quinta-feira, 25 de junho de 2020

SETENTA VEZES MARACANÃ

A idéia de selecionar 70 dos cerca de 300 jogos a que assisti no Maracanã (entre 1974 e 2019) nasceu de um texto que meu filho mais velho, Lucas, fez e me mandou e da conversa que tivemos em seguida, no último dia 16, quando o estádio completou 70 anos de inauguração. Lucas fala da sua relação com o Maracanã, desde 1997, quando o levei pela primeira vez ao estádio, e me fez pensar um pouco mais nas muitas tardes e noites que vivi lá. Isso sem considerar a chegada de Papai Noel, no início da década de 70, os shows de Sting, em 1987, de Paul McCartney, em 1990, este num dia repleto de histórias para contar, algumas relacionadas inclusive ao futebol, e do Rush, em 2002. O texto do Lucas reproduzo mais abaixo.

Nas centenas de vezes em que fui ao Maracanã, a grande maioria estava como torcedor. E, como flamenguista, obviamente assisti a muito mais jogos do meu time do que de qualquer outro. No entanto, engana-se quem acha que não vi partidas memoráveis, terríveis e pitorescas de Vasco,  Fluminense, Botafogo, América e Bangu, várias entre eles e outras tantas contra times de outros estados e países, fora a seleção brasileira, esta nos anos 70 e 80.

Maracanã no fim dos anos 70. Foto encontrada no Google, quem souber o autor informe, por favor

Minha intenção inicial era selecionar 70 jogos e contar a minha história em cada um deles, com os artistas do espetáculo como coadjuvantes, mas percebi que muitas delas já foram contadas (com base apenas na realidade e com contornos ficcionais), e as que ainda não foram acabarão surgindo aqui e ali neste blog ou em contos, como já fiz no livro “Contos da Bola”, que pretendo relançar ainda este ano. A escolha dos 70 jogos, ou melhor de 70 das vezes em que fui ver futebol no Maracanã, pois há um Torneio Início, com muitos jogos de 15 minutos, e outro em que só houve uma disputa de pênaltis, não foi feita pelo critério de importância, embora este tenha sido levado em conta. Porém, muito mais pelo que me lembro deles e do que vivi antes, durante e ou depois daquelas partidas, seja na arquibancada, nas cadeiras (azuis, especiais ou de imprensa) e na geral.

Em outubro do ano passado, quando fiz minha primeira entrevista para o Museu da Pelada, disse ao uruguaio Sérgio Ramírez, que se eles como jogadores tinham a glória de estarem no gramado, muitas vezes com centenas de milhares de olhares atentos a suas ações e tantas delas serem ovacionadas, não só por gols, grandes dribles, mas também por salvar o time num lance de extremo perigo adversário, eu e tantos e tantos e tantos torcedores tínhamos um privilégio que eles não podiam ter, além do de vê-los jogar de fora do campo: subir a rampa do Maracanã em direção às arquibancadas e atravessar aos poucos um portal de emoções e se deparar com aquele gramadão, ao mesmo tempo em que sentia o ronco da torcida, todo aquele rumor que parecia nos tirar o coração do peito, como se saíssemos dos vestiários para jogar. Como citei anteriormente, frequentei também geral e cadeiras, mas foi na arquibancada que senti mais emoção, como muito bem compôs Neguinho da Beija-Flor.

A partir dos anos 90 passei a frequentá-lo também como jornalista, mas isso não durou mais do que dez anos, pois mesmo tendo atuado na área esportiva até 2013, só fui ao Maraca no século XXI como torcedor. E depois do Jogo das Estrelas no fim de 2009, organizado por Zico, o maior artilheiro do Maracanã (com 333 gols), só retornei já com o estádio transformado em um ginásio gigante que chamam de arena, em janeiro de 2019, graças ao mesmo filho que me inspirou esta postagem. E aquela foi a última vez que lá estive, não sei se volto, ainda mais agora que não moro mais no Rio de Janeiro.

Vamos então ao texto do Lucas:

"Desde criança eu escuto as histórias do meu pai com o Maracanã e sempre fui fascinado por elas, por todos os ingressos e anotações dos jogos que meu pai tinha ido. A primeira vez em que eu fui ao Maracanã foi em 1997, aos 6 anos de idade, pouco lembro daquele jogo, lembro que era estréia do Clemer e do short horroroso do Santos, Flamengo 2 x 3 Santos. Meu pai não gostava de me levar em jogo cheio, mas lembro do Flamengo 4 x 1 Corinthians em 1998, visto das cadeiras de ferro do antigo Maracanã como se fosse ontem. Flamengo x Ponte Preta em 1999 na minha cabeça era como se fosse Flamengo x Vasco de uma semana antes, outra vez gol de Rodrigo Mendes. Meu pai me levou algumas boas vezes entre 1997 e 2000, depois disso quase não fomos juntos. Assim, de 2002 até 2006, eu fiquei sem ir ao Maracanã ver o Flamengo (em 2004 fui ver Flu x Americano). Em 2006 voltei a ir ao Maracanã, só que dessa vez sozinho, foi uma merda de Flamengo x Volta Redonda, mas em 2006 também teve meu primeiro clássico, eu morava em São Gonçalo na época e meu pai não deixaria eu ir ao jogo, obviamente menti e fui: 4 a 1 pra nós sobre o Fluminense. Em 2007 vim morar no Rio e morando no Grajaú foi fácil ir sempre ao Maracanã, fui praticamente a todos os jogos do Flamengo, inclusive o último jogo do Maracanã antes da sua morte. De 2007 até 2019 eu fui apenas 3 vezes com meu pai ao Maracanã. Meu pai não conhecia o New Maracanã, fiz questão de levá-lo antes que ele se mudasse pra Santa Catarina e fazer o programa que foi meu favorito na minha infância. O Maracanã me fez feliz na infância, formou meu caráter, me deu amigos pra vida toda. Obrigado Maracanã”.

