terça-feira, 18 de maio de 2021

TRÊS HISTÓRIAS COM ROMÁRIO

Romário no jogo contra a Escócia, pela
Copa de 90. Foto do site O Curioso do Futebol
Se no livro Contos da Bola uso a ficção para narrar histórias do mundo futebol, algumas vezes inserindo cenas imaginárias em meio a fatos, alguns históricos, aqui neste texto vou relatar três histórias minhas em que direta ou indiretamente tiveram a participação de Romário. As fotos lá embaixo são de papéis que encontrei em minha arrumação pós-mudança recente de apartamento aqui em Floripa, algo que deveria ter feito bem antes, ainda no Rio, mas - creio - veio na hora certa até para eu poder registrar e revelar aqui estes episódios para você.

Em ordem cronológica, a primeira história é a mais banal, ocorrida no fim dos anos 80, numa boate da Zona Sul carioca que se chamava New Let It Be, onde inclusive trabalhara pouco tempo antes um saudoso amigo do Grajaú, o Almir "Barriga". Fui a uma festa com outro saudoso amigo, com quem trabalhava na Rádio Imprensa FM, o dublador, ator e locutor Andre Filho, e acabei sendo apresentado naquela noite a muitos artistas e jogadores de futebol de expressão. Pois foi lá a única vez em que estive pessoalmente com o gênio da grande área (definição de outro gênio, Johann Cruyff, também já vivendo em outro plano).

Romário já jogava no PSV Eidhoven, da Holanda, e estava de folga ou férias no Brasil. Mal trocamos duas palavras e nos cumprimentamos com um aperto de mãos. Foi só. Porém, como ele sempre foi atração por onde passava, não deixei de observar dois fatos inusitados para mim, especialmente naquela época. Aonde ele ia, dois ou três seguranças o cercavam, o que não era comum entre os craques brasileiros naqueles tempos. As "sombras" do artilheiro não se distanciaram dele nem mesmo quando ele subiu para o andar superior da boate para assistir a um strip-tease muito mixuruca que rendeu mais risos do que tesão na plateia masculina. O outro fato que me confirmou o que já diziam, mas eu não acreditava, é que ele não pôs uma gota de álcool na boca.


Na segunda vez, Romário foi apenas o motivo. Ele havia fraturado a perna num jogo na Holanda há poucos meses da Copa da Itália, em 1990, e o risco de ele ficar fora do Mundial era enorme. Ressalto para contextualizar que ele tinha sido, ao lado de Bebeto, o grande destaque da conquista da Copa América disputada no Brasil, no ano anterior. Portanto, a notícia estourou como uma bomba em todos os jornais, rádios e TVs, e não seria diferente no velho Jornal dos Sports de guerra, onde eu trabalhava. 

Por causa disso, o editor Carlos Macedo me incluiu às pressas na equipe já escalada para ir ao estádio Ítalo del Cima cobrir Nova Cidade x Botafogo, com a incumbência de entrevistar o médico Lídio Toledo, que além de trabalhar no clube alvinegro, servia também à seleção. Tive de esperar a fraca partida acabar, com vitória do Botafogo, por 1 a 0, gol do zagueiro Gonçalves no finzinho do jogo, ir ao acanhadíssimo vestiário onde se alojava o time alvinegro e falar com o médico para apurar o que ele já sabia sobre as condições do Baixinho.

Toda a cobertura daquele dia sobre a fratura de Romário no Jornal dos Sports e a entrevista com Lídio podem ser lidas clicando aqui.

O atacante acabaria sendo convocado pelo técnico Sebastião Lazaroni, mas foi para a Itália mais fazer figuração do que qualquer outra coisa, pois não teve tempo de se recuperar totalmente. Soube algum tempo depois por um integrante da delegação brasileira naquela Copa que numa reunião com Lazaroni, Romário o deixou bem à vontade para cortá-lo, algo nada comum na carreira do Baixinho. Para esta minha fonte, ter mantido Romário no grupo foi um dos grandes erros do treinador naquele Mundial. "Ele teve a faca e o queijo na mão para cortá-lo", disse ou deve ter dito desta forma, minha memória não deve ser tão prodigiosa assim.

A terceira vez foi a que motivou este texto. Quando achei numa velha e surrada agenda de telefones um papelzinho com os números de Romário na época em que atuava pelo Barcelona (1994) tive a ideia de fotografá-lo depois que já tinha amassado e jogado fora. Achei que a história merecia ser contada a partir deste registro que você vê aqui ao lado. 

Convidado por Mauro Cezar Pereira, que tinha sido meu chefe no Jornal dos Sports e já estava editando a revista Placar, em São Paulo, fui fazer um frila para a edição especial da revista sobre os melhores jogadores do Vasco de todos os tempos. Como na época eu trabalhava em outro lugar e o prazo de apuração era curto, não tive condições de fazer os 11, então dividi a tarefa com meu amigo dos tempos de Gama Filho e também do JS, Edir Lima. Romário ficou comigo e lá fui eu buscar de todas as formas o telefone do Baixinho na Catalunha. Naquele tempo, para os mais novos saberem e os mais velhos relembrarem, era com catálogos de telefone e auxílio da Embratel que conseguíamos os números e as ligações para o exterior.

