quinta-feira, 13 de junho de 2019

"SUTILEZAS", AMOR, PAIXÃO E SURPRESAS


Repleto de amor, paixão e surpresas, ebook “Sutilezas¨ está à venda na Amazon

Quarto livro, o segundo de poesias, do escritor e jornalista Eduardo Lamas
 traz links que levam o leitor a áudios e outros textos poéticos

“Sutilezas” é um ebook que rima mesmo com surpresas. E, com a sua característica liberdade poética, também com amor e paixão, temas centrais do quarto livro do escritor e jornalista Eduardo Lamas, o seu segundo de poesias. Nesta obra o leitor terá a possibilidade de viajar em seu tablet, e-Kindle, celular, computador ou qualquer outro dispositivo eletrônico para além dos versos publicados. Com links para áudios na SoundCloud, dois exclusivos, e também para poesias que não estão no livro, a experiência de ter “Sutilezas” em mãos ultrapassa os limites de suas páginas virtuais.

- Quis oferecer algo mais ao leitor desta vez. Há links para o meu podcast na SoundCloud, o LamasCast, mas também para dois áudios exclusivos para quem adquirir o ebook. Há duas surpresas sutis que levam a poesias publicadas há muito tempo no meu blog que não fazem parte desta obra, mas que têm a mesma linha temática. Uma delas faz parte do meu primeiro livro, “Profano Coração” - explica o autor.


Ficha técnica do livro
Título: Sutilezas
Formato: eBook Kindle
Tamanho do arquivo: 102 KB
Número de páginas: 62 páginas
Editora: Eduardo Lamas / Independente (9 de junho de 2019)
Vendido por: Amazon Servicos de Varejo do Brasil Ltda
Idioma: Português
ASIN: B07STXDR8K

O autor

Eduardo Lamas é escritor e jornalista.

Recebeu em 2001 o prêmio de Destaque Especial nas categorias conto, crônica e poesia do IV Concurso Literário "A Palavra do Século XXI", de Cruz Alta (RS).

É autor da peça "Sentença de Vida", encenada entre março de 2002 e maio de 2003, no Rio de Janeiro, em Niterói (RJ) e São Gonçalo (RJ), e dos livros "Profano Coração" (2009, físico, e 2015, ebook), também de poesias; do romance "O negro crepúsculo" (2016, ebook, e 2017, físico), e o ebook ¨Contos da bola¨ (2018).

Entre 1988 e 2013, como jornalista atuou nos mais importantes veículos de comunicação do Rio e de Niterói, entre eles rádios Imprensa FM e Tropical FM, Jornal dos Sports, Agência Sport Press, Agência O Globo, O Globo Online, O Fluminense, Lance Multimídia, Revista e Agência Placar, site Pelé.Net, Oi Internet, Jornal do Brasil e Globoesporte.com.

É o idealizador do projeto Jogada deMúsica, nome de coluna mensal que assina no site do Instituto Memória MusicalBrasileira – IMMuB, e que foi quadro nos programas Panorama Esportivo do Pop Bola e Zona Mista da Rádio Globo Rio, e coluna semanal no site do Pop Bola. Autor, desde 2008, do blog que leva seu nome (http://www.eduardolamas.blogspot.com/). Em ambos publica crônicas, artigos, contos e poesias de sua autoria. Tem ainda um canal com seu nome no YouTube e um podcast na SoundCloud chamado LamasCast.

Atuou também como empresário nos ramos cultural e de comunicação, entre 2012 e 2016, e é sócio-diretor da Estação Pró-Vida – Saúde, Arte e Desenvolvimento Humano.

Veja também:
"O negro crepúsculo" saiu em papel

terça-feira, 11 de junho de 2019

LAMASCAST TRAZ "AMORES", CARRO-CHEFE DO EBOOK "SUTILEZAS"

Com o país dividido por ódios e na véspera do Dia dos Namorados, o LamasCast 7 vai à nuvem com "Amores". Esta é a poesia de trabalho do ebook "Sutilezas", quarto livro de minha autoria que já está à venda na Amazon.com.br e na Amazon de mais 12 países (EUA, Reino Unido, Alemanha, Itália, Espanha, França, Holanda, México, CanadáJapão, Índia e Austrália). Ouça o podcast abaixo ou na SoundCloud , adquira e leia o ebook.



Descrição do LamasCast 7:
O sétimo programa traz "Amores", a poesia de trabalho do ebook "Sutilezas", o quarto de Eduardo Lamas, o segundo de poesias, que está à venda na Amazon (clique aqui)
O LamasCast 7 contém trechos de "All we need is love", de John Lennon e Paul McCartney, com os Beatles;  de "Amor", de João Apolinário e João Ricardo, com Secos e Molhados, e "Amor, meu grande amor", de Angela Ro Ro e Ana Terra, com Angela Ro Ro.
A ilustração é uma reprodução da capa do ebook "Sutilezas".
Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração, erros, acertos e tudo o mais: Eduardo Lamas.


Veja também:

terça-feira, 4 de junho de 2019

LAMASCAST 6: ARTE EM TODA PARTE

Está na nuvem, com os pés a um passo do chão, mais um programa LamasCast. Ouça abaixo ou na SoundCloud. Aguardo sua curtida, seu comentário e, se gostar, compartilhamento. Agradeço desde já.