Minha primeira e única vez na Arena Maracanã: Flamengo 2 x 1 Bangu, no dia 20/01/2019

Na relação abaixo você terá links, fotos e vídeos para mais informações sobre as partidas. Alguns deles são de minha própria autoria. Espero despertar sua curiosidade em muitos deles, caso queira fazer alguma pergunta sobre a escolha de determinado jogo ou saber sobre alguma lembrança especial minha sobre um deles, é só pôr nos comentários que responderei com prazer.
Júnior comemora o seu gol na vitória  2 a 1 do Flamengo sobre o América, no dia 8 de dezembro
de 1974. O resultado deu o título do 3º turno do Campeonato Carioca ao time rubro-negro e o
direito de disputar o triangular final. Foi o primeiro gol do então lateral-direito nos profissionais
e o meu primeiro jogo no Maracanã. Foto: O Globo

4- Brasil 2 x 0 URSS – 01/12/1976 
5- Brasil 1 x 1 Combinado Fla-Flu – 30/01/1977 
6- Torneio Início do Campeonato Carioca – 13/03/1977
7- Brasil 2 x 2 França – 30/06/1977 
9-  Flamengo 1 x 0 Vasco – 3/12/1978 
10- Flamengo 3 x 0 Botafogo - 18/03/1979
11-  Brasil 6 x 0 Paraguai – 17/05/1979
12-  Flamengo 0 x 1 Botafogo – 03/06/1979 
13-  Vasco 0 x 0 América – 02/09/1979 
14-  Flamengo 1 x 4 Palmeiras – 09/12/1979
15-  Vasco 0 x 2 Internacional –20/12/1979 
16-  América 2 x 4 Grêmio – 01/03/1980
17-  Flamengo 6 x 2 Palmeiras – 13/04/1980
18-  Flamengo 4 x 3 Coritiba – 25/05/1980
19-  Flamengo 3 x 2 Atlético-MG –01/06/1980
20-  Brasil 1 x 2 URSS – 15/06/1980

21-  Vasco 1 (1) x 1 (4) Fluminense –05/10/1980
22-  Flamengo 8 x 0 Fortaleza – 04/02/1981
23-  Brasil 3 x 1 Bolívia – 22/03/1981
24-  Botafogo 3 x 1 Flamengo – 19/04/1981
25-  Flamengo 2 x 2 Atlético-MG – 07/08/1981
26-  Flamengo 2 x 0 Boca Juniors – 15/09/1981 
27-  Flamengo 6 x 0 Botafogo – 08/11/1981
28-  Flamengo 2 x 1 Vasco – 06/12/1981
29-  Flamengo 3 x 2 São Paulo – 20/01/1982
30-  Flamengo 2 x 1 Guarani – 11/04/1982
31-  Flamengo 1 x 1 Grêmio – 18/04/1982
32-  Botafogo 3 x 3 Vasco – 15/05/1982
33-  Flamengo 5 x 2 Campo Grande –18/07/1982
34-  Flamengo 1 x 0 Vasco – 23/09/1982 
35-  Flamengo 0 x 1 Peñarol – 16/11/1982
36-  Flamengo 0 x 1 Vasco – 05/12/1982
37-  Fluminense 1 x 2 CSA – 26/01/1983
38-  Flamengo 5 x 1 Corinthians –17/04/1983
39-  Flamengo 3 x 0 Santos – 29/05/1983

40-  Brasil 0 x 2 Inglaterra – 10/06/1984
41-  Flamengo 0 x 1 Fluminense 16/12/1984
42-  Brasil 1 x 1 Paraguai – 23/06/1985 
43-  Bangu 3 x 1 Brasil-RS – 28/07/1985
44-  Fluminense 1 x 1 Flamengo –11/12/1985 
45-  Fluminense 1 x 4 Flamengo –16/02/1986
46- Bangu 1 x 2 Barcelona-EQU - 15/07/1986
47-  Flamengo 0 x 2 Vasco - 1986
48-  Flamengo 2 x 0 Vasco - 1986
49-  América 1 x 1 São Paulo –18/02/1987 
50-  Fluminense 2 x 0 Vasco – 23/07/1987
51-  Vasco 1 x 0 Flamengo – 09/08/1987
52-  Flamengo 3 x 1 Santa Cruz –22/11/1987
53-  Flamengo 1 x 0 Atlético-MG –29/11/1987
54-  Flamengo 1 x 0 Internacional –13/12/1987
55-  Botafogo 4 x 5 Fluminense (disputa de pênaltis) - 05/10/1988 
56-  Flamengo 1 (4) x 1 (5) Palmeiras –17/11/1988
57-  Brasil 1 x 0 Uruguai – 16/07/1989
58- Flamengo 2 x 2 World Cup Masters - 06/02/1990
59-  Flamengo 4 x 2 Fluminense – 19/12/1991
60-  Vasco 3 x 3 Botafogo 03/11/1991
61- Flamengo 3 x 2 São Paulo - 19/02/1992
62- Flamengo 3 x 0 Internacional - 29/09/1993
63-  Flamengo 1 x 0 Independiente – 06/12/1995
64- Flamengo 2 x 2 Santos - 06/02/1997
65- Flamengo 2 x 3 Santos – 06/07/1997
66- Flamengo 4 x 1 Corinthians - 10/10/1998
67- Flamengo 1 x 0 Ponte Preta - 25/07/1999
68-  Flamengo 5 x 0 América - 11/03/2000
69-  Flamengo 1 x 2 Palmeiras – 15/07/2009
70-  Flamengo 2 x 1 Bangu - 20/01/2019

