domingo, 4 de setembro de 2022

domingo, 28 de agosto de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: LAMENTO SERTANEJO

Talvez a característica mais marcante da Música Popular Brasileira seja a capacidade de seus maiores artistas unir a simplicidade com a sofisticação. E creio que, dentre tantas e tantas e tantas, "Lamento Sertanejo", composição de dois grandes representantes da nossa Arte, Gilberto Gil e o saudoso Dominguinhos, seja uma das mais significativas, embora não esteja no hall dos grandes sucessos, das músicas mais tocadas e pedidas nas rádios de antigamente e, muito menos, nas de hoje.

A linha melódica deste lamento é de uma beleza arrepiante, daquelas que são perfeitamente adornadas pela poesia. E fazem os olhos se encherem d'água. Essa saudade de um sertão, que é o silêncio, a timidez, o interior, o voltar a si mesmo, este sertão que existe em quem mesmo nunca o visitou no Brasil - meu caso -, mas o carrega dentro de si, pois que de securas e inundações vivemos todos nós, encerra muitas filosofias, quiçá todas e seja única.

Na gravação abaixo, com os dois autores desta obra-prima, Dominguinhos demonstra toda a sua habilidade para ser virtuose e popular. O convite ao forró na parte final, com o auxílio luxuoso dos demais músicos, nos mostra que este retorno ao sertão, à casa, pode - e deve - ser feita com muita festa, dança, alegria, plenitude. Afinal, os verdadeiros deuses são os que dançam. 

Curta abaixo esta beleza, do DVD apropriadamente chamado de Fé na Festa.


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sexta-feira, 26 de agosto de 2022

LAMASCAST NO YOUTUBE E A POSSIBILIDADE DE MAIS NOVIDADES

A partir de hoje vou, pouco a pouco, publicar no meu canal do YouTube, todos os episódios do LamasCast, que primeiramente fiz sozinho no Soundcloud, posteriormente no Anchor, onde pude contar em vários deles com a edição, arte e publicação no jornal Portal do meu amigo Ricardo Malize. Minha intenção é começar um novo movimento no canal e com mais gente inscrita, trazer algumas novidades, uma delas pode ser a volta do Lamas na Área, que surgiu na Copa do Mundo de 2018, mas não só. Tudo vai depender da adesão ao canal e aproveito para fazer este convite a você: inscreva-se no canal Eduardo Lamas Neiva, ative o sininho para saber das novidades que agradecerei muito. Para isso, clique aqui.

O primeiro episódio do LamasCast foi ao ar no dia 30 de abril de 2019, quando ainda morava no Rio de Janeiro. Teve como tema Sequidão, nome de uma poesia para a qual criei uma melodia. Clique aqui para ouvir. Espero que você goste, possa chamar mais gente para este episódio e também se inscrever no canal. Agradeço desde já a sua atenção e o apoio ao meu trabalho.


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domingo, 21 de agosto de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: O CAÇADOR DE ESMERALDAS

Esta música foi paixão à primeira audição. Sou fã de longa data de João Bosco, assisti a um show dele no Canecão, no Rio de Janeiro, nos anos 90, mas confesso que não sou muito assíduo na sua obra - ou não tanto quanto eu acredito que deveria toda vez que o ouço. Creio que isso se deva ao fato de ele ter sido muito gravado por outros grandes artistas, como Elis Regina, por exemplo, e era por intermédio deles que mais frequentava suas músicas, principalmente as composições extraordinárias com Aldir Blanc. E "O Caçador de esmeraldas", obra-prima desta dupla genial da História da Música brasileira, me veio por intermédio de uma coletânea que ainda tenho em CD, a mesma cuja capa ilustra o vídeo abaixo, e chapei. Ouvi a versão com Elis e considero esta, com João, bem superior.

E por quê, pode estar se perguntando você agora que me lê e me acusando de heresia musical? O violão hipnotizante de João e o arranjo. Senhoras e senhores, que arranjo excepcional! Ouvindo a música com atenção, se puder com um bom fone de ouvido melhor ainda, eu me sinto dentro da mata acompanhando os passos do bandeirante Fernão Dias Pais Leme, o Caçador de Esmeraldas. A maestria de Aldir ao juntar poesia e História (escondida) do Brasil é por demais conhecida e aqui ela também se destaca, embora não tenha a mesma fama do Navegante Negro, o Mestre-Sala dos Mares João Cândido, líder da Revolta da Chibata. 

