Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
sábado, 15 de janeiro de 2022
OLHARES ALHURES - FOTOS #66: BONECOS DO RIBEIRÃO DA ILHA
terça-feira, 11 de janeiro de 2022
NAU POESIA: O CAMINHANTE *
deixei sem sorrisos uma alegre infância.
Entre um ser meio modesto, meio fascinante,
cedo descobri que neste mundo
vaga pra mim é que não havia.
Pois porque não pude entrar,
logo percebi que é porque
vim pra caminhar,
não nasci pra competir,
perder ou ganhar.
Como se definiu Cecília, a poetisa,
também só vim aqui pra passar.
E outro dia mesmo me perguntaram:
“como pode alguém tão jovem não querer competir,
como pode alguém só querer caminhar?”
Pois é este o meu caminho,
meu mundo, minha fé,
isso que carrego em meu peito, em meus ombros
numa procissão de um homem só,
porque Deus deixei largado no meio do caminho
que ele não teve fôlego nem paciência pra me acompanhar
Ou será que foi por que eu disse logo:
homem, vê se larga do meu pé!
E caminho, caminho, nessa ausência de Deus
que Clarice, outra poetisa, também escreveu
ser um ato de fé, religião até.
Pois levo esta minha fé
como se fosse parte vital do corpo
uma fé não escrita em bíblia alguma
sem esperar nada do céu a não ser chuva,
que é tempo tão bom como dia de sol.
Pé ante pé, chão árido ou enlameado,
Pé no pó ou na poça, não deixo rastros,
pois não quero ninguém me seguindo,
e sim traçando suas próprias estradas.
Não combino com ninguém
e não é de se espantar, afinal
como encantar alguém
com palavras deslocadas no tempo
com sons até bem bonitos, mas desprezados,
maltratados, humilhados, desafinados?
Como encantar alguém que quer logo chegar
- Onde? Sei lá eu! –
se pra mim já basta andar.
Há vezes em que já não sei se caminho
ou se o caminho levado pelo tempo
é que passa sob meus pés.
Mas foi caminhando, devagar,
olhando pra tudo quanto foi lugar
que senti a verdade chegar diferente
pois não há de ser verdade
uma , nem duas, nem três
mas todas elas de uma vez.
Foi, foi olhando bem pros olhos desta gente,
que, em vez de caminhar,
espera uma hora, que mal sabe,
jamais, em tempo algum, chegará.
E eles correm, correm, correm
pra que os dias passem mais depressa,
enquanto eu, que nem relógio tenho,
sigo, sigo, sigo, sem pressa,
porque o tempo caminha pra trás
ou, senão, como ficaríamos velhos?
À margem desta estrada,
deslocado de tudo e de todos,
vivendo sem sonhos,
em andrajos, maltrapilho,
vou perseguindo o que não sei,
pois o que quero é saber,
mas não pra ensinar
e sim mostrar que muito se pode aprender
pra melhor caminhar
sem tanto cansar, sem tanto machucar.
Pois não é que quanto mais caminho
quanto mais sei,
mais me canso, mais me machuco
e mais cresço?
E deste mundo me faço esquecido e esqueço.
Do acostamento desta autopista
chamada ironicamente de vida
só vejo a violência da velocidade
a fascinação pela violência, pela velocidade
E como a velocidade me violenta!
Exercito então esta minha mente lenta
que me ensina – e nem foi preciso ver –
que se neste mundo ainda há papa, princesas, rainhas e reis
hão de sempre existir mendigos, famintos, doentes, miseráveis
pois que o homem sentado em seu trono
mais parece defecar suas maquinações
nos rostos fascinados, sorridentes, abobados
de quem os endeusa, idolatra.
O solo duro em que descalço prossigo
me fez aprender a ser meio impiedoso
e é sob este raciocínio e sentimento
que não vejo como poder diferenciar
quem despreza uma farta mesa por uma fina educação
de quem despreza qualquer educação
para se fartar com os olhos da mesa alheia.
Fora de moda, fora da mídia
sou uma mentira ambulante,
porque só o que a imprensa registra
é que se aceita ser verdade.
Vou seguindo à margem,
deslocado do mundo,
não procurando, mas achando
todo e qualquer lugar
por onde possa apenas olhar e
passar e passar e passar...
Esta poesia faz parte do ebook "Profano Coração", de Eduardo Lamas. Caso queira adquirir o seu, clique aqui ou na capa do livro, ao lado.
Veja também:
Nada mais
Oferenda (ou Canção de um ser dilacerado)
O papa do ateísmo
Amores
domingo, 9 de janeiro de 2022
OLHARES ALHURES - FOTOS #65: VENDO O VERDE 2
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sábado, 8 de janeiro de 2022
OLHARES ALHURES - FOTOS #64: VENDO O VERDE
Fotos feitas por Eduardo Lamas, no dia 18 de dezembro, na Junkes Garden Center, no bairro de Serraria, em São José (SC)
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2022
NAU POESIA: VERSOS DO AVESSO *
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| Flagrante do crime hediondo em Mariana (MG), ocorrido em novembro de 2015. Foto: AFP |
descrevem a história
de nossos dias?
Versos opacos,
versos amorfos,
versos mofados,
manchados
de sangue?
Versos do avesso,
versos sem vida,
vida sem poesia
sem prosa, nem verso,
vida vendida
em prateleiras
e gôndolas?
Versos etiquetados,
masculinizados,
brutalizados;
versos que falam
de flores e mulheres
de plástico?