Veja também:
Adeus, Maracanã
O bom e velho Maraca, um personagem de "Contos da Bola"

quarta-feira, 17 de junho de 2020

LAMASCAST CONVIDA VOCÊ


Quando relançado no Portal, em fevereiro, fiz uma postagem aqui para anunciar a novidade, após 28 episódios feitos de maneira independente e solitária na SoundCloud. Agora, com a edição e publicação de Ricardo Malize, o podcast ficou mais simples e ganhou qualidade técnica. Vai ao ar quinzenalmente. Espero que você goste, este é um convite, clique aqui. Conto com sua audiência, comentário e compartilhamento, se curtir. Agradeço desde já.

Aí abaixo você pode ouvir cada programa postado no Portal, basta clicar na imagem:


    





Veja também:
Lucidez e loucura no LamasCast
Jogada de Música no LamasCast
LamasCast 12 homenageia Cruz e Souza
LamasCast, na nuvem com os pés a um passo do chão

terça-feira, 9 de junho de 2020

NAU POESIA: ESPERAR PELO SOL

Minha amiga Ana Melão me pediu há uns dias pelo whatsapp uma poesia para recitar e gravar em vídeo. Ela já vinha fazendo uma série e publicando no Instagram suas interpretações para obras de grandes escritores e escritoras. Já conhecia o seu talento artístico para a fotografia desde meados dos anos 2000, e desconfiava que também teria êxito nas artes cênicas assim que soube há uns anos que estava tendo aulas de teatro em Salvador, onde mora. Isso se confirmou quando vi seus vídeos e, ainda mais, depois que interpretou com tanta sensibilidade e inteligência "Esperar pelo sol", poesia que está no ebook "Sutilezas", que lancei em junho do ano passado. 

Veja e ouça abaixo ou pelo meu canal no YouTube.

Veja também:

segunda-feira, 1 de junho de 2020

O SORRISO DO CARRASCO

Vejo em seus olhos,
brilhando e sorrindo,
tantas mortes lentas
sob suas e outras mãos

O já não tão discreto
demente salivar
no canto da boca,
O gozo incontido
ao ver pouco a pouco
o inimigo sem sentido,
dormente, sem sentidos

Extrapola em seu corpo
o prazer da alheia dor,
daquela vida se esvaindo
ao seu bel-prazer
(Hell's Bells!)

É gozo incontido 
de assistir excitante
o poder de manipular
aquela luta agonizante

Pra se redimir e
sem qualquer sinal
de contrição repetir, 
O sinal da cruz
que nega o Mestre
Todo o seu louvor
exalta com fervor
O sinal da cruz,
o instrumento 
de tortura 
que matou Jesus

quinta-feira, 21 de maio de 2020

CADÊ O IMPEACHMENT?*

Impeachment, impeachment, impeachment,
impeachment, impeachment, impeachment, impeachment!
Impeachment, impeachment, impeachment,
impeachment, impeachment, impeachment, impeachment!

Cadê o impeachment?
Que pediram pra gente
e não faz pouco tempo.

Cadê o impeachment?
Vão dando volta na gente
e vamos perdendo tempo.

Mas eles têm outras prioridades
ter privilégios, passar pano e adiar,
toma lá dá cá, mentir, roubar
E depois vão festejar
Se banhar num mar de rosas

Impeachment, impeachment, impeachment,
impeachment, impeachment, impeachment, impeachment!
Impeachment, impeachment, impeachment,
impeachment, impeachment, impeachment, impeachment!

Mas não é possível
Isso tudo acontecer
O cidadão, machucado e triste,
se irrita toda hora
E pergunta pra você

Impeachment, impeachment, impeachment,
impeachment, impeachment, impeachment, impeachment!
Impeachment, impeachment, impeachment,
impeachment, impeachment, impeachment, impeachment!

Cadê o impeachment?
Que pra pediram pra gente
e não faz pouco tempo.

Cadê o impeachment?
Vão dando volta na gente
e vamos perdendo tempo.