Em algum momento "O Mestre-Sala dos Mares" aparecerá por aqui também, mas agora viaje pelas matas ancestrais deste país, com "O caçador de esmeraldas".


domingo, 14 de agosto de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: INDIAN ROPE MAN

Volta e meia enalteço o YouTube por proporcionar a mim e a qualquer pessoa que tenha interesse, momentos espetaculares da TV e do cinema que não pudemos assistir na época em que foram veiculados ou para rever o que já tínhamos visto. Isso nas mais variadas áreas de atuação do ser humano, seja na Arte, na Cultura, no Esporte, na Ciência, Política etc. Pois bem, há bem pouco tempo o YouTube me revelou uma novidade do início dos anos 70, o grupo alemão Frumpy, que nunca tinha ouvido falar, cantar, tocar. E foi só botar os fones no ouvido e apertar o play para perceber toda a qualidade da banda, em especial a cantora Inga Rumpf, que ainda está em plena e maravilhosa atividade, aos 76 anos de idade (veja aqui e aqui).

A banda nasceu em Hamburgo e é um dos representantes do krautrock alemão dos anos 70. Durou pouco tempo, de 1970 a 72, e depois teve um retorno entre 1990 e 95, mas a fase que me despertou o maior interesse foi o primeiro, com hard rock, rock progressivo e um vocal de arrepiar. A formação inicial tinha, além de Inga, o baterista Caster Bohn, o baixista Karl-Heinz Schott, o tecladista francês Jean-Jacques Kravetz e o guitarrista Rainer Baumann.

"Indian Rope Man", de Richie Havens (a versão dele também merece ser ouvida, clique aqui), J. Price e M. Roth, é apenas uma das muitas músicas gravadas pelo grupo que eu poderia escolher para fazer parte desta série, mas é ela que vai abaixo, com a banda em ação para que você concorde ou não comigo. Para mim foi uma espetacular revelação. Antes tarde do que nunca. 

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domingo, 7 de agosto de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: CROSS-EYED MARY

Embora seja muito fã do Jethro Tull e "Cross-Eyed Mary" tenha sido gravada no disco mais conhecido deste grupo inglês, "Aqualung", de 1971, eu a ouvi pela primeira vez com outra banda inglesa, o Iron Maiden, gravada num compacto que tinha "The Trooper" no lado A. Não sei bem a razão (Freud explica?), mas ela voltou à minha memória há poucos dias e resolvi incluir aqui com os dois grupos.

A letra, de Ian Anderson, cantor, flautista e violonista do Jethro Tull, conta a história de Maria Caolha (ou vesga), uma colegial prostituta que prefere a companhia de grisalhos tarados ("leching greys") e ricos do que a de seus colegas de escola. Bruce Dickinson, cantor do Iron Maiden, diversas vezes se declarou fã do Jethro Tull, e já fez um concerto com Ian em 2011, na Catedral de Canterbury, na Inglaterra. E prometem outro encontro num projeto proposto por Bruce no fim do ano passado. Tomara que dê certo e pinte por aqui.

Bom, vamos então ouvir as duas versões da Maria Caolha? Na verdade três, pois decidi incluir uma ao vivo também do Jethro Tull. Espero que curtam!




domingo, 31 de julho de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: MY SWEET LORD

George Harrison é o Beatle que mais admiro. A razão é bem pessoal, muito mais do que musical, afinal John Lennon e Paul McCartney, principalmente este para mim, não deixaram seus nomes na História da música por acaso, sem esquecer Ringo Star, claro. Talvez Harrison simbolize para mim aquele que, no quarteto fabuloso, foi ofuscado pelo intenso brilho de John e Paul. Mas quando se lançou à carreira solo demonstrou que tinha talento para brilhar tanto quanto os outros dois. Porém, sempre foi preterido pela maioria dos fãs dos Beatles e, de alguma forma, pela própria banda. E eu, como quase sempre me ligo aos que têm menos atenção do que merecem, estou aqui a reverenciá-lo.

Quem já assistiu ao "Concert for George" dificilmente deixou passar incólume a emoção que tomou palco e plateia naquele 29 de novembro de 2002, portanto quase 20 anos atrás, no Royal Albert Hall, em Londres. Ainda mais vendo à frente da banda de astros da Música de Língua Inglesa Dhani Harrison, novinho, ao lado de Eric Clapton, além de Paul McCartney, Ringo Star, Jeff Lynne entre tantos outros que estiveram naquele palco. E quando Billy Preston começa a cantar "My sweet Lord" fica difícil não se comover. Pela sua interpretação, por toda profunda simplicidade que a canção pede.

