quinta-feira, 3 de outubro de 2019

COM O VAR, O FUTEBOL SE TORNOU UM "VIDEO-GAME" COM DEFEITO

Joinha, torcedor da Fla-Mureta, durante Fla x Inter, pela Libertadores 2019, no Maracanã. Reprodução: TV Globo 
Com a boa intenção de reparar as injustiças no futebol e utilizar a tecnologia a serviço do árbitro, os senhores que comandam o esporte mais popular do mundo deram ainda mais poder aos juízes e tornaram o jogo uma chatice (quase) sem fim. De boas intenções, como se sabe... 

Sempre me chateei muito com partidas decididas com erros da arbitragem, principalmente aqueles mais flagrantes. E, quem me conhece ou já me leu sabe, isso inclui o meu time. Porém, com o VAR, principalmente no Brasil, o futebol se tornou um "video-game" que trava o tempo todo, ainda mais que aqui as interrupções seguidas da partida já ocorriam pela doença chamada falta tática, que prefiro chamar de tática das faltas ou falta de tática, técnica, talento, inteligência, criatividade.

A verdade é que tenho ficado cada vez menos motivado a assistir jogos de futebol. E muita gente tem perdido esse interesse, as pesquisas estão aí para não me deixar mentir: em primeiro lugar, cada vez mais distante do Flamengo, tem vindo sempre os que não torcem para time algum. 

Com o VAR, o gol virou um coito interrompido, a comemoração do torcedor muitas e muitas vezes tem de esperar uma conferência interminável entre os árbitros para se saber se valeu ou não valeu. Goza-se, mal, pela metade duas vezes. Tristes tempos de amores artificiais e paixões vazias.

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O milimétrico, que já era analisado na TV pelos especialistas - aqueles que sabem quase tudo sobre o quase nada - como se fosse um erro gravíssimo em campo, ganhou uma notoriedade tão absurda que se tornou o dono do espetáculo. Tomemos como exemplo a primeira partida da semifinal da Libertadores entre Grêmio e Flamengo. Seria injusto confirmar os gols invalidados de Gabriel (o Gabigol)? Não, afirmo eu. Foram impedimentos "pentelhimétricos" que só a idiotice da objetividade poderia enxergar. Como não seria prejudicial ao espetáculo confirmar o de Pepê, se William Arão esticasse menos a perna ou calçasse 35. 

Com os padrões Fifa determinados pelos europeus, os campos tiveram suas dimensões reduzidas ao mesmo tempo em que o preparo físico dos atletas só foi se aprimorando ao longo das décadas. Isso fez do futebol um jogo de muito mais contato físico, com seguidas lutas de judô sem tatame na área. Não à toa, se repetem em todo lugar, a todo momento, os choques de cabeça, e as aborrecidas interrupções da partida. 

Volto a lembrar aqui uma entrevista de Cláudio Coutinho, no fim dos anos 70, em que ele dizia que era preciso tirar um jogador de cada time para que houvesse mais espaço e o jogo ficasse mais bonito. Isso num tempo em que Maracanã, Morumbi, Mineirão, São Januário e até Moça Bonita tinham dimensões máximas em seus campos: 120m x 90m.

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Na minha opinião, ou a International Board adéqua melhor as regras do futebol ao advento do VAR ou, o que é minha preferência, acaba com o VAR, utiliza a tecnologia da Copa de 2014, não só na linha dos gols como ocorreu daquela vez, mas também nas linhas laterais e de fundo, e coloca mais um árbitro em campo com a função de observar os lances onde a bola não está em disputa. Sugiro ainda que o cronômetro parasse a cada vez que o jogo fosse paralisado, passando o tempo de jogo para dois tempos de 25 ou 30 minutos. E mudaria radicalmente ou acabaria com a lei do impedimento.

Atenção, crianças: esta é só a minha opinião, ninguém precisa arrancar as calças pela cabeça. Tristes tempos em que num país que saiu da puberdade e voltou à fase anal é preciso explicitar que opinar, posicionar-se, mesmo com o máximo de ponderação e bom senso, não significa ofender quem discorda.


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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

LAMASCAST RESPONDE SE A MPB ESTÁ MESMO UMA MERDA

A fala de Milton Nascimento em entrevista que deu à Folha de S.Paulo há duas semanas, "A música brasileira está uma merda", é o tema do LamasCast desta semana. Você pode ouvir aqui embaixo ou no SoundCloud. Recomende aos amigos.



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Música e futebol, o Brasil no Primeiro Mundo
Tostão, Milton e Kid Morengueira no Jogada de Música
A música é interdisciplinar
Para Milton e nossos amigos

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

O ENCONTRO DE JOYCE COM JUNG NO LAMASCAST

O tema do LamasCast desta semana é o encontro ocorrido em 1934 entre o Pai da Psicologia Analítica, Carl Jung, e o grande escritor irlandês James Joyce. Ouça aqui abaixo ou na SoundCloud.