#impeachmentjá

* Paródia da música "Cadê o penalty?", de Jorge Benjor, também gravada com sucesso pelo Skank. Ouça a versão original abaixo:

quinta-feira, 14 de maio de 2020

QUANDO A PÁTRIA FICA ACIMA DE TUDO, ESMAGA TAMBÉM SEUS ADEPTOS

Você certamente já ouviu falar em lavagem cerebral, doutrinação, louvação a um líder como se fosse um deus, que deve-se dar a vida pela pátria, que "o trabalho liberta". E muitas vezes pode ter sido convencido disso, desistido ou seguido adiante, consciente ou inconscientemente. Ou melhor, sem se dar muito conta das conseqüências de seguir adiante, sem querer saber qual a verdadeira razão para estarem vendendo a você este peixe fedido e podre. Ou pior, estar consciente de que é isso mesmo que deseja.

O nazismo usou o militarismo, o amor incondicional à pátria e ao seu líder máximo e incontestável,  transformou-o numa seita pseudo-religiosa e é certamente o exemplo mais emblemático, o mais forte, o extremo da História. Mas não é o único. Longe disso. Ele é resultado de muitos ódios passados e ecoa em ódios posteriores, presentes e - espero que não - futuros. O extremismo não está apenas nas agora longínquas imagens épicas de milhões de alemães e alemãs de braços erguidos idolatrando o seu deus do mal. Um deus que muitos imaginavam só queria o bem. Bem de quem, meu bem?


Qualquer inspiração, semelhança, com o que você vê ou já viu no seu dia a dia, em seu país ou fora, não é mera coincidência. Porém, não se iluda: um dia o fantasma aparece do seu lado direito; em outro, no esquerdo, e logo vai encará-lo de frente, até cercar você. Ele pode seduzir ou apavorar, a escolha é sua. Lembre-se sempre: você tem escolha e arcará com as conseqüências dela. Não é agradável se deparar com as imagens nefastas provocadas pela tirania e a guerra, mesmo aquelas aparentemente felizes, pois já se conhecem as terríveis consequências dela. Porém, muitas vezes é necessário conhecê-las, revê-las, para impedir que se repitam, mesmo que em minúsculas formas, míseros fragmentos.

Por isso, vi no YouTube os dois episódios exibidos pela NatGeo sobre a Juventude Hitlerista, com importantíssimos depoimentos de ex-integrantes daquela animada gangue que os nazistas (de)formaram com o objetivo de se perpetuarem no poder da Alemanha e do mundo que pretendiam conquistar. Quem quiser assistir ao primeiro episódio é só clicar aqui. E o segundo, aqui.


Para quem quer conhecer um pouco mais sobre como o mundo tapou os olhos para o que acontecia na Alemanha de Hitler, achando que não era nada tão abusivo assim e quando despertou percebeu que era tarde demais, há várias séries no Netflix. No reino da ficção, lembro-me sempre de "O ovo da serpente", de Ingmar Bergman, que assisti há muitos anos na antiga videoteca do CCBB-RJ, e que está no YouTube, mas não sei por quanto tempo. Vou tentar revê-lo logo, antes que retirem de lá.


Veja também:
A tropa do horror está no poder
Encantamento, fanatismo, cegueira
Eles não nos entendem
Manifesto de resistência
Os muros
Anti-Luther King e a E.E.ra das Trevas

sábado, 9 de maio de 2020

ORAÇÃO DO AUTO-CONVENCIMENTO*

Está mais do que na hora
de o talento dar o sustento.
É o único alento.
Não se perca
nos números que açoitam,
continue atento.
Os dias passam no vento,
mas não se afobe,
tudo pode ser bem lento...

* O Facebook me informou no dia 8 de maio que em 2012 eu tinha publicado lá esta oração em versos e, sinceramente, não me recordava dela. Tampouco a guardei em meus arquivos. Que bom que ela retornou, está tão atual.

Veja também:
Azul e branco
Um tanto de grandeza e muito de coragem

domingo, 26 de abril de 2020

CANALHAS TÊM SEMPRE RAZÃO

"Infeliz é a nação que precisa de heróis" (Bertolt Brecht)

Os canalhas têm sempre razão
Quando trocam acusações
Razão que somente
Em suas próprias razões
Se reconhecem,
Mas eles se desconhecem
Quando se deparam com a dignidade

Canalhas não são razoáveis
Menores que medíocres
Sob a linha da mediocridade

Quando aliados
Pavoneiam-se e adulam-se
De estúpida vaidade

E de suas certezas absolutas
De quem vê sempre ameaça
À sua autoridade
Dão início às disputas

E têm sempre razão
Quando se acusam

Para se acudirem
Desesperados, acuados
Disparam, cospem-se
E à razão de acusar,
Apontar, atirar,
Morrem abraçados
A toda e qualquer sordidez
Que se recusam a renunciar.

Veja também:
Brasil, um edifício que cresce sobre frágeis alicerces
Minto, logo mito (uma lamentável e farsesca tragicomédia)

terça-feira, 17 de março de 2020

CORONA VÍRUS TAMBÉM PODE MATAR MUITA COISA RUIM

Em meio a esta tempestade chamada corona vírus temos visto no mundo inteiro casos de apreensão, dor, tristeza, mortes. Ao mesmo tempo também muitas irresponsabilidades e inconseqüências, principalmente no Brasil, onde aquele que ocupa o mais alto cargo da República é (constantemente) o primeiro a dar péssimo exemplo. Por outro lado, há inúmeras histórias de solidariedade, amor, trabalho em favor da coletividade, altruísmo, heroísmo até.

