terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #25

Uma coisa jogada com música - Capítulo #25

Ao fim da homenagem de José Messias a Garrincha, houve rápida dispersão. Zé Ary, como ótimo mestre de cerimônias que vinha se revelando, fez a bola girar com um novo tema lançado para os nossos amigos.

Garçom: - O futebol tem cada expressão, né? Tem umas que acho muito curiosas e não sei de onde vieram. Zebra, por exemplo...

João Sem Medo: - Zé Ary, a expressão foi criada pelo técnico Gentil Cardoso na década de 60. Gentil, que é também o autor da frase “quem desloca recebe e quem pede tem preferência”, era técnico da Portuguesa da Ilha do Governador e antes de um jogo em 64 contra o Vasco disse que se seu time vencesse seria como dar a zebra no jogo do bicho.

Garçom: - Não tem zebra no jogo do bicho!

João Sem Medo: - Pois, então. A Portuguesa venceu por 2 a 1 e o termo ficou pra sempre.

Zebrinha do "Fantástico", criação de Borjalo

Ceguinho Torcedor: - É, João, mas você criou várias também. Algumas eram do Neném Prancha e você levou pro rádio, não foi?

João Sem Medo: - Neném Prancha foi meu treinador na praia. Meu, do Heleno de Freitas, do Sandro Moreyra... Lembra disso, né? (fala em direção a Neném Prancha, que concorda com um gesto) Ele era, ou melhor, é um grande frasista. Diz as mais famosas, aí, Neném!

Neném Prancha se levanta pra se dirigir a João e ao público.

Neném Prancha: - Obrigado, João. Bom, algumas das que criei foram “Jogador de futebol tem que ir na bola com a mesma disposição com que vai num prato de comida”; “Futebol é muito simples: quem tem a bola ataca; quem não tem defende”; “Se concentração ganhasse jogo, o time do presídio não perdia uma partida”; “Se macumba ganhasse jogo, o Campeonato Baiano terminava empatado”, “Futebol é uma caixinha de surpresa” e outras.

João, os amigos, o público, todo mundo aplaude no bar Além da Imaginação.

Garçom: - Esta última tem tudo a ver com a da zebra.

Sobrenatural de Almeida: - Caixinha de surpresa, zebra, isso tudo no futebol só existe por causa do papai aqui. Em 26, o São Cristóvão derrubou o favoritismo de Vasco, Flamengo e Fluminense e foi o campeão carioca.

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Garçom: - Por falar em zebra, vamos então ouvir novamente o grande Zeca Baleiro, que é torcedor do Maranhão Atlético Clube, o famoso MAC, de São Luís. “Deu zebra” é o nome da música.

Terminada a música nas caixas de som do bar, Ceguinho retoma a pelota.

Ceguinho Torcedor: - O São Cristóvão foi campeão em 26 porque foi um clube à frente do seu tempo. Mario Filho, o Criador das Multidões, relatou isso no seu livro eterno: “O negro no futebol brasileiro”. Já naquela época o São Cri-Cri tinha um ônibus e seus atletas treinavam correndo nas areias da praia de Copacabana de chuteira e meiões. Os atletas do São Cristóvão chegando uniformizados à praia pareciam os aliados desembarcando na Normandia no Dia D!

João Sem Medo: - Um dia inesquecível, meus amigos! Tive a honra de desembarcar na Normandia ao lado do Marechal Montgomery.

Alguns na plateia não conseguem segurar o riso, mas João não percebeu ou fingiu que não ouviu. Sobrenatural de Almeida aproveitou a deixa no vácuo e retomou o assunto.

Sobrenatural de Almeida: - Olha, senhoras e senhores, além de uma forcinha minha, o segredo mesmo do São Cristóvão era o mingau da Negra Balbina e as gemadas com ovos da granja de Álvaro Novais. Coisa de outro mundo! Hahahaha

Ceguinho Torcedor: - Aquele era um time com saúde de vaca premiada!

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Idiota da Objetividade: - O São Cristóvão foi campeão carioca de 1926 com uma campanha de catorze vitórias, dois empates e duas derrotas. O título veio após uma goleada de 5 a 1 sobre o Flamengo, que seria o quinto colocado, no antigo estádio da Rua Paissandu. A equipe que entrou em campo para a última partida formou com Paulino; Póvoa e Zé Luiz; Julinho, Henrique e Alberto; Osvaldo, Jaburu, Vicente, que foi o artilheiro do campeonato, com 25 gols, Baianinho e Teófilo. Participaram da campanha também Doca, Mendonça, Martins e Luis Vinhaes, que depois se tornou o técnico do time. Foram ao todo 70 gols marcados e 37 sofridos.

