Músicas que nos fazem viajar #23: Sapato Velho
Pelas ruas do meu bairro
Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
Fotos de Eduardo Lamas, feitas em Itaguaçu, Florianópolis, no dia 20 de agosto de 2021
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| Orlando Lelé dá o carrinho em Nenê. Zé Mário acompanha o lance de perto |
Oriundos da repescagem, uma espécie de recuperação ou segunda época dos campeonatos de antigamente, Londrina e Caxias-RS estavam fadados a fazer mera figuração no grupo S da terceira fase, a que classificaria apenas o líder para a semifinal do Brasileiro de 77, mas já avançando pela temporada seguinte. O time da Serra gaúcha cumpriu o papel que dele se esperava ficando em último lugar, mas o paranaense rasgou o script e foi ser feliz desbancando também Vasco, Corinthians, Santos e Flamengo, que ficaram nesta ordem de classificação.
O jogo histórico a que me refiro nesta retomada série do blog foi disputado em 19 de fevereiro de 1978, no estádio de São Januário com o maior público de sua história, mais de 40 mil pagantes, num tempo em que ainda tinha a pista de atletismo entre o público e os artistas do espetáculo. Para se ter uma ideia da surpresa que o Londrina causou ao se classificar para uma inédita semifinal com aqueles 2 a 0, na primeira fase, o time paranaense tinha ficado em oitavo lugar num grupo de 10 times, com duas vitórias (uma por 2 ou mais gols, que naquele campeonato dava 3, em vez de 2 pontos ao vencedor; 3 empates e 4 derrotas). Já o Vasco tinha passado em segundo na mesma chave, ficando atrás apenas do Botafogo, com 4 vitórias (todas com 2 ou mais gols de diferença), 4 empates e 1 derrota (para o Goytacaz). Nesta fase, em Londrina, houve empate por 2 a 2 entre as duas equipes.
Na fase seguinte, os cruzmaltinos passaram à terceira etapa em segundo lugar (atrás da Ponte Preta), enquanto o Londrina foi o líder na sua chave da repescagem, por isso voltou à disputa pelo, até então, nem cogitado título. Quando se encontraram na última rodada da terceira fase, o time paranaense tinha dois pontos de vantagem sobre o carioca (9 x 7), com números de gols marcados e sofridos exatamente iguais: 6 x 1. A obrigação de vencer parece ter deixado nervosos os campeões cariocas de 77, tanto que não faltou confusão dentro e fora do campo, com o lateral-direito Orlando Lelé, que já havia quase brigado com adversários, sendo atingido na cabeça por uma garrafa atirada da arquibancada pela própria torcida vascaína, que aliás protestou boa parte do jogo jogando os mais diversos objetos em campo, como dá para se observar no vídeo abaixo.
No fim, os jogadores do Londrina, que tinham entre seus grandes destaques o goleiro Mauro, o ponta-direita Xaxá (ex-Santos e Portuguesa de Desportos), os meias Carlos Alberto Garcia e o artilheiro Brandão, estes últimos os autores dos gols em São Januário, nem pensaram em comemorar a vitória e a classificação em campo, indo direto, às pressas, para o vestiário assim que o árbitro Maurílio José Santiago encerrou a partida. Na semifinal, o Londrina acabaria sendo eliminado pelo Atlético-MG do craque Reinaldo, enquanto no outro lado, o São Paulo eliminaria outra zebra, o Operário-MS, que tinha o goleiro Manga e o atacante Roberto César como suas maiores figuras. A final já foi contada aqui na postagem sobre Angelo e você pode ler clicando aqui.
Nesta quarta, será apenas mais um jogo, mas aquele, de 44 anos atrás, ainda está na memória, especialmente dos londrinenses.
FICHA TÉCNICA
VASCO 0 X 2 LONDRINA
Competição: Campeonato Brasileiro 1977 (3ª fase - Grupo S)
Estádio: São Januário
Data: Domingo, 19 de fevereiro de 1978
Hora: 16 horas
Árbitro: Maurílio José Santiago (MG)
Público: 40.209 pagantes (recorde de São Januário)
Renda: Cr$ 1.356.270,00
Cartões amarelos: Arenghi (LON) e Nenê (LON).
Gols: Brandão 8'/1ºT (LON), Carlos Alberto Garcia 4'/2ºT (LON).
VASCO: Mazarópi; Orlando, Abel, Gaúcho e Marco Antônio; Zé Mário, Paulo Roberto e Guina; Wilsinho (Capitão), Roberto Dinamite e Ramon (Paulinho). Técnico: Orlando Fantoni.