Pois bem, com alguma ajuda de colegas jornalistas descobri que Romário não morava exatamente em Barcelona, mas numa cidade praiana chamada Sitges. A muito custo, depois de ligar para o clube, para algum jornalista espanhol, um assessor do Baixinho, consegui o número certo, mas nunca que ele me atendia. Falei com a Monica, sua esposa na época, mais de uma vez. Então resolvi mandar um fax (um fax!!!!) com o pedido de entrevista explicando o motivo. Só que continuei no vácuo. Até que, não me recordo se por uma mágica palavra-chave que usei ou minha insistência foi suficiente para vencer a resistência do artilheiro, consegui falar com ele. O início do diálogo vale muito mais que a matéria publicada e foi mais ou menos assim:

- Oi Romário, tudo bem?

- Tudo.

- Queria falar contigo para pegar um depoimento seu para a revista especial da Placar com os melhores jogadores do Vasco de todos os tempos. Você recebeu o fax que enviei pra você?

- Recebi.

- E o que você achou da escalação dos 11, da sua presença entre tantos jogadores históricos do Vasco? (lembrando que até então, Romário só havia jogado no time principal do clube cruzmaltino, de 1985 a 89, com conquista do bicampeonato carioca de 87 e 88)

- Não achei nada, eu não estou no time.

- Como não está, é por isso que o procurei e mandei o fax, tem a escalação aí: Barbosa... Jorge... Ademir Menezes, Roberto Dinamite e você.

- Ah, eu?

- Sim, você (não lembro se cheguei a dizer, mas poderia ter frisado: "Sim, você é você, ninguém mais!")

Daí em diante ele se soltou e foi muito simpático até.

A matéria você encontra clicando aqui.

Este trabalho para a Placar, aliás, rendeu outra ótima história de bastidores, com o ex-lateral-esquerdo Jorge, que fez parte do Expressinho do Vasco nas décadas de 40 e 50, mas esta conto em outra oportunidade.

Reprodução da revista Placar

Veja também:
"Contos da Bola" está de volta a campo
O dom de jogar bola e o Bolero de Ravel
Reinaldo, o rei do Galo mineiro   

quarta-feira, 12 de maio de 2021

"CONTOS DA BOLA" É UMA CAIXINHA DE 19 SURPRESAS

 

Dizem os antigos - e virou há muito um clichê - que o futebol é uma caixinha de surpresas. Pois em Contos da Bola você terá 19 oportunidades para se surpreender, com histórias que farão você rir, se emocionar, se identificar, refletir, questionar, recordar (é viver!)...

O livro está em campo na Livraria da CartolaAmazonAmericanasSubmarinoShoptimeMercado LivreMagazine Luiza e Casas Bahia.

Em breve estará disponível também o livro virtual (ebook).

Veja também:
Elogio ao futebol
Devotos do dinheiro

segunda-feira, 10 de maio de 2021

"CONTOS DA BOLA" NA CAPA DO PORTAL "MAISPB"

No sábado passado, dia 7, tive mais uma ótima notícia vinda do Nordeste, desta vez da Paraíba, terra natal de grandes artistas que tanto admiro como Ariano Suassuna, José Lins Do Rego, Walter Carvalho, Zé Ramalho, Elba Ramalho, Geraldo Vandre, Jackson do Pandeiro entre tantos outros, e no mundo da bola, terra do Maestro Júnior e Mazinho  (ex-Vasco e seleção campeã em 94) e outros. Por intermédio do jornalista Kubi Pinheiro, do portal MaisPB, tive o imenso privilégio e a alegria de  ocupar com o livro Contos da Bola a seção Entrevista MaisPB,  mesmo espaço em que já estiveram Gal Costa, Alceu Valença, Marina Lima, Adriana Calcanhotto, Jards Macalé, Nana e Dori Caymmi, Marcos Valle, Roberto Menescal, Fabrício Carpinejar etc. 

Foi sem dúvida uma das melhores entrevistas que já concedi e a que mais tive a oportunidade de expor como encaro o meu ofício de escritor, especificamente o trabalho que realizei para criar Contos da Bola. E também fazer algumas revelações sobre minha vida pessoal, da infância à vida adulta, desde a minha paixão pelo futebol, como pelo teatro, a literatura, as artes em geral, a experiências no jornalismo.

Minha gratidão eterna a Kubi Pinheiro (e também ao Portal MaisPB), pela generosidade das palavras, das perguntas, do espaço e do trato comigo. Caso queria ler a entrevista completa, é só clicar aqui.

O livro continua à venda na Livraria da CartolaAmazonAmericanasSubmarinoShoptimeMercado LivreMagazine Luiza e Casas Bahia. Em breve estará disponível também o livro virtual (ebook).

Veja também:
Reencontro
"Sutilezas", amor, paixão e surpresas 
Setenta vezes Maracanã
"O negro crepúsculo", um livro muito bem recomendado
"O negro crepúsculo" em destaque na mídia
"Profano coração" está de volta

quinta-feira, 6 de maio de 2021

A CORRIDA DA MORTE NO "JORNALISMO"

Foto originalmente publicada no site "Brasil Escola", do UOL

Para começar e não deixar qualquer sombra de dúvida com relação à minha posição: o Jornalismo é fundamental. Ainda mais nos dias de hoje, neste país. Não fosse o Jornalismo (assim, com letra maiúscula), a boiada inteira já haveria passado com madeira ilegal no lombo, os equinos do poder estariam ainda mais despudorados e a cloroquina com agrotóxicos proibidos em várias partes do mundo estariam nas refeições diárias de quase todo brasileiro.

