Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
Antes de qualquer coisa esclareço: nunca fui usuário de maconha. No máximo inspirei indiretamente a fumaça de centenas em shows e de uns e outros em festinhas, nas quais algumas vezes o cigarro passou de passagem pelas minhas mãos sem nunca chegar à boca. Bebida alcóolica sim, praticamente todos os fins de semana, já há muitos anos.
Posto isso, vou direto à minha opinião sobre o tema, que tem servido para dividir ainda mais a já rachada sociedade moribunda e hipócrita brasileira: sou a favor da liberação da maconha. E por quê? Simples: se a bebida alcóolica é, por que a maconha, muito mais inofensiva a outrem, não seria?
Explico-me: é muito, muito, muito mais fácil você ver ou se lembrar de alguém alcoolizado (e este alguém certamente é alguém bem próximo) ficar agressivo e até partir pra brigas sem que sequer tenha sido provocado. Já alguém que tenha fumado um baseado é bem possível que seja a vítima do alcoolizado ou um troglodita qualquer e nem levante um dedo sequer.
Ambos, maconha e bebida alcóolica além dos limites são casos de Saúde pública e devem ser tratados como tal. Porém, no limite aceitável (e não há como estabelecer quantificação, como desejam legisladores e cidadãos comuns para definir o que é para uso pessoal e o que é para tráfico), o mal se refere apenas à Saúde particular e deve ser uma opção na qual o Estado não deve se meter. Até por permitir, no caso da bebida alcóolica, a sua livre comercialização, com restrição (quase nunca cumprida) a menores de 18 anos.
E por falar em Saúde pública, está mais do que comprovado que a planta cannabis sativa, agente da maconha, pode ser uma importante medicação no tratamento de doenças como Alzheimer e Parkinson, dor crônica e problemas de saúde mental. E o canabidiol ainda é atacado como se maconha fosse.
Deixemos, portanto, as hipocrisias e as gritarias bem de lado, e vamos adiante para o próximo tema bem mais importante para a nossa sociedade, que anda nas últimas e provavelmente ainda vai votar muito mal mais uma vez, no fim deste ano.
Por onde anda Fatima Guedes? Esta pergunta me veio à cabeça num fim de semana recente e a partir disso pegamos, eu e minha mulher, um aplicativo de música no celular para procurar a cantora, que só então descobri ser também compositora, e (re)ouvi-la. E que maravilhas ela compôs e gravou!
Incompreensível é estar tão esquecida. Incompreensível, mas facilmente explicável pela profunda futilidade artístico-comercial que abunda no país do bundalelê.
A música que mais escutei dela no rádio, entre o fim dos anos 70 e 80, só me trazia à memória o refrão "manhã, manhã, manhã...". Mas ao escutá-la novamente percebi, prestando muito mais atenção do que 40 e tantos anos atrás, que era muito mais do que isso, tanto em beleza poética, quanto musical. Melhor, fiquei finalmente sabendo que a composição é da própria Fatima Guedes.
Fiz uma rápida pesquisa, vi que ela está no instagram ainda na ativa, como professora de canto também, e passei a seguir o seu canal no YouTube. E lá descobri também uma dupla que ela fez com Elis Regina, cantando ambas a composição de Fatima chamada "Meninas da cidade", que fez parte do disco de estreia da cantora e compositora, lançado em 1979.
Esta série, iniciada em 2011, apresenta frases, reflexões, pensamentos curtos que me surgem na observação do mundo e da sociedade de uma forma geral. Podem estar inseridos já em alguma obra literária de minha autoria, virem a estar ou simplesmente se limitarem a uma presença única por aqui ou qualquer outro tipo de publicação isoladamente.
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Na Era da Póstuma Verdade, Eis o Ódio a reinar Entre homens e mulheres De todos os matizes, de todos os lados De todas as negações biológicas, Neurológicas, psicológicas
Nesta tribuna de desonra Homens odeiam mulheres Mulheres odeiam homens Homens que se odeiam homens Mulheres que se odeiam mulheres
Todos que odeiam gays Que odeiam humanos Humanos que se odeiam E odeiam animais Florestas, rios, mares e pedras, E apedrejam-se diariamente Para concretar suas absolutas razões Em rebocos e lajes e muros Sem qualquer razão
Insanos, irracionais Só enxergam os infernos Calcinando o outro, a outra, outrem Inventam fatos e palavras E imagens reais, irreais, surreais E nos surram com suas verdades Imaginárias, das tênues linhas Que estão sempre à margem da total loucura De querer, exigir, urrar, espernear Estrebuchar, a esmo atirar Pra reafirmar que se apoderou da razão Da verdade revelada Por seus gurus de estimação.
