segunda-feira, 19 de julho de 2010

NINA SIMONE, A SACERDOTISA DO JAZZ


Muito mais que uma grande cantora. Quando Nina Simone, que o público brasileiro teve a oportunidade de assistir  algumas vezes, deixou este mundo, em 21 de abril de 2003, a música ficou mais pobre. Dona de uma voz privilegiada que passeava por vários estilos musicais, embora fosse mais conhecida como cantora de jazz, Simone foi uma artista que não se vendeu ao “american way of life”.

Chamada de a Sacerdotisa do Jazz e comparada a Billie Holiday, Nina Simone fugiu de rótulos com seu talento e, além de cantar e compor como poucos jazz e blues, recriou clássicos, baladas e rocks dos Beatles e de várias outras bandas americanas e inglesas. Simone apareceu para o público nos anos 50 e logo mostrou seu imenso talento como pianista, cantora, arranjadora e compositora. I Love You Porgy, da ópera Porgy and Bess (1959), de George Gershwin, foi seu primeiro grande sucesso.

Outros grandes momentos da carreira de Simone foram as músicas My Baby Just Cares for Me, gravada em 1966, e One Night Stand, um ano depois, além de clássicos de Bob Dylan, como Just Like a Woman; de George Harisson (Here Comes the Sun e My Sweet Lord); e de John Lennon e Paul McCartney (Revolution). Além disso, compôs trilhas para vários filmes.

Nina (pequena) e Simone, em homenagem à atriz francesa Simone Signoret, estudou piano na famosa escola de música Julliard, em Nova York, algo raríssimo para uma mulher negra na década de 50 nos Estados Unidos e começou a trabalhar como pianista. Em 1954, ao fazer um teste para tocar num bar irlandês de Nova Jersey foi obrigada a cantar pelo proprietário do estabelecimento. Sábia decisão deste anônimo.

De temperamento explosivo, Eunice Kathleen Waymon, como foi registrada, deixou o palco várias vezes, insatisfeita com a (ou a falta de) educação da platéia. Nina Simone nasceu no dia 21 de fevereiro de 1933 em Tryon, Carolina do Norte, sendo a sexta de oito irmãos (quatro meninas). As atitudes firmes desta artista, porém, não se restringiram aos palcos, pois lutou a vida inteira contra o racismo, uma das marcas de seu país natal, e pelos direitos humanos.

Aliás, foi exatamente por isso que saiu dos Estados Unidos e perambulou pelo Caribe e a África até mudar-se em 1995 para o sul da França, onde faleceu aos 70 anos. Ativista política, compôs Mississipi Goddam quando em 1963 quatro crianças negras foram mortas em um ataque a uma igreja em Birmingham. Obviamente, suas posições desagradaram conservadores e acabou recebendo críticas ácidas quando gravou Four Women, sendo acusada de incitar os negros à revolta.

“Paguei um preço muito alto por combater o sistema. O preconceito racial nos Estados Unidos hoje é maior do que nunca”, disse em entrevista concedida em 1998.

Nina buscava a liberdade e o sucesso passou em certo sentido a ser um peso para ela, pois se sentia manipulada pelos “marqueteiros” das gravadoras e do chamado show business. Em 1974 começou seu exílio voluntário, sobre o qual também escreveu várias músicas, por Barbados, no Caribe. Depois viveu na Libéria, na Suíça, em Paris, na Inglaterra, na Holanda e no sul da França.

Em 1990, fez uma participação no disco 25 Anos de Maria Bethânia, na faixa Pronta pra Cantar, de Caetano Veloso. No ano seguinte foi lançada, em vários idiomas, sua autobiografia. Sua última excursão ao Brasil ocorreu em abril de 2000, inclusive com apresentações no Rio de Janeiro. Público não faltou a Nina Simone nos seus últimos anos de vida, mas a sua saúde já não era a mesma. Ela, que trabalhava no álbum Simone Superstar, deixou uma filha, Lisa Celeste, com quem se apresentou algumas vezes, como no Festival de Blues de Dublin, na Irlanda.


Caricatura do publicitário e ilustrador Fábio (http://desenhafabio.wordpress.com/)

Vídeo: "Four Women", de e com Nina Simone

sexta-feira, 4 de junho de 2010

BECKENBAUER, A ELEGÂNCIA DO "KAISER"

No futebol, elegância tem um sinônimo: Franz Beckenbauer. Tanto no porte de um imperador enquanto desfilava seu imenso talento e liderança dentro dos campos, quanto depois como técnico e, atualmente, como dirigente. Beckenbauer foi um dos raros jogadores de futebol que mostraram na prática que o belo é o simples.

Diz-se dos grandes jogadores quando atingem a maturidade que correm menos não porque perderam a vitalidade, mas porque já conhecem os atalhos do campo. Mas para o “Kaiser” parece que os atalhos foram traçados por ele mesmo desde que começou. 

Um dos caminhos que criou foi o do líbero que avança ao meio-de-campo para a armação das jogadas ofensivas e até mesmo ao ataque quando o time tem a posse de bola. Pouquíssimos líberos souberam jogar como ele – talvez só o italiano Franco Baresi tenha chegado perto do mestre. Antes de Beckenbauer, os líberos jogavam apenas na sobra, como o último homem antes do goleiro.
 
O mundo começou a admirar o talento deste alemão na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, quando ainda jovem, com apenas 20 anos de idade, comandou a equipe que terminaria com o vice-campeonato numa polêmica final com os donos da casa. Um zagueiro diferente, que poucas faltas cometia e que ainda sabia sair com a bola com uma habilidade incomum para os jogadores da posição. Difícil imaginar que ele tenha dado algum dia um chutão. 


E numa das imagens mais marcantes da história das Copas do Mundo deu uma aula de amadorismo ao jogar todo enfaixado por causa de uma luxação no ombro esquerdo na extraordinária semifinal da Copa de 70 contra a Itália. Os italianos venceram por 4 a 3 na prorrogação, mas de Beckenbauer jamais se podia dizer que saíra derrotado de campo. A Alemanha terminaria aquela Copa no honroso terceiro lugar.

Na última Copa que disputou, o “Kaiser” finalmente conseguiu o título tão merecido. A Alemanha, jogando em casa, conseguiu deixar o carrossel holandês desengonçado. Com Vogts acompanhando a sombra de Cruyff por todo o campo, Beckenbauer pôde ajudar seu time a vencer a final de 1974 com os 2 a 1 e finalmente levantar a taça na sua Munique natal. Doze anos depois, ele voltaria ao México para ser vice-campeão mundial, como técnico, cargo que assumira dois anos antes. 

Ele e sua seleção foram derrotados na final pelo gênio argentino de Maradona (3 a 2), mas em 1990, na Itália, também em final contra a Argentina, Beckenbauer igualou-se a Zagallo num feito: foi campeão mundial também como técnico. Apenas o brasileiro tetracampeão (duas vezes como jogador, uma como técnico e outra como coordenador-técnico) e o alemão conseguiram ser campeões mundiais nessas duas funções *.


Beckenbauer, eleito o melhor de sua posição nas três copas que jogou, estreou no time principal do Bayern de Munique com 17 anos e na seleção alemã com 19. No clube que posteriormente presidiu jogou por 13 anos, conquistando entre vários títulos o tricampeonato da Copa dos Campeões da Europa, em 1974/75/76, conquistando título intercontinental de 76 na final contra o Cruzeiro. E foi eleito o melhor jogador europeu nas temporadas de 1972 e 1976. 