Paulo Gustavo
Dito isso, vamos ao que me trouxe aqui: a antecipação da morte de Paulo Gustavo publicada em alguns sites na tarde da última terça-feira (04/05). A sanha de querer ser o primeiro a dar uma informação, mesmo que segundos antes de um concorrente, nas ávidas mãos de maus jornalistas ou pseudojornalistas não respeita nada, nem ninguém, só a sua própria vaidade. Furo jornalístico neste caso não existe, ainda mais sabendo-se que a notícia da morte de alguém tão famoso como o comediante, já com sua saúde em estado muito grave, correria com a velocidade da luz. E foi o que ocorreu em alguns veículos, só que na hora errada.

O debate - importantíssimo - sobre este fato, começou num grupo do whatsapp do qual participo ainda no fim da tarde de terça, horas antes do falecimento de Paulo Gustavo, porque já se confirmara a barriga (como no meio jornalístico se chamam, ou se chamavam, as falsas notícias publicadas por erro de apuração. fake news é outra coisa, crime inclusive). Em virtude disso, lá mesmo, um dia depois, contei duas histórias que vivenciei de formas diferentes com o objetivo de ilustrar o debate.

Zuenir Ventura
Comecei pela mais recente, embora já tenha mais de 20 anos isso. Eu trabalhava no Globo Online, nos primeiros anos de internet no Brasil (segunda metade dos anos 90), quando alguém disse que a Agência Estado estava noticiando a morte de Zuenir Ventura. Acho que foi em 1998 ou 99 isso. Houve um corre-corre natural, acredito que na redação do jornal também tenha ocorrido, mas naquela época estávamos em outro prédio e não deu para ver, saber. Mauro Ventura, creio que na época colunista do Jornal do Brasil, ficou desesperado, até porque não conseguia falar com o pai. Tinha estado no mesmo dia com ele num debate, palestra ou seminário e depois cada um seguira seu rumo. Ressalte-se que celulares naqueles tempos eram aqueles tijolões que nem tantos possuíam e nem sei se o Zuenir tinha, acho que não.

No fim, soube-se que o (ou a) repórter que deu a "notícia", confirmou a informação que recebera de alguém com a empregada da casa do Zuenir. Nem sei se existia essa empregada, se ele (ou ela) ligou para o número certo (muitas vezes liga-se para um e cai em outro, até hoje, com toda tecnologia existente), nem sei como foi a abordagem. Só sei que na pressa (não confundir com velocidade), no afã de dar o furo, deu-se uma barrigada estrondosa. Zuenir continua vivão, na ativa e completa 90 anos em 1º de junho.

Renato Russo
A outra foi sobre a morte do Renato Russo, em outubro de 1996. Quem primeiro deu a notícia foi a Agência O Globo, onde eu trabalhava desde janeiro de 95. Minha amiga Valéria Rehder foi a  responsável pelo furo jornalístico. Eu e ela éramos os primeiros a chegar de manhã à Agência, às 7h, num tempo de transição que chamo de Era da Pré-Internet, quando o noticiário em tempo real da agência, 99,9% de Economia e Política, funcionava de 9h às 17h (o mesmo do mercado financeiro) e só era recebido por quem adquirisse o pacote da Agência. O assinante tinha direito a um computador específico para poder ter acesso às informações em tempo real. 

Pois bem, Valéria recebeu um telefonema bem cedo de algum amigo ou amiga em comum dela e da família do Renato Russo com a notícia de que o cantor e compositor da Legião Urbana falecera. Era fonte fidedigna, não tinha erro, mas ela não abriu a agência antes do horário (como ocorria quando acontecia algo extraordinário) enquanto não conseguiu o telefone da casa do Renato Russo ou de algum familiar e confirmou a informação dada por uma pessoa identificada da família. Ainda assim, mesmo eu dizendo que ela não devia temer nada, pois tinha feito tudo corretamente, ainda nervosa, abriu a agência antes do horário regulamentar, como mandava o protocolo, e publicou a notícia.

Mais nervosa ficou e eu também fiquei bem apreensivo quando avistamos Ali Kamel, então ocupante dos cargos mais altos do jornal, vindo como uma seta do outro lado da redação (a equipe da Agência O Globo ficava no fundo da antiga redação em L do jornal, na pequenina Rua Irineu Marinho 35, atrás das editorias Internacional e Segundo Caderno. Para quem conheceu, ficava no lado oposto ao da  lanchonete da redação). Naquele momento, alguns outros companheiros já haviam chegado para trabalhar. A cara do Ali era a mais séria possível e ele perguntou: "Quem deu a notícia da morte do Renato Russo?" Valéria se "acusou". Ele fez mais duas ou três perguntas de como tinha sabido e apurado. Ao ouvir as explicações, disse, mais seco que o mais árido dos sertões: "Parabéns!". Deu às costas e voltou para o seu aquário (as salas de vidro onde trabalhavam os peixões, ou seja, os editores).

Ressalto que o (ou a) repórter do Estadão, que nem sei quem foi, pode ter aprendido a lição e ao longo da carreira se recuperado do erro que cometeu. Inexperiência pode ser uma das causas. Porém, tudo isto - e muito mais - só prova que o Jornalismo não é, não pode ser, para qualquer um.