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Conexões

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

"5H37, A POESIA DESPERTA" NO LAMASCAST

No LamasCast desta semana, uma poesia que me acordou no meio da madrugada e todo o contexto que a cerca. "Escrevo pra não sucumbir". Ouça aqui abaixo ou na SoundCloud.



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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

DISSIPAÇÕES EM LAMASCAST

O LamasCast desta semana vem com mais uma poesia cantada, algo que não ocorria desde os primeiros episódios. E já estamos no vigésimo! Dissipações é o nome da poesia em que pus melodia e apresento nesta semana. Ouça aqui abaixo ou na SoundCloud. Na nuvem, com os pés a um passo do chão.



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quarta-feira, 4 de setembro de 2019

LAMASCAST EM DEFESA DO VERDADEIRO FUTEBOL BRASILEIRO

Nesta semana, o LamasCast pede ao jovem talentoso Lucas Paquetá que não dê ouvidos ao técnico italiano Marco Giampaolo, que o dirige no Milan. Disse o treinador que Paquetá tem de ser menos brasileiro às vezes. E Giampaolo precisa ser menos pretensioso sempre e respeitar o nosso futebol. Seja ainda mais brasileiro agora, Paquetá!
Ouça aqui embaixo ou na SoundCloud. LamasCast sempre em defesa da Arte e da Cultura.



Veja também:
Jogada de Música no IMMuB
A vitória não basta
Ode ao futebol-arte

terça-feira, 27 de agosto de 2019

LAMASCAST A SECO A PARTIR DE AGORA

O LamasCast desta semana vem diferente por motivos alheios à minha vontade. Infelizmente, o que já havia ocorrido uma vez num dos primeiros programas se repetiu neste. Gravei duas versões deste programa, com músicas diferentes na abertura e em ambas toda gravação foi removida pela SoundCloud a mando dos proprietários das músicas. Não os artistas, que criam e gravam, mas aqueles que se apoderaram eternamente das obras por um punhado de dinheiro. Lamento e não perderei mais meu tempo, a partir de agora será só minha voz com meus textos ou alguns que queira citar, sempre dando o crédito de autores, como fiz até agora. 
Ouça aqui abaixo ou na SoundCloud. Muito obrigado por sua audiência.



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O poeta e os espantalhos urbanos

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

CSA E VAN HALEN NUMA NOITE DE VERÃO CARIOCA, NO LAMASCAST

No LamasCast desta semana o tema é uma curiosa história sobre a noite de janeiro de 1983, quando o CSA, de Jacozinho e Marciano, brilhou no Maracanã, e o Van Halen, de Eddie Van Halen e David Lee Roth, quase fez o Maracanãzinho rachar. Ouça abaixo ou na SoundCloud.



A publicação do podcast desta semana já mexeu com a memória afetiva de amigos. Dois deles, Paulo Velloso e Guilherme Folly, já me mandaram mensagens com lembranças do ensurdecedor show no Maracanãzinho. 
 

Veja também:
O inesquecível show do Queen
Alguns jogos que faço questão de recordar 2


Guilherme, amigo dos tempos de faculdade, inclusive me mandou pelo Whatsapp o seu ingresso daquela apresentação da banda americana no Rio de Janeiro. Veja abaixo.


Outro com quem falei sobre este show foi Luiz Antônio Mello, fundador da Rádio Fluminense FM, que foi ao show e confirmou o som ensurdecedor do Van Halen no Maracanãzinho naquela noite de 1983. 

Descrição do LamasCast 16:

O décimo-sexto programa traz trechos das músicas "Bottom's Up", de Eddie Van Halen, Alex Van Halen, Michael Anthony e David Lee Roth ; "Eruption", de Eddie Van Halen; "Unchained", de Eddie Van Halen, Alex Van Halen, Michael Anthony e David Lee Roth, e "You really got me now", de Ray Davies (dos Kinks, grupo que a gravou originalmente), todas com o Van Halen. 

Todas estas músicas fizeram parte do repertório do show realizado no dia 26 de janeiro de 1983, no Maracanãzinho, que se chama Gilberto Cardoso e não Gilberto Cardoso Filho, como eu disse no áudio. O set list completo pode-se conferir aqui.
 
O programa também utiliza as narrações dos dois gols do CSA, na vitória de 2 a 1 sobre o Fluminense, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro de 1983, também realizado na noite de 26 de janeiro. O áudio foi encontrado no canal de Edu Cesar no YouTube

A narração é de Antônio Porto, pela Rádio Eldorado AM, que integrava o Sistema Globo de Rádio na época. Na reportagem estavam Danilo Bahia e Fernando Carlos, com Mario Vianna nos comentários de arbitragem.

Um detalhe sobre o jogo que não mencionei no podcast é que aos 44 minutos do primeiro tempo, Romel cobrou um pênalti e Paulo Victor, goleiro do Fluminense, defendeu. Abaixo, foto do ingresso da partida que ainda tenho colado em meu caderninho.


Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração, erros, acertos e tudo o mais: Eduardo Lamas.