Gurus de pelúcia com quem dormem E sonham e fazem amor (sem erotismo que é pecado!) Em todas estas noites de plena escuridão.
Estes são os mais recentes versos que compus. Resolvi publicá-los neste blog antes de qualquer livro, por entender que o tema é inesgotável e precisa tocar em certas (muitas) feridas, mesmo sob risco de cancelamentos. Assim, mais uma vez disponibilizo um trabalho meu gratuitamente. Há outros muitos quase gratuitos, vendidos a preços irrisórios, que gostaria que adquirisse também. Fica o recado e o agradecimento antecipado.
A notícia do falecimento de Mário Jorge Lobo Zagallo é o assunto deste sábado. E, apesar de gigantesca concorrência na mídia e nas redes sociais, não posso deixar de fazer um texto em homenagem ao maior vencedor de Copas do Mundo da História do futebol e publicá-lo aqui. Embora tenha diversas divergências com a forma como ele conduziu a seleção em 1974, principalmente, e 1998, é preciso ressaltar sempre o trabalho de 1970, iniciado sim por João Saldanha, mas aperfeiçoado com maestria pelo já bicampeão mundial como jogador, em 1958 e 1962.
Zagallo, que comandava o grande Botafogo do fim dos anos 60, teve sensibilidade e sabedoria para colocar em campo aquela seleção que sacramentou o símbolo do futebol-arte e que é e será lembrado eternamente como um dos maiores de todos os tempos. Para mim, o de 1958 é ainda melhor, simplesmente por ter reunido Didi, Garrincha e Pelé, mas lá estava ele na ponta-esquerda, auxiliando o meio e marcando um dos gols na final contra a Suécia. É impossível não enaltecê-lo.
Os méritos de escalar juntos Jairzinho, Pelé, Tostão e Rivellino são dele, pois com João quem atuava na ponta-esquerda era o meu xará, Edu, um craque, sem dúvida, mas com Riva a composição tática e técnica da equipe ficou ainda melhor. E não ficou nisso, Zagallo ainda recuou o volante Piazza para a zaga e escalou o jovem Clodoaldo para atuar ao lado de Gerson na armação e na marcação no meio-campo.
Quase chovo no molhado, mas é sempre bom destacar momentos gloriosos não só do nosso futebol, mas do esporte como um todo. Como bem escreveu o historiador egípcio naturalizado inglês Eric Hobsbawm em seu excelente livro "A era dos extremos - o breve século XX" sobre aquele timaço de 70: "Quem, tendo visto a seleção brasileira jogar em seus dias de glória, negará sua pretensão à condição de arte?”.
Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Zagallo, em 1990. Foi por um breve período, quando eu iniciava a cobertura diária do Vasco da Gama pelo Jornal dos Sports. Ele era o treinador da equipe e foi demitido após a eliminação da Taça Libertadores da América para o Atlético Nacional, da Colômbia. No pouco tempo, porém, ficou na memória o tratamento cordial.
O gol do Pet
Porém, a maior alegria que tive com Zagallo como torcedor (embora estivesse trabalhando na redação da Agência Lancepress naquele jogo) foi a conquista do tri estadual do Flamengo em 2001. Isso porque quando a seleção conquistou o tri no México eu ainda tinha 3 anos de idade (faria 4 29 dias após a final).
Aquele golaço de falta de Petkovic, aos 43 minutos do segundo tempo da final contra o Vasco, a comemoração alucinada do craque sérvio e o choro de Zagallo ao fim da partida ficarão guardados nos corações e nas mentes dos rubro-negros que viveram aquele dia. "Foi uma verdadeira Copa do Mundo", definiu o Velho Lobo em entrevista ao repórter Janir Júnior, do ge.com, 10 anos depois.