Veja também:
A melhor propaganda de todos os tempos
A propósito do jornalismo, o que tenho eu a dizer
O jornalismo em questão
A mídia bizarra
A midiotização

terça-feira, 4 de maio de 2021

O JOGO NÃO COMEÇA, NEM ACABA COM O APITO DO JUIZ

Alguém já deve ter dito isto, mas como ser inédito em matéria de futebol após mais de um século e meio de bola rolando é quase impossível, ouso não ser original: uma partida não se resume aos 90 minutos regulamentares, nem incluindo seus acréscimos, prorrogação e pênaltis, se houver. Um jogo de futebol, ainda mais aqueles mais importantes, começam muito antes do apito inicial e, em alguns casos, nunca terminam.

Pelé se prepara para fazer o gol da vitória sobre o Paraguai, nas eliminatórias da Copa de 70,
no Maracanã. Nesta partida registrou-se o maior público pagante da História do estádio: 183.341

E isso vale não só para os artistas do espetáculo, o trio de arbitragem, comissão técnica dos times, toda a gama de pessoas envolvidas dentro dos clubes (até um terceiro, um quarto ou mais interessados direta ou indiretamente no resultado) e seus torcedores (e os fãs dos demais times atentos por motivos objetivos e subjetivos). Talvez, ou melhor, certamente ainda se possa acrescentar pessoas que nem querem saber do jogo, mas são parentes, amigos, familiares, colegas de trabalho de alguém tão ligado naquela partida que de alguma forma influirá no humor (mau ou bom) de quem estiver por perto.

A carga de emoções levadas a campo é inimaginável. Etéreas, muitas; palpáveis até, algumas. O Sobrenatural de Almeida, personagem-fenômeno genialmente criado por Nelson Rodrigues, explica muito, sintetiza o que desejo abordar aqui, pois o inusitado, o inesperado, enfim, o sobrenatural pode explicar os acontecimentos, os gols e não-gols que determinam o resultado final de uma partida de futebol. Explicar não é bem o termo, mas induzir a algum entendimento, a uma lógica, a uma ordem que contém tantas variantes físicas, emocionais e espirituais que fica impossível alcançar os reais ou surreais motivos do placar final, e todo andamento, a influência de um montinho artilheiro, de um efeito na bola, do erro do árbitro (mesmo com auxílio do VAR), do frango, da desatenção mesmo em disputas tão tensas etc.

Expectativa, desejo de consagração, sonhos, realização, alegria, explosão de emoções, lágrimas, vida. Lágrimas de vida! 

Apreensão, desejo de revanche, frustrações mal resolvidas, mal digeridas, ódio, violência, choro, morte. Choro de morte!

Futebol.

Quantos ancestrais e antepassados de cada um dos milhões de envolvidos num jogo também não participam de alguma forma dentro e fora de cada indivíduo, influenciando no campo e fora dele, no andamento, nos acontecimentos de uma partida? Não citei jornalistas, radialistas, locutores, repórteres, comentaristas. Pois é, ainda tem mais estes. E maqueiros, funcionários do estádio e dos clubes...

Definitivamente, uma partida de futebol é muito, muito mais que um jogo de 11 contra 11 que se desenrola dentro das quatro linhas do gramado, com um árbitro e dois bandeirinhas. Como iniciei dizendo, começa muito antes e, em alguns casos, continua sendo jogado, arbitrado, comentado, criticado, exaltado, modificado, reinventado.

Veja também:

Um ótimo exemplo é aquele Brasil x Itália do dia 5 de julho de 1982. Quantos "se", dos mais diversos, originais e repetitivos, você já ouviu sobre aquele jogo? Aquela - que continua sendo eternamente esta - é uma partida que me marcou profundamente e não falo só por mim, claro. Porém, como é talvez o jogo marcante de toda uma geração, da minha geração, não podia deixar de contá-lo num livro. E, em "Contos da Bola", o "5 de Julho de 1982" é apenas uma outra versão da mesma história tantas vezes contada, recontada, adaptada, das mais variadas formas.

Neste caso, o do livro, ali estão cinco garotos, mais a mãe e o tio de um deles, vivendo todas as emoções daquela derrota que se tornou "tragédia". Uma pequena pausa para um desvio rápido de rota: curioso que as "tragédias" no futebol brasileiro sempre foram caracterizadas por jogos perdidos dramática e milimetricamente, em que um, dois, três, poucos lances são lembrados, relembrados, remoídos com os tais "se" (a bola tivesse entrado, o goleiro defendido, o juiz marcado pênalti etc), enquanto um escandaloso 7 a 1 não passe de piadas, embora também lembradas, relembradas e remoídas.

Mas, voltando a 82 e ao livro, como ocorreu com muitos meninos (e meninas também, claro), aqueles cinco tiveram de dar um jeito de prosseguir o jogo depois do apito do árbitro israelense Abraham Klein. E continuam retomando em suas memórias, vez por outra, as sensações e as recordações daquele dia. O futebol nunca mais foi o mesmo, nem aqueles cinco, milhões de meninos (e meninas, jovens, adultos e maduros), depois daquela partida. E ela continua sendo jogada, comentada, criticada, exaltada, modificada, reinventada, inclusive nas páginas de Contos da Bola.