João Sem Medo: - É bom lembrarmos que, sete décadas depois, o São Cristóvão revelou o Ronaldo, que passou a ser chamado de Fenômeno na Itália.

Garçom: - Verdade, seu João! Vamos aproveitar então para fazer uma homenagem ao São Cristóvão?

Todos concordam.

Garçom: - Quase todo o time campeão de 26 está aqui. Peço que se levantem e sejam aplaudidos, por favor.

São muito aplaudidos, especialmente o artilheiro Vicente, quando apresentado.

Garçom: - Bom, vamos chamar ao palco um dos grandes cantores da história da nossa música para cantar a Marcha ou hino popular do São Cristóvão, composta por Lamartine Babo, que já se apresentou aqui e também merece aplausos. Com as senhoras e os senhores: Silvio Caldas.

Lamartine, primeiro, Silvio Caldas, depois, agradecem os aplausos.

Silvio Caldas: - Muito obrigado. Com muita honra gravei o hino deste clube tão tradicional do futebol brasileiro. Ainda mais porque eu nasci na Rua São Luiz Gonzaga, número 209, no bairro de São Cristóvão, o bairro imperial carioca.

Fim do Capítulo #25

Episódio originalmente publicado em 20 de julho de 2022 e republicado totalmente modificado em 4 de fevereiro de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #24

Uma coisa jogada com música - Capítulo #24

Garrincha em ação em clássico contra o Vasco, no Maracanã

Em meio à festa após a execução do trecho inicial da ópera “Carmen” por causa do olé de Garrincha no argentino Vairo, adivinha quem aparece? Ele mesmo, Mané Garrincha.

Garrincha: - Ô, seu João, que lembrança boa. Muito obrigado.

João Sem Medo vai abraçar o Mané, levando Ceguinho Torcedor consigo. Sobrenatural de Almeida e Idiota da Objetividade também cumprimentam o grande ídolo. Zé Ary faz reverências ao Anjo Torto e todos o seguem na homenagem.

Garrincha (emocionado): - Obrigado, gente.

Garçom: - Vamos ouvir a continuação da história, que é maravilhosa.

João Sem Medo: - O Estádio Universitário quase veio abaixo com aquele espetáculo tão integrado entre o futebol e a música. O Vairo não foi até o fim do jogo, claro. O técnico do River, meu amigo Minella, o substituiu. O Vairo saiu de campo bem perto do nosso banco e estava sorrindo: “No hay nada que hacer. Imposible”. E ainda gozou com o reserva que ia entrar: “Buena suerte, muchacho. Pero antes, te aconsejo que escribas algo a tu mamá”.

Músico: - Hoje, ele falaria pro substituto mandar um zap pra mãe!

Todos riem muito. 

Veja também:

Garçom: - Bom, minha gente. Depois do gênio das Pernas Tortas, vamos trazer aqui no palco do Além da Imaginação um mestre do choro: Jacob do Bandolim!

Jacob do Bandolim vai com seu instrumento ao palco, cumprimenta antes os 4 amigos, Zé Ary, os músicos, a plateia, que o aplaude efusivamente, e acena pra Mané Garrincha.

Jacob do Bandolim: - Agradeço muito. Bom, não posso tocar outra música agora que não seja “A  ginga do Mané”.

Garrincha: - Assim vocês vão me arrebentar de emoção.

Aplausos gerais para Jacob e Mané.


Ao fim da execução com maestria, novamente todos aplaudem muito, tanto Jacob, quanto Garrincha, que foi ao palco. Os dois se abraçam, e a ovação é total da plateia.

Ceguinho Torcedor: - Olé! A música e essa história são excelentes, João. Excelentes!

Garçom: - O México então criou o olé dentro de campo e a “ola”, fora, seu João?

João Sem Medo: - É verdade.

Idiota da Objetividade: - A "ola" surgiu para o mundo na Copa do Mundo de 1986 e é feita por torcedores de muitos países até hoje nos estádios em competições dos mais variados esportes. "Ola", em espanhol, significa onda.

Ceguinho Torcedor: - É mesmo uma verdadeira onda que gira em torno do estádio... Eu não vejo, mas sinto toda a vibração.

