola. Pouquíssimos líberos souberam jogar como ele – talvez só o italiano Franco Baresi tenha chegado perto do mestre. Antes de Beckenbauer, os líberos jogavam apenas na sobra, como o último homem antes do goleiro.
 
O mundo começou a admirar o talento deste alemão na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, quando ainda jovem, com apenas 20 anos de idade, comandou a equipe que terminaria com o vice-campeonato numa polêmica final com os donos da casa. Um zagueiro diferente, que poucas faltas cometia e que ainda sabia sair com a bola com uma habilidade incomum para os jogadores da posição. Difícil imaginar que ele tenha dado algum dia um chutão. 


E numa das imagens mais marcantes da história das Copas do Mundo deu uma aula de amadorismo ao jogar todo enfaixado por causa de uma luxação no ombro esquerdo na extraordinária semifinal da Copa de 70 contra a Itália. Os italianos venceram por 4 a 3 na prorrogação, mas de Beckenbauer jamais se podia dizer que saíra derrotado de campo. A Alemanha terminaria aquela Copa no honroso terceiro lugar.

Na última Copa que disputou, o “Kaiser” finalmente conseguiu o título tão merecido. A Alemanha, jogando em casa, conseguiu deixar o carrossel holandês desengonçado. Com Vogts acompanhando a sombra de Cruyff por todo o campo, Beckenbauer pôde ajudar seu time a vencer a final de 1974 com os 2 a 1 e finalmente levantar a taça na sua Munique natal. Doze anos depois, ele voltaria ao México para ser vice-campeão mundial, como técnico, cargo que assumira dois anos antes. 

Ele e sua seleção foram derrotados na final pelo gênio argentino de Maradona (3 a 2), mas em 1990, na Itália, também em final contra a Argentina, Beckenbauer igualou-se a Zagallo num feito: foi campeão mundial também como técnico. Apenas o brasileiro tetracampeão (duas vezes como jogador, uma como técnico e outra como coordenador-técnico) e o alemão conseguiram ser campeões mundiais nessas duas funções *.


Beckenbauer, eleito o melhor de sua posição nas três copas que jogou, estreou no time principal do Bayern de Munique com 17 anos e na seleção alemã com 19. No clube que posteriormente presidiu jogou por 13 anos, conquistando entre vários títulos o tricampeonato da Copa dos Campeões da Europa, em 1974/75/76, conquistando título intercontinental de 76 na final contra o Cruzeiro. E foi eleito o melhor jogador europeu nas temporadas de 1972 e 1976. 

De 1977 a 1980 jogou com Pelé, que o considerava o melhor jogador europeu de todos os tempos, na equipe de astros do New York Cosmos. Aos 35 anos ainda seria campeão alemão pelo Hamburgo, em 1982, e só não foi à Copa da Espanha porque estava machucado. Além de presidente de honra do Bayern, Beckenbauer presidiu brilhantemente o comitê organizador da Copa de 2006. O próximo passo do Kaiser pode ser a presidência da Fifa. O futebol agradeceria, muito.

FICHA DO JOGADOR
Nome: Franz Beckenbauer
Nascimento: 11/09/1945, em Munique (Alemanha)
Clubes: Bayern de Munique (de 1964 a 1977), New York Cosmos (de 1977 a 1980) e Hamburgo (de 1980 a 1982)
Títulos em clubes: campeão alemão pelo Bayern de Munique em 1969, 1972, 1973 e 1974 e pelo Hamburgo em 1982; campeão da Copa da Alemanha em 1966, 1967, 1969 e 1971, todos pelo Bayern; campeão dos Estados Unidos em 1977, 1978 e 1980, todos pelo New York Cosmos; e campeão da Copa dos Campeões da Europa em 1974, 1975 e 1976; campeão da Recopa Européia em 1967; e campeão do Mundial Interclubes de 1976, todos pelo Bayern.
Títulos pela seleção alemã: campeão da Eurocopa em 1972; e da Copa do Mundo de 1974; vice-campeão da Copa do Mundo de 1966.
Jogos pela seleção: 103 (50 como capitão), de 1965 a 1977


Ilustração retirada do site http://www.glasergrafik.de/Archiv.html. Gostaria de dar o crédito, mas não descobri o nome do autor da charge.