Espero que, durante a sua terrível - e que seja a mais breve possível - passagem, este vírus mate em todos os seres humanos do planeta o egoísmo; a ganância; a ambição desmedida; o ódio por si e, conseqüentemente, pelo próximo; a ignorância; a irresponsabilidade; a destruição da Natureza; a estupidez, enfim.

Temos uma grande oportunidade de transformação. Cabe a nós aproveitá-la e sair contagiando a quem pudermos com esta mudança, para finalmente tornarmos o mundo um lugar muito, muito melhor de se habitar.

Veja também:

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

INESQUECÍVEL VIAGEM AO OESTE CATARINENSE

Foto: Fernando Gustav
A primeira missão pelo Museu da Pelada em 2020, ao lado dos parceiros e amigos Fernando Gustav e Vander Schons, foi marcada por uma série de emoções. A primeira foi a de estar na estrada cortando o Estado de Santa Catarina para descobrir o Grande Oeste catarinense. Depois, o de reencontrar na bela São Lourenço do Oeste o ex-goleiro e ex-treinador de goleiros Wendell quase 30 anos após conhecê-lo pessoalmente em São Januário, na cobertura diária do Vasco da Gama, pelo Jornal dos Sports, e de conhecer seu dedicado filho, de mesmo nome, que também nos recebeu maravilhosamente bem (veja a entrevista clicando aqui)

E, na volta a Florianópolis, inda tive a oportunidade de visitar a Arena Condá, em Chapecó, onde bateu realmente uma emoção. Em vídeo, que você pode assistir lá embaixo, pude prestar uma pequena homenagem a todos que partiram naquele trágico vôo de novembro de 2016, em especial ao jornalista Paulo Julio Clement. O áudio não está perfeito por causa da ação do vento em alguns momentos, mas no meu modo de entender não invalida o registro feito no estádio da Chapecoense. 

Na estrada, pude observar belíssimas paisagens e cidades, ter contato com pessoas do povo extremamente amáveis, sendo que, algumas, por causa das camisas que vestíamos, bem curiosas para saber o que é o Museu da Pelada. Porém, não passaram despercebidas situações no mínimo muito questionáveis, como as gigantescas extensões das plantações de milho e soja ao longo de todo caminho; os porcos confinados em muitos caminhões exalando um fedor indescritível pelas rodovias; cidades minúsculas, e a reserva indígena Xapecó (isso mesmo, a tribo é com "x", a cidade com "ch"), com muita gente com cara de índio, mas vivendo em verdadeiras favelas em condições degradantes que nada têm a ver com a cultura indígena, que deve sim ser preservada para que haja verdadeiramente proteção das nossas florestas nas terras demarcadas.


Como está no título desta postagem, foi uma viagem que guardarei em minha memória até o último dos meus dias. A trabalho foi certamente a melhor que fiz em todos os sentidos. Portanto, só tenho a agradecer por esta oportunidade de unir o meu trabalho a tantos sentimentos, sensações, descobertas e conhecimentos.


Veja também:
Oceano de memórias em "O negro crepúsculo"

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

ESTAÇÃO SUPERNOVA É A NOSSA PARADA!

Na última sexta-feira, dia 17, mesmo dia em que a simbologia sórdida do horror brasileiro foi escancarada com a clara exibição do que o atual desgoverno "entende" por Cultura e Arte, tivemos, eu e o cinegrafista e editor Fernando Gustav, a felicidade de lançar a Estação Supernova. E a primeira parada é uma entrevista exclusiva com um dos maiores nomes da História da música brasileira: o guitarrista, cantor e compositor Sergio Dias, do lendário grupo Os Mutantes.

Clique na imagem abaixo e assista à entrevista. Se gostar, curta, deixe o seu comentário, sua sugestão, chame os amigos e se inscreva no canal da Supernova Vídeos.

Desembarque com tudo e embarque nessa com a gente!


Veja também:

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

SÁBADO MÁGICO COM O MUTANTE SÉRGIO DIAS

A convite do meu parceiro Fernando Gustav, cinegrafista com o qual tenho feito várias entrevistas para o Museu da Pelada, fomos no sábado passado (04/01) para Águas Mornas, município da região metropolitana de Florianópolis, conhecer e ouvir um dos mais importantes artistas da Música Popular Brasileira, o mutante Sérgio Dias. Com Os Mutantes, ele havia se apresentado no dia 30 de dezembro na Bahia, e veio passar o Ano Novo em Santa Catarina, num verdadeiro paraíso cercado de verde e montanhas.


Foi com este cenário natural maravilhoso, num fim de tarde ao anoitecer, que gravamos um papo que superou as minhas (já grandes) expectativas. Chegamos atrasados, quando uma banda e outras pessoas já chegavam ao salão onde, a convite de Day Thiesen von der Schwinden, a anfitriã, haveria uma festinha para ele, com música ao vivo. Pensei, então, em reduzir a pauta de perguntas para não deixar o povo esperando muito. Porém, o simpaticíssimo guitarrista se mostrou muito à vontade (literalmente, como se vê na foto acima), falando inclusive de temas que eu então deixaria de fora. Acabamos gravando uns 40 minutos de um ótimo papo.