Descrição do LamasCast 6:
O sexto programa conta com trechos do Concerto para piano nº 1 de Tchaikovsky, com a Orquestra de la Suisse Romande, conduzida pelo maestro Charles Dutoit, e com Martha Argerich ao piano; a poesia "Meus oito anos", de Casemiro de Abreu, recitada por Paulo Autran; texto de Domingos de Oliveira sobre o teatro, por Antonio Abujamra; "Hey Joe", de Billy Roberts, com Jimi Hendrix; "Chamada Geral", de e com Armandinho Macedo e Hamilton de Holanda, e Suíte nº 1  para Violoncelo, de Johann Sebastian Bach, com Mischa Maisky.
Ilustração: "O pensador na porta do Inferno", de Auguste Rodin.
Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração, erros, acertos e tudo o mais: Eduardo Lamas.
ERRATA: embora eu não tenha certeza sobre a pronúncia correta, o primeiro nome do físico Fritjof Capra foi dito errado, como se fosse Fritojf ("Fritóif" em vez de "Fritiof").

Veja também:
Beleza e caos: arte em toda parte
Espiral do tempo

terça-feira, 28 de maio de 2019

CLARICE LISPECTOR E BARÃO VERMELHO NO LAMASCAST

O LamasCast desta semana mostra qual a conexão existe entre a escritora Clarice Lispector e o grupo de rock Barão Vermelho. Ouça abaixo ou na SoundCloud.



LamasCast é belo, saudável, orgânico e caseiro. Na nuvem, com os pés a um passo do chão.

Descrição do LamasCast 5:
O quinto programa inicia com uma fala de Clarice Lispector na última entrevista que concedeu, em 1977, a Júlio Lerner, da TV Cultura, e a música "Que o Deus venha", que Cazuza e Frejat fizeram com base num trecho do livro "Água Viva", de Clarice Lispector.
Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração e tudo o mais: Eduardo Lamas.
ERRATA: o LP "Declare guerra", do Barão Vermelho, foi lançado em 1986 e não em 88 como dito no programa. Peço desculpas pelo equívoco.

Veja também:
Mãe exalta o amor em "O filho de mil homens"
Amigo Cyro, que espetáculo!
O caminhante

terça-feira, 21 de maio de 2019

ESQUIZOFRENIA E ARTE NO LAMASCAST 4

O quarto programa LamasCast trata esta semana da relação entre a esquizofrenia e a arte, com um texto que já foi publicado aqui no blog e que teve uma boa repercussão. Não perca e traga os amigos.


Descrição do LamasCast 4:
O quarto programa inicia com trecho de "The great gig in the sky", com Pink Floyd; usa uma parte de "Atom heart mother" de fundo para o texto "Esquizofrenia, de Eduardo Lamas, com Eduardo LÇamas, e termina com a parte final de "A saucerful of secrets", com o Pink Floyd.
Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração e tudo o mais: Eduardo Lamas.
Ilustração: "Only opens, when open for fantasy", de Ben Goossens.

Veja também:
Um brilhante esquizofrênico

terça-feira, 14 de maio de 2019

LAMASCAST RODRIGUEANO

Não perca o terceiro programa belo, saudável, orgânico e caseiro, que está na nuvem, a um passo do chão. Clique abaixo e curta, comente, compartilhe os 7 rodrigueanos minutos.



Descrição do LamasCast 3:
O terceiro programa abre com "Meu nome é Nelson Rodrigues", de Érico Theobaldo e Zeca Baleiro, com Zeca Baleiro; tem um trecho da ópera "Rigoletto", de Giuseppe Verdi, e por fim "This gun for hire", de David Buttolph, com a Jazz at the Movie Band, música de abertura da série "A vida como ela é", da TV Globo.
Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração e tudo o mais: Eduardo Lamas.

Veja também:
O teatro e o futebol

terça-feira, 7 de maio de 2019

LAMASCAST 2 ESTÁ NO AR!

Contra tudo o que agora estaí, a arte da palavra, a palavra-arte.



Descrição do LamasCast 2:
O segundo programa abre com "Perfeição", de Renato Russo, com a Legião Urbana; tem o "Canto das 3 raças", de Paulo César Pinheiro, com meu trôpego cantar emendado pela gravação da grande Clara Nunes, e por fim "Blues da Piedade", de Roberto Frejat e Cazuza, com Cazuza.
Texto, produção, concepção, criação, gravação, narração, edição e tudo o mais: Eduardo Lamas.

Ilustração: "A liberdade guiando o povo", quadro de Eugène Delacroix

Veja também:

terça-feira, 30 de abril de 2019

LAMASCAST, NA NUVEM COM OS PÉS A UM PASSO DO CHÃO


Clique acima ou abaixo e vá direto ao que interessa. Agradeço desde já.



Descrição do LamasCast 1:
Programa de estréia, com "Vermelhas Nuvens", de e com Hugo Linns, na abertura; "Sequidão", de e com Eduardo Lamas, durante, e "Improviso", de Antonio José Madureira, com o Quinteto Armorial.
Texto, produção, concepção, criação, gravação, narração edição e tudo o mais: Eduardo Lamas.
Ilustração: Gilvan Samico.

Veja também:
Já à venda, "Contos da Bola" vai das peladas aos clássicos
"O negro crepúsculo", um trabalho de 11 anos
"Profano coração" está de volta
"Jogada de Música" no IMMuB

terça-feira, 16 de abril de 2019

O QUANTO DEVO AO CENTRO DE ARTES UFF


Em conseqüência dos inconseqüentes ataques e das primeiras ações do doutrinário desgoverno federal contra a Educação e a Cultura deste país, a Universidade Federal Fluminense (UFF) suspendeu as atividades deste início de temporada do Centro de Artes UFF por falta de dinheiro. Embora sejam públicas quase que a totalidade das 36 universidades brasileiras ranqueadas entre as 1.100 melhores do mundo, de acordo com a revista inglesa THE (Times Higher Education), é clara e evidente a intenção dos atuais donos do poder de (certamente sucateá-las para) privatizá-las pouco a pouco e restringi-las aos mais abastados. Particularmente, a notícia mexeu muito comigo e remexeu um baú de ótimas memórias.