Obs.: Franz Beckenbauer faleceu no dia 7 de janeiro de 2024, apenas dois dias após a morte de Mário Jorge Lobo Zagallo. Fica aqui reforçada nesta data da despedida dele deste mundo terreno a minha pequena homenagem também a este outro gigante do futebol mundial.

* Em 2018, portanto 8 anos após a publicação desta postagem, o francês Didier Deschamps, já campeão mundial como jogador em 1998, tornou-se na Rússia o terceiro a entrar no seleto grupo dos ganhadores de Copa do Mundo tanto como atleta, quanto como treinador. 

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O PRIMEIRO HEXA BRASILEIRO FOI O PALMEIRAS*

Um movimento de clubes interessados no reconhecimento dos títulos da Taça Brasil e da Taça de Prata (Torneio Roberto Gomes Pedrosa) como legítimos campeões brasileiros foi organizado no início de 2010 e eu apoiava, em parte. Friso que o time para o qual torço não seria - como acabou não sendo - beneficiado em nada com isso, o que me fez ficar muito à vontade para opinar. E manter minha posição contrária à decisão da CBF.

Para mim, foi exagero da entidade máxima do futebol brasileiro considerar os vencedores da Taça Brasil, que começou em 1959 e foi disputada até 1968, como campeões brasileiros, porque o sistema de disputa era eliminatório, como é desde 1989 o da Copa do Brasil. Portanto, esses clubes (Bahia, Palmeiras duas vezes, Santos cinco vezes, Cruzeiro e Botafogo) deveriam ser reconhecidos como os primeiros campeões da Copa do Brasil. Além disso, a Taça Brasil foi disputada no mesmo ano que a Taça de Prata em 1967 e 68, o que comprova que eram competições distintas.

A Taça de Prata, também conhecida como Torneio Roberto Gomes Pedrosa, foi disputada nos quatro anos imediatamente anteriores ao início oficial do Campeonato Brasileiro, em 1971, com um sistema de disputa parecido. Depois de ser disputado em 1967 com 15 clubes, as três edições posteriores tiveram 17 (estranho só número ímpar, mas foi assim). Na primeira fase os times eram divididos em dois grupos e jogavam entre si e os dois primeiros colocados passavam para o quadrangular final. O Brasileiro de 71 teve 20 clubes e, em vez de um quadrangular, teve um triangular final, ganho pelo Atlético-MG.


Por isso, com os dois títulos que ganhou, em 1967 e 69, mais os quatro brasileiros oficiais, o primeiro hexacampeão seria o Palmeiras, em 1994, e não o São Paulo, que obteve seu sexto título em 2008. Isso não acabaria de vez com a idiota discussão sobre se Flamengo ou São Paulo teria de ficar com a taça das bolinhas, que seria concedida ao primeiro time cinco vezes campeão brasileiro alternadamente ou três vezes consecutivas, talvez até aumentasse a confusão. 

Clicaê quem curte esportes!


Sobre o controverso campeonato de 1987 sou a favor de dividir o título entre Flamengo e Sport, porque todos erraram: a CBF em primeiro lugar por ter aberto mão de organizar a competição e depois ter mudado de ideia e o regulamento com a Copa União já em andamento; o Clube dos 13 em segundo por não ter convidado Guarani (vice em 86) e América-RJ (quarto em 86), e Sport e Guarani por último ao abandonarem o campo na decisão do Módulo Amarelo quando a disputa de pênaltis estava em 11 a 11 (e aí a CBF voltou a errar por não punir os dois clubes).

Abaixo os campeões e vices da Taça Brasil e da Copa do Brasil:
1959 - Bahia e Santos
1960 - Palmeiras e Fortaleza
1961 - Santos e Bahia
1962 - Santos e Botafogo
1963 - Santos e Bahia
1964 - Santos e Flamengo
1965 - Santos e Vasco
1966 - Cruzeiro e Santos
1967 - Palmeiras e Náutico
1968 - Botafogo e Fortaleza
1989 - Grêmio e Sport
1990 - Flamengo e Goiás
1991 - Criciúma e Grêmio
1992 - Internacional e Fluminense
1993 - Cruzeiro e Grêmio
1994 - Grêmio e Ceará
1995 - Corinthians e Grêmio
1996 - Cruzeiro e Palmeiras
1997 - Grêmio e Flamengo
1998 - Palmeiras e Cruzeiro
1999 - Juventude e Botafogo
2000 - Cruzeiro e São Paulo
2001 - Grêmio e Corinthians
2002 - Corinthians e Brasiliense
2003 - Cruzeiro e Flamengo
2004 - Santo André e Flamengo
2005 - Paulista e Fluminense
2006 - Flamengo e Vasco
2007 - Fluminense e Figueirense
2008 - Sport e Corinthians
2009 - Corinthians e Internacional
2010 - Santos e Vitória
2011 - Vasco e Coritiba
2012 - Palmeiras e Coritiba
2013 - Flamengo e Athletico
2014 - Atlético-MG e Cruzeiro
2015 - Palmeiras e Santos
2016 - Grêmio e Atlético-MG
2017 - Cruzeiro e Flamengo
2018 - Cruzeiro e Corinthians
2019 - Athletico e Internacional
2020 - Palmeiras e Grêmio
2021 - Atlético-MG e Athletico
2022 - Flamengo e Corinthians