Com a sugestão no ar, um grupo perto do palco começou a "ola", que ficou rodando pelo Bar Além da Imaginação, com a participação de todos, até do Ceguinho Torcedor, por um bom tempo.


Veja também:

Garçom: - Gente, vamos aproveitar a presença de Garrincha aqui pra mais uma homenagem musical. Ele merece muito, não é?

Todos concordam e aplaudem.

Garçom: - Então vamos chamar ao palco o grande José Messias pra cantar “Garrincha cha”, de Rutinaldo Silva.

Todos aplaudem José Messias.

José Messias: - Muito obrigado. É um grande prazer estar aqui em meio a tantas feras do futebol pra cantar essa homenagem ao grande Mané Garrincha. Vamos lá!


Todos dançam e aplaudem, inclusive Garrincha.

Fim do Capítulo #24

Episódio originalmente publicado em 13 de julho de 2022 e republicado totalmente modificado em 31 de janeiro de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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terça-feira, 21 de janeiro de 2025

SÓ HÁ PRESENTE

Só há presente

Imagem criada por Leonardo.AI

O futuro já passou há muito tempo
Isso que você pressente
É o presente
Sempre, 
Sempre, 
Sempre.
Eternamente
Sempre.

Sem presente
Você só pressente
Por mais que sonhe
Por mais que tente
Por mais que lembre
Só há presente

Agora
O futuro foi embora
O passado o ignora
E é este instante que
Se faz presente.
Sempre.
Eternamente. 
Sempre.


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Provavelmente inspirado pelas leituras e releituras (em loop) dos livros "O poder do agora" e "Praticando o poder do agora", de Eckhart Tolle, me surgiram os primeiros versos acima. Depois fui moldando, modificando, testando, até chegar ao que você (provavelmente) leu. 

É um primeiro passo meu para aceitar o que é e viver o presente sempre. Eternamente sempre. E sigamos em frente que desistir não faz parte dos meus planos.

Você, o que pensa agora? Deixe sua curtida no blog, seu comentário, sugestão. Agradeço, sempre.

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Música pra viagem: Mirrorball
Conexões


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sábado, 18 de janeiro de 2025

ROCK IN RIO QUARENTÃO

Título da Postagem

Quem foi ao primeiro Rock in Rio não esquece. Até quem não foi também deve ter em boa lembrança. Embora não tenha sido a melhor edição das três que pude presenciar (as outras foram em 2001, pra mim a mais bacana, e 2011), o de 1985 inaugurou inclusive uma nova fase na minha vida.

Pode parecer exagero, mas pelo tanto que a música ocupa em minha vida, aquele festival modificou, sim, muito do que eu escutava e isso começou assim que foi anunciado. Em 1984 ainda, eu, amigos, amigos dos amigos e conhecidos nos reunimos no apartamento que eu e meus irmãos morávamos com meus pais para ouvirmos no nosso aparelho de som, LPs das bandas que viriam e outras de roquenrol que eu nem imaginava que existiam.

Aliás, alguns artistas que vieram ao Rock in Rio eu nunca tinha ouvido falar, como Nina Hagen, Go Go's e B 52's, por exemplo. Vi os dois últimos grupos no dia 18 e não gostei. Na verdade só confirmei ao vivo o que já tinha ouvido antes.

E a expectativa foi aumentando, ainda mais depois que comprei os meus ingressos, pros dias 18, 19 e 20 de janeiro. Inexperiente em festivais na época, fui tão afoito à Cidade do Rock e nos dias de mais lamaçal, por causa das chuvas, que acabei, mesmo com 18 para 19 anos de idade, não conseguindo ter forças para ir no último dia e assistir ao show do Yes, a banda que eu mais queria ver.

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Música pra viagem: Soon
O inesquecível show do Queen

Mas ficaram na memória, claro, momentos memoráveis, principalmente de Queen, Pepeu e Baby, Whitesnake, Scorpions e AC/DC. E as lembranças de ter ido com meu irmão e amigos naqueles dois dias inesquecíveis. Há 40 anos!

Os ingressos dos dias 18 e 19 de janeiro de 1985 que ainda tenho guardados comigo

O nascimento do festival

O primeiro Rock in Rio, realizado de 11 a 20 de janeiro de 1985 no Rio de Janeiro, marcou a história dos grandes festivais de música. Idealizado por Roberto Medina, o evento se destacou por sua magnitude e por trazer artistas de renome internacional ao Brasil. Foram dez dias de shows, que atraíram mais de 1,38 milhão de pessoas à "Cidade do Rock".