Minha primeira visita ao Centro de Artes UFF ocorreu no fim dos anos 80, quando fui assistir à cerimônia de formatura como professora de minha então namorada, futura mulher e mãe de meus filhos. Nos últimos meses de 1990 lá estava eu a acompanhando nos seus primeiros passos como atriz, já grávida de meu primeiro filho, nos ensaios noturnos da peça "Coquetel Molotov", de Alvaro Ramos, que a diretora Alice Carvalho levaria ao palco nas primeiras semanas de janeiro de 1991 com os alunos do curso de teatro aberto mesmo para quem não era aluno da universidade. Fiquei tão íntimo daquela turma e da montagem que fui convidado pela diretora para ser um dos responsáveis pela operação de áudio da peça, algo que nunca havia feito, mas que aceitei com grande felicidade, embora não pudesse chegar a tempo para todas as apresentações por causa do meu trabalho no Jornal dos Sports. Foram naquelas noites que minha paixão pelo teatro nasceu e se tornou arrebatadora e definitiva.

Porém, em 1993, eu me mudei para São Gonçalo e, mesmo morando bem distante do Centro de Artes UFF, passei a freqüentar seu cinema com ingresso a preço simbólico e as apresentações gratuitas de música erudita e popular nas manhãs de domingo, muitas vezes com meus três filhos a tiracolo. Seis anos mais tarde fiz lá um dos melhores cursos de que pude participar: Introdução à Cultura Brasileira (Música, Teatro, Literatura, Cinema e Artes Plásticas). Entre outros, tive o imenso privilégio de assistir a palestras e verdadeiras aulas-espetáculos com Jairo Severiano, Marília Barbosa, Ricardo Cravo Alvin, Joel Rufino, Ruy Castro, Ziraldo, Leandro Konder, Gianfrancesco Guarnieri, Nelson Pereira dos Santos, Zelito Viana, Hamilton Vaz Pereira, Claudio Valério, Ithamara Koorax. Nem preciso dizer que saía de lá a cada fim de tarde muito melhor do que entrava.

 Hoje, meu filho mais novo está terminando a faculdade de Geografia na UFF, num campus próximo do Centro de Artes, e por tudo isso não posso deixar de destacar a imensa importância que aquela  universidade de Niterói, em especial seu teatro e seu cinema, ainda tem na minha vida. Portanto, desejo vida longa, eterna, ao centro de Artes UFF!

Veja mais:

domingo, 14 de abril de 2019

MINTO, LOGO MITO (UMA LAMENTÁVEL E FARSESCA TRAGICOMÉDIA)

Minto, logo tuíto
Deus, ainda não sei o que fiz
Pra tantos milhões
me elegerem o Mito

Mito, logo de novo tuíto
Eu avisei que de economia
Só sabia que nada sabia
Que culpa tenho eu
Se o IBGE também
Nada sabe de metodologia
Só o meu Posto Ipiranga
Ah, tá certa a ministra
Ninguém passa fome
Onde há tanta manga
Que nunca acaba
E aquela outra
Que viu Jesus num pé de goiaba?
Aquela que só veste menino de azul
E menina de rosa
Viste o "conje" de Sabugosa,
O meu juiz sabichão?
Eu o convoquei
Depois que me ajudou
a ganhar a eleição

Mito, logo de novo tuíto
Meu governo é frutífero
Veja que belo laranjal
A Amazônia tem que dar lucro
teremos shoppings de um lado
e de outro pasto, soja
e um grande matagal

Minto, logo tuíto
Índio não quer terra,
Não quer apito,
Índio quer iphone,
SmarTV, carro do ano,
Mansão na beira do rio,
Índio quer ser crente que
É gente como a gente.

Mito, logo outra vez tuíto
E se alguém me critica
É por ali que eu grito,
Se xingar minha mãe
Eu xingo a tua
Quem foi o filho da puta
Que chamou meu 02
De Tonho da Lua?
Quem inventou que o Queiroz
Trouxe a grana pra nós?
É tudo mimimi
Nada tenho com mimimilícia
Mimiminha famimimiglia
É honrada, sou honesto
E sou muito bem casado
Com a mimiminha Mimimichele
O que são 24 mimimil
e mais uns mimimilhõeszinhos,
Uma fantasmimiminha aqui
Um Gasparzinho acolá
Perto do que o PT roubou?
A embaixada vai pra Telaviv
Só pra mexer com os mustafá,
os ibrahim, aiatolá
Vamos importar terrorista
Pras armas poder usar
Sou um cara tão famimimília
que vamos instituir
a educação domimimiciliar
Todo mundo armado em casa
protegido de atentado escolar

Mimiminto, logo mimimito
Juntei um time de notório saber
A deforma da Previdência já entreguei
Não tenho mais o que fazer
Talquei?
Que culpa tenho eu
Se o Vélez não sabe navegar
Na educação
Pra consertar, coloquei
um doutor no seu lugar
Que não é doutor
Me enganei
Talquei?