Os clubes campeões:
Cruzeiro - 7 títulos
Santos e Palmeiras - 6 títulos
Grêmio - 5
Flamengo - 4
Corinthians - 3
Atlético-MG - 2
Bahia, Botafogo, Juventude, Fluminense, Criciúma, Sport, Santo André, Paulista, Internacional, Vasco e Athletico - 1


Veja também:
Ode ao futebol-arte
Reinaldo, o rei do Galo mineiro


Agora, os quatro primeiros colocados (em ordem) da Taça de Prata e do Brasileiro, que já foi chamado de Campeonato Nacional, Taça de Ouro, Copa União e Copa João Havelange:

1967 - Palmeiras, Internacional, Corinthians e Grêmio
1968 - Santos, Internacional, Vasco e Palmeiras
1969 - Palmeiras, Cruzeiro, Corinthians e Botafogo
1970 - Fluminense, Palmeiras, Atlético-MG e Cruzeiro
1971 - Atlético-MG, São Paulo, Botafogo e Corinthians
1972 - Palmeiras, Botafogo, Internacional e Corinthians
1973 - Palmeiras, São Paulo, Cruzeiro e Internacional
1974 - Vasco, Cruzeiro, Santos e Internacional
1975 - Internacional, Cruzeiro, Fluminense e Santa Cruz
1976 - Internacional, Corinthians, Atlético-MG e Fluminense
1977 - São Paulo, Atlético-MG, Operário-MT e Londrina-PR
1978 - Guarani, Palmeiras, Internacional e Vasco
1979 - Internacional, Vasco, Coritiba e Palmeiras
1980 - Flamengo, Alético-MG, Internacional e Coritiba
1981 - Grêmio, São Paulo, Ponte Preta e Botafogo
1982 - Flamengo, Grêmio, Guarani e Corinthians
1983 - Flamengo, Santos, Atlético-MG e Atlético-PR
1984 - Fluminense, Vasco, Grêmio e Corinthians
1985 - Coritiba, Bangu, Brasil de Pelotas e Atlético-MG
1986 - São Paulo, Guarani, Atlético-MG e América-RJ
1987 - Flamengo e Sport, Internacional e Guarani, Atlético-MG e Cruzeiro
1988 - Bahia, Internacional, Fluminense e Grêmio
1989 - Vasco, São Paulo, Cruzeiro e Botafogo
1990 - Corinthians, São Paulo, Grêmio e Bahia
1991 - São Paulo, Bragantino, Atlético-MG e Fluminense
1992 - Flamengo, Botafogo, Vasco e Bragantino
1993 - Palmeiras, Vitória, Corinthians e São Paulo
1994 - Palmeiras, Corinthians, Guarani e Atlético-MG
1995 - Botafogo, Santos, Cruzeiro e Fluminense
1996 - Grêmio, Portuguesa, Atlético-MG e Goiás
1997 - Vasco, Palmeiras, Internacional e Atlético-MG
1998 - Corinthians, Cruzeiro, Santos e Portuguesa
1999 - Corinthians, Atlético-MG, Vitória e São Paulo
2000 - Vasco, São Caetano, Cruzeiro e Grêmio
2001 - Atlético-PR, São Caetano, Fluminense e Atlético-MG
2002 - Santos, Corinthians, Grêmio e Fluminense
2003 - Cruzeiro, Santos, São Paulo e São Caetano
2004 - Santos, Atlético-PR, São Paulo e Palmeiras
2005 - Corinthians, Internacional, Goiás e Palmeiras
2006 - São Paulo, Internacional, Grêmio e Santos
2007 - São Paulo, Santos, Flamengo e Fluminense
2008 - São Paulo, Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras
2009 - Flamengo, Internacional, São Paulo e Cruzeiro
2010 - Fluminense, Cruzeiro, Corinthians e Grêmio
2011 - Corinthians, Vasco, Fluminense e Flamengo
2012 - Fluminense, Atlético-MG, Grêmio e São Paulo
2013 - Cruzeiro, Grêmio, Athletico e Botafogo
2014 - Cruzeiro, São Paulo, Internacional e Corinthians
2015 - Corinthians, Atlético-MG, Grêmio e São Paulo
2016 - Palmeiras, Santos, Flamengo e Atlético-MG
2017 - Corinthians, Palmeiras, Santos e Grêmio
2018 - Palmeiras, Flamengo, Internacional e Grêmio
2019 - Flamengo, Santos, Palmeiras e Grêmio
2020 - Flamengo, Internacional, Atlético-MG e São Paulo
2021 - Atlético-MG, Flamengo, Palmeiras e Fortaleza
2022 - Palmeiras, Internacional, Fluminense e Corinthians