Aproveito para convidar você a ler este e os outros 18 contos do livro. Ele é facilmente encontrado nas seguintes lojas online (clique num dos nomes para ir direto ao site): Livraria da Cartola, AmazonAmericanasSubmarino, Shoptime, Mercado Livre, Magazine Luiza e Casas Bahia. Um time tão bom no papel como no ebook. 

Veja também:

quarta-feira, 28 de abril de 2021

"CONTOS DA BOLA", UM LIVRO PRA SE TIRAR DA CARTOLA

 

Contos da Bola, 19 histórias das mais reles peladas e encarniçados campeonatos de várzea aos grandes clássicos e históricas partidas de Copa do Mundo. Pra quem não gosta de perder nenhum jogo, um livro de tirar o chapéu, ou melhor, pra se tirar da Cartola.


Em breve, também em ebook.

Veja também:
"Contos da Bola": Tino
Maracanã, mais um desrespeito sem tamanho
Minha primeira Copa do Mundo
Das peladas de rua às arenas

quarta-feira, 21 de abril de 2021

PAPO SOBRE DEMOCRACIA E FUTEBOL NA TV GARRINCHA

Na última segunda-feira (dia 19), tive mais uma vez o privilégio de participar do programa Conexão, da TV Garrincha, de Teresina, a convite do apresentador Gilson Caland. Novamente com a participação do jornalista Roberto Jardim, do Democracia Fútbol Club, e de Deusdete Nunes, o Garrincha, criador da emissora, o tema foi "Democracia e Futebol", desta vez contando com um meio-de-campo de primeira: Spencer (ex-Cruzeiro, Atlético-MG, América-MG e clubes mexicanos), Afonsinho (ex-Santos, Botafogo, Olaria, Flamengo, Fluminense) e Nando Antunes (ex-Fluminense, América-RJ, Ceará, Belenenses-POR).

Um pouco das histórias desses três ex-jogadores, que sofreram fora das quatro linhas de formas diferentes o peso das mãos de ferro sujas de sangue da tortura e assassinatos do regime militar no Brasil (no caso de Nando, também em Portugal sob Salazar), você pode conferir no vídeo abaixo ou no YouTube.

Além disso, tive a emoção de ver e ouvir pela primeira vez o jornalista Carlos Said. O motivo você saberá assistindo ao programa.    

Veja também:
Cheiro de chumbo no ar
Encantamento, fanatismo, cegueira
A tropa do horror está no poder
Anti-Luther Kink: a E.E.ra das Trevas 
Brasil, um país que cresce sobre frágeis alicerces

sexta-feira, 16 de abril de 2021

"CONTOS DA BOLA" VAI GANHANDO TERRENO

Na postagem anterior, listei os primeiros espaços que o livro "Contos da Bola" já havia conquistado na mídia em suas primeiras semanas pós-lançamento pela Cartola Editora. Como não joga parado em campo e o time aqui é muito ofensivo, surgiram outras ótimas notícias, tanto na área da Comunicação, quanto no departamento de Vendas. Já divulguei nas redes sociais muitas elas, mas vou reuni-las aqui para quem quiser ter uma noção melhor do quanto este livro tem conseguido e o quanto pode ir além para chegar a você.

Logo na abertura do programa Redação SporTV do dia 8, Marcelo Barreto mostrou o livro e fez alguns comentários, como você pode conferir no vídeo abaixo.
   

Um dia antes, Contos da Bola tinha sido destacado no site "Terceiro Tempo", do apresentador de TV e radialista Milton Neves. E ganhou divulgação nas redes sociais do grande comentarista Mauro Cezar Pereira, durante esta semana.

Como se não bastasse, para minha grande surpresa e alegria, na terça-feira, dia 13, fui procurado pelo repórter Toni Assis, do jornal O Estado de S.Paulo, para uma entrevista, que foi publicada ontem (15) no portal de um dos mais importantes jornais do país. A matéria também está no site da revista IstoÉno Terra; no MSN; no Bem ParanáDiário do Sudoeste e Jornal do Oeste (de Toledo), do Paraná, e na Folha Vitória, do Espírito Santo.

Também houve matérias publicadas nos portais OCP News e Avante Esportes, de Jaraguá do Sul (SC), e no site O Guaruçá, de Ubatuba (SP). Só uma correção com relação aos dois primeiros é que não sou catarinense, nasci no Rio de Janeiro, onde morei até próximo de fazer 53 anos, em 2019.

Na área comercial também há ótimas novidades. Além da Livraria da Cartola, você agora já encontra Contos da Bola na Amazon, Submarino, ShoptimeMercado Livre, AmericanasMagaline LuizaCasas Bahia e Umlivro.com.br. Em muito breve, o livro estará em outras lojas online e também disponível na versão digital (ebook). Muito obrigado a todos pelo apoio e o carinho.

terça-feira, 6 de abril de 2021

"CONTOS DA BOLA" ESTÁ NA REDE

O lançamento do livro Contos da Bola, pela Cartola Editora, graças ao patrocínio de 25 pessoas, não está com o placar em branco na mídia. Vários sites já publicaram matérias sobre o livro e eu também não poderia deixar de citá-los e dar o meu muito obrigado, é claro. 
Abaixo listo os veículos, basta clicar em cima do nome para ser direcionado diretamente à página da publicação sobre Contos da Bola. E vem muito mais por aí!