Veja também:
O roubo da Taça Jules Rimet no Jogada de Música
"Contos da bola" rolando pelo mundo
Memórias da geral do Maraca

terça-feira, 6 de agosto de 2019

LAMASCAST: AO MESTRE SARAMAGO

O 15º programa LamasCast presta uma homenagem ao grande escritor português José Saramago. Não deixe de ouvir! Aqui abaixo ou na SoundCloud.



Descrição do LamasCast 15:
O décimo-quinto programa traz trechos das músicas "O Pastor", de , com Madredeus, e "Minha História (Gesubambino)", de Lucio Dalla e Paola Pallotino, com versão de Chico Buarque, que a canta.

Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração, erros, acertos e tudo o mais: Eduardo Lamas.

Veja também:
Mãe exalta o amor em "O filho de mil homens"
É preciso respeitar a dor do universo

terça-feira, 30 de julho de 2019

LAMASCAST EM OCEANO DE MEMÓRIAS

O LamasCast desta semana traz um trecho do livro "O negro crepúsculo", de minha autoria, chamado "Oceano de memórias". Ouça o programa aqui abaixo ou na SoundCloud.



Descrição do LamasCast 14:
O décimo-quarto programa traz trechos das músicas "1974", de Flávio Venturini, com O Terço, e "Making memories", de Christoffer Vestrheim, Geddy Lee e Neil Peart, com Rush.
Foto: Eduardo Lamas (capa do ebook e do livro físico "O negro crepúsculo").
Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração, erros, acertos e tudo o mais: Eduardo Lamas.

Veja também:
"O negro crepúsculo", um trabalho de 11 anos
"O negro crepúsculo" saiu em papel
"O negro crepúsculo" pelo mundo
"O negro crepúsculo", um livro muito bem recomendado
"O negro crepúsculo" na Rádio Jornal, do Recife

terça-feira, 23 de julho de 2019

A CRUZADA DAS CRIANÇAS NO LAMASCAST

O décimo-terceiro LamasCast é sobre uma música de Sting, "Children's Cruzade". Mas que Cruzada das Crianças é esta? Ouça na SoundCloud​! Ou aqui abaixo.
Sempre na nuvem, com os pés a um passo do chão.



Descrição do LamasCast 13:
O décimo-terceiro programa traz a música "Children's Cruzade", de e com Sting.
Ilustração: A Cruzada das Crianças, de Gustave Doré.
Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração, erros, acertos e tudo o mais: Eduardo Lamas.

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quarta-feira, 17 de julho de 2019

QUEM JESUS MATOU?

Jesus viveu
pra si e a sua família
ou por toda a Humanidade?
Repartiu
ou acumulou?
Distribuiu
ou roubou?
Cercou-se de humildes
ou poderosos ?
Lutou contra a tirania
ou ao lado dela?
Expulsou os vendilhões do templo
ou uniu-se a eles?
Curou
ou envenenou?
Ensinou a pescar
ou cobrou impostos?
Era altruísta
ou egoísta?
Agregou
ou discriminou?
Compreendeu
ou atirou a primeira pedra?
Abençoou
ou torturou?
Incondicionalmente amou
ou armou?
Morreu
ou matou para salvar?

Foto de Paulo Jailton (https://guiadafotografia.com.br/seja-fotografo-para-todos/)
Veja também:
A Cruzada das crianças
Eles não nos entendem

terça-feira, 16 de julho de 2019

LAMASCAST 12 HOMENAGEIA CRUZ E SOUSA

No programa desta semana do LamasCast, o poeta simbolista Cruz e Sousa é o tema. Não perca! Ouça aqui abaixo ou na SoundCloud.



Descrição do LamasCast 12:
O décimo-segundo programa inicia com um trecho do filme "Cruz e Sousa, poeta do Desterro" (2000), de Silvio Back, em que o ator Kadu Carneiro, que interpreta o poeta na obra, recita o poema "Aspiração", de Cruz e Sousa:
"Tu és a estrela e eu sou o inseto triste! /Vives no Azul, em cima nas esferas,/ No centro das risonhas primaveras/ Onde por certo o amor eterno existe.// E nem de leve a glória vã me assiste/ De erguer o vôo às olímpicas quimeras/ Do teu brilho ideal, lá onde imperas/ Nesse esplendor a que ninguém resiste.// Enquanto tu fulgires nas alturas/ Eu errarei nas densas espessuras,/ Da terra sobre a rigidez de asfalto.// Embalde o teu clarão me enleva e clama!/ Mas como a ti voarei, se, senti a chama,/ Sou tão pequeno e o céu tão alto?". Música de encerramento: samba de enredo de 1999 da SRCS Embaixada Copa Lord "Cruz e Sousa, o cine negro da literatura universal" (Edu Aguiar e Erson Paulo Trindade de Pereira).
Texto, foto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração, erros, acertos e tudo o mais: Eduardo Lamas.

Veja também:
O caminhante
Agradecimento a Altamiro

terça-feira, 9 de julho de 2019

ARIANO SUASSUNA E MANOEL DE BARROS NO LAMASCAST

Esta semana o LamasCast homenageia dois dos grandes poetas brasileiros: Ariano Suassuna e Manoel de Barros. Não perca! Ouça aqui abaixo ou na SoundCloud.