Os clubes campeões:
Palmeiras - 9 títulos
Flamengo - 8
Corinthians - 7
São Paulo - 6  
Vasco e Fluminense - 4 
Santos, Cruzeiro e Internacional - 3
Atlético-MG e Grêmio - 2
Guarani, Coritiba, Sport, Bahia, Botafogo, Athletico - 1

* Texto e informações atualizadas no dia 19 de abril de 2023.


Fotos (pela ordem):; Bahia campeão da Taça Brasil de 1959; Cruzeiro campeão da Taça Brasil de 1966; montagem do pentacampeonato da Taça Brasil conquistada pelo Santos; Fluminense campeão da Taça de Prata de 1970, e Atlético-MG campeão brasileiro de 1971.

Vídeo: Palmeiras 2 x 1 Grêmio, último jogo do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967. O resultado deu ao time paulista o seu primeiro título brasileiro (pelo menos é o que considero).

Fontes de pesquisa: RSSSF, Wikipedia, Google e Youtube.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

MENINOS DA VILA: A ARTE E O PRAZER DE JOGAR BOLA

Há muitos anos não tinha tanto prazer em ver um time jogar futebol como este do Santos. Os Meninos da Vila mostraram contra o muito bom time do Grêmio de Victor, Douglas e Borges que não chutam só cachorro morto, como os adeptos do futebol de resultados andaram decantando nas goleadas arrasadoras sobre Naviraiense (10 a 0), Ituano (9 a 1) e Guarani (8 a 1).

Enquanto os burocratas da bola apresentam números discutíveis de roubadas de bola e passes certos para o lado e mostram aquele meio-sorriso enfadonho de satisfação ao fim de um trabalho como se batesse ponto, Paulo Henrique Ganso, Neymar, André, Wesley, Robinho e coadjuvantes se divertem e mostram que beleza e objetividade nos campos de futebol não são incompatíveis. O verdadeiro futebol brasileiro hoje veste preto e branco, infelizmente não é a amarelinha. Só espero, sinceramente, que não seja apenas por menos de um semestre.


Vídeo: imagens, narração e comentários do SporTV.

sábado, 15 de maio de 2010

OS MAIORES JOGOS DE TODOS OS TEMPOS 7

BRASIL 2 X 0 URSS - Amistoso internacional - 1976

Este até pode não ter sido um maravilhoso jogo de futebol - só me recordava dos gols que aí acima estão - mas para mim tem dois significados especiais, sendo que um deles o faz merecedor de estar aqui: o gol de Zico, que considero o mais bonito que fez com a amarelinha e que vi ao vivo ele marcar. Esta foi também a primeira partida da seleção que assisti no Maracanã, acabei descobrindo durante a pesquisa, embora já desconfiasse disso.

Mil novecentos e setenta e seis era o ano do início do trabalho para a Copa do Mundo de 1978, que começou com Osvaldo Brandão de técnico e terminou com Cláudio Coutinho. Nesta partida, Falcão, que entrou no lugar de Givanildo, do Corinthians, abriu o marcador com um gol de cabeça, mas se tinha vaga com Brandão acabou preterido pelo excelente Coutinho, que se perdeu na convocação para a Copa, deixando o craque do Inter fora para chamar o botinudo Chicão, do São Paulo.