Os artistas brasileiros

O line-up incluiu bandas e artistas históricos como Queen, Iron Maiden, AC/DC, e James Taylor. Cada performance foi memorável, mas o show do Queen é frequentemente lembrado como um dos melhores, com Freddie Mercury, em duas apresentações da banda, liderando o público em um coro emocionante durante "Love of My Life". 

Além das bandas internacionais, o festival também deu destaque aos artistas brasileiros, como Gilberto Gil, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso. A mistura de talentos locais e internacionais ajudou a criar um ambiente único e multicultural. O primeiro Rock in Rio não só trouxe mais visibilidade para a música brasileira, também abriu portas para futuras edições desse e de outros festivais no país.

Veja também:
Os 20 anos do melhor Rock in Rio de todos os tempos
"Bohemian Rhapsody", emocionante rock dos branquelos loucos

A infraestrutura do evento foi um marco à parte. A "Cidade do Rock" tinha uma área de 250 mil metros quadrados, com uma imensa estrutura de palco, som e iluminação nunca antes vista no Brasil. Além disso, foram montadas tendas de alimentação, áreas de descanso e zonas de lazer, proporcionando uma experiência completa para os fãs de música.

A Cidade do Rock ficou lotada nos 10 dias de festival. Foto: divulgação/Rock in Rio

O legado

O impacto do primeiro Rock in Rio foi imenso, não só no cenário musical, mas também cultural. O festival mostrou que o Brasil era capaz de organizar eventos de grande porte, em condições de atrair a atenção mundial. Isso pavimentou o caminho para o país se tornar um destino importante no circuito internacional de shows e eventos culturais.

Depois da primeira edição, o Rock in Rio só voltaria em 1991, no Maracanã, e posteriormente, em 2001, em outro local de Jacarepaguá. A partir da década passada passou a ser realizado com mais frequência, expandindo-se para outras cidades e países, incluindo Lisboa e Madrid. 

No entanto, a edição de 1985 permanece na memória como um divisor de águas e um exemplo de como a música pode unir pessoas de diferentes culturas e origens. 

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Música pra viagem: Flight of Icarus
Nau Poesia: Oração dos marginais (We are the losers)

Pra fechar, o trecho mais emocionante de "Love of my life" em 1985.


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sábado, 11 de janeiro de 2025

A INSUFICIÊNCIA DA PALAVRA

Sim, sim, eu sei, eu sei... Sei? Não, não sei, não tenho certeza. Absoluta, não, claro que não. Mas, desconfio - digamos, fortemente - que minhas experiências com a inteligência artificial (IA) venham gerando mais narizes torcidos do que agrados aos raríssimos e às raríssimas que se aventuram a encarar um texto, um trabalho, meu. 

Bom, parodiando o velho e surrado dito popular: "quem não tem ator ou atriz disponível para um texto seu, caça leitores (ou espectadores) e leitoras (espectadoras) com "avatores" ou "avatrizes"". Desistir nunca fez parte dos meus planos, por isso busco, muitas vezes solitariamente, caminhos retos e tortuosos para fazer chegar ao maior número de pessoas os trabalhos que produzo com a minha alma.

Veja também:

Diante disso, apresento aqui mais uma experiência que fiz com um "avator" interpretando um curto texto meu, bem antigo, mas que creio continua muito atual, chamado "A insuficiência da palavra". Na verdade, eu o uni, de forma adaptada, a uma espécie de haicai que já publiquei aqui há quase uma década e meia. Clique aqui, caso queira ler.

Saiba mais sobre a produção

Para contar um pouco como procedi, fui ao HeyGen e convidei o "avator" Fabio Vernon para interpretar este texto que andava escondido há tantos anos em meus arquivos. Vernon aceitou prontamente, como normalmente fazem todos os "avatores", e só tenho a agradecê-lo. 

E também muito a Renrebello, ao talento musical do qual mais uma vez recorri no Pixabay. Desta vez, trouxe a composição dele chamada "tribal" e acredito que tenha casado perfeitamente, mais uma vez, com o texto, a "interpretação", a produção toda de um modo geral.

Veja também:

Então, convido você a assistir abaixo ao vídeo que produzi com estes auxílios citados. Se curtir, deixe um comentário, um "like" no YouTube, no Vimeo e nas demais redes sociais onde divulgarei "A insuficiência da palavra" e compartilhe. Agradeço muito!