Descrição do LamasCast 11:
O décimo-primeiro programa traz "A estrada", poesia de Ariano Suassuna recitada por ele próprio, com a música "Aralume", de Antônio José Madureira, com Quinteto Armorial, de fundo, e "O rio que fazia uma volta atrás da minha casa", poesia de Manoel de Barros, recitada por ele mesmo, com música não identificada ao fundo (quem souber a música, o autor e o violeiro que a toca, por favor, cartas, ou melhor, mensagens diretas para a redação!!).
Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração, erros, acertos e tudo o mais: Eduardo Lamas.

Veja também:
Ariano Suassuna e a guitarra
Ariano Suassuna é eterno
"O negro crepúsculo" na Rádio Jornal, do Recife

terça-feira, 2 de julho de 2019

PRIMEIRO LAMASCAST DIRETO DE FLORIPA

O décimo LamasCast foi gravado em Florianópolis, de onde partirá os próximos programas. Curta abaixo ou na SoundCloud.



Descrição do LamasCast 10:
O décimo programa traz "A voz do morro", de e com Zé Ketti, e "Novos rumos", de e com Paulinho da Viola.

Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração, erros, acertos e tudo o mais: Eduardo Lamas.

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Os sopros mágicos de Carlos Malta
O que não se pode perder é a essência
Rio de Janeiro, um doente em estado grave

terça-feira, 25 de junho de 2019

CINEMA, FUTEBOL E MÚSICA NO LAMASCAST

O tema desta semana no LamasCast é uma triangulação sensacional. Ouça abaixo ou na SoundCloud. Curta, comente, compartilhe. Eu agradeço desde já.



Descrição do LamasCast 9:
O nono programa traz a versão orquestrada por Waldir Calmon de "Na cadência do samba", de Luiz Bandeira, e "Samba vocalizado, de Luciano Perrone, com ele e seus Ritmistas Brasileiros.
Imagem do Canal 100.
Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração, erros, acertos e tudo o mais: Eduardo Lamas.

Veja também:
A premonição literária de um crime no futebol
América-RJ, 106 anos
Futebol-Arte: Os maiores jogos de todos os tempos 3

quarta-feira, 19 de junho de 2019

CHORINHO NO LAMASCAST

Nesta semana, o LamasCast homenageia o chorinho com duas poesias de minha autoria que falam sobre o tema. Ouça abaixo ou na SoundCloud.



Descrição do LamasCast 8:
O oitavo programa traz as poesias "Chorinho" e "Roda de choro", ambas de minha autoria. E trechos de "Odeon", de Ernesto Nazareth, com Maria Teresa Madeira ao piano; "Santa Morena", de e com Jacob do Bandolim, e "Naquele tempo", de Pixinguinha e Benedito Lacerda, com Pixinguinha.
Ilustração de Sóter França Júnior feita para o livro "Profano coração", o meu primeiro, lançado originalmente em 2009 e desde 2015 à venda como ebook na Amazon: https://amzn.to/2WNs0gN.
Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração, erros, acertos e tudo o mais: Eduardo Lamas.

Veja também:
Chorinho
Agradecimento a Altamiro
Entrevista: Nilze Carvalho

quinta-feira, 13 de junho de 2019

"SUTILEZAS", AMOR, PAIXÃO E SURPRESAS


Repleto de amor, paixão e surpresas, ebook “Sutilezas¨ está à venda na Amazon

Quarto livro, o segundo de poesias, do escritor e jornalista Eduardo Lamas
 traz links que levam o leitor a áudios e outros textos poéticos

“Sutilezas” é um ebook que rima mesmo com surpresas. E, com a sua característica liberdade poética, também com amor e paixão, temas centrais do quarto livro do escritor e jornalista Eduardo Lamas, o seu segundo de poesias. Nesta obra o leitor terá a possibilidade de viajar em seu tablet, e-Kindle, celular, computador ou qualquer outro dispositivo eletrônico para além dos versos publicados. Com links para áudios na SoundCloud, dois exclusivos, e também para poesias que não estão no livro, a experiência de ter “Sutilezas” em mãos ultrapassa os limites de suas páginas virtuais.

- Quis oferecer algo mais ao leitor desta vez. Há links para o meu podcast na SoundCloud, o LamasCast, mas também para dois áudios exclusivos para quem adquirir o ebook. Há duas surpresas sutis que levam a poesias publicadas há muito tempo no meu blog que não fazem parte desta obra, mas que têm a mesma linha temática. Uma delas faz parte do meu primeiro livro, “Profano Coração” - explica o autor.


Ficha técnica do livro
Título: Sutilezas
Formato: eBook Kindle
Tamanho do arquivo: 102 KB
Número de páginas: 62 páginas
Editora: Eduardo Lamas / Independente (9 de junho de 2019)
Vendido por: Amazon Servicos de Varejo do Brasil Ltda
Idioma: Português
ASIN: B07STXDR8K

O autor

Eduardo Lamas é escritor e jornalista.