A vitória de 2 a 0 naquele 1º de dezembro de 1976, no Rio, serviu de meia-vingança da derrota nas Olimpíadas de Montreal, em 29 de julho, pelo mesmo placar. Naquele time que fôra ao Canadá estavam dois jogadores que disputariam o Mundial da Argentina: Batista, do Inter, e Edinho, do Fluminense. Aliás, Edinho seria outro erro de Coutinho, não pela convocação, pois se tratava de um grande zagueiro, mas por ter sido "inventado" como lateral-esquerdo. Júnior, do Flamengo, que também esteve nas Olimpíadas, não estava nesse time de Brandão e tampouco no de Coutinho, que além de Edinho levou Rodrigues Neto, do Inter, para a lateral-esquerda, em 1978.

FICHA TÉCNICA
Data: 1º/12/1976
Local: Maracanã - Rio de Janeiro
Público: 49.836 pagantes 
Árbitro: Ramón Barreto (Uruguai)
Gols: Falcão, aos 34, e Zico, aos 43 do segundo tempo.
BRASIL: Leão (Palmeiras); Carlos Alberto Torres (Fluminense) depois Marinho Chagas (Botafogo), Amaral (Guarani), Beto Fuscão (Grêmio) e Marco Antônio (Vasco); Givanildo (Corinthians) depois Falcão (Inter), Rivelino (Fluminense) depois Caçapava (Inter) e Zico (Flamengo); Gil (Fluminense), Roberto Dinamite (Vasco) e Nei (Palmeiras). Técnico: Osvaldo Brandão.
URSS: Gontar; Kruglov, Oshanski, Khinchagashvili e Parov; Slobodian (Beresznoi), Machaidze e Tarkhanov; Dolmatov, Chesnokov (Kazachenok) e Petrosian. Técnico: Wladimir Nikolaiev.

domingo, 2 de maio de 2010

OS MAIORES JOGOS DE TODOS OS TEMPOS 6

ALEMANHA OC. 1 X 2 BRASIL - Amistoso internacional- 1963


Encontrei por acaso este jogo dividido em dois vídeos no "Youtube" há alguns meses e logo salvei em meus favoritos para um dia publicá-los com alguns detalhes sobre a partida. Não encontrei muitas informações sobre a partida, mas deu para fazer a ficha técnica. Não entendo alemão, porém dá para perceber o deslumbramento do locutor após um lençolzinho (ou balãozinho) de Pelé em um jogador adversário na primeira etapa. O lance foi inexplicavelmente invalidado pelo árbitro suíço.
A seleção jogou em Hamburgo naquele dia 5 de maio de 1963 com uma base formada por oito jogadores do histórico time do Santos que conquistaria o bicampeonato da Libertadores e mundial no segundo semestre daquele ano. Do time alvinegro jogaram Gilmar, Lima, Mengálvio, Zito, Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. A equipe comandada por Aymoré Moreira foi completada com os zagueiros Eduardo, do Corinthians, e Roberto Dias, do São Paulo, e pelo lateral-esquerdo Rildo, do Botafogo.
Nessa partida, os alemães tiveram as melhores chances de gol, mas eles sempre foram fregueses de caderninho da seleção brasileira. Assista aos dois vídeos, tem até os hinos no início (repare como o estádio estava lotado), e se delicie com grandes lances, especialmente os golaços de Coutinho e Pelé.

FICHA TÉCNICA
Data: 5/5/1963
Local: Volksparkstadion, em Hamburgo (Alemanha Ocidental)
Árbitro: Gottfried Dienst (Suíça)
Gols: Werner, aos 44 minutos do primeiro tempo (de pênalti); Coutinho, aos 25, e Pelé, aos 27, do segundo tempo
BRASIL - Gilmar; Lima, Eduardo, Roberto Dias e Rildo; Mengálvio e Zito; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Aymoré Moreira.
ALEMANHA - Fahrian, Novak, Schnelinger e Wildenx; Schulz e Werner; Heiss, Schuetz, Seeler, Kornietzka (Strauss) e Doerfeu.