O livro foi mostrado e comentado também no programa No Mundo da Bola, da TV Brasil, na noite de 4 de abril, pelo apresentador Sérgio du Bocage, que é homenageado no livro emprestando seu sobrenome a um personagem. No dia seguinte, concedi uma entrevista ao radialista Jorge Ramos, apresentador do programa Painel, da Rádio Roquette Pinto.

Se você clicar na capa aí acima ficará de cara pro gol para adquirir o seu livro na Livraria da Cartola. Em breve, Contos da Bola também em ebook em lojas online como Submarino, Amazon, Lojas Americanas e outras.

terça-feira, 30 de março de 2021

CONTOS DA BOLA: TINO


Você sabe por que o artilheiro Tino, personagem de Contos da Bola, é comparado a Mimi Sodré, lendário craque do Botafogo do início do Século XX? Não? Lendo o livro você vai saber. Clique aqui para adquirir o seu exemplar.

Para quem está curioso, adianto, sem entregar o jogo, que a história de Tino é bem divertida e dramática. Foi criada sem qualquer referência ou inspiração específica, pois só descobri que Mimi Sodré tinhas as mesmas características que pus em Tino quando já havia escrito a primeira versão do conto há alguns anos.

Aos poucos vou fazendo comentários curtos sobre os 19 Contos da Bola. Qualquer pergunta que queira fazer sobre o livro, as histórias, minha relação com o futebol ou qualquer outra é só pôs nos comentários abaixo. Peço somente que se for escrever como Anônimo, assine o texto. Agradeço desde já todo apoio e o carinho de quem já comprou e, principalmente, já leu o livro.


quarta-feira, 10 de março de 2021

MARACANÃ, MAIS UM DESRESPEITO SEM TAMANHO

Não bastasse ser destruído por dentro, ter sua alma arrancada no início da década passada, o Maracanã passa por nova tortura. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou ontem (9/3/2021) em regime de urgência (o que por si só já é um completo descalabro, como se não vivêssemos problemas muito maiores no país, em especial no mais que maltratado Rio de Janeiro) a troca do nome do estádio de Mario Filho, que permaneceria com seu nome ligado ao complexo inteiro, pelo de Pelé. Não que Pelé, o personagem criado para e por Edson Arantes do Nascimento que se tornou o maior jogador de futebol de todos os tempos não mereça homenagens e não tenha qualquer ligação com o Maracanã, muito pelo contrário. Porém, é um completo desrespeito com Mario Filho, o Criador de Multidões, como bem o apelidou seu irmão Nelson Rodrigues.

Para quem não sabe, Mario Filho foi o maior defensor da construção do estádio para a disputa da Copa do Mundo de 1950, incluindo uma campanha no Jornal dos Sports, que dirigia à época e onde tive o privilégio muitos anos depois de trabalhar em quatro oportunidades (1990/91, 94, 97 e 2002/03). Um povo que desconhece e, pior, desrespeita a própria História está fadado a definhar. É o que temos visto nas últimas muitas décadas no Rio, em particular, no Brasil, em geral. Infelizmente.

Capa do Jornal dos Sports em 17 de junho de 1950

Minha ligação com o antigo Maracanã já é bem conhecida por quem acompanha este blog (é só ver algumas postagens lá embaixo). E aquele lugar que em determinado momento de minha vida cheguei a dizer que era a minha segunda casa (com certo exagero, admito) inevitavelmente acabou se tornando um personagem fundamental em vários dos Contos da Bola, livro que estou relançando pela Cartola Editora. Mas o que está nas páginas que você certamente terá em mãos (seja em papel ou em algum dispositivo eletrônico) é o maior e mais emblemático estádio do mundo, não a arena ou ginásio gigante em que se transformou a partir dos anos 10 deste século.

É muito triste saber de mais esta marretada no Maracanã. Parodiando o título de um livro de Jorge Amado, é a morte e a morte do Maracanã. Antes, destroçaram sua alma, concretamente. Agora, simbolicamente.

Veja também:
Setenta vezes Maracanã
Templos e espetáculos
Adeus, Maracanã
Reencontro

sexta-feira, 5 de março de 2021

"CONTOS DA BOLA" ESTÁ DE VOLTA A CAMPO

Com uma capa que é um verdadeiro manto sagrado, como todo aquele que se veste com muito orgulho e paixão, Contos da Bola entra em campo! Já à venda na tradicional versão em papel na Livraria da Cartola, em muito breve estará também na Amazon, Lojas Americanas, Submarino e outras com a opção do formato digital (ebook).

Embora a criatividade seja uma característica das mais valorizadas por torcedores e comentaristas esportivos, quando o futebol sai dos campos para as páginas, na maioria das vezes trata muito mais a bola com o pragmatismo dos fatos do que fazendo as jogadas lúdicas da ficção. E foi em tabelinha com a imaginação, até para misturá-la com episódios verídicos, alguns históricos para o futebol brasileiro e até mundial, que escrevi este livro, originalmente publicado apenas na versão digital, em 2018.

Contos da Bola traz 19 histórias que abordam os mais diversos ambientes e personagens do futebol. Com Contos da Bola o autor já soma quatro livros, sendo este o primeiro a viajar por grandes finais, jogos decisivos, peladas de rua e jogos entre times de bairro inesquecíveis e campeonatos de várzea que só existem nas páginas desta obra.