Mito, logo mais uma vez tuíto
Eu adoro uma tortura
Mas neste país nunca houve ditadura
Ficam falando de 64, 64, 64
E que nunca mais me levanto
Se eu cair de quatro,
mas é tudo fakenews!
Tudo bem, não sou nenhum santo
O que importa um incidente qualquer
se depois de 80 tiros
morre um músico
e riem da sua mulher,
Quero ser gentil com o Danilo
Ai, não posso confessar
Mas sinto um negocinho
Quando toco os meus mamilo.
O nosso carnaval é chocante
É orgia atrás de orgia
e ainda me acusam de
divulgar cenas de escatologia

Minto, logo mito
Fui aos States dar um abração
No Trump, meu amigão
Um cara muito confiável
Super-educado, afável
Com ele tá sempre tudo suave
Por isso passei pra ele a nossa chave
Aqui pode entrar quando quiser
Não criaremos qualquer entrave
Mas não se iluda,
Ninguém manda no meu governo
Só o Olavo de Carvalho
Eu te amo, Tio Sam,
Eu te amo

Minto, logo na rede eu mito
De economia, "filolavosofia", agronomia
Nada entendo, sabia?
Mas em História sempre ganhei nota dez
Fui lá em Israel
e depois de me lamentar no Muro
Fui ao Museu do Holocausto
E fiquei muito puto com o que fizeram os nazista
Hitler foi mesmo um demônio
Aquele desgraçado comunista.
Na minha próxima viagem ao estrangeiro
Quero conhecer aqueles povos
Que vivem na parte debaixo do tabuleiro.

Mito, logo tuíto
Na verdade, nunca menti,
que culpa tenho se te iludi
ou desiludi, sou o que sou
Este é um país que vai pra frente
Ou, ou, ou, ou, ou...


Veja também:
Noventa milhões em ação
Encantamento, fanatismo, cegueira

domingo, 17 de março de 2019

DECLARAÇÃO DE MALES

Ilustração de Gustave Doré para a poesia O Corvo
(The Raven), de Edgar Allan Poe
Como ainda tenho um bom tempo até 30 de abril para fazer a minha declaração do Imposto de Renda, com fartos bens se compararmos com 90% da população deste país e parquíssimos em relação aos privilegiadíssimos que ocupam 1% dos que por aqui vivem, faturando 36 vezes mais do que a metade do nosso povo, venho aqui para fazer a minha declaração de males e penúrias, perante aos cidadãos de bem. Bem, pelo menos é como se vangloriam para reivindicar para si - e apenas para si, a família, uns amigos e talvez uns conhecidos de seu restrito grupo social - as virtudes mágicas que permitem a abertura de todas as portas da esperança e da ganância. Somente para eles e os seus, é claro.

Terei de perder a vergonha de me confessar egoísta, mentiroso, ridículo, bobo, ingênuo... ou seja, não chego aos pés desses das virtudes mágicas. Com tantos virtuosos, sendo o mais "poderoso" um apologista de crimes hediondos, um deles confessado várias vezes e em rede nacional no Congresso Nacional para o espanto e indignação de uns tantos como eu e aplausos histéricos de milhões, só posso me declarar como o pior dos homens. Não tenho a capacidade, nem de longe, de ser um cidadão de bem, nem sequer de bens achacados sem qualquer pudor de todo tipo de cofre público. Sou muito covarde, admito com pesar, não conseguiria jamais me juntar aos corajosos protetores, na marra e na bala, guilhotina, forca, facada, de comunidades miseráveis do combalido Rio de Janeiro, que se já não tinha prefeito, ganhou mais um desgovernador. De bem, claro, ambos cidadãos de bem. São todos esses de bem e de muitos bens, dos mais variados tipos e tamanhos. Não, não chego aos pés desses sujeitos, eles estão muito acima das minhas possibilidades.

Vejam vocês como procedi quando um deles se aproximou, esquivando-me covardemente. Certa vez, desempregado já há uns 3 meses, numa situação bastante difícil financeiramente, pois ainda não havia recebido nada do emprego anterior, um vereador de uma cidade fluminense me ofereceu a assessoria de uma deputada estadual ligada a ele, desde que eu deixasse para um Queiroz aquela parcela que tradicionalmente tiravam de nós. E eu, infamemente, recusei. Recusei, minha gente, recusei. Não foi por medo propriamente, talvez algo muito pior que faria qualquer cidadão de bem gargalhar da minha cara com o dedo indicador furando um dos meus olhos: achei a proposta indigna. Vejam vocês, indigna! "Como indigna", perguntaria um cidadão de bem, "se você estava desempregado, com filhos pra criar sozinho?" Recusei e preciso confessar, passados já mais de dez anos deste episódio, essa falta, essa falha que cometi. "Imperdoável! Indigno!", eles diriam e podem vir a qualquer momento gritar aqui embaixo da minha janela ou virem como corvos grasnarem nos meus umbrais:"Nunca mais, ouviu? Nunca mais!".

Já fiz coisas que seriam aprovadas por eles, mas não me regozijo, pelo contrário. Neste ponto, sou incorrigível, talvez siga em minha vida por linhas curvas demais para tanta gente reta.

POEMA EM LINHA RETA
(Fernando Pessoa, sob o pseudônimo Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Veja também:
Encantamento, fanatismo, cegueira
Fábrica de ídolos

sexta-feira, 8 de março de 2019

NAU POESIA: AO DIA DA MULHER

Nau Poesia: Ao Dia da Mulher

Esta poesia acima é uma homenagem à professora cearense Geísa Firmo Gonçalves, morta em 2000, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio de Janeiro, durante o seqüestro do ônibus 174, episódio terrível exibido ao vivo por emissoras de TV para todo o Brasil. Geísa, que dá nome a uma escola em Fortaleza, foi atingida por um tiro de um policial e três do sequestrador. 

Neste 8 de março de tantos significados neste momento sombrio em que vive este país tão maltratado, principalmente na área da Educação, relembro a professora e a poesia para celebrar todas as mulheres que não vieram a este mundo em vão.