Zagallo no comando do Flamengo na final do Carioca de 2001 (Foto: Hipólito Pereira/Ag. O Globo)
A Zagallo, o futebol e quem ama este esporte que quase sempre resume nossas vidas em campos de grandes estádios ou mesmo em reles peladas em terrenos baldios desde que foi inventado só podem dizer uma palavra: obrigado!
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Germán Cano é o Oscar Schmidt do futebol. Peço desculpas por logo no início deste texto praticamente repetir o que está no título da postagem. É só uma questão de ênfase, pois é de intensidade, continuidade, persistência, obstinação que se trata o que publico aqui e agora.
Cano, hoje, e Oscar, no seu tempo de grande jogador de basquete, são e serão reconhecidos pela obsessão por bola na rede. Para eles nunca houve distância da meta que os impedisse de tentar colocá-la no alvo. Não há medida, nem mesmo equilíbrio preciso para a necessária obstinação de alcançar a plena felicidade de se comemorar um tento.
Saem e saíam por vezes arremates tortos, risíveis, irritáveis até. Porém, não se envergonhar de ter sempre os olhos, a alma, todo o corpo e o espírito entregues inteiramente ao jogo, todo o ser na partida voltado unicamente para a busca incessante pelo objetivo maior, o claro objeto do desejo de todo artilheiro ou cestinha, é o que os distinguem dos demais.
Sim, ambos também doam e doaram a sua cota de sacrifício tático ao time, participando da marcação e permitindo, vez por outra que um companheiro também possa (pudesse) brilhar. Mas isso é um acréscimo quase supérfluo, diante do que representam na memória do torcedor. Como também é mero detalhe o fato de o número 14 estar ligado a ambos.
Tanto pra um, quanto pro outro, o impossível inexiste. E o infinito é alcançável, pois até a linha que normalmente delimita a idade para a prática do esporte pro qual nasceram é elástica e jamais arrebenta. No máximo é guardada para outras lutas da vida quando o momento, o tal infindável, chegar.
Fernando Diniz, técnico da seleção brasileira e do Fluminense. Foto: Getty
Desde que soube que Fernando Diniz havia aceitado a proposta da CBF para ser técnico da seleção brasileira (interinamente ou não, sabe-se lá se Carlo Ancelotti vem mesmo) sem deixar o comando técnico do Fluminense, logo me recordei da comédia de Carlo Goldoni, "Arlequim, servidor de dois amos" ("servo de dois mestres", ou "de dois patrões", dependendo da tradução. Prefiro a que citei primeiro).
Não que este fato seja novidade por aqui, ocorreu seguidas vezes até o fim da década de 70, mas surpreende pelo total anacronismo e também pelas sérias questões éticas que abrangem este acúmulo de cargos no futebol atual, ressaltando que quase sempre convocar um jogador de clube brasileiro é desfalcá-lo em jogos importantes. Ponha-se como atual o das últimas 3 décadas.
Peço licença a você para resumir a primorosa comédia do italiano Goldoni que estreou em 1746. Com o objetivo de comer e viver melhor, Arlequim trabalha ao mesmo tempo para os apaixonados Florindo e Beatriz, que separados pelo destino desejam se reencontrar. Embora achasse que não teria grandes problemas ao aceitar os dois empregos, não são poucas as confusões em que se mete Arlequim, até porque o casal não sabe que ele trabalha para ambos simultaneamente.
No caso de Diniz todos, inclusive os dois patrões, sabem muito bem a quem ele serve. Porém, o técnico também achou que não teria tão grandes problemas acumular o cargo em dois lugares de tão grande importância, porém as trapalhadas num dos empregos, o da seleção, não são poucas.
Claro, não direi jamais que fosse fácil recusar o convite da CBF, que a meu ver nunca deveria ter feito tal proposta (até por ainda crer que Diniz não seja o mais indicado para dirigir a equipe brasileira e por achar que nunca se deveria esperar tanto tempo por outro treinador, por melhor que seja). No entanto, no meu modo de ver, Diniz não resistiu à tentação de ceder a uma ambição.