LONDRINA: Mauro; Claudinho, Carlos, Arenghi, Dirceu (Zé Antônio); Zé Roberto, Carlos Alberto Garcia e Ademar; Xaxá, Brandão e Nenê (Sérgio Américo). Técnico: Armando Renganeschi.
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| Paulo José, como Shazan, e Flavio Migliaccio, como Xerife, na TV Globo |
Outra ótima lembrança que tenho de Paulo José foi bem no início deste século, mais precisamente em 2000, quando saí correndo de Niterói, onde trabalhava no jornal O Fluminense, peguei uma barca e fui ao Museu Histórico Nacional, na Praça XV, Centro do Rio, para assistir a uma palestra do mestre José Saramago, que lançava o seu livro "A caverna". Paulo José esteve ao lado de Saramago à mesa para ler um trecho do livro naquela noite inesquecível de 13 de dezembro, data que a internet me informa.
Mesmo que, como já ocorreu com tantos outros artistas importantíssimos e maravilhosos que partiram nos últimos três anos, seja ignorado pelos desprezíveis ignorantes do desgoverno federal, o que talvez até seja um grande elogio, Paulo José está na História do cinema, da televisão e do teatro do Brasil. Do país que podemos escrever com letra maiúscula.
"Hey, Shazan, herói de história em quadrinhos..." "Hey, Shazan, aprendi a sorrir com você". Adeus, grande Paulo José! Muito obrigado, muito obrigado. Todos os aplausos, de pé, pra você.
PS.: um dia após a morte de Paulo José, despediu-se deste mundo Tarcísio Meira, outro grande ator, com trabalhos memoráveis na TV, principalmente, no cinema e no teatro. Tristes dias para a Cultura deste maltratado país.
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Não é a mais do que óbvia "Smoke on the water", mas é certo que decidi ir pelo caminho mais seguro. Porém, quem há de me condenar por escolher entre tantos clássicos do Deep Purple e outras menos conhecidas, mas também ótimas, esta, justo esta? Vamos lá! Ouvir Ian Gillan interpretando "Child in time" sempre é um prazer imenso renovado. E esta versão de 1970, ao vivo, na TV, merece muito ser apreciada com ouvidos abertos e muito som na caixa.
"See the blind man, shooting at the world, bullets flying..."
Fotos de Eduardo Lamas, feitas em 27 de outubro de 2019, no Estádio da Ressacada, em Florianópolis (SC), antes e durante o jogo Avaí 1 x 2 Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro.
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Voltava com minha mulher de uma longa jornada a pé para compras que tinham se encerrado pouco antes no supermercado, quando em direção à casa levei um susto. Havia um vazio surpreendente do outro lado da rua Patrício Caldeira de Andrade. A imensa foto de Cristiano Ronaldo, o grande escudo e os campos da escolinha do Sporting Lisboa tinham desaparecido. Sobrara apenas um cenário desolador no terreno e uma desgastada e suja placa à frente anunciando o que não mais existe. Passei por ali, como tantas vezes, a pé ou de carro, há umas duas semanas e tudo estava em seu devido lugar, mas parece que tinham se passado muitos e muitos anos!
Onde foram parar aqueles meninos de camisas listradas em verde e branco correndo atrás da bola e do sonho de se tornarem um craque como aquele jovem da gigantesca foto, ainda com seu sorriso de dentes tortos da época em que despontara naquele clube português que é considerado a terceira força de seu país? Cristiano Ronaldo e os meninos sonhadores, tantos que muitas vezes vi em minha própria rua, uniformizados à caráter, a caminho da Academia, como pomposamente era chamada a escolinha, foram embora.
Deixam, assim, um imenso vazio no bairro do Abraão, na parte continental de Florianópolis, no meu olhar.
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| Foto de Eduardo Lamas |
PS.: após a divulgação desta postagem no Instagram, a Escola Academia Sporting respondeu à pergunta do título e também a publicou aqui abaixo, nos comentários. Muito obrigado pela atenção e o carinho.
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Há certas canções populares que se parecem com verdadeiras preces. Talvez eu faça uma série delas aqui neste retorno, após alguns meses, desta "Músicas que nos fazem viajar". Porém, o muito de sangue mineiro que corre em minhas veias, por intermédio de minha linhagem paterna (e é dela mesmo que vem grande parte do amor que tenho pela Música), é que me fez escolher desta vez "Amor de Índio", de Beto Guedes e Ronaldo Bastos.
Esta música abre o excelente disco que leva o mesmo nome, de 1978. É o segundo álbum da brilhante carreira de Beto Guedes, que certamente estará aqui de volta, inclusive com outra oração em forma de música: "O Sal da Terra". Por enquanto curta este clipe da época em que "Amor de Índio" começou a se tornar popular. Pode se ajoelhar, juntar as mãos e se compenetrar para ouvi-la.
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