A poesia está publicada no livro "Profano Coração", à venda na versão digital (ebook) somente na Amazon. Em qualquer outro lugar que você encontrá-lo é pirataria! A versão física está fora de catálogo desde 2011.

Veja também:

Clique na capa para adquirir o
seu ebook na Amazon do Brasil.
Também à venda na loja
de outros 13 países.

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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

PESADELOS


Tenho acordado no meio da noite com pesadelos. Imaginários e reais. Terríveis, terríveis. Outro dia mesmo foram desesperadores os meus gritos, relatou-me minha mulher. Não me ouvi, só senti o coração aos pulos e os olhos despertos em hora errada, inesperada. A madrugada, antes minha amiga como tantos que acreditei ter, tem me apunhalado com sustos e tristezas nestes últimos duríssimos anos. Por sorte – e aqui peço perdão, mas me reservo a um "egoumbiguismo" de certa forma condenável, entretanto também compreensível - os sustos particulares no fim não trouxeram a pior notícia. Mas a morte rondou outras casas, outras muitas casas por essas madrugadas, noites e dias e arruinou vidas. A dos que se foram, claro, e dos que ficaram. Entristeço, solidarizo-me, porém também me distancio. Não por frieza, por autodefesa. 

Chapecoense, Mariana, Marielle, Museu Nacional, eleições, Brumadinho, CT do Flamengo, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, cidade e estado homônimos em belezas, sujeiras e desgraças. Diárias, diárias. E depois de já escrito o texto ainda veio esta do Boechat, a quem tive o prazer de conhecer e conversar algumas vezes no cafezinho das manhãs na redação do jornal O Globo. Ao que levam estas palavras, quase todas nomes próprios, todos sabem, conhecem, acompanharam desde a afobada pressa das primeiras informações, aos detalhes mais bem apurados depois. Porém, dos meus pesadelos, poucos sabem, alguns nem eu mesmo consigo mais me lembrar ou fiz questão de esquecer. Sofridos e esperançados dias têm passado por mim rotineiramente com lerdeza e velocidade. A extrema lentidão desesperadora quando se necessita tanto da resposta redentora. A rapidez que atropela afazeres, necessidades, desejos. Sublimes e funestas, funestos, eternos e efêmeros. 

Estou apreensivo. O que será que estes pesadelos todos querem me dizer, que sinais verdadeiramente me mandam? Um amigo que desiste da vida; o sonho que escapa das mãos por torpe e tripla rasteira; aquele que me desperta em desespero no meio da noite; os dias, os meses, os anos se sucedendo de bolsos vazios; a arma apontada para a barriga interrompendo a caminhada; o filho com o sangue se espraiando dentro da cabeça costurada, aberta posteriormente na mesa de operação; a decepção profunda pelas sombras em profusão que cobriram todo um país; uma enorme árvore que despenca a cinco passos daquele que seria o meu último passo; os gritos que invadem o sono pelas convulsões e o pulo da cama com a cabeça e o peito em chamas vão se misturando às tragédias lá fora. Todas tão distantes, tão próximas. Como eu, diante dos noticiários etudo o que me ocorre.

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Crônica que nasceu no Boteco Taco
Azul e branco
O escrever
Um sonho chamado Kurosawa
O caminhante

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

REENCONTRO

Levado com toda gentileza e alegria pelo meu filho mais velho e acompanhado de outro filho, meu irmão, sobrinhos e amigos fui visitar ontem um velho amigo que não via há dez anos. No mesmo endereço de sempre, onde estivera pela última vez, em 2009, quando houve apenas dois encontros, que já rareavam há muito tempo. Eu que estava aos poucos me afastando, talvez não visse mais tanta graça nas festas que promovia, andava mesmo saudoso dos velhos tempos ou já buscava novos lugares, outros sorrisos, outros encontros. Soube sim, claro, que ele reformara a casa, quebrando tudo por dentro e que rejuvenescera por uma dessas novidades que todas as modas das mais diversas áreas inventam para ditar novas regras, novos ditames, novas diretrizes. E daí, passado um tempo, mudar tudo de novo, com quase todos seguindo em frente sem nada questionar.

Andei afastado, mas vez por outra eu o via pela televisão com um ar rogante que não condizia muito com o que sempre me fez admirar aquele amigo. Antes era convidativo sem precisar chamar, era simples, como sua casa, não exibia conforto, porém tinha acolhimento, informalidade, alegria, e as festas... Ah, que festas inesquecíveis tive a sorte de presenciar. Lembro hoje com ternura, já sem a amargura daqueles instantes hoje passados, até das conquistas alheias, mesmo as que tiraram de mim aquela que se tornara a minha obsessão. Chorei em minha casa depois, na dele só uma vez e foi de imensa felicidade. No entanto, quantas vezes mais saí de lá prolongando a festa para depois da festa. Belas tardes-noites de domingo, velhos tempos, belos dias.

Cheguei diferente. Não fui fazendo barulho, cheio de intimidades com o anfitrião, como antes ocorria. O afastamento criou uma certa timidez em mim. Timidez não é bem o termo, na verdade a relação esfriou, embora estivesse fervendo por lá ontem. Fui sem saber direito como seria recebido. Afinal, torci o nariz com certo desprezo quando soube das reformas, na casa, no anfitrião. Antigamente, eu era um frequentador assíduo, então era como se fosse minha segunda casa, entrava sem qualquer formalidade e me deslocava lá dentro como queria. Muitas vezes vinha uma outra turma, grande, embora nunca tanto como a minha, mas os espaços eram respeitados e cada um fazia a sua festa da forma como gostava. É, às vezes, rolavam brigas. Brigas feias, até. Mas nunca participei de nenhuma, embora tenha levado estocadas, nas costas e na barriga, sem gravidade alguma, portanto, serviram mais pra que eu tivesse mais histórias pra contar. A tragédia veio já no tempo em que passei a ir menos lá, não estava presente. Foi muito triste e a casa foi fechada e muitas obras vieram, sendo a mais recente a que mudou tudo. 