Versos assoreados,
versos sem calor,
sem sol, sem corpo,
versos enlatados?
Que versão
dessas noites em dia
nossos netos terão?
E, afinal,
ainda haverá versos,
versão?
* Republicação
domingo, 2 de janeiro de 2022
OLHARES ALHURES - FOTOS #63: AVES DO ABRAÃO
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sábado, 1 de janeiro de 2022
OLHARES ALHURES - FOTOS #62: "NUVENS, VÃO AS NUVENS..."
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2021
MÚSICA PRA VIAGEM: ALEGRE MENINA
Apesar de ser uma música que me remete à minha infância e da qual gosto muito, "Alegre Menina" é daquelas que ouvi poucas vezes na vida depois que fez parte da trilha sonora da novela "Gabriela", da TV Globo, em 1975. Tanto que nem sabia que a gravação original tinha sido feita por Djavan, que só passei a conhecer uns três ou quatro anos depois, e achava que a composição era de Dorival Caymmi. Nesta não errei tão longe, pois é de seu filho Dori, que musicou brilhantemente um belo poema de Jorge Amado.
Além de Djavan e Dori, que a gravou posteriormente, no álbum "Dori Caymmi", de 1980, outros cantores famosos emprestaram sua voz para interpretar a "Alegre Menina". Entre eles Claudio Nucci, Roberto Frejat, Mart'nália, Margareth Menezes, Xande de Pilares e Edu Lobo e Marcos Valle juntamente com o compositor da música.
Para apresentá-la aqui, escolhi a versão original, porque é ela que me leva aos tempos em que tinha meus 8, 9 anos de idade. Um tempo em que assistia a quase todas as novelas. Curta aí abaixo:
segunda-feira, 27 de dezembro de 2021
PAULO SOUSA COMEÇA ONDE JORGE JESUS TERMINOU: PELA RASTEIRA
| Jorge Jesus. Foto: divulgação |
Jorge Jesus deixou o Flamengo a ver navios quando acabara de renovar seu contrato com o clube, em meados de 2020, para assumir o Benfica. Nada demais escolher seu caminho profissional, mas há de se ter um mínimo de compromisso e respeito por aqueles que o louvaram merecidamente por todo trabalho feito e as conquistas levantadas com a ajuda primordial dos jogadores. Rescindiu o contrato novinho em folha, deu às costas ao Flamengo e voltou para sua terra para ser, algum tempo depois, vaiado e xingado pelos benfiquistas. Quer saber? Bem feito.
Parece que agora, fazendo o jogo do gato e rato, não disse sim, nem não para a rasteira que pretendiam dar nos dirigentes do Benfica os rubro-negros (entre eles um vereador carioca eleito no oba-oba de 2019 que parece pouco afeito ao trabalho na Câmara. Isso seria outro papo, caso o tema em campo fosse outro por aqui) . E, pelo que foi noticiado, JJ ficou amuado quando soube que o Flamengo decidiu não esperar por sua decisão e escolheu voltar da viagem a Portugal com o ex-meia da Juve de Turim, a Velha Senhora. Quer saber? Bem feito, mais uma vez.
| Paulo Sousa. Foto: divulgação |
Agora que se cuidem os dirigentes cariocas metidos a malandros, que já deram demonstrações de passa-perna na ética algumas vezes, porque se Paulo Sousa fez isso com a seleção polonesa - e pelo visto tinha já deixado o Bordeaux no meio da rota - não será surpresa se aprontar o mesmo com o Flamengo. Quer saber? Vou lamentar muito, sou flamenguista e torço pelo sucesso do time, mas mal feito não será. Bem feito é que será. Ah, será.
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Trinta e oito anos não são 38 dias, nem mesmo 38 rodadas
Flademia
Alguns jogos que faço questão de recordar 2
domingo, 26 de dezembro de 2021
OLHARES ALHURES - FOTOS #61: FAMÍLIA REUNIDA NA PRAIA
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sábado, 25 de dezembro de 2021
OLHARES ALHURES - FOTOS #60: ÁRVORES GRAJAUENSES
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quinta-feira, 23 de dezembro de 2021
JOGO DE PALAVRAS
Muito do que ao coração escapa, a mente capta.
| Ilustração copiada do blog ILCoaching Mensagem publicitária Clique na imagem acima e saiba mais |
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Calamidade
"O negro crepúsculo", um livro muito bem recomendado
"Profano Coração" está de volta
Questão em questão 4
segunda-feira, 20 de dezembro de 2021
PAPO NO GERALDINOS DE ARENA
A convite de Marcello Figueiredo, tive o grande prazer de participar ontem (21/12) da live do Geraldinos de Arena. Um bate-papo divertido, com a apresentação de Leandro Carvalho e a presença do próprio Marcello (Domingone), Charles Madeira, Edson Monerat, Felipe Souza e Álvaro Falcão.
Além de falar sobre o futebol brasileiro atual e do passado, em especial do carioca, de minha carreira de jornalista e escritor, em especial das entrevistas para o Museu da Pelada, o livro Contos da Bola e o projeto Jogada de Música, fui surpreendido com depoimentos e perguntas de três grandes amigos que o trabalho me deu: Alexandre Araújo, Sérgio Pugliese e Fernando Gustav (a partir de 1h35min04 no vídeo).
Fiquei verdadeiramente emocionado e só tenho a agradecer pelo carinho com que fui tratado tanto pelos Geraldinos de Arena, como por esses amigos do peito.
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Assista ao papo abaixo
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