Na apresentação do livro, listo os locais que me inspiraram a criar as 19 histórias relatadas com dramaticidade, humor e muitas vezes pondo personagens fictícios em situações inusitadas dentro de fatos históricos:

“As experiências vividas em peladas de rua, no colégio, em campinhos de terra ou (pouca) grama ou mesmo no quarto ou na sala de casa; em “jogos contra” nos mais variados campos e quadras; nas arquibancadas, geral, cadeiras e tribuna de imprensa do Maracanã e de outros estádios, alguns bem acanhados; nas redações; na cobertura jornalística in loco de tantas partidas, das menos importantes a grandes decisões, e a – permitam-me – fértil imaginação fizeram a criança crescer e se desenvolver para finalmente entrar em campo”.

Clique aqui para adquirir “Contos da Bola

O prefácio é assinado pelo meu amigo jornalista, radialista e escritor Alexandre Araújo, do consagrado grupo Pop Bola.

“Habilidoso, criativo e dono de uma visão de jogo digna de um camisa 10, neste “Contos da bola”, Eduardo Lamas deita e rola em divertidos e fantásticos “causos” do futebol, tabelando de primeira com o leitor”.

Espero que você se divirta e se emocione muito!

Para terminar, por enquanto, preciso fazer um agradecimento mais que especial a todos os que contribuíram decisivamente para a publicação deste livro. São os apoiadores que investiram neste meu projeto, no ano passado, quando foi lançado o financiamento coletivo pela Cartola na Catarse. Muitíssimo obrigado, sem vocês, nem este texto poderia ser publicado. Em ordem alfabética, os patrocinadores de Contos da Bola abaixo:

Alexandre Cesaroni de Almeida, Amanda Pascoal Carneiro, Andre de Carvalho Machado, André Ferreira Costa, Benjamim Francisco Silva, Bruno da Cunha Lobo, Camila Soares Lippi, Daniel Miquelon, Denise de Oliveira, Diego Lucas de Castro, Dinei Júnior Rocha do Nascimento, Ecio Pedro, Gabriel Gontijo, Geraldo Cavalcante, Gustavo José Santos de Almeida, João Arthur Rezende, John Lennon Monteiro Joaquim, Jorge Jose Nassar Junior, José Guilherme Neuenschwander, Jose Paulo da Rocha Brito, Lidia Marina Hurovich Neiva, Luander Barros, Luciano Terra, Manoel de Mello Júnior, Miguel Mendes, Mila Ramos, Phelipe Caldas e Sergio Ricardo de Vasconcellos Dias.

Veja também:
Papo reto sobre o meu trabalho
Agradecimento
"Sutilezas", amor, paixão e surpresas
"Profano coração" está de volta
"O negro crepúsculo", um trabalho de 11 anos

quinta-feira, 4 de março de 2021

VOCÊ PODE FINANCIAR A CULTURA E O ESPORTE A CUSTO ZERO, SABIA?

Normalmente neste blog, no ar desde março de 2008, publico apenas textos meus, muitos sobre o trabalho de outros artistas, e divulgo meus livros e projetos. Desta vez, porém, resolvi reproduzir abaixo uma mensagem que recebi num grupo de whatsapp sobre algo que havia me esquecido, mas que é de suma importância para dois setores que geram muita diversão, reflexão, saúde mental, física, emocional e espiritual e renda. 

Pois bem, segue abaixo, portanto, um aviso importantíssimo para os profissionais da Cultura e do Esporte, ainda mais neste momento em que já se completou um ano de Covid-19 no Brasil e as infecções e mortes vão aumentando vertiginosamente e restrições cada vez mais duras serão inevitáveis. Inevitáveis!

Pouca gente sabe, mas as Pessoas Físicas que pagam Imposto de Renda pela Declaração Completa, podem investir até 6% do IR Devido em Cultura e também 6% em Esporte.

O valor é deduzido ou restituído na declaração. Ou seja, não há gasto!

Cabe a todos nós nos envolvermos em uma ampla campanha de divulgação para sensibilizar as pessoas a incentivarem a Cultura e o Esporte, duas áreas da economia que vivem uma grave crise.

Cultura e Esporte são verdadeiras fontes de emoção, prazer, entretenimento e qualidade de vida. 

Vamos virar esse jogo!

Afinal, investir em Cultura e Esporte é uma atitude legal, inteligente e cidadã!

Contamos com você! 

Veja também:

domingo, 28 de fevereiro de 2021

É COMPLEXO SER VIRA-LATA

Caro Nelson, muito o admiro, mas preciso discordar e, neste caso pior para os fatos, pois são verdadeiros, basta não taparmos os olhos: nós brasileiros não temos complexo de vira-latas, somos vira-latas, para o bem e para o mal. Para desespero dos puristas, neonazistas e patridiotas, não temos raça pura, somos plena mistura. E, prezado Mario, a quem também muito respeito, muitos de nós temos caráter, mas não somos heróis, ao contrário dos macunaímas e de falsos mitos, desculpem a redundância.