Voltei e, como de certa forma já esperava, estranhei muito. O anfitrião de quase 70 anos com cara de quarentão e a casa cheia de cadeiras, sem espaço para dançarmos, pularmos, mudarmos de lugar como sempre ocorreu. A pista de dança da bola ficou menor, porém agora dá pra se ver melhor o que acontece por lá, embora o que se veja não seja lá mais tão bonito. Na chegada, apesar do aperto, do extremo calor, e de não haver espaço pra me sentar, fui recebido com simpatia, cordialidade, respeito, carinho até. E me senti bem, mais pelas lembranças do que vivi naquela casa, que já foi gigantesca e hoje se parece com um enorme salão. Valeu, valeu muito. Mesmo completamente diferentes, o meu amigo, a casa, consegui rememorar alguns grandes momentos que vivemos e pude conversar com conhecidos e desconhecidos, como sempre se fez por lá. E, muito agradecido ao meu filho Lucas, pela tarde-noite de ontem e por tantas maravilhosas que lá passei, pude dar pessoalmente o meu adeus ao Mario Filho, o Maracanã.

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

UMA VIAGEM NO TREM AZUL, DE BH A LIVERPOOL

O Brasil, em especial o Rio de Janeiro, pode estar (e está!) muito maltratado, mas vive um momento extremamente feliz nos projetos musicais que vêm lotando casas de todos os tamanhos e públicos, e emocionando pessoas de todas as idades. Sejam nas telas de cinema, da TV ou na internet, sejam nos palcos, no formato teatral ou de shows, não falta variedade unida à qualidade. Depois de acompanhar esse movimento, mesmo um pouco à distância na maior parte dos casos, assistir a "Para Lennon e McCartney - os Beatles e o Clube da Esquina" me fez voltar ao blog para exaltar este momento, o mesmo em que paralelamente os maiores sucessos populares em TV, rádio e streaming são o que de pior existe. Mas deixemos a maioria se locupletar com efêmeras vitórias e vamos ao que é eterno e indestrutível, a Arte.
"Para Lennon e McCartney" é uma feliz união entre o Fab Four, influenciador de gerações e gerações e gerações do mundo inteiro, e os geniais mineiros do Clube da Esquina, uma das grandes dádivas da música brasileira para o Planeta. No palco, Deco Fiori (voz, violão, piano, mandolin e arranjos), Dudi Baratz (voz, baixo, guitarra e arranjos), Eduardo Braga (voz, violão, piano e arranjos), Sérgio Sansão (voz, sopros, percussão, baixo e arranjos), Jefferson Vieira (bateria), João Freire (guitarra) e Lourival Franco (piano e teclados) brindam o público com grandes interpretações, ideias e várias surpresas.
É um espanto encantador a cada junção que surge de uma música dos mineiros com a do quarteto de Liverpool. Por exemplo: "Um girassol da cor do seu cabelo" (Lô Borges/Márcio Borges) com "While my guitar gently weeps" (George Harrison) ou "Maria, Maria" (Milton Nascimento/Fernando Brant) com "All you need is love (John Lennon/Paul McCartney) ou ainda "O trem azul" (Lô Borges/Ronadlo Bastos) e "Something" (Geroge Harrison). E tem muito mais.
Confesso que, na plateia do ótimo Imperator (Centro Cultural João Nogueira), a convite da Portal Produções, muitas vezes tentei acompanhar cantando as músicas, mas acabava interrompido porque a voz embargara. É uma linda viagem no trem azul para se apreciar pela janela lateral as paisagens sonoras do mais alto grau de beleza, que parte de Belo Horizonte em direção a Liverpool. O espetáculo vai agora para dois fins de semana no Teatro Café Pequeno, no Leblon, e depois para a Sala Baden Powell, em Copacabana. Quem ainda não foi, deve ir. Quem já foi, deve voltar. Muitas vezes.
      

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Para Milton e nossos amigos
John Lennon, 70 anos

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

NAU POESIA: A IGNORÂNCIA INSTRUÍDA


Um filme sem fim
Um mundo doente
e mal-educado
A ignorância instruída
A culta estupidez
gerando gerações perdidas
Décadas e décadas
de infância sem esperança
de crianças sem infância
de expectativa de morte
a cada esquina
O revólver apontado
pra cabeça
numa roleta-russa
a cada amanhecer
As balas traçando
rumos incertos
atingindo pequenos corpos 
mal-nutridos
corpos desamparados
almas despedaçadas
no morro, nas vielas,
nos becos,
nas estradas, ruas, avenidas,
casas, apartamentos
e atrás das grades, cercas e muros
Olhares perdidos e fixos
no nada que cria
no tudo que destrói
dia após dia
O que se esconde
e o que se mostra
em berros que escapam
de gargantas roufenhas
em urros desumanos
em gritos desesperados
em tiros a esmo
de canos de armas
cuspindo ininterruptamente
na correria sem rumo
na disputa por um 
pedaço de dignidade
que nunca se conquista
que sempre escapa
em maços de altas notas
para as mãos e 
os bolsos privilegiados
a indignidade monetária
financiando a doença
e a ignorância
no rádio, nos jornais,
no cinema, nas ruas, na TV,
na grande rede que nos rodeia,
A ignorância instruída
repugnando tudo aquilo
que patrocina
conivente com governos,
desgovernos, empresas,
e astros da TV
O cinismo gentil,
a juventude senil
implorando por um deus
que a conduza à salvação
A ignorância instruída
cega em meio ao tiroteio
atira para todos os lados
e se protege nas
cavernas estilizadas
da modernidade
fazendo propaganda
de seus próprios defeitos
como se fossem grandes virtudes
babando ao falar de ética
e cuspindo no prato carcomido
da estética
Um filme sem fim...