De 1977 a 1980 jogou com Pelé, que o considerava o melhor jogador europeu de todos os tempos, na equipe de astros do New York Cosmos. Aos 35 anos ainda seria campeão alemão pelo Hamburgo, em 1982, e só não foi à Copa da Espanha porque estava machucado. Além de presidente de honra do Bayern, Beckenbauer presidiu brilhantemente o comitê organizador da Copa de 2006. O próximo passo do Kaiser pode ser a presidência da Fifa. O futebol agradeceria, muito.

FICHA DO JOGADOR
Nome: Franz Beckenbauer
Nascimento: 11/09/1945, em Munique (Alemanha)
Clubes: Bayern de Munique (de 1964 a 1977), New York Cosmos (de 1977 a 1980) e Hamburgo (de 1980 a 1982)
Títulos em clubes: campeão alemão pelo Bayern de Munique em 1969, 1972, 1973 e 1974 e pelo Hamburgo em 1982; campeão da Copa da Alemanha em 1966, 1967, 1969 e 1971, todos pelo Bayern; campeão dos Estados Unidos em 1977, 1978 e 1980, todos pelo New York Cosmos; e campeão da Copa dos Campeões da Europa em 1974, 1975 e 1976; campeão da Recopa Européia em 1967; e campeão do Mundial Interclubes de 1976, todos pelo Bayern.
Títulos pela seleção alemã: campeão da Eurocopa em 1972; e da Copa do Mundo de 1974; vice-campeão da Copa do Mundo de 1966.
Jogos pela seleção: 103 (50 como capitão), de 1965 a 1977


Ilustração retirada do site http://www.glasergrafik.de/Archiv.html. Gostaria de dar o crédito, mas não descobri o nome do autor da charge.

Obs.: Franz Beckenbauer faleceu no dia 7 de janeiro de 2024, apenas dois dias após a morte de Mário Jorge Lobo Zagallo. Fica aqui reforçada nesta data da despedida dele deste mundo terreno a minha pequena homenagem também a este outro gigante do futebol mundial.

* Em 2018, portanto 8 anos após a publicação desta postagem, o francês Didier Deschamps, já campeão mundial como jogador em 1998, tornou-se na Rússia o terceiro a entrar no seleto grupo dos ganhadores de Copa do Mundo tanto como atleta, quanto como treinador. 

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O PRIMEIRO HEXA BRASILEIRO FOI O PALMEIRAS*

Um movimento de clubes interessados no reconhecimento dos títulos da Taça Brasil e da Taça de Prata (Torneio Roberto Gomes Pedrosa) como legítimos campeões brasileiros foi organizado no início de 2010 e eu apoiava, em parte. Friso que o time para o qual torço não seria - como acabou não sendo - beneficiado em nada com isso, o que me fez ficar muito à vontade para opinar. E manter minha posição contrária à decisão da CBF.

Para mim, foi exagero da entidade máxima do futebol brasileiro considerar os vencedores da Taça Brasil, que começou em 1959 e foi disputada até 1968, como campeões brasileiros, porque o sistema de disputa era eliminatório, como é desde 1989 o da Copa do Brasil. Portanto, esses clubes (Bahia, Palmeiras duas vezes, Santos cinco vezes, Cruzeiro e Botafogo) deveriam ser reconhecidos como os primeiros campeões da Copa do Brasil. Além disso, a Taça Brasil foi disputada no mesmo ano que a Taça de Prata em 1967 e 68, o que comprova que eram competições distintas.

A Taça de Prata, também conhecida como Torneio Roberto Gomes Pedrosa, foi disputada nos quatro anos imediatamente anteriores ao início oficial do Campeonato Brasileiro, em 1971, com um sistema de disputa parecido. Depois de ser disputado em 1967 com 15 clubes, as três edições posteriores tiveram 17 (estranho só número ímpar, mas foi assim). Na primeira fase os times eram divididos em dois grupos e jogavam entre si e os dois primeiros colocados passavam para o quadrangular final. O Brasileiro de 71 teve 20 clubes e, em vez de um quadrangular, teve um triangular final, ganho pelo Atlético-MG.


Por isso, com os dois títulos que ganhou, em 1967 e 69, mais os quatro brasileiros oficiais, o primeiro hexacampeão seria o Palmeiras, em 1994, e não o São Paulo, que obteve seu sexto título em 2008. Isso não acabaria de vez com a idiota discussão sobre se Flamengo ou São Paulo teria de ficar com a taça das bolinhas, que seria concedida ao primeiro time cinco vezes campeão brasileiro alternadamente ou três vezes consecutivas, talvez até aumentasse a confusão. 

Clicaê quem curte esportes!


Sobre o controverso campeonato de 1987 sou a favor de dividir o título entre Flamengo e Sport, porque todos erraram: a CBF em primeiro lugar por ter aberto mão de organizar a competição e depois ter mudado de ideia e o regulamento com a Copa União já em andamento; o Clube dos 13 em segundo por não ter convidado Guarani (vice em 86) e América-RJ (quarto em 86), e Sport e Guarani por último ao abandonarem o campo na decisão do Módulo Amarelo quando a disputa de pênaltis estava em 11 a 11 (e aí a CBF voltou a errar por não punir os dois clubes).

Abaixo os campeões e vices da Taça Brasil e da Copa do Brasil:
1959 - Bahia e Santos
1960 - Palmeiras e Fortaleza
1961 - Santos e Bahia
1962 - Santos e Botafogo
1963 - Santos e Bahia
1964 - Santos e Flamengo
1965 - Santos e Vasco
1966 - Cruzeiro e Santos
1967 - Palmeiras e Náutico
1968 - Botafogo e Fortaleza
1989 - Grêmio e Sport
1990 - Flamengo e Goiás
1991 - Criciúma e Grêmio
1992 - Internacional e Fluminense
1993 - Cruzeiro e Grêmio
1994 - Grêmio e Ceará
1995 - Corinthians e Grêmio
1996 - Cruzeiro e Palmeiras
1997 - Grêmio e Flamengo
1998 - Palmeiras e Cruzeiro
1999 - Juventude e Botafogo
2000 - Cruzeiro e São Paulo
2001 - Grêmio e Corinthians
2002 - Corinthians e Brasiliense
2003 - Cruzeiro e Flamengo
2004 - Santo André e Flamengo
2005 - Paulista e Fluminense
2006 - Flamengo e Vasco
2007 - Fluminense e Figueirense
2008 - Sport e Corinthians
2009 - Corinthians e Internacional
2010 - Santos e Vitória
2011 - Vasco e Coritiba
2012 - Palmeiras e Coritiba
2013 - Flamengo e Athletico
2014 - Atlético-MG e Cruzeiro
2015 - Palmeiras e Santos
2016 - Grêmio e Atlético-MG
2017 - Cruzeiro e Flamengo
2018 - Cruzeiro e Corinthians
2019 - Athletico e Internacional
2020 - Palmeiras e Grêmio
2021 - Atlético-MG e Athletico
2022 - Flamengo e Corinthians

Os clubes campeões:
Cruzeiro - 7 títulos
Santos e Palmeiras - 6 títulos
Grêmio - 5
Flamengo - 4
Corinthians - 3
Atlético-MG - 2
Bahia, Botafogo, Juventude, Fluminense, Criciúma, Sport, Santo André, Paulista, Internacional, Vasco e Athletico - 1


Veja também:
Ode ao futebol-arte
Reinaldo, o rei do Galo mineiro


Agora, os quatro primeiros colocados (em ordem) da Taça de Prata e do Brasileiro, que já foi chamado de Campeonato Nacional, Taça de Ouro, Copa União e Copa João Havelange:

1967 - Palmeiras, Internacional, Corinthians e Grêmio
1968 - Santos, Internacional, Vasco e Palmeiras
1969 - Palmeiras, Cruzeiro, Corinthians e Botafogo
1970 - Fluminense, Palmeiras, Atlético-MG e Cruzeiro
1971 - Atlético-MG, São Paulo, Botafogo e Corinthians
1972 - Palmeiras, Botafogo, Internacional e Corinthians
1973 - Palmeiras, São Paulo, Cruzeiro e Internacional
1974 - Vasco, Cruzeiro, Santos e Internacional
1975 - Internacional, Cruzeiro, Fluminense e Santa Cruz
1976 - Internacional, Corinthians, Atlético-MG e Fluminense
1977 - São Paulo, Atlético-MG, Operário-MT e Londrina-PR
1978 - Guarani, Palmeiras, Internacional e Vasco
1979 - Internacional, Vasco, Coritiba e Palmeiras
1980 - Flamengo, Alético-MG, Internacional e Coritiba
1981 - Grêmio, São Paulo, Ponte Preta e Botafogo
1982 - Flamengo, Grêmio, Guarani e Corinthians
1983 - Flamengo, Santos, Atlético-MG e Atlético-PR
1984 - Fluminense, Vasco, Grêmio e Corinthians
1985 - Coritiba, Bangu, Brasil de Pelotas e Atlético-MG
1986 - São Paulo, Guarani, Atlético-MG e América-RJ
1987 - Flamengo e Sport, Internacional e Guarani, Atlético-MG e Cruzeiro
1988 - Bahia, Internacional, Fluminense e Grêmio
1989 - Vasco, São Paulo, Cruzeiro e Botafogo
1990 - Corinthians, São Paulo, Grêmio e Bahia
1991 - São Paulo, Bragantino, Atlético-MG e Fluminense
1992 - Flamengo, Botafogo, Vasco e Bragantino
1993 - Palmeiras, Vitória, Corinthians e São Paulo
1994 - Palmeiras, Corinthians, Guarani e Atlético-MG
1995 - Botafogo, Santos, Cruzeiro e Fluminense
1996 - Grêmio, Portuguesa, Atlético-MG e Goiás
1997 - Vasco, Palmeiras, Internacional e Atlético-MG
1998 - Corinthians, Cruzeiro, Santos e Portuguesa
1999 - Corinthians, Atlético-MG, Vitória e São Paulo
2000 - Vasco, São Caetano, Cruzeiro e Grêmio
2001 - Atlético-PR, São Caetano, Fluminense e Atlético-MG
2002 - Santos, Corinthians, Grêmio e Fluminense
2003 - Cruzeiro, Santos, São Paulo e São Caetano
2004 - Santos, Atlético-PR, São Paulo e Palmeiras
2005 - Corinthians, Internacional, Goiás e Palmeiras
2006 - São Paulo, Internacional, Grêmio e Santos
2007 - São Paulo, Santos, Flamengo e Fluminense
2008 - São Paulo, Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras
2009 - Flamengo, Internacional, São Paulo e Cruzeiro
2010 - Fluminense, Cruzeiro, Corinthians e Grêmio
2011 - Corinthians, Vasco, Fluminense e Flamengo
2012 - Fluminense, Atlético-MG, Grêmio e São Paulo
2013 - Cruzeiro, Grêmio, Athletico e Botafogo
2014 - Cruzeiro, São Paulo, Internacional e Corinthians
2015 - Corinthians, Atlético-MG, Grêmio e São Paulo
2016 - Palmeiras, Santos, Flamengo e Atlético-MG
2017 - Corinthians, Palmeiras, Santos e Grêmio
2018 - Palmeiras, Flamengo, Internacional e Grêmio
2019 - Flamengo, Santos, Palmeiras e Grêmio
2020 - Flamengo, Internacional, Atlético-MG e São Paulo
2021 - Atlético-MG, Flamengo, Palmeiras e Fortaleza
2022 - Palmeiras, Internacional, Fluminense e Corinthians


Os clubes campeões:
Palmeiras - 9 títulos
Flamengo - 8
Corinthians - 7
São Paulo - 6  
Vasco e Fluminense - 4 
Santos, Cruzeiro e Internacional - 3
Atlético-MG e Grêmio - 2
Guarani, Coritiba, Sport, Bahia, Botafogo, Athletico - 1

* Texto e informações atualizadas no dia 19 de abril de 2023.


Fotos (pela ordem):; Bahia campeão da Taça Brasil de 1959; Cruzeiro campeão da Taça Brasil de 1966; montagem do pentacampeonato da Taça Brasil conquistada pelo Santos; Fluminense campeão da Taça de Prata de 1970, e Atlético-MG campeão brasileiro de 1971.

Vídeo: Palmeiras 2 x 1 Grêmio, último jogo do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967. O resultado deu ao time paulista o seu primeiro título brasileiro (pelo menos é o que considero).

Fontes de pesquisa: RSSSF, Wikipedia, Google e Youtube.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

MENINOS DA VILA: A ARTE E O PRAZER DE JOGAR BOLA

Há muitos anos não tinha tanto prazer em ver um time jogar futebol como este do Santos. Os Meninos da Vila mostraram contra o muito bom time do Grêmio de Victor, Douglas e Borges que não chutam só cachorro morto, como os adeptos do futebol de resultados andaram decantando nas goleadas arrasadoras sobre Naviraiense (10 a 0), Ituano (9 a 1) e Guarani (8 a 1).

Enquanto os burocratas da bola apresentam números discutíveis de roubadas de bola e passes certos para o lado e mostram aquele meio-sorriso enfadonho de satisfação ao fim de um trabalho como se batesse ponto, Paulo Henrique Ganso, Neymar, André, Wesley, Robinho e coadjuvantes se divertem e mostram que beleza e objetividade nos campos de futebol não são incompatíveis. O verdadeiro futebol brasileiro hoje veste preto e branco, infelizmente não é a amarelinha. Só espero, sinceramente, que não seja apenas por menos de um semestre.


Vídeo: imagens, narração e comentários do SporTV.

sábado, 15 de maio de 2010

OS MAIORES JOGOS DE TODOS OS TEMPOS 7

BRASIL 2 X 0 URSS - Amistoso internacional - 1976

Este até pode não ter sido um maravilhoso jogo de futebol - só me recordava dos gols que aí acima estão - mas para mim tem dois significados especiais, sendo que um deles o faz merecedor de estar aqui: o gol de Zico, que considero o mais bonito que fez com a amarelinha e que vi ao vivo ele marcar. Esta foi também a primeira partida da seleção que assisti no Maracanã, acabei descobrindo durante a pesquisa, embora já desconfiasse disso.

Mil novecentos e setenta e seis era o ano do início do trabalho para a Copa do Mundo de 1978, que começou com Osvaldo Brandão de técnico e terminou com Cláudio Coutinho. Nesta partida, Falcão, que entrou no lugar de Givanildo, do Corinthians, abriu o marcador com um gol de cabeça, mas se tinha vaga com Brandão acabou preterido pelo excelente Coutinho, que se perdeu na convocação para a Copa, deixando o craque do Inter fora para chamar o botinudo Chicão, do São Paulo.

A vitória de 2 a 0 naquele 1º de dezembro de 1976, no Rio, serviu de meia-vingança da derrota nas Olimpíadas de Montreal, em 29 de julho, pelo mesmo placar. Naquele time que fôra ao Canadá estavam dois jogadores que disputariam o Mundial da Argentina: Batista, do Inter, e Edinho, do Fluminense. Aliás, Edinho seria outro erro de Coutinho, não pela convocação, pois se tratava de um grande zagueiro, mas por ter sido "inventado" como lateral-esquerdo. Júnior, do Flamengo, que também esteve nas Olimpíadas, não estava nesse time de Brandão e tampouco no de Coutinho, que além de Edinho levou Rodrigues Neto, do Inter, para a lateral-esquerda, em 1978.