Para começar, ele anunciou uma grande novidade para os fãs: no próximo dia 20, Os Mutantes lançarão mundialmente o seu novo trabalho, chamado "ZZYZX". Aqui no Brasil, a gravadora e produtora responsável pelo lançamento chama-se curiosamente Jardim Elétrico, também título de uma música dos Mutantes. Pelo que Sérgio Dias nos relatou, o clima do álbum (sairá em LP, CD e estará em todas as plataformas digitais) será meio "lovecraftiano", talvez sem tanto do terror dos livros do escritor americano (H.P. Lovecraft), com referências a OVNIs, outros planetas, seres extraterrestres etc. A maior parte das letras é em inglês, mas há duas em português.

Sérgio, que mora em Las Vegas (EUA) desde 2009, ainda fez uma declaração de amor ao seu irmão Arnaldo Baptista e também a Rita Lee, apesar do que ela tem declarado em entrevistas e do que escreveu sobre ele na autobiografia lançada em 2017. Como a grande maioria sabe, foi com Arnaldo e Rita que o guitarrista fundou Os Mutantes, na segunda metade da década de 60. Sérgio também falou da eterna magia das músicas e apresentações do grupo no mundo inteiro e até de política.

Vale a pena conferir a entrevista no canal da Supernova Vídeos, no YouTube (clique aqui).

No fim, após o papo, descemos eu, Fernando e nossas mulheres para o salão, onde nos juntamos a cerca de 40 pessoas para assistirmos e vibrarmos muito com uma apresentação musical de primeira linha, com Sérgio Dias sendo acompanhado por músicos que acredito nunca tivesse visto antes, tocando Beatles, Rolling Stones, Eric Clapton, Led Zeppelin, Mutantes, claro, entre outros. Inesquecível para todos os muito felizes que lá estiveram.


Veja também:
A música é interdisciplinar
Agradecimento a Altamiro

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

APESAR DA ESTUPIDEZ REINANTE, UM ANO MUITO BOM PARTICULARMENTE

Embora como brasileiro eu não possa estar feliz com a ascensão e posse deste funesto e nefasto desgoverno, particularmente não posso fazer de 2019 um muro de lamentações. Muito pelo contrário, os motivos de agradecimento são inúmeros. Mudei e gostei. Muito. Minha vinda para Florianópolis, além de estar me proporcionando um tipo de vida que considero muito mais adequado às minhas aspirações pessoais, permitiu-me após mais de três anos plantando trabalhos e projetos profissionais, começar a colher um pouco do que venho semeando.

Em meio às diárias preocupações com os seguidos atentados desgovernamentais contra a Natureza, a Alimentação, a Cultura, a Arte, a Educação, a Ciência, a Dignidade Humana, a Inteligência, a Sensibilidade, a Liberdade de Expressão (apesar de reconhecer que da expressão muito se abusa neste país), tive a imensa felicidade de ser convocado por Sergio Pugliese para trabalhar para o Museu da Pelada aqui em Santa Catarina.

Do início de outubro até a primeira semana de dezembro fiz oito entrevistas que me deixaram muito feliz, pelo encontro e papo com oito ex-jogadores de destaque nacional e grandes figuras humanas. Também tive, por causa disso, a oportunidade de conhecer dois grandes companheiros de jornadas: o cinegrafista Fernando Gustav e o motorista Vander Schons.

A primeira entrevista já havia destacado aqui, com o uruguaio Sergio Ramirez, e duas ainda não foram ao ar: com Sávio, ex-ponta-esquerda de Flamengo e Real Madrid, e Oberdan, ex-zagueiro de Santos, Coritiba e Grêmio. As outras cinco vocês podem curtir abaixo. Mas antes queria desejar a todos que no próximo ano o bom senso retorne e prevaleçam a Saúde (sem os quase 400 agrotóxicos liberados pelo desgoverno), Paz (sem os ataques histéricos do presidente e de alguns de seus ministros, especialmente o da deseducação, a quem quer que seja, e com bem menos armamentos) e Prosperidade (com menos desigualdade social, com taxação às maiores fortunas e não aos desempregados e mais pobres). Ótimo 2020!

Renato Sá (ex-atacante de Grêmio, Botafogo, Atlético-PR, Avaí e Atlético-MG)


Toninho Quintino (ex-atacante de Avaí, Figueirense, Palmeiras, Cruzeiro e Corinthians)


Pintado (ex-volante de Bragantino, São Paulo, Santos, Atlético-MG e América-MG)


Mickey (ex-atacante de Fluminense, Bahia, São Paulo e Ceará)


Paulinho Criciúma (ex-meia de Criciúma, Bangu, Botafogo e Inter)


Veja também:
A ignorância instruída
O negro crepúsculo - trecho do capítulo IV
Ode ao futebol-arte
Jogada de Música no IMMuB

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

DE 24 DE DEZEMBRO DE 2014 PARA SEMPRE


A noite de hoje, independentemente do que - ou em quem - cada um crê - inclusive em vários deuses ou em nenhum deles - é uma grande oportunidade para celebração e reflexão. Amar pais, filhos, avós, tios, primos, amigos é uma dádiva, é grandioso, mas convenhamos não é tarefa assim tão difícil de se cumprir. Difícil mesmo, árduo, suado, encardido, aquilo que exige algo além de nós mesmos é o tal do "amai-vos uns aos outros", porque inclui um monte de gente egoísta, canalha, arrogante, blasé etc etc etc.