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terça-feira, 20 de novembro de 2018

"BOHEMIAN RHAPSODY", EMOCIONANTE ROCK DOS BRANQUELOS LOUCOS

Deixar-se levar pela emoção tem imensas vantagens. E foi com a emoção à flor da alma que assisti a "Bohemian Rhapsody", filme - que para mim - é apenas baseado levemente na história de Freddie Mercury. Fosse levado pela racionalidade certamente não teria gostado. Mas como segurar a emoção de ver e ouvir naquela tela imensa do cinema, com ótimo som, músicas extraordinárias da banda, o processo de criação de algumas delas e a performance sempre arrebatadora do Queen nos palcos? Pois é, esqueci os inúmeros problemas - os meus e os do roteiro - para curtir muito o espetáculo.


O enredo pode ser descrito como o Rock dos Branquelos Loucos - uma versão internacional do Samba do Crioulo Doido, do Stanislaw Ponte Preta. Há uma misturada de datas, fatos e eventos para, entre outras acochambradas, favorecer o romance "disneylândico" de Freddie com Mary Austin. Até o Rock in Rio foi parar entre 1979 e 80, com o cantor ainda sem bigode. Amigos e amigas, eu fui lá e vi e ouvi, o festival fundamental tanto para a carreira da banda inglesa, quanto para o Rio de Janeiro, foi realizado em janeiro de 1985 (o Queen se apresentou nos dias 11 e 18, fui neste último), apenas seis meses antes do Live Aid (realizado em julho daquele ano). 

No filme, Freddie se torna cantor e compositor de um momento para outro, sem qualquer base anterior que não fosse acompanhar noite após noite os shows da Smile, banda anterior de Brian May e Roger Taylor. Ora, o cara foi estudante de arte e design na Ealing Art College, em Londres, onde aliás conheceu May e Taylor. E ainda como Farrokh Bulsara (seu nome de batismo), antes mesmo de chegar à Inglaterra, aprendeu a tocar piano e teve uma banda. Já em Londres, fez parte de dois grupos antes de se juntar ao Queen.

Há liberdade poética demais no roteiro para o meu gosto. Mesmo assim, eu veria de novo o filme, no cinema, pelos grandes shows do Queen, nas peles dos atores Rami Malek (com todos os trejeitos de Freddie nos palcos, mas dentuço demais e pouco convincente fora deles), Gwilyn Lee (que ficou idêntico ao Brian May), Joseph Mazzello (bastante parecido com John Deacon) e Ben Hardy (como Roger Taylor).

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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

NOVENTA MILHÕES EM AÇÃO

Jair disse durante sua campanha, quando ainda não havia levado a facada, que governaria para a maioria, e que a minoria se adequasse ou fosse embora do país. Ame-o ou deixe-o revisitado. Ontem, ele foi eleito com quase 58 milhões de votos, no entanto, aproximadamente 90 milhões dos mais diversos matizes políticos e ideológicos não o escolheram. Aí entram os votos ao candidato do PT mais os em branco, nulos e abstenções. Portanto, espero que estes números mostrem a Jair que, embora repudiado por suas posições extremistas em defesa de práticas hediondas, como a tortura, ele se repense e se retrate.

É fato que o presidente agora eleito amenizou o seu discurso após o atentado. Porém, ainda não foi veemente para condenar psicopatas e sociopatas saídos das fossas mais putrefatas desta Nação, que em seu nome já vem há semanas usando violentamente suas mãos e bocas imundas contra gays, negros e os mais diversos oposicionistas. A se orientar pelas falas do então candidato, tudo o que discorda dele é vermelho, portanto deve ser banido do país. Noventa milhões estarão na alça de mira desses covardes até que Jair seja contundente contra tudo o que de mais repugnante já defendeu publicamente, sem qualquer pudor. Jesus, ídolo de Jair, disse "amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei", mas Jair leu "armai-vos e vos armei".

Humildade é palavra que não caracteriza nenhum dos dois lados deste níquel gasto posto em jogo no segundo turno das eleições presidenciais. E é bom também que o lado perdedor saiba que não lidera nada, pois certamente grande parte dos votos que recebeu (o meu, inclusive) foi dado por quem não exalta, não admira, nem relativiza, tampouco releva torturas, fuzilamentos, deportações e não por acreditar no projeto de poder que, no fim das contas, permitiu o crescimento do adversário vitorioso. Muitos, mas muitos mesmo, que votaram em Haddad não confiam em Lula, eu inclusive. Sendo bem otimista, será muito difícil (para não dizer impossível) unir o país com Jair, como seria com o PT. Por isso eu clamava por uma terceira via, qualquer uma, pois temia o pior. E o pior foi se configurando desde o fim do primeiro turno. Até que ontem aconteceu.