FICHA TÉCNICA
Data: 1º/12/1976
Local: Maracanã - Rio de Janeiro
Público: 49.836 pagantes 
Árbitro: Ramón Barreto (Uruguai)
Gols: Falcão, aos 34, e Zico, aos 43 do segundo tempo.
BRASIL: Leão (Palmeiras); Carlos Alberto Torres (Fluminense) depois Marinho Chagas (Botafogo), Amaral (Guarani), Beto Fuscão (Grêmio) e Marco Antônio (Vasco); Givanildo (Corinthians) depois Falcão (Inter), Rivelino (Fluminense) depois Caçapava (Inter) e Zico (Flamengo); Gil (Fluminense), Roberto Dinamite (Vasco) e Nei (Palmeiras). Técnico: Osvaldo Brandão.
URSS: Gontar; Kruglov, Oshanski, Khinchagashvili e Parov; Slobodian (Beresznoi), Machaidze e Tarkhanov; Dolmatov, Chesnokov (Kazachenok) e Petrosian. Técnico: Wladimir Nikolaiev.

domingo, 2 de maio de 2010

OS MAIORES JOGOS DE TODOS OS TEMPOS 6

ALEMANHA OC. 1 X 2 BRASIL - Amistoso internacional- 1963


Encontrei por acaso este jogo dividido em dois vídeos no "Youtube" há alguns meses e logo salvei em meus favoritos para um dia publicá-los com alguns detalhes sobre a partida. Não encontrei muitas informações sobre a partida, mas deu para fazer a ficha técnica. Não entendo alemão, porém dá para perceber o deslumbramento do locutor após um lençolzinho (ou balãozinho) de Pelé em um jogador adversário na primeira etapa. O lance foi inexplicavelmente invalidado pelo árbitro suíço.
A seleção jogou em Hamburgo naquele dia 5 de maio de 1963 com uma base formada por oito jogadores do histórico time do Santos que conquistaria o bicampeonato da Libertadores e mundial no segundo semestre daquele ano. Do time alvinegro jogaram Gilmar, Lima, Mengálvio, Zito, Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. A equipe comandada por Aymoré Moreira foi completada com os zagueiros Eduardo, do Corinthians, e Roberto Dias, do São Paulo, e pelo lateral-esquerdo Rildo, do Botafogo.
Nessa partida, os alemães tiveram as melhores chances de gol, mas eles sempre foram fregueses de caderninho da seleção brasileira. Assista aos dois vídeos, tem até os hinos no início (repare como o estádio estava lotado), e se delicie com grandes lances, especialmente os golaços de Coutinho e Pelé.

FICHA TÉCNICA
Data: 5/5/1963
Local: Volksparkstadion, em Hamburgo (Alemanha Ocidental)
Árbitro: Gottfried Dienst (Suíça)
Gols: Werner, aos 44 minutos do primeiro tempo (de pênalti); Coutinho, aos 25, e Pelé, aos 27, do segundo tempo
BRASIL - Gilmar; Lima, Eduardo, Roberto Dias e Rildo; Mengálvio e Zito; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Aymoré Moreira.
ALEMANHA - Fahrian, Novak, Schnelinger e Wildenx; Schulz e Werner; Heiss, Schuetz, Seeler, Kornietzka (Strauss) e Doerfeu.

Veja também:

FLUMINENSE 1 X 0 BAYERN DE MUNIQUE - AMISTOSO INTERNACIONAL - 1975

ITÁLIA 4 X 3 ALEMANHA OC. - SEMIFINAL DA COPA DE 1970

Esta seção deu seu pontapé inicial no blog Em Questão e agora foi transferida para este gramado. Mas você não perde os jogos passados, é só clicar abaixo no que mais interessar:
CRUZEIRO 5 X 4 INTER - TAÇA LIBERTADORES DE 1976
HOLANDA 2 X 0 URUGUAI - COPA DO MUNDO DE 1974
FLAMENGO 6 x 0 BOTAFOGO - CAMPEONATO CARIOCA DE 1981

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O TEATRO E O FUTEBOL

Muito se fala e se escreve – é já um clichê – sobre a relação íntima entre a música e o futebol, especialmente no Brasil. E esta relação tem sido proporcional à pobreza que vem sendo apresentada na maioria dos casos em ambos os lados.

Porém, apesar de mestres como Nelson Rodrigues - o maior exemplo - a intimidade da bola com as peças teatrais tem sido muito pouco explorada. Nem tanto nos palcos, já que Nelson (na foto ao lado com Zico e mais abaixo com a camisa do seu Fluminense), Plínio Marcos e outros já retrataram muito bem o futebol em suas obras. 

Mesmo assim, principalmente no caso de Nelson Rodrigues, ele se preocupou muito mais com a paixão clubística, a ótica das sensações e reações do torcedor do que com o jogo em si e os jogadores.

No campo dos boleiros, o que me motivou a escrever este texto que ensaio em minha cabeça há alguns anos foi uma matéria publicada no fim do ano passado pelo jornal “O Globo”, em que o ex-zagueiro e atualmente técnico Estevam Soares, então no Botafogo, relatava como conheceu Plínio Marcos (na foto abaixo retirada do seu site oficial), a forma que o dramaturgo encontrou para impedir que o então zagueiro do São Paulo perdesse uma das pernas e da sua conseqüente amizade com o “maldito” até a sua morte, em novembro de 1999.

Veja também:
CRUZEIRO 5 X 4 INTER - TAÇA LIBERTADORES DE 1976
HOLANDA 2 X 0 URUGUAI - COPA DO MUNDO DE 1974


Pois bem, nunca entendi por que o futebol sempre se manteve a uma distância – que vou chamar de respeitosa – do teatro. Num tempo em que alguns técnicos, muitos dos mais importantes que temos, parecem se achar os inventores da bola, vivem convidando palestrantes motivacionais com seus vídeos mirabolantes para tirar seus comandados do tédio das concentrações, viagens e treinos, sempre me perguntei – e a questão foi reacesa ao saber dessa amizade de Estevam com Plínio: por que nunca um diretor de teatro foi convocado?

As montagens de uma peça de teatro e a de um time de futebol se assemelham muito em vários aspectos – talvez a exceção esteja nos monólogos, mais afeitos aos jogadores de tênis ou a outros esportes individuais. As analogias entre o futebol e o teatro - e à própria vida, por que não? – são bastante plausíveis e a palestra de um diretor de teatro a um time de futebol ainda teria a vantagem de apresentar aos jogadores um mundo completamente desconhecido para muitos e tão fascinante quanto o seu.

A deixa de uma peça é como o passe no futebol. E para que sejam perfeitos não bastam talento e muitos ensaios (ou treinos). O entrosamento é algo que pode sim ser obtido com muitos treinamentos e ensaios; no entanto, para uma boa tabela, triangulação, para o ritmo não se perder e fluir com maestria é preciso aquele entendimento que vem do olhar, de um gesto, de uma expressão, que podem ser inesperados, não previstos nos treinos e ensaios. 

Nem falo aqui dos cacos, que são frases ou pequenos textos não escritos pelo dramaturgo ou diretor que são inseridos (criados) por um ator no meio de uma peça. Um caco num grupo sem entrosamento e ou talento, ou dito no momento errado, pode fazer uma peça - e até uma temporada - desandar. Assim como um passe errado ou não entendido por um companheiro pode pôr um jogo e até um campeonato a perder.

Por outro lado, uma atuação genial de um grande ator ou de um craque sempre dependerá dos companheiros. A deixa e o passe precisam ser bem feitos para que o espetáculo teatral ou o desempenho de uma equipe sejam um sucesso. 