O texto na íntegra

A INSUFICIÊNCIA DA PALAVRA

A palavra é insuficiente, mas é com ela que parto nessa busca incessante por mim mesmo, esta viagem no vasto mundo que me habita e, creio, habitam outros seres.

Sou uma guerra civil se debatendo sem tréguas neste campo de batalha, ora desértico, ora pantanoso, densamente habitado, ou em mata escura e fechada.

É com a palavra que ataco, defendo, me armo e desarmo. Mas é sem ela que muitas vezes  preciso prosseguir, porque – sim! – por vezes, a palavra é insuficiente.

E, vez por outra, quando mais necessito, quando mais anseio pela sua presença, quando é urgente tê-la pronta, na ponta da língua, ela me falta na hora H.

Então, como se fosse eu um zen-budista a receber uma pergunta sobre Deus, só me resta entregar-me ao silêncio.

Só, silencio.

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"Difícil é ser Homem", ebook de monólogos
Música pra Viagem: Samsara
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quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

A SOLIDÃO PLENA, OUTRO EXPERIMENTO COM IA

Em mais um vídeo experimental, resolvi utilizar o texto "A solidão plena", de minha autoria, para ser "interpretado" por um avatar e uma voz disponibilizadas por uma plataforma de inteligência artificial (IA). O "ator" foi "batizado" por mim de Roberto Conrado, uma versão brasileira de Robert Conrad, podemos dizer assim.

A música de Renrebello encontrei num site que disponibiliza músicas para esses e outros fins, com a recomendação apenas de que se dê o crédito. Ela foi fundamental para que eu conseguisse dar um toque final à edição e publicar aqui, no Youtube e no Vimeo.

Com tantas peças, roteiros e outros textos inéditos, fico imaginando como ficaria ainda melhor este e outros tantos já escritos, para teatro ou cinema, principalmente, com um ator ou uma atriz de verdade, algo que consegui mais recentemente com minha amiga Ana Melão numa poesia que ela gravou e publiquei aqui e no Youtube, chamada "Esperar pelo sol".

Veja também:

Porém, no teatro ou no cinema, por enquanto, fica o sonho que já dura 21 anos, desde que a peça "Sentença de vida", de minha autoria, foi encenada em palcos alternativos de Rio de Janeiro e Niterói, e no tradicional do Sesc-São Gonçalo, entre março de 2002 e maio de 2003. Enquanto isso não ocorre, sigo incansavelmente buscando espaço pro meu trabalho.

Além de ser fonte de estudos em um curso livre e outro acadêmico de pós-graduação (MBA), a IA vem me dando a oportunidade de ampliar as possibilidades de levar o meu trabalho artístico pro mundo.

Espero que você curta o vídeo, tanto aqui abaixo, como no YouTube e no Vimeo.


Veja também:
Nau Poesia: O caminhante
"Velhos conhecidos", uma peça em ebook


O texto, na íntegra, vai abaixo:

A solidão plena

Miro-me no espelho e vejo já em meu corpo os primeiros traços do idoso que talvez eu nunca venha a ser. Curiosamente, lido melhor com ele hoje do que quando tinha meus 17, 18, 20 e poucos anos. O tempo já o deixa levemente curvo, afinou minhas pernas, deixou formas mais retas, menos eretas, nem por isso menos elegantes. A pele já não tem o mesmo viço e linhas retas e curvas redesenham meu rosto. Pêlos brancos nascem na cabeça e na face como os pubianos surgiam espantosamente em eras adolescentes.

Tenho mais força nos braços do que nas pernas em comparação aos anos passados, mas sei que isso não é duradouro. Ainda exibo raras espinhas que me lembram que não posso deixar de ser menino. Os olhos já não têm mais a mesma facilidade de enxergar as pequenas letras de embalagens e livros, mas seguem percorrendo-os com cada vez mais curiosidade, embora haja bem menos precipitação.

O tempo passa, nós passamos, cada vez que um segundo avança nos aproximamos mais da despedida. E mil perguntas me vêm à cabeça. O que deixarei de bom por aqui? E se deixar algo, servirá de quê? Irei mesmo para outro lugar, ou o fim é mesmo o fim? Quando descobrir as respostas não poderei contar a ninguém, cada um terá de descobrir por si só. O que me dá uma sensação de solidão plena. Sem angústias, sem melancolias. Solidão na exata acepção da palavra, se é que ela encerra um único sentido e significado. Mas se a resposta for sim, é o que sinto neste momento e certamente voltarei a sentir no momento final.