O cenário exposto é de que ao passar da meia-noite no dia 31 de dezembro próximo, o calendário brasileiro passará a marcar 1º de abril de 1964. Millor Fernandes já havia escrito, certa vez, que o Brasil tem um grande passado pela frente, mas prefiro acreditar, contra todos os meus mais profundos pensa-sentimentos pessimistas, que algo de muito bom possa sair daí. Já identifico ao menos duas boas notícias, embora a primeira me entristeça profundamente: máscaras caíram e meus valores essenciais foram reforçados nestas eleições. 

Não tolero a tortura, nem fuzilamentos, nem condenações sem direito de defesa, tampouco injustiças e que alguém seja proclamado detentor da verdade absoluta, seja por si ou por seguidores fanáticos abobados. Não retiro meio milímetro desses pilares que procuro dia a dia construir para mim. Como disse Ulisses Guimarães, há 30 anos: "Eu tenho nojo da ditadura". Qualquer que seja ela.

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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

ENCANTAMENTO, FANATISMO, CEGUEIRA

Siga você qualquer outra corrente política ou nenhuma, é preciso que se admita: é impressionante o nível de encantamento e fanatismo com que os correligionários defendem seus ídolos. Como se sentem afetados, ofendidos, à menor crítica ao seu respectivo líder, como se fosse direcionada a eles próprios, à mãe, a um filho ou filha. O inferno é o outro, bem dizia Sartre. Somente o outro, responsável único e exclusivamente por todos os males que sofrem.

Para o triunfo da verdade que - obviamente - habita apenas um lado, é preciso exterminar o inimigo, aquele ser abjeto que se opõe do outro lado desse Vácuo de Idéias. Vejo quase uma torrente da rodrigueana baba elástica bovina quando fotos e vídeos mostram a massa embevecida olhando para cima, com olhar fixo brilhante em direção ao Ser Superior que os guiará para uma Nova-Velha Era ou Velha-Nova Ordem. Espelho.

Mitos se misturam à realidade para tentar explicar o - aparentemente - inexplicável. Mas vez por outra são manipulados para inexplicar o explicável. Quando associados a deuses ou semideuses, são muito sedutores, irresistíveis, e se tornam irrepreensíveis, sem um único defeito aos olhos dos súditos, a iluminar as estradas sombrias da vida. Ai de quem ouse pôr uma vírgula que seja contrária ao rumo traçado pelo guia, pelo semideus. A massa cega segue o que lhe for ditado. "Papai, posso ir? Quantos passos?". Não, não é brincadeira.

O crime de pensamento está na ordem do dia. Historiadores já nos mostraram - e nos mostram constantemente - inúmeros exemplos similares e onde foram parar aqueles ídolos e povos. Porém, por aqui, um já mandou que se esqueçam os historiadores e outro jamais teve qualquer apreço pelas salas de aula e os livros. Ambos, como personagens reais oriundos da ficção orwelliana, desejando avidamente reescrever a História com o prestimoso auxílio luxuoso de seus fiéis seguidores.


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segunda-feira, 23 de julho de 2018

PENSO, LOGO SINTO 34

A saída não é pela direita, nem pela esquerda, muito menos pelo centro. A única saída possível é pela elevação do espírito público, com a união dos que agem com honestidade e competência e têm como meta a Justiça social.

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terça-feira, 19 de junho de 2018

JOGADA DE MÚSICA NO IMMuB

Desde que comecei a pesquisar as músicas que contam, cantam e tocam a História do futebol brasileiro, antes mesmo de o projeto ganhar o nome Jogada de Música, sugerido pelo jornalista, radialista e escritor Alexandre Araújo, o Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB) foi fundamental para o meu trabalho. Foi por intermédio de João e Luiza Carino, por exemplo, que consegui o áudio da primeira música sobre o esporte gravada no Brasil, chamada "Foot-ball", de Francisco de Oliveira Lima. Este ano, o projeto e o IMMuB começaram a conversar nos bastidores e uma parceria foi firmada para em muito breve apresentar grandes novidades.

E foi no dia que tive o imenso prazer de ir à sede do Instituto, em Niterói, que fui convidado a escrever um texto como colunista convidado sobre músicas que falam de futebol. Aceitei de pronto e o primeiro já foi ao ar, no último sábado. No total serão três, e os próximos sairão nos sábados seguintes: 23 e 30 de junho. Conto com o prestígio de todos. É só clicar aqui.

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quinta-feira, 14 de junho de 2018

ESTÁ NO AR "LAMAS NA ÁREA"

Embora jamais tenha sido um jornalista que ousasse aparecer em frente às câmeras, resolvi adotar um lema de Nelson Rodrigues: "Jamais tenha medo de ser ridículo". Ou seja, não seja ridículo de temer o ridículo. Não creio que chegue a tanto, mas posso escorregar aqui ou ali no "Lamas na Área". E é isso que dá graça ao espetáculo, não ter receio de errar. Como já aprendi muito, mas muito mesmo, com as derrotas da vida, agora quero decretar que chegou a minha hora de aprender com as vitórias, mesmo que sejam magrinhas. A primeira foi vencer minha timidez. E, para mim, particularmente, é uma goleada consagradora. 
Portanto, o programa "Lamas na Área" estreou ontem no meu canal do YouTube, seguiu com o segundo vídeo hoje e terá um episódio por dia até 15 de julho, data da final da Copa do Mundo da Rússia. Minha ideia é tentar fugir um pouco dos mesmos comentários de sempre. Não sei se vou conseguir, mas vou tentar. E conto com a ajuda de quem acompanhar com comentários, críticas e sugestões. 
Não fui convidado, mas vim mesmo assim. Conto com sua audiência. 
O endereço? Clique aqui.


Acima, o vídeo e estreia.

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UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #47

Uma coisa jogada com música - Capítulo #46 Garrincha e Pelé, durante a Copa do Mu...

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