A deixa pode em alguns casos nem ser dada pela última palavra da fala que cabe a um personagem, como normalmente acontece: pode ser uma reticência, uma vírgula, um olhar, um gesto, uma expressão facial ou corporal. Como um gol pode ser marcado sem um passe ou lançamento direto para o artilheiro, nascendo de um corta-luz, um drible de corpo ou um deslocamento que ludibrie a marcação adversária.

Veja também:
FLAMENGO 6 x 0 BOTAFOGO - CAMPEONATO CARIOCA DE 1981
"Contos da Bola", quem lê recomenda


O diretor de teatro é o técnico do seu grupo. O seu “plano tático” é determinado por nuances estabelecidas pelo autor que o encenador pode respeitar ou criar em cima das rubricas do texto. As marcações de cena, assim como as deixas, as entonações, as entradas em cena, as expressões corporais e faciais, os olhares, a quem se dirige cada uma das falas, como utilizar o cenário ou o próprio figurino, tudo isso faz parte de seu “plano de jogo”. 

Assim como o treinador prepara seu time ensaiando jogadas, deslocamentos, formas de marcação sobre o adversário, a colocação da defesa nas situações defensivas e ofensivas e do ataque também, onde ficará cada um de seus jogadores na cobrança de um escanteio (seja de seu próprio time ou do adversário), por onde seguir nos contra-ataques, quem o puxará, quem abrirá pelas pontas, enfim uma gama de situações.

No entanto, cada partida de futebol e cada apresentação de teatro têm suas particularidades que as transformam em únicas, irrepetíveis, embora o texto e as regras do jogo sejam os mesmos e até a possibilidade de os atores e os jogadores serem os mesmos. O imponderável, o aspecto humano, a platéia, até o clima pode mudar tudo. Por isso, teatro e futebol sejam tão fascinantes, apaixonantes.

Pena que em muitos casos tenham se afastado tanto da arte para se entregarem ao pragmatismo comercial dos resultados. Mesmo assim, ainda creio que ambos tenham muito a aprender um com o outro.


Obs: quem souber os créditos das fotos acima, por favor, me passem para eu publicá-los.

Veja também:

segunda-feira, 26 de abril de 2010

OS MAIORES JOGOS DE TODOS OS TEMPOS 5

FLUMINENSE 1 X 0 BAYERN DE MUNIQUE - Amistoso internacional - 1975


Um jogo sensacional com detalhes atípicos no Maracanã. De um lado a Máquina Tricolor, que seria bicampeã carioca em 1975 e 76, com vários jogadores da seleção brasileira, e de outro o bicampeão europeu (conquistaria o tri no ano seguinte, e o Mundial Interclubes em cima do Cruzeiro), base da seleção alemã campeã mundial em 1974, comandado por Beckenbauer, Maier e Gerd Müller e tendo o jovem Rummenigge em seu meio-campo. Essas são as informações óbvias da partida. As inusitadas são que o jogo foi decidido com um gol contra do hoje segundo maior artilheiro da história das Copas do Mundo, Gerd Müller, e que o grande nome do jogo foi o falecido Cafuringa, em noite de Mané Garrincha, mas sem saber concluir a gol, o que era uma característica sua.

FICHA TÉCNICA
Data: 10/6/1975
Local: Maracanã - Rio de Janeiro
Público: 60.137 pagantes
Árbitro: Arnaldo Cezar Coelho
Gol: Gerd Müller (contra), aos 10 minutos do primeiro tempo
FLUMINENSE: Félix, Toninho, Silveira, Assis e Marco Antônio; Zé Mário e Cléber; Cafuringa, Paulo César (Manfrini), Rivellino e Mário Sérgio. Técnico: Carlos Alberto Parreira.
BAYERN: Maier, Durnberger, Schwarzenbeck, Beckenbauer e Weiss; Roth, Tortensson e Rummenigge; Zobel, Müller e Kapellmann. Técnico: Dettmar Cramer.

Veja também:
ITÁLIA 4 X 3 ALEMANHA OC. - SEMIFINAL DA COPA DE 1970
CRUZEIRO 5 X 4 INTER - TAÇA LIBERTADORES DE 1976
HOLANDA 2 X 0 URUGUAI - COPA DO MUNDO DE 1974
FLAMENGO 6 x 0 BOTAFOGO - CAMPEONATO CARIOCA DE 1981

terça-feira, 20 de abril de 2010

OS MAIORES JOGOS DE TODOS OS TEMPOS 4

ITÁLIA 4 X 3 ALEMANHA OC.(1 X 1 NO TEMPO NORMAL) - SEMIFINAL DA COPA DE 1970


Reconhecidamente este é um dos maiores - senão o maior de todos os - jogos da história das Copas do Mundo. Na época (17/6/1970) eu ainda não havia feito 4 anos, portanto o envolvimento que tenho com esta partida é apenas o daquele (cada vez mais) velho admirador do futebol bem jogado. Quando soube como foi a partida e vi os gols e as reviravoltas no placar fiquei imaginando como deve ter sido assisti-la ao vivo. Não dá mais, nunca mais, mas as imagens não se apagaram e aí estão com toda a emoção.

Um detalhe muito importante deste jogo é que Beckenbauer, o verdadeiro Imperador ("Kaiser"), provou nesta partida que além de ser um gigantesco craque da bola ainda tinha uma raça impressionante. Ele deslocou a clavícula direita na metade do segundo tempo e jogou ainda a prorrogação inteira com o braço na tipóia.

FICHA TÉCNICA
ITÁLIA: Albertosi, Burgnich, Cera, Facchetti, Bertini, De Sisti, Mazzola (Rivera), Rosato (Poletti), Boninsegna, Domenghini e Riva. Técnico: Ferruccio Valcareggi.
ALEMANHA OCIDENTAL: Maier, Patzke (Held), Schnellinger, Schulz, Vogts, Beckenbauer, Overath, Grabowski, Loehr (Libuda), Müller e Seeler. Técnico: Helmut Schoen.
Gols: Boninsegna, aos 8 minutos do primeiro tempo, e Schnellinger, aos 45 do segundo tempo do tempo normal. Müller, aos 4 e aos 20; Burgnich, aos 8; Riva, aos 14, e Rivera, aos 21, da prorrogação.
Árbitro: Arturo Yamasaki Maldonado
Estádio: Azteca, Cidade do México
Público: 102.444 pagantes.

terça-feira, 16 de março de 2010

GASOLINA NO INCÊNDIO 10

Com "Gasolina no Incêndio" pretendo provocar quem aqui venha, mexer com os brios mesmo. Incomode-se, reclame e até xingue se achar necessário, mas aqui não cabe a indiferença. Não vou censurar nenhum comentário, mas assuma-se, não se esconda no anonimato (in)conveniente, nem com apelidos irreconhecíveis. A décima questão-provocação é a seguinte:

O funk carioca é o braço cultural do crime organizado.