Recebeu em 2001 o prêmio de Destaque Especial nas categorias conto, crônica e poesia do IV Concurso Literário "A Palavra do Século XXI", de Cruz Alta (RS).

É autor da peça "Sentença de Vida", encenada entre março de 2002 e maio de 2003, no Rio de Janeiro, em Niterói (RJ) e São Gonçalo (RJ), e dos livros "Profano Coração" (2009, físico, e 2015, ebook), também de poesias; do romance "O negro crepúsculo" (2016, ebook, e 2017, físico), e o ebook ¨Contos da bola¨ (2018).

Entre 1988 e 2013, como jornalista atuou nos mais importantes veículos de comunicação do Rio e de Niterói, entre eles rádios Imprensa FM e Tropical FM, Jornal dos Sports, Agência Sport Press, Agência O Globo, O Globo Online, O Fluminense, Lance Multimídia, Revista e Agência Placar, site Pelé.Net, Oi Internet, Jornal do Brasil e Globoesporte.com.

É o idealizador do projeto Jogada deMúsica, nome de coluna mensal que assina no site do Instituto Memória MusicalBrasileira – IMMuB, e que foi quadro nos programas Panorama Esportivo do Pop Bola e Zona Mista da Rádio Globo Rio, e coluna semanal no site do Pop Bola. Autor, desde 2008, do blog que leva seu nome (http://www.eduardolamas.blogspot.com/). Em ambos publica crônicas, artigos, contos e poesias de sua autoria. Tem ainda um canal com seu nome no YouTube e um podcast na SoundCloud chamado LamasCast.

Atuou também como empresário nos ramos cultural e de comunicação, entre 2012 e 2016, e é sócio-diretor da Estação Pró-Vida – Saúde, Arte e Desenvolvimento Humano.

Veja também:
"O negro crepúsculo" saiu em papel

terça-feira, 11 de junho de 2019

LAMASCAST TRAZ "AMORES", CARRO-CHEFE DO EBOOK "SUTILEZAS"

Com o país dividido por ódios e na véspera do Dia dos Namorados, o LamasCast 7 vai à nuvem com "Amores". Esta é a poesia de trabalho do ebook "Sutilezas", quarto livro de minha autoria que já está à venda na Amazon.com.br e na Amazon de mais 12 países (EUA, Reino Unido, Alemanha, Itália, Espanha, França, Holanda, México, CanadáJapão, Índia e Austrália). Ouça o podcast abaixo ou na SoundCloud , adquira e leia o ebook.



Descrição do LamasCast 7:
O sétimo programa traz "Amores", a poesia de trabalho do ebook "Sutilezas", o quarto de Eduardo Lamas, o segundo de poesias, que está à venda na Amazon (clique aqui)
O LamasCast 7 contém trechos de "All we need is love", de John Lennon e Paul McCartney, com os Beatles;  de "Amor", de João Apolinário e João Ricardo, com Secos e Molhados, e "Amor, meu grande amor", de Angela Ro Ro e Ana Terra, com Angela Ro Ro.
A ilustração é uma reprodução da capa do ebook "Sutilezas".
Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração, erros, acertos e tudo o mais: Eduardo Lamas.


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terça-feira, 4 de junho de 2019

LAMASCAST 6: ARTE EM TODA PARTE

Está na nuvem, com os pés a um passo do chão, mais um programa LamasCast. Ouça abaixo ou na SoundCloud. Aguardo sua curtida, seu comentário e, se gostar, compartilhamento. Agradeço desde já.



Descrição do LamasCast 6:
O sexto programa conta com trechos do Concerto para piano nº 1 de Tchaikovsky, com a Orquestra de la Suisse Romande, conduzida pelo maestro Charles Dutoit, e com Martha Argerich ao piano; a poesia "Meus oito anos", de Casemiro de Abreu, recitada por Paulo Autran; texto de Domingos de Oliveira sobre o teatro, por Antonio Abujamra; "Hey Joe", de Billy Roberts, com Jimi Hendrix; "Chamada Geral", de e com Armandinho Macedo e Hamilton de Holanda, e Suíte nº 1  para Violoncelo, de Johann Sebastian Bach, com Mischa Maisky.
Ilustração: "O pensador na porta do Inferno", de Auguste Rodin.
Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração, erros, acertos e tudo o mais: Eduardo Lamas.
ERRATA: embora eu não tenha certeza sobre a pronúncia correta, o primeiro nome do físico Fritjof Capra foi dito errado, como se fosse Fritojf ("Fritóif" em vez de "Fritiof").

Veja também:
Beleza e caos: arte em toda parte
Espiral do tempo

terça-feira, 28 de maio de 2019

CLARICE LISPECTOR E BARÃO VERMELHO NO LAMASCAST

O LamasCast desta semana mostra qual a conexão existe entre a escritora Clarice Lispector e o grupo de rock Barão Vermelho. Ouça abaixo ou na SoundCloud.