Veja também:

FLUMINENSE 1 X 0 BAYERN DE MUNIQUE - AMISTOSO INTERNACIONAL - 1975

ITÁLIA 4 X 3 ALEMANHA OC. - SEMIFINAL DA COPA DE 1970

Esta seção deu seu pontapé inicial no blog Em Questão e agora foi transferida para este gramado. Mas você não perde os jogos passados, é só clicar abaixo no que mais interessar:
CRUZEIRO 5 X 4 INTER - TAÇA LIBERTADORES DE 1976
HOLANDA 2 X 0 URUGUAI - COPA DO MUNDO DE 1974
FLAMENGO 6 x 0 BOTAFOGO - CAMPEONATO CARIOCA DE 1981

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O TEATRO E O FUTEBOL

Muito se fala e se escreve – é já um clichê – sobre a relação íntima entre a música e o futebol, especialmente no Brasil. E esta relação tem sido proporcional à pobreza que vem sendo apresentada na maioria dos casos em ambos os lados.

Porém, apesar de mestres como Nelson Rodrigues - o maior exemplo - a intimidade da bola com as peças teatrais tem sido muito pouco explorada. Nem tanto nos palcos, já que Nelson (na foto ao lado com Zico e mais abaixo com a camisa do seu Fluminense), Plínio Marcos e outros já retrataram muito bem o futebol em suas obras. 

Mesmo assim, principalmente no caso de Nelson Rodrigues, ele se preocupou muito mais com a paixão clubística, a ótica das sensações e reações do torcedor do que com o jogo em si e os jogadores.

No campo dos boleiros, o que me motivou a escrever este texto que ensaio em minha cabeça há alguns anos foi uma matéria publicada no fim do ano passado pelo jornal “O Globo”, em que o ex-zagueiro e atualmente técnico Estevam Soares, então no Botafogo, relatava como conheceu Plínio Marcos (na foto abaixo retirada do seu site oficial), a forma que o dramaturgo encontrou para impedir que o então zagueiro do São Paulo perdesse uma das pernas e da sua conseqüente amizade com o “maldito” até a sua morte, em novembro de 1999.

Veja também:
CRUZEIRO 5 X 4 INTER - TAÇA LIBERTADORES DE 1976
HOLANDA 2 X 0 URUGUAI - COPA DO MUNDO DE 1974


Pois bem, nunca entendi por que o futebol sempre se manteve a uma distância – que vou chamar de respeitosa – do teatro. Num tempo em que alguns técnicos, muitos dos mais importantes que temos, parecem se achar os inventores da bola, vivem convidando palestrantes motivacionais com seus vídeos mirabolantes para tirar seus comandados do tédio das concentrações, viagens e treinos, sempre me perguntei – e a questão foi reacesa ao saber dessa amizade de Estevam com Plínio: por que nunca um diretor de teatro foi convocado?

As montagens de uma peça de teatro e a de um time de futebol se assemelham muito em vários aspectos – talvez a exceção esteja nos monólogos, mais afeitos aos jogadores de tênis ou a outros esportes individuais. As analogias entre o futebol e o teatro - e à própria vida, por que não? – são bastante plausíveis e a palestra de um diretor de teatro a um time de futebol ainda teria a vantagem de apresentar aos jogadores um mundo completamente desconhecido para muitos e tão fascinante quanto o seu.

A deixa de uma peça é como o passe no futebol. E para que sejam perfeitos não bastam talento e muitos ensaios (ou treinos). O entrosamento é algo que pode sim ser obtido com muitos treinamentos e ensaios; no entanto, para uma boa tabela, triangulação, para o ritmo não se perder e fluir com maestria é preciso aquele entendimento que vem do olhar, de um gesto, de uma expressão, que podem ser inesperados, não previstos nos treinos e ensaios. 

Nem falo aqui dos cacos, que são frases ou pequenos textos não escritos pelo dramaturgo ou diretor que são inseridos (criados) por um ator no meio de uma peça. Um caco num grupo sem entrosamento e ou talento, ou dito no momento errado, pode fazer uma peça - e até uma temporada - desandar. Assim como um passe errado ou não entendido por um companheiro pode pôr um jogo e até um campeonato a perder.

Por outro lado, uma atuação genial de um grande ator ou de um craque sempre dependerá dos companheiros. A deixa e o passe precisam ser bem feitos para que o espetáculo teatral ou o desempenho de uma equipe sejam um sucesso. 

A deixa pode em alguns casos nem ser dada pela última palavra da fala que cabe a um personagem, como normalmente acontece: pode ser uma reticência, uma vírgula, um olhar, um gesto, uma expressão facial ou corporal. Como um gol pode ser marcado sem um passe ou lançamento direto para o artilheiro, nascendo de um corta-luz, um drible de corpo ou um deslocamento que ludibrie a marcação adversária.