Somos brasileiros e não aprendemos nunca. Mesmo com todas as evidências e avisos, só agimos com a casa arrombada ou o barco furado. Em muitos casos, nem assim. Afinal, é mais fácil se recusar a enxergar a realidade quando não nos é favorável. Escolhemos o imediato e o mais fácil, rejeitamos precaução, planejamento, organização e o necessário, ainda mais se for dar muito trabalho ou o incerto resultado ficar muito longe do palmo à frente do nariz. 

"Estamos todos no mesmo barco furado"


Os canalhas que elegemos a cada eleição estão aí mesmo para nos mostrar quanto de afinidade temos com eles. Uns mais, outros menos, mas não adianta gritar, espernear, estrebuchar, fazer beicinho, estamos todos no mesmo barco furado, onde também está aquela minoria (cada vez menor) que rema e ao mesmo tempo tira água de dentro da embarcação, enquanto outros fingem que nada acontece, comendo sardinha e arrotando caviar, e mais alguns tantos que só fazem alargar os rombos para seu o sádico e bel-prazer.

Veja também:


E, enquanto vamos remando e tapando os buracos deste barquinho, pessoas do mais baixo nível vão se reelegendo para tomar e tornar o comando à deriva, aumentando suas rendas, suas aposentadorias especiais, nefandas pensões para mulheres e filhos etc com verbas públicas (vulgo, nosso dinheiro) dentro de leis imorais e a costumeira imoralidade dos fora da lei. Para piorar, há uma renovação caudalosa e escandalosa para suprir a cada safra os velhacos que se vão.

É verdade que ser vira-lata tem lá algumas vantagens, uma delas é aquela que apelidamos de jeitinho ou jogo de cintura para lidar com as imensas dificuldades com muita criatividade. Somos craques nisso, é só se interessar pela História e as histórias de nosso povo e, principalmente, por nossa vasta e riquíssima Cultura. A grande questão, porém, é que em 99% das vezes os problemas políticos e sociais são criados por nós mesmos, por ação ou inação. E o esforço fica muito maior do que deveria ser.

"Não adianta nem ir para o outro lado do mundo"


Não, não adianta dizer que não tem nada com isso, que não se mistura com gentalha ou com essa elite exploradora e soberba, porque todos, sem exceção, temos afinidades com este mau (e, por outro lado, em muitos casos, bom) jeito de ser. Mesmo os que tentam escapar ou agir diferente. Não adianta nem ir para o outro lado do mundo, tentar se aculturar, porque você vai carregar todo este peso (e também nossas ótimas e péssimas levezas consigo, é inevitável). 

Você aí que gritou o nome de um salvador da pátria qualquer, seja um que já nos arruinou ou aquele outro que nos arruína ou arruinará, é o mais próximo desta má vira-latice toda. Não se iluda. Nem tente, nem tentemos mais, nos iludir.

Veja também:
                                 Quando a pátria fica acima de todos, esmaga também seus adeptos
                                                     Anti-Luther King: a E.E.ra das Trevas


Ah, caro Nelson, para terminar, mais uma divergência profunda, que vai muito, muito além das finas canelinhas das formigas: as mulheres não gostam de apanhar, nem as normais. No entanto, muitas estão começando a pegar o gosto pela agressão e a achar que se não sabem porque estão batendo, quem está apanhando sabe muito bem o motivo. E, pior, tem homens gostando.


Veja também:


Mensagem publicitária

Clique na imagem acima para receber
mais sugestões de leitura.
Quem lê recomenda!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

MÚSICA PRA VIAGEM: ROUPA DO CORPO

Já ouvi pelo menos três versões com arranjos diferentes desta música com o próprio Filipe Catto e, embora minha vontade fosse publicar um vídeo com ele no palco, esta abaixo é para mim a melhor, a original, gravada em seu excelente EP de estreia, Saga, como um samba mais genuíno. Nada de pureza, que isso só existe na cabeça dos hipócritas. 

A primeira vez que a ouvi, e lá se vão já uns oito anos, pensei que fosse uma composição de um daqueles mestres da Velha Guarda carioca. Mas logo me dei conta, prestando atenção na letra, que a narrativa era de uma mulher, então só se fosse do Chico, que é mangueirense, mas não da Velha Guarda de compositores da escola, e do Chico não era. 

A composição é dele mesmo, Filipe Catto, que além de cantar muito bem com uma voz que já fez gente compará-lo a Elis e Ney (tudo e todos têm de ter um espelho ou rótulo?), cria ótimas músicas, como já comentei aqui, há uns anos, sobre o excelente DVD "Entre cabelos, olhos e furacões"

Sem mais delongas, vamos ao que interessa, a música. "Deixei meus trapinhos em cima da cama, fiz tudo ligeiro...".


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

REPARE BEM, MUITO BEM

Quando se deparar com alguém indignado com determinado preconceito ou, pior, discriminação, repare bem se ele quer justiça ou vingança, se deseja equilíbrio nas relações ou que a discriminação troque de lado. 

Preste sempre muita atenção! 

Isso vale pros que se revoltam com a corrupção também. Não são poucos os que reclamam apenas por não estarem sendo beneficiados. Por não fazerem parte da boquinha.

Veja também:
Nina Simone, a Sacerdotisa do Jazz 
Toda solidariedade a Fabiana Cozza
Uma pergunta sobre racismo
Do caos só virá o caos

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #47

Uma coisa jogada com música - Capítulo #46 Garrincha e Pelé, durante a Copa do Mu...

As mais visitadas