Veja também:
Tudo o que foi publicado em março de 2009
Gasolina no Incêndio 8
Gasolina no Incêndio 7
Gasolina no Incêndio 5
O Espírito dos Insensatos
Profano conquista corações

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O OUTRO OVO DA SERPENTE


Eles ainda não são maioria, mas já são incontáveis e proliferam a uma velocidade estonteante! No Brasil e no mundo. Seus templos brotam em todas as terras inférteis, a cada virada de noite!
Eles montaram um exército semelhante ao da Revolução Cultural da China. Só que o livro que carregam não é o vermelho do Mao, mas o preto sagrado do “bem”.
Eles são ruidosos e pregam sua nova catequese de casa em casa, como vendedores de cosméticos.
A voz deles é ouvida nos rádios, jornais e tevês.
À teia que eles teceram, poucos conseguem escapar!
Eles são poderosos, estão em grande número nas câmaras, nas assembléias legislativas, no senado, nos palácios. Só falta o Planalto!
Eles já estão fazendo e aprovando leis e executando-as!
Eles são fascistas, embora a grande maioria nem saiba o que isto significa!
Eles perseguem negros que não renegam a sua raça!
Eles vêem o demônio em todo canto, dança, representação ou manifestação de origem africana, pagã.
Eles prometem a cura para quem não é doente. E, assim, espalham a sua doença.
Eles vociferam que praticam o bem! E fazem questão de divulgar.
Eles se julgam santos, mas não acreditam neles.
Eles gritam sua fé para não a perder de vista.
Eles pregam a ignorância de sua fé cega, surda, nada muda!
Eles limpam o seu passado com uma lavagem cerebral!
Eles apontam para os céus a cada bola nas redes adversárias!
Eles já ganham adeptos entre artistas e representam muito bem o seu papel.
E não param de crescer!



Ilustração: cartaz do filme "O Ovo da Serpente", de Ingmar Bergman.
Vídeo: "Ovo da Serpente", Uakti.
Veja também: Tudo o que foi publicado em janeiro de 2009.
O Papa do Ateísmo
O Teatro e o Futebol

domingo, 20 de dezembro de 2009

A "ARTE TRANSGRESSORA"


No sábado, dia 19/12/2009, Sergio Groisman abriu espaço no seu programa de TV para um pichador de São Paulo. O tal sujeito chama os rabiscos que emporcalham as cidades de "arte transgressora", e defende que todo espaço público, por ser público, pode ser apropriado por quem quiser. Uma tal confusão de valores, tortos, mancos, e uma visão estética tão deturpada que dá pena. Só dá mais munição aos que não entendem - e por isso combatem ferozmente - o que significa a palavra anarquia.
Os grafiteiros, para os pichadores (segundo o sujeito), não prestam porque têm autorização das prefeituras para fazerem seus murais. Por que os pichadores não transgridem então com grafite ou frases ou versos verdadeiramente transgressores, perturbadores, e não rabiscos com seus nomes e apelidos idiotas? Porque não possuem talento algum (ou não o enxergam, ficam cegos pela vontade de aparecer e se "expressar"), têm preguiça de pensar e criar: a cabeça é um vácuo a ser preenchido com um esgoto, uma vala a céu aberto de idéias.
Esta é a nossa juventude, que vê "beleza" no bizarro, no grotesco, no imundo, no vazio, na falta de imaginação, no pueril e no fútil. Hoje ainda são vítimas do abandono, amanhã serão algozes, os tiranos do futuro. Não, não vou mais falar em falta de educação neste país.

Foto: "Pare!", de Marcus Veras. Do grafite não sei o autor, gostaria de dar o crédito também.
Veja mais:
Profano conquista corações
O Espírito dos Insensatos
Tudo o que foi publicado em dezembro de 2008

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

OS BICHOS VÃO SE REBELAR

Em tempos de porcos chafurdando nas ruas só agora avistados da torre municipal
Em tempos de cães sarnentos e engravatados que não saem da frente do espelho quebrado e imundo
Em tempos de cavalos já de volta ao curral cria-se a Comissão Nacional da Verdade e então surgem as perguntas: depois de tantas chibatadas e tantos assassinatos deus descerá para presidi-la? Qual deus?
Em tempos de milhões de ovelhas sendo facilmente arrebanhadas por seus pastores repetindo como mantra "nada lhes faltará, nada lhes faltará..."
Em tempos de aves carniceiras flagradas pelas câmeras abusadas do Grande Irmão trepadas nos galhos de arruda na capital federal - mas não só, não só -
Em tempos de hienas com gargalhadas sarcásticas e lobos em campos, arquibancadas e gabinetes antes pedindo "porrada, porrada", e agora "entrega, entrega" (o jogo, não à luta), desponta a nova revolução dos bichos.
Mister Orwell, quantos tiros deste no escuro e acertaste neste futuro de 1984?
Vídeo: Pigs (Three Different Ones), Pink Floyd
Veja mais:
Profano conquista corações
Tudo o que foi publicado em dezembro de 2008

domingo, 29 de novembro de 2009

GASOLINA NO INCÊNDIO 9

Com "Gasolina no Incêndio" (agora também no orkut, clique aqui) pretendo provocar quem aqui venha, mexer com os brios mesmo. Incomode-se, reclame e até xingue se achar necessário, mas aqui não cabe a indiferença. Não vou censurar nenhum comentário, mas assuma-se, não se esconda no anonimato (in)conveniente, nem com apelidos irreconhecíveis. A nona questão-provocação é a seguinte:

A chantagem emocional é uma das piores covardias do ser humano.

Veja também:
Gasolina no Incêndio 8
Gasolina no Incêndio 7
Gasolina no Incêndio 5
O Espírito dos Insensatos
Profano conquista corações

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

VILLA-LOBOS, O PAI DA MPB

Uma singela homenagem àquele que por sua genialidade não só na composição e execução de obras magistrais de extrema brasilidade (eu disse brasilidade e não nacionalismo), mas sobretudo se dedicou intensamente à pesquisa musical e folclórica por todo este país e criou o projeto que levou a milhares de brasileiros a educação musical e artística.

Veja também:

Um verdadeiro legado, foi o que Heitor Villa-Lobos nos deixou. Que nos digam Tom Jobim, Edu Lobo, Egberto Gismonti, Dona Ivone Lara, Chico, Paulinho, Milton, Gil, Caetano, Alceu... E todos nós, seus admiradores.

Pena que nenhum artista depois dele teve sequer de perto a mesma dimensão, nem mesmo aqueles que participaram diretamente de governos. Villa-Lobos foi além de tudo, um grande educador, um visionário. Como faz falta algo assim: há 50 anos não se faz nada neste sentido no Brasil.

Vídeo: Choro nº 1, de Heitor Villa-Lobos, interpretação ao violão do grande Turíbio Santos.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