No auge do sucesso dos Beatles, George Harisson buscou algo mais do que os ensurdecedores e histéricos gritinhos das moças das plateias lotadas em todo lugar em que iam, muito mais do que os muitos dólares que acumulavam com a venda de discos mundo afora. E na sua busca pela plenitude, pelo Divino, pela força espiritual, creio que ele a tenha encontrado nas coisas simples, belas e profundas que a vida nos dá, na união das espiritualidades (que vai muito além das religiões), no amor que inclui, jamais exclui. Creio que "My sweet Lord" sintetize bem tudo isso. 

Então, sem mais delongas, fique abaixo com a versão citada acima e também na voz de George, gravada originalmente no ótimo "All things must pass", seu terceiro álbum solo, o primeiro após a separação dos Beatles, lançado em 1970. O fato de ter feito um disco triplo, de ótima qualidade, só demonstra que material guardado o seu talento tinha de sobra.

"Hallelujah, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare..."



domingo, 24 de julho de 2022

OS MAIORES JOGOS DE TODOS OS TEMPOS 12

O Atlético-MG levou vantagem sobre a
seleção francesa, no Mineirão, em 1977
Em 3 de julho de 1977, quatro dias depois de empatar em 2 a 2 com a seleção brasileira no Maracanã, após levar dois gols, a seleção francesa que em novembro daquele ano conquistaria uma vaga para a Copa do Mundo da Argentina, fez um amistoso com o Atlético Mineiro no Mineirão e levou um baile comandado por Reinaldo e companhia. Platini, Six, que entrariam no segundo tempo, Trésor, Michel e seus companheiros não resistiram ao time mineiro, mesmo desfalcado de Toninho Cerezo, Paulo Isidoro e Marcelo (o técnico Marcelo Oliveira), que estavam na seleção brasileira, e foram derrotados por 3 a 1.

Aquela seleção da França, que voltaria a uma Copa após ausências em 1970 e 74, não conseguiria passar da primeira fase na Argentina, perdendo por 2 a 1 para o time da casa, que se sagraria campeão, e a ótima Itália e vencendo a Hungria por 3 a 1. Porém, foi base da equipe que rivalizou com o Brasil no quesito futebol-arte, em 82, indo até mais longe que o time de Telê, sendo derrotada nos pênaltis na semifinal com a Alemanha Ocidental, após um jogaço extenuante que terminou com o placar de 3 a 3, com 4 gols na prorrogação. Ficou em quarto lugar, mas dois anos depois, liderada por Michel Platini, conquistaria o título europeu.

O Galo era basicamente o timaço que, com vários jovens formados em casa, ficaria com o vice-campeonato brasileiro daquele ano, perdendo nos pênaltis para o São Paulo, numa final violentíssima por parte da equipe paulista, disputada sob forte chuva em Minas Gerais. Sobre aquela decisão já tratei aqui. 
 
Particularmente não me recordava do amistoso no Mineirão, só o anterior, até porque estive presente no Maracanã e já relatei sobre ele neste blog. Mas o YouTube nos traz estas grandes recordações e não podia deixar de destacar aqui no blog esta partida e retornar, após longa ausência, à série "Os maiores jogos de todos os tempos". Então, curta abaixo, em imagens em preto e branco, com narração de uma emissora de TV francesa, os gols daquela inesquecível vitória dos atleticanos.


FICHA TÉCNICA 
ATLÉTICO-MG 3 X 1 FRANÇA
Data: 3 de julho de 1977.
Local: Mineirão, em Belo Horizonte.
Árbitro: Airton Vieira de Moraes, o Sansão (RJ).
Renda: Cr$ 931.604,00.
Público: 22.564 presentes.
Gols: Reinaldo, aos 8 minutos; Tresor, aos 28; Marcinho, aos 30, e Alfredo, aos 33, do segundo tempo. 
ATLÉTICO-MG: Ortiz; Alves, Modesto, Márcio e Hilton Brunis; Danival (Alfredo), Ângelo e Heleno; Marinho (Luis Carlos), Reinaldo e Marcinho. Técnico: Barbatana.
FRANÇA: Baratelli; Battiston, Trésor, Tusseau (Platini) e Bossis (Shannoun); Michel, Janvion e Lacombe; Bathenay, Baroncheli e Amisse (Six). Técnico: Michel Hidalgo.