Não digo nem amar, mas pelo menos não odiar o próximo creio que seja um belo exercício diário, que tenho certeza, se todos procurarmos cumprir, muita gente egoísta, canalha, arrogante, blasé pode se tornar melhor. É a única chance que temos de construir algo bom neste povoado, A única!

Com toda tecnologia, todo avanço da ciência, toda evolução da medicina, com todas as conquistas inimagináveis que o ser humano vem conseguindo, apesar de todo egoísmo, canalhice, arrogância etc etc etc, só há uma chance de termos uma boa convivência e, conseqüentemente, paz: agirmos sempre, o mais que pudermos, com paz, solidariedade, paciência, generosidade, respeito e, se possível, com amor. Que um novo e rico ciclo se inicie nesta noite. Para todos nós, sem exceção.

Amém, Assim seja, Maktub!

Obs: este texto foi publicado originalmente no Facebook em 24 de dezembro de 2014

Veja também:
"Sutilezas": paixão, amor e surpresas
mãe exalta o amor em "O filho de mil homens"

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

TRINTA E OITO ANOS NÃO SÃO 38 DIAS, NEM MESMO 38 RODADAS

Foto de Ernesto Benavides (AFP)
Os flamenguistas tiveram de suportar uma seqüência de vexames em muitas das mais recentes edições da Libertadores e 38 longos anos de espera impaciente para poder voltar a comemorar o título continental. Milhões, na verdade, só conheceram a história da primeira conquista por vídeos, textos e fotos, pois sequer eram nascidos, ou eram pequenos demais para entender o que se passou naquela noite de 23 de novembro de 1981. No mesmo dia e mês deste 2019, uma festa indescritível e emocionada se repetiu. E se duplicou no dia seguinte, com a chegada do time ao Rio de Janeiro no fim da manhã, e a confirmação do título brasileiro, no fim da tarde.

Na final de sábado, o Flamengo não jogou o seu melhor futebol e perigou perder a taça para um time inferior tecnicamente. Porém, na hora de decidir, o talento de Bruno Henrique, a garra de Arrascaeta e, principalmente, do oportunista Gabriel Barbosa, apareceram. Bruno só começou a jogar o que sabe nos últimos 15 minutos, Arrascaeta não foi nem de longe o talentoso meia que é, e o Gabigol só jogou de verdade os três, quatro minutos finais, quando fez os gols do título.

Muito se falou no River de Gallardo antes da partida, e muitos exageraram depois dizendo que massacrou o Flamengo no sábado, o que está léguas de distância de ser verdade. No primeiro tempo, o time argentino foi melhor sim após o gol, numa falha grotesca de Arão e Gerson, num deixa que eu deixo típico dos jogos colegiais de vôlei. Mas o River não criou chances claras de gol e se mostrou um time muito chato, irritante, que abusou das faltas (27 contra 12!!!) para impedir que a equipe rubro-negra andasse em campo, com alguma complacência do árbitro, que deixou de marcar algumas mais. E como adotou o tempo todo uma marcação adiantada, para dificultar a saída de bola adversária, morreu e sofreu no fim do jogo com o melhor preparo físico e técnico rubro-negro. Além disso, o treinador terá de explicar à sua torcida por que pôs o lento e grandalhão Pratto nos minutos finais.

Essa quantidade absurda de faltas cometidas pelo time argentino explica um pedaço da má atuação do Flamengo, mas não de todo, claro. Porém, o que gostaria de ressaltar é que o revezamento de jogadores cometendo faltas é o recurso dos medíocres do futebol. Foi este expediente que contribuiu muito para levar o nível do futebol brasileiro por tantos anos para baixo. Por mim, a regra deveria limitar o número de faltas, não necessariamente punindo o infrator com tiro livre direto perto da área sem barreira, como ocorreu no Torneio Rio-São Paulo de 1997. Talvez o jogador que cometesse a infração que excedesse o limite pudesse ficar 5 ou 10 minutos fora de campo, não sei, é só uma sugestão. No entanto, este é um papo para outro texto. 

Parabéns, galera rubro-negra! Agora é lutar pelo Mundial, sem se esquecer que antes de se pensar no Liverpool, há uma semifinal a disputar.

Veja também:

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

UMA PERGUNTA INCÔMODA, MAS NECESSÁRIA NO LAMASCAST

LamasCast 25 está no ar com uma pergunta incômoda, mas muito importante: você gosta realmente de quem você é? Ouça abaixo ou no SoundCloud.



Veja também:
A brutal delicadeza de Kieslowski

terça-feira, 15 de outubro de 2019

UMA ESTRÉIA MUITO FELIZ NO MUSEU DA PELADA

Eu e Ramírez. Foto: Fernando Gustav
No último dia 9, quarta-feira passada, tive a honra de vestir o manto sagrado do Museu da Pelada pela primeira vez para entrevistar uma grande figura humana, o uruguaio Sérgio Ramírez. Atualmente comandando a base do Guarani de Palhoça (SC), clube formador reconhecido pela CBF, Ramírez falou sobre a corrida que deu em  Rivellino, no Maracanã, em 1976; sobre a formação do maior Flamengo de todos os tempos; sua grande amizade com o Maestro Júnior; de Pelé (inclusive um sonho que teve com o Rei do Futebol na noite anterior); a origem da música "Cadê o penalty?", de Jorge Ben; do maior título da História do Campo Grande, o Campusca, e ainda tocou violão e cantou sucessos de Jorge Aragão e Carlos Gardel. Em breve, no ar! 