OS MUROS

Agora em novembro, o mundo todo está celebrando os 20 anos da queda do Muro de Berlim, e fico me perguntando quantos muros – e grades pontiagudas – foram erguidos por aqui desde a década de 80. Incontáveis, e os piores deles não são os que enxergamos diariamente a olho nu, mas os que foram construídos ao longo do tempo dentro de cada um.
Com tantos muros feitos para proteger, esconder, o que afloram nos dois lados das imensas paredes são a mentira, as frustrações, a discriminação, a agressão, a multiplicação da violência e da estupidez. Da defesa para o ataque se parte aqui com uma rapidez que faria inveja aos melhores velocistas.
Assistia na TV por esses dias a um bom programa em que se questionava o fato de meninos e meninas serem submetidos a competições esportivas cada vez mais cedo. Isso me lembrou a Cortina de Ferro e sua máquina de fazer esportistas cientificamente - muitos formados à base das mais pesadas drogas - como propaganda dos governos comunistas em tempos de Guerra Fria. Propaganda de governo... alguém aí pensou em Copa 2014 e Rio-2016?
Bom, neste programa vi e ouvi as maiores sandices de pseudo-técnicos e pais sobre os “valores” que são passados para seus pupilos nos treinos e jogos. Muitos desses “ensinamentos” passados aos berros e com não poucos palavrões.
Nada surpreendente, basta ir a um jogo qualquer de futebol com meninos de 10, 11 anos (ou até menos), assistir a uma inocente aula de escolinha ou mesmo ir a uma festa junina de colégio. Prestem bastante atenção no comportamento dos pais e entenderão. Está aí o embrião da sociedade que vem sendo construída nos últimos 20, 30 anos, com os gigantescos muros da competitividade, que fazem do outro um inimigo, não um adversário, nem mesmo o próprio companheiro de equipe. Esses pais ensandecidos não matriculam seus filhos para praticarem um esporte, mas para se tornarem atletas, muitas vezes aqueles que eles não conseguiram ser por algum motivo qualquer. Desde que nasce, o pimpolho já é adestrado a pensar em vencer, somente em vencer. E a odiar ou desprezar quem perde. Ele já nasce se profissionalizando, já se preparando para o vestibular, aprendendo todos os truques e macetes para ser um vencedor. Custe o que custar.
Aprender a saber perder – e também a vencer com dignidade - a respeitar o companheiro e o adversário, o árbitro, os torcedores, ter liberdade para criar fora dos adestramentos mecanizados dos treinamentos - que devem ser repetidos nas partidas - nada disso é possível. As quadras que abrigam jogos infantis de futsal e basquete, por exemplo, são um microcosmo desta sociedade que passo a passo – cada vez mais velozes e violentos – caminha rumo à imbecilidade e à estupidez total.
Crianças são xingadas por treinadores e pais – às vezes os seus próprios, às vezes de outros, companheiros e adversários – todos ávidos por uma vitória redentora para suas vidinhas abaixo de medíocres. Uma legião de insanos! A “filosofia” é preparar o atleta, o profissional; a pessoa, o indivíduo, o cidadão, não importam. E essa criança, mesmo que não se torne no futuro um atleta profissional, será um ser competitivo ferrenho em todos os setores de sua vida, sem admitir derrota. Qualquer que seja ela – uma demissão, uma paixão frustrada, um gol contra numa simples pelada de fim de semana – será uma frustração inconcebível, que o levará à depressão ou à violência, certamente regada a entorpecentes dos mais variados tipos.
Que ironia, lembrei-me da Cortina de Ferro, mas é a sociedade estadounidense, de tantos jovens franco-atiradores, o nosso principal modelo. Há sempre maus elementos à espreita nos dois lados dos muros.

Vídeo: cena do filme "Pink Floyd - The Wall", dirigido por Allan Parker. Música: "Is there anybody out there?"
Ilustração: Gerald Scarfe, para o mesmo filme.
Veja também:
"Profano" Conquista Corações
Mais Uma Sobre Educação
A Arte Transgressora
Despedidas
O Fim de Tudo

domingo, 8 de novembro de 2009

OS MAIORES JOGOS DE TODOS OS TEMPOS 3

FLAMENGO 6 x 0 BOTAFOGO - CAMPEONATO CARIOCA DE 1981

No dia 8 de novembro de 1981, o Flamengo que pouco mais de um mês depois ganharia o Mundial Interclubes em Tóquio realizaria talvez a sua mais épica jornada, também num domingo, no Maracanã. O Dia da Vingança, como ficou conhecido pela devolução dos engasgados 6 a 0 de 1972 ao Botafogo de Jairzinho foi completo quando o já veterano Furacão da Copa de 70 entrou em campo no segundo tempo. Ele quase estragou a festa rubro-negra e a minha previsão feita num bolão do colégio um mês antes (tenho pelo menos quatro testemunhas que podem confirmar a minha façanha de vidente.rsrs). Foi a única vez que chorei no Maracanã. Não foi a conquista de um título, mas foi bem mais, uma aula de futebol e de respeito à torcida, que implorava por seis. Se fosse sete, oito, não valeria, nem 6 a 1, como o time da Gávea conseguiu fazer quatro anos depois. Tinha de ser igual a 1972, um patrimônio que os alvinegros em tempos de jejum de títulos ostentavam com merecido orgulho em todos os jogos contra o Fla. 
Pena que não encontrei vídeo com as imagens do jogo, somente com fotos e as narrações dos gols e a ficha técnica dos 6 a 0 do Botafogo, que não assisti nem ouvi e só fiquei sabendo quando comecei a freqüentar o Maracanã, mas que também deve ter sido uma tarde gloriosa para os torcedores alvinegros e para o timaço que tinham, até porque foi num 15 de novembro, data de aniversário do Flamengo. A foto (que peço a quem saiba a quem pertence me diga para eu pôr o devido crédito) e a ficha do jogo de 72 estão abaixo.
Não quero que este espaço seja reservado para manifestações clubísticas, apenas mostrar a arte do futebol e dar um depoimento pessoal sobre a minha relação com o jogo ou a época em que ele ocorreu. Desfrutem lá embaixo a aula de bola de Zico e Cia, com as belíssimas imagens do inesquecível Canal 100.
Ficha técnica da partida
08/11/1981 - Maracanã - Rio
Flamengo 6 x 0 Botafogo
Juiz: Édson Alcântara do Amorim (MG)
Renda: Cr$ 15.031.600
Público: 69.051 pagantes
Gols: Nunes 7, Zico 27, Lico 33 e Adílio 40 do 1o. Zico (pênalti) 30 e Andrade 42 do 2o;
Cartões Amarelos: Júnior e Perivaldo
Flamengo: Raul, Leandro, Figueiredo, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. Técnico: Paulo César Carpegiani
Botafogo: Paulo Sérgio, Perivaldo, Gaúcho, Osvaldo e Jorge Luiz; Rocha, Mendonça e Ademir Lobo; Édson (Jairzinho), Mirandinha e Ziza. Técnico: Paulinho de Almeida.

BOTAFOGO 6 X 0 FLAMENGO - CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1972

Ficha técnica da partida
15/11/1972 - Maracanã - Rio
Juiz: José de Assis Aragão
Público: 46.279 pagantes.
Gols: Jairzinho, aos 16 minutos; Fischer, aos 35 e 41, do primeiro tempo; Jairzinho, aos 23 e aos 38, e Ferreti, aos 42 do segundo tempo.
Botafogo: Cao, Mauro Cruz, Valtencir, Osmar e Marinho Chagas; Nei Conceição, Carlos Roberto e Ademir (Marco Aurélio); Zequinha, Jairzinho e Fischer (Ferreti). Técnico: Sebastião Leônidas.
Flamengo: Renato, Moreira, Chiquinho, Tinho e Rodrigues Neto; Zanata (Mineiro) e Liminha; Rogério (Caio), Fio, Humberto Redes e Paulo Cesar. Técnico: Zagallo.

Foto do Jornal dos Sports
Veja também:
Futebol-arte: Cruzeiro 5 x 4 Internacional
Futebol-Arte: Holanda 2 x 0 Uruguai
Tudo o que foi publicado em novembro de 2008

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

"PROFANO" NO GRAJAÚ. CALOROSA NOITE


O livro "Profano Coração", de Eduardo Lamas, teve uma noite muito especial no dia 7 de novembro, na Casa Cultural Anitcha, no Grajaú, zona norte do Rio de Janeiro. Gostaria de agradecer imensamente a presença de todos que enfrentaram o violento calor e compareceram com seu carinho e sua força na celebração de poesia e música. Obrigado a Renata por ter aberto a casa pra mim desde o primeiro momento e a Sônia pelo trabalho e dedicação. E muito obrigado ao grande violonista Vicente Paschoal que nos brindou com música de primeira qualidade. Ótima sorte na Espanha, meu parceiro! Agora o Profano Coração atravessará a Baía de Guanabara para no próximo dia 27 pulsar em Niterói. Até lá!

Leia abaixo depoimentos de quem já leu o livro:

Adriana Barreiros: "Seu livro de poesia é visceralmente honesto, de uma verdade bela e vivível. Lê-lo foi uma viagem incrível! Obrigada por capitaneá-la!"