Obs.: graças a um anônimo visitante desta página pude reparar erros que cometi na pesquisa sobre esta partida. Paulo Isidoro e Marcelo, a exemplo de Toninho Cerezzo, não foram liberados da seleção brasileira pelo técnico Claudio Coutinho, somente Reinaldo. Uma semana após esta partida acima, a seleção estrearia na fase final das eliminatórias da Copa do Mundo da Argentina, contra o Peru, em Cáli, na  Colômbia, sede neutra para as duas partidas que garantiram a vaga para a equipe do Brasil, com vitória de 1 a 0 na estreia e 8 a 0 sobre a Bolívia. Nesta goleada, Cerezo e Marcelo fizeram um gol cada um. Reinaldo também jogou, entrando no lugar de Roberto Dinamite, e Paulo Isidoro só atuou contra os peruanos, entrando como titular, mas sendo substituído por Dirceu, que foi mantido no jogo seguinte.  

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domingo, 17 de julho de 2022

sexta-feira, 15 de julho de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: ÁGUA MORTA

Pela primeira vez desde que comecei esta série vou pôr em seguida igual artista cantando uma música de um mesmo álbum. Mas, hão de concordar, que o merecimento é indiscutível. Se não concordarem, tudo bem, basta mudar o canal. Mas aqui está novamente Daíra Saboia, acompanhada por Elba Ramalho, em "Água Morta", gravada no novo trabalho de Daíra, "Samsara".

A composição de Caio Vargas, Claos Mózi e Victor Lobo é de uma força poético-musical fundamental para tempos tão sombrios. E Elba e Daíra fazem um duo vocal que miscigena aquela docilidade e firmeza tão femininas, sobre uma percussão que bate bem aqui no coração, no estômago e fere, cura, de alguma forma, se não cura, ameniza pelo menos tanta dor, tanta dor. Tanta dor. E vergonha.
 

PS.: depois que eu já tinha programado esta postagem, o que fiz com bastante antecedência, foi noticiado no jornal O Globo que uma pesquisa da Fiocruz de Minas Gerais e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) detectou que a população de Brumadinho sofre com forte presença de metais pesados no sangue e na urina. Não deve ser muito diferente em Mariana, infelizmente. A "água morta" pela ação criminosa, irresponsável, do ser humano vai espraiando seus estragos. 

domingo, 10 de julho de 2022

sexta-feira, 8 de julho de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: SAMSARA

Daíra Saboia conheço desde que a vi cantando Belchior nas minhas viagens YouTube adentro. O álbum "Amar e mudar as coisas" a levou ao programa "Sr. Brasil", de Rolando Boldrin, e lá estava eu grudadinho na telinha e fones nos ouvidos. Que voz, senhoras e senhores (e senhoros??? Marque um x se quiser, eu não), que voz! Que voz!!! E que interpretação. 

Mas eis que há poucas semanas, numa terça-feira à noite, um dia de baixa para a minha estima, aquela que sempre quero lá em cima para enfrentar as derrotas deste país desgovernado enfiado em nosso dia a dia, o Sr. Tube me oferece uma música que parece ser a nova da Daíra. E era Samsara, que dá nome ao seu novo álbum (clique aqui e ouça!). E é com ela que vou.

Mas você pode ouvir o disco inteiro, político na medida proporção exata que merece nosso tão conturbado tempo, em que vejo e ouço pessoas a quem admirava tanto jogando tudo pela privada. Bom, vou deixar o papo de lado, vamos à ótima música de Luizinho Alves na interpretação de Daíra, que já está assinando seu nome na História da Música Popular Brasileira. 


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quarta-feira, 6 de julho de 2022

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #23

Uma coisa jogada com música - Capítulo #23
Garrincha em ação num jogo contra o Tupynambás, em Juiz de Fora (MG). Foto: Roberto Dornellas

Todos se divertem e aplaudem a bela música e o botafoguense
Vinicius de Moraes, que estava passeando e resolveu entrar no bar Além da Imaginação para dar um abraço no pessoal. João Sem Medo aproveita e toca a bola queimando a grama pra Ceguinho Torcedor.

João Sem Medo: - Quem sabe muito sobre deste assunto de adultério é o nosso dramaturgo, não é Ceguinho?

Ceguinho Torcedor: - Meus caros, só o inimigo não trai nunca. Não existe família sem adúltera, e o homem de bem, por sua vez, é um cadáver mal informado: não sabe que morreu.

Todos riem.

Músico: - Mas ninguém se salva, seu Ceguinho?