Veja também:
FLAMENGO 6 x 0 BOTAFOGO - CAMPEONATO CARIOCA DE 1981
"Contos da Bola", quem lê recomenda


O diretor de teatro é o técnico do seu grupo. O seu “plano tático” é determinado por nuances estabelecidas pelo autor que o encenador pode respeitar ou criar em cima das rubricas do texto. As marcações de cena, assim como as deixas, as entonações, as entradas em cena, as expressões corporais e faciais, os olhares, a quem se dirige cada uma das falas, como utilizar o cenário ou o próprio figurino, tudo isso faz parte de seu “plano de jogo”. 

Assim como o treinador prepara seu time ensaiando jogadas, deslocamentos, formas de marcação sobre o adversário, a colocação da defesa nas situações defensivas e ofensivas e do ataque também, onde ficará cada um de seus jogadores na cobrança de um escanteio (seja de seu próprio time ou do adversário), por onde seguir nos contra-ataques, quem o puxará, quem abrirá pelas pontas, enfim uma gama de situações.

No entanto, cada partida de futebol e cada apresentação de teatro têm suas particularidades que as transformam em únicas, irrepetíveis, embora o texto e as regras do jogo sejam os mesmos e até a possibilidade de os atores e os jogadores serem os mesmos. O imponderável, o aspecto humano, a platéia, até o clima pode mudar tudo. Por isso, teatro e futebol sejam tão fascinantes, apaixonantes.

Pena que em muitos casos tenham se afastado tanto da arte para se entregarem ao pragmatismo comercial dos resultados. Mesmo assim, ainda creio que ambos tenham muito a aprender um com o outro.


Obs: quem souber os créditos das fotos acima, por favor, me passem para eu publicá-los.

Veja também:

segunda-feira, 26 de abril de 2010

OS MAIORES JOGOS DE TODOS OS TEMPOS 5

FLUMINENSE 1 X 0 BAYERN DE MUNIQUE - Amistoso internacional - 1975


Um jogo sensacional com detalhes atípicos no Maracanã. De um lado a Máquina Tricolor, que seria bicampeã carioca em 1975 e 76, com vários jogadores da seleção brasileira, e de outro o bicampeão europeu (conquistaria o tri no ano seguinte, e o Mundial Interclubes em cima do Cruzeiro), base da seleção alemã campeã mundial em 1974, comandado por Beckenbauer, Maier e Gerd Müller e tendo o jovem Rummenigge em seu meio-campo. Essas são as informações óbvias da partida. As inusitadas são que o jogo foi decidido com um gol contra do hoje segundo maior artilheiro da história das Copas do Mundo, Gerd Müller, e que o grande nome do jogo foi o falecido Cafuringa, em noite de Mané Garrincha, mas sem saber concluir a gol, o que era uma característica sua.

FICHA TÉCNICA
Data: 10/6/1975
Local: Maracanã - Rio de Janeiro
Público: 60.137 pagantes
Árbitro: Arnaldo Cezar Coelho
Gol: Gerd Müller (contra), aos 10 minutos do primeiro tempo
FLUMINENSE: Félix, Toninho, Silveira, Assis e Marco Antônio; Zé Mário e Cléber; Cafuringa, Paulo César (Manfrini), Rivellino e Mário Sérgio. Técnico: Carlos Alberto Parreira.
BAYERN: Maier, Durnberger, Schwarzenbeck, Beckenbauer e Weiss; Roth, Tortensson e Rummenigge; Zobel, Müller e Kapellmann. Técnico: Dettmar Cramer.

Veja também:
ITÁLIA 4 X 3 ALEMANHA OC. - SEMIFINAL DA COPA DE 1970
CRUZEIRO 5 X 4 INTER - TAÇA LIBERTADORES DE 1976
HOLANDA 2 X 0 URUGUAI - COPA DO MUNDO DE 1974
FLAMENGO 6 x 0 BOTAFOGO - CAMPEONATO CARIOCA DE 1981

terça-feira, 20 de abril de 2010

OS MAIORES JOGOS DE TODOS OS TEMPOS 4

ITÁLIA 4 X 3 ALEMANHA OC.(1 X 1 NO TEMPO NORMAL) - SEMIFINAL DA COPA DE 1970


Reconhecidamente este é um dos maiores - senão o maior de todos os - jogos da história das Copas do Mundo. Na época (17/6/1970) eu ainda não havia feito 4 anos, portanto o envolvimento que tenho com esta partida é apenas o daquele (cada vez mais) velho admirador do futebol bem jogado. Quando soube como foi a partida e vi os gols e as reviravoltas no placar fiquei imaginando como deve ter sido assisti-la ao vivo. Não dá mais, nunca mais, mas as imagens não se apagaram e aí estão com toda a emoção.