Veja também:
Oceano de memórias em "O negro crepúsculo"
Tempo presente


E aí, o que achou? Comente, sugira, siga o blog, agradeço.


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Veja também:
Nau Poesia: Nada mais
Poesias cantadas: Dissipações


terça-feira, 17 de dezembro de 2024

MÚSICA PRA VIAGEM: PARALELAS

Vanusa e Belchior em programa da TV Globo, em 2002. Foto: Renato Rocha Miranda/TV Globo)

Uma das mais lindas músicas, dentre tantas, de Belchior, "Paralelas" conheci pelas ondas do rádio na belíssima voz de Vanusa, ainda nos anos 70. Só muito mais tarde, já em tempos de internet, se minha memória não falha, é que fui ouvir a interpretação de seu compositor. 

Escrita no início dos anos 70, a canção explora os contrastes entre a vida cotidiana e os sonhos interrompidos, com uma melodia envolvente e versos profundamente poéticos. É uma viagem urbana arrebatadora, inspiradora e romântica.

A música ganhou notoriedade mesmo com Vanusa, que gravou a interpretação emocionante mencionada acima em 1975, dois anos antes de Belchior registrar sua versão em disco. Muitas décadas depois, "Paralelas" continua a impactar gerações, sendo revisitada por artistas como Tim Bernardes, que a incluiu em uma performance memorável juntamente com "Changes", balada do Black Sabbath, no programa Cultura Livre, da TV Cultura.

Veja também:

Belchior, um poeta da MPB

Belchior, conhecido por sua voz grave e composições carregadas de crítica social, foi um dos principais nomes da MPB na década de 70. Em "Paralelas", ele usa metáforas potentes para retratar um homem dividido entre a aspereza da realidade e a busca por algo maior. Seu legado como poeta e cronista da vida brasileira permanece vivo, influenciando artistas dentro e fora do país.

Nascido em 26 de outubro de 1946, em Sobral (CE), Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes dizia jocosamente que era o maior nome da Música Popular Brasileira. Seu legado parece ter ganho maior força após sua misteriosa morte, em 30 de abril de 2017, em Santa Cruz do Sul (RS).

Vanusa e sua interpretação marcante

A gravação de "Paralelas" por Vanusa trouxe uma nova dimensão à canção. Sua voz poderosa, aliada à interpretação sensível, tornou a música um sucesso nacional, consolidando-a como um clássico da MPB.

Vanusa foi uma das grandes intérpretes de sua geração, destacando-se por sua versatilidade e entrega emocional em cada performance. Paulista, de Cruzeiro, nasceu numa manhã de setembro? Não sei, só sei que foi no dia 22 daquele mês, em 1947, e faleceu em 8 de novembro de 2020, em Santos (SP).

Veja também:

Tim Bernardes: um elo entre gerações

Em uma performance marcante, Tim Bernardes revisitou "Paralelas" ao piano, abrindo com "Changes", do Black Sabbath. A fusão das duas músicas destacou a universalidade das emoções humanas, unindo a melancolia de Belchior à introspecção do rock clássico.

Tim Bernardes, conhecido por seu trabalho solo e com a banda O Terno, trouxe uma nova camada de profundidade à canção, apresentando-a a um público mais jovem.

Assista e Reviva "Paralelas"

Assista abaixo à interpretação de Vanusa, num especial da TV Bandeirantes, em 1987: 

Confira também a releitura de Tim Bernardes com "Changes":

"Paralelas" continua a atravessar gerações, reafirmando a genialidade de Belchior e o poder atemporal da música brasileira. Ele disse em um show que a música foi a primeira que fez quando chegou ao Rio de Janeiro, oriundo do Ceará.

Então, por fim, pela primeira vez trazendo três versões diferentes da mesma canção, a série "Música pra Viagem" apresenta a versão de seu genial compositor, gravada no disco "Coração Selvagem", de 1977:

Bom, quando já ia terminar por aqui, eis que encontro um vídeo com Vanusa e Belchior juntos cantando "Paralelas", então, vão a quatro versões pra você que se dispôs a vir aqui:

E aí, gostou? Deixe o seu comentário e curta o blog.

Obs.: Pesquisa e parte do texto foram feitos com auxílio de IA.

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UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #48

Uma coisa jogada com música - Capítulo #48 Djalma Santos, Zito, Vicente Feola, Pe...

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