Ceguinho Torcedor: - Meu caro, a virtude é triste, azeda, neurastênica. E o amor bem-sucedido não interessa a ninguém.

Músico: - Entre as coisas do futebol e do amor, das pisadas de bola e das traições, há muita música, né? Então, vamos chamar agora ao palco o grande Elton Medeiros e Antonio Dantas pra cantarem “Na cara do gol”.

Garçom: - E com o grupo Passagem de Nível, de Mendes, interior do Rio de Janeiro, no telão.

São muito aplaudidos.

Veja também:

Sobrenatural de Almeida: - A letra desta música só vai dar mais corda ao Ceguinho! Hahahahaha

Ceguinho Torcedor: - Nem você, Sobrenatural de Almeida, está a salvo! Não se apresse em perdoar, a misericórdia também se corrompe. Por isso, a fidelidade devia ser facultativa. Ora, como já disse, o amor bem-sucedido não interessa a ninguém, minha gente.

Garçom: - Não é tanto assim...

Idiota da Objetividade: - Eu acredito no cidadão de bem!

Ceguinho Torcedor: - Idiota, convém não facilitar com os bons, convém não provocar os puros. Há, no ser humano, e ainda nos melhores, como muitos que aqui estão, acredito, uma série de ferocidades adormecidas. O importante é não acordá-las.    

Há um repentino silêncio reflexivo em todo o bar. E o povo dá uma dispersada, enquanto o grupo da mesa dá uma pausa pra fazer uns pedidos ao garçom e ir ao banheiro. Nossos quatro personagens voltam à mesa e Zé Ary toca a bola para eles.

Garçom: - Bom, senhores, vamos voltar ao futebol...

João Sem Medo: - Naquela excursão do Botafogo ao México que estava falando antes, tive o privilégio de presenciar o nascimento do “olé” no futebol. Quem inventou foi o Garrincha em parceria com cem mil mexicanos que lotaram o Estádio Universitário pra assistir ao que os jornais de lá chamaram de “O Jogo do Século”: o Botafogo, que eu dirigia na época e tinha sido campeão carioca no finzinho de 57, contra o River Plate, que era o tricampeão argentino e tinha 10 dos 11 titulares da seleção que disputou a Copa de 58, poucos meses depois.

Ceguinho Torcedor: - Um jogo como esse tinha de ter sido filmado e passar na sessão da tarde todos os dias!

Todos concordam.

Veja também:

João Sem Medo: - Foi ali, naquele dia, às vésperas do carnaval de 58, que surgiu a gíria do “olé”. Não porque o Botafogo tivesse dado olé no River, não. O jogo foi bem equilibrado, terminou empatado em 1 a 1, até jogamos bem fechadinhos. Foi um olé pessoal, de Garrincha em Vairo, lateral do River e da seleção argentina. Nunca assisti a coisa igual, meus amigos.

Silêncio absoluto na plateia e atenção total ao relato de João Sem Medo.

João Sem Medo: - Só a torcida mexicana com seu traquejo de touradas poderia, de forma tão sincronizada e perfeita, dar um “olé” daquele tamanho. Toda vez que o Mané parava na frente do Vairo, os espectadores mantinham-se no mais profundo silêncio. Quando Mané dava aquele seu famoso drible e deixava o Vairo no chão, um coro de cem mil pessoas exclamava: “Ôôôôôô-lê”!

A plateia vibra como se assistisse ao que João narra.

João Sem Medo: - Uma festa completa.

Ceguinho Torcedor: - Garrincha tinha sempre nos pés uma bola encantada! Ou melhor, uma bola amestrada.

Todos concordam.

João Sem Medo: - Tem mais, meus amigos! Num dos momentos em que o Vairo estava parado em frente ao Garrincha, um dos clarins dos “mariachis” atacou aquele trecho da “Carmen” que é tocada na abertura das touradas. Como é mesmo, maestro?

O grupo no palco executa, então, o trecho inicial da abertura da ópera “Carmen”, de Bizet, citado por João.


Todos se divertem muito e até dançam. 

Fim do Capítulo #23

Modificado e republicado em 24 de janeiro de 2025

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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domingo, 3 de julho de 2022

OLHARES ALHURES - FOTOS #101: DE VOLTA À INFÂNCIA















Fotos de Eduardo Lamas Neiva, no dia 22 de abril de 2022, no Parque Estadual do Caracol, em Canela (RS).

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UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #47

Uma coisa jogada com música - Capítulo #46 Garrincha e Pelé, durante a Copa do Mu...

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