Muito obrigado ao Fernando (cinegrafista), ao meu amigo Paulinho Menezes, que nos levou de Florianópolis a Palhoça e se integrou na equipe com a maior facilidade; ao Ramírez e a sua esposa, Siloé, e um agradecimento mais do que especial a Sérgio Pugliese pelo convite para fazer parte desse timaço do Museu da Pelada. Vem muito, muito mais por aí!

Para assistir à entrevista basta clicar aqui.

Atualizada dia 21/10

Veja também:


segunda-feira, 14 de outubro de 2019

JOGADA DE MÚSICA NO LAMASCAST

O projeto Jogada de Música é o tema do mais recente episódio do LamasCast. A tabelinha sensacional entre a música e futebol que já foi quadro em rádio, é coluna em site e está pronto para éntrar em campo como documentário, série para TV, série de shows e exposição multimídia. Não perca! Ouça abaixo ou no SoundCloud.
 

Veja também:
Jogada de Música no IMMuB
Música e futebol, o Brasil no Primeiro Mundo

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

A TROPA DO HORROR ESTÁ NO PODER

Wagner Moura, como Capitão Nascimento,
no filme "Tropa de Elite" (2007)
Em 2007, após assistir ao filme "Tropa de Elite", enviei por email um texto para vários amigos, colegas de trabalho e conhecidos, pois ainda não tinha este blog, que foi ao ar somente em março do ano seguinte. Hoje me recordei dele ao ler a coluna de Elio Gaspari, no jornal O Globo, sob o título "Quando foi que tudo começou", que volta ao filme para mostrar que aquele aplauso da plateia à tortura do Capitão Nascimento proporcionou a chegada ao poder de seres como Bolsonaro e Witzel. 

Fui, então, atrás do meu antigo texto para confirmar que eu estava certo em meu receio, como também sempre foi a da chegada ao poder desta ideologia pseudo-cristã. A mistura de pseudo-religião com o Estado militarizado está no poder graças à plateia e seus guias "espirituais" e "políticos". Ao ler o texto de Gaspari e reler o meu (abaixo), tenho a plena certeza de que muitos amigos, colegas de trabalho e conhecidos aplaudiram de pé a cena da tortura em "Tropa de Elite". E, pior, continuarão a aplaudi-la repetidamente na vida real. Até a hora em que o calo do próprio pé apertar e a consciência urrar de dor.

TROPA DO HORROR!

O que mais me espanta no filme “Tropa de Elite” não é nem a descarada propaganda fascista que ele carrega. Afinal, em tempos cínicos e de profissionalismo a qualquer preço, não é de se estranhar que mesmo um diretor que fez um honesto e comovente documentário (“Ônibus 174”) resolva - a troco sabe-se lá de quê – transformar assassinos e torturadores em super-heróis. Até o vazamento das cópias piratas são suspeitas, pois se tornaram uma muito bem-sucedida jogada de marketing. O que me assusta é ver, ler e ouvir pessoas das quais tanto gosto dizerem que o filme é maravilhoso.

Das duas, uma: ou a desesperança e a falta de humanismo se instauraram de vez nos corações das pessoas ditas do bem ou a falta de hábito de se questionar, de analisar, de sentir e pensar por conta própria está mesmo se exaurindo, especialmente nesta cada vez mais decadente Cidade Maravilhosa. Das duas, as duas. Que “aspira” a ditador sanguinário estará por trás ou dentro do Sr. José Padilha para defender com tanta paixão as práticas do Batalhão de Operações Especiais (Bope)? 

Há no filme críticas severas – e justas – contra a sociedade hipócrita, a imprensa, os governantes e os policiais militares, mas não há um porém aos métodos adotados pelo Bope. Um sequer! Pelo contrário, tudo é amplamente justificado e enaltecido. O Capitão Nascimento (personagem de Wagner Moura, que escreveu nesta terça-feira um ótimo artigo no jornal O Globo contradizendo toda a essência do filme que protagonizou) bem poderia ser chamado de Capitão Morbidez (a caveira é o símbolo!). Pois ele é alçado ao posto de um Capitão América (Capitão Carioca?) que a todos salvará, não só com sua brutalidade extrema, como com o seu sacrifício familiar e de saúde, e sua doação de corpo(ração) e alma para deixar em seu lugar um sucessor à sua baixeza.

Li uma entrevista de um dos muitos comandantes policiais que este lugar possui - não me recordo quem - que Padilha fez com o Bope o que o cinema americano fez com a Swat. Como se isso fosse ótimo! E olha que para quem assistiu às séries do enlatado americano como eu, sabe muito bem que a propaganda naquele caso era bem mais sutil e menos violenta.

Hitler, Mussolini, Pinochet, a junta militar no Brasil, Stalin, Mao Tsé Tung, Pol-Pot e muitos outros só conseguiram se manter no poder graças ao apoio e ou à fragilidade da imensa maioria da população. Ignorância, ganância, subserviência e autoritarismo dão lucro até a cineastas. 

Tropa de Elite” é o horror! 

Veja também:
Eles não nos entendem

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #47

Uma coisa jogada com música - Capítulo #46 Garrincha e Pelé, durante a Copa do Mu...

As mais visitadas