Alexandre de Sá: "Fora a poesia da Oferenda, as outras que mais gostei foram: Dedo e A Ronda da Morte... Todas realmente são espetaculares. A última Em Meio ao Caos caiu perfeitamente também para fechar o livro! Parabéns ai pelo livro. Muito legal mesmo!"

Ana Melão: "Amei seu livro. A capa adianta o que as páginas detalharão."

Bruno Lobo: "Finalmente, Eduardo Lamas, esse poeta de mão cheia, conseguiu publicar sua primeira obra. Tenho certeza que daqui para a frente, com o sucesso garantido de "Profano Coração", muitos outros livros virão. Matéria-prima é o que não falta."

Celeste Azeredo: "Maravilhoso seu livro. Impressionante como você tem o poder de jogar com as palavras, de uma forma crua, porém doce; misteriosa sem ocultar sentimentos... Adorei ,adorei e adorei..."

Cídine Almeida: "...Gostei muito de Oferenda e de Canção para Geisa, Mata Fechada também. É muito bom!"

Denise de Oliveira: "Eduardo Lamas é uma revelação na escrita. É acido, sem perder a doçura...achei que isso seria impossível, mas lembrei da maravilhosa mistura do morango com o chocolate: é perfeito! Parabéns pelo belo trabalho. Você está na categoria dos raros."

Fernando Cid: "Cara adorei essa!!! "Deus foi criado pelo homem a sua imagem e semelhança: Ao mesmo tempo piegas e cruel" Gostei muito do livro, abraços!!!!! Parabéns novamente!!!! É o Livro da moda."

Ithamara Koorax (ouça aqui um pouco do belo trabalho dessa grande cantora): "Lindo e muito tocante. É difícil encontrar as palavras certas nessas horas. Você contorna tantas situações da vida e da morte, da dor, do sangue, enfim, realmente é um Profano Coração. Belo demais. Ficarei relendo e descobrindo novas sutilezas. Gostei muito também da capa e das ilustrações, realmente são sensacionais. Parabéns ao Sóter, cujo trabalho eu não conhecia."

Paula Tavares: "Ser surpreendida por palavras traz um suspiro que a vida vale a pena... Edu obrigada por me surpreender!!!"

Priscila Cardoso: "Profano Coração é uma grata surpresa. São emoções cotidianas, traduzidas em palavras extraordinárias, que nos fazem reviver de forma singular sentimentos outrora esquecidos ou banalizados. Adorei o livro e mal posso esperar pelo próximo!"

Raphael Santos (editora Multifoco): ""Profano Coração" é um livro que traz poemas de Eduardo Lamas em uma linguagem capaz de cativar os mais gélidos humanos. Com sua poesia direta, objetiva, cortante e, paradoxalmente, cicatrizante Eduardo mostra que é possível arrancar deste órgão os mais belos versos para conduzir a vida em um eterno poema."

Rosângela Aleixo: "Edu, seu livro é maravilhoso! Li e estou relendo com muita alegria! Você merece todos elogios do mundo! Ameiiiiiiiii!!! Parabéns, sucesso!"



Para comprar Profano Coração basta CLICAR AQUI! Se você já tem o seu, aproveite e dê este presente de coração.

Leia aqui Oferenda (ou Canção de um Ser Dilacerado), um dos destaques de "Profano Coração".

domingo, 18 de outubro de 2009

OS INFERNOS DE SÃO SEBASTIÃO

Por mim se vai à cidade dolente,
por mim se vai à eterna dor,
por mim se vai entre a perdida gente.

Justiça moveu o meu alto feitor;
fez-me a divina potestade,
a suma sapiência e o primeiro amor.

Antes de mim não foram coisas criadas
se não eternas, e eu eterna duro.
Deixai toda esperança, vós que entrais.
(A Divina Comédia, Canto III, Inferno, Dante Alighieri)


Toda vez que algo mais grave que o habitual ocorre na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro as autoridades e alguns transeuntes correm logo a dizer que foi um fato isolado e que toda cidade grande do mundo é violenta. Então, se os fatos são isolados, nós cariocas não vivemos num inferno, mas em vários infernos. Junte Dante, Kurosawa, Pasolini e outros mais pra descreverem isso aqui. Eu sugiro portais dantescos para a província olímpica: “Vós que entrais deixai toda a esperança”.

Mas os entusiastas da vencedora candidatura olímpica e os turistas que pretendem vir em 2016 podem ficar tranqüilos. Em épocas de grandes eventos os canalhas oficiais e os extra-oficiais entram em acordo e nada de mais grave costuma acontecer. Há bons antecedentes: a Rio-92 e o Pan-2007. O problema é o antes e o que vem depois.

Veja também:


Permitam-me por fim um depoimento pessoal para ilustrar um pouco mais este quadro grotesco. No campo de futebol onde o helicóptero Esquilo caiu e se consumiu em chamas com dois soldados dentro estive na metade final dos anos 80 com meu time de rua para um “amistoso” contra o Sampaio. Tudo ia bem até que viramos em pouco tempo o placar para 2 a 1. 

Saímos ilesos (menos um que quase teve a perna fraturada e não terminou o jogo), pois ao percebermos a presença de “autoridades” extra-oficiais bem junto à lateral do campo - já esburacado como permanece até hoje pelo que vi na TV – cedemos o empate mais ou menos como ocorreu naquele jogo do Maranhão, mas por motivos menos torpes. Assim já era o espírito olímpico do local onde se debruça o Morro São João.

Onde moro avança-se o sinal vermelho
Para se manter vivo
Onde moro se pratica o suborno
Para se garantir direitos
Onde moro se erguem muros e grades
Para se ter liberdade.

Ilustração: Akira Kurosawa
Vídeo: Episódio do filme "Sonhos", de Akira Kurosawa

Veja também:

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

NA HORA "H" VERDE-AMARELEI

Pois é, no fim das contas, o que bate mais forte e manda mesmo é o (profano) coração. Embora tenha até feito campanha contra, posso dizer que, se não estou pulando de alegria e gritando, afinal estou insone porque trabalhei a madrugada inteira na cobertura dessa eleição, tampouco estou triste com a notícia que me tirou da cama. Agora, o Brasil terá Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016, no Rio. É hora de começar já a fiscalização com lupa e microscópio aos ladrões da pátria, para que eles não metam a mão nessa bocada. Alguns que já cederam a tentações bem menores estavam lá em Copenhague vibrando com mãos e lábios trêmulos, não se iludam.
Se era preciso Copa e Olimpíada para finalmente começarmos o país, que agora tenhamos Saúde e Educação decente e para todos - eu disse e repito: TODOS! - em tempo integral. É preciso que isso seja seriamente exigido dos que tanto prometeram legados e vêm deixando a desejar há muitos anos. São essas as Olimpíadas que eu quero ganhar, a de um país saudável e educado. E saúde e educação não se fazem só com hospitais e escolas, é antes de tudo saneamento básico, é não jogar lixo nas ruas, é respeitar os outros, é responsabilidade com dinheiro e o patrimônio públicos, é preservar o que de verdadeiro e bom nossa diversificada e miscigenada cultura oferece, é aceitar as diferenças...
Festejar é muito bom, mas é muito trabalho honesto - eu disse HONESTO - o que este país necessita mais. Não há mais tempo a perder!

Leia aqui Oferenda (ou Canção de um Ser Dilacerado), um dos destaques do livro "Profano Coração", de Eduardo Lamas.
Veja também: Profano Coração no Grajornal
"Profano" conquista corações
Futebol-Arte: Os Maiores Jogos de Todos os Tempos
Gasolina no Incêndio 8

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #47

Uma coisa jogada com música - Capítulo #46 Garrincha e Pelé, durante a Copa do Mu...

As mais visitadas