Voltando ao Diniz, que foi o tema central de dois programas do canal Comendo a Bola dos quais participei recentemente (veja nos vídeos abaixo). Com mais sorte do que juízo nas semifinais contra o Inter, o treinador acabou levando o Fluminense, com merecimento, ao primeiro título continental de sua História e obteve sua primeira conquista de grande expressão na carreira, ao derrotar na prorrogação o Boca Juniors na final da Libertadores. Mas mesmo entre torcedores de seu clube, seu cartaz ainda oscila entre o amor e o ódio.
Na Copa do Brasil, o Flu caiu nas oitavas de final para o Flamengo, um time que acumulou vexames ao longo do ano, inclusive na final do Carioca, quando foi goleado pelo próprio Tricolor, por 4 a 1. E no Brasileiro faz uma campanha medíocre. Sem mais nada a fazer, a não ser cumprir tabela na principal competição nacional (embora a CBF ache que é a Copa do Brasil), agora é ver o que o time de Diniz fará no Mundial Interclubes.
Seu padrão (o que é preocupante, a padronização) de jogo é muito arriscado, mas até bonito de se ver. E, quando tudo dá certo, é de uma eficiência que ninguém põe dúvida. Já quando algo dá errado, ele escala um meio-campo despovoado de atletas e ideias, seu sistema defensivo bate cabeça e do outro lado há um treinador menos medroso que Eduardo Coudet e atacantes mais inspirados que Enner Valencia...
Na seleção brasileira, onde não tem - e não terá - tempo suficiente pra treinar seus jogadores convocados (muitos dos quais apenas medianos, o que acrescenta mais um dado - ou dedo - de crítica ao seu trabalho) a coisa pesa bem mais. E, provando a lógica de que servir a dois amos no mínimo pode trazer muitos problemas, já quebrou dois recordes negativos em tão pouco tempo de trabalho: pela primeira vez a seleção perdeu 2 jogos seguidos nas eliminatórias (com o 1 a 0 para a Argentina aumentou a marca para 3) e também foi pela primeira vez derrotada em casa na etapa de qualificação da América do Sul para uma Copa do Mundo.
Se a peça de Goldoni tinha um estilo teatral renascentista chamado Commedia dell'Arte, Diniz, contratado para fazer, com seu pretenso futebol-arte, a seleção renascer, após tantos fracassos, pode estar simplesmente dando prosseguimento à Tragédia sem Arte inaugurada nos 1 a 7 para a Alemanha, no Mineirão, em 2014.
Sangue e porrada no Maracanã
Entretanto, tragédia mesmo foram as ações e as omissões de CBF e Polícia Militar no Maracanã antes do jogo entre Brasil e Argentina começar. Um show de incompetência e violência que ganhou mundo e envergonharia qualquer sociedade. Porém, a nossa, no atual estágio em que se encontra, parece achar até divertido ou mais motivo para babar seus ódios nas redes sociais e nas ruas contra si e o inferno, ou seja, os outros.
Vou pegar uma carona com o recente lançamento da série "A mão do Eurico", do Globoplay, pra contar uma história curiosa que vivi com Eurico Miranda e que pode surpreender muita gente. O fato ocorreu em 1991, quando eu era um dos repórteres do Jornal dos Sports que cobriam o dia a dia do Vasco e Eurico, o vice-presidente de futebol do clube.
Éramos três setoristas no Vasco para escrever matérias sobre o clube que ocupasse, juntamente com as fotos, uma ou duas páginas diárias no Cor de Rosa, num tempo em que a área impressa de uma página standard de jornal tinha a largura de 33cm (atualmente é de 29,7cm, por 56cm de altura).
Pela manhã, normalmente quem ia a São Januário ou onde o time estivesse treinando era o saudoso Eliomário Valente, que já deixava boa parte do trabalho feito. À tarde íamos eu e Virgílio Neto, que na época assinava Sebastião Virgílio.
Numa tarde provavelmente posterior a dia de algum jogo do Vasco, Virgílio devia estar de folga ou cobriu a do Eliomário pela manhã, pois fui só fazer o meu trabalho em São Januário. Como o jornal fecharia mais cedo, não haveria tempo pra que eu saísse do clube e voltar pra redação escrever as matérias. Então tive de passar o que apurei pelo telefone (discado!) da sala de imprensa pra algum redator redigi-las (em máquinas de escrever!).