Um detalhe muito importante deste jogo é que Beckenbauer, o verdadeiro Imperador ("Kaiser"), provou nesta partida que além de ser um gigantesco craque da bola ainda tinha uma raça impressionante. Ele deslocou a clavícula direita na metade do segundo tempo e jogou ainda a prorrogação inteira com o braço na tipóia.

FICHA TÉCNICA
ITÁLIA: Albertosi, Burgnich, Cera, Facchetti, Bertini, De Sisti, Mazzola (Rivera), Rosato (Poletti), Boninsegna, Domenghini e Riva. Técnico: Ferruccio Valcareggi.
ALEMANHA OCIDENTAL: Maier, Patzke (Held), Schnellinger, Schulz, Vogts, Beckenbauer, Overath, Grabowski, Loehr (Libuda), Müller e Seeler. Técnico: Helmut Schoen.
Gols: Boninsegna, aos 8 minutos do primeiro tempo, e Schnellinger, aos 45 do segundo tempo do tempo normal. Müller, aos 4 e aos 20; Burgnich, aos 8; Riva, aos 14, e Rivera, aos 21, da prorrogação.
Árbitro: Arturo Yamasaki Maldonado
Estádio: Azteca, Cidade do México
Público: 102.444 pagantes.

terça-feira, 16 de março de 2010

GASOLINA NO INCÊNDIO 10

Com "Gasolina no Incêndio" pretendo provocar quem aqui venha, mexer com os brios mesmo. Incomode-se, reclame e até xingue se achar necessário, mas aqui não cabe a indiferença. Não vou censurar nenhum comentário, mas assuma-se, não se esconda no anonimato (in)conveniente, nem com apelidos irreconhecíveis. A décima questão-provocação é a seguinte:

O funk carioca é o braço cultural do crime organizado.

Veja também:
Tudo o que foi publicado em março de 2009
Gasolina no Incêndio 8
Gasolina no Incêndio 7
Gasolina no Incêndio 5
O Espírito dos Insensatos
Profano conquista corações

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O OUTRO OVO DA SERPENTE


Eles ainda não são maioria, mas já são incontáveis e proliferam a uma velocidade estonteante! No Brasil e no mundo. Seus templos brotam em todas as terras inférteis, a cada virada de noite!
Eles montaram um exército semelhante ao da Revolução Cultural da China. Só que o livro que carregam não é o vermelho do Mao, mas o preto sagrado do “bem”.
Eles são ruidosos e pregam sua nova catequese de casa em casa, como vendedores de cosméticos.
A voz deles é ouvida nos rádios, jornais e tevês.
À teia que eles teceram, poucos conseguem escapar!
Eles são poderosos, estão em grande número nas câmaras, nas assembléias legislativas, no senado, nos palácios. Só falta o Planalto!
Eles já estão fazendo e aprovando leis e executando-as!
Eles são fascistas, embora a grande maioria nem saiba o que isto significa!
Eles perseguem negros que não renegam a sua raça!
Eles vêem o demônio em todo canto, dança, representação ou manifestação de origem africana, pagã.
Eles prometem a cura para quem não é doente. E, assim, espalham a sua doença.
Eles vociferam que praticam o bem! E fazem questão de divulgar.
Eles se julgam santos, mas não acreditam neles.
Eles gritam sua fé para não a perder de vista.
Eles pregam a ignorância de sua fé cega, surda, nada muda!
Eles limpam o seu passado com uma lavagem cerebral!
Eles apontam para os céus a cada bola nas redes adversárias!
Eles já ganham adeptos entre artistas e representam muito bem o seu papel.
E não param de crescer!



Ilustração: cartaz do filme "O Ovo da Serpente", de Ingmar Bergman.
Vídeo: "Ovo da Serpente", Uakti.
Veja também: Tudo o que foi publicado em janeiro de 2009.
O Papa do Ateísmo
O Teatro e o Futebol

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #47

Uma coisa jogada com música - Capítulo #46 Garrincha e Pelé, durante a Copa do Mu...

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