LamasCast é belo, saudável, orgânico e caseiro. Na nuvem, com os pés a um passo do chão.

Descrição do LamasCast 5:
O quinto programa inicia com uma fala de Clarice Lispector na última entrevista que concedeu, em 1977, a Júlio Lerner, da TV Cultura, e a música "Que o Deus venha", que Cazuza e Frejat fizeram com base num trecho do livro "Água Viva", de Clarice Lispector.
Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração e tudo o mais: Eduardo Lamas.
ERRATA: o LP "Declare guerra", do Barão Vermelho, foi lançado em 1986 e não em 88 como dito no programa. Peço desculpas pelo equívoco.

Veja também:
Mãe exalta o amor em "O filho de mil homens"
Amigo Cyro, que espetáculo!
O caminhante

terça-feira, 21 de maio de 2019

ESQUIZOFRENIA E ARTE NO LAMASCAST 4

O quarto programa LamasCast trata esta semana da relação entre a esquizofrenia e a arte, com um texto que já foi publicado aqui no blog e que teve uma boa repercussão. Não perca e traga os amigos.


Descrição do LamasCast 4:
O quarto programa inicia com trecho de "The great gig in the sky", com Pink Floyd; usa uma parte de "Atom heart mother" de fundo para o texto "Esquizofrenia, de Eduardo Lamas, com Eduardo LÇamas, e termina com a parte final de "A saucerful of secrets", com o Pink Floyd.
Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração e tudo o mais: Eduardo Lamas.
Ilustração: "Only opens, when open for fantasy", de Ben Goossens.

Veja também:
Um brilhante esquizofrênico

terça-feira, 14 de maio de 2019

LAMASCAST RODRIGUEANO

Não perca o terceiro programa belo, saudável, orgânico e caseiro, que está na nuvem, a um passo do chão. Clique abaixo e curta, comente, compartilhe os 7 rodrigueanos minutos.



Descrição do LamasCast 3:
O terceiro programa abre com "Meu nome é Nelson Rodrigues", de Érico Theobaldo e Zeca Baleiro, com Zeca Baleiro; tem um trecho da ópera "Rigoletto", de Giuseppe Verdi, e por fim "This gun for hire", de David Buttolph, com a Jazz at the Movie Band, música de abertura da série "A vida como ela é", da TV Globo.
Texto, produção, concepção, criação, gravação, edição, narração e tudo o mais: Eduardo Lamas.

Veja também:
O teatro e o futebol

terça-feira, 7 de maio de 2019

LAMASCAST 2 ESTÁ NO AR!

Contra tudo o que agora estaí, a arte da palavra, a palavra-arte.



Descrição do LamasCast 2:
O segundo programa abre com "Perfeição", de Renato Russo, com a Legião Urbana; tem o "Canto das 3 raças", de Paulo César Pinheiro, com meu trôpego cantar emendado pela gravação da grande Clara Nunes, e por fim "Blues da Piedade", de Roberto Frejat e Cazuza, com Cazuza.
Texto, produção, concepção, criação, gravação, narração, edição e tudo o mais: Eduardo Lamas.

Ilustração: "A liberdade guiando o povo", quadro de Eugène Delacroix

Veja também:

terça-feira, 30 de abril de 2019

LAMASCAST, NA NUVEM COM OS PÉS A UM PASSO DO CHÃO


Clique acima ou abaixo e vá direto ao que interessa. Agradeço desde já.



Descrição do LamasCast 1:
Programa de estréia, com "Vermelhas Nuvens", de e com Hugo Linns, na abertura; "Sequidão", de e com Eduardo Lamas, durante, e "Improviso", de Antonio José Madureira, com o Quinteto Armorial.
Texto, produção, concepção, criação, gravação, narração edição e tudo o mais: Eduardo Lamas.
Ilustração: Gilvan Samico.

Veja também:
Já à venda, "Contos da Bola" vai das peladas aos clássicos
"O negro crepúsculo", um trabalho de 11 anos
"Profano coração" está de volta
"Jogada de Música" no IMMuB

terça-feira, 16 de abril de 2019

O QUANTO DEVO AO CENTRO DE ARTES UFF


Em conseqüência dos inconseqüentes ataques e das primeiras ações do doutrinário desgoverno federal contra a Educação e a Cultura deste país, a Universidade Federal Fluminense (UFF) suspendeu as atividades deste início de temporada do Centro de Artes UFF por falta de dinheiro. Embora sejam públicas quase que a totalidade das 36 universidades brasileiras ranqueadas entre as 1.100 melhores do mundo, de acordo com a revista inglesa THE (Times Higher Education), é clara e evidente a intenção dos atuais donos do poder de (certamente sucateá-las para) privatizá-las pouco a pouco e restringi-las aos mais abastados. Particularmente, a notícia mexeu muito comigo e remexeu um baú de ótimas memórias.

Minha primeira visita ao Centro de Artes UFF ocorreu no fim dos anos 80, quando fui assistir à cerimônia de formatura como professora de minha então namorada, futura mulher e mãe de meus filhos. Nos últimos meses de 1990 lá estava eu a acompanhando nos seus primeiros passos como atriz, já grávida de meu primeiro filho, nos ensaios noturnos da peça "Coquetel Molotov", de Alvaro Ramos, que a diretora Alice Carvalho levaria ao palco nas primeiras semanas de janeiro de 1991 com os alunos do curso de teatro aberto mesmo para quem não era aluno da universidade. Fiquei tão íntimo daquela turma e da montagem que fui convidado pela diretora para ser um dos responsáveis pela operação de áudio da peça, algo que nunca havia feito, mas que aceitei com grande felicidade, embora não pudesse chegar a tempo para todas as apresentações por causa do meu trabalho no Jornal dos Sports. Foram naquelas noites que minha paixão pelo teatro nasceu e se tornou arrebatadora e definitiva.

Porém, em 1993, eu me mudei para São Gonçalo e, mesmo morando bem distante do Centro de Artes UFF, passei a freqüentar seu cinema com ingresso a preço simbólico e as apresentações gratuitas de música erudita e popular nas manhãs de domingo, muitas vezes com meus três filhos a tiracolo. Seis anos mais tarde fiz lá um dos melhores cursos de que pude participar: Introdução à Cultura Brasileira (Música, Teatro, Literatura, Cinema e Artes Plásticas). Entre outros, tive o imenso privilégio de assistir a palestras e verdadeiras aulas-espetáculos com Jairo Severiano, Marília Barbosa, Ricardo Cravo Alvin, Joel Rufino, Ruy Castro, Ziraldo, Leandro Konder, Gianfrancesco Guarnieri, Nelson Pereira dos Santos, Zelito Viana, Hamilton Vaz Pereira, Claudio Valério, Ithamara Koorax. Nem preciso dizer que saía de lá a cada fim de tarde muito melhor do que entrava.

 Hoje, meu filho mais novo está terminando a faculdade de Geografia na UFF, num campus próximo do Centro de Artes, e por tudo isso não posso deixar de destacar a imensa importância que aquela  universidade de Niterói, em especial seu teatro e seu cinema, ainda tem na minha vida. Portanto, desejo vida longa, eterna, ao centro de Artes UFF!

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domingo, 14 de abril de 2019

MINTO, LOGO MITO (UMA LAMENTÁVEL E FARSESCA TRAGICOMÉDIA)

Minto, logo tuíto
Deus, ainda não sei o que fiz
Pra tantos milhões
me elegerem o Mito

Mito, logo de novo tuíto
Eu avisei que de economia
Só sabia que nada sabia
Que culpa tenho eu
Se o IBGE também
Nada sabe de metodologia
Só o meu Posto Ipiranga
Ah, tá certa a ministra
Ninguém passa fome
Onde há tanta manga
Que nunca acaba
E aquela outra
Que viu Jesus num pé de goiaba?
Aquela que só veste menino de azul
E menina de rosa
Viste o "conje" de Sabugosa,
O meu juiz sabichão?
Eu o convoquei
Depois que me ajudou
a ganhar a eleição

Mito, logo de novo tuíto
Meu governo é frutífero
Veja que belo laranjal
A Amazônia tem que dar lucro
teremos shoppings de um lado
e de outro pasto, soja
e um grande matagal

Minto, logo tuíto
Índio não quer terra,
Não quer apito,
Índio quer iphone,
SmarTV, carro do ano,
Mansão na beira do rio,
Índio quer ser crente que
É gente como a gente.

Mito, logo outra vez tuíto
E se alguém me critica
É por ali que eu grito,
Se xingar minha mãe
Eu xingo a tua
Quem foi o filho da puta
Que chamou meu 02
De Tonho da Lua?
Quem inventou que o Queiroz
Trouxe a grana pra nós?
É tudo mimimi
Nada tenho com mimimilícia
Mimiminha famimimiglia
É honrada, sou honesto
E sou muito bem casado
Com a mimiminha Mimimichele
O que são 24 mimimil
e mais uns mimimilhõeszinhos,
Uma fantasmimiminha aqui
Um Gasparzinho acolá
Perto do que o PT roubou?
A embaixada vai pra Telaviv
Só pra mexer com os mustafá,
os ibrahim, aiatolá
Vamos importar terrorista
Pras armas poder usar
Sou um cara tão famimimília
que vamos instituir
a educação domimimiciliar
Todo mundo armado em casa
protegido de atentado escolar

Mimiminto, logo mimimito
Juntei um time de notório saber
A deforma da Previdência já entreguei
Não tenho mais o que fazer
Talquei?
Que culpa tenho eu
Se o Vélez não sabe navegar
Na educação
Pra consertar, coloquei
um doutor no seu lugar
Que não é doutor
Me enganei
Talquei?

Mito, logo mais uma vez tuíto
Eu adoro uma tortura
Mas neste país nunca houve ditadura
Ficam falando de 64, 64, 64
E que nunca mais me levanto
Se eu cair de quatro,
mas é tudo fakenews!
Tudo bem, não sou nenhum santo
O que importa um incidente qualquer
se depois de 80 tiros
morre um músico
e riem da sua mulher,
Quero ser gentil com o Danilo
Ai, não posso confessar
Mas sinto um negocinho
Quando toco os meus mamilo.
O nosso carnaval é chocante
É orgia atrás de orgia
e ainda me acusam de
divulgar cenas de escatologia

Minto, logo mito
Fui aos States dar um abração
No Trump, meu amigão
Um cara muito confiável
Super-educado, afável
Com ele tá sempre tudo suave
Por isso passei pra ele a nossa chave
Aqui pode entrar quando quiser
Não criaremos qualquer entrave
Mas não se iluda,
Ninguém manda no meu governo
Só o Olavo de Carvalho
Eu te amo, Tio Sam,
Eu te amo

Minto, logo na rede eu mito
De economia, "filolavosofia", agronomia
Nada entendo, sabia?
Mas em História sempre ganhei nota dez
Fui lá em Israel
e depois de me lamentar no Muro
Fui ao Museu do Holocausto
E fiquei muito puto com o que fizeram os nazista
Hitler foi mesmo um demônio
Aquele desgraçado comunista.
Na minha próxima viagem ao estrangeiro
Quero conhecer aqueles povos
Que vivem na parte debaixo do tabuleiro.

Mito, logo tuíto
Na verdade, nunca menti,
que culpa tenho se te iludi
ou desiludi, sou o que sou
Este é um país que vai pra frente
Ou, ou, ou, ou, ou...


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Noventa milhões em ação
Encantamento, fanatismo, cegueira

domingo, 17 de março de 2019

DECLARAÇÃO DE MALES

Ilustração de Gustave Doré para a poesia O Corvo
(The Raven), de Edgar Allan Poe
Como ainda tenho um bom tempo até 30 de abril para fazer a minha declaração do Imposto de Renda, com fartos bens se compararmos com 90% da população deste país e parquíssimos em relação aos privilegiadíssimos que ocupam 1% dos que por aqui vivem, faturando 36 vezes mais do que a metade do nosso povo, venho aqui para fazer a minha declaração de males e penúrias, perante aos cidadãos de bem. Bem, pelo menos é como se vangloriam para reivindicar para si - e apenas para si, a família, uns amigos e talvez uns conhecidos de seu restrito grupo social - as virtudes mágicas que permitem a abertura de todas as portas da esperança e da ganância. Somente para eles e os seus, é claro.

Terei de perder a vergonha de me confessar egoísta, mentiroso, ridículo, bobo, ingênuo... ou seja, não chego aos pés desses das virtudes mágicas. Com tantos virtuosos, sendo o mais "poderoso" um apologista de crimes hediondos, um deles confessado várias vezes e em rede nacional no Congresso Nacional para o espanto e indignação de uns tantos como eu e aplausos histéricos de milhões, só posso me declarar como o pior dos homens. Não tenho a capacidade, nem de longe, de ser um cidadão de bem, nem sequer de bens achacados sem qualquer pudor de todo tipo de cofre público. Sou muito covarde, admito com pesar, não conseguiria jamais me juntar aos corajosos protetores, na marra e na bala, guilhotina, forca, facada, de comunidades miseráveis do combalido Rio de Janeiro, que se já não tinha prefeito, ganhou mais um desgovernador. De bem, claro, ambos cidadãos de bem. São todos esses de bem e de muitos bens, dos mais variados tipos e tamanhos. Não, não chego aos pés desses sujeitos, eles estão muito acima das minhas possibilidades.

Vejam vocês como procedi quando um deles se aproximou, esquivando-me covardemente. Certa vez, desempregado já há uns 3 meses, numa situação bastante difícil financeiramente, pois ainda não havia recebido nada do emprego anterior, um vereador de uma cidade fluminense me ofereceu a assessoria de uma deputada estadual ligada a ele, desde que eu deixasse para um Queiroz aquela parcela que tradicionalmente tiravam de nós. E eu, infamemente, recusei. Recusei, minha gente, recusei. Não foi por medo propriamente, talvez algo muito pior que faria qualquer cidadão de bem gargalhar da minha cara com o dedo indicador furando um dos meus olhos: achei a proposta indigna. Vejam vocês, indigna! "Como indigna", perguntaria um cidadão de bem, "se você estava desempregado, com filhos pra criar sozinho?" Recusei e preciso confessar, passados já mais de dez anos deste episódio, essa falta, essa falha que cometi. "Imperdoável! Indigno!", eles diriam e podem vir a qualquer momento gritar aqui embaixo da minha janela ou virem como corvos grasnarem nos meus umbrais:"Nunca mais, ouviu? Nunca mais!".

Já fiz coisas que seriam aprovadas por eles, mas não me regozijo, pelo contrário. Neste ponto, sou incorrigível, talvez siga em minha vida por linhas curvas demais para tanta gente reta.

POEMA EM LINHA RETA
(Fernando Pessoa, sob o pseudônimo Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

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