Depois de tudo passado, pedi ao redator que pedisse ao chefe de reportagem (José Luiz Laranjo, Sérgio du Bocage ou o saudoso Marcelo Reis) que mandasse um carro do jornal me buscar. E pus-me a esperar. Como demorou, liguei novamente pra redação e me informaram que o carro já estava a caminho. Pus-me novamente a esperar. Esperar...
Já estava com cara de cachorro abandonado no hall de entrada do estádio quando surge Eurico Miranda. Ele se surpreende com minha presença ali naquele horário e me pergunta:
- Ainda está aí?
- Sim, acho que o jornal se esqueceu de mim.
- Está indo pra onde?
- Moro no Grajaú, mas o carro do jornal me levaria pro Centro (onde ficava a sede do jornal).
- Vamos lá que te dou uma carona até o Centro. Se eu fosse pra casa do Angioni (Paulo, supervisor do Vasco na época, atualmente diretor executivo do Fluminense) te levaria em casa.
Aí quem se surpreendeu fui eu. Não que tivesse algum problema pessoal com ele, mas é que jamais imaginei que um dia ganharia uma carona do Eurico. E ainda fiquei sabendo que o Paulo Angioni morava no mesmo bairro que eu, informação que pra nada serviu, apenas pra ter certeza um tempo depois que foi mesmo Eurico que passou por mim de carro numa rua do Grajaú.
Estávamos a alguns meses da eleição que seria realizada no início do ano seguinte e que manteria Antônio Soares Calçada na presidência por mais três anos (foram 18 ao todo, de 1983 ao início de 2001, quando foi substituído justamente por Eurico). Aproveitei a oportunidade de estar a sós com ele pra fazer perguntas sobre se pensava em se candidatar, quem apoiaria etc. E assim já teria matéria apurada pro dia seguinte.
Normalmente ríspido e ou sarcástico no trato com os repórteres de rádio e jornal (os de TV só apareciam esporadicamente) que frequentavam quase que diariamente o clube, Eurico, depois da generosidade de me oferecer a carona, mostrou-se simpático nas respostas, um lado que certamente poucos conheceram. Tive esta sorte. Pelo menos naqueles 20 ou 30 minutos entre São Cristóvão (hoje, bairro Vasco da Gama) e o Centro do Rio.
Quatro dias após publicar este relato acima, pesquisei com calma e encontrei a matéria que escrevi pro Jornal dos Sports. Ela foi publicada no dia 24 de agosto de 1991. Veja abaixo:
Sim, tenho ciência E tranquila consciência De que é preciso Ter em certas ocasiões Certificados, certificações Mas que também é Impreciso, porém necessário E muito desejável Diversas imprecisões
Pois que pra cura não tem remédio
Pra quem quer remediar a vida
E viver remendando marcas e feridas
Com fármacos, pílulas, silicones,
Tonificantes, suplementos, Com pequenas ou fortes dosagens
Pois é claro e evidente
São apenas miragens, paisagens
Superficialidades aparentes
Evidentes aparências
Com futuras e graves consequências
E são loucos devaneios
Sem qualquer resquício de pudor
Lagos, rios, pássaros, mares,
Flores, árvores e suas folhagens
Tudo o que se exibe todos os dias
A quem quer ver, ouvir, sentir Sua incomensurável e divina beleza
Em janeiro do ano passado, quando o Globoesporte.com publicou matéria sobre a estreia de Edmundo nos profissionais do Vasco, 30 anos antes, resolvi procurar novamente a matéria que fiz com ele para o Jornal dos Sports, quando ele ainda era júnior do clube cruzmaltino. Já havia feito esta pesquisa anteriormente, mas não havia encontrado, porém consegui achá-la.
Escrevi logo a seguir um esboço deste texto com o link da matéria e o deixei arquivado com a intenção de para publicá-lo aqui poucos dias depois. No entanto, por algum motivo que não me recordo, adiei por mais tempo que o planejado.
E por que voltei a ele agora? Porque na semana passada, quando fui cortar o meu cabelo, Sandro, o barbeiro que me atende desde o início deste ano, me perguntou se eu já havia entrevistado Edmundo, porque ele já havia cortado o cabelo do Animal na época em que o atacante jogou pelo Figueirense, em 2005. Então contei a história completa para ele.
Fiz a entrevista, em São Januário, com o auxílio do então responsável pelas categorias de base do Vasco, sr. Darcy Peixoto, em 27 de agosto de 1991, uma segunda-feira, dia posterior a um Vasco x Botafogo, pelo Campeonato Carioca daquele ano, em que na preliminar de juniores, Edmundo fez um gol espetacular, no fim do clássico vencido pelo sub-20 vascaíno, por 3 a 0.
Embora fizesse a cobertura do Vasco, juntamente com Virgílio de Souza e o saudoso Eliomário Valente, naquele domingo estava de folga, mas resolvi ir ao velho Maracanã apreciar o bom futebol e cheguei um pouco mais cedo para assistir a um pedaço da preliminar. E dei muita sorte. Além do golaço de Edmundo, que não sabia quem era e que só entrou em campo no segundo tempo, no primeiro jogo daquela tarde, o jogo principal teve seis gols: Vasco 3 x 3 Botafogo.
Não sei se foi a primeira entrevista de Edmundo a um jornal, mas certamente é uma das primeiras. E já naquele tempo ele demonstrava a sua personalidade, ao dedicar ironicamente o seu golaço ao então diretor de futebol amador do Botafogo, que segundo o atacante, não fez força alguma para que ele continuasse no clube da estrela solitária.
A matéria foi publicada no dia 28 de agosto de 1990, na metade inferior da página do Vasco, sem assinatura, e se você tiver curiosidade de vê-la, é só clicar aqui ou na imagem da página do JS (montagem) abaixo.
Não vi absolutamente nada em lugar algum, o que não quer dizer que ninguém tenha se lembrado, mas em fevereiro deste ano completou-se 40 anos da despedida deste mundo de Karen Carpenter, uma das mais belas vozes da História da Música. Descobri isso no sábado ao selecionar músicas dos Carpenters num desses serviços de streaming para ouvir com minha mulher e ela decidir pesquisar quando Karen havia falecido.
A cantora, compositora e baterista (sim, ótima baterista também!) faleceu de anorexia um mês antes de completar 33 anos de idade, mas deixou aos corações apaixonados e partidos de minha geração e outras tantas anteriores e posteriores uma legião gigantesca de fãs. Prefiro, no entanto, não me prender ao romantismo de letras e músicas, mas me reportar especialmente à grande sensibilidade, beleza e técnica da cantora.
A facilidade com que Karen sai (sim, sai, sua voz permanece viva, muito viva) do agudo para o grave e vice-versa não só traz admiração pela facilidade, quase sem esforço algum, como pela elegância. Por isso, optei aqui por "This masquerade", de Leon Russell (e pelo mesmo motivo poderia ter escolhido "A song for you", do mesmo compositor e tecladista), em vez de seus maiores sucessos "Please, Mr. Postman", "Close to you", "I need to be in love", "We've only just began", "Rainy days and mondays", entre outros que embalaram nos anos 70 as festinhas da minha infância e pré-adolescência na Rua Canavieiras, Grajaú, zona norte do Rio de Janeiro.
Portanto, sugiro a você que vai ouvir "This masquerade" aqui comigo, nesta versão espetacular dos Carpenters - pois não podemos nos esquecer de Richard, o ótimo pianista irmão de Karen -, com acompanhamento luxuoso da Royal Philarmonic Orchestra, preste muita atenção ao canto, à voz de Karen passeando com charme e formosura por seus ouvidos. Um encanto infinito que merece ser recordado para sempre.
Esta poesia é inédita, produzida recentemente e deve estar em algum livro no futuro. Como reflete alguns debates recentes, apresento aqui meu pensentimento sobre a obsessão pela objetividade que alguns setores da sociedade defendem, muitas vezes rasgando com unhas e dentes quem ousa discordar ou mesmo somente apresentar a possibilidade de um diferente ponto de vista. Os extremistas estão na ordem do dia, os extremistas estão voltando.
Aproveito a oportunidade para convidar você que se dispôs a vir aqui a conhecer meus livros publicados. Tem poesias, romance, contos, peça de teatro. Se gostar, não se acanhe, adquira ao menos um deles para experimentar. Agradeço desde já. É